02 setembro 2012
13 abril 2011
Sobre os Impostos e a Educação
07 abril 2011
Educação - Crise de Identidade
15 junho 2010
Da Vida Sentada: Da Educação à Aposentadoria
08 maio 2009
A História Ortognatica do Evandro
Atualmente estou para completar 23 anos. Mas desde criança, pequeno, se não me engano, quando bebe, tive problema de adenóide e assim de respiração, que foi tratado com drogas. Mas no desenvolver da vida, já aos 6 – 9 anos, eu respirava predominante pela boca, e dormia com a boca sempre aberta, babando muito; fora que freqüentemente tinha sinusite. Já naquela idade muitas vezes, ao correr, raramente, eu ouvia um som estranho no ouvido, como se houvesse uma pedrinha pulando dentro do ouvido. Mas nunca dei muita atenção a isso, nem meus pais, nas poucas circunstâncias que contava-lhes.
Aos 10 anos, se não me engano, eu já possuía alguns problemas na oclusão da mordida e o céu da boca fechado e fundo. Minha mãe levou-me a UMESP – Faculdade Metodista de São Paulo, onde comecei a tratar usando aparelho móvel; porém, não dava certo. Raramente eu usava-o, normalmente, quando minha mãe brigava, ou estava próximo ao dia de ir no dentista de novo. E em pouco tempo, houve uma certa desistência do tratamento.
Aos 12 anos, se não me engano, iniciei o tratamento com aparelho fixo com o um japonês chamado Roberto, que situava razoavelmente perto de casa. E ali fiz o tratamento por 2 anos. Até que por volta do meio do ano de 2000 retirei o aparelho e passei a usar um móvel(perereca) já com meus 15 anos. Mas com o tempo, fui deixando de usar o aparelho, e os dentes, aos poucos e poucos entortanto. Algo que ficou sempre claro para mim, que eu acompanhei no espelho, foi a minha mandíbula se deslocando para a esquerda conforme o tempo passava. O alinhamento dos dentes do meio da maxila superior e inferior começaram a se afastar; de modo que hoje, está com praticamente 1 dente de diferença.
Em 2004 ou 2005, sabendo de umas vagas de tratamento com a turma da pós-graduação da UMESP fui atrás de tratamento. Logo no primeiro dia, enquanto avaliavam alguma coisa, eles ficaram surpreso; e a dentista Fernanda (acho que era esse o nome) perguntou: “Ninguém nunca te falou que seu caso é cirúrgico?” A primeira vista eu tive um impacto forte com aquilo, pois nunca ninguém realmente falou. De modo, que na avaliação ali, detectaram as seguintes ocorrências:
- Prognatismo (classe 3)
- Assimetria facial
- Mordia cruzada
- Céu da boca fechado
A assimetria como pode ser visto na ressonância ao lado, há uma inclinação na formação da maxila superior e inferior, eu não medi essa inclinação, mas chuto, quase que uns 20 graus. Para tal, a dentista explicou a solução é cirúrgica, eles cortariam e retirariam a maxila superior então nivelariam corretamente.Já a maxila inferior, o problema principal, é porque o lado direito é um pouco maior que o esquerdo; o que dá o efeito aparente de um queixo grande, acentuado para fora; e esse deslocamento da mandíbula para a esquerda. Então, para isso, na cirurgia, eles cortariam um pedaço desse lado, regularizando assim, o tamanho, usando uma placa de metal para uni-los novamente.
Além disso, o céu da boca fechado, seria aberto através do expansor, Hyrax (se não me engano), um aparelho especial que romperia o ligamento dos ossos do céu da boca e assim os afastariam, abrindo o céu da boca. Caso, devido a idade, ele não rompesse assim, seria necessário uma cirurgia a qual “racharia a sutura do palato superior”, e assim, depois abriria com o disjuntor, no minimo 5mm.
Também me falou sobre o pós-cirurgico, como talvez a pior fase da minha vida. Apenas após 2 semanas eu voltaria a falar. Os dentes de cima ficariam presos aos debaixo por elásticos, de modo, que por 40 dias eu não mastigaria, iria beber apenas liquido. E apenas após 6 meses a sensibilidade começaria a voltar na boca, lábios, entre outros. E nas duas primeiras semanas iria ficar horrivelmente inchado.
Isso assustou um pouco – não a mim – meus pais. Quando meu pai ouviu falar em cirurgia, já demonstração negação total. E a cirurgia seria feita pelo Hospital das Clinicas, sem custo algum. E foi a primeira vez que eu ouvi a palavra “bucomaxilofacial” e “cirurgião bucomaxilar”.
Após isso, meus pais insistiram em ir até o bucomaxilo do convênio médico (Amico, que depois se tornou sei lá o que e agora é Focus, acho). Fomos até o local, na Vila Mariana, em São Paulo. E o médico apenas de olhar falou que meu caso era realmente cirúrgico, mas que o convênio médico não cobriria pois consideraria uma cirurgia estética; apenas em caso de dor faria. Mas meus pais ficaram sabendo que realmente era cirurgia e ponto final.
Então, lá para Agosto ou Setembro de 2005 iniciei o tratamento na UMESP. Não lembro como foi sendo o processo. E em 2006, trocou de dentista (pela mudança de alunos); não me recordo do nome dela, mas ela colocou o aparelho fixo embaixo e disjuntor em cima. E assim foi indo, o que ela dizia ser “preparar para a cirurgia”. Até que chegou mais ou menos, por volta de julho ou agosto. (estou meio perdido nessas datas), quando ela falou duas coisas para mim:
1. Não podia fazer nada enquanto não retirasse os molares (pelo menos os inferiores); E que era para eu remarcar após ter retirado os molares.
