15 novembro 2016

O Paradoxo de Epicuro (O Problema do Mal)

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# INTRODUÇÃO

Há poucos meses, deparei-me com o chamado "Paradoxo de Epicuro". Para a minha surpresa, nunca tinha ouvido falar neste paradoxo apesar de sua ideia central ser bem comum e antiga para quem está familiarizado com o Cristianismo.
Meu maior ponto de discussão, nesta ocasião em que me apresentaram o paradoxo, era se Epicuro de fato tinha dito aquilo, pois, pelo pouco que estou familiarizado com História Grega e alguns dos seus filósofos - inclusive daquilo do que Sêneca muito cita de Epicuro - dentre outras questões históricas... Para mim não fazia sentido Epicuro falar aquilo daquela maneira como me foi exposto.

Por quê? Seria demasiado 'infantil' para sua filosofia robusta - pensei eu. Depois, vi que esta maneira absurda apresentada - neste "fluxograma" na imagem ao lado - foi desenvolvida por pessoas mais 'modernas' para tentar usar Epicuro como 'um tipo de arma' contra o Deus Judaico-Cristão (o Deus da Bíblia). [MANIPULAÇÃO, em outras palavras] Mas, por fim, consegui deixar bem claro para eles os pontos que tornavam questionável a autoria de Epicuro para este fluxograma e suas conclusões. Eles, por não conheceram nada de História Grega e de Epicuro, não sabiam nem o que dizer quanto a isso.

Para minha segunda surpresa, percebi que as pessoas acharam que o fluxograma era bem lógico e um "forte argumento" - independente do que Epicuro realmente disse ou não e qual era, ou não, sua intenção. Tais pessoas atuais (modernas) tinham que a ideia do fluxograma era 'uma verdade', para elas, tão elementar quanto a gravidade o é quando se solta uma maçã e a vê cair.

Em outras palavras, não era nada óbvio - tampouco claro - para tais o quão simples é este paradoxo e como é fácil superá-lo (ou melhor dizendo, ele não se aplica ao Deus da Bíblia) apenas buscando conhecer/entender o que a Bíblia revela. [Afinal, os Paradoxos de Zenão (Art1, Art2, Art3) são muitíssimos mais envolventes, robustos e importantes, para os pensadores ao longo da História do que este, de Epicuro.]

Dividi este artigo/análise nas seguintes partes:
  1. O Verdadeiro Paradoxo
  2. Considerações Sobre O Mundo Grego
  3. Epicuro era Ateu? Quem ele era?
  4. Um pouco de Matemática Profunda: Conjuntos e o Infinito
  5. As premissas de 'Epicuro'
  6. Conclusão

# PREMISSAS SOBRE O PARADOXO E EPICURO

1. O Verdadeiro Paradoxo

Seria Deus desejoso de prevenir o mal mas incapaz? Portanto não é omnipotente. Seria ele capaz, mas sem desejo? Então é malévolo. Seria ele tanto capaz quanto desejoso? Então por que há o mal? (A Filosofia da Necessidade, Charles Blay)
No Wikipedia pode encontrar outras formas escritas e algumas considerações.

Pesquisando um pouco, descobri que não se sabe se, de fato ,este paradoxo foi enunciado por Epicuro, pois muitos especialistas observam vários motivos para não acreditar que foi ele e que possivelmente foram outras pessoas, assim como quem resgatou este paradoxo foi Lactâncio (um cristão que queria refutá-lo). Bem, também percebi que há inúmeros sites ateus que citam este paradoxo como sendo "um golpe final" contra o Deus da Bíblia [quanta presunção]; mas, por outro lado, não reparei em nenhum dos sites, nenhuma citação ao que Lactâncio falou. Mas deixemos isto de lado. Vamos simplesmente nos focar no Paradoxo verdadeiro (o do Fluxograma é falso).

Resumindo o paradoxo temos a ideia de que é ilógico admitir a existência de um 'deus' que seja ao mesmo tempo: (1) Onipotente, (2) Onisciente e (3) Onibenevolente (só faz o bem).

Esta definição, aparentemente, se aplica ao Deus Judaico-Cristão, o Eu Sou, revelado na Bíblia. E, diante disto, algumas pessoas tomam este paradoxo por base para tentar 'provar' que Deus (como revelado na Bíblia) não existe.

2. Considerações Sobre O Mundo Grego
Resumindo, a Grécia não era ateia. Era politeísta, a própria mitologia o era. Porém, por vezes, pensadores questionavam sua religião, seus deuses, a lógica disso tudo; propunham 'melhorias', ou mudanças tremendas. (Veja a morte de Sócrates, por exemplo.) Ainda na Grécia, se viu surgir fortemente algumas ideias do que hoje até classificaríamos como Ateísmo, Ceticísmo, Deísmo e Panteísmo.

3. Epicuro era Ateu? Quem ele era?
Epicuro não era ateu e não estava defendendo o ateísmo. A linha de pensadores que o influenciara era caracterizada pelo idealismo, pela busca da verdade (aletheia), por acreditar que a verdade existia assim como em suas implicações moralistas e teológicas. Buscavam o ideal de vida, no sentido mais refinado e puro.

Xenófanes (570 - 475 a.C.) foi o primeiro a chegar na máxima de um deus monoteísta, onipotente, perfeito, justo, imutável, eterno, não-gerado, puro. Por mais que haja elementos/ideias comuns, não era uma revelação de Deus como o está na Bíblia. Há tremendas diferenças. Porém, aqui há o ponto chave da questão. Epicuro praticamente sempre tivera referências quase que unicamente politeístas ou de um tipo de 'panteísmo monoteísta' que também já dava as caras em seus dias. Epicuro provavelmente não teve um contato de qualidade com a religião hebraica, o que o mundo grego só foi conhecer 'melhor' no Período Helenístico (323 a.C. a 146 a.C.) e, profundamente, nas viagens missionário de Paulo de Tarso (no Séc. I d.C.). Logo, o conjunto de ideias que Epicuro tinha de insumo para trabalhar não eram as ideias do Deus da Bíblia e sim outras.

Epicuro (341-270 a.C.) defendia o politeísmo (vários deuses/entidades) de modo que nenhum deus era um do tipo 'deus perfeito' ou 'deus completo, tampouco o deus panteísta. Com palavras modernas, e bem superficiais, a obra teologica de Epicuro se resume nestes pontos:

  • necessidade de uma 'fragmentação' entre os poderes/intenções dos seres superiores;
  • negação dos ideias de onipotência, onisciência e onipresença;
  • os deuses não se importam com a humanidade e o mal;
  • não adianta o homem buscar 'o favor dos deuses', pois eles não estão nem aí para o homem;
  • o homem deve buscar viver da melhorar forma possível sem contar com a ajuda dos deuses;
  • a melhorar maneira de se viver seria 'imitar os deuses', isto é: o homem deve ser 'inabalável na felicidade'. Esta é a ideia central que plantou o que mais tarde foi chamado de Estoicismo (em que Sêneca é um dos principais pensadores desta escola).


# Deus & O Problema do Mal

4. Um pouco de Matemática Profunda: Conjuntos e o Infinito
Você já parou para pensar no infinito? Acredito que já. E, em que conclusões você chegou? Bem, a Matemática abriu a mente dos homens para desvendar alguns segredos, criar novas palavras, perguntas e mistérios sobre ideias que envolvem 'infinitos' [isto mesmo, não existe apenas um tipo de infinito]. Se sua curiosidade for um pouco mais aguçada, recomendo que pesquise sobre o Paradoxo de Russell (1901), Teoria dos Conjuntos e Cardinalidade. {Operações com infinitos, números transfinitos, séries convergentes e divergentes, Teorema do Limite Central, Limites, Teorema Fundamental do Cálculo, aguçaria ainda mais a mente do leitor.}

O que significa ONISCIENTE, ONIPOTENTE e ONIBENEVOLENTE? Independente do que seja esta ideia mal definida que ninguém sabe definir claramente. Todas elas nos remetem uma ideia de totalidade. Ou seja, seria o "tudo" de algo. O poder máximo. O conhecimento máximo. A bondade máxima. O que nos aproxima de ideias sobre o Infinito. [Se quiser ver como isto é muito complexo e mergulhar mais a fundo em Matemática, pesquise sobre o Teorema da Completude.].

A questão é que não sabemos e que, em nossa presunção de 'sabermos', acabamos por cometer erros. Conhecimento infinito existe? O que seria? Vale conhecer qualquer coisa? Veja os seguintes exemplos contraditórios que podemos tirar ao pensar um pouco no Paradoxo de Russell:
  • Se Deus é onisciente, então Ele saberia como seria o Universo sem Ele;
  • Se Deus é onisciente, então Ele saberia como Ele seria se não fosse onisciente;
  • Se Deus é onipotente, então Ele poderia fazer com que deixasse de existir a si mesmo;
  • Se Deus é onipotente, então Ele poderia não ser ou deixar de ser onipotente.

5. As premissas de 'Epicuro'
Voltemos ao Problema do Mal e a versão séc. XXI do Paradoxo de Epicuro. Notamos claramente que os autores de tal fluxograma possuem as premissas de que:

  • Onisciente = saber qualquer tipo de coisa (um suposto 'tudo'), sem critério algum;
  • Onipotente = poder fazer qualquer tipo de coisa (um suposto 'tudo'), sem critério algum;
  • Onibenevolente = ser bom e fazer o bem em tudo, sem critério algum.

