Mostrando postagens com marcador USP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador USP. Mostrar todas as postagens

02 setembro 2012

13 abril 2011

Sobre os Impostos e a Educação

2 comentários

Quinta, dia 7/abril/2011. Tive uma palestra na Faculdade de Educação  da USP, com um especialista sobre o Orçamento Publico do Brasil. Do qual o tema em especial foi a Educação - lógico. Fiquei feliz por finalmente entender um pouco como a coisa é gerida, “quantos impostos existem”, e quanto deste imposto é destinado a Educação.

Claro, eu como todo brasileiro, sinto certo rancor quando ouço falar em “impostos” como um verdadeiro sentimento de estar sendo roubado a força, sem ter como se defender. Achava até então que nós brasileiros realmente pagamos muito imposto. Mas uma comparação foi feita com outros países de primeiro mundo, e não é bem assim.

Um bom índice de comparação, é a razão [ Impostos / PIB ]. Neste, em geral, o Brasil está muito abaixo de outros países. Em 1998, enquanto o Brasil tinha 33% boa parte dos países de primeiro mundo estavam acima dos 40%,  alguns mais de 60%. E na Suécia, há até mesmo um caso excepcional, no qual o povo estava cobrando, querendo, pedindo para o Governo aumentar mais o imposto, para poder investir ainda mais em Educação. Algo que nunca me passou na cabeça, quando penso em povo, o qual o pensamento é outro, pelo menos no Brasil: “Governo, diminua os impostos, e invista mais em Educação.”

Todavia, o investimento em Educação é ridículo no Brasil. Na América Latina, Brasil ganha por pouco do Paraguai, e fica muito atrás da Argentina, Chile, Uruguai, México. Se formos comparar com os países de primeiro mundo a diferença é discrepante. Pelos números que lembro mais ou menos, no Brasil, no ano se gasta em média de 1.800 reais com um aluno do Ensino Médio. Ou seja, uns 5 reais por dia por aluno! Se for pensar na Educação Primária, gasta em torno de 800 reais a. a. Ou seja, “Menos que um pastel por dia.” (como a professora Sonia observou). Já nos países de primeiro mundo, esse número, é no mínimo, em torno de 5x mais! Nos Estados Unidos, chega a passar de 8mil reais.

Mais ai vem a questão mais importante: “Donde vem os recursos (dinheiro)?” Lógico, dos Impostos. Mas quais impostos? Poupando palavras: “Quem paga os impostos? Quem banca os gastos do Brasil?”. É alarmante, eu fiquei abismado. Mas quem paga é basicamente a Classe Média. E quando digo banca, quer dizer que é a Classe Média que banca os gastos públicos, a Educação, Transportes, Saúde, é quem banca a vida da Classe Pobre, os vários auxílios, e bolsa que o governo Lula promoveu para ‘o estado bancar a vida dos pobres (inclusive os que moram em favela mas tem água, eletricidade, TV de LCL de 70”, e todos eletromseticos básicos, fora TV paga, internet.. claro, tudo clandestinamente), ao invés desses contribuírem para a nação’. E também, a classe média, é quem banca a classe alta, os ricos. Sem contar o dinheiro publico que é desviado para quem já tem dinheiro. Mas não fique com raiva da classe baixa, qual basicamente não paga imposto, não contribui significativamente para a Nação, para a Educação, por lotarem o transporte publico e tudo mais. Pois...

O GRANDE VILÃO é a Classe Alta. Principalmente por 3 motivos:

1.       Sonegação de Impostos;
2.       Imposto de Renda desproporcional;
3.       Boicotar o Imposto Sobre Grandes Fortunas, e o Imposto Sobre Propriedades Rurais.

O palestrante, especialista, deu uma bom banho de água fria em nossos ânimos de revolta contra os impostos, e nos deu uma boa ideia da realidade que eu desconhecia. Bem, em primeiro lugar, está na Constituição que deve haver um “Imposto sobre grandes fortunas”. Ou seja, quem é rico, quem tem grandes fortunas teria que pagar um imposto extra. Justo, não? Ou seja, quem tem muito dinheiro, para quem dinheiro não faz falta, para quem pode muito contribuir para os cofres públicos, contribuiriam com este imposto. Para quem ficam a vida toda viajando e tendo lazes e luxo, e seu único trabalho é quando sua fortuna é ameaçada e tem que protegê-la. Mas, NUNCA esse imposto foi cobrado. REPITO: NUNCA!  (nem o Batista que tem tantos bilhões, nem o Silvio Santos, nem nenhum dos politicos...) Sabe por quê? Porque nunca foi regulamentado pelo Estado (pelos políticos). Usam de desculpa: “Mas o que é uma grande fortuna?” E assim, ficam boicotando isso, para NUNCA terem que pagar esse imposto.

Bem, para por aí? Não. Além disso. Existe o Imposto sobre propriedades rural. Mas esse imposto é uma taxa mínima tão ridícula, que não é uma arrecadação significante para o cofre publico. Bem, poderiam aumentar esse imposto, ou fazer algo “proporcional ao tamanho das terras”. Opa! Mas ai, os grandes fazendeiros, e homens ricos que tem muitas terras, especulação que há quem haja terras maior que o estado do Sergipe, teriam que pagar “algo proporcional a sua grande riqueza”. Então, nunca ninguém mexe nesse imposto. E assim, os ricos deixam de contribuir para a nação; apenas lucrando com o que produzem nessas grandes terras. E aí poderia entrar algumas discussões sobre o MST, mas deixa para lá.

Mas ainda não é o fim da picada. Imposto de renda. A maior parte dos recursos públicos da nação vem do Imposto de Renda, do Imposto sobre produtos industrializados (IPI) [principalmente sobre automóveis – e assim continuaremos a ser o pais do automóvel e do transito] e do Imposto sobre operações financeiras (IOF). Bem, do IPI e do IOF os ricos não conseguem fugir muito (mas olha lá, tem o Mercado Negro, paraísos fiscais...). Mas apenas quanto ao Imposto de Renda, os ricos são basicamente sonegadores. Quase todos, a maioria, daqueles que tem mais de 17 milhões de reais, se declaram, como pessoas de classe média baixa, e não poucos, como até isentos da declaração. E aqueles que pagam, basicamente pagam como se fosse da Classe Média. Ou seja, dão uma esmola, uma gorjeta para a nação. Mas como são poucos, é insignificante o que contribuem; sendo que de fato, quem contribui é a massa da Classe Média.

Que injustiça não? Vamos assim dizer que as 100 pessoas (hipotéticas) que tem 70% dos recursos do País. Não contribui nem com 10% dos gastos da nação. Enquanto que basicamente 80% dos gastos, são pagos pela classe média, os que tem 20% dos recursos, por sei lá, uns 50, 60 milhões de pessoas.

Mas para ficar ainda mais alarmado. Eles, os ricos, estão blindados. Como? Simplesmente, porque basicamente em toda a História do Brasil, inclusive hoje. São ELES que estão láaaa no forte de Brasilia, longe da massa do Sudeste, no parlamento, no senado, na presidência, no judiciário. Defendendo sua fortuna e sua ‘isenção’ de impostos. E quanto ao governo Lula. Mil maravilhas, ele, não? Bem, o que ele fez foi praticamente enxugar ainda mais o bolso da classe média [claro dando mais empregos para estes, para poderem trabalhar mais e ‘contribuir mais’], acabar com a Classe Média, fazendo muitos se tornarem Classe Baixa Alta, fazendo-os pagar um aumento na qualidade de vida da Classe Baixa e da Alta. Mas acredite! No governo Lula quem mais se beneficiou ainda foi a classe alta. Esse é o governo do povo! Que povo? É basicamente uma escravização da classe média. E usam a classe pobre apenas para ganhar votos. E aí, quem luta pela classe média? Bem, pelo menos dizem que o FHC fez isso, que os tucanos tinham compaixão da classe média.

E aí voltando a Educação. Se hoje o piso salarial de um professor é (hipoteticamente) 1300 reais (isso agora, 5 anos atrás era de?) e queremos que aumentasse para 3mil. E além disso queremos que diminua de 40 para 20 alunos por sala, teríamos que dobrar o número de professores (sem contar outros gastos). Por grosso, teríamos que aumentar 8x o orçamento da Educação. Segundo o palestrante, hoje, 3-5% do PIB é destinado a Educação, e o ideal, para melhoras realmente significativas, deveria este número passar para 10%. Mas desde quando os RICOS, a Classe Alta, quem lidera e comanda esse pais está interessado no ensino de qualidade para a massa? Isso seria de algum modo diminuir a Pirâmide do Poder do Capitalismo. Pois para eles o negócio é dar uma Educação péssima para as massas, e quanto aos seus filhos, colocam em escolas particulares de mensalidade acima de 2500 reais. Para estes, sim,  serem os herdeiros do poder, ocupar o poltrona no Congresso Nacional, e manter a “mesma organização” da sociedade e economia brasileira.

Como resolver esse déficit na Educação, no Transporte, na Saúde? Simples, em primeiro lugar, precisa de mais recursos. Mais impostos? Esta seria a solução? Ou então, fazer com quem até agora só explorou o dinheiro da ‘classe média’, que realmente tem dinheiro e poder, venha a contribuir JUSTAMENTE com a nação? E segundo o palestrante, o valor da sonegação de impostos é incalculável, provavelmente, é maior do que já é arrecadado; alguns especulam, um segundo PIB.

CPMF – Um Imposto com Gosto de Justiça

Eu sou um daqueles que também pensava: “MAIS UM IMPOSTO!!??!! NÃO!!!” Porém, é um imposto mais democrático. Cobrado sobre as movimentações financeiras. É simples. Quem mais tem movimento financeiro no pais, são os ricos, a classe alta. Logo, quem mais pagava esse imposto eram os ricos. Eram um imposto proporcional. Aliás, boa parte da classe baixa nem mesmo tem conta corrente. E os ricos não acomodam seus milhões debaixo do colchão, mas nos bancos. Assim sendo, era praticamente um dos únicos impostos justos que atingia os ricos, em que os ricos pagavam mais, proporcional. E, aparentemente, não havia como ‘sonegar’, pagavam mesmo. Logo, não é de surpreender que os políticos deram um fim a este imposto. Não acabaram o imposto “por pensar no pobre, ou na classe média”, mas porque estavam pensando neles mesmo, estava afetando suas riquezas. O fim da CPMF foi apenas um passo legal dos ricos sonegar sua contribuição para a nação.

