20 abril 2018

Desafios e Dificuldades de se Guardar o Sábado

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Todo sabatista já experimentou dificuldades e injustiças por escolher querer guardar o sábado. O motivo principal é por estar inserido em uma sociedade em que a imensa maioria das pessoas, instituições e leis não guardam o sábado e não são prol a seus princípios. Mesmo no meio cristão, a maioria das denominações protestante, evangélicas e católicas não guardam o sábado e, sim, algo mais parecido no domingo. Em alguns casos, existe uma perseguição aos guardadores do sábado. A seguir, algumas das dificuldades que um sabatista frequentemente enfrenta na vida:

  1. O item mais comum e impactante, sem sombra de dúvidas é o trabalho. Muitos sabatistas perdem o emprego; não conseguem empregos; são mal-vistos no mercado (há até quem julgue como 'preguiçosos'); frequentemente, são testados por saírem mais cedo na sexta-feira e não trabalharem durante o dia de sábado. Perdem viagens, cursos, treinamentos, promoções para cargos de confiança, por requisitem participação no sábado. Isto é terrivelmente comum, sobretudo para pessoas de baixa instrução que não têm muita capacidade de barganha para uma vaga;
  2. É mais trabalhoso. Apesar de um sabatista descansar do trabalho no sábado. Ele precisa 'compensar' este um dia util a menos, além de se 'preparar' para o santo dia. Isto significa que geralmente ele trabalha mais nos demais dias adiantando demandas com prazo na sexta/sabado além de limpar, arrumar sua casa e preparar alimentos entre quarta-sexta. Isto faz com que a vida de um sabatista que trabalha/estuda seja sempre muito atarefada, sempre muito ocupada, com coisas para fazer durante a semana. Sem contar de que geralmente é ativo em demandas de atividades religiosas que tambem precisam estar preparadas para o sábado.
  3. Dificuldades no estudo. Sobretudo para os sabatistas que estudam no periodo noturno. Praticamente todos sabatistas já experimentaram duras dificuldades por questão da sexta-feira a noite. Problemas com faltas, reprovações, 'perder matéria e provas', ter que lutar para justificar e conseguir fazer a prova em outro dia ou correr atrás de alternativas. É sempre muito custoso e trabalhoso. O sabatista precisa correr por fora, se virar por conta própria nos estudos (às vezes, colegas ajudam, passando informações e a matéria perdida... esses amigos fazem uma diferença ENORME). Porém, mesmo assim, é muito comum um sabatista ter sua formação atrasada por causa do sábado. Quando há aulas e atividades aos sábados, as dificuldades aumentam ainda mais.
  4. Praticamente todo sabatista já enfrentou situações de professores que 'não respeitam a fé' e acabam perseguindo, dificultando, não dando alternativas, até mesmo reprovando propositalmente (sim, isso já rendeu processos judiciais e até algumas leis foram feitas por causa disso, em alguns lugares em que há respeito pela liberdade religiosa).
  5. Como o sabatista não vai 'estudar' no sábado. Os demais dias ficam ainda mais sobrecarregados para compensar o menor tempo disponivel para estudar e fazer atividades da escola, faculdade, cursos...
  6. Compras e manutenções. Quem não guarda o sábado e trabalha durante a semana, geralmente, resolve suas pendencias pessoais, manutenções do lar/carro, faz compras diversas, todo tipo de viagem, negócios pessoais... no sábado e no domingo. O sabatista não. Ele tenta fazer tudo no domingo, porém boa parte dos estabelecimentos comerciais não abrem/funcionam aos domingos, o que incrementa alguns desafios. Por fim muitas coisas são postergadas ou, exprimidadas com jeitinho para se fazer durante segunda-sexta, tornando-os um pouco mais denso.
  7. Nos grandes centros urbanos é comum o sabatista enfrentar problemas com trânsito ou falta de opção de atividades de acordo com os principios desse dia. As vezes, é comum ter 'incomodos' com vizinhos fazendo festas ou músicas inapropriadas para o dia, além da falta de contato com a natureza.
  8. Devido a semana ser tão atarefada é comum, por vezes, a pessoa chegar no sábado já exausto. De modo que lhe falta energias para aproveitar o dia com toda a disposição. Por vezes, acaba por tentar tirar o sono atrasado e repousar um pouco mais o corpo e a mente.
  9. Não raramente, você é mal compreendido por outras pessoas. Principalmente por amigos que queiram fazer atividades sociais ou lazer não muito apropriados para o sábado, dai pensam que pode ser algo 'pessoal' ou um fanatismo quando o sabatista diz que não poderá participar ou tenta propor algo diferente.
  10. Frequentemente, as atividades propostas pelos sabatistas para este dia são pouco acolhidas ou aceitas pelos demais (quais geralmente tem outros tipos de atividades em mente).
  11. Algumas tradicionais familias sabatistas podem ter herdado conceitos muito restritivos quando ao dia de sábado.
  12. 1/7 ou 14% do seu tempo é muita coisa. Não? Bem, este é o maior desafio do sábado. Doar uma grande parcela da sua vida para a abnegação total e, ao mesmo tempo, firmando sua única motivação e esperança é Deus. Por vezes, a luta contra a própria consciência reclamando de que você está perdendo muito do seu tempo gastando com outros, quando você já está com falta de tempo e recursos, pode ser algo tremendo. Não poucos, preferem dar 10-20% dos seus ganhos para os outros do que abdicar 1/7 do seu tempo de interesses pessoais.
  13. É muito comum encontrar sabatistas que consideram que apenas não se deve trabalhar no sábado e fazem qualquer outra coisa. E, por vezes, eles te atacam caso você amplie o conceito de guarda do sábado para algo que contrarie suas práticas.
  14. Por vezes, é dificil refugiar-se na natureza ou ter um lugar calmo e tranquilo para passar momentos mais introspectivos com Deus.
Veja também:

08 abril 2018

Por que e como guardar o sábado? (a vida de um sabatista)

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Provavelmente você já ouviu falar ou conhece alguém que é sabatista (isto é, que guarda o dia de sábado para descansar). Segue algumas considerações quanto a como é guardar um dia de sábado.

A Motivação

O motivo principal de se guardar o sábado é devido ao mandamento encontrado na Bíblia:

"Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dia o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o SENHOR abençoou o sétimo dia e o escançou." (Êxodo 20:8-11)
"No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação." (Gênesis 2:2-3)
"E então [Jesus] lhes disse: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, pois o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado." (Marcos 2:27-28)
"Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a tua alegria, e eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai." É o Senhor quem fala." (Isaías 58:13-14)

Quando a pessoa guarda o sábado, o guarda porque quer obedecer este mandamento de Deus. E isto carrega algumas implicações práticas que são semanalmente 'aprendidas e desenvolvidas':
  • Ele(a) acredita na Bíblia, em especial no relato da Criação;
  • Ele(a) acredita e lembra de que Deus é o Criador;
  • Ele(a) se autodeclara/reconhece ser uma criatura do seu Criador
  • Ele(a) acredita e lembra  de que Deus é o seu Salvador e Redendor (Deuteronômio 5:14-15)
  • Ele(a) acredita que o sábado é essencial para o homem (Eclesiastes 12:13);
  • Ele(a) quer exercitar sua obediência e submissão das suas vontades, desejos e atividades da vida à Deus.
  • Ele(a) quer deleitar-se no descanço do Senhor.

Como se guardar o sábado?

Um modo comum de se ouvir (porém um tanto equivocado) de guardar o sábado é a famoso frase "eu não trabalho no sábado". Algumas pessoas até pensam que o judeu e/ou adventista "não fazem nada no sábado". Vejamos que a Bíblia diz muito sobre isso.