2. Que pelo andamento e enrolação como ia na UMESP; ela me recomendou que buscasse um tratamento com alguém bom e particular. Pois ali poderia ficar anos e anos na Metodista e poderia não ficar muito bom, por cima.
Então, fui ver quanto ficaria para arrancar os sisos e ficaria um pocado caro. O aparelho continuou em minha boca. E eu meio que abandonei a UMESP, pois precisava arrancar os sisos primeiro, e parecia que eles se esqueceram de mim, também. Inexplicavelmente fiquei mais de 1 ano com aquilo na boca; sem nem mesmo trocar as borrachinhas. O que incomodava muito, até que não fazia praticamente nenhuma diferença.
Em 2006 entrei na USP, e logo fui na Faculdade de Odontologia para ver sobre o tratamento lá, pois a dentista recomendou. Mas logo me falaram que havia uma fila de espera, tinha que esperar a re-matricula para fazer o tratamento lá, e que só ocorreria lá para Agosto, ou Setembro, se não me engano. E acho que foi isso com que fez que ficasse todo esse tempo parado, na expectativa de tudo fazer na USP.
Mas chegou no final do ano, e não deu nada na USP. Então recorri a uma dendista particular, a Eliezabeth, que fica ao lado do Colégio Adventista de Santo André, onde estudei. E meus pais tinham muita confiança nela. Na época eu já trabalhava, mesmo ganhando pouco, resolvi ir atrás. Acho que lá para novembro de 2006 ou primeiros meses de 2007, fiz uma consulta da ela. E ela falou que eu precisava arrancar os dentes de siso primeiro.
Ai ok. No período de junho e julho os arranquei os dois molares inferiores, com o dentista Serrano, que meu vizinho se tratou e gostou muito. Aliás, eu gostei muito também, falei um pouco do meu caso; mas ele me falou de tratar com um cirurgião particular, e aquele valor de R$ 16mil, me veio a cabeça, então desconsiderei totalmente.
Em setembro, senão me engano, voltei na Elizabeth; e ali ela falou que talvez conseguiria fazer um tratamento sem a cirurgia, não ficaria tão bom quanto ela. Mas também disse que a cirurgia não deixaria 100%, e também corria riscos. E comecei o tratamento com ela. O que, senão me engano, foram 2 consultas em dois meses. (pagando uma mensalidade razoável que não me recordo do valor); chegou em janeiro, houve uma série de contratempos que não deu para fazer uma consulta, até que fiz no final de janeiro ou começo de fevereiro de 2008. Houve um certo conflito quanto a mensalidade nisso, aí, até que na consulta, ela começou a reparar na minha articulação (havia reparado antes também) e disse que eu tinha um problema de “disfunção da ATM”, e foi bem direto em dizer: “Eu não tenho condições de tratar isso. O melhor lugar para você tratar disso é na USP.” Então, cancelamos o tratamento e ela retirou os dois aparelhos: o fixo embaixo e o disjuntor em cima.
Foi a primeira vez que ouvi falar nesse negócio da ATM, nem sabia que ela existia: “Articulação Trans-mandibular”. Fiquei muito inconformado com o que fazer, mas a idéia que veio foi: “Agora preciso resolver isso na USP.”
Por volta de maio-agosto de 2008, vasculhei uma lista de e-mails de professores no site da Faculdade de Odontologia da USP e atirei e-mails. Com isso, uma porta se abriu do departamento de pós-graduação. Até que o André Abraão (acho q era esse o nome) entrou em contato comigo e marcou para eu ir até lá na clinica da pós-graduação. Fui lá, e ali fui super bem recebido por ele e outros alunos. Que falou do programa de pesquisa da USP, do tratamento e tudo mais. A cirurgia poderia ser feita no Hospital Universitário a custo zero, e tinha vários privilégios por ser aluno da USP.
Foto em que fica claro, visualmente, tais ocorrências, menos a da difunção da ATM. Aliás, para não constranger algumas pessoas, evito de dar esse sorrisão largo e aberto.Passei a participar, e ali mesmo já começaram alguns exames inéditos para mim. Com um paquímetro, fizera várias medições na minha boca e mandíbula. E também o teste do toque, com o dedo ele pressionava vários músculos da face na região interna e externa eu tinha que dar uma nota de 0 – 10 para classificar a intensidade da dor. Também fiz uns raio-x ali. Marquei com uma outra garota lá que iria fazer o molde e tirar as medidas dos “eixos de inclinação” da minha boca; o Junior marcou de fazer uma tomografia no Hospital da Face, o Abraão, de fazer um exame que mediria o “ruído”, o som, o barulho da articulação, e outra garota marcou comigo de fazer uma ressonância magnética no Hospital Samaritano. E em menos de 1 mês fiz todos esses exames, rapidamente, sem custo algum; em apenas 2 ou 3 vezes que fui na USP. (as coisas pareciam ir rápidas). Tirando o da parte dos eixos, que ela não conseguia encontrar um eixo lá, ficou de remarcar, mas nunca tive um retorno.
Porém, para o tratamento em si, precisava esperar ser convocado, escolhido, para a pesquisa na pós-graduação. E apenas agora em abril/2009 isso ocorreria. Então fiquei aguardando.
Porém, em 2007 eu iniciei meus estudos com o trompete, o qual exige muito da boca, especialmente de toda musculatura facial, pescoço, os da respiração. Não sei até onde isso influenciou, mas ao mesmo tempo, ali pelo final de 2008, novembro, eu estava além de treinando trompete, também o canto para a cantata de natal do Pedra Coral. E certo dia levei um susto forte, quando pela primeira vez na vida, eu tive uma câimbra na mandíbula. Até então, minha articulação nunca me incomodou. Mas desde os exames na USP, eu de vez enquanto percebia sentir um certo incomodo na região das ATMs, principalmente após comer, falar muito, cantar; e não mais de uma vez na vida, mas várias, eu sentia fortes dores e incômodos na musculatura local quando falava muito e ria bastante, mas pensava ser normal.