Repare que estas indefinições, acabam por cair no Paradoxo de Russell. Não havendo qualquer tipo de critério, estaríamos dizendo coisas tremendamente absurdas e contraditórias, logicamente. Sem critério, veja que a questão do problema não é ser "onibenevolente" o problema, mas qualquer definição é problemática (como visto no item 4).
Logo suas combinações (como qualquer outra) é problemática:

  • Um deus Onisciente também saberia como deixar de ser/agir onipotente;
  • Um deus Onipotente também teria poder para ser 100% bom e 100% mau ao mesmo tempo. Assim como poder para a mentira ser verdade - e, a verdade, mentira.
  • Um deus Onipotente também teria poder 'para criar algo' que nem mesmo sua Onisciencia saberia o que era.
Mais problemático ainda. Estas premissas absurdas, fracas e indefinidas buscam apenas dizer que "Deus daria um jeito para o mal não existir, se fosse realmente Deus" (repare que neste tipo de julgamento que é feito já se admite/impõe algum critério que veio 'do além, pois não se define' de que "daria um jeito".). Ou seja, admite algo contraditório se for tão vago assim.

Ao mesmo tempo, eles não percebem o quão 'moralista' é este próprio julgamento. Se NÃO houvesse este reconhecimento de que 'se reconhece o mal', nem mesmo existiria o paradoxo. Assim como se ninguém houvesse experimentado o amargo, mas tão somente o doce, tal jamais reclamaria que existe alimentos amargos para o confeiteiro. Logo, a pergunta mais primordial que deveriam fazer é: De onde vem o reconhecimento do mal? {Se pensar muito profundamente sobre isto, você terá provavelmente apenas duas opções: TEÍSMO ou ABOLIÇÃO DO HOMEM.} O que é o mal? {Repare pois que, se o mal não existe, logo, este paradoxo não existe, nem faz sentido. Pois, se o mal não existe, então não faz sentido dizer que Deus está sendo contraditório em sua onibenevolencia.}

Indo mais a fundo. Suponhamos que todos os problemas fundamentais deste Paradoxo sejam resolvidos. Precisamos responder a pergunta: Estas premissas se aplicam a como Deus se revela na Bíblia? 
E ao olhar para a Bíblia, vê-se que nela não está escrito (em nenhum lugar) as palavras "Onisciência", "Onipotência", tampouco, "Onibondade". Tantos versos para morrer no vazio. Como comparar este paradoxo com o Deus hebraico-judaico-cristão? Seria realmente possível? Talvez sim, se for a fim de mostrar as diferenças.


6. Conclusão

Por mais que este assunto pode se estender muito. Ao exercitar um pouco a razão, nos deparamos com os seguintes fatos:

  • Epicuro não nega que o Deus hebraico-judaico-cristão existe, tampouco que seu paradoxo o faz isto;
  • As premissas de Epicuro são diferentes das usadas pelos Ateus e anti-cristãos modernos que tentam usar tal paradoxo;
  • O Paradoxo de Epicuro só faz sentido dentro do conjunto de suas premissas do que significavam, possibilidades, condições, regras (contexto);
  • Não adianta querer comparar ideias má-definidas;
  • Se recorrermos ao "vale tudo", as próprias palavras 'onisciente', 'onipotente', 'onibenevolente' e 'mal' perdem seu sentido, e acabam por poder significar qualquer coisa, até mesmo a própria negação ou contradição. Neste caso, o paradoxo e o problema do mal são apenas 'uma frase vazia';
  • A única coisa que sustenta o 'Problema do Mal' e o Paradoxo é o reconhecimento ontológico e Universo do mal;
  • Se o homem não reconhece o mal (logo que o mal não-existe), então não existe paradoxo nem o problema do mal. Novamente, o paradoxo se torna 'uma frase vazia' e não há o que se avaliar.
Acredito que o leitor reconheça de que 'existe o mal', assim como eu reconheço de que certas coisas são más (como torturar uma criança, dentre infinitos outros exemplos que você conhece). Mesmo que talvez pense que é apenas algum tipo de 'instinto`[?] da Evolução. Neste caso, a única coisa sensata que realmente nos resta fazer [e que faz sentido] é verificar/entender:

  1. O que a Bíblia fala sobre a Onisciência (conhecimento/sabedoria) de Deus?
  2. O que a Bíblia fala sobre a Onipotência (poder) de Deus?
  3. O que a Bíblia fala sobre a Onibenevolencia (bondade) de Deus?
  4. O que a Bíblia fala sobre a Origem do Mal?
  5. O que a Bíblia fala sobre o Mal que há neste mundo?
  6. O que a Bíblia fala sobre o fim que Deus dará ao Mal?
E, assim sendo, avaliar o Deus hebreu-judaico-cristão dentro das próprias premissas do que Ele diz. Ao invés de tentar comparar coisas e ideias não equivalentes (que apenas carregam 'um mesmo nome/palavra' em comum). Seria como falar outro idioma se enganando com falsos cognatos. Te convido para investigarmos isto no link abaixo.

Veja também: A Bíblia & O Problema do Mal [em construção]
Enquanto não fica pronto, leia: Se Deus é bom, de onde vem o mal?

Abraços!

09 outubro 2016

Livro SuperCooperators - Teoria dos Jogos e Evolucionismo

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Comecei a ler "SuperCooperators - Altruism, Evolution, and Why WE Need Each Other to Succeed" dos autores (de prestigioso currículo) Martin A. Nowak (Diretor Programa para Dinâmicas Evolutivas e prof. de Biologia e Matemática na Univ. de Harvard) e Roger  Highfield (PhD, autor de dois best-sellers, dentre outros). Isso ocorreu após receber indicação de um colega de trabalho, numa conversa informal sobre Teoria dos Jogos (aliás, este merecia ser o título verdadeiro) e Torneio de Algoritmos (estratégias inclusive); em que o tema girava em torno da Cooperação. Por que as pessoas se ajudam e vivem em sociedade?


# Resumo
  • Lavagem cerebral de evolucionismo darwinista como um dogma factual e inquestionável (como de se esperar pelo título e linha de pesquisa dos autores). Tudo precisa ser visto, interpretado e assimilado dentro da T.E.;
  • Alguns ensaios de Teoria dos Jogos;
  • Comportamentos contrários ao Egoísmo e Lógicos [moralistas] observados na Natureza e no ser humano – que, a priori, contradizem a ideia da “Lei do Mais Forte” e do egoísmo puro esperado da Teoria de Darwin;
  • Os autores tentando conciliar o Egoísmo com o Altruísmo;
  • Dogma: Altruísmo, cooperação e moralidade são ‘frutos’ da Evolução. Ou melhor dizendo, estratégias que, após zilhões de interações casuais, foram ganhando e chegou até nós hoje. Essencial para a existência da vida e das relações;
  • Muita linguiça e repetição para boi dormir;
  • Infinitas declarações repetitivas que soam como autobajulação e automopromoção dos autores. (Estes destacam por mil vezes onde trabalharam, as Universidades em que fizeram pesquisas, o currículo de outras pessoas citadas.)

# The Prioner’s Dilemma (O Dilema do Prisioneiro)
# E a Transposição para T. E. de Darwin

A ideia base surge de um problema específico de lógica, em que há dois prisioneiros. A partir disto é construído uma ideia ou teoria de como interpretar a Natureza. No sentido que estratégias baseadas no altruísmo e cooperação possuem maior chance/probabilidade de sobrevivência (ou pontuação) no longo prazo. Veja os trechos abaixo, mostrando o quão os autores querem forçar esta ideia como uma essência de ver a teoria que Darwin propôs, independente dos números/lógica/modelo/matemática. [Tradução minha.]

“For the Dilemma is not itself the key to understanding life. For the Dilemma to tell us something about the biological world, we need to place it in the contexto of evolution.” (P.10)
("Para o dilema, o Egoísmo não é a chave para entender a vida. Para o dilema nos dizer algo sobre o mundo biológico, nós precisamos colocá-lo no contexto da Teoria da Evolução de Darwin.")

“Darwin and most of those who have followed in his giant footsteps have talked about mutation and selection. But we need a third ingrediente, cooperation, to create complex entities, from cells to societies. (...) Cooperation is the architect of living complexity. “To appreciate this, we first need to put evolution itself on firmer foundation.” (P. 14-15)
("Darwin e a maioria daqueles que seguiram seus gigantes passos têm falado sobre mutação e seleção. Mas precisamos de um terceiro ingrediente, a cooperação, para criar entidades complexas, a partir de células a sociedades. (...) A cooperação é o arquiteto da complexidade viva. "Para apreciar isso, precisamos primeiro colocar a própria evolução em bases/fundamentos mais sólidos/firmes.")

# Teoria dos Jogos

A ideia base do livro é baseada em cima de um modelo de jogo com poucas regras, variáveis e possibilidades de consequências. Mas a ideia básica é a Teoria dos Jogos – como a de John Nash (Nobel em Economia). Só que, desta vez, num sentido ainda mais basal que no jogo da Evolução Darwiniana das Espécies. A questão agora não é o dogma de 'ser o melhor', mas o uso de algo parecido com “Vou cooperar conquanto que isto me favoreça.” Um tipo de acordo/negócio/contrato em que um ajuda o outro (ou deixa o outro na dele), não dito com palavras, mas como que uma certa mistura de 'intuição e crença' (que os autores nem tratam este ponto que seria polêmico) como um meio/modo de aumentar suas chances de sobreviver.

Dilema do Prisioneiro (versão adaptada):
  1. Se A ajudar B e B ajudar A A ganha 200 e B ganha 200 pontos.
  2. Se A ajudar B e B não ajudar A A ganha 300 e B ganha 50 pontos.
  3. Se A não ajudar B e B ajudar A A ganha 50 e B ganha 300 pontos.
  4. Se ambos não ajudarem A ganha 100 e B ganha 100 pontos.
Fiz uma pequena simulação de 1.000 interações em meu computador. Veja os interessantes resultados de A ao variar suas estratégias.