Também contou um caso interessante. Com o fim da CPMF, o Governo queria ressarcir de algum modo os contribuintes, quando o Sarney era o ministro da receita (se não me engano). Ai o Sarney falou para os bancos: “Nos dê os nomes das pessoas e o quanto temos que devolver, que depositamos para eles.” Aí os bancos disseram: “Não. Pois isso é perca de privacidade. Nos dê o dinheiro, e aí, nós damos a nossa palavra, que iremos dar-lhes justamente.” Ai o Sarney: “Nã-na-ni-na-não, nos dê os nomes...” E esse dinheiro nunca voltou, a discussão não terminou. Pois aqui há um jogo de interesses: A Fazenda assim iria saber o quanto que muita gente rica movimentou. E ai iria pensar, como o cara movimenta 300 milhões no ano, e declarou ter apenas 200mil? (seria uma armadilha para pegar sonegadores de impostos – gente rica) Fora que, muitos desses ricos, claro, são bancários (não os atendentes de filas em agencias – coitados – , né! Mas os barões.) E por outro lado, os ricos querendo se proteger da sonegação, e de “perder” clientes ricos.

Após ver este lado da CPMF, passei a ser favor a sua cobrança, a seu retorno. Aliás, os traficantes de drogas e armas, também fazem suas transações por banco, não?

Chegamos a um ponto, em que talvez o mais justo, e o inicio de uma solução, viria apenas se fossem aberto as contas dos ricos – o sigilo bancário. E assim, os sonegadores fossem pegos. Quanto, os sonegadores (os ricos) não devem já estar DEVENDO ao país, a eu, você, a Educação, Transporte, Saúde, Cultura, Habitação, se formos somar a sonegação destes nos últimos 20 anos!?

Aliás, sigilo bancário não é feito para proteger eu, nem todo aquele misero da classe média. Mas para os ricos. E não proteger num sentido de que: “Ai vão saber que tenho dinheiro e irão me assaltar, ou ladrões me sequestrar.” Pois ora, eu e você conseguimos saber quem tem e quem não tem, basta olhar a roupa, carro, casa, onde mora, onde frequenta, estudou etc. Sabemos que  todos ali na Politica TEM DINHEIRO, MUITO; saber o valor para os ladrões faria diferença? O verdadeiro interesse do sigilo bancário é a sonegação dos ricos. Esconder o mercado negro. Quem é honesto, e ganha pouco, ou que está no vermelho, tem a temer com isso?

Logo, o maior problema do país, continua ainda sendo a corrupção. O caráter Macunaíma do povo brasileiro. E o mais ridículo de tudo é ouvir comerciantes, que não pagam impostos, com pirataria, ou sem emitir nota fiscal, que reclamam e falam dos políticos e ricos como se fosse espécie de pior laia do que eles.

E novamente, temos a palavra de Jesus, quanto aos impostos: “Dê a Cesar o que é de Cesar.” (honestidade)

Que pessoa afortunada hoje, no Brasil, poderia olhar para os olhos de um morador de rua com a consciência tranquila? Neste eu votaria para presidente. Enquanto isso, meu voto continua nulo. Pois eu só votaria num mártir. Pois um honesto, certamente seria crucificado. Pois assim seria uma ovelha num covil de lobos. Quer meu voto? Jure pela sua mãe que irá fazer os ricos pagarem esses impostos justamente, como se deve! Inclusive regulamentar, e justamente, o Imposto Sobre Grandes Fortunas.

07 abril 2011

Educação - Crise de Identidade

1 comentários
Resumir a História e a Educação em poucas palavras: Tarefa ardua. Todavia, agora, cada vez mais intenso, me convenço que, pelo menos hoje (senão em todo o período pós-Iluminismo) a Educação passa por uma Crise de Identidade.

Ora, é fato que Educação, Escola, está envolvido como um processo essencial para uma civilização. Mas é isso? Bem, antigamente, não era bem isso. Mas hoje é quase que exclusivamente isso. Porém, quando dizemos civilização estamos pensando em todo um conceito de sociedade, de mundo, de vida, de modos de vida, modos de produção; e tudo isso parte de uma concepção individual de vida. Ou seja, uma própria filosofia, uma força metafisica (religioso ou não) que move o homem a idealizar uma vida, como as pessoas devem viver, o "que é o melhor", "o que é bom". Aliás, sem o fundamento da moral e da virtude, não há sentido quando falamos em educação.

Ontem assisti um filme na disciplina de Didática na FE-USP, O Menino Selvagem, e ali temos claramente a idéia do que é um homem sem educação, sem ser disciplinado, sem ser civilizado: um selvagem, sem discernimento (será?), mal desenvolvido suas capacidades, sem capacidade de se comunicar, expressar, ou mesmo compreender o mundo ao redor, apenas sendo 'um fantoche' (vamos assim dizer) de seus instintos mais carnais, como comer, beber água, se defender e descansar. Contudo, o filme levanto um questionamento que mexeu com todos: "E daí?" "Mas isso não é a pura liberdade do homem, o de não ser domesticado pelo homem, sem ter influencias de outros homens, descobrindo a vida por si, e escolhendo os próprios caminhos?" "Que direito tem o homem civilizado de ir lá, pegá-lo a força, levá-lo para a cidade, e educá-lo. Isto é: contê-lo, discipliná-lo, tirar a 'liberdade de vida' dele...?"

A discussão ainda é mais longe. Pois sempre parece que temos que lidar com questões essenciais de moral, virtude... chegando aquelas questões "religiosas". Pois retirar este fundamento de que "há o bem", "há algo bom para se fazer", "é dever de todo o homem ser disciplinado, controlar seus instintos..."... então passamos a cair num VAZIO, num vazio que nenhuma teoria antropocentrista pode preencher. Pois então o homem é mais um animal, um animal como qualquer outro, por sorte, por acaso, se uniu em comunidade, civilização, mas ainda assim não há nenhum principio, fundamento que diga "isso deve ser feito", "isso é bom". Logo, "tudo bem em ser um selvagem", "por que deveriamos ser educados?" Mas a CENA, o VER o MENINO SELVAGEM, o homem indiferente, que nem mesmo sabia chorar e era indiferente a tudo, foi chocante. As pessoas reclamam de Deus e dos principios religiosos de barriga cheia, quando estes já formaram bases de moralistas na civilização. Mas conforme essas bases morais vão sendo extirpadas, deterioradas e excluídas, e o homem começa a ver cada vez mais um "simples animal selvagem", é muito atormentante a alma, e creio que no fundo, todos voltam seus olhos para cima esperando 'alguma ajudinha'. Claro, não vimos nenhum garoto selvagem em nossas vidas - provavelmente - mas quantas vezes não vemos no dia-dia, homens selvagens, no sentido que perdem todo o auto-controle e se tornam fantoches de drogas, luxúria e violência por exemplo.

A Educação históricamente, principalmente desde o Iluminismo, tem-se distanciado cada vez mais da Religião, da Disciplina dos Instintos, e dessas perspectivas moralistas. E cada vez mais, senão ABSOLUTAMENTE, voltada para o Mercado. Sim, para o mercado de trabalho, para o pragmatismo, para o rendimento, a economia de energia do homem. Basicamente, é o MERCADO, as EMPRESAS, o CAPITALISMO, o CONSUMISMO, que tem ditado a Educação. E ainda é neste rumo que estamos presos e se acentuando.

Claramente, com isso, houve e está tendo duras consequencias na Educação. Há quem acha que Educar significa meramente "transmitir conhecimento e técnicas úteis para o Mercado"; e o problema basico das escolas então seria, "como fazer os alunos terem interesse" e "como produzir métodos objetivos e mais universal possível para conseguir essa transmissão com exito." E por todo o mundo está discussão ainda ocorre. Além das buscas por "desculpas" do "por que ensinar", sem recorrer-se a metafisica.

Todavia porém portanto, cada vez um número maior de docentes e pedagogos estão sentindo essa crise existencial, esse vazio, que há algo de errado "em aspectos filosóficos e metafisicos" na Educação. Algo claro quanto é isso, é por exemplo a Música que irá voltar a fazer parte do curriculo escolar na Escola Básica. Mas parece haver algum raio de luz, de esperança, pelo menos há quem pense assim: Que a educação deve-se voltar, principalmente, para a introspecção, a disciplina, a filosofia, a moral; e menos, a ser um fantoche do Mercado.

Eu não boto muito fé que a coisa irá mudar. Pelo contrário, acho que a tendência é cada vez mais rumo a Abolição do Homem (vide a C. S. Lewis). Até lá, as discussões continuam, como num jogo de ping-pong. Pois eu diria que a Educação não só se tornou fantoche do Mercado, mas ela passou a ser também Mercado, uma Industria.

Cada vez mais me convenço das palavras de Salomão: "Vaidadade de vaidade, tudo vaidade. É como correr atrás do vento. Nada faz sentido."

15 junho 2010

Da Vida Sentada: Da Educação à Aposentadoria

0 comentários
Sabe, uma das coisas que muito me alegra em ver na Cidade Universitária (USP Butantã) além da abundância de verde são muitas pessoas praticando esportes, sobretudo correr e pedalar. A faixa etária média eu diria ser entre os 28-50 anos, e são muitos. Ontem, indo para mais uma aula de Filosofia na Faculdade de Educação, pude me deparar com vários desses esportistas pró-saúde. - Que inveja! Enquanto eles ali corriam, suavam a camisa com roupas e tênis confortáveis, lá estava eu, de roupa social, vindo direto do trabalho, após 2, 3 horas de sedentários momentos sentados ou parado em pé em ônibus, trem, metro; com uma mochila nas costas um pouco desconfortável, indo para uma aula, onde - acredite - ficaria novamente sentado por mais 2 horas.

Será que "sentado" é a posição do século XXI? Ou então, ficar em pé parado, seja numa fila ou numa lotação? E as endorfinas? Onde elas ficam? Estas que são liberadas quando nos exercitamos, movemos, porque são tão negligenciadas, melhor, ignoradas? Aliás, creio que um dos motivos das pessoas estarem tão ansiosas, estressadas, seja a falta de endorfina, intimamente ligada a falta de verdadeira movimentação física de qualidade.

Além disso, enquanto aquelas pessoas respiravam ao céu aberto um ar limpo (bem, o de São Paulo longe está disso) devido a toda vegetação uspiana; eu acabara de respirar por 1 hora um ar literalmente empoeiradado do Onibus que faz o trecho de Sertãozinho - Maua até Santo André, passando pelas obras do Rodoanel (muito pó!); depois, 1 hora de trem e metro apenas com a abafada ventilação interna do vagão, porém, no qual haviam dezenas de pessoas, muitas, visualmente com alguma virose, algumas até espirravam, e lá, eu, respirando aquele ar contaminado (e hoje, aqui estou eu com algum inicio de virose).