Passei a me preocupar mais com isso e ao mesmo tempo me interessar mais pelo assunto, e comecei a pesquisar mais na Internet, e descobri uma multidão de coisas sobre o assunto; até mesmo comecei a reparar, que eu tinha esse problema desde criança. Pois aqueles estalos na articulação e barulho de pedrinha pulando (que eu ouvia desde a infância) eram sinais praticamente claros de problema na ATM; a qual, em combinação com outra coisa da respiração podem ter sido a raiz de todos os males.
Pesquisei e pesquisei, comecei a me monitorar mais, sempre fazer aquele teste do toque para tentar mensurar como estava a dor. Apesar de insignificante mas era sempre uma pedra no sapato. Então acabei ficando 2 semanas com uma dor bem chata, uns 3 de 0 a 10, mas que não parava nunca. Foi quando procurei por “Cirurgia Ortognatica” no Orkut e encontrei algumas comunidades, participei de tais, conheci várias pessoas que tinham casos semelhantes, fizeram os procedimentos cirúrgicos, estavam fazendo. E o que mais me impressionou foi a quantidade e enorme de resultados pós-cirurgicos. Todos gostaram muito dos resultados, alguns até tiveram que trocar de identidade; outros 2 dias após a cirurgia estavam praticamente 100%, nem inchou. Ali recebi várias indicações de cirurgiões e lugares para se tratar em São Paulo. Mandei e-mail para tais explicando meu caso, recebi ótimas noticias e propostas.Mas, aguardava ainda a USP. Em Janeiro falei com o Junior e ele falou que havia boas chances de eu ser selecionado. A seleção deve ter ocorrido agora em abril, eu ainda não recebi nenhuma notificação, espero ligar em breve e saber o que ocorreu.
A ressonância ao lado mostra claramente uma má formação e desenvolvimento ósseo do lado esquerdo.Porém, de janeiro para cá, eu coloquei em plano a longo prazo isso, pois de fato, não me incomodava; tirando aquilo que ocorreu em novembro. Eu também não me preocupo com a estética e muitas pessoas, ficaram surpresas quando contei para elas dos problemas, pessoas que conviviam há anos comigo e que nunca notaram nenhuma anomalia.
Mas do começo de abril para cá, houve uma piora crescente e considerável. E como se estivesse perdendo a mobilidade das articulações. Há uma sensação cada mais maior de pressão, tensão e queimação local. A monitoração dos exames de toques pioraram; não houve sinais de melhoras. Domingo passado, dia 3 de maio, eu fui correr e fiquei impressionado com o barulho que a articulação estava fazendo, não era pedrinha, era uma “pedreira”; fora que agora qualquer movimento que faço, mesmo que seja para alongar o pescoço, a articulação e musculatura local estala e num som forte, para mim; claro, que só estando do dentro do meu ouvido você ouviria; mas está forte. E o incomodo é cada vez maior. Nos últimos ensaios do coral nesse fim de semana, a coisa foi tamanha, que eu pensei em sair do coral e parar de cantar.
O problema também é que conheci casos na Internet de pessoas que a dor chegava a tal ponto, que tinha que fazer compressas de água quente e fria todos os dias. Outros passaram a viver tomando remédios para a dor até terminar o tratamento. Não quero isso de modo algum. E antes que o problema era apenas na ATM da esquerda, a tensão e dor normalmente é na da direita; apesar que os estalos e desvio parece ocorrer apenas na da esquerda.
Engraçado que tocando trompete nunca acontece o nada na articulação; então tenho boas perspectivas para tal. Apesar que ele força a musculatura, de modo que ela fica mais tensa e dolorida, às vezes.
Vamos ver que fim deu na USP, caso contrário, vou correr atrás do particular mesmo. Apesar que isso vai detonar meu orçamento. Fora que, provavelmente, terei que fazer um monte de exames, pois os da USP não posso retirar e a tomografia não ficou muito boa, teria que refazer. Mas pelo menos tenho a ressonância.
Contudo, o receio de usar aparelho novamente, ainda mais quando estou tento os melhores resultados e avanços no trompete, não é nada legal. Mas agora estou numa boa época, jovem, ótimo para se recuperar de cirurgias, e, teoricamente, com a formação óssea já bem desenvolvida, tanto é que a cirurgia não é muito recomendada para menores de 20 anos, pois depois, o osso pode crescer um pouco anormal.
Julho de 2009, do dia 6 de julho uma nova coisa passou a acontecer na minha articulação. Ao acordar, já aconteceram duas vezes, a última hoje (dia 12), de forçar bastante ar na bochecha da direita e ouvir uns sons muito internamente na região da ATM da direita, um som que lembra uma mistura de "microestalos liquidos"; não sei explicar, só que logo passa. E maiores problemas tem ocorrido agora na ATM da direita (as duas já estão comprometidas, não só mais a da esquerda). No dia 8 ao tomar café da manhã, toda vez que eu abria a boca ocorria esse som de "microestalos liquidos" internos que eu esculto pelo canal auditivo direito (a minha direita); porém, após comer, e ficar um bom tempo com a boca em repouso, o som passou. Mas ontem, dia 11, o mesmo som começou a ocorrer no meio do almoço e durou por várias horas - bastava eu abrir a boca que o som ocorria. Mas desde então passou, mas creio que irão ocorrer mais vezes.