De forma explícita ela diz nos textos acima:
  1. O dia deve ser 'santificado'. O que significa que o homem o deve considerar santo, sagrado, separado para Deus;
  2. Dedicado para Deus. Não é dedicado para o time de futebol, shows, ficar a toa bebendo num bar. Mas para o seu relacionamento com o Criador;
  3. Ninguém em seu raio de domínio/influência deve trabalhar. O que requer uma 'preparação' nos dias anteriores, para se ter todas as condições necessárias para se evitar o 'trabalhos' neste dia;
  4. A Criação deve ser rememorado e celebrado realizada pelo Criador. Dia para conhecer melhor sobre o trabalho de Deus revelado na Bíblia, inclusive conhecer mais profundamente o Criacionismo e a Natureza;
  5. VIGIAR para que seus pés não se desviem / profanem / percam o rumo / do sábado (um verdadeiro exercício de autocontrole e submissão);
  6. Não fazer o que bem quiser neste dia. Antes buscar em Deus o que Ele quer que você faça;
  7. Deixar seu próprio caminho/trabalhos (se desligar das preocupações e questões políticas, economia, trabalho, estudos seculares...);
  8. Não falar futilidades ou em coisas inúteis neste dia. Até seus pensamentos, conversas, palavras... devem ser especiais, diferenciadas (para melhor) dos demais dias;
  9. Considerar este dia como sendo 'deleitoso' e honroso (honrando-o).
Como você pode ver, vai muito além de 'não trabalhar'. É deixar de trabalhar em prol de um outro tipo de AÇÃO (e olha, às vezes, o estado te esgota fisicamente). Sem um dos itens acima, não haverá máximo proveito. Assim como o problema do frio formalismo ou tradicionalismo.

Estar com o coração incrédulo, como estar com a 'cabeça' nos negócios, ou na prova do concurso ou faculdade, dentre outros, podem atrapalhar-lhe em viver os propósitos deste dia. A ideia é sempre buscar apreender a viver o sábado em sua plenitude.

Como deve ser a experiência do sábado?

Os textos acima são enfáticos nas palavras chaves: santo, honroso e deleitoso. Se 1 desses 3 itens falatar, então há algo que 'não deveria ser assim'. A pessoa estará os buscando, mesmo que, vez ou outra, ocorra coisas muito inesperadas, que podem desfocar um pouco, como uma doença súbita ou acidente.

Na época de Jesus, o grupo dos fariseus criaram um MANUAL do que pode e não pode fazer no sábado. O objetivo era bom (resgatar a santidade que havia sido perdida diante do paganismo), porém acabaram se perdendo na trajetória. Transformaram a guarda do sábado num mero FORMALISMO e, por vezes, longe de ser DELEITOSO. Tentaram impor estas restrições e regras desconexas para Jesus, o qual atacou veemente e buscou ensinar o verdadeiro princípio do sábado que foi esquecido.

Pontos chaves da guarda do sábado

1º Lugar: Muita comunhão com Deus;
2º Lugar: Fazer atividades honrosas, altruístas, santificadas... neste dia.
3º Pode ser dado uma atenção especial para a família, familiares, amigos, vizinhos, para as pessoas etc.
4º Deve passar totalmente longe de 'um dia perdido';
5º O dia deve terminar com a sensação de 'não vejo a hora que chegue o próximo sábado'.


Peculiaridades e sugestões deste dia

  • Não há como guardar o sábado de forma 'alinhada' com desejos egoístas ou de forma interesseira. Será uma hipocrisia. Guardar o sábado é apreender, tratar as pessoas, fazer amigos, conversar, de forma desinteressada de vantagens. Isto implica em apreender a DESLIGAR, por um dia que seja, de dinheiro ($$$) e dar o verdadeiro valor às pessoas (todos são criaturas de Deus) e seus atos. O sábado é para ser uma pálida amostra do Céu.
  • É um dia ideal para meditar na Bíblia e orar a Deus 'sem pressa', 'desligado', 'despreocupado' com horário para sair, ir no trabalho etc.
  • É um dia ideal para se reunir com pessoas da mesma fé, para compartilhar de conhecimentos e das experiências na semana, expectativas, fortalecer a fé um do outro, comunicar a palavra para outras pessoas;
  • Um dia muito oportuno para visitar amigos distantes, familiares, conhecer um vizinho, fazer uma visita à um doente/enfermo (ajudá-lo em suas necessidades, ou até mesmo arrumar/limpar algo em sua casa, de forma gratuita, altruísta);
  • É o memorial da Criação. É o dia perfeito e ideal para um refúgio bucólico em meio a Natureza. Fazer um belo acampamento, caminhada, atividades ao ar livre que despertem o plano original da harmonia do homem com a Natureza e Seu Criador. Desfrutar das belezas e delícias da natureza, à companhia de animais. Buscar ali, elevar os pensamentos a Deus e reconhecer Sua obra, grandiosidade.
  • Para as crianças e adolescentes que necessitam de bastante atividade física, gastar energia. É um dia oportuno para reunir amigos (fora da escola). Os país e adultos podem aproveitar para dirigir brincadeiras e atividades físicas de maneira diferenciada. Construir lições para elas. [O que, por vezes, dá muito trabalho fazer.]
  • É comum, as comunidades religiosas sabatistas criaram grupos de corais, instrumentais, orquestras, estudos, serviços voluntários e comunitários, seminários, palestras, almoços comunitários, testemunhos.
  • Muitas igrejas adventistas oferecem Clube de Aventureiros e Desbravadores para as crianças e adolescentes.

01 novembro 2017

500 Anos da Reforma Protestante - O que você precisa saber...

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31 de Outubro de 2017, celebração dos 500 anos da Reforma Protestante. Entretanto, o que foi esta reforma? Protesto contra o quê ou quem? Algumas breves considerações para uma história longa – longa até mesmo para um livro – organizada de modo mais cronológico até os dias de hoje.

Sim. Foi no passado.

O presente é fruto do passado. Tecnologias e conhecimentos hoje disponíveis, assim como nossas crenças, o que vemos escrito nos livros, das bobagens da internet até o típico humor brasileiro. Tudo decorre de um aglomerado de heranças do ‘Passado’. Alguns eventos foram extremamente abaladores quanto ao rumo da História deste mundo (ex. os impérios da Babilônia, Medo-Persa, Grécia, Roma, a Idade Média, o Movimento Protestante, a Revolução Francesa, o Cálculo Diferencial e Integral, a Revolução Industrial, as 2 Grandes Guerras, a Guerra Fria, os Computadores,...). Conheçamos nosso passado, para saber quem hoje somos, entender um pouco melhor este mundo, e, talvez o mais importante, conseguir, assim, ter uma ‘trajetória’ que nos aponta para onde estamos indo.

Houve uma reforma

Quando reformamos uma casa, ou um carro, ambos já existiam; e, no mínimo, precisavam de uma reforma. E quando falamos reformar uma casa/carro, não é ‘dar uma lavada com água e sabão’, ou retocar a pintura ou trocar uma lâmpada. Antes é derrubar paredes, abrir ‘lá no fundo’, fazer muita bagunça e sujeira, mexer em pontos talvez estruturais que seja necessário contratar especialistas. É um trabalho árduo!
Assim foi a Reforma Protestante. Existia algo – um sistema religioso que dominava o mundo Europeu, dentre outros. As maiores potências do mundo, na época, se curvavam a este poder. Uma instituição, reconhecida como a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Você pode pesquisar muito sobre ela, o que ela fez no passado e como chegou até os dias de hoje sendo uma das principais potências. A ICAR é poderosa na política, na econômica, no social e liderança religiosa; com um poder altamente influente sobre os presidentes de praticamente todo globo terrestre. A Reforma abalou este poder! Foi um Protesto contra muitas coisas que havia neste poder/sistema.