Por algum momento fiquei entre uma gratidão a Deus pelo meu sistema imunológico e uma certa ansiedade em saber se tal suportaria mais uma semana dessa rotina doentia, e sobretudo, no frio inverno sem chuvas, com um ar super carregado de poluentes (alias, o céu de São Paulo já está laranja, cinza, roxo).

E mais uma aula sobre Filosofia, uma discussão sobre o ENEM. Porém, pensando em tudo que estudamos e questionamos a respeito da Escola Básica, Pedagogias e do Ensino no Brasil; as seguintes objeções me vieram em mente:

1-) Por que o ensino não se foca na qualidade de vida? Na saúde física? Na atividade física?
Ora, de fato, antigamente, os nobres assim eram educados. Pois eles eram os lutadores da sociedade. Como se dizia, os servos trabalhavam, os nobres lutavam e o clero rezava. Esparta então, uma educação voltada para a Guerra, assim era o ensino, em formar guerreiros, lutadores. Mas e hoje? Provavelmente, o foco é totalmente outro: o de alguém sentado atrás de um computador, de uma mesa, num escritório, seja como administrador, programador ou engenheiro; no melhor dos casos, um médico, que terá que ficar em pé e ter mãos firmes; e em casa, sentados na frente da TV ou computador. E assim, desde crianças, eramos obrigados a passar tediantes horas sentados em cadeiras. Quantas vezes não queria eu me exercitar - ops! quer dizer, jogar futebol? Parece que desde crianças somos doutrinados a sermos sedentários na escola pelo simples fato de 95% do conteúdo escolar são sempre com o aluno na posição de "sentado", e 5% de raras aulas de educação física e recreio .

Sou novo, 24 anos, mas não tenho sombra de dúvidas que os jovens e crianças de hoje são muito mais sedentários do que na minha infância (ops, isto há 10 anos atrás! como o tempo passa rápido.). Na minha época, era rotina diária brincarmos na rua, estávamos sempre suados, sujos, corriamos, jogávamos bola, e diversas brincadeiras, das quais, quase a maioria, eram em essencia, cheias de movimentos. Hoje, é quase que raro eu ver algo semelhante a isto, e quando vejo, é esporádico e de curta duração. De fato, passávamos horas na frente da TV, video-game, computador, mas sempre dava o "tédio da cadeira", e logo, estávamos a procura os amigos e colegas para bater um futebol na rua, entre outras coisas, onde até mesmo as meninas participavam. Mas hoje, a maioria das crianças que conheço e tenho amizade (e olha que não são poucas), toda a movimentação, atividade fisica, brincadeiras do tipo, praticamente se limitam a Educação Física na escola, e ainda mais raro, são aquelas que fazem, por fora, academia, ou escolinha de futebol, ou judo, ou natação... e por aí vai. Os quais não são todos os dias da semana; os quais muitas vezes, duram menos de 1 hora.

Estamos passando por um processo de educação que eu chamaria de "atrofiamento da sociedade" ou "abundamento" (de tanto tempo que ficamos com as bundas sobre uma superficie plana e/ou estofada).

Provavelmente, se hoje há tanta insatisfação dos alunos para com suas escolas, provavelmente, isto deve estar diretamente ligado com o nível de stress, que por sua vez deve estar grandemente relacionado a falta de endorfinas produzidas por atividade física. Pois parece que encaramos os alunos, como computadores, Hardwares, partes duras, sólidas, que ficam paradas apenas recebendo e processando informação; e o que ensinamos (Matemática, Português, História...) são os softwares. Porém, não foi feito o homem para de fato suar a camisa?

2-) Irrelevância da vida pessoal
Vemos na Educação - aliás difícil é fugir disto - um foco para o utilitarismo social. É capacitar-nos para o convívio social e exercer atividades renumeradas na máquina econômica. Porém, o homem em si precisa tomar banho, ter higiene, vestir-se, usar calçados, comer, lavar roupas, limpar a casa, organizar nosso espaço em casa, na sociedade, relacionar com as pessoas. Mas o Sistema de Ensino simplesmente deixou tudo isto de lado. Não aprendemos a tomar banho (apenas temos vaga noção), mas não sabemos o quanto de sabonete usar, como escolher um sabonete, se o devemos usar sempre, como lavar a cabeça, quanto de shampoo usar, qual tipo... e assim, muitos tem problemas de saúde e uma pele envelhecida prematuramente por simplesmente tomar banho muito quente; assim como não somos educados a como tomar banho consumindo pouco tempo, água e energia. (aliás, NUNCA somos ensinados a sermos MODERADOS e TEMPERANTES no CONSUMO). Aprendemos como limpar a unha, a orelha, entre outros, ou apenas temos vagas noções genéricas? Vestuário? Ops! Sem ensino, a moda é a regra. Mas não aprendemos nada sobre tipos de tecido, o que é mais confortável no frio, calor, vento, chuva, mais fácil de lavar ou não; o que sua estética transmite, de quanto em quanto tempo lavar, como lavar, como usar cada tipo de produto para limpar a roupa... Aliás, nossas mães e os mais antigos se tornaram os dedentores deste conhecimento que está próximo a extinguir-se, e aí, seremos fantoches das publicidades e marketing das empresas que vendem tais produtos de limpeza. Aliás, quem aprende a se relacionar com alguem na escola? O que aprendemos é ter não uma amizade, mas algum tipo de "negócio", pois quase sempre envolve interesse e status quo. Se há uma instituição que ainda procura fazer isto - e olha lá - tal é a igreja (religiõe). Pois isto, que ainda chamamos de "educação", se alguem é bem educado ou mal educado, é responsabilidade de todos - e alguns insistem ser totalmente 'responsa' dos pais, quais não têm tempo para educar seus filhos, pois são tomados pelo trabalho, ou pela escola; aliás, uma sociedade que até as mães precisaram encarar está sociedade (foram educadas para isto). Por fim, as esperanças de uma educação pessoal, de certo modo, ficou - utopicamente - para as empregadas domésticas e babas.

3-) Viver em função do utilitarismo do trabalho
A educação doutrinou as pessoas a serem utilitaristas, trabalhadores e consumidores. Outro dia, o motorista do ônibus, um aposentado, soltou a pérola: "Fazer alguma coisa. [estou trabalhando aqui por isso] Pois vivemos a vida inteira estudando trabalhando, e aí se aposentar para quê? Ficar em casa sentado, coçando o saco vendo TV?" - Sêneca possuia umas grandes pérolas a respeito disto, sobre o verdadeiro ócio do sábio; porém, que a maioria não sabem ter este ócio, mas para tais é apenas algum tipo de vadiagem, inutilidade, vazio, muitas vezes lançados aos vícios.

A aposentaria deveria ser algum ideal para podermos viver e desfrutar integralmente daquilo que gostamos, dos nossos planos de vida, sem ter que ficar correndo pelo sustento, dinheiro e ficando sem tempo. Então deveria ser de fato, a melhor fase da vida, a qual poderíamos dedicar à longas e prazerosas leituras, pensamentos, projetos, obras de arte, a música, a composição, a reforma da casa, ao trabalho comunitário, dar assessoria aos amigos, viagens, conhecer o mundo ou cidades, regiões, culturas, poder desfrutar muito melhor e por mais tempo da mulher, da familia, dos filhos (se não estiverem sugados pelo trabalho), dos netos, na contemplação da Natureza, em longos estudos da Palavra de Deus...

Porém, não fomos educados a isto. Não fomos educados a de fato desfrutar da literatura como a uma torta de limão. Não fomos educados musicalmente (na verdade, isto foi praticamente fulminado das escolas), de modo, que a música que se desenvolveu então, eu diria ser apenas alguma manifestação de rebeldia desta vida, da escola, da sociedade, um certo tipo de fulga ou critica, ou um inquieto choro por um sonho de uma vida que não se sucedeu; mas nunca, de fato, a música em si (não platonicamente falando). As pessoas em geral não foram educadas a tais coisas, a escola [ou o Estado?] não educou e não se vê ter papel nisto. Nem tampouco a sociedade cultiva tais durante a vida, para quando chegar a aposentadoria poder usufruir.

Mas o mais triste disto, talvez, seja em reconhecer que quando se chega a aposentadoria, a grande maioria está já tão calejada, tão amassada, mastigada, sugada pelos demais anos de vida voltados para a sobrevivencia e ao utilitarismo, a correria, que talvez não tenham mais saúde, nem disposição fisica e/ou mental. Ou, ainda, com a aposentadoria tão curta, que o dinheiro não cobre nem os remédios, alimentação e demais impostos. E da melhor fase da vida, de maior disposição - a juventude - tudo isto fora retirado; a menos que, o afortunado seja patrocinado por uma pai "bem da grana" e assim, não precisar seguir este sistema para sobreviver. Uma elite, qual, muitos jovens sempre invejou e almejou; alguns, se rebelaram, ora tomando oposição a ela, querendo acabar com tais, ora querendo roubá-los e tomar para si tal posição, ora apenas por tê-los como ambição.

4-) Democracia
Democracia? Democratização do ensino? Se este é o paradigma filosófico (indefinido) que move as atuais politicas, talvez deve-se ser melhor questionada. Tal não seria um tipo de manifestação, revolta e inquietude, e não pela injustiça, pelas oportunidades; mas talvez pelo sonho e ambição de acreditar que a Democracia seria poder ser como os "poucos privilegiados", dos "bens de grana", sair, fugir do sistema, e aproveitar um ideal de vida pós-aposentadoria na juventude? O qual é utopia em qualquer conceito de democracia, pois isto desnutriria a base motora que sustenta e move a sociedade, a produção, a máquina econômica, o utilitarismo, o grande tempo que deve ser empregado para isto. Mesmo nas comunidades, tribos, que conviviam num número mais sustentável de pessoas com os processos de manutenção, produção e o meio-ambiente, ainda assim, foi necessário a hierarquia, a base trabalhadora que sustenta o sistema, e o privilégio de poucos que podem (e talvez precisam sair do sistema); claro, não num nível tão drástico como no mundo capitalista hoje. Porém, para uma população de bilhões de pessoas, acentuado e acumulado por tantos séculos, e, por cima, globalizado; era de se esperar menos? Esperamos menos porque focamos ideais, talvez fantasias que gozam a alma; mas que talvez, na fria observância, teríamos que concluir que não haveria outro jeito, mesmo tendo perspectivas caóticas.