10 de Agosto de 2009, encontrei um local mais próximo de casa que faz há um dentista especializado em tratar do tipo, assim como me recomendaram a fazer a cirurgia pelo próprio Bucomaxilo do plano de saúde. Porém, terei que fazer mais alguns exames. Bem, mas espero iniciar o tratamento ainda esse ano; descobri que esse problema ortognático tem me impedindo muito meus avanços no trompete. Além disso, aquele som liquido na região entre o ramo da mandíbula, o percoço, a orelha e a articulação se tornou constante, todos os dias ocorre; quando acordo, e também tem sido frequente sua duração no decorrer do dia. E de muito apalpar, tenho quase certeza que se trata de algum liquido, que lembra muito qdo se aperta uma bucha de louça cheia de água e detergente; apesar de indolor, incomoda, e às vezes cria uma certa pressão na região, o que me leva a ficar cotucando e massageando a região
23 de Setembro de 2009. Terminei de fazer uma limpeza geral e um canal nos dentes. E me planejei para agora, já correr atrás do exames, e quem sabe, já iniciar o tratamento no final desse ano. Pois nessas últimas 2 semanas, minhas articulações tem judiado bastante (Também não sei se o fato de ter treinando muito no trompete colaborou para isso); a musculatura local tem estado sempre bem dolorido, teve dia que tivesse que passar Cataflan para dar uma aliviada; além disso, já comecei a ter dor de cabeça por causa das articulações. E em alguns momentos uma sensação de travamento, mas não chega a ser, tipo, a musculatura da articulação tipo, enrigesse. Não sei se tem ligação, mas tenho notado meu ouvido mais sensível, também.
2010 - Inicio o tratamento. Acompanhe no seguinte link:
A História Ortognática do Evandro - Tratamento
08 setembro 2008
Invisibilidade Pública - Tese de Mestrado na USP

Invisibilidade pública é uma realidade dos nossos dias.
ENTREVISTA EMOCIONANTE * PSICÓLOGO GARI
"A moral e os costumes que dão cor à vida, têm muito maior importância do que as leis, que são apenas umas das suas manifestações. A lei toca-nos por certos pontos, mas os costumes cercam-nos por todos os lados, e enchem a sociedade com o ar que respiramos."
· Toda ação repetida gera hábito.
· O hábito muda o caráter.
· O caráter muda a existência.
· "Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome". Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
"Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão",
diz.
Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.
Diário - Como é que você teve essa idéia?
Fernando Braga da Costa - Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.
Com que objetivo?
A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis.
Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?
Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?
Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal.
Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo
funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o
modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos.. Os garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.
Dê um exemplo.
Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis.
De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade,
subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão.
O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não.
Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão".
Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?
Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari.
Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são
carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram
me tratando diferente.
As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.
Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?
Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.
Eles testaram você?
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma "COISA".
__________
Nota: Fora que ainda se pode multiplicar fatores, como cidade grande, cidade pequena, campo. Quantas pessoas, em pleno metro no horário de pico e estão totalmente isoladas, sem companhia. Uma verdadeira solidão na multidão. Já cidades pequenas, vilarejos, a coisa se torna mais humana; pelo menos um pouco. Mas uma coisa é certa, quanto maior o orgulho e arrogância da pessoa, mais os outros se afastam, e mais interessados se achegam; sobretudo, quando a causa é "dinheiro e status".
Como problemas do tipo seriam simplesmente acabados se as pessoas meramente praticassem aquilo que Deus no ensinou: "Amai ao próximo como a si mesmo."; "Fazei ao próximo aquilo que gostaria que fosse feito com você." Que status há o ser humano para Deus? Quem é o ser humano, para que um mero status social diga se alguem tem mais ou menos valor?
12 junho 2008
GEA - Bate-papo com os dinossauros
Foi tão incrível essa reunião, que fizemos algo inédito no GEA, fizemos um replay. Como o Kleberson estaria até quinta-feira por aqui, remarcamos de fazer uma nova reunião na quarta-feira. Muitas interrogações, dúvidas, "coisas a se falar" ficaram; e foi tão magnífico que queriamos - de forma unanime - repertir isso.
Na quarta-feira então repetimos, após um bandeijão na Física, o Tuca conseguiu uma sala ali no IF, e ali nos reunimos, então tivemos um longo diálogo - que passou num piscar de olhos - contando também com a participação do Gabriel (outro dinossauro). Infelizmente, algumas pessoas não puderam ir, como o Dorfo, Tatinho e a Nath.
Bem, mas o Fred fez algo incrivel. Além de ter anotado, os pontos que fomos abordando no decorrer da conversa... ele gravou a conversa no seu mp3. Bem, a qualidade do som não ficou das melhores, mas aumentando bem o volume e com atenção é possível ouvir bem a conversa.
Faça o download da conversa:
Tamanho: 14 mb
Qualidade: 56 kbps
Formato: mp3
Download (4shared.com)
Faça o download dos tópicos abordados na conversa:
Tamanho: 5 kb
Formato: Bloco de Notas
Download (4shared.com)
04 abril 2008
A Dimensão do Conhecimento
Essa semana, sem dúvida, foi uma das mais intensas - se não a mais - na minha vida na questão de estudar. Dormi em torno de 3h - 4h por noite (numa, apenas 2h), estudando. É certo a faculdade é muito puxada (Matemática - IME-USP... esperar o que? - faculdade com os maiores indices de desistencia do curso); e essa semana, mais ainda, devido aos trabalhos, listas e provas. Mas isso tudo estimulou muito a minha mente, impulsionou; passei a amar muito fortemente "estudar", adquirir conhecimento. Aliás, uma das coisas que a USP ensina, e muito bem, é fazer o aluno se VIRAR quanto a aquisição do conhecimento, aprender a estudar, se ralar. Você com o tempo, passa a ter maior rendimento (do tipo, não ter que ler várias vezes a mesma coisa); passa a ler mais rápido. E é muito comum mesmo, por quer que ande na USP, se deparar com alguem lendo algum livro, ou com um na mão.