A Origem da Igreja Católica em Poucas Linhas


Após a ascensão de Jesus ao Céu, foi deixado a missão de ‘evangelizar’ todo o mundo, cada tribo língua e nação, com a mensagem de Jesus Cristo, o que Ele fez, o que Ele fará, Seus ensinamentos, Seu exemplo etc. Você pode conferir isto nos seguintes textos: “Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:19-20) “E lhes ordenou: “Enquanto estiverdes indo pelo mundo inteiro proclamai o Evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)
E isto ocorreu. Nas primeiras décadas após a morte e ressurreição de Jesus, muitos homens (sobretudo os chamados de ‘apóstolos’) saíram pregando poderosamente esta mensagem. Esta pregação fora muito convincente, o testemunho tão verdadeiro e vivo destes homens, mesmo em meio a um ceticismo e oposição tão forte. (Muitos deles foram presos, espancados e, até mesmo, assassinados brutalmente, como serrado ao meio, crucificado de cabeça para baixo etc.) E não era possível que estes homens inventariam uma história tão fantástica, preferindo passar pela morte dolorosa e cruel, uma vida sofrida, por uma mera mentira. Entre estes homens, Paulo de Tarso é mais conhecido, devido a muitas de suas cartas comporem a maior parte do cânon do Novo Testamento da Bíblia – as quais narram muitas destas experiências, de como pregou por vários lugares e cidades no Oriente Médio, na Grécia, atual Turquia, Roma. Paulo foi um grande pregador, um dos principais motivos é que ele, inicialmente, era um dos mais zelosos em perseguir os ‘cristãos’; era um douto, um erudito no judaísmo e nas leis; não acreditava de forma alguma no testemunho daqueles homens; participou da condenação à morte por apedrejamento de Estevão, e se ofereceu para ir para Damasco, a fim de encontrar e eliminar os cristãos que ali se encontravam. Todos os cristãos tinham medo de Paulo. E, de repente... um evento inusitado, e ele muda de lado, tornando-se um dos principais defensores.
Consequência. De tanto estes homens falarem de Jesus Cristo, passaram a receber o apelido de ‘cristãos’ [era um deboche]. Daí surgiu o adjetivo. Mas, a princípio, o Cristianismo emanou do judaísmo. Com o passar dos anos, os cristãos cresceram exponencialmente em tamanho, ao ponto de incomodar os imperadores romanos. O imperador Nero fez uma verdadeira carnificina contra os cristãos e ações políticas em prol de tentar impedir que aumentassem em número, além de tentar destruir esta fé, colocar os romanos e escravos contra eles e tornar o dia-dia dos cristãos um verdadeiro terror. Nero não teve sucesso. O sangue derramado apenas contribuiu para que ainda mais pessoas tomassem o lugar daqueles que foram devorados por leões e queimados vivos.
Aumentou o número de cristãos por todo Império Romano. Muitos líderes romanos se converteram ao cristianismo. Todavia, muitos deles não de forma sincera, mas por interesses políticos. Surgiram grupos ‘autodeclarados cristãos’ com fortes interesses políticos. Com o tempo, influenciaram imperadores. O imperador Constantino (272 – 337 d.C.) praticamente uniu a religião e o Estado, dando muito poder a estes lideres (políticos) religiosos, denominados cristãos. Ao mesmo tempo, que uniu ‘muitos interesses’ de Roma, inclusive ideias e práticas oriundas de crenças pagãs – antagônicas ao cristianismo. De forma simplificada, foi que por ali que emergiu/começou esta instituição poderosa, a Igreja Católica, ou a Igreja Romana. A capital do mundo passaria de Roma para o Vaticano. E o mundo jamais seria o mesmo.

Os Dogmas e Absurdos


A Igreja Romana consolidou-se, fortalecendo tanto na Política quanto em poder econômico. Aos poucos, introduziu práticas não orientadas pelas Escrituras (Bíblia) - tanto do Antigo Testamento, quanto do Novo. Impôs muitas coisas. A Igreja Católica proibiu que as pessoas comuns tivessem bíblias em casa ou que lessem e interpretassem por conta própria. A ‘desculpa’ dada foi que apenas o clero e ‘estudiosos’ (monges) católicos podiam ler as Escrituras e interpretá-la corretamente para evitar ‘desentendimentos’. Além do que, a Bíblia ‘acessível’ era em Latim. Um cidadão alemão conseguiria ler ou entender? A ICAR sacralizou o idioma Latim, de modo que as ‘missas’ e ‘músicas’ eram sempre em latim (independentemente do idioma local e se as pessoas entendiam ou não). Criou-se o Sistema Papal. Um homem passou a ter poder soberano sobre tudo. O Papa seria considerado o embaixador de Deus na terra. E a Igreja Católica outorgou-lhe o poder de até mesmo modificar as Escrituras; de perdoar, ou condenar a morte; ou de ter a ‘interpretação última’. O que o Papa falou, está falado. Quem poderia contrariar um Papa?
O conjunto destes dogmas (isto é, doutrinas não bíblicas, inventadas pelos homens) era enorme (e ainda é). A maioria se deu pela fusão com costumes e práticas oriundas de povos pagãos, além de interesses políticos e econômicos. Destacam-se a mudança da guarda do dia de Sábado (conforme a Bíblia) para o dia de domingo [Maior detalhe sobre isto você encontra na obra de Samuel Bacchiocchi, “Do Sábado para o Domingo” https://adventismoemfoco.files.wordpress.com/2008/11/tese-do-phd-dr-bacchiocchi-do-sabado-para-o-domingo.pdf]. Outro dogma é a necessidade de um intermediador entre Cristo e o homem pecador; o clero da Igreja Católica passaram a ter ‘o poder’ de absolver/perdoar pecados. Surgiu a adoração de ídolos, mortos, imagens, esculturas, pessoas do passado (adjetivadas de ‘santas’). O surgimento de relíquias sagradas, e ideias místicas que possuíam poderes especiais aos que adquirissem tais objetos. Outro forte dogma foi a ideia de que a alma é imortal; o homem, ao morrer, sua alma vai para um lugar chamado de Purgatório; além da questão do sofrimento no inferno [já antes defendidas por algumas linhas de judeus, sobretudo influenciados pelo paganismo grego] que foi incorporado e colocado como uma verdade central para a ICAR. Todavia, o dogma que trouxe maior polêmica foi o da venda de indulgências: as pessoas podiam comprar o perdão dos seus entes queridos que morreram, para suas almas não sofressem por tanto tempo; além de ideias de penitencia, de autoflagelação, em que, através das ‘obras humanas’, este pode alcançar o favor, o perdão de Deus e a Salvação. Há outros.

Os Reformadores

Vez ou outra, sugiram algumas pessoas que percebiam alguns destes absurdos, ou a incoerência. Porém, mais raramente tinham a oportunidade de confrontar estas ideias (dogmas) com o que a Bíblia, Jesus e os ‘pais’ do cristianismo realmente diziam. A maioria deles tiveram medo de ‘abrir a boca’. Arriscar a vida, a família ou a carreira não era, como nunca foi, uma decisão fácil, em prol de ‘investigar uma verdade que vai contra os paradigmas’. Alguns poucos que falaram, mesmo que em ‘pequenos detalhes’ (por exemplo, Galileu, com observações cientificas que contrariava alguns modelos científicos canonizados pela ICAR), foram silenciados, ou coisa pior. Até que surgiram homens que fizeram um verdadeiro terremoto na Igreja Católica. Com destaque para Wycliffe – talvez, o marco inicial. Posteriormente, a ‘luz’ acesa por Wycleff, mesmo após sua morte, espalhou-se pela Europa. Outros homens também levantaram a voz. Pesquise sobre John Huss e Jeronimo, talvez os mártires mais corajosos que este mundo conheceu. E, o de nome mais badalado da História, Lutero.