Se a democracia visa lutar por algo (que não está definido e longe está de ser concenso). Talvez, primeiro, deveríamos nos perguntas: "Contra o que estamos de fato lutando?" E creio ser algo entre o tédio, a insignificância, desconfiança, descontentamento da vida que não se sustém, e uma morte inevitável. Apenas demos mais um nome ("democracia"), que dá mais rodeios, mas que não foge deste ponto; pois somos humanos mortais; e longe de ser uma sociedade com tamanhos ideiais biblicos de "arvore da vida" qual suas folhas "cura as nações" e seu fruto promove praticamente uma vida inesgotável.

Por este motivo, essas filosofias, muitas vezes me enche, por dar muitos rodeios, mas nunca se direcionar para o centro do problema; o que, segundo a Bíblia é o pecado: "Se pecares, certamente, morrereis." E então vivemos numa busca utópica de encontrar a vida pecando. E digo isso, não como um mero religioso com um chiche biblico, mas na verdadeira essência do que significa pecado (e que não são coisas, não é cristalizado em coisas e ações).

E aí Platão? E aí Heráclito? ... Sócrates, Agostinho, Hanson, Passmore, Rousseau, Ryle, Wittgeinstein, Kunn, Popper, Azanha, Dewey, Arendt, Perrenoud, Marx...? O que me dizem?

Mas enquanto isso, esperemos sentados, a morte, pois ainda resta muito trabalho à fazer.

08 maio 2009

A História Ortognatica do Evandro

10 comentários

Olá internautas, especialmente aqueles que chegaram até aqui em busca de informações sobre alguns problemas odontológicos. Relatarei aqui o meu caso, o que talvez sirva até para um histórico de um futuro tratamento.

Quer tirar dúvidas e receber orientações? Acesse: Queroortognatica.blogspot.com.br

Atualmente estou para completar 23 anos. Mas desde criança, pequeno, se não me engano, quando bebe, tive problema de adenóide e assim de respiração, que foi tratado com drogas. Mas no desenvolver da vida, já aos 6 – 9 anos, eu respirava predominante pela boca, e dormia com a boca sempre aberta, babando muito; fora que freqüentemente tinha sinusite. Já naquela idade muitas vezes, ao correr, raramente, eu ouvia um som estranho no ouvido, como se houvesse uma pedrinha pulando dentro do ouvido. Mas nunca dei muita atenção a isso, nem meus pais, nas poucas circunstâncias que contava-lhes.

Aos 10 anos, se não me engano, eu já possuía alguns problemas na oclusão da mordida e o céu da boca fechado e fundo. Minha mãe levou-me a UMESP – Faculdade Metodista de São Paulo, onde comecei a tratar usando aparelho móvel; porém, não dava certo. Raramente eu usava-o, normalmente, quando minha mãe brigava, ou estava próximo ao dia de ir no dentista de novo. E em pouco tempo, houve uma certa desistência do tratamento.

Aos 12 anos, se não me engano, iniciei o tratamento com aparelho fixo com o um japonês chamado Roberto, que situava razoavelmente perto de casa. E ali fiz o tratamento por 2 anos. Até que por volta do meio do ano de 2000 retirei o aparelho e passei a usar um móvel(perereca) já com meus 15 anos. Mas com o tempo, fui deixando de usar o aparelho, e os dentes, aos poucos e poucos entortanto. Algo que ficou sempre claro para mim, que eu acompanhei no espelho, foi a minha mandíbula se deslocando para a esquerda conforme o tempo passava. O alinhamento dos dentes do meio da maxila superior e inferior começaram a se afastar; de modo que hoje, está com praticamente 1 dente de diferença.

Em 2004 ou 2005, sabendo de umas vagas de tratamento com a turma da pós-graduação da UMESP fui atrás de tratamento. Logo no primeiro dia, enquanto avaliavam alguma coisa, eles ficaram surpreso; e a dentista Fernanda (acho que era esse o nome) perguntou: “Ninguém nunca te falou que seu caso é cirúrgico?” A primeira vista eu tive um impacto forte com aquilo, pois nunca ninguém realmente falou. De modo, que na avaliação ali, detectaram as seguintes ocorrências:

- Prognatismo (classe 3)
- Assimetria facial
- Mordia cruzada
- Céu da boca fechado

A assimetria como pode ser visto na ressonância ao lado, há uma inclinação na formação da maxila superior e inferior, eu não medi essa inclinação, mas chuto, quase que uns 20 graus. Para tal, a dentista explicou a solução é cirúrgica, eles cortariam e retirariam a maxila superior então nivelariam corretamente.

Já a maxila inferior, o problema principal, é porque o lado direito é um pouco maior que o esquerdo; o que dá o efeito aparente de um queixo grande, acentuado para fora; e esse deslocamento da mandíbula para a esquerda. Então, para isso, na cirurgia, eles cortariam um pedaço desse lado, regularizando assim, o tamanho, usando uma placa de metal para uni-los novamente.

Além disso, o céu da boca fechado, seria aberto através do expansor, Hyrax (se não me engano), um aparelho especial que romperia o ligamento dos ossos do céu da boca e assim os afastariam, abrindo o céu da boca. Caso, devido a idade, ele não rompesse assim, seria necessário uma cirurgia a qual “racharia a sutura do palato superior”, e assim, depois abriria com o disjuntor, no minimo 5mm.

Também me falou sobre o pós-cirurgico, como talvez a pior fase da minha vida. Apenas após 2 semanas eu voltaria a falar. Os dentes de cima ficariam presos aos debaixo por elásticos, de modo, que por 40 dias eu não mastigaria, iria beber apenas liquido. E apenas após 6 meses a sensibilidade começaria a voltar na boca, lábios, entre outros. E nas duas primeiras semanas iria ficar horrivelmente inchado.

Isso assustou um pouco – não a mim – meus pais. Quando meu pai ouviu falar em cirurgia, já demonstração negação total. E a cirurgia seria feita pelo Hospital das Clinicas, sem custo algum. E foi a primeira vez que eu ouvi a palavra “bucomaxilofacial” e “cirurgião bucomaxilar”.

Após isso, meus pais insistiram em ir até o bucomaxilo do convênio médico (Amico, que depois se tornou sei lá o que e agora é Focus, acho). Fomos até o local, na Vila Mariana, em São Paulo. E o médico apenas de olhar falou que meu caso era realmente cirúrgico, mas que o convênio médico não cobriria pois consideraria uma cirurgia estética; apenas em caso de dor faria. Mas meus pais ficaram sabendo que realmente era cirurgia e ponto final.

Então, lá para Agosto ou Setembro de 2005 iniciei o tratamento na UMESP. Não lembro como foi sendo o processo. E em 2006, trocou de dentista (pela mudança de alunos); não me recordo do nome dela, mas ela colocou o aparelho fixo embaixo e disjuntor em cima. E assim foi indo, o que ela dizia ser “preparar para a cirurgia”. Até que chegou mais ou menos, por volta de julho ou agosto. (estou meio perdido nessas datas), quando ela falou duas coisas para mim:
1. Não podia fazer nada enquanto não retirasse os molares (pelo menos os inferiores); E que era para eu remarcar após ter retirado os molares.
2. Que pelo andamento e enrolação como ia na UMESP; ela me recomendou que buscasse um tratamento com alguém bom e particular. Pois ali poderia ficar anos e anos na Metodista e poderia não ficar muito bom, por cima.

Então, fui ver quanto ficaria para arrancar os sisos e ficaria um pocado caro. O aparelho continuou em minha boca. E eu meio que abandonei a UMESP, pois precisava arrancar os sisos primeiro, e parecia que eles se esqueceram de mim, também. Inexplicavelmente fiquei mais de 1 ano com aquilo na boca; sem nem mesmo trocar as borrachinhas. O que incomodava muito, até que não fazia praticamente nenhuma diferença.

Em 2006 entrei na USP, e logo fui na Faculdade de Odontologia para ver sobre o tratamento lá, pois a dentista recomendou. Mas logo me falaram que havia uma fila de espera, tinha que esperar a re-matricula para fazer o tratamento lá, e que só ocorreria lá para Agosto, ou Setembro, se não me engano. E acho que foi isso com que fez que ficasse todo esse tempo parado, na expectativa de tudo fazer na USP.

Mas chegou no final do ano, e não deu nada na USP. Então recorri a uma dendista particular, a Eliezabeth, que fica ao lado do Colégio Adventista de Santo André, onde estudei. E meus pais tinham muita confiança nela. Na época eu já trabalhava, mesmo ganhando pouco, resolvi ir atrás. Acho que lá para novembro de 2006 ou primeiros meses de 2007, fiz uma consulta da ela. E ela falou que eu precisava arrancar os dentes de siso primeiro.

Ai ok. No período de junho e julho os arranquei os dois molares inferiores, com o dentista Serrano, que meu vizinho se tratou e gostou muito. Aliás, eu gostei muito também, falei um pouco do meu caso; mas ele me falou de tratar com um cirurgião particular, e aquele valor de R$ 16mil, me veio a cabeça, então desconsiderei totalmente.

Em setembro, senão me engano, voltei na Elizabeth; e ali ela falou que talvez conseguiria fazer um tratamento sem a cirurgia, não ficaria tão bom quanto ela. Mas também disse que a cirurgia não deixaria 100%, e também corria riscos. E comecei o tratamento com ela. O que, senão me engano, foram 2 consultas em dois meses. (pagando uma mensalidade razoável que não me recordo do valor); chegou em janeiro, houve uma série de contratempos que não deu para fazer uma consulta, até que fiz no final de janeiro ou começo de fevereiro de 2008. Houve um certo conflito quanto a mensalidade nisso, aí, até que na consulta, ela começou a reparar na minha articulação (havia reparado antes também) e disse que eu tinha um problema de “disfunção da ATM”, e foi bem direto em dizer: “Eu não tenho condições de tratar isso. O melhor lugar para você tratar disso é na USP.” Então, cancelamos o tratamento e ela retirou os dois aparelhos: o fixo embaixo e o disjuntor em cima.

Foi a primeira vez que ouvi falar nesse negócio da ATM, nem sabia que ela existia: “Articulação Trans-mandibular”. Fiquei muito inconformado com o que fazer, mas a idéia que veio foi: “Agora preciso resolver isso na USP.”