Incrível perceber que, dependendo da estratégia a ser adotada, podemos obter (estatisticamente) maior probabilidade de ganhar ou de ter uma pontuação maior; além de um sistema mais rico (com mais pontuação na coluna Total). Porém, este é um Modelo de Jogo em que o arranjo das regras favorecem a cooperação. Além disso, apenas há 2 participantes (A e B) com recursos infinitos. Como ficaria o resultado se houvesse mais participantes, recursos limitados, quem chegar a Zero sai do jogo e com outras infinitas outras regras?
O fato que quero destacar aqui é que a vida e a sociedade humana (quanto mais os relacionamentos na Natureza) são complexos demais para confiarmos cegamente em modelos simplórios como este. Tal Simulador Ideal não existe.


# O Argumento da Moral

No grande debate entre o Teísmo x Ateísmo, o Problema da Moral foi um dos argumentos mais enfatizados pelos defensores do Teísmo. [Como C. S. Lewis defende de modo ímpar nas obras Cristianismo Puro e Simples e Abolição do Homem.] Por muito tempo, muitos defensores do Darwinismo e do Ateísmo alegaram que o altruísmo é um erro. Um absurdo ilógico, irracional, que nega as Leis Naturais, fantasiado por religiosos (sobretudo cristãos). Criticavam, inclusive, que o altruísmo, a solidariedade e outros princípios moralistas cristãos de ajudar o próximo estariam impedindo que a raça humana evoluísse. Porém, ao mesmo tempo, dentro do ateísmo e do darwinismo, não há NENHUMA LEI MORAL, isto implica em NENHUMA OBRIGAÇÃO de se fazer ‘o que é certo’ ou ‘melhor’. E que, no final das contas, a Lei do Mais Forte (da Seleção) deveria prevalecer (pela simples lógica que fundamenta a teoria) e ponto final.

Bem, com o tempo, este debate esgotou a ala darwinista e ateísta. Sobretudo porque as pesquisas científicas apontam inúmeros comportamentos de cooperação, altruísmo e até mesmo de martírio em outros seres vivos (além dos humanos). Logo, não fazia mais sentido contestar o argumento da moral dentro da Ciência, pois ele - querendo ou não - estava lá, mesmo que apenas que aparente. Então, antes de se dar por vencido, os novos grandes desafios do darwinismo e do ateísmo é o de adaptar e conseguir inserir uma explicação mais sólida para a moral, o altruísmo e a cooperação dentro da lógica do Naturalismo Filosófico. Este é o trabalho que os autores (Nowak e Highfield) se esforçam.

Porém, cooperação e altruísmo não são novidades. Deus ensinou a milênios - como se pode ver na Bíblia - que é o melhor para a humanidade e traz muitas vantagens para o homem viver em paz e prosperidade um com o outro. [Hoje, até os ateus e darwinistas reconhecem isso. É o que o livro declara. Mas sem dar o braço a torcer de que Deus e a Bíblia estão certos.] Pois, como Salomão já disse, de forma mais simples que as extensas páginas: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.” Eclesiastes 4:9-12 


# A PseudoMoral

Alguns diriam, ótimo, então teístas e ateístas entraram num acordo? Não é bem assim. Há grandes (enormes diferenças). O primeiro está na ideia considerada pelo modelo Naturalista, para qual as palavras de Sêneca na carta para Lucílio caem muito bem:
 "Qual é o meu objetivo, quando faço amizade? Ter um ser por quem dar minha vida, um ser que eu seguirei até o exílio, que defenderei com todas as minhas forças contra a morte. A relação que tu me descreves é comércio e não amizade; nela só procuramos vantagens pessoais, nela só vemos o que ganharemos."
Já a Bíblia mostra o altruísmo como um dever, um princípio moral que deve reger. Mesmo quando a situação/regras/sistema desfavorecem a nossa própria sobrevivência e interesse. É o sacrifício do 'eu'. O caso de Jesus é o mais claro de todos: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” João 6:38

A ‘pseudomoral’ em que os evolucionistas darwinistas e ateus tentam construir é uma moral baseada no interesse mútuo, um certo tipo de Egoísmo Versão 2.0, tentando construir uma teoria que coloca a ideia de que a pessoa deve ser moralista porque isto é mais seguro, recompensador para você e a sociedade e que os dados colaboram com isso. Para driblar a inexistência da ideia de 'dever' (que, se existir, destrói toda estrutura do ateísmo e do Naturalismo), argumentam que não é seu dever, mas é mais inteligente, as chances de sucesso, ou de qualidade de vida, ou de vida mais longa, ou de sofrer menos ataques, são maiores se agir assim. O que difere totalmente da moral bíblica: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.” (Eclesiastes 12:13)

Além disso, a ‘pseudomoral’ de modo algum consegue explicar ou inserir a ideia do altruísmo puro, como a do sacrifício. “Não existe maior amor do que este: de alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos.” (João 15:13) Há sacrifícios na Natureza. As nossas próprias células se sacrificam para preservar o nosso organismo saudável e jovem. Há outros animais que sacrificam a própria vida para defender seus filhos. O dogma que os Naturalistas tentam impor é a de que existe um valor intrínseco (como uma moral em que todos têm o dever de seguir), porque, a Evolução escreveu no nosso DNA, de que o objetivo principal de todos é a sobrevivência da espécie. Ou seja, é quase como quererem dar uma desculpa do tipo: “Se você soube de uma pessoa que se sacrificou por outro; isto tem um motivo. É porque o propósito da Evolução das Espécies é a preservação da espécie, é multiplicar seu DNA e passá-lo a frente. Logo, não se surpreenda se os instintos de alguém o levar a se sacrificar.” 

Não vou entrar na questão do instinto. Que, como C. S. Lewis disse, o homem usa esta palavra como argumento, explicação. Mas, quando, na verdade, o significado dela é “algo que não sabemos o que é, mas existe”. Mas o livro deixa um gostinho evangélico demais para uma obra e cunho darwinista.


# Por Fim

SuperCooperators é um livro interessante se seu objetivo é Teoria dos Jogos e conhecer diversas curiosidades que do mundo Natural e comportamento humano. Além de alguns conceitos básicos de que podemos modelar/transformar alguns conceitos da realidade em num ‘jogo/simulador’ no qual podemos testar diversas hipóteses e ver os possíveis resultados, ou, qual o melhor resultado. Também, o livro deixa bem claro o pensamento paradigmático filosófico que domina a biologia evolutiva. Os dois pontos que mais desaponta é de tentar considerar que tudo isso é Matemática (quando no máximo é Teoria dos Jogos) e fazer SUPERTRANSPOSIÇÕES e SALTOS ORNAMENTAIS INFINITOS em interpretar ou explicar como um acaso ou mero jogo de probabilidades, especulando que, estes resultados foram sendo mais favoráveis no decorrer do tempo – e, por isso, é o que é. 

Aqueles que estiverem familiarizados com o debate entre Darwinismo e Designe Inteligente perceberão que o livro é muito fraco. Sua mensagem principal é apenas tentar estimular e convencer as pessoas de que elas precisam ser mais altruístas, cooperadoras uma com as outras para obtermos uma sociedade e vida melhor. Usando muito conteúdo redundante e doutrina darwinista. Se alguém busca um livro acadêmico, com modelos matemáticos, amostras, dados, dentre outros, não é o objetivo de SuperCooperators. Mas aqui fica um convite para o leitor se aprofundar em Teoria dos Jogos, um campo fantástico de estudos que nos ajuda a formular e testar muitas hipóteses e soluções.

07 julho 2016

Falácia, O Que É?

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"Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios." - Isaías 6:5

Quem nunca ouviu alguém com a sensação de "Este cara está me enrolando."? Os enganos e equívocos (sem querer) ocorrem por diversas vezes em nossas vidas. Seja como ouvintes, seja como falantes (espero que sem querer). Por vezes, algumas são facílimas de identificar, já outras, só muitos anos depois notamos que "Não acredito! Fui enganado.".

A Arte da Falácia é geralmente atribuída a Escola dos Sofistas. Uma das escolas na Grécia Antiga que, em sua base ideológica, tinha que "a verdade não é verdade", "a verdade é o que se faz ser verdade". Ou seja, brincando com as palavras e abusando da simplicidade: "Verdade é o que você faz o outro acreditar que seja verdade." Enfim, o resultado disso é que os sofistas não tinham o menor compromisso em apurar, identificar, analisar, tampouco ensinar a verdade. O interesse dos sofistas era o de fazer as pessoas acreditar que HUÃRVYS é verdade. Seja lá o que for HUÃRVYS. O que importa é que os outros acreditem que o HUÃRVYS que o locutor falou é a verdade e é o que devem fazer. Logo, os Sofistas vendiam a habilidade de convencer as pessoas.

Os Sofistas desenvolveram zilhões de métodos de discurso, artimanhas, sutilidades, para que o locutor consiga VENCER. Na prática, significava fazer a maioria votar nele nas terríveis discussões no Senado Grego, palco da vida política da elite grega.

Os métodos não tinham escrúpulos, limites, tampouco moral. Havia a artimanha de inventar mentiras, provocar o adversário a fim dele agir mais emotivo (+suscetível à erros e descontrole), levar a plateia a ficar contra e até mesmo rir de piadas contra o adversário; até mesmo fazer um longo discurso aparentemente coerente com uma conclusão óbvia, porém com premissas totalmente absurdas e falsas que nem mesmo foram citadas.

E como recheio de tudo isso: Os Sofistas desenvolveram uma fantástica Arte da Eloquência. Para serem faladores, oradores fantásticos, com facilidade para cativar a simpatia e, assim, derrubar as 'defesas' e o 'desconfiômetro' dos ouvintes; torná-los suscetíveis. Arte cuja tem sido estudada ainda hoje - sobretudo por políticos e advogados em todo mundo (além de muitos oradores diversos: palestrantes, pastores, professores, publicitários etc.)