Martinho Lutero


Lutero, por volta de 1500 e tantos, era um erudito. Monge e professor de teologia na Igreja Católica. Com estudos bibliográficos e observações [olha aí o ‘método cientifico’ que posteriormente eclodiu no iluminismo], constatou que a Igreja Católica estava cometendo erros gravíssimos. O que mais atormentou Lutero, de início, foi a “Venda de Indulgências” – a ideia de que a Igreja vendia perdão para as pessoas comprarem a salvação delas e dos outros. Lutero trouxe um pensamento arrebatador: a ideia do que hoje chamamos de Justificação pela Fé. Não era uma nova ideia. A ideia de que Deus é quem busca e justifica o homem, que este alcança as bênçãos de Deus através da fé, está presente em toda a Bíblia (de Genesis ao Apocalipse). A justiça de Cristo e os laços da fé (além da condição impotente do homem) foi fortemente pregada, em detalhes, por Paulo de Tarso (Leia as cartas de Romanos, Gálatas e Hebreus.). Lutero reacendeu esta ‘verdade bíblica’ que havia sido apagada pelas diversas mudanças, dogmas e ‘novidades’ e impostas pela Igreja Católica e não desmascaradas pela ignorância generalizada do que de fato está escrito na Bíblia.
Lutero enviou um artigo mais longo e detalhado para um dos líderes da Igreja Católica, na Universidade de Wittenberg. Lutero pensou que, a ICAR, ao verificar que estava errada, mudaria, adotando o que era correto. Além disso, também pregou nas portas da Igreja do Castelo de Wittenberg [que servia como um mural de anúncios] “As 95 Teses” ou “As 95 Sobre Justificação Pela Fé”. Na verdade, o título deveria ser “Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências”. Isto ocorreu em 31 de outubro de 1517. O motivo pelo qual, agora, dia 31 de outubro de 2017, comemora-se 500 anos deste marco para a História.

O que aconteceu, a seguir

Lutero foi julgado pela Igreja Católica. As coisas chegaram a tal ponto que, basicamente, ele seria condenado a morte pela ICAR se não desaparecesse antes. Pois, quem era Lutero para opor-se ao Papa e dizer tais coisas contra a Igreja Católica? Na Dieta de Worms, quando Eck solicitou que Lutero se retratasse, dizendo que basicamente suas ideias estavam erradas, Lutero respondeu: “Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.” Lutero foi declarado herege, fugitivo e, aí dos que lessem suas obras que foram rapidamente divulgadas com o início da tecnologia da imprensa.
Lutero foi ‘sequestrado’ (ou salvo), ficando refugiado no Castelo de Wartburg, escondido, longe dos olhares do Clero. Ali traduziu a Bíblia para o Alemão, para que as pessoas pudessem ler no próprio idioma. É interessante notar que a indústria da imprensa cresceu, como o principal de seus primeiros trabalhos, a produção de bíblias. Um ponto importante é que as pessoas passam a ter acesso a Bíblia e lê-la no próprio idioma. Imagine o impacto disto! Com o passar dos anos, as pessoas viram que muitas coisas que a Igreja Católica introduzira não estava de acordo com a Bíblia. E assim, conforme o tempo ia passando e as pessoas estudando, novas reformas foram surgindo.
Este movimento irrompeu por diversos países pela Europa. Trouxe grande instabilidade, até revoltas, pois alguns temeram a ameaça a Estrutura Social existente. A Igreja Católica reagiu com dureza. Houve muitas mortes. Bíblias foram queimadas. Os ‘hereges’ e, sobretudo, seus líderes, passaram a ser perseguidos. Esta reação violenta da Igreja Católica ficou conhecido como a Contrarreforma, iniciada no Concílio de Trento (1545).

A Luz Irrompe pela Europa

Lutero não tinha o objetivo de querer ‘destruir’ a Igreja Católica. Ele acreditava e queria que ela fosse ‘reformada’, compreendesse seus próprios erros e mudasse, de modo a praticar o correto. Diferente fora outros reformadores, como Calvino, quem considerava que a ICAR já estava tão corrupta e indisposta com querer realmente rever seus dogmas e mudar; para Calvino, a solução era apenas pelo lado de fora. O importante é ter a consciência que eles não tiveram TODA A LUZ, perceberam todas as contradições, erros, e quais eram as verdades. Nem tiveram tempo para isso. Mas eles deram um start. Criaram uma fogueira que aumentaria com as próximas gerações que, com o tempo, passaram a conhecer mais a Bíblia. A poder investigar a mais. A ter mais autonomia e coragem de se oporem a Reis, Papas, Principados e Potestades em prol do que acreditavam ser a verdade.
O Movimento da Reforma fez um verdadeiro terremoto na Europa e no mundo. Aliás, a colonização dos Estados Unidos, em grande parte, foi, em grande parte, de cristãos protestantes que fugiam da forte perseguição religiosa na Europa, buscando esperanças de uma nova vida, e livre, no Novo Mundo. E pense, o que seria de hoje sem os Estados Unidos? Basta pensar no computador, no Windows, na 2ª Guerra Mundial.
Poderes paralelos contra o Vaticano começam a crescer. Pensadores mais livres para pensar e propagar suas ideias. Como consequência, muitos campos da ciência passam a crescer à passos largos. Surgem novos filósofos e linhas de pensamento. Devido ao péssimo testemunho histórico da Igreja Católica, surgem muitas pessoas com um verdadeiro desdém à Igreja Católica e ao Cristianismo; o que estimulou a volta de crenças como ateísmo, deísmo e o aumento do antropocentrismo.
Eclode muitas denominações cristãs protestantes. Quais, conforme iam descobrindo os dogmas católicos e encontrando novas verdades na Bíblia, iam se unindo e pregando estas novas verdades. Assim como aparecem novas denominações com novos tradicionalismos e dogmas.
 Os efeitos mais diretos da Reforma Proteste são aqueles que se observa no mundo entre 1600 e 1800 [logo, chegando até os atuais dias]. Repare na filosofia, no conhecimento histórico, biológico, nas ciências, na tecnologia. Apesar de, na Idade Média também crescerem, a taxa de crescimento aumentou – talvez, por ter saído de um sistema monopolista que tende a aumentar a ineficiência e improdutividade, para um mais livre e com maior distribuição desses poderes. O pensamento protestante influência profundamente o método cientifico e a razão ocidental; sem contar, o impacto direto que teve na Constituição dos Estados Unidos e de nas Leis de diversos países. No mundo político e econômico, a Igreja Católico foi perdendo cada vez mais espaço e poder, até que, em 6 de julho de 1809, o Papa Pio VI foi preso por Napoleão Bonaparte. Este, por certo, foi um dos mais tremendos marcos de toda a História; a maior ferida já sofrida pela ICAR. A Igreja Católica foi profundamente ‘ferida’! Imagine um império que dominou o principal eixo do mundo, por mais de 1200 anos, com seu principal líder e símbolo ‘preso’; e pior, preso por aqueles quem antes era apenas um subordinado.

