14 abril 2009

A 9ª Sinfonia de Beethoven


Eu não esperava.

Semana passada a Juliana Bueno me avisa que a Orquestra Sinfônica de Santo André apresentaria nesse final de semana a 9ª Sinfonia de Beethoven. Confesso que eu nunca havia contemplado-a por inteiro, apenas havia ouvido – e várias vezes – último movimento que tem o coral. A vontade de ouvi-la aumentou absurdamente, após recordar de um filme sobre Beethoven que havia assistido ano passado, e alguns fatos sobre a composição da sua ultima sinfonia acabada.

Sábado fui com o Rafael, 19hrs iria começar a distribuir os ingressos. Chegamos umas 19h25 e havia uma fila como nunca havia visto no Teatro Municipal de Santo André. A fila se entendia até a rampa do estacionamento – para quem conhece. E logo, os ingressos acabaram. Mas no dia seguinte, fiquei com isso na cabeça, e resolvi ir bem mais cedo. Às 18h25 cheguei, e já havia umas 200 pessoas na fila, mas eu e o Elcio conseguimos pegar ingresso. (O teatro deve suportar, no Maximo, uns 600-700).

20 horas e a apresentação vai começar. Mas antes, Carlos Moreno, o regente fala um pouco sobre a sinfonia, quanto à interpretação dela, porque é considerada a maior obra de todos os tempos. E que o seu tema central é “a fraternidade”. Falando sobre a idéia de quando chegamos em certo ponto da vida, começamos a filtrar e deixar tudo de lado que não vale muito apena, e passamos a dar mais valor apenas para aquilo que realmente é importante, e que Beethoven, trouxe isso a tona, tornando a “fraternidade” o amor e companheiros para com as pessoas, como sendo tal. Então os acordes iniciaram.

Não há como descrever o durante. Mas, finalmente, eu pude entender e ver, porque Beethoven é chamado de Beethoven.
Pude perceber o quão meu ouvido ainda precisa estudar e aprender a interpretar musica. Tive duras dificuldades de entender muita coisa da música. No primeiro momento, conseguia perceber o contraste do claro e do escuro, apenas nos momentos mais evidentes. Tive muita dificuldade para observar o tema da fraternidade na música; e sinceramente, não conseguia notar. Mas no momento 2 e 3, consegui perceber claramente uma idéia meio que Salomão em Eclesiastes, nos fazendo contemplar a realidade com tal serenidade, que observamos que tudo não passa de uma vaidade, várias vezes podia ver a perguntava jogada pelos acordes “O que realmente importa? Qual é o valor das coisas?” E aquela elevação então para uma oração, algo mais celestial, uma divindade, a belo, e ali encontrar as verdades, os sentidos, que realmente tem valor e importam. Isso eu consegui perceber na música; o impacto e a forma como tal coisa foi tão profundamente expressa, sinceramente, tive que me segurar para não chorar; pois comecei a associar isso em como tenho corrido atrás do vento, em muitas coisas na minha vida.

Minha expectativa para o último movimento era enorme, pois não via a ora de entrar o coral; e com palavras, eu poder compreender melhor tudo aquilo. Fora que nunca havia ouvido tal em português. Então para a minha surpresa, o momento chega, porém, em alemão (conforme o idioma original da composição de Beethoven). Mas no decorrer, em poucos minutos fiquei profundamente convicto que traduzir tal, seria profanar a música, retiraria muita coisa dela. Ainda mais depois, quando li na Internet como Beethoven lutou para conseguir fazer esse coro, colocar a poesia de Schiller na sinfonia.

A sinfonia acabou e um novo mundo se transformou após passar por ele tal som. Fiquei pensando e refletindo muito na música durante a execução, de modo que as questões técnicas foram o que menos reparei, de tais, algumas coisas que destaco:
- os violinos tocando umas notas, que acho que eram fusas ou semi-fusas. Ficava me perguntando: "como é que eles liam a partitura numa velocidade daquelas?";
- o contrafagote é intimador, o seu som peculiar, me encantou (nunca havia ouvido e visto ao vivo);
- a afinação dos solistas, em especial do baixo, a forma como manteve firme, afinado e intenso algumas notas bem graves. E o efeito sonoro quando a harmonia das quatros vozes se encaixavam.