Por volta de maio-agosto de 2008, vasculhei uma lista de e-mails de professores no site da Faculdade de Odontologia da USP e atirei e-mails. Com isso, uma porta se abriu do departamento de pós-graduação. Até que o André Abraão (acho q era esse o nome) entrou em contato comigo e marcou para eu ir até lá na clinica da pós-graduação. Fui lá, e ali fui super bem recebido por ele e outros alunos. Que falou do programa de pesquisa da USP, do tratamento e tudo mais. A cirurgia poderia ser feita no Hospital Universitário a custo zero, e tinha vários privilégios por ser aluno da USP.


Foto em que fica claro, visualmente, tais ocorrências, menos a da difunção da ATM. Aliás, para não constranger algumas pessoas, evito de dar esse sorrisão largo e aberto.

Passei a participar, e ali mesmo já começaram alguns exames inéditos para mim. Com um paquímetro, fizera várias medições na minha boca e mandíbula. E também o teste do toque, com o dedo ele pressionava vários músculos da face na região interna e externa eu tinha que dar uma nota de 0 – 10 para classificar a intensidade da dor. Também fiz uns raio-x ali. Marquei com uma outra garota lá que iria fazer o molde e tirar as medidas dos “eixos de inclinação” da minha boca; o Junior marcou de fazer uma tomografia no Hospital da Face, o Abraão, de fazer um exame que mediria o “ruído”, o som, o barulho da articulação, e outra garota marcou comigo de fazer uma ressonância magnética no Hospital Samaritano. E em menos de 1 mês fiz todos esses exames, rapidamente, sem custo algum; em apenas 2 ou 3 vezes que fui na USP. (as coisas pareciam ir rápidas). Tirando o da parte dos eixos, que ela não conseguia encontrar um eixo lá, ficou de remarcar, mas nunca tive um retorno.

Porém, para o tratamento em si, precisava esperar ser convocado, escolhido, para a pesquisa na pós-graduação. E apenas agora em abril/2009 isso ocorreria. Então fiquei aguardando.

Porém, em 2007 eu iniciei meus estudos com o trompete, o qual exige muito da boca, especialmente de toda musculatura facial, pescoço, os da respiração. Não sei até onde isso influenciou, mas ao mesmo tempo, ali pelo final de 2008, novembro, eu estava além de treinando trompete, também o canto para a cantata de natal do Pedra Coral. E certo dia levei um susto forte, quando pela primeira vez na vida, eu tive uma câimbra na mandíbula. Até então, minha articulação nunca me incomodou. Mas desde os exames na USP, eu de vez enquanto percebia sentir um certo incomodo na região das ATMs, principalmente após comer, falar muito, cantar; e não mais de uma vez na vida, mas várias, eu sentia fortes dores e incômodos na musculatura local quando falava muito e ria bastante, mas pensava ser normal.

Imagem demonstrando a diferença brusca entre as duas articulações.



Passei a me preocupar mais com isso e ao mesmo tempo me interessar mais pelo assunto, e comecei a pesquisar mais na Internet, e descobri uma multidão de coisas sobre o assunto; até mesmo comecei a reparar, que eu tinha esse problema desde criança. Pois aqueles estalos na articulação e barulho de pedrinha pulando (que eu ouvia desde a infância) eram sinais praticamente claros de problema na ATM; a qual, em combinação com outra coisa da respiração podem ter sido a raiz de todos os males.

Pesquisei e pesquisei, comecei a me monitorar mais, sempre fazer aquele teste do toque para tentar mensurar como estava a dor. Apesar de insignificante mas era sempre uma pedra no sapato. Então acabei ficando 2 semanas com uma dor bem chata, uns 3 de 0 a 10, mas que não parava nunca. Foi quando procurei por “Cirurgia Ortognatica” no Orkut e encontrei algumas comunidades, participei de tais, conheci várias pessoas que tinham casos semelhantes, fizeram os procedimentos cirúrgicos, estavam fazendo. E o que mais me impressionou foi a quantidade e enorme de resultados pós-cirurgicos. Todos gostaram muito dos resultados, alguns até tiveram que trocar de identidade; outros 2 dias após a cirurgia estavam praticamente 100%, nem inchou. Ali recebi várias indicações de cirurgiões e lugares para se tratar em São Paulo. Mandei e-mail para tais explicando meu caso, recebi ótimas noticias e propostas.Mas, aguardava ainda a USP. Em Janeiro falei com o Junior e ele falou que havia boas chances de eu ser selecionado. A seleção deve ter ocorrido agora em abril, eu ainda não recebi nenhuma notificação, espero ligar em breve e saber o que ocorreu.

A ressonância ao lado mostra claramente uma má formação e desenvolvimento ósseo do lado esquerdo.

Porém, de janeiro para cá, eu coloquei em plano a longo prazo isso, pois de fato, não me incomodava; tirando aquilo que ocorreu em novembro. Eu também não me preocupo com a estética e muitas pessoas, ficaram surpresas quando contei para elas dos problemas, pessoas que conviviam há anos comigo e que nunca notaram nenhuma anomalia.

Mas do começo de abril para cá, houve uma piora crescente e considerável. E como se estivesse perdendo a mobilidade das articulações. Há uma sensação cada mais maior de pressão, tensão e queimação local. A monitoração dos exames de toques pioraram; não houve sinais de melhoras. Domingo passado, dia 3 de maio, eu fui correr e fiquei impressionado com o barulho que a articulação estava fazendo, não era pedrinha, era uma “pedreira”; fora que agora qualquer movimento que faço, mesmo que seja para alongar o pescoço, a articulação e musculatura local estala e num som forte, para mim; claro, que só estando do dentro do meu ouvido você ouviria; mas está forte. E o incomodo é cada vez maior. Nos últimos ensaios do coral nesse fim de semana, a coisa foi tamanha, que eu pensei em sair do coral e parar de cantar.

O problema também é que conheci casos na Internet de pessoas que a dor chegava a tal ponto, que tinha que fazer compressas de água quente e fria todos os dias. Outros passaram a viver tomando remédios para a dor até terminar o tratamento. Não quero isso de modo algum. E antes que o problema era apenas na ATM da esquerda, a tensão e dor normalmente é na da direita; apesar que os estalos e desvio parece ocorrer apenas na da esquerda.

Engraçado que tocando trompete nunca acontece o nada na articulação; então tenho boas perspectivas para tal. Apesar que ele força a musculatura, de modo que ela fica mais tensa e dolorida, às vezes.

Vamos ver que fim deu na USP, caso contrário, vou correr atrás do particular mesmo. Apesar que isso vai detonar meu orçamento. Fora que, provavelmente, terei que fazer um monte de exames, pois os da USP não posso retirar e a tomografia não ficou muito boa, teria que refazer. Mas pelo menos tenho a ressonância.

Contudo, o receio de usar aparelho novamente, ainda mais quando estou tento os melhores resultados e avanços no trompete, não é nada legal. Mas agora estou numa boa época, jovem, ótimo para se recuperar de cirurgias, e, teoricamente, com a formação óssea já bem desenvolvida, tanto é que a cirurgia não é muito recomendada para menores de 20 anos, pois depois, o osso pode crescer um pouco anormal.

Julho de 2009, do dia 6 de julho uma nova coisa passou a acontecer na minha articulação. Ao acordar, já aconteceram duas vezes, a última hoje (dia 12), de forçar bastante ar na bochecha da direita e ouvir uns sons muito internamente na região da ATM da direita, um som que lembra uma mistura de "microestalos liquidos"; não sei explicar, só que logo passa. E maiores problemas tem ocorrido agora na ATM da direita (as duas já estão comprometidas, não só mais a da esquerda). No dia 8 ao tomar café da manhã, toda vez que eu abria a boca ocorria esse som de "microestalos liquidos" internos que eu esculto pelo canal auditivo direito (a minha direita); porém, após comer, e ficar um bom tempo com a boca em repouso, o som passou. Mas ontem, dia 11, o mesmo som começou a ocorrer no meio do almoço e durou por várias horas - bastava eu abrir a boca que o som ocorria. Mas desde então passou, mas creio que irão ocorrer mais vezes.

10 de Agosto de 2009, encontrei um local mais próximo de casa que faz há um dentista especializado em tratar do tipo, assim como me recomendaram a fazer a cirurgia pelo próprio Bucomaxilo do plano de saúde. Porém, terei que fazer mais alguns exames. Bem, mas espero iniciar o tratamento ainda esse ano; descobri que esse problema ortognático tem me impedindo muito meus avanços no trompete. Além disso, aquele som liquido na região entre o ramo da mandíbula, o percoço, a orelha e a articulação se tornou constante, todos os dias ocorre; quando acordo, e também tem sido frequente sua duração no decorrer do dia. E de muito apalpar, tenho quase certeza que se trata de algum liquido, que lembra muito qdo se aperta uma bucha de louça cheia de água e detergente; apesar de indolor, incomoda, e às vezes cria uma certa pressão na região, o que me leva a ficar cotucando e massageando a região

23 de Setembro de 2009. Terminei de fazer uma limpeza geral e um canal nos dentes. E me planejei para agora, já correr atrás do exames, e quem sabe, já iniciar o tratamento no final desse ano. Pois nessas últimas 2 semanas, minhas articulações tem judiado bastante (Também não sei se o fato de ter treinando muito no trompete colaborou para isso); a musculatura local tem estado sempre bem dolorido, teve dia que tivesse que passar Cataflan para dar uma aliviada; além disso, já comecei a ter dor de cabeça por causa das articulações. E em alguns momentos uma sensação de travamento, mas não chega a ser, tipo, a musculatura da articulação tipo, enrigesse. Não sei se tem ligação, mas tenho notado meu ouvido mais sensível, também.
24 de Novembro de 2009. Já fiz os exames mas tenho enrolado para fazer a consulta com o bucomaxilo, pretendo fazer ainda este ano. Contudo, faziam quase 2 semanas que eu não sentia nada nas articulações; creio eu que foi por ter corrigido algumas coisas na minha embocadura no trompete, com quais deixei de exercer muita força nas articulações. Mas ontem', repentinamente, começou uma incomoda dor de cabeça do lado esquerdo, entre a orelha e a nuca e que dura até hoje; e notei que a regiao da articulação está bem sensível e dolorida; ao mesmo tempo, não sei há uma ligação direta entre essa dor e a articulação, pode ter sido um mal jeito apenas.
Recomendo familiarizar-se com os procedimentos e ver vários casos. Recomendo muito o seguinte blog: http://www.ortodontia-contemporanea.blogspot.com/


2010 - Inicio o tratamento. Acompanhe no seguinte link:
A História Ortognática do Evandro - Tratamento

08 setembro 2008

Invisibilidade Pública - Tese de Mestrado na USP

0 comentários

Invisibilidade pública é uma realidade dos nossos dias.