Vejamos alguns exemplos comuns:

1. Apelos Emotivos
Neste tipo de sofisma, o locutor apela às emoções do ouvinte, fazendo-o tomar decisões baseadas não na verdade do que lhe foi tido, mas nestas emoções inflamadas. Exemplo:

"Você tem que ser uma boa pessoa, senão vai sofrer pra dedel no inferno."

Veja que a consequência B ["vai sofrer pra dedel no inferno"] não justifica, tampouco prova, - não implica - que a premissa A: "Você tem que ser uma boa pessoa" é verdadeira.

"Você tem que beber mais água, senão vai desmaiar de dor no dia que urinar uma pedra."

Talvez o leitor pergunte: "Mas isto é verdade. Qual o problema?"
Reforço que o sofista não está nem aí com a verdade. Ele pode tanto estar dizendo uma verdade, quanto não estar dizendo uma verdade. (apesar da sentença ser 'contingente'). O que importa aqui é a 'técnica' usada. Veja que há um apelo ao MEDO do ouvinte. Ou seja, para ele 'acreditar em A ou B, simplesmente pelo medo da consequência de não acreditar em A ou B. Sendo que, o sofista não tem compromisso com a verdade, ele não importa se a consequência é verdadeira ou falsa (tampouco está interessado no bem do ouvinte). Pois, uma pessoa compromissada com a verdade, a priori, escolheria morrer se fosse preciso pela verdade.

Há apelos emocionais dos mais diversos tipos. Até mesmo ao medo de que 'algo ruim que ocorreu no passado, volte a ocorrer no futuro': "Se o flano voltar a governar, vai voltar ao caos que era antes". Ou, apelos à misericórdia, e coisas do tipo: "Podemos roubar, contanto que seja para alimentar às crianças. Senão elas passarão fome!"

2. Apelos a Ideia de que o Mais Novo é Melhor

"O Cristianismo é uma ideologia/religião ultrapassada. Sartre, Panteísmo, Ateísmo Científico são muito melhores pois são recentes."

Contudo veja que, se B ≠ A e B ser mais novo do que A, isto não implica que B = Verdade e que A = Falso.

3. Apelos a Ignorância

"Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, portanto Deus existe."
"Ninguém conseguiu provar que Deus existe, portanto Deus não existe."

A ignorância não prova nada, apenas a própria ignorância. Mas repare que isto é uma problemática muito forte em termos jurídicos, pois: "Ninguém consegue provar que João é criminoso." não implica que João é um criminoso, tampouco que João não é um criminoso.

Quando pensamos melhor sobre, veremos que uma BASE MORAL é necessária para elaborar regras complementares,  um conjunto de premissas primordiais para conseguir distinguir quando uma sentença X é FALSA ou VERDADEIRA. E, sobretudo, que ação/decisão tomar quando não é possível identificar se o conjunto X é VERDADEIRO ou FALSO. Isto é, para um país, teremos a regra que: "Todos são culpados até que se prove o contrário." ou "Ninguém é culpado até que se prove sua culpa." No primeiro caso, o culpado tem o dever de provar que é inocente. Enquanto que, no segundo caso, o acusador tem que provar que o acusado é culpado. E, assim, por estes e outros mecanismos, é possível tanto que um sistema jurídico tenha um "excesso de impunidade" quanto "punições em excesso". Deste modo, é necessário 'complementos' para se evitar os abusos e erros absurdos.

4. Farinha do Mesmo Saco

Exemplo: "Islamismo, Cristianismo, é tudo igual. Essas religiões são todas iguais porque todas tem fé/acreditam em algum tipo de deus."

Será que o Islamismo é igual ao Cristianismo?
Matematicamente é muito fácil de se observar esta falácia pura de generalizar coisas distintas que possuem algo em comum.
[Islamismo] é um conjunto L de vários elementos (x1, x2, x3, ..., fé em Deus, ..., xn).
[Cristianismo] é um conjunto M de vários elementos (y1, y2, y3, ..., fé em Deus, ..., yk).

Para L = M implica 2 coisas (serem iguais):
  1. Todos os elementos de L são elementos de M;
  2. Todos os elementos de M são elementos de L.
Como o leitor deduz, dois conjuntos terem um elemento em comum não garante que os conjuntos sejam iguais.
Isto de fato é muito parecido com o Silogismo (uma dedução feita a partir de duas premissas em que uma 'menor' do que a outra). Por exemplo:

Premissa maior: O homem é mortal.
Premissa menor: Evandro é homem.
Dedução: Evandro é mortal.

Neste silogismo acima, a lógica é melhor aplicada. Pois, o [Evandro] é um subconjunto do conjunto [homem]. Ou seja, todos os elementos de [Evandro] pertencem ao conjunto [homem]. Logo, se [homem] é mortal, então o [Evandro] também é. Já no primeiro caso, [Islamismo] e [Cristianismo] são conjuntos diferentes, um não é subconjunto do outro; podem, no máximo, ter alguns elementos em comum. Mas é equivocado dizer que o conjunto [Islamismo] e o conjunto [Cristianismo] são iguais, assim como [Homem] e [Evandro] são mortais.

Com mais rigor ainda, verificaríamos que o silogismo de que "se o conjunto [Homem] é mortal implica que [Evandro] também é mortal" também é equivocado, a priori. Precisaria de mais definições que foram ocultadas.

Pois se o Conjunto K = (k1, k2, k3) é Mortal - isto é, k1 unido a k2, unido a k3 - isto não implica, a priori, de que seus elementos k1, k2 e k3 são mortais isoladamente. Foi ocultado a informação de que K fosse formado pelos elementos que são mortais, ou que, K é mortal se somente se conter k1, k2 e k3 unidos. Exemplo: "A lâmpada energizada com corrente contínua ilumina a casa, logo, a lâmpada ilumina a casa."



A Problemática da Comunicação
A fundo, o Mundo das Falácias evidencia que, basicamente, toda comunicação humana é RECHEADA de falácias. Há muita 'interpretação' e 'elementos ocultos' em cada sentença que fazemos. Como podemos garantir que cada sentença é 100% VERDADEIRA em cada uma de suas relações, informações, premissas e conclusões?

A resposta é inquietantemente simples: Não sabemos. A comunicação em si é um milagre. (Sim, esta afirmação também é falaciosa). O cérebro humano é fantástico em buscar, analisar e encontrar indicativos de que "faz sentido", "ela está enganada", "ela está tentando me enrolar", "Waw! Nunca tinha pensado nisso antes. É pura verdade!", "Não é o que queria ouvir, mas é a pura verdade."

A comunicação comum usada entre as pessoas no dia-dia é absurdamente recheada de buracos vazios, de informações incompletas, de zilhões de premissas que temos consciência e, por vezes, aquelas que não. Quando então precisamos escrever um documento mais sério e que deve dar menos margem para equívocos, buscamos rodeá-lo de incertezas menores. Isto é: buscamos usar premissas melhores elaboradas e indicadas, um linguajar mais técnico com palavras delicadamente escolhidas e inseridas. Mas, ainda assim, a comunicação é recheada de falácias. Até mesmo na Matemática, qual afirmo: "É a linguagem MAIS ROBUSTA criada pelo homem para tentar se expressar.". Também contém muitas falácias, além de sua precisão e robustez a tornar pouco flexível para lhe permitir expressar muitas coisas que são melhores expressas (não para um robot) em outras linguagens.

Muitos ficariam impressionados com esta afirmação (também falaciosa) e diriam:  "Ham! Como assim?" Bem, os matemáticos chegaram a conclusão que precisavam de PREMISSAS e BASES mais fortes, profundas. Isto pode ser melhor estudado em Teoria dos Conjuntos. Na Matemática foi necessário definir absolutamente TUDO que se é usado, cada sinal, cada letra, cada flechinha, cada ordem de letras, números, palavras. TUDO que você pode imaginar (e não imaginar) teve que ser rigorosamente definido, provado e demonstrado. Mas, ainda assim, os Matemáticos chegaram a problemática que, em suas bases mais primordiais e elementares, há  Axiomas e algumas Definições Arbitrárias. Tais são essenciais! Elementares. Toda Matemática é construída a partir de tais, que, assim como não se pode provar a existência de Deus, também não se pode provar estas.

Além disso, por vezes, a Matemática usa do chamado "Método do Absurdo" para provar e demonstrar muitas coisas. Por exemplo: Como provar que os números irracionais não são racionais? Bem, provando que se fossem racionais dariam num absurdo, portanto, LOGO implica que não são racionais. Por mais que seja considerada como tabu para a maioria dos matemáticos em todo mundo. Muitos questionam este método, sobretudo em suas premissas e possíveis extrapolações. Alguns matemáticos mais idealistas exigem que toda prova/demonstração tem que ser feita de forma 'Construtiva' - a partir de uma premissa mais elementar, se consegue chegar nesta 'nova verdade' (como descoberta). O que é extremamente difícil em muitos casos, o que deixa os matemáticos sem nem mesmo saber por onde começar. Alguns acreditam que há muitas coisas que não se pode provar sem que seja pelo "Absurdo".

Aahhhh a Estatística, ela deixa tudo isto ainda mais interessante. Mas, bem ..., outro dia.

O Ceticismo Ocidental

Por mais cuidadoso (e matemático) que possa ser nosso argumento e nossa intenção de falar a verdade, a falácia está presente. Até mesmo a Ciência é feita com e construída sobre falácias. Isto não quer dizer necessariamente que são enganos e mentiras. Mas que há premissas e deduções/conclusões em que ocorre 'saltos' de significados e implicações que não conseguimos provar inteiramente, mas que buscamos ser cada vez mais 'criteriosos' a fim de minimizar o erro.