Mas o que, sobretudo, me impressionou foi a música.
Vou ser sincero, até hoje eu ouvi pouco Bach, mas posso dizer que escuto muito Tchaikovsky, e eu consigo notar e perceber claramente seus traços e características nas suas sinfonias e músicas, de modo que eu me sinto um pouco na Rússia, mesmo nunca ter ido para lá. E acho que a Abertura 1812 entendo e compreendo quase cada nota da música, de tanto que já ouvi nos últimos 3 ou 4 anos tal; mas sempre me surpreendo com novos detalhes a ouvir tal tocada por uma orquestra diferente, e que normalmente sempre variam algo. Mas o que dizer quanto a Beethoven? Eu escuto algumas do Beethoven, gosto muito da Terceira Sinfonia (Heróica), consigo interpretá-la um pouco após assistir um documentário sobre ela. Mas a nona foi diferente. Pude observar um pouco quem era Beethoven, um pouco de seu caráter e ideais para a música. – A perplexidade aumenta quando pensamos nas suas dificuldades auditivas.

Talvez fique muito abstrato para o leitor o que irei descrever aqui da Nona Sinfonia, mas peço que te esforce; pois realmente, vale a pena, eu gostaria de compartilhar, pois se tal fizer sentido para você, do modo como eu consegui entender, mesmo que não completamente, isso vai ter um impacto forte na sua vida.

Em primeiro lugar, ficou evidente para mim o modo como Beethoven trabalha a idéia de "um só som". A harmonia resultante é um som só, e melódico. De modo, que todos os instrumentos, o arranjo para cada um, combina e encaixa tão bem, que isso em si já torna a música bela, maravilhosa; faz você identificar aquilo como uma perfeita harmonia, algo tão harmonioso e ao mesmo tempo melódico que parece celeste, que a impressão é que são anjos tocando. Especialmente, quando os instrumentos começam conversar, em especial as madeiras; é uns sons tão peculiares, de modo que eu ouvia eles de fato tendo uma solene, bela e amigável conversa; talvez, ai estava um traço da fraternidade o qual não percebia. Mesmo os metais, trompas, trompetes e trombones, pareciam ausentes, mas estavam sempre presentes, e muitas vezes fazendo toques fortes; mas não soava como Tchaikovsky, como um martelo que batia a rocha; mas como uma poderosa maré que arrastavam navios.

As dinâmicas da música são formidáveis, a harmonização, tudo soa tão suave, natural que é intrigante, você de repente notar que, do nada, a música mudou, ora tão claro, ora tão escuro; ora um pp, ora um ff; mas não parece haver diferença; foi um gradiente tão perfeito, mas tão curto, que é de espantar. Como que ele conseguiu fazer essas transformações, mutações? Talvez pela minha falta de ouvido musical, mas eu não conseguia perceber a música sair de um ré menor e ir para um ré maior, apenas quando se compara os dois extremos se percebia algo. É uma música tão cheia, tão variada, com tantas dinâmicas, com tantas exigências técnicas, mas tudo ocorre com tanta suavidade que é como observar as ondas de um mar calmo. Mas está ali, a música está no ff, mas soa como a onda! Em nenhum momento a música fica gritante! Mesmo no momento com o coral, o mesmo principio continua, com os solos, idem. No momento forte mesmo, que entram todos juntos: solo + orquestra + coro: "Freude, schöner Götterfunken" ("Alegria, formosa centelha divina"); aquilo tudo continua soando como um único som, forte, melódico, mas harmônico, solene, natural, manso, e ao mesmo tempo, imensuravelmente alegre, animador.
Como pode uma coisa dessas ocorrer? Parece um teletransporte de ficção!

Talvez a forma como é a música de Beethoven na nona sinfonia me impactou mais do que a sinfonia em si. O modo como foi trabalhado cada movimento, a orquestração; essa idéia que faz de toda a música como um todo, um só som, uma só música.

Não é a orquestra, o coral, o solo, é a música o som. Tudo ali é feito de um modo tão objetivo em promover um só som, uma só coisa, que me espanta. Nenhum instrumento é valorizado, nenhum solista, nem o coral, não é a dinâmica, não são as notas, não é o andamento, mas o som que esse todo deve produzir; um som celestial. Isso me fez pensar um pocado quanto a vida, a religião e o louvor. E ainda estou pensando.

Em segundo lugar, confesso que poucas vezes me dei conta de tamanha humildade, pequeno, ignorante que sou. De modo que não consigo me imaginar com tamanha genialidade como a de Beethoven, pois ao pensar em todo repertório musical que já ouvi, nada se compara quanto a esses aspectos que digo ser únicos da nona sinfonia. Como posso eu imaginar um dia conseguir alcançar tamanha genialidade musical? Creio eu que só no desenvolver da eternidade, o poderei alcançar e ultrapassar.