A Matemática me deixou impressionado com algumas coisas muito dez. Primeiramente, tenho aqui que elogiar um professor do IME (algo raro), o Henrique Guzzo, de Geometria Analitica. Ele iniciou com álgebra linear; ele tem uma ótima didática (raríssimo no IME), é uma aula dinâmica, ele gosta de fazer várias aplicações práticas do conteúdo; apresentar curiosidades; que creio que, quando for possível, colocarei no blog de matemática. Mas essa semana, ele surpreendeu com uma aplicação incrível da algebra linear, de algo chamado "classes" (propriedades de adição e multiplicação dos restos da divisão de um inteiro por um número primo); e uma dessas aplicações é a CRIPTOGRAFIA.
Simplesmente sencacional; incrível o que se é possível usando a propriedade da Inversa de matrizes. Criptografia, é realmente uma algebra pesada, nada óbvio, muita conta, demora, dificil até (o que é comum). Mas é incrivel as aplicações de tal, simplesmente hoje todos usam e muitos nem sabem. Os softwares de computadores usam, sites usam, bancos usam, até o exército usa. É uma forma de você "esconder informação", no modo que: você tem a informação, mas estará escrita de um modo que não transmite a sua informação; apenas alguem com o "a chave correta" (vamos assim dizer), consegue. Sabe a sua senha no banco? É graças a criptografia... Sabe o DVD, é a criptografia que não permite ser pirateado (apesar de já haverem softwares com a maioria das "chaves")... hoje, parece que só a tecnologia do Blue-Ray, AINDA, é segura por não decifraram a "chave".. mas é questão de tempo. E tudo isso é formado com "números primos", o que é mais incrivel ainda. Para ter idéia, há empresas que VENDEM "números primos". Certamente, ninguem vai vender o número 17; mas vendem uns números enormes que são primos - encontrados por matemáticos, e que possibilitam uma criptografia mais segura. Mas logo-logo, quando surgirem os computadores quânticos, facilmente poderão descobrir qualquer chave. Portanto, a Criptografia terá que passar por uma revolução. Caso contrário, não haverá informação segura no mundo.
Bem, isso foi apenas para desabafar um pouco; pois estou empolgado, muito conhecimento e informação desejo compartilhar. Estou meio que naquele "primeiro amor" para com a matemática. Desejo colocar mil coisas no The Matematico... mas como ainda não é muito agil escrever coisas de matemática no computador, como é numa folha de papel; mas sim, demorado, apenas aos poucos e poucos, vou colocando.
Salomão foi alguem fascinado pelo conhecimento, pela sabedoria. Aliás, é imprescindível para qualquer ser humano que leia, pelo menos uma única vez na vida o livro de Provérbios; sobretudo os 3 primeiros capítulos.
"O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino." Prov. 1:7 Almeida
"Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos;
Há várias coisas muito 10 sobre matemática que gostaria de compartilhar, mas creio que apenas um punhado de pessoas compreenderiam. Pois é uma área tão maravilhosa, incrível, pois nos faz trabalhar com "ideais", "infinitos", "limites"; aliás, filosofando um pouco sobre matemática, aprendi muito sobre linguagem. É incrível perceber toda essa ciência. É espantoso, intrigante, quando você se depara com uma verdade absoluta; equações, equações diferenciáveis, curvas em Rn, integral. Você observa toda essa complexidade e harmonia; e fica intrigado com a questão: "Isso existe! É um fato!"
Pensa, por que tais coisas existem? Por que não poderiam ser diferentes? Por que chegamos a ter o privilégio de conhecê-leas, compreendê-las, e até mesmo equacioná-las, formulá-las? Por que existe essa lógica no Universo? Por que existe toda essa complexidade? Como pode uma mente finita, conseguir compreender e até mesmo ilustrar coisas infinitas? É tudo muito maravilhoso! Estou tão impressionado, que em cada ato, cada palavra, em cada respiração, estou reconhecendo a vida, uma complexidade magnifica, uma oportunidade e dever de aproveitar e fazer do melhor possível; "Reconhecer a vida em cada respiração" como disse Matsumoto no filme "O Último Samurai", buscar a perfeição em tudo! É notar a razão, a sabedoria infinita de Deus simplesmente em tudo. Por exemplo, na própria idéia do "espaço". Por que o espaço é tridimensional? Por que exatamente 3 lados? Por que existimos? Por que o existir existe?
Provavelmente vou perder outra noite de sono porque pensei na questão do "existir". Tipo, agora estou sentado num sofá, digitando num notebook, na sala. Mas, por que eu existo? Por que a matéria existe? Por que eu penso? Por que há esse momento na História do Universo? Por que o Universo fora criado? Por que Deus existe? Por que simplesmente não houvesse nada? Nada de nada. Não houvesse Deus, nem eu, nem o Universo, nem a coisa que dizem ter dado o Big Bang; simplesmente nada. Por todo o sempre? Mas não, tal é uma idéia refutada, inválido, pois aqui estou eu! Que privilégio!!! E como é tolisse, pessoas de algum modo se acharem grandes, ou pensar que é melhor do que alguem!
Mas tudo é intrigante, empolgante. Por exemplo: "O que é a matéria?", o que é o "espaço físico"? Por que as coisas se atraem (apesar de existir a anti-matéria)? O que há, numa grande infinitesimal, entre você e o ar? Por que o Universo tende ao caos, mas se mantém com consideravel estabilidade? Quem é outro foco no sistema solar além do sol, para as elipses das órbitas dos planetas? Tantas perguntas intrigantes.