A Reforma da Música

Um ponto despercebido por muitos foi a reforma da música promovida por Lutero. A ICAR financiou grandes músicos quais desenvolveram basicamente os pilares da música que hoje conhecemos (exemplo, a escrita da partitura, a escala harmônica temperada, os corais, orquestras, a polifonia, os modos maior e menor, as principais fórmulas de compasso etc.). No campo religioso, as músicas tendiam a letras em latim, extremamente litúrgicas, criou-se algumas estruturas quase que consagradas, dentre outros quais podiam impressionar os ouvidos, mas pouco efeito se tinha sobre a razão e a consciência. Lutero também foi um grande músico, compôs a música conhecida como Castelo Forte, a música que mais marcou a Reforma Protestante. Lutero criou o que hoje alguns chamam de princípios luteranos da música, princípios usados para compor a maioria dos hinos congregacionais das religiões protestantes; letras teocêntricas, todavia mostrando um elo em que Deus ajuda o homem; letras que incorporam as doutrinas e crenças do protestantismo com o intuito de fazer o ouvinte cantar, memorizar e refletir; letras que suscitassem os deveres cristãos e dar forças para enfrentar as terríveis perseguições então sofridas.
No aspecto técnico, deveria usar-se pouco do cromatismo (isto é, músicas pouco acidentadas). Melodias bem ‘melódicas’, próximo ao jeito natural de falar, sem demasiar esforço. Altura das notas em regiões confortáveis a voz humana; poucos intervalos ou saltos entre notas que exigissem muito controle técnico do cantor, logo, a maioria dos intervalos ocorriam entre uma 2ª e uma 5ª, raramente maior do que isto. O modo polifônico de 4 vozes foi incorporado de modo a ter uma estrutura harmônica simples, todavia, bem articulada, preenchendo as regiões do baixo, tenor, contralto e soprano. Músicas pouco estridentes. Notas e letras bem pronunciadas; métricas simples e bem claras. Andamento que soasse natural ao homem. Vários pontos. O objetivo principal era que, devido ao forte analfabetismo e pouco acesso a Bíblia, a música fosse utilizada como um instrumento para as pessoas simples conhecessem os principais ensinamentos e histórias da Bíblia, decorá-las e conseguir refletir de forma consciente tais. Além disso, Lutero teve o cuidado de promover uma clara distinção destes hinos para com as frívolas músicas populares de sua época quais poderiam ter um efeito de embotar a mente e o propósito que ele queria alcançar. Algumas músicas apontam que a melodia de um dos hinos tem ‘semelhanças’ com uma popular canção das tabernas alemãs, todavia, é evidente diversos mudanças feitas por Lutero para agregar seus princípios, de modo que muitos musicólogos questionam se de fato não foi uma composição original de Lutero ao invés de um arranjo.
Se hoje existe um ‘hinário’ nas igrejas, muito se deve, a reforma musical de Lutero. Vale a pena pesquisar sobre os 37 hinos de Lutero [veja especialmente suas letras e estrutura musical].




A Reforma Protestante após 1800 e o Séc. XXI

O coração da reforma passou da Europa para os Estados Unidos. Foi no Novo Mundo (ver 9ª Sinfonia de Antonín Dvořák) que protestantes continuaram o trabalho de escavar verdades bíblicas perdidas pelas tradições e dogmas do Sistema Católico. Nos EUA, surgiram diversas denominações protestantes poderosas. A priori, os Estados Unidos da América era uma nação protestante, desenvolveu-se assim. E estes grupos cristãos-protestantes se espalharam pelas Américas e outros lugares do mundo.
Infelizmente, muitos protestantes pararam no tempo. Diversas religiões protestantes criaram ou cativaram tradições e dogmas quais se recusavam a mudar e ‘criticar’; o espírito de investigar as Escrituras se perdera terrivelmente. A fogueira do espírito protestante jaz quase que apagada. Provável que a maioria das denominações protestantes nem mais, de fato, o sejam. Muitas aderiram a práticas tão repulsivas quanto fora a “Venda de Indulgências” contestada por Lutero. A “Teologia da Prosperidade” é tão terrível quão! Sendo a principal adotada por muitos grupos evangélicos (além de sérios abusos os ‘dízimos e ofertas’) que se popularizaram nos meios midiáticos. Em muitos lugares, estes falsos cristãos são nada mais do que um bando de pessoas roubando dinheiro, abusando da ‘boa fé’, ‘boa vontade’ e ignorância bíblica das pessoas, sobretudo quando estas estão sendo ‘judiadas’ por um sistema e condições de vidas tão sofridos; assim como a Igreja Católica abusara no passado. Músicas/hinos totalmente fora dos princípios luteranos abarrotaram/tomaram a maioria das igrejas evangélicas (não só). Músicas com caráter de shows emotivos, oriundas principalmente do jazz, rock e música popular americana, inundaram a mente das pessoas com letras vazias, vagas e vãs, além de ter sido um meio de gerar novas fortunas para estes exploradores.
O Protestantismo entrou em crise. Os EUA deixaram de ser uma nação protestante assim como diversas denominações protestantes que passaram, até mesmo, a ‘reunir-se’ e dar as mãos com o Vaticano, o Papa, e a aceitar a liderança do Pontífice, solicitando conselhos e ajudas da Igreja Católica [políticas e econômicas, sobretudo]. Paralelo a isto, a Igreja Católica recuperou-se de sua ferida sistematicamente. A ICAR, pela 2ª vez, está eclodindo como uma potência mundial; apostando principalmente no apoio da ONU, dos Estados Unidos, no seu projeto Ecumênico em que pretende unir todas as religiões do mundo, com o Vaticano sendo o porta voz religioso do mundo. Ao olhar o panorama do último século, vê-se claramente a recuperação e busca da ICAR de novamente liderar (dominar) o mundo. Liderar nos aspectos Políticos, Econômicos, Sociais e Religioso. Por sua vez, hoje, a Igreja Católica declara abertamente ataques aos seus principais ‘inimigos’, os cristãos protestantes que insistem em ser ‘fundamentalistas’. Isto é, os que seguem os preceitos bíblicos, buscando fundamentar a fé e crença, não nas tradições religiosas/sociais, e sim fundamentadas nas Escrituras, na Bíblia, nos ensinos de Jesus Cristo. É bem possível que, num futuro não muito longo, àqueles que não aceitarem os princípios ditados pelo Vaticano venham a ser perseguidos. Assim como, aqueles que empunharem uma Bíblia.

500 anos se passaram. Todavia, o mundo carece de pessoas tão ousadas como Lutero. Comemorar os 500 anos de reforma protestante é um cinismo se não buscamos isto. Podemos ver claramente os apresentadores de TV ‘engolirem seco’ quando falam disto. Precisamos reacender as tochas da reforma, conhecer as Escrituras, espalhar esta semente. Abalar os poderes institucionais, os poderes musicais, os poderes de falsas teologias e tradições que escravizaram a cultura cristã do século XXI. A reforma precisa continuar.

Filme sobre Lutero

24 junho 2017

Perfeição de Caráter, Perfeccionismo: caso encerrado

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Devido a falta de tempo e outros assuntos que reclamaram mais urgência nos últimos meses, não pude aprofundar tanto quanto gostaria neste tema. Todavia, pude observar que este assunto tem tomado ênfase no adventismo no Brasil no último ano, seja nos sermões, em livros, ou até mesmo no conteúdo da Lição da Escola Sabatina. Creio que o leitor pode encontrar uma grande gama de fontes para aprofundar sua própria pesquisa, inclusive a própria origem da problemática (a Bíblia).

Para por um ponto final, como uma conclusão mais ampla, que envolve o MACRO sobre o perfeccionismo e a natureza de Jesus. Faço meus pareceres. Creio que questões que envolvem o MICRO podem vir (deve) a passar por atualizações ainda.