A Confiança e Desconfiança foi uma das coisas que mais caracterizaram a cultura, pensamento, ideologias e religiões n História. No Oriente antigo, apesar da falácia também estar presente; muitas culturas prezavam muito pela 'palavra de confiança'. A credibilidade, confiança das palavras era essencial (assim como é hoje). Porém, no passado, ser tachado de mentiroso, enganador, 'falacioso' era muito mais terrível e não aceito socialmente (e legalmente) do que nos dias de hoje (sobretudo no Brasil). Por mais que o critério poderia ser menor, assim sendo, com argumentos com lacunas maiores, até mesmo com algumas incoerências lógicas, geralmente eram limitações da pessoa que tinha o intuito de não enganar, mas falar a verdade.

Os gregos super inflaram o desconfiar (ceticismo). É intrigante pensar, mas o mundo pós-socrático é um mundo construído sobre a desconfiança, o ceticismo, na desconfiança, na não crença naquilo que o outro está falando até que se prove o contrário. Há um ciclo vicioso nisso. Pois quando mais há uma tendência a desconfiar, mais é necessário haver esta desconfiança para não ser enganado de fato. Porém, num mundo, sociedade, baseado na confiança, gera-se um ciclo virtuoso.

Deixarei mais detalhes sobre isso para uma outra oportunidade.
Pense um pouco sobre as implicações disso e sobre o próprio comportamento e palavras.

Um abraço.

"Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo. (...) Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno."
(Tiago 3:2-6)

24 abril 2016

Criando Botões Personalizados no Excel 2007/2010/2013/2016

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A pedido de alguns leitores do blog, segue uma atualização do post original (Criando Botões Personalizados no Excel) que era para o Excel 2003, de como criar botões personalizados nas novas versões do Excel (2007 em diante).

Existem 2 modos, abortarei o mais prático.

1. Habilite a Guia Desenvolvedor através do "Mais Comandos..." no topo esquerdo (teclas de atalho rápido).






2. Acesse o método Gravar Macro ou insira-a manualmente através da criação de um Módulo.



Para acessar a janela do Visual Basic for Applications (VBA), basta teclar Alt+F11.


3. Crie a macro / procedimento / método desejado.

Como exemplo, criei a seguinte macro para fazer uma simples formatação, com o "Macro1_exemplo()"






4. Adicione a macro como um atalho rápido.


Após acessar o "Mais comandos...".
1. Selecione "Macros";
2. Escolha a macro desejada (no caso, "Macro1_exemplo()");
3. Clique em Adicionar;
4. Ao aparecer o botão no lado direito, clique em "OK"

Nota: Você pode alterar o nome e ícone de exibição no botão "Modificar", se desejar.

5. Pronto! O novo botão personalizado está pronto para uso.



Existe outro modo mais avançado. Você pode criar uma Guia e um botão todo estiloso na barra de ferramentas. Mas isso ficará para um dia mais oportuno.

Espero que possa ter ajudado-o.
Um abraço!

13 março 2016

Livro: O Capital (Análise)

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Karl Marx, no século XIX, estava dentro de um contexto K social, político e econômico, possuía um conjunto R de dados. E a partir de tais, escreveu um dos seus 'tratados' mais famosos da história, o famoso O Capital. Bem, como seria se, quase 200 anos depois, Karl Marx, fosse rescrever seu livro, com o contexto K2, com um conjunto R2 de dados (além de computadores, Google, Estatística) para fazer suas análises e, um dos pontos mais interessantes: saber o que ocorreu após sua obra, reconhecendo que sua teoria fracassou sobre o colapso iminente do capitalismo.

Thomas Piketty, economista francês escreveu seu trabalho num best-seller que aparenta ser uma 'nova visão', 'atualização', dos passos iniciais dados por Marx. E que pretende manter a mesma linha de pensamento no grosso, mas com algumas 'adaptações', novos estudos de casos e abordagens que fazem o leitor refletir sobre algumas correlações interessantes e não casuais.

Bem, logo na introdução do livro (~40 páginas), Piketty deixa bem claro o que o leitor irá se deparar no decorrer da obra. Além disso, ele deixa por expresso que sua visão sobre a Economia, sobre o Capital, dentre outros, é uma visão 'a la francesa' (e que os economistas franceses estão em uma crise de irrelevância no mundo) e que ele não adere, antes, desconsidera, e despreza claramente o trabalho de outros (especialmente dos economistas norte-americanos). Como não dá credibilidade as ideias mais liberais.

Em grande resumo. O autor faz um grande enfoque de que 'o grande problema' a ser enfrentado é a Distribuição Desigual de riquezas. E minimaliza a ideia do Capital (como exclui o 'capital humano') o e do crescimento econômico, fazendo algumas relações bem simplistas, mas muito lúdicas. Além disso, sua principal métrica para mensurar a riqueza são dados obtidos por declarações de Imposto de Renda. Seu trabalho, estuda, especialmente, alguns poucos países (menos que 1 dúzia) - as principais economias do mundo.

A sua premissa de Ideal Justo encontra-se no subtitulo "O quadro teórico e conceitual", em sua Introdução: "Não me interessa denunciar a desigualdade ou o capitalismo enquanto tal - sobretudo porque a desigualdade social não é um problema em si, desde que se justifique, desde que seja "fundada na utilidade comum", como proclama o artigo primeiro da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e 1789. ... O que me interessa é contribuir, pouco importa quão modestamente, para o debate sobre a organização social, as instituições e as políticas públicas que ajudam a promover uma sociedade mais justa. Para mim, isso só tem validade se alcançado no contexto do estado de direito, com regras conhecidas e aplicáveis a todos e que possam ser debatidas de maneira democrática." (p. 37)

O livro é recheado de exemplos e análises - muitas delas são muito interessantes e nos fazem de fato repensar sobre muitos processos que ocorrem no mundo, além de gráficos bem didáticos e pertinentes. Porém, que, infelizmente, para uma obra deste cunho, é fraquíssimo em abordar outras medidas e instrumentos em análise, como taxa de juros e inflação. O que nos impede de ter uma visão mais aprofundada do que os números de fato significam. De modo que, a única variável que fica mais embasa de análise é a questão das maiores concentrações. Porém, o livro foge da matemática, da estatística e de estudos mais profundos.

Por fim, a grande proposta do autor para melhorar o quadro mundial é a taxação de grandes fortunas, heranças e ganhos sobre capital. Até mesmo a implementação de um imposto mundial sobre as maiores fortunas. Porém, o próprio autor, evita de tratar sobre a destinação destes recursos (provavelmente o Estado) e de falar do Estado como uma máquina de concentração de riquezas. A visão sobre a produção/produtividade/meritocracia/propriedade privada, também é simplória (se presume, nas entrelinhas, que é uma questão secundária desprezível).

A grande conclusão pertinente que podemos tirar do livro é um claro sinalizador da gravidade do Acumulo de Riquezas e da Desigualdade Social em níveis alarmantes. E que, sim, precisamos pensar muito sobre isso e em como buscar melhorar este quadro.

Porém, é um livro que não agrada nem as linhas de pensamentos mais clássicas, (tachadas de 'capitalistas'), liberais e produtivas; tampouco, as linhas de pensamento mais comunistas e socialistas. Para os primeiros, este é um livro não dos mais relevantes. Para os segundos, comunistas ainda presos aos pensamentos, dados e pressupostos do Século XIX, é um livro quase que herege por contradizer Marx e até mesmo falar que ele errou; além do livro não demonstrar depositar suas fichas numa igualdade de distribuição de renda, nem do controle completo do Capital pelo Estado (a Máquina Pública). Além do livro fugir e recorrer para outras análises mais profundas sobre as questões que impactam a Economia e a Distribuição de Rendas do que meramente ao confronto/choque entre capital x trabalho (burgueses x proletário).


É uma obra, no meu ver, mais curiosa do que interessante. Ela não nos ensina muito sobre os pensamentos de Marx em sua obra original, nem muito sobre o comunismo mais moderno. Tampouco nos ensina para o outro lado. Mas o livro tenta fazer uma outra abordagem tentando focar o que o autor considera o coração do problema.


A obra Por que as nações fracassam é uma obra mais pertinente e abrangente. Pois, o que para Piketty é o cerne do problema, para Daron Acemoglu & James Robinson é uma entre as consequências de algo mais profundo. Porém, ambos ainda apostam suas fichas na Política.
Infelizmente, ambos best-sellers são pobres filosófica-teologicamente.

Dica: O livro 'A Revolta dos Injustiçados - Eustáquio & Tratado Sobre Envolvimento Cristão na Política' é uma obra complementar muito boa por abordar um outro aspecto totalmente desprezado pelos autores, que é a questão da luta que ocorre na mente do homem em seguir x desprezar um Ideal Máximo (o que envolve claramente um embate filosófico e religioso) .

11 março 2016

Livro: Por que as nações fracassam (Análise)

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O livro Por que as nações fracassam (Why Nations Fail) é uma obra fantástica que elucida muito bem um olhar sobre o que leva uma nação a ser bem sucedida ou fracassada, olhando para a História das nações atuais, assim como de civilizações perdidas, como os Incas, diversas tribos da África e até mesmo Roma em seus tempos de glória e decadência.

O livro não é exatamente um livro de Economia nem de Política. Seus autores (Daron Acemoglu & James Robinson) buscaram estudar 'as Nações'. De modo que, resumidamente, tenta responder a questão: O que faz ser tão diferente a vida de um jovem americano que vive em Houston, de um jovem mexicano que vive querendo atravessar as fronteiras para os EUA? Ou seja, por que em algumas nações a economia é mais forte, a produtividade é maior, existem tecnologias entre outros que conseguem driblar os problemas Geográficos (por exemplo), com mais segurança, baixa miséria, e onde as pessoas conseguem sonhar em melhorar a qualidade de vida, e em outros países não há nada disso, ou, se tem, é bem limitado?

Para isso os autores desenvolvem o conceito de que o que ‘promove’ (num bom sentido) uma nação é um conjunto de Instituições Políticas e Econômicas que instaurem/cultivem/protejam/desenvolvam um Ciclo Virtuoso Inclusivo; e, do outro lado, o que destrói ou impede um crescimento contínuo de uma nação é um conjunto de Instituições Políticas e Econômicas que promovem um Ciclo Vicioso Extrativista.