Ontem, assisti um pedaço da série-documentário do Discovery Channel "O Universo em Miniatura". E mostrou um acasalamento de uma espécie de aranha - não vou recordar o nome. Bem, lá estava a fêmea em sua teia, enorme, talvez a arenha fosse do tamanho da palma da minha mão. E então chega o macho, umas 4x menor do que ela. O macho se aproxima, e meio que começa a "analisar ela, e estimular ela". Mas então acontece um mecanismo INTRIGANTE. Ele "sabe" (por extinto, talvez) que é alto a probabilidade de após ele fecundá-la (acho que esse é o termo) ela comê-lo; então ele fica numa atitude meio estranho, simplesmente analisando ela, para saber se vai ou não fazer isso. Mas por que ele faz essa investigação? Por que esse desejo de acasalar? Por que, o que é aquilo que chamam de "instinto"? Por que ele vai ali correr um risco desnecessário. E ai tipo, ele acaba fecundo, ele apenas injeta uma espécies de bolhas no abdomen dela; e logo em seguida, a femea, enrola ele em teia e se alimenta. Meu! Isso foi suicidio! Ou não! Pelo modo como a aranha agil, você percebe, os pesquisadores descobriram, que é como se ele soubesse do que poderia acontecer; que ele poderia morrer após isso. Mas uma aranha pensante? Como elas raciocinam? O que é o instinto delas? E por fim, ela vai e se suicida.
Darwin! Me explique isso? Não encontro a idéia do egoismo das espécies, "a sobrevivência do mais forte". Por que uma espécie simplesmente se sacrifica apenas para fecundar a femêa? Ela não teria o instinto de autopreservação? Ou então é uma das mais belas cenas de altruísmo encontrado na natureza. O amor ao próximo, a uma causa maior! "Morrer por alguem, por um ideal!" Mas isso não seria um instinto, meio que anti-instinto. O que é o instinto? O que controla, rege tudo isso? Por que existe?
Ontem, enquanto ministrava uma aula de matemática para um garoto da 7ª série, sobre Geometria Espacial; tentando lhe passar sobre a idéia mais básica, do que é "um ponto", "uma reta" e "um plano". É intrigante a idéia que tais, de fato, não existem! Mesmo se você pegar uma partícula de um átomo, ainda não um ponto! O ponto não tem forma, o ponto não tem volume, não ocupa espaço, não tem dimensão; mas ao mesmo tempo em que um conjunto de pontos numa direção, forma uma reta, que também não existe; a qual, combinando com outras retas, pode-se formar um plano... o qual também não existe. Não tem expessura. Claro, fazemos todos aqueles desenhos, figuras para REPRESENTAR, ILUSTRAR. Mas são coisas verdadeiras que existem, não no mundo físico, mas são fatos, existem num contexto matemático idealitico.. com coisas tendendo ao infinito. Bem, por exemplo. Se você pegar um objeto central, sem tamanho; e várias flechas cercando-o por todas as direções possíveis, e aproximá-las cada vez mais, e mais, e meais, desse objeto central; no limit, quando essa aproximação tender ao infinito. Ou seja, a distância entre o objeto e as flechas tenderem a zero; então encontramos "um ponto". Meu, é muito intrigante a maioria das coisas que as pessoas costumam julgar obviedade.
Fiz uma analogia disso com a Linguagem. Já pensou como é complexo esse conceito e podermos estar conversando? Eu transmitindo idéias para você e você compreendendo-as. A própria questão do seu desenvolvimento. Há algumas teorias controversas quanto ao surgimento da linguagem, da comunicação... e não me aventuro ao que não sei e certamente, os estudantes da área devem conhecer melhor isso, como o Elcio. Mas veja a relação com a matemática. Bem, o que é uma idéia? Uma idéia seria uma associação com uma palavra? Bem, ao pensar na matemática, na questão do ponto. Concluí que a idéia, o que pensamentos é como um ponto; ele, fisicamente, não existe. A idéia, assim como o ponto, são abstrações, algoritmos idealiticos que formulamos em nossa mente; sem espessura, sem tamanho, mas existem. Então usamos uma "linguagem" para conseguir fazer os outros compreender tais. Ai comecei a pensar no valor da semântica de uma palavra. Pois por exemplo, se eu desenhar uma reta num papel. Para começar aquilo não é uma reta perfeita, e não é uma reta de verdade, pois não se pode dizer que ela tem uma "linha", ela não ocupa espaço. Mesmo as retas num computador, possuem "pixels". Mas é uma figura uma representação da idéia de uma reta, dos vários conceitos que há nela; é até mesmo suas propriedades geométricas; mas quando ilustramos-a, é algo limitado. Pegamos de algo infinito (em nossa mente) e passamos para o papel (finito). O mesmo é uma linguagem; se tem uma idéia infinita e passamos para algo finito (palavras).
O que passou a acontecer? Algo mirabolante. Transformamos nossas abstrações, em coisas finitas; que passaram a ser nossas abstrações, nossas idéias (infinitas). De modo tal, que usamos o finito para pensar no infinito. Por exemplo, se você for pensar no "sol". Vai ter que pensar no "sol", nessa palavra; é uma relação tão intima, entre a palavra (finito)"sol" e sua "idéia"(infinito) que não há uma distância entre eles, tende a zero no infinito. Pois bem, como você pensaria no "sol", se não conhecesse-o em nenhum idioma? Se não soubesse que palavra representa tal idéia. Provavelmente, olharia para tal; e toda fez que fosse pensar no sol, em sua mente, na memória, viria a idéia daquela "imagem" que se viu do sol. Mas e se fosse cego de nascença e nunca tivesse vito o sol? Certamente, não saberia de sua existência. Não haveria a idéia em sua mente. Mas toda vez que temos um contato com uma idéia, algo de lógica infinita; é praticamente instantaneamente, associarmos tais com algo finito; a partir de então, usaremos essas referências para nos recorrer a tais.