10 Conclusões
  1. Ellen G. White é contraditória neste assunto. Há textos que apontam uma coisa e, outros, outras. (um bom mapeamento disto você pode ver neste breve e sucinto post do Michelson Borges https://michelsonborges.wordpress.com/2017/06/22/quase-tudo-o-que-ellen-white-disse-sobre-a-natureza-humana-de-cristo/ ) ;
  2. As contradições de EGW não necessariamente implicam que 'ela é uma impostora'.
  3. A própria Bíblia apresenta estas 'contradições'. Com textos e autores que ora apontam para um lado, ora mais para o outro. Nas últimas cartas do Novo Testamento, encontramos versos que implicam de que na Igreja Primitiva havia desentendimentos sobre a teologia perfeccionista de sua época (ex. legalismo), a graça, liberdade em Cristo, novidade de vida. Pedro enfatiza que muitas considerações de Paulo são 'difíceis de entender'. Porém ressalta para o cuidado para os falsos mestres que buscam distorcer tais, ou interpretar e apresentá-las de maneira extremista olhando 'só para um lado'. E que o pior resultado era levantar a divisão, discórdia, desunião e falta de amor verdadeiro um pelo outro;
  4. Podemos fazer a suposição de que EGW possuía uma visão 'complexa' do assunto. E quando digo 'complexa', isto me faz pensar que o homem é limitado para compreender e entender isso. Assim sendo, é um erro querer interpretar seus textos desconsiderando esta complexidade. Ou seja, simplificando em "ela disse isso" ou "ela disse aquilo". O correto é "ela disse isso e aquilo";
  5. Vimos nos estudos anteriores que a base do Perfeccionismo é a natureza de Cristo e o conceito de pecado. Visto que estas bases são 'abaladas' pela complexidade. Não se deve entender também que o TODO desta teologia desmorona e cai por terra. Antes é um prédio em pé, mas cheio de rachaduras, infiltrações, trincas, tortura. Fica em pé. Balança, mas não cai. [Pelo menos, não por enquanto.] Mas é uma construção perigosa e inapropriada para, com segurança, ali habitar e sustentar seus princípios com implicações tão fortes;
  6. Visto que o Perfeccionismo é inapropriado e perigoso. O mais prudente é abandonar essa 'teologia' e partir para uma Nova Construção com uma base COMPLEXA que sustente o prédio, sem que traga um monte de rachaduras;
  7. A complexidade apresentada pode ser resumida em: "Jesus é uma singularidade. Um Unigênito. Um único." Isto é, em termos matemáticos: Não existe uma função BIJETORA entre Jesus Cristo e a Humanidade. Ao mesmo tempo, a humanidade caída é subconjunto de Jesus, assim como a  de Adão também o é;
  8. Esta complexidade não acaba por aí. Há um tremendo erro em pensar que esta aparente contradição e complexidade é a única. Talvez seja a que mais implica na nossa "vida prática", por isso tantos cristãos se importam tanto com ela [Ou mais, com os resultados práticos. E, tal teologia, é apenas um 'amuleto' para sustentar tais.] Por exemplo, a questão da Trindade e, especialmente, a divindade de Jesus com o paradoxo "Se Jesus é Deus. E Jesus morreu. Então Deus morreu. Mas Deus é Criador da vida e tudo é sustentado por Ele. E o que morre deixa de existir, Deus teria deixado de existir por um momento?" é extremamente mais complexa ao meu ver. Questão debatida por grandes filósofos da humanidade. Uns que usaram isto como motivo para pender para o ateísmo, outros para o espiritismo e teorias de imortalidade da alma, outros para panteísmo, outros para o politeísmo, outros para a ideia de categorizar Jesus como um 'sub Deus' ou 'auxiliar'. Outros usaram isto para destacar que a morte de Jesus é ÚNICA e que transcende ao entendimento e imaginação humana. Outra complexidade muito mais misteriosa, para qual eu não vejo nem 'um ponto' para especular é a encarnação e nascimento de Jesus´, porém como ela não tem muitas implicações práticas na nossa vida, não vemos quase ninguém brigar por causa disso;
  9. Se você não conhece/entende a complexidade da ideia que é a existência de números irracionais (como o pi), a ideia do conjunto dos Números Complexos, dentre outras coisas de Física Quântica... e mesmo assim continua a vida em paz. Então quanto mais esses conteúdos transcendentes sobre Deus (Jesus) também não deveria remover a sua paz. Ainda mais quando Ele coloca que o Seu propósito, com a Sua mensagem, é promover em você a paz que excede todo o entendimento humano. Como cristãos, temos pecado - coletivamente - se somos representantes de um cristianismo 'preocupado';
  10. Infelizmente, há mais uma guerra de ego entre sub grupos e dissidentes do adventismo para com a Instituição Adventista do que, de fato, um saudável debate e dúvidas teológicas. Fico triste ao ver que se prevalece a desunião quando a união é mais necessária. E, mais triste ainda, ao ver que prevalece um espírito de obstinação que me parece irremediável para muitas pessoas que entraram neste terremoto.

Este vídeo também é muito bom sobre o assunto:


Bem. É isto.
Espero ter ajudado.
Evandro Schulz

Outros estudos:

29 janeiro 2017

Perfeição de Caráter, Perfeccionismo: impecabilidade do homem

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Dando continuidade ao tema do Perfeccionismo, agora o ponto a ser tratado é, no mínimo, estranho no livro de Dennis E. Priebe. Na verdade, ouvi uma palavra e ideia "teológica" que eu jamais imaginei que alguém pensaria em tal: Impecabilidade de Caráter do Homem.

Priebe, dentre outros, traçam um tecido com uma ideia de impecabilidade do homem. Ao olhar bem, percebe-se que este é 'o grande ponto' do Perfeccionismo. Não foi logo de início, mas em sua obra, Priebe, em alguns momentos coloca de forma muito ambígua esta ideia. Num momento diz que apenas Deus é, a priori, 100% impecável, ou seja, só Ele, de fato, possuí algum certo tipo de 'impecabilidade de verdade' - uma comparação no mínimo estranha, pois entraria no terreno especulativo sobre o próprio livre-arbítrio divino. 

Ao ele fazer esta declaração - creio que sem notar - ele entra numa subjetividade muito vaga quanto ao que seria a ideia de impecabilidade fora da divindade.  Segue alguns pontos a serem considerados:

    1. Se Deus é absolutamente impecável, a priori. Então Jesus também era. (Pois, segundo a Bíblia, Ele não utilizou de Sua Onipotência, Onisciência e Onipresença, mas nada se diz que Jesus abandonou a sua 'impecabilidade'.). Apesar de ser muito misterioso a encarnação de Jesus e não ser minha pretensão entender o que a Bíblia não revelou. Podemos assim concluir que Satanás, se enganou novamente em criar alguma hipótese em sua mente de que Jesus pudesse pecar como humano - absurdo tão quanto, quando Satanás imaginou que poderia derrotar Miguel no Céu, assim como quando se imaginou poder ser superior a Deus. Sem perceber, Priebe anunciou uma ideia do tipo aberração de 'um Deus que pode pecar' (mas que, o alivio de Priebe é dizer que 'Ele simplesmente não pecou. Por isso também podemos não pecar.').
    2. Jesus se declara impecável, a priori. [Sem possibilidade.] As Suas próprias palavras dão a ideia de Sua impecabilidade pura e plena ao perguntar: "Quem dentre vós me convence de pecado?" João 8:46.
    3. Isto é uma especulação quanto a natureza de Deus que também não faz sentido, uma vez que pecado é a transgressão das Leis de Deus. [Em alguns momentos Priebe também usa esta definição acrescentando a palavra/ideia 'escolha'.] Mas repare que a própria definição provoca uma pergunta: Isto não se aplica a Deus? Pois Ele é quem faz as próprias regras, a Lei. Mais do que isso, Ele é a Lei. Por fim é razoável que este tipo de ideia/comparação não se atribui a Deus - não faz sentido algum.
    4. Se Deus é o Único impecável, a priori. O conjunto complementar (ou seja, todos os seres criados por Deus) não são como Deus neste sentido. Logo, não faz sentido nenhum usar ou aplicar a palavra "impecabilidade" para um ser criado mas, tão somente, a palavra "pecabilidade". E veja que isto mudaria totalmente o eixo da conversa e construção teológica de Priebe se ele buscasse desenvolver e deixar claro quanto a 'pecabilidade do homem' ao invés de tentar inventar um tipo (?) de 'impecabilidade do homem' para qual ele mesmo diz que só Deus é, de fato, em absoluto, impecável.
    5. A ideia de impecabilidade está atrelada com a ideia de ausência do poder/capacidade de se escolher pelo pecado. Ou seja, como a conquista de uma 'mutação' no livre-arbítrio do índividuo que o impede de escolher pelo pecado, o que é no mínimo 'estranho' e 'absurdo'. A palavra impecabilidade é, por natureza, exagerada, extrema, chocante, impactante e, por si mesma, contradiz com as Escrituras. Pois, em toda a Bíblia, vemos escancarado - em cada página - a pecabilidade do homem e até mesmo de anjos. Por exemplo, Bíblia diz que Deus criou um Éden perfeito, e um homem e mulher perfeitos. E logo trás uma declaração sobre a perfeição deles que se destacava por ter a capacidade de escolher por pecar. Não encontramos um único texto na Bíblia que promove uma ideia de impecabilidade humana.
    6. Jesus ensinou explicitamente para todos os seus seguidores (ou seja, cristãos) o seguinte: "...tu, quando orares, entra no teu aposento e... E, orando, ... vós orareis assim: "Pai nosso, que estás nos céus, ...; perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores" Mateus 6:6-12. As palavras de Jesus são bem explicitas em declarar claramente para os cristãos (de sua época, até os dias futuros) de que tais cometeriam pecados, e que ao orarem para Deus, deveriam pedir por perdão (e dos seus vários  'pecados' ao invés de 'pecado'; pois a estrutura da frase nos transmite até mesmo uma ideia de 'quantidade incontável' - incontáveis pecados.). Ao mesmo tempo, ao Jesus declarar explicitamente quanto a pecabilidade do homem (o oposto de qualquer ideia de impecabilidade) reparamos que em nenhum momento Ele fala isto de forma 'negativa' ou 'condenativa', como se fosse algo ruim, um problema. Antes, Jesus fala como tendo uma solução/remédio para um problema crônico. Jesus deixa claramente que Ele veio ao mundo buscar pelos pecadores, e a oração seria um remédio. A oração não impede o homem de pecar, mas salva/perdoa/cura o homem pecador.
    7. No meu ver, este amor demonstrado no ensino da oração de Jesus - que se pede por perdão - é a base da construção que Priebe deveria construir a sua teologia. E não no sentido oposto, de construir uma teologia em que o homem deve buscar 'chegar num patamar superior' em que não precisasse deste tipo de oração.
    8. Não há nenhum texto em toda a Bíblia que transmite a ideia para que os cristãos deixarem de orar assim em algum momento de sua vida/jornada espiritual após alcançar um certo tipo de status.

O que a Bíblia diz explicitamente?

A Bíblia deixa muito claro em 1 João 1:8-10:


8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10 Se dissermos que não pecamos [impecabilidade], fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

O texto de 1 Coríntios 10:12 também diz:
"Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia."

Ao combinar os dois textos (de João e Coríntios), a uma mesclagem óbvia da ideia de que mesmo uma pessoa que está firme continua a ser uma pessoa pecadora. É um pecador que necessita de Jesus. E não o contrário, o texto de Paulo não transmite a ideia de que uma pessoa só é firme na medida em que ela não peca mais; mas antes, por uma cosmovisão paulina, é você resistir, levantar, pedir perdão, levantar a cabeça, se agarrar a fé em Jesus e que Ele nos salva.

Paulo se autocorreconhecia como sendo o pior pecador do mundo (1 Timóteo 1:15-16), e não porque ele se autoenganava. E repare que na Bíblia ele se coloca assim 'no presente' e não apenas no passado, antes de ser alcançado por Jesus. E note ainda que no verso 12 ele diz "Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério." E Paulo diz isto, mesmo se autoreconhecido, que de fato, ele era um pecador (o pior). O mesmo encontramos durante toda a Bíblia, pessoas quem Deus considerava fiel, designando-as para um ministério ou ação específica, embora tais pessoas tivessem a mais profunda convicção de que 'não eram perfeitas'.

Estes textos é por demais explicito e deveria lançar por terra toda teologia perfeccionista que tenta construir uma ideia de impecabilidade do homem, um caráter impecável. Porém, há várias formas que os perfeccionistas tentam 'driblar' estes pontos.


O Contorno de Priebe

Como Priebe tenta driblar este ponto claramente conflitante? Priebe constrói a ideia sobre um 'autoconhecimento errado como sendo certo' como sendo a solução. Ele diz que o homem, em nenhum momento irá se considerar ou reconhecer como tendo alcançado o estado de caráter perfeito e impecável; o homem não irá reconhecer que não tem pecado mais. E sim que somente Deus irá saber e irá reconhecer isto. [Diferente de alguns outros perfeccionistas que declaram uma ideia de que o homem reconheceria de que nada mais lhe pode fazer pecar e que ao não se julgar ter cometido nenhum pecado durante o dia, não teria o que confessar e pedir perdão a Deus.]

Priebe desenvolve a seguinte ideia, num exemplo hipotético: O crente estará seguindo as palavras da carta de I João 1:8-10, pois não irá se declarar ao outro como 'não tendo pecado', nem tampouco se reconhecerá assim (justo aos próprios olhos). Logo, o indivíduo continuará a orar por perdão para Deus. Até aí, tudo bem, mas então vem o ponto problemático que Priebe acresceta: Nesta situação hipotética, Deus ouviria sua oração, mas não o perdoaria de nada, pois não teria pecado a ser perdoado; e o considera uma pessoa sem pecado; mais do que isso, Deus saberia que você jamais escolherá/praticará algum pecado; você se tornaria exatamente igual a Jesus "Quem me pode convencer de pecar?", mas que não reconheceria isto.

Desta forma Priebe contorna a ideia de que um justo jamais será justo aos próprios olhos.


As Implicações Absurdas do Contorno de Priebe

Ao fazer este malabarismo, Priebe entra num terreno ainda mais estranho. Cria-se um tipo perigoso de contradição. Pois se o fruto do Espírito Santo é o autoconhecimento; e o Espírito Santo é aquele que nos convence [faz reconhecer] do nosso pecado e estado de pecador. Ou seja, não é nós, por conta própria/independente. [João 16:8, Gálatas 5:22], então, Priebe, sem perceber, alega que Deus, o Espírito Santo é mentiroso, nos engana, ou, no mais absurdo, Ele brinca conosco fazendo-nos reconhecer ser algo que não somos. Aproximando com algumas características de deuses gregos que 'brincavam' com os homens.

Além disso, estaria criando um tipo de teologia de aparência de falsa impiedade. Ou seja, que há um certo tipo de 'glória' no homem se reconhecer como sendo ímpio, pecador; ainda que não o sendo. O que é um absurdo. A Bíblia nunca declara o 'reconhecimento como pecador' como algo glorioso (não faz sentido, seria absurdo haver glória no simples ato de olhar no espelho e dizer "Como sou pecador!"). Toda glória, se há alguma glória, os méritos são todos de Cristo e para Ele. A glória do 'reconhecimento como pecador' é quando Jesus trás isto a luz, quando Jesus 'nos faz reconhecer como pecador'. O que seria um absurdo, como vemos no parágrafo anterior, caso isto fosse mentira (pois, na verdade, seríamos 'perfeitos'). Jesus seria, no mínimo, sádico, nesta teologia. Além disso, a glória está no fato de apesar de pecador, Jesus vem até nós, e nos perdoa, limpa, transforma em filhos de Deus. Ou seja, o grande ponto é na revelação do perdão, da mudança de status, da ponte que Jesus faz entre o pecador e a glória do Céu imaculado, e da presença de Si, do presente da Salvação; do Seu Resgate que redime o pecador imperfeito. Todos estes aspectos, e os temas circundantes, perdem totalmente o sentido e relevância, se construirmos um conceito de impecabilidade.