No plano de fundo, a obra trata das origens/causas da riqueza e da desigualdade social. Porém, é por um ângulo muito diferente de Karl Marx e das escolas francesas (como Thomas Piketty, por exemplo). Nesta obra, o lado financeiro, a desigualdade social, dentre outros, são consequências e não causas a priori (porém, retroalimentam um ciclo vicioso). Esta obra tem um enfoque muito mais voltado para o papel das instituições políticas e econômicas de modo que:

  1. Se tais instituições buscam proteger e promover um sistema mais inclusivo, distributivo de poderes, de garantir e proteger a propriedade privada e a liberdade das pessoas de investirem, crescerem; e, assim, fragmentar a participação e poder dessas pessoas, sem enrijecê-los. (com um grande teor de ideais liberais). Então, a desigualdade social tende a diminuir e o crescimento econômico e de politicas inclusivas tendem a crescer a longo prazo.
  2. Se tais instituições buscarem concentrar mais poder no Estado, ou nas mãos de poucas pessoas e empresas (monopólios); remover o direito sobre propriedade privada e privar a liberdade das pessoas de buscarem crescer com as próprias pernas, e sim, antes, explorando a mão-de-obra dessas pessoas para atender os interesses dessa minoria. Bem, então o pais tende a ter a desigualdade social a aumentar e o crescimento econômico a ser insustentável a longo prazo e tender a miséria.
O livro é muito rico, pois envolve uma pesquisa histórica muito longa, e trata de inúmeros contextos. Desde a Inglaterra quanto a URSS, China, Austrália, Argentina, dentre diversos outros. A pesquisa dos autores é muito rica! Além disso, mexe em pontos polêmicos como que a “Ajuda Externa” é incapaz e pouco efetiva em ajudar uma nação a se tornar mais inclusiva, muitas vezes, favorecendo a continuar se tornar extrativista.

O segundo captítulo dele é muito controverso, uma vez que ele tenta destruir por completo outras grandes propostas e linhas de pesquisas, como se simplesmente elas não são suficientemente tão boas quanto as ideias dele. Há um pouco de arrogância e passar por alto em alguma dessas ideias levantadas. Pois os autores, por exemplo, deixam de abordar o comportamento e a natureza humana, como a moral (o seu impacto, inclusive, da filosofia, dentre outros, como essenciais 'causas' de comportamentos que se resultam nessas instituições e intuitos que ele tanto decorre no livro). Além disso, falha ao deixar de falar da promissora Economia Compartilhada, Internet das coisas, e algumas grandes mudanças e novidades atuais. Porém, isto o faz de propósito, pois segundo a ideia do livro, tais estão incorporadas, em última instancia a ideia da prosperidade ou do fracasso de uma nação.

Durante todo o livro os autores buscam enfatizar, resumir e deixar claro suas ideias defendidas e onde querem chegar. Também é um livro bem escrito no sentido de escrever o essencial quase resumido. Não é um livro que você pensa que aquele parágrafo, página ou capítulo foram desnecessários. Os ultimos capítulos são uma conclusão, onde os autores eludem e se abrem mais. Também colocando alguns questionamentos. E alguns grandes pontos que abrangem mais a complexidade do que estão falando. E é onde se redimem, em dizer, que sua obra, por fim, não diz o 'como fazer' para romper um ciclo vicioso e promover um virtuoso no lugar. Até mesmo coloca que é necessário sorte para isso. (Como um aspecto que transcende ao controle do homem.)


Dica: O livro 'A Revolta dos Injustiçados - Eustáquio & Tratado Sobre Envolvimento Cristão na Política' é uma obra complementar muito boa por abordar um outro aspecto totalmente desprezado pelos autores, que é a questão da luta que ocorre na mente do homem em seguir x desprezar um Ideal Máximo (o que envolve claramente um embate filosófico e religioso) .

27 setembro 2015

O Catecismo e os 10 Mandamentos

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A tabela abaixo mostra algumas mudanças feitas deliberadamente pela Igreja Católica, com a prerrogativa da autoridade divina do Papa, em prol de anular/eliminar aquilo que a Lei de Deus expressa ser a vontade de Deus, escritas pelo dedo de Deus em tábuas de pedra. Esta mudança foi unicamente para tentar harmonizar a Bíblia para com as tradições e dogmas construídos/incluídos pela Igreja Católica ao longo dos séculos contrárias a ela.


02 setembro 2015

Livro: Por que as nações fracassam - critica inicial

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Estou lendo o best-seller "Por que as nações fracassam" de Daron Acemoglu e James Robinson, um professor de Economia no MIT, o outro, professor de Administração de Pública de Harvard (ambos nos EUA).

Bem, estou na página 50 ainda, mas já tive grandes surpresas e degustações, ao mesmo tempo, grandes decepções sobre esse livro.

É muito interessante que ele trás muitos dados e informações, além de histórias muito interessantes, especialmente sobre a colonização das Américas, em detalhes que nunca me foram contados. Todavia, a partir do capítulo 2, fica mais evidente suas fraquezas. Neste capítulo, os autores tentam destruir outros grandes modelos que explicam algumas coisas. Tentando, apenas levar a concluir de que o único modelo realmente verdadeiro e que explica as coisas de forma para tudo é de que o progresso das nações dependem apenas de um sistema político que produzem instituições financeiras capazes de dar os incentivos corretos para as pessoas. Dado esta fórmula do sucesso, os autores se prendem em refutar qualquer outra fórmula e a favorecer esta.

Além dessa simplificação, os autores também definem que o sucesso de uma nação é uma nação ser como os Estados Unidos, enquanto que, o oposto, seria um país ser como o Congo, Serra Leoa, Bolívia, Guatemala, Síria. [Bem, são professores de universidades nos EUA. Esperar o quê?] Eles colocam, como uma das principais medidas de sucesso e fracasso de uma nação o PIB per capita, a produção industrial, dentre tantos outros. Sendo que estas definições de sucesso e fracasso são coisas de que os autores não demoram nem um único parágrafo para explicar o que levou tais a adotarem tais medidas, como o indicador de sucesso e fracasso? No decorrer do livro, deparamos com muitas classificações arbitrárias, históricas, de países/povos que foram melhores ou piores do que outros; sem, nenhuma boa justificativa.

Quando, no capítulo 2, tenta destruir a ideia do argumento cultural (o que ele simplifica em chamar tudo o que é filosófico, religioso, moral, dentre outros, como sendo "moral"), é onde mais os autores são levianos, fracos, e, às vezes, contraditórios em sua argumentação. Veja este trecho absurdo sobre o Congo:

"Graças aos portugueses, os congolenses aprenderam sobre a roda e o arado, cuja adoção foi mesmo incentivada por missões agrícolas lusitanas em 1491 e 1512. Contudo, todas essas iniciativas fracassaram. Não obstante, os congolenses estavam longe de ser avessos às modernas tecnologias em geral; foram muito rápidos, por exemplo, em adotar outra venerável inovação ocidental: a pólvora. Usaram essa nova e poderosa ferramenta para responder a incentivos de mercado: a captura e exportação de escravos. Não há nenhum indício de que a cultura ou os valores africanos de alguma maneira concorressem para impedir a adoção de novas tecnologias e práticas." (p. 46)

Como eles conseguem tirar uma conclusão como esta? Aliás, repare no arranjo de palavras, jogo de palavras que os autores precisam fazer para dizer, o que poderia ser escrito como apenas:

"Os portugueses levaram a tecnologia da roda para a agricultura para os congolenses, porém estes não aderiram a tal. Por outro lado, aderiram a pólvora para caçar pessoas e vendê-las como escravas."

Não só evitaria uma monte de palavras arbitrárias como "adorar outra venerável invenção ocidental" [E os julgamentos arbitrários do autor. Além, de um sútil erro de, apesar de serem os Portugueses que estavam levando a tecnologia da pólvora para eles. A pólvora não é uma invenção/tecnologia do Ocidente, mas sim do Oriente, na China (afirma muitos autores)]. Mas também, em uma parte anterior, quando fala sobre argumentos do tipo geográficos, ele fala que a África Sub-Saariana não desenvolveu muito a agricultura, mas a caça era comum. Logo, o que o próprio autor disse dá margem para hipótese de que a preferência do povo de Congo pela pólvora ao invés da roda agrícola, pode ter decorrido devido a uma tendência cultural de preferirem a caça (mesmo que humana) a produção agrícola (como o próprio autor afirma anteriormente). Todavia, o autor não justifica, não dá ao trabalho de verificar tal hipótese. E não coloca que a própria adoção ou não de determinadas tecnologias tem bases culturais/morais/religiosas, dentre outros.

Em outro ponto, tais autores faz a colocação mais absurda de todas! Ele diz: "religião, ética nacional, valores africanos ou latinos – não têm importância para entendermos como chegamos até aqui e por que as desigualdades do mundo persistem." (p. 45) E não dá nenhuma explicação, nenhum dado, nem uma única palavra de como ele chegou a conclusão de que tais coisas "não têm importância para entendermos como chegamos até aqui". Ou seja, estudar a História das Religiões, Filosofia, Ética, os valores africanos e latinos (podemos adicionar Geografia e Biologia, pelo contexto), não vai ajudar em ABSOLUTAMENTE NADA para entendermos como o mundo chegou a ser como é hoje. [Me nego a comentar sobre isso.] Mas é interessante observar que na frase seguinte o livro afirma que "a confiança entre as pessoas" é algo que afeta em aparte. [E, ao mesmo tempo, os autores removem a associação das pessoas confiarem uma nas outras, com religião, moral, valores éticos. Vai entender.]