Quanto à vida, o que a música me deixou fortemente dizendo, é a vaidade; é ali, Eclesiastes "Vaidade de vaidade, tudo é vaidade.". Estamos passando preto para branco, claro para escuro, os baixos e altos, os momentos da vida vão ocorrendo, mas nós não vamos percebendo. Ao mesmo tempo, ora nos almejamos algo tão forte e claro que o rogamos, fazemos introdução a ele; mas então ele vem, aparece. Mas e ai? Na hora, tal não faz diferença nenhuma. Ele vem quase naturalmente, e naturalmente sem vai; mas o mais comovente, é que quando o alcançamos, [nos] damos conta do quão vão é, do quão vazio tal coisa era para nos prover a verdadeira alegria e felicidade. Mas ao mesmo tempo a música nos demonstra qual é o caminho, ela nos faz contemplar o celeste, o belo; mas através do som único.

Não é valorizar os trompetes, ou as madeiras, ou as cordas, ou o solo, ou o coro, nem os momentos e dinâmicas da vida, mas sim, fazer com que todos se encaixem como um só coisa, um só som, uma só música, um só objetivo, de modo solene, natural, como ondas calmas do mar, mas tudo tão perfeitamente equilibrado, que mesmo com um trompete fazendo um ff e um bombo sinfônico sendo batucado; ou o tímpano fazendo umas batidas quebradas numas sincopas, você apenas percebe o resultado final, a música; tudo isso soa suave; não agride a alma, não agride os ouvidos, não agride a consciência, não agride ninguém. É um pacifismo pleno, uma vida de total harmonia com o mundo, com as pessoas, com a natureza, com Deus, com o belo, com a música; nada se sobressai, mas tudo ocorre de modo tão uníssono, apesar de harmônico, que soa perfeito, sem espaço para o egoísmo, sem espaço para a vaidade, para ambição. É olhar para a vida e dizer que ela tem um tema. E esse tema soa essa música celeste, livre da vaidade, livre da guerra, livre da censura, livre do preconceito, livre da ganância e do DINHEIRO. O tema dessa vida é o belo, é a beleza nas amizades, nos relacionamentos, na religião, na música, no estilo de vida, na natureza, no acordar, no levantar, no pensar, no modo como viver, no modo como falar, ouvir... - a coisa vai longe.

Quanto à religião e o louvor, pensei muito na questão musical mesmo. Se referências é sempre o nosso espelho para discernir as coisas. Olhemos para a nona sinfonia, e olhemos para as musicas e atuais movimentos que hoje há na igreja. Até mesmo o hino 14 - Jubilosos te Adoramos (um arranjo da nona sinfonia). Estão distintos. Não conversam. Na música de Beethoven, eu pude contemplar o celeste. É uma experiência, uma dinâmica, incomparável. O próprio maestro falou isso quanto ao terceiro movimento, "nós somos levados a um nível celestial". Algo, que raramente, e que faz muito tempo, nenhuma música na IASD conseguiu produzir. O som único não ocorre. Mas sim, uma clara valorização da harmonia e do ritmo. Nada se encaixa sem valorização. Todas as dinâmicas são claramente perceptíveis e gritantes, tanto o p, quanto o mp quanto o fff.

O instrumental e o canto não agem não produzem um só som, uma só coisa, quase como se todos juntos, formasse O INSTRUMENTO, e que soprando-o, se sai o som, se sai a sinfonia do louvor, como ocorre na música de Beethoven. Mas o que vemos e ouvimos, são destaques, não vejo o mar tranqüilo e calmo, mesmo que forte e poderoso se perdendo em meio ao céu azul onde até onde o horizonte permite; mas vejo muitas coisas. Vozes são muitas vezes estridentes - instrumentos também; são gritantes. Parece que hoje há até uma incapacidade de se produzir um canto e instrumental forte, cheio, poderoso, mas tão suave, solene, manso, calmo, alegre, harmonioso, melódico e uníssono, como Beethoven faz no último movimento.

Como podemos nós se autodenominar apreciador do belo, da música? Quando na verdade, apreciamos o ruído, o barulho, as diferenças, ao invés da unidade, do perfeito, do único, do objetivo. Hoje é evidente que muitas discussões rolam nas igrejas em torno da música, todos com seus pontos de vista pessoais. É o violino falando, depois é a viola, o fagote, o cello, o trombone, o trompete, o timpano, a clarineta, a trompa, o tenor, o baixo, o soprano, o contralto, o coral, o regente; é cada um falando; não é uma conversa, não é uma música, é uma guerra sonora. Cada um está falando de uma coisa, da sua rebelião própria. Não há a fraternidade entre si, a fraternidade entre os instrumentos, as vozes, os coros, o maestro. A fraternidade máxima que deve ocorrer, quando todos simplesmente, se tornam um só instrumento, uma só voz, um só som, um só timbre.