Agora veja a complexidade disso, tente perceber, notar a complexidade e importância incrível disso em termos de linguagem. Tente imaginar se você não conhecesse a palavra finita, que conceitua uma idéia infinita; por exemplo de um adjetivo, como "bonito". Como você iria caracterizar aquilo? Assim para qualquer outra palavra. Você simplesmente não conseguiria pensar nelas. Ao mesmo tempo, estaria mais limitado. Suas idéias seriam menores. Pense do que seria o mundo sem a idéia representada pelo "ponto"!!!
Linguagem (não existia) ---> Passou a existir
Visto, que é necessário da linguagem, de uma linguagem inicial, mesmo que simples e básica; para desenvolver uma linguagem. Como um bebe, ele nasce sem linguagem (por instinto chora); mas assim, que começa a ter "idéias" (mas não formuladas, não equacionadas)... então, elas passam a ficar curiosas, começam a observar os seres humanos, os pais, e de forma maravilhosa, começam a associar a linguagem de tais com suas idéias; até que suas idéias passar a ser a linguagem.
Agora, como poderia, sem essa linguagem inicial (dos pais), ela desenvolver a linguagem dos pais? Segunda 'a teoria', talvez uma delas, se de inicio os primeiros homens, veio de algum modo dos macacos. No inico, a linguagem inicial seria a dos macacos. Então, a linguagem que o homem aprenderia seria a dos macacos. Com isso, tal linguagem passaria a ser suas idéias. E assim tal linguagem seria passado aos seus filhos. Como nós, poderiamos aprender outras linguagens. Mas ele apenas teria de outros animais. Como é que hoje o homem tem essa linguagem humana? É, a idéia de Genêsis é bem viável. Mas pense nos macacos, como eles aprenderam o "macaquês"? Vamos voltar na História da Origem das Espécies. Quando os peixes deram seus primeiros saltos para fora da água, e - milagrosamente - conseguiram sobreviver estando fora da água; que linguagem? Como os primeiros animais terrestres desenvolveram uma linguagem? - Coisas intrigantes, curiosas.
Por isso, que alguns cientistas consideram a "telepatia" a linguagem suprema. Pois não há uma "linguagem" com palavras, referências, figurações finitas. São apenas idéias, ideais, aquelas coisas de natureza infinita em nossa mente, em total liberdade, sem estar associada a nenhuma palavra. E essas idéias são perfeiamente transmitidas e entendidas de uma mente para a outra pela telepatia.
Bem, tudo isso deve-nos fazer, no minimo considerar a linguagem como algo importante e intrigante. E também nos leva a outro conceito de que: "Quanto mais palavras você conhece, mais idéias, mais ideais você tem." Quanto, maior sua compreensão da linguagem, quanto mais conhecimento você possuir. Maior será o volume de idéias em sua mente. Será a diferencia, entre apenas ter alguns grãos de areia ou uma praia em sua mente. Seu nível intelectual passa a ser maior. Você possui um leque maior de opções para se expressar. As palavras (finitas) que você usa para expressar suas idéias (infinitas) serão melhores definidas, com uma diferença cada vez mais próxima de zero quanto a idéia infina. Portanto, uma melhor capacidade de se expressar.
É triste quando encontro, na sociedade de hoje, na Era da Informação; pessoas com dificuldades de expressão. Querendo dizer algo para você, mas não conseguindo, não encontrando as palavras certas... muitas vezes de forma frustrante. E o que acontece grandemente, é por terem poucas idéias, pouco conhecimento, pouca capacidade de expressão, uma mente pequena, mais limitada... tal limitação passa a ser o seu Universo. Um exemplo absurdo: "A pessoa só conhece o ladrão que rouba." Então, para tudo qualquer coisa, que tenha alguma semelhança com o ladrão que ela conhece que roubou um carro; ela vai associar com isso. Não fará distinção, entre outros tipos de crimes; ou para com um assassino. Ela passa a generalizar mais. Imagine um monitor, uma placa de vídeo do passado. Uma definição de baixa resolução, com sei lá: 10x20 pixels. É assim que elas observam o Universo. Essa é a compreensão dela de tudo, esse produto: 200 pixels, é o número de idéias dela; é a capacidade de expressão dela. Agora, uma pessoa de amplo intelecto, com muitas idéias, profundas, com muito conhecimento, amplo dominio da linguagem, muitas palavras.. lógicamente terá muitas idéias, e sua capacidade de compreensão maior e de expressão. Comparando, suponha que peguemos uma foto da "sociedade", e então a obervamos numa resolução de 10x20 pixels. Certamente, será muito limitada a compreensão de tal; nossas idéias, iremos generalizar várias coisas, uma discernimento menor, de apenas 200 pixels. Portanto, em nossa visão, TUDO estaria dentro de 200 pixels!!! que horror!!! Agora, imagine, se somos o "com uma praia de areia", e olhemos a mesma foto da sociedade numa resolução de 1milhao x 2 milhões de pixels!!! O produto será de um número que sei o nome, mas na linguagem matemática se diria: 10^6 . 2 . 10^6 = 2.10^12 = 2.000.000.000.000 de pixels. Nossa visão muito menos generalizada do mundo, da sociedade. Saberemos identificar melhor. A imagem terá maior definição, portnato a imagem será mais bonita, mais nitida. Imagine nossa capacidade de dinscimento, nossas generalizações será incrivelmente menor, minisculo, praticamente "pontual" (e lá vem as idéias do ponto).
Já conversou com pessoas de 10^6 x 10^6 de pixels? É incrivel, é diferente. Há assunto. Sempre há papo. Sempre há algo para aprofundar. O diálogo é prazeroso, abrangente, se prolonga; novas curiosidades surgem, novas fronteiras são delimitadas e maiores. E há uma progressão exponencial do conhecimento!