Essas atitudes dos autores tornaram frustrante este livro, apesar de ainda estar no começo, fico a imaginar que encontrarei muitas coisas desse teor, no decorrer da leitura. Mas, provavelmente, encontrarei muita informação e história interessante.






31 janeiro 2015

Seus Dentes, Saúde e Você

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O que todos deveriam saber sobre Saúde dos Dentes (Odontologia)

No final da adolescência, na época que tinha que escolher uma carreira, por muito pouco – na verdade foi difícil decidir – não cursei Odontologia na UNESP de São José dos Campos. Um dos grandes motivos para isso é que tive uma vida de muito contato com dentistas e mais dentistas, todavia, como paciente por inúmeros problemas, ligados com Ortodontia (posição dos dentes, ângulos, medidas, formatos, mordida etc. que normalmente se tratam com ‘aparelho’) dentre outros como limpeza, cáries etc. Nessas idas e vindas, acredito que devo acumular mais de 100 passagens por consultórios de 15 a 20 dentista nesta vida, assim como passei por uma delicada Cirurgia Ortognática. E, neste percurso da vida, aprendi muitas coisas que gostaria de compartilhar com meus leitores.


1.) Seus dentes dizem MUITO sobre você
Neste caminho, descobri que os dentes, sua dentina, seu sorriso, são uma das coisas que mais reparamos nas pessoas, sobretudo quando conversamos com elas pessoalmente (olhando para o rosto). Reparamos se os dentes são muito tortos ou não, se é largo ou retraído, se estão muito limpos ou muito sujos, assim como se o hálito é fresco e agradável ou muito pesado e desagradável. E fazemos isso até mesmo de forma inconsciente.

E isso, não são considerações apenas 'estéticas' (o que alguns consideram supérfluo), mas são análises que fazemos sobre a saúde da pessoa, e sobre hábitos de higiene, dentre tantas outras. O que esconde inclusive questões: “Por que essa pessoa não tratou seus dentes? Será que por desleixo? Por falta de tempo? Tem alguma doença bocal? Ou por dificuldades financeiras?”. Além disso, por exemplo, revelam um pouco sobre a sua idade. Dentes de leite - comum em crianças até os 7 anos - são geralmente um pouco mais brancos e claros do que nos permanentes adquiridos na adolescência em diante (talvez daí o apelido “de leite”). Com o passar do tempo, por diversos processos, os dentes tendem a escurecer, ou ficar mais amarelado. Um dos motivos é pelo desgaste do esmalte (essa porção mais clara, fina) que reveste o dente, outro motivo é o processo de 'mineralização', que, com o tempo vai mineralizando 'coisas' além dos minérios primários. Também, com o passar dos anos, a sua gengiva tende a se retrair por vários motivos, assim como a sua “base óssea” onde seus dentes são apoiados. E isso afeta toda a estrutura dos dentes, do sorriso, da face e da fisionomia; assim, como seus dentes podem ficar mais moles, fracos, quebradiços, e mesmo haver retração das bases ósseas p o que, num grau mais severo, leva ao comum quadro conhecido como 'lábios murcho'; assim como a ponta do nariz parecer 'crescer e cair', que se dá, principalmente, pela perda óssea da maxila superior na base do nariz.

Além da idade, seus dentes mostram muitas outras coisas, como até mesmo hábitos e vícios como consumo regular de cigarro, chocolates, café, comida muito dura, ou muito mole. A um olhar um pouco mais treinado, é possível saber se a pessoa tem o hábito de ranger os dentes (bruxismo), em que os dentes possuem as pontas tendendo a serem mais retas e finas, como se tivessem sido limadas, as vezes, niveladas (ver imagem).


2.) Limpeza e Doenças
Existe uma diversa grande variedade de estudos que correlacionam muito a higiene dos dentes com doenças. A rigor, a nossa digestão se inicia na nossa boca. Quando começamos a digerir os alimentos na boca, uma enorme quantidade de bactérias, fungos e mesmo vírus ficam após o processo de mastigar. Grande parte deles são limpados e neutralizados pela nossa saliva e língua (involuntariamente). Porém, muitas podem sobrar ainda no processo, sobretudo nos “cantinhos” e entre as fissuras do dente. O que necessitam de uma “limpeza mais profunda” como uso de escova, cremes especiais abrasivos e fio dental, e, até mesmo antisséptico. Além disso, alguns alimentos, como o açucar refinado, literalmente não combina com nossa saliva, formando um ácido que destrói o esmalte e favorece a vida de bactérias como o da cárie

No longo prazo, uma “película muito densa e forte” é formada sobre o dente, chamada de “tártaro”. No geral, é necessária uma limpeza profissional com aparelhos e produtos mais sofisticados e “abrasivos” (o que podem danificar o dente, por isso é necessário um profissional).

Se os dentes não são limpados corretamente. O PH da nossa saliva é alterado, essas bactérias podem literalmente começar a comer seus dentes, seu esmalte e sua gengiva, podendo provocar inflamações (desde uma leve sensação quente ou ardida nos dentes, até mesmo uma dor implacável e intensa, com sangramentos e úlceras), assim como sensibilidade para coisas quentes ou frias. E toda essa “cultura” de bactérias e enfermidades dentárias/bocais, causam mais demanda para seu Sistema Imunológico que pode não dar conta, sobretudo em dias em que este fica abalado por algum hábito ou mesmo trauma emocional, assim, como estas culturas, podem cair na circulação do seu sangue, e mesmo nos demais órgãos digestivos, podendo provocar náuseas, diarréia e outras infecções, assim como amigdalites, “garganta inflamada”, e mau hálito, de modo que, pela respiração, tais bactérias podem chegar ao seu pulmão e na sua corrente sanguínea através da respiração, sem contar as famosas úlceras na boca conhecidas por aftas. Existem inclusive grande correlação entre doenças cardíacas e doenças dentárias. Veja os links abaixo:

Por isso, sujeira persistente no dente, dentes com tons não normais (ainda mais para jovens e crianças), gengiva muito vermelha ou dolorida, ou mesmo inflamada e com sangramento, hálito ruim mesmo após a higiene, gengiva retraída (em que a raiz fica muito exposta), dor de dente, sensibilidade para comer frutas, entre outros, é imprescindível que passe a limpar com mais severidade seus dentes ao longo do dia com escova, fio dental e antisséptico; se os sintomas não passarem, procure um profissional (dentista).

E a juventude que gosta de sair beijando qualquer um, a maioria dessas doenças bocais são transmissíveis pelo beijo, inclusive as bactérias que foram a cárie. É bom pensar nisso antes de...

3) Mineralização e Hábitos Alimentares
Nossos dentes trabalham em “ciclos”. Quando mastigamos, nossos dentes são levemente “moles” caso contrário poderiam quebrar, rachar, ou enviar tal impacto para o nosso crânio que poderia danificá-lo, ou causar dores de cabeça. Nossos dentes funcionam como uma incrível máquina da engenharia. Se você olhar com uma lente de aumento para seus dentes, verá que eles não são “lisos”, mas parece como um monte de pedras brancas, ásperas, cheio de pontas e crateras. Quando você mastiga, sobretudo alimentos duros, tais estruturas literalmente “quebram, desgastam, deformam”, como um pedreiro quebrando concreto com um martelo e talhadeira. Ou seja, seus dentes são literalmente danificados e destruídos, quando você come/mastiga. E, ao mesmo tempo, isso alivia o impacto, e impede que estruturas mais internas do dente rachem e quebrem, assim como grande parte do impacto é absorvido pelas estruturas mais moles/macias que sustentam os dentes.

Após você se alimentar, sua saliva, com enzimas especiais, fazem um processo de restauração do dente chamado de “mineralização”. Os pedaços (moléculas) que foram desgastados, quebrados, etc, são novamente fixados, assim como com outros minérios captados nos alimentos, e fixados nos dentes, por sua saliva, tampando esses buracos e fissuras. Aliás, quanto mais duro e força seus dentes precisam fazer, mais todo esse processo “fortalece” seus dentes e estruturas, enquanto que, se você comer só sopa, alimentos muito moles, ou produtos com muito açucares e outros ingredientes que desgastam o dente e pouco contribuem para mineralização, seus dentes irão ficar fracos, talvez, finos, moles, quebradiços, e suas estruturas também fraca.

Há, inclusive, estudos que mostram que a alimentação moderna - que é muito facilitada e mole, com alimentos fracos em minerais e geralmente com muito açúcar - tem provocado desde dentes muito fracos nas gerações mais modernas, como uma estrutura dentária pior. Esse processo de mineralização ocorre em torno de 3 a 5 horas após a “mastigação” para desenvolver todo o seu CICLO. Ou seja, neste período após a refeição, a pessoa não deve comer, mastigar, nem se alimentar novamente, senão o ciclo é interrompido, e seu dente não é plenamente restaurado e fortificado. Logo, pessoas que não tem refeições longamente espaçadas de 3-5 horas, mas que comem durante as refeições, tendem a ter dentes mais fracos, mais amarelados, gengivas mais inflamadas, dentre outros, pelo processo de mineralização não ocorrer. Assim como, para a maioria das coisas que comemos, é necessário a escovação em seguida para restaurar o PH ideal de modo que a mineralização possa ocorrer.

Algumas indústrias defendem que alguns chicletes podem favorecer no processo de mineralização dos dentes, inclusive para “limpar” e deixar os dentes mais brancos e saudáveis. Bem, talvez podem ter alguma ajuda com alguns “produtos específicos”. Todavia, isso não é uma verdade completa. Pois lembra das “estruturas moles” que funcionam como colchões amortecendo a mastigação? Tais precisam de um período de “descanso também” para também se recompor e se preparar para a próxima mastigação. E isso ocorre, nesse ciclo de mineralização de 3-5 horas, quando mascamos chicletes, tais estruturas estão constantemente recebendo forças e impacto, impedindo assim que tenham descanso, o que pode levar ao desgaste dessas estruturas, assim como inflamações, dores, entre outros. Assim como nossos pés e suas delicadas articulações e tendões precisam de descanso e repouso, caso contrário, se você ficar muitas horas seguidas andando sem parar, é certo que irá ficar com dores terríveis nos pés.