ENTREVISTA EMOCIONANTE * PSICÓLOGO GARI

"A moral e os costumes que dão cor à vida, têm muito maior importância do que as leis, que são apenas umas das suas manifestações. A lei toca-nos por certos pontos, mas os costumes cercam-nos por todos os lados, e enchem a sociedade com o ar que respiramos."

· Toda ação repetida gera hábito.
· O hábito muda o caráter.
· O caráter muda a existência.
· "Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.


Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome". Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

"Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão",
diz.
Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

Diário - Como é que você teve essa idéia?
Fernando Braga da Costa - Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.

Com que objetivo?
A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis.
Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?

Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?
Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal.
Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo
funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o
modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos.. Os garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.

Dê um exemplo.
Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis.
De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade,
subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão.
O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não.
Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão".

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?
Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari.
Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são
carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram
me tratando diferente.
As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?
Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.

Eles testaram você?
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma "COISA".


__________

Nota: Fora que ainda se pode multiplicar fatores, como cidade grande, cidade pequena, campo. Quantas pessoas, em pleno metro no horário de pico e estão totalmente isoladas, sem companhia. Uma verdadeira solidão na multidão. Já cidades pequenas, vilarejos, a coisa se torna mais humana; pelo menos um pouco. Mas uma coisa é certa, quanto maior o orgulho e arrogância da pessoa, mais os outros se afastam, e mais interessados se achegam; sobretudo, quando a causa é "dinheiro e status".

Como problemas do tipo seriam simplesmente acabados se as pessoas meramente praticassem aquilo que Deus no ensinou: "Amai ao próximo como a si mesmo."; "Fazei ao próximo aquilo que gostaria que fosse feito com você." Que status há o ser humano para Deus? Quem é o ser humano, para que um mero status social diga se alguem tem mais ou menos valor?

12 junho 2008

GEA - Bate-papo com os dinossauros

1 comentários
Na reunião de segunda-feira, dia 9 de junho, contamos com a presença de Kleberson Bezerra Feitosa e do Tuca, ambos físicos altamente graduados. Que viera dos EUA para prestar um concurso para docente no IF-USP. (mais informações). A reunião fora extraordinária, incrivel. Foi um debate tão profundo, que se fosse caracterizar como um sermão e comparar, diria que fora o melhor - e de longe - dos últimos 2 anos, pelo menos.

Foi tão incrível essa reunião, que fizemos algo inédito no GEA, fizemos um replay. Como o Kleberson estaria até quinta-feira por aqui, remarcamos de fazer uma nova reunião na quarta-feira. Muitas interrogações, dúvidas, "coisas a se falar" ficaram; e foi tão magnífico que queriamos - de forma unanime - repertir isso.

Na quarta-feira então repetimos, após um bandeijão na Física, o Tuca conseguiu uma sala ali no IF, e ali nos reunimos, então tivemos um longo diálogo - que passou num piscar de olhos - contando também com a participação do Gabriel (outro dinossauro). Infelizmente, algumas pessoas não puderam ir, como o Dorfo, Tatinho e a Nath.

Bem, mas o Fred fez algo incrivel. Além de ter anotado, os pontos que fomos abordando no decorrer da conversa... ele gravou a conversa no seu mp3. Bem, a qualidade do som não ficou das melhores, mas aumentando bem o volume e com atenção é possível ouvir bem a conversa.

Faça o download da conversa:
Tamanho: 14 mb
Qualidade: 56 kbps
Formato: mp3

Download (4shared.com)

Faça o download dos tópicos abordados na conversa:
Tamanho: 5 kb
Formato: Bloco de Notas

Download (4shared.com)

04 abril 2008

A Dimensão do Conhecimento

0 comentários
Ultimamente estou fascinado com o conhecimento, das mais diversas áreas do saber. Fascinado no sentido de uma enorme satisfação, todo o seu corpo vibra, se encanta; uma liberação enorme de endorfina. Mais, de modo tal, a dizer "ohhh...", "ual...", "que dahora..." e ficar fortemente desafiado, com muita vontade de adquirir mais conhecimento, aprofundar, conhecer e buscar conhecer de tudo, cada vez mais, mais a fundo etc.

Essa semana, sem dúvida, foi uma das mais intensas - se não a mais - na minha vida na questão de estudar. Dormi em torno de 3h - 4h por noite (numa, apenas 2h), estudando. É certo a faculdade é muito puxada (Matemática - IME-USP... esperar o que? - faculdade com os maiores indices de desistencia do curso); e essa semana, mais ainda, devido aos trabalhos, listas e provas. Mas isso tudo estimulou muito a minha mente, impulsionou; passei a amar muito fortemente "estudar", adquirir conhecimento. Aliás, uma das coisas que a USP ensina, e muito bem, é fazer o aluno se VIRAR quanto a aquisição do conhecimento, aprender a estudar, se ralar. Você com o tempo, passa a ter maior rendimento (do tipo, não ter que ler várias vezes a mesma coisa); passa a ler mais rápido. E é muito comum mesmo, por quer que ande na USP, se deparar com alguem lendo algum livro, ou com um na mão.

A Matemática me deixou impressionado com algumas coisas muito dez. Primeiramente, tenho aqui que elogiar um professor do IME (algo raro), o Henrique Guzzo, de Geometria Analitica. Ele iniciou com álgebra linear; ele tem uma ótima didática (raríssimo no IME), é uma aula dinâmica, ele gosta de fazer várias aplicações práticas do conteúdo; apresentar curiosidades; que creio que, quando for possível, colocarei no blog de matemática. Mas essa semana, ele surpreendeu com uma aplicação incrível da algebra linear, de algo chamado "classes" (propriedades de adição e multiplicação dos restos da divisão de um inteiro por um número primo); e uma dessas aplicações é a CRIPTOGRAFIA.

Simplesmente sencacional; incrível o que se é possível usando a propriedade da Inversa de matrizes. Criptografia, é realmente uma algebra pesada, nada óbvio, muita conta, demora, dificil até (o que é comum). Mas é incrivel as aplicações de tal, simplesmente hoje todos usam e muitos nem sabem. Os softwares de computadores usam, sites usam, bancos usam, até o exército usa. É uma forma de você "esconder informação", no modo que: você tem a informação, mas estará escrita de um modo que não transmite a sua informação; apenas alguem com o "a chave correta" (vamos assim dizer), consegue. Sabe a sua senha no banco? É graças a criptografia... Sabe o DVD, é a criptografia que não permite ser pirateado (apesar de já haverem softwares com a maioria das "chaves")... hoje, parece que só a tecnologia do Blue-Ray, AINDA, é segura por não decifraram a "chave".. mas é questão de tempo. E tudo isso é formado com "números primos", o que é mais incrivel ainda. Para ter idéia, há empresas que VENDEM "números primos". Certamente, ninguem vai vender o número 17; mas vendem uns números enormes que são primos - encontrados por matemáticos, e que possibilitam uma criptografia mais segura. Mas logo-logo, quando surgirem os computadores quânticos, facilmente poderão descobrir qualquer chave. Portanto, a Criptografia terá que passar por uma revolução. Caso contrário, não haverá informação segura no mundo.

Bem, isso foi apenas para desabafar um pouco; pois estou empolgado, muito conhecimento e informação desejo compartilhar. Estou meio que naquele "primeiro amor" para com a matemática. Desejo colocar mil coisas no The Matematico... mas como ainda não é muito agil escrever coisas de matemática no computador, como é numa folha de papel; mas sim, demorado, apenas aos poucos e poucos, vou colocando.

Salomão foi alguem fascinado pelo conhecimento, pela sabedoria. Aliás, é imprescindível para qualquer ser humano que leia, pelo menos uma única vez na vida o livro de Provérbios; sobretudo os 3 primeiros capítulos.

"O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino."
Prov. 1:7 Almeida

"Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos;
se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento;
se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto;
se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido,
então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus.
Pois o Senhor é quem dá sabedoria; de sua boca procedem o conhecimento e o discernimento.
Ele reserva a sensatez para o justo; como um escudo protege quem anda com integridade,
pois guarda a vereda do justo e protege o caminho dos fiéis.
Então você entenderá o que é justo, direito e certo, e aprenderá os caminhos do bem.
Pois a sabedoria entrará em seu coração, e o conhecimento será agradável à sua alma.
O bom senso o guardará, e o discernimento o protegerá.
A sabedoria o livrará do caminho dos maus, dos homens de palavras perversas,
que abandonam as veredas retas para andarem por caminhos de trevas,
têm prazer em fazer o mal, exultam com a maldade dos perversos,
andam por veredas tortuosas e no caminho se extraviam.
Ela também o livrará da mulher imoral, da pervertida que seduz com suas palavras,
que abandona aquele que desde a juventude foi seu companheiro e ignora a aliança que fez diante de Deus.
A mulher imoral se dirige para a morte, que é a sua casa, e os seus caminhos levam às sombras.
Os que a procuram jamais voltarão, nem tornarão a encontrar as veredas da vida.
A sabedoria o fará andar nos caminhos dos homens de bem e a manter-se nas veredas dos justos.
Pois os justos habitarão a terra, e os íntegros nela permanecerão;
mas os ímpios serão eliminados da terra, e dela os infiéis serão arrancados." Prov. 2 NVI
Incrível não?

Há várias coisas muito 10 sobre matemática que gostaria de compartilhar, mas creio que apenas um punhado de pessoas compreenderiam. Pois é uma área tão maravilhosa, incrível, pois nos faz trabalhar com "ideais", "infinitos", "limites"; aliás, filosofando um pouco sobre matemática, aprendi muito sobre linguagem. É incrível perceber toda essa ciência. É espantoso, intrigante, quando você se depara com uma verdade absoluta; equações, equações diferenciáveis, curvas em Rn, integral. Você observa toda essa complexidade e harmonia; e fica intrigado com a questão: "Isso existe! É um fato!"