Por que parece não haver solução para este problema? Porque aí estão os músicos, como eu, incapazes de interpretar a obra de Beethoven; com ouvidos sem educação musical. Sem a humildade de reconhecer isso, querendo dar palpites sobre música e louvor. Quando não temos ouvidos, e não compreendemos a mensagem, o exemplo, o espelho que Beethoven nos deixou na sua última sinfonia; após uma vida dedicada a música, talvez o maior gênio musical e humano conhecido da História, pegou todas as suas experiências na vida, todas suas experiências musicais, tudo do que ouviu, tocou e compôs, tudo do que meditou e pensou. E assim como Salomão, nos deixou a mensagem final de Eclesiastes 12:13-14, a "9 Sinfonia de Beethoven".

Eu não consigo ver tal obra como fruto da mera mente humana, na minha espiritualidade e discernimento, está claro a inspiração divina em Beethoven em tal composição. Uma música que nos revela traços e nos dá idéia de como é a música celeste. Ao mesmo tempo, é uma música que nos revela nossa cegueira. Cegueira para ver, de fato, a música, o som único, a voz de Deus, entoado pelo instrumento único (formado este pelos instrumentos e cantos), o que a música tem a nos dizer. Quem hoje - entre os músicos crentes - entendem o que a música lhe está dizendo? O que o seu timbre está dizendo? O que a partitura lhe está dizendo? O que a nota está dizendo? Parece que blindamos essa critica, dizendo que é puramente subjetiva. Quando, na verdade, o que ocorre, é que não entendemos o que estamos ouvindo e produzindo, não entendemos; não conseguimos interpretar; e aí ficamos dando nossos palpites e chutes furados, num puro ato irracional. E é a partir disso, que surge todas essas discussões de hoje. Porque estamos mal-educados, com ouvidos não preparados para ouvir a Sinfonia, pois caso sim, entenderíamos, primeiramente, a essência da fraternidade no louvor, logo, não ocorreria nem um único murmúrio de discussão. Carlos Moreno entendeu, Beethoven entendeu, e eu entendi. E certamente muitas outras pessoas entenderam. Não é subjetivo, é objetivo. Acontece é que estamos cegos para ver isso. E nos lançamos à música, como cegos caminhando pelo campo minado.

Não sei se o leitor se dá conta do que temos aqui, o que é essa sinfonia. É um manuscrito que, se contemplado, se compreendido pela humanidade, a humanidade seria transformada, tudo se tornaria belo. Se compreendido pela Igreja, esta também sairia da mornidão. Se compreendida por nós, aprenderíamos e saberíamos o que de fato é amar o próximo, o Criador e a criação de Deus. É a mais plena justiça e igualdade social, todos se unem, o resto se torna insignificante, o relacionamento humano, o humanismo, o amor ao próximo, a empatia, se torna predominante; as pessoas se unem nesses ideais, formando-se um único instrumento, um único som:

Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.

Nota: Para ver a letra do quarto movimento em português e em alemão, clique aqui.

Para encerrar, uma carta de Carlos Moreno, na apresentação feita no dia 12 de abril de 2009, pela Orquestra Sinfonica de Santo André, Coral de Santo André, mais convidados:

"Quando em 1824 foi estreada a Nona Sinfonia em ré menor opus 125 de Ludwig Van Beethoven, a humanidade ganhava a maior obra já composta em todos os tempos. A profundidade da mensagem que se projeta desde os primeiros compassos até o último é de uma grande metamorfose de sentimentos, ou seja, da escuridão ao mais cintilante raio de esperança e crença na própria humanidade, partindo da tonalidade de ré menor predominante ao ré maior resultante. O primeiro movimento – Allegro ma non troppo e um poço maestoso – desenvolve-se em uma forma que homenageia o barroco – Toccata e Fuga – cujos elementos, células motívicas principalmente, dão ao movimento a importância de uma abertura. Nesta sinfonia o segundo movimento – Molto Vivace – se apresenta como um Scherzo de caráter quase marcial sendo contrastado por uma momento central – trio – de inspiração panteísta e retornando subitamente a vigorosa idéia primeira, concluindo o movimento através de um gesto beethoveniano num movimento descendente. O terceiro movimento – Adagio molto e cantábile – trata-se de uma oração. Em forma Lied, seu objetivo maior é ser elisivo em função ao que virá. Atentos! Por clamadas características executadas pelos trompetes e trompas, esta mensagem é colocada por Beethoven nos mantendo ligados e curiosos ao desenvolvimento da obra. Chegamos finalmente à parte conhecida como Coral. A partir deste ponto e despertos por um acorde que mais se parece com uma buzina, um som punitivo, o movimento Presto nos introduz aos temas que serão cantados pelos quatro solistas e o grande coro. A humanidade primeiramente é convocada a despertar de um sonho de desigualdades e fratricídios, despertando para um mundo real de crença e amor ao próximo. Esta exortação ao que existe de melhor em cada um de nós e o reconhecimento do outro como um irmão elevando nossa alma ao criador [Criador], independente do credo religioso, é a grande mensagem extraída da “Ode à Alegria” de Schiller. O famoso motivo de quatro notas utilizando por Beethoven em sua Quinta Sinfonia e outras obras, aqui aparece como a menor célula melódica. Podemos reconhecer aqui o canto da fênix, a conclusão da metamorfose. “... Irmãos, acima da abóbada estrelada do céu, um pai amado deve habitar.”. Com estas palavras de esperança traduzidas do texto, Beethoven, em 1827, estava pronto para nos deixar. Todos Irmãos. Viva!" - Carlos Eduardo Moreno