4) Problemas que se refletem e afetam todo o corpo
Os problemas chamados de “funcionais” nos seus dentes e boca causam inúmeros problemas para o seu corpo, sobretudo quando ocorrem desde a infância, quando seu corpo está sendo formado. Por exemplo, se a sua assimetria facial (um lado da sua mandíbula/dentes ficam mais propensos para um lado do que o outro – famosa “boca torta”), isso vai afetar toda a formação do seu crânio, um lado vai ficar, literalmente, com mais osso, músculo e estruturas moles, o que fará ter mais “peso” do que o outro lado. Logo, os dois lados vão ficar desbalanceados, e para sua cabeça ficar “equilibrada”, seu pescoço terá que fazer alguma leve inclinação para um dos lados para compensar o peso. No longo prazo, isso vai afetar inclusive sua coluna – com esta podendo ficar torta, ou ficar com uma ergonomia muito ruim, assim como a formação dos ossos da face.

Do mesmo modo, se sua mandíbula ficar mais deslocada para frente (prognata, caso conhecido como prognatismo), de modo semelhante, isso irá dificultar alguns movimentos desta e do mecanismo da fala (há estudos que mostram correlação entre prognatismo com falar menos, sorriso mais limitado, comer menos, aparência e caráter de “sério” e “fechado”.). Assim como, irá também trazer excesso de peso para a parte frontal do seu crânio, o que acarretará numa deformação sistemática do crânio e da postura do pescoço, podendo afetar toda coluna a longo prazo, para “compensar”.

De modo parecido, uma pessoa que tem a mandíbula mais recuada (retrogmatismo/micrognatismo), um efeito meio que diferente ocorre, normalmente, tais pessoas tem mais facilidade de usar tais mecanismos e assim podem ter características de “falar mais, falar melhor, falar mais rapidamente, comer mais, sorrir mais”, assim como de terem aparência de ser mais “comunicativas”. E também, outros impactos na postura e formato no crânio tendem a ocorrer para compensar.

Há ainda outros problemas da “maxila superior”, que são mais visuais pelos aspectos da forma do nariz, das “bolsas da bochecha”, das bases do olho, e mesmo da base do nariz (entre o lábio superior e o nariz) podendo ser mais retraído ou avantajado. Assim, como pode se ter um céu da boca mais fechado. Tais também causam diversos problemas, muitos deles, podendo ser respiratórios, e que podem afetar muito a fala, o jeito de falar, podendo ter uma voz mais “fanha”, desvio de septo, entre inúmeros outros como apneia, ronco, sensação de mandíbula travada, assim como mexer nas estruturas do crânio para haver “compensação”, e, até mesmo, há problemas óticos (de visão) relacionados.

Há também o caso da "mordida aberta" em que, a formação dos dentes e mandíbula estão de tal forma que é impossível a pessoa ocluir, encaixar e morder com os dentes da frente, assim como "fechar seus lábios" de forma natural e espontânea sem ter que fazer um grande esforço para isso. Também é importante ressaltar que seus lábios tem um papel fundamental, ele protege sua boca e tecidos internos do externo, seja pelo controle de temperatura, umidade, também impede que bactérias e sueira indevida entrem em sua boca, como evita de babar. Pessoas com problemas de mordida muito aberta, ou que não conseguem fechar a boca naturalmente de modo consistente, tendem a respirar pela boca, babar, tendência a halitose e problemas respiratórios, sobretudo quando dormem.

Todos esses problemas, na maioria das vezes, causam problemas funcionais na própria “mordida” e “encaixes dos dentes”, provocando desde problemas na formação geométrica e localização dos dentes, como desgastes irregulares, dentre outros, provocando mais doenças, como cáries, e também podendo afetar muito a famosa ATM (Articulação Tempora-Mandibular) situada próxima ao ouvido é responsável pelo movimento de abrir e fechar da mandíbula. Se sua ATM for afetada, provavelmente, sentirá dores na região, barulhos (como estralados, rangidos e pedrinhas pulando), muitas dores de cabeça intensas, inflamações, dores no pescoço, bolsas de líquido inchando a região, problemas auditivos, dores de ouvido, irritabilidade, dentre outros. Felizmente, a grande maioria desses problemas podem ser corrigidos até a “maturidade dos ossos” (que geralmente ocorre entre os 18 – 25 anos); ou seja, antes que seus ossos ficam fortemente calcificados e de difícil “mobilidade”, através de aparelhos ortodônticos especiais. Após isso, e para casos mais severos, apenas por meio de uma Cirurgia Ortognática será possível, ou seja, onde é necessário usar “força bruta”, abrir, mover e serrar seus ossos manualmente, e depois usar placas e parafusos (normalmente de titânio) para segurá-los em suas novas posições e formas até se calcificarem. Para tal, será necessário a combinação de um tratamento entre um dentista ortodondista e um cirurgião bucomaxilofacial. (Confira videos ilustrativos e super didáticos do tratamento aqui)


 5) Estética dos Dentes
Algumas pessoas – geralmente não médicas nem dentistas – tentam destruir o conceito de “beleza” e “estética” como sendo algo fútil, supérfluo, desnecessário, “cultura da falsa beleza”, etc. Alguns até mesmo dizem, infelizmente, que não deveria existir os conceitos de beleza e estética, que isso é uma “discriminação” para com as pessoas.

Quando se trata de dentes e sorriso, a história não é a mesma. Por que, afinal, consideramos alguém com um sorriso que aparentam todos os dentes, com alinhamento perfeito, perfeita proporção nas dimensões X, Y e Z, brancos, sem tártaro, com gengivas rosas-claras, como sendo esteticamente mais bonito e atraente, do que alguém com apenas meia dúzia de dentes, com dentes pretos e amarelados, com raízes expostas, gengivas brancas e amarelas, com sangue, e tão deformado nos eixos que mais parece a boca de um “monstro”?

A resposta é que aprendemos durante a vida, e, na maioria das vezes, inconscientemente, após observar centenas, e talvez milhares, milhões de bocas e sorrisos no dia-dia, assim como outros aspectos da pessoa associada, que, LOGICAMENTE, conforme a amostragem de dados aumentam, e mais exemplos diversos, nossa mente, começa a “IDEALIZAR” o que é um perfil de uma boca ideal. E o que isso quer dizer? Quer dizer alguém menos propenso a doenças, com mais saúde, com uma melhor postura corporal, ergonomia, com melhores hábitos de alimentação, com tendências de melhor perfil social. Enfim, uma pessoa e uma boca com perfis mais saudáveis!

Existem muitas medidas e proporções que mostram perfis ideais de quando uma boca é mais saudável, assim como a sua formação óssea, dentes, posicionamento, ângulos e etc. Um dos mais famosos aqui no Brasil é o Traçado Cefalométrico Mcnamara e as Técnicas Panorâmicas. Quanto mais ideais são tais, mais, naturalmente, a estética da pessoa é favorecida. Tratar a saúde óssea dos dentes e da boca tem uma correlação de 100% para com o conceito de estética e beleza! Logo, cuidar dos dentes, da saúde bocal, da higiene bocal, da ortodontia funcional deles, implica (inseparavelmente) em também ser um tratamento estético, logo, o que implica em beleza.

Existe, porém o custo-benefício. Há casos em que sempre há alguns problemas aqui e ali, e umas meditas não ideais e ali. A priori, a minoria das pessoas possuem uma diferença muito pequena para o ideal sem que seja necessário algum tratamento profissional. O profissional poderá avaliar com mais detalhes a saúde dos seus dentes e boca e levantar um custo-beneficio de possíveis tratamentos, ou mesmo verificar que talvez seja melhor não arriscar, muitas vezes, podem ser detalhes pouco perceptíveis de pouco impacto negativo no curto e longo prazo. Geralmente, celebridades ricas que dependem muito da própria imagem e beleza investem uma fortuna em tratamentos caríssimos para deixar seus dentes e boca os mais perfeitos possíveis, muitas vezes, passando por diversas cirurgias.

Infelizmente, o serviço odontológico é ainda muito caro em quase todos os países do mundo (o Brasil é ainda um dos privilegiados). Em muitos países, há carência de profissionais, tecnologias e materiais. Em outros, o serviço é muito caro. No Brasil, mesmo para caso severos, ainda é possível encontrar tratamentos (talvez com acessibilidade mais difícil) no SUS e em Universidades e Faculdades de Odontologia, sendo, em São Paulo, a USP Bauru, a UNESP São José dos Campos, a USP Butantã, a UMESP de São Bernardo do Campo, umas das mais respeitadas e que sei que oferecem este tipo de serviço mesmo para a população mais carente. Nos últimos anos também se popularizou os Convênios Odontológicos que podem baratear muitos custos e tratamentos, todavia, muitas vezes podendo ser longo, burocrático e de qualidade inferior ao serviço particular, mas não deixe de cuidar. Faça um esforço especial, pois se trata da sua saúde!

Há ainda um outro aspecto muito fascinante - de interesse muito maior para um matemático - que é a Razão ou Proporção Áurea (ou número de ouro). Tal está extremamente ligada com o ideal de um sorriso perfeito e proporções devidas para todo o rosto, boca e dentes, de modo a não apenas desenvolver o aspecto de beleza, como também funcional e saúde. Gostaria de poder me dedicar páginas e mais páginas sobre isso, mas, ao invés disso, recomendarei alguns estudos muito interessantes sobre isso:



Por isso, vamos cuidar do nosso sorriso.
Quando foi a última vez que foi no seu dentista?