Vou falar, é até tediante, um saco. A Era da Desinformação! Uma rede enorme de informações na Internet, Universidades, Bibliotecas... mas pessoas sem tais, e que pouco as buscam. Você entra no msn, e aqui estão, 13 pessoas Online. Quantas conversando? Quantos diálogos? Que diálogos? Em quantos pixels será que está a coisa? E aí, você vai buscar conversar com tais. E parece que muitas tem dificuldade em pensar, elaborar, conversar, mais do que um punhado de frases, de perguntas e respostas. Conversas tão limitadas, tão pequenas, vou dizer, é angustiante. Tanto é, que após a EXPLOSÃO, do Grande Momento, quando a Internet deixou de ser novidade, passou o sensacionalismo. Se ternou uma motonoiedade de doer nos msn, e coisas populares. Antes, no inicio, onde era praticamente o IRC e o ICQ, nossa! Era super "badalado" (como alguns dizem), mensagme toda hora, todos querendo conversar; e ninguem se importava de ficar até horas da madrugada conversando (aliás, os bate-papos foi um dos principais fatores, que levou as pessoas a passarem a dormir muito tarde, de madrugada). Mas ai, a adrenalina baixou. E hoje? É cada monólogo! Quase não há conversa. Não é mais aquela coisa. Tem gente, (ops 10 pixels), que acha que é porque conversavam no ICQ, e por que mudaram para o msn é que ficou assim. Que absurdo! Era questão de tempo. Se fosse o MSN o conversador predominante daquela época, também seria super badalado. Mas veja hoje!!! aff!
O Orkut também, às vezes até digo: é um absurdo! Cada monólogo. A maioria das comunidades são muito paradas; e nem tanto por questão de tempo, mas falta do que falar mesmo. Felizmente, encontrei um punhado de Comunidades, que ainda se possui um minimo de diálogo. Contudo, vou ser sincero, se em todos esses anos, encontrei 10 pessoas no Orkut, com 5milhoes de pixels, foi muito! Há alguns metidinhos, que chegaram até uns 10mil pixels e se contentaram com isso, pararam por ai. Sabe por que: Com medo de ir mais além. Pessoas que não desenvolvem. Pararam, empacaram. E a tendência é cair, pois com o tempo, vai se esquecendo. E o músculo da mente, vai se atrofiando. Mas já tive alguns bons papos mesmo.
Hoje, os melhores papos, diálogos que tenho são com amigos universitários. Como o Elton, Elcio e o Fred. Eu e o Fred temos até a mania de sempre buscar transformar 1 pixel em uns 10mil pixels. "Opa, isso é obvio? Mas por que? Por que é assim? E se..." Com o Elton, altos papos. Não há aquela estabelecimento de barreira - não quero ouvir isso, aprender isso não... - Tanto eu tenho fome por conhecimento, assuntos mais médicos e quimicos que ele fala muito, e busco compreender tudo; assim, como ele para as coisas que eu falo. Um sem medo das termilogias do outro. Com o Fred o mesmo, apesar de haver umas brincadeiras do tipo "quimicos e matematicos..", apenas para discontrair.
Talvez o termo mais certo é que estou viciado, talvez obsecado pela aquisição do conhecimento, ao mesmo tempo em querer compartilhar com todos. Isso acaba te induzindo muito a querer seguir uma carreira academica. Um mestrado, doutorado, Phd, livre-docencia... ser professor de umas universidades de altissimo padrão e renome, tendo mentes incriveis, com bilhões de pixels no corredor da sua sala.
O mais triste de tudo isso é muitas vezes a incapacidade de transmitir tais conhecimento para outras pessoas. Já tentou contar uma piada que ouviu num cursinho ou faculdade para sua mãe, e ela fazer uma cara do tipo: "Te coloco numa camisa de força", ao invés de rir? Você sente um certo tédio, uma incapacidade, um abatimento e certo desespero. Você quer, deseja compartilhar tais coisas. Mas não dá. Elas não vão compreender. Tenta simplificar ao máximo, de modo para que elas possam se deliciar com a ponta do Iceberg, pelo menos. Certamente, todos em suas especialidades, um dia deve ter descoberto algo incrivel e pensar "Todo mundo deveria saber isso!" Ao meu ver, todos deveriam conhecer vetores, Geometria Analitica, e pelo menos Limit, Derivada e Integral... mas... Aposto que você tem a sua. Quão poucos estão dispostos a aprender...
O que fez Satanás com esse mundo! Cegou o entendimento das pessoas. Elas não são estão mortas nas trevas da ignorância; mas temem em ver a luz. Outro dia, ouvi a seguinte mensagem num filme: "O dificil não é fazer o certo. Dificil é saber o que é certo." O emissor trasmitiu na semântico de a verdade "é dura", pode ser "aquilo que ela não queria". E quantos hoje não se escondem nessa idéia de não querer conhecer a verdade? Quantos não têm medo de reconhecer a existência de Deus? Aliás, quantos não tem simplesmente covardia em passar do processo de aquisição do conhecimento. Tipo, aprender um instrumental musical é dificil e demorado. Há 9 meses comecei a tocar trompete, e só agora vou começar a tocar em publico, e mesmo assim, sinceramente, creio que precisaria de mais alguns anos. Aprender idiomas, não é da noite pro dia. Nada se faz, nada se aprende, sem queimar algumas calorias e sem que o ponteiro do relógio avance. Aliás, desfrute de cada momento desse processo de aquisição do conhecimento.
"Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;" Prov. 3:13
Se não me engano, há um verso assim em Provérbios:
Busque o conhecimento e a sabedoria.