Para fazer o Download da música completa, clique aqui.

6 comentários:

Igor de paula disse...

Eu nunca a ouvi ao vivo, so por cds, posso dizer q a musica q me fez voar assim foi a suite de carmem, porem Beethoven fez o q ninguem at hj conseguiu fazer: ultrapassar as regras sem quebra-las. Seu post me arrepiou, nao so esta, mas outras musicas tb transmite bastante emocao, experimente ouvir a 4 de bramhs, so o primeiro moveimento, e pense num triangulo amoroso e tb ouça a usica concerto para cello de schumann.

Gabriel Dias disse...

Olá !
Sou formado em matemática pela USP também! E estudei no Anglo também .. hehe

Bom eu sou músico, toco alguns instrumentos entre outros violino que é o que eu mais me dedico. Sou apaixonado pela matemática e pela música.

Tenho um Blog sobre matemática e algumas coisas uma pouco "geek" mas bem interessantes.

Espero que possamos compartilhar idéias e leitores !

Abraços

Gleydson disse...

Li todo o seu texto. Confesso que nunca fui a uma audição in loco da 9 Sinfonia. Porém, você em todo texto faz o que eu também sempre faço: tento explicar com palavras um fenômeno inexplicável. Os sentimentos advindos da escuta atenta de uma boa música são inefáveis, assim eu penso. Embora louve sua atitude de se colocar nessa condição de ouvinte atento, te dou um conselho: apenas sinta e continue tentando partilhar conosco, ainda que improvável, suas intrigantes experiências estéticas. Parabéns, Evandro.

Gilson disse...

Parabéns pela análise. E um detalhe que talvez você saiba: os instrumentistas não lêem na hora do concerto. Ao menos não como se dependessem daquilo como se fosse a única salvação.

Todos estão com as partes muito bem estudadas e, certamente, para uma escala daquelas ele não precisa da partitura pra reproduzí-la naquele momento.




Ah, não sei se da escrita do texto pra cá você teve essa oportunidade: se puder, faça esse mesmo tipo de análise com a obra de Bach.

Não comparo compositores e nem o farei: não teria pra quê. Johann Sebastian Bach e Beethoven são duas das maiores referências de seres humanos que tenho para minha vida.

Não tenho a menor dúvida que Beethoven e Bach foram intermediadores de Divindades através de suas músicas.

Bells disse...

Nunca vi alguém falar tão claramente sobre o que se sente ao ouvir a 9ª Sinfonia de Beethoven. Entretanto, não posso negar, que mesmo assim, ainda faltam palavras para descrevê-lo. Nós, pobres mortais, nunca teremos palavras suficientes.
Está de parabéns pela forma que se expressou.
Abraços
Isabel

Yasmin Barradas disse...

Evandro, eu sou flautista de uma Orquestra Sinfonica e devo admitir que a 9ª de Beethoven sempre foi a minha favorita... adorei a forma como vc expressou todas as formas e cores que ele deu a 9ª... e como é puramente divina a inspiração que até os dias de hoje não se repetiu com tamanha glória. Mesmo com tantas palavras acredito que é impossivel descrever com todas as letras o que se sente ao ouvir esta sinfonia. É uma experiencia unica, maravilhosa e tão individual que é praticamente impossivel fazer o outro sentir o mesmo. O que acontece é que os que já ouviram essa sinfonia compartilham um mesmo sentimento que essa música traz. Eu amei o seu post foi muitissimo lindo e tenho certeza de que todos ou a grande maioria sente o mesmo que vc (ou quase isso) quando ouve essa sinfonia! Parabéns!!!