Pensa, por que tais coisas existem? Por que não poderiam ser diferentes? Por que chegamos a ter o privilégio de conhecê-leas, compreendê-las, e até mesmo equacioná-las, formulá-las? Por que existe essa lógica no Universo? Por que existe toda essa complexidade? Como pode uma mente finita, conseguir compreender e até mesmo ilustrar coisas infinitas? É tudo muito maravilhoso! Estou tão impressionado, que em cada ato, cada palavra, em cada respiração, estou reconhecendo a vida, uma complexidade magnifica, uma oportunidade e dever de aproveitar e fazer do melhor possível; "Reconhecer a vida em cada respiração" como disse Matsumoto no filme "O Último Samurai", buscar a perfeição em tudo! É notar a razão, a sabedoria infinita de Deus simplesmente em tudo. Por exemplo, na própria idéia do "espaço". Por que o espaço é tridimensional? Por que exatamente 3 lados? Por que existimos? Por que o existir existe?

Provavelmente vou perder outra noite de sono porque pensei na questão do "existir". Tipo, agora estou sentado num sofá, digitando num notebook, na sala. Mas, por que eu existo? Por que a matéria existe? Por que eu penso? Por que há esse momento na História do Universo? Por que o Universo fora criado? Por que Deus existe? Por que simplesmente não houvesse nada? Nada de nada. Não houvesse Deus, nem eu, nem o Universo, nem a coisa que dizem ter dado o Big Bang; simplesmente nada. Por todo o sempre? Mas não, tal é uma idéia refutada, inválido, pois aqui estou eu! Que privilégio!!! E como é tolisse, pessoas de algum modo se acharem grandes, ou pensar que é melhor do que alguem!

Mas tudo é intrigante, empolgante. Por exemplo: "O que é a matéria?", o que é o "espaço físico"? Por que as coisas se atraem (apesar de existir a anti-matéria)? O que há, numa grande infinitesimal, entre você e o ar? Por que o Universo tende ao caos, mas se mantém com consideravel estabilidade? Quem é outro foco no sistema solar além do sol, para as elipses das órbitas dos planetas? Tantas perguntas intrigantes.

Ontem, assisti um pedaço da série-documentário do Discovery Channel "O Universo em Miniatura". E mostrou um acasalamento de uma espécie de aranha - não vou recordar o nome. Bem, lá estava a fêmea em sua teia, enorme, talvez a arenha fosse do tamanho da palma da minha mão. E então chega o macho, umas 4x menor do que ela. O macho se aproxima, e meio que começa a "analisar ela, e estimular ela". Mas então acontece um mecanismo INTRIGANTE. Ele "sabe" (por extinto, talvez) que é alto a probabilidade de após ele fecundá-la (acho que esse é o termo) ela comê-lo; então ele fica numa atitude meio estranho, simplesmente analisando ela, para saber se vai ou não fazer isso. Mas por que ele faz essa investigação? Por que esse desejo de acasalar? Por que, o que é aquilo que chamam de "instinto"? Por que ele vai ali correr um risco desnecessário. E ai tipo, ele acaba fecundo, ele apenas injeta uma espécies de bolhas no abdomen dela; e logo em seguida, a femea, enrola ele em teia e se alimenta. Meu! Isso foi suicidio! Ou não! Pelo modo como a aranha agil, você percebe, os pesquisadores descobriram, que é como se ele soubesse do que poderia acontecer; que ele poderia morrer após isso. Mas uma aranha pensante? Como elas raciocinam? O que é o instinto delas? E por fim, ela vai e se suicida.

Darwin! Me explique isso? Não encontro a idéia do egoismo das espécies, "a sobrevivência do mais forte". Por que uma espécie simplesmente se sacrifica apenas para fecundar a femêa? Ela não teria o instinto de autopreservação? Ou então é uma das mais belas cenas de altruísmo encontrado na natureza. O amor ao próximo, a uma causa maior! "Morrer por alguem, por um ideal!" Mas isso não seria um instinto, meio que anti-instinto. O que é o instinto? O que controla, rege tudo isso? Por que existe?

Ontem, enquanto ministrava uma aula de matemática para um garoto da 7ª série, sobre Geometria Espacial; tentando lhe passar sobre a idéia mais básica, do que é "um ponto", "uma reta" e "um plano". É intrigante a idéia que tais, de fato, não existem! Mesmo se você pegar uma partícula de um átomo, ainda não um ponto! O ponto não tem forma, o ponto não tem volume, não ocupa espaço, não tem dimensão; mas ao mesmo tempo em que um conjunto de pontos numa direção, forma uma reta, que também não existe; a qual, combinando com outras retas, pode-se formar um plano... o qual também não existe. Não tem expessura. Claro, fazemos todos aqueles desenhos, figuras para REPRESENTAR, ILUSTRAR. Mas são coisas verdadeiras que existem, não no mundo físico, mas são fatos, existem num contexto matemático idealitico.. com coisas tendendo ao infinito. Bem, por exemplo. Se você pegar um objeto central, sem tamanho; e várias flechas cercando-o por todas as direções possíveis, e aproximá-las cada vez mais, e mais, e meais, desse objeto central; no limit, quando essa aproximação tender ao infinito. Ou seja, a distância entre o objeto e as flechas tenderem a zero; então encontramos "um ponto". Meu, é muito intrigante a maioria das coisas que as pessoas costumam julgar obviedade.

Fiz uma analogia disso com a Linguagem. Já pensou como é complexo esse conceito e podermos estar conversando? Eu transmitindo idéias para você e você compreendendo-as. A própria questão do seu desenvolvimento. Há algumas teorias controversas quanto ao surgimento da linguagem, da comunicação... e não me aventuro ao que não sei e certamente, os estudantes da área devem conhecer melhor isso, como o Elcio. Mas veja a relação com a matemática. Bem, o que é uma idéia? Uma idéia seria uma associação com uma palavra? Bem, ao pensar na matemática, na questão do ponto. Concluí que a idéia, o que pensamentos é como um ponto; ele, fisicamente, não existe. A idéia, assim como o ponto, são abstrações, algoritmos idealiticos que formulamos em nossa mente; sem espessura, sem tamanho, mas existem. Então usamos uma "linguagem" para conseguir fazer os outros compreender tais. Ai comecei a pensar no valor da semântica de uma palavra. Pois por exemplo, se eu desenhar uma reta num papel. Para começar aquilo não é uma reta perfeita, e não é uma reta de verdade, pois não se pode dizer que ela tem uma "linha", ela não ocupa espaço. Mesmo as retas num computador, possuem "pixels". Mas é uma figura uma representação da idéia de uma reta, dos vários conceitos que há nela; é até mesmo suas propriedades geométricas; mas quando ilustramos-a, é algo limitado. Pegamos de algo infinito (em nossa mente) e passamos para o papel (finito). O mesmo é uma linguagem; se tem uma idéia infinita e passamos para algo finito (palavras).

O que passou a acontecer? Algo mirabolante. Transformamos nossas abstrações, em coisas finitas; que passaram a ser nossas abstrações, nossas idéias (infinitas). De modo tal, que usamos o finito para pensar no infinito. Por exemplo, se você for pensar no "sol". Vai ter que pensar no "sol", nessa palavra; é uma relação tão intima, entre a palavra (finito)"sol" e sua "idéia"(infinito) que não há uma distância entre eles, tende a zero no infinito. Pois bem, como você pensaria no "sol", se não conhecesse-o em nenhum idioma? Se não soubesse que palavra representa tal idéia. Provavelmente, olharia para tal; e toda fez que fosse pensar no sol, em sua mente, na memória, viria a idéia daquela "imagem" que se viu do sol. Mas e se fosse cego de nascença e nunca tivesse vito o sol? Certamente, não saberia de sua existência. Não haveria a idéia em sua mente. Mas toda vez que temos um contato com uma idéia, algo de lógica infinita; é praticamente instantaneamente, associarmos tais com algo finito; a partir de então, usaremos essas referências para nos recorrer a tais.

Agora veja a complexidade disso, tente perceber, notar a complexidade e importância incrível disso em termos de linguagem. Tente imaginar se você não conhecesse a palavra finita, que conceitua uma idéia infinita; por exemplo de um adjetivo, como "bonito". Como você iria caracterizar aquilo? Assim para qualquer outra palavra. Você simplesmente não conseguiria pensar nelas. Ao mesmo tempo, estaria mais limitado. Suas idéias seriam menores. Pense do que seria o mundo sem a idéia representada pelo "ponto"!!!
Alguns evolucionistas, dizem que a sociedade dos homens aos poucos, em experiencias bizarras e no minimo conflitantes, desenvolveram a linguagem para se comunicarem. Num processo de milhares de anos, de forma natural. Bem, há teorias e evidências que contradizem isso. Eu particularmente, após todo esse raciocinio, não consigo imaginar um mundo, uma sociedade; uma "linguagem" ser formada a partir do nada, ou seja, a situação é a seguinte:

Linguagem (não existia) ---> Passou a existir

Visto, que é necessário da linguagem, de uma linguagem inicial, mesmo que simples e básica; para desenvolver uma linguagem. Como um bebe, ele nasce sem linguagem (por instinto chora); mas assim, que começa a ter "idéias" (mas não formuladas, não equacionadas)... então, elas passam a ficar curiosas, começam a observar os seres humanos, os pais, e de forma maravilhosa, começam a associar a linguagem de tais com suas idéias; até que suas idéias passar a ser a linguagem.

Agora, como poderia, sem essa linguagem inicial (dos pais), ela desenvolver a linguagem dos pais? Segunda 'a teoria', talvez uma delas, se de inicio os primeiros homens, veio de algum modo dos macacos. No inico, a linguagem inicial seria a dos macacos. Então, a linguagem que o homem aprenderia seria a dos macacos. Com isso, tal linguagem passaria a ser suas idéias. E assim tal linguagem seria passado aos seus filhos. Como nós, poderiamos aprender outras linguagens. Mas ele apenas teria de outros animais. Como é que hoje o homem tem essa linguagem humana? É, a idéia de Genêsis é bem viável. Mas pense nos macacos, como eles aprenderam o "macaquês"? Vamos voltar na História da Origem das Espécies. Quando os peixes deram seus primeiros saltos para fora da água, e - milagrosamente - conseguiram sobreviver estando fora da água; que linguagem? Como os primeiros animais terrestres desenvolveram uma linguagem? - Coisas intrigantes, curiosas.

Por isso, que alguns cientistas consideram a "telepatia" a linguagem suprema. Pois não há uma "linguagem" com palavras, referências, figurações finitas. São apenas idéias, ideais, aquelas coisas de natureza infinita em nossa mente, em total liberdade, sem estar associada a nenhuma palavra. E essas idéias são perfeiamente transmitidas e entendidas de uma mente para a outra pela telepatia.

Bem, tudo isso deve-nos fazer, no minimo considerar a linguagem como algo importante e intrigante. E também nos leva a outro conceito de que: "Quanto mais palavras você conhece, mais idéias, mais ideais você tem." Quanto, maior sua compreensão da linguagem, quanto mais conhecimento você possuir. Maior será o volume de idéias em sua mente. Será a diferencia, entre apenas ter alguns grãos de areia ou uma praia em sua mente. Seu nível intelectual passa a ser maior. Você possui um leque maior de opções para se expressar. As palavras (finitas) que você usa para expressar suas idéias (infinitas) serão melhores definidas, com uma diferença cada vez mais próxima de zero quanto a idéia infina. Portanto, uma melhor capacidade de se expressar.

É triste quando encontro, na sociedade de hoje, na Era da Informação; pessoas com dificuldades de expressão. Querendo dizer algo para você, mas não conseguindo, não encontrando as palavras certas... muitas vezes de forma frustrante. E o que acontece grandemente, é por terem poucas idéias, pouco conhecimento, pouca capacidade de expressão, uma mente pequena, mais limitada... tal limitação passa a ser o seu Universo. Um exemplo absurdo: "A pessoa só conhece o ladrão que rouba." Então, para tudo qualquer coisa, que tenha alguma semelhança com o ladrão que ela conhece que roubou um carro; ela vai associar com isso. Não fará distinção, entre outros tipos de crimes; ou para com um assassino. Ela passa a generalizar mais. Imagine um monitor, uma placa de vídeo do passado. Uma definição de baixa resolução, com sei lá: 10x20 pixels. É assim que elas observam o Universo. Essa é a compreensão dela de tudo, esse produto: 200 pixels, é o número de idéias dela; é a capacidade de expressão dela. Agora, uma pessoa de amplo intelecto, com muitas idéias, profundas, com muito conhecimento, amplo dominio da linguagem, muitas palavras.. lógicamente terá muitas idéias, e sua capacidade de compreensão maior e de expressão. Comparando, suponha que peguemos uma foto da "sociedade", e então a obervamos numa resolução de 10x20 pixels. Certamente, será muito limitada a compreensão de tal; nossas idéias, iremos generalizar várias coisas, uma discernimento menor, de apenas 200 pixels. Portanto, em nossa visão, TUDO estaria dentro de 200 pixels!!! que horror!!! Agora, imagine, se somos o "com uma praia de areia", e olhemos a mesma foto da sociedade numa resolução de 1milhao x 2 milhões de pixels!!! O produto será de um número que sei o nome, mas na linguagem matemática se diria: 10^6 . 2 . 10^6 = 2.10^12 = 2.000.000.000.000 de pixels. Nossa visão muito menos generalizada do mundo, da sociedade. Saberemos identificar melhor. A imagem terá maior definição, portnato a imagem será mais bonita, mais nitida. Imagine nossa capacidade de dinscimento, nossas generalizações será incrivelmente menor, minisculo, praticamente "pontual" (e lá vem as idéias do ponto).

Já conversou com pessoas de 10^6 x 10^6 de pixels? É incrivel, é diferente. Há assunto. Sempre há papo. Sempre há algo para aprofundar. O diálogo é prazeroso, abrangente, se prolonga; novas curiosidades surgem, novas fronteiras são delimitadas e maiores. E há uma progressão exponencial do conhecimento!

Vou falar, é até tediante, um saco. A Era da Desinformação! Uma rede enorme de informações na Internet, Universidades, Bibliotecas... mas pessoas sem tais, e que pouco as buscam. Você entra no msn, e aqui estão, 13 pessoas Online. Quantas conversando? Quantos diálogos? Que diálogos? Em quantos pixels será que está a coisa? E aí, você vai buscar conversar com tais. E parece que muitas tem dificuldade em pensar, elaborar, conversar, mais do que um punhado de frases, de perguntas e respostas. Conversas tão limitadas, tão pequenas, vou dizer, é angustiante. Tanto é, que após a EXPLOSÃO, do Grande Momento, quando a Internet deixou de ser novidade, passou o sensacionalismo. Se ternou uma motonoiedade de doer nos msn, e coisas populares. Antes, no inicio, onde era praticamente o IRC e o ICQ, nossa! Era super "badalado" (como alguns dizem), mensagme toda hora, todos querendo conversar; e ninguem se importava de ficar até horas da madrugada conversando (aliás, os bate-papos foi um dos principais fatores, que levou as pessoas a passarem a dormir muito tarde, de madrugada). Mas ai, a adrenalina baixou. E hoje? É cada monólogo! Quase não há conversa. Não é mais aquela coisa. Tem gente, (ops 10 pixels), que acha que é porque conversavam no ICQ, e por que mudaram para o msn é que ficou assim. Que absurdo! Era questão de tempo. Se fosse o MSN o conversador predominante daquela época, também seria super badalado. Mas veja hoje!!! aff!

O Orkut também, às vezes até digo: é um absurdo! Cada monólogo. A maioria das comunidades são muito paradas; e nem tanto por questão de tempo, mas falta do que falar mesmo. Felizmente, encontrei um punhado de Comunidades, que ainda se possui um minimo de diálogo. Contudo, vou ser sincero, se em todos esses anos, encontrei 10 pessoas no Orkut, com 5milhoes de pixels, foi muito! Há alguns metidinhos, que chegaram até uns 10mil pixels e se contentaram com isso, pararam por ai. Sabe por que: Com medo de ir mais além. Pessoas que não desenvolvem. Pararam, empacaram. E a tendência é cair, pois com o tempo, vai se esquecendo. E o músculo da mente, vai se atrofiando. Mas já tive alguns bons papos mesmo.

Hoje, os melhores papos, diálogos que tenho são com amigos universitários. Como o Elton, Elcio e o Fred. Eu e o Fred temos até a mania de sempre buscar transformar 1 pixel em uns 10mil pixels. "Opa, isso é obvio? Mas por que? Por que é assim? E se..." Com o Elton, altos papos. Não há aquela estabelecimento de barreira - não quero ouvir isso, aprender isso não... - Tanto eu tenho fome por conhecimento, assuntos mais médicos e quimicos que ele fala muito, e busco compreender tudo; assim, como ele para as coisas que eu falo. Um sem medo das termilogias do outro. Com o Fred o mesmo, apesar de haver umas brincadeiras do tipo "quimicos e matematicos..", apenas para discontrair.
itos
Pensando bem, creio que esse é um dos principais diferenciais do GEA-USP. O Grupo de Estudantes Adventistas da USP. Há várias pessoas ali, acho que em torno de 18 agora - se não me engano - e a coisa está crescendo; mas tudo gente com mais pixels que a sociedade em geral, fazendo parte de uma pequeno punhado de pessoas que saiu da mediocridade, do povão, dos pixels da TV Globo, das novelas (que são tudo iguais, sempre a mesma fórmula dos folhetins do Romantismo). O diálogo acontece, há essa busca por aprofundamento. O pessoal não se contenta apenas com um conhecimento superficial, busca mais a fundo. E todos tem maior capacidade de discernimento e de aprofundar-se. E são incriveis os debates no GEA que estamos fazendo sobre as Doutrinas Adventista, por base, o livro Nisso Cremos. Buscando aprofundar e aprofundar. É demais. Aliás, visto, que temos por publico alvo, evangelizar (aliás, como o Fred diz: O que é evangelizar?) universitários da USP; ou seja, jente com muito pixels; se forem os docentes então, huhu! Pessoas que tem prazer em fazer perguntas, questionar, no máximo de ambitos possíveis, com muito conhecimento, análise etc. Certamente, não vai ser qualquer papo feijão com arroz que irá convencer alguem. (aliás, o Espírito Santo é quem tem a capacidade de convencer. Mas diz a Biblia, que devemos orar para que nossas palavras possam ser bênçãos aos ouvintes... que relação há nessas coisas?)

Talvez o termo mais certo é que estou viciado, talvez obsecado pela aquisição do conhecimento, ao mesmo tempo em querer compartilhar com todos. Isso acaba te induzindo muito a querer seguir uma carreira academica. Um mestrado, doutorado, Phd, livre-docencia... ser professor de umas universidades de altissimo padrão e renome, tendo mentes incriveis, com bilhões de pixels no corredor da sua sala.

O mais triste de tudo isso é muitas vezes a incapacidade de transmitir tais conhecimento para outras pessoas. Já tentou contar uma piada que ouviu num cursinho ou faculdade para sua mãe, e ela fazer uma cara do tipo: "Te coloco numa camisa de força", ao invés de rir? Você sente um certo tédio, uma incapacidade, um abatimento e certo desespero. Você quer, deseja compartilhar tais coisas. Mas não dá. Elas não vão compreender. Tenta simplificar ao máximo, de modo para que elas possam se deliciar com a ponta do Iceberg, pelo menos. Certamente, todos em suas especialidades, um dia deve ter descoberto algo incrivel e pensar "Todo mundo deveria saber isso!" Ao meu ver, todos deveriam conhecer vetores, Geometria Analitica, e pelo menos Limit, Derivada e Integral... mas... Aposto que você tem a sua. Quão poucos estão dispostos a aprender...

O que fez Satanás com esse mundo! Cegou o entendimento das pessoas. Elas não são estão mortas nas trevas da ignorância; mas temem em ver a luz. Outro dia, ouvi a seguinte mensagem num filme: "O dificil não é fazer o certo. Dificil é saber o que é certo." O emissor trasmitiu na semântico de a verdade "é dura", pode ser "aquilo que ela não queria". E quantos hoje não se escondem nessa idéia de não querer conhecer a verdade? Quantos não têm medo de reconhecer a existência de Deus? Aliás, quantos não tem simplesmente covardia em passar do processo de aquisição do conhecimento. Tipo, aprender um instrumental musical é dificil e demorado. Há 9 meses comecei a tocar trompete, e só agora vou começar a tocar em publico, e mesmo assim, sinceramente, creio que precisaria de mais alguns anos. Aprender idiomas, não é da noite pro dia. Nada se faz, nada se aprende, sem queimar algumas calorias e sem que o ponteiro do relógio avance. Aliás, desfrute de cada momento desse processo de aquisição do conhecimento.

"Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;"
Prov. 3:13
"O coração do que tem discernimento adquire conhecimento; os ouvidos dos sábios saem à sua procura." Prov. 18:15
"A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas." Prov. 19:11

Se não me engano, há um verso assim em Provérbios:
"Aquele que deixa de aprender esquece o que já sabe."

Busque o conhecimento e a sabedoria.
Aliás, é isso o que fará eternamente; se for um dos salvos para a vida eterna.