Dennis Priebe poderia ter tentado usar mais uma carta na manga das premissas de sua teologia para tentar driblar e contornar isto. Priebe poderia dizer que continuaríamos a pedir perdão e nos reconheceríamos como pecadores devido a nossa natureza pecaminosa que ele diz que apenas será 'modificada' e 'eliminada' no Dia da Redenção. Fiquei perplexo pelo fato de não ter percebido ele usar este argumento no seu livro, pois aparentemente, seria o mais coerente e lógico (o melhor uso de suas premissas digamos assim). Não sei o motivo pelo qual não o fez. Porém, se o leitor pensar um pouco sobre, notará que se Priebe usasse tal, entraria num problema de referência circular; ou seja, um dos motivos para ele ter feito a separação entre natureza pecaminosa e caráter pecaminoso foi justamente no sentido de colocar que é com o nosso 'caráter pecaminoso' que nos cabe preocupar e reconhecer os pecados cometidos, e não a natureza pecaminosa em si e seus 'pecados incontroláveis'. Daí implica que não faria o menor sentido o Espírito Santo nos revelar ou trazer a tona um pecado que não faz parte do grupo 'caráter'; tão quão não faria sentido algum 'o pecado contra o Espírito Santo' [descrito como único sendo imperdoável pelas Escrituras] ser um pecado do grupo 'natureza do homem'. Especulo eu que, talvez Priebe, percebeu esta referência circular problemática e por isso não tentou usá-la. Todavia, se ele não fosse tão rigoroso assim, seria a melhor saída para tentar 'driblar' ou 'contornar', teria mais margem para enrolar sem mencionar estes problemas de tal visão.


Jesus como Placa de Sinalização e não como uma Ponte no Caminho e 'o' Caminho

A Teologia Perfeccionista de Priebe constrói muito a ideia de que Jesus veio ao mundo, sem nada de natureza divina ou que fosse sobre-humana, ou algo que pudesse ser distinto do homem que vive num mundo de pecado e carrega as consequências do pecado. Para tal teologia, isto é um ponto essencial para 'a teologia' deles validarem que Jesus serviria de Modelo para o homem pecador. O que cria um problema simples, que eles fogem e não buscam abordar. Quer dizer que antes de Jesus vir ao mundo, o homem não tinha nenhum caminho a seguir? Deus não podia servir de Modelo? Só haveria esperança para o homem se Jesus viesse com uma natureza, caráter, DNA, ... exclusivamente humano? Repare que este tipo de preocupação ou informação não encontrarmos em nenhuma profecia messiânica. Nem mesmo quanto aos apóstolos. O mais próximo disso são declarações no sentido que Jesus sofreu e passou por coisas e tentações que também passamos, que Ele venceu tais, para nos encorajarmos com isso, que Ele pode nos fazer vencedores. Mas não há a preocupação primordial dada ao parâmetro 'como ele exatamente era em termos humanos & divinos'. 

A Teologia do Perfeccionismo se preocupa com um entendimento mais do que cru, literal e exagerado da ideia de que "o pecado é indesculpável"; seja quem for, seja você Adão e Eva antes do pecado, seja quem for a pessoa que for neste mundo e em qual situação que for neste mundo. Ou seja, pecado é indesculpável e ponto final. E ponto final. E esta é a tecla ser infinitamente tocada. Chegando ao extremo de criarem uma ideia de autocondenação e o papel de condenar os outros com esta ideia.

[Nota: Na visão de alguns que defendem esta teologia, para eles, a morte de Jesus, a Bíblia, a História da Redenção, tem por 'principal objetivo' atestar de que 'pecado é indesculpável'. O que é uma inversão de valores. Pois, o mais óbvio é a "religião". Isto é, Deus religando o homem pecador consigo. É Deus salvando. É Deus redimindo o pecador. E ao Deus fazer isto, Ele o faz sem defender de modo algum o pecado, sem dar qualquer justificativa para tal.]

Daí, ao minimizar assim o entendimento do papel de Cristo em nossa vida. Os perfeccionistas entendem que o principal papel de Jesus é a ideia de um tipo de testemunho, ou Modelo (como eles costumam dizer), no sentido que cabe o homem tão somente imitá-Lo, isto é, escolher não pecar. Sendo que, na Bíblia, não vemos isto - não assim, não desta forma e modo enfase. Não vemos isto nos Evangelhos. Vemos Jesus, por exemplo pessoal, 'indo até o homem'. É o Emanuel, Deus Conosco. Jesus não foi o era um mero modelo. Ele era Emanuel! (tão somente esta ideia, não caberia nas páginas de Priebe). Jesus não era meramente o caminho no sentido de 'placas sinalizadoras' dizendo vire a esquerda, seguir reto, qual velocidade andar (um Jesus informativo, ou Jesus 'Manual de Instruções') e dizendo "Eu segui o caminho sem errar, você também pode, você deve.". O que melhor encontramos nos Evangelhos é Jesus se impõe como sendo 'o Caminho'. Jesus era 'o caminho' em que as placas de informações estavam colocadas; Jesus era o chão da estrada, o asfalto, Jesus era a ponte que ligava o homem com o Céu. Jesus era, em Si, 'o caminho da obediência'. Jesus era o 'todo', o pacote completo, e não apenas um modelo/exemplo para inspiração e motivação. Não há obediência fora de Cristo. Não me faz sentido idealizar qualquer ruptura/distinção em dizer "É nós copiamos Jesus (o Modelo)" ao invés de dizer que Ele é o 'caminho da obediência' a ser seguido. Há uma sutileza antropocêntrica x cristocêntrica aqui.


A Bíblia não apresenta 'o pecar' como algo indesculpável custe o que custar (mesmo sem ajuda de Deus)

Logo no início de Gênesis vemos em Gênesis 2, que o homem precisava de uma companhia auxiliando-o. Ellen G. White vai além. Ela declara que o homem não deveria se aproximar da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, nem se afastar de sua mulher. Ela também que Deus enviou anjos especialmente para orientar o casal quanto a queda de Satanás, seus planos malignos na Terra, alertando ainda mais o casal para não serem pegos de surpresa. Intervenções divinas que certamente não seriam necessárias caso o homem não necessitasse delas na vitória contra o mal.

A própria Bíblia diz que só resistimos a tentação porque Ele intervém. Deus só permite que nos sobrevenha tentação na medida que nos seja possível resistir. [E, o mais intrigante, é que Jesus diz para orarmos por isto - "não nos deixe cair em tentação". Como se houvesse ainda maior necessidade de intervenção. Por quê?] Esta simples ideia (verso) é simples em sua implicação: "Logo, se vier maior tentação que podemos resistir pecamos." Ou seja, há causa, razão, explicação, para se pecar se não fosse a intervenção de Deus. Há uma guerra, e Satanás certamente quer sair vitorioso custe o que custar. E isto está acima da mera escolha humana (o que vimos em outro texto), qual Priebe tenta recorrer a ideia de separar o pecado em natureza pecaminosa que é herdada e em caráter pecaminoso que podemos escolher no dia-dia).

Os textos abaixo deixam bem claro a ideia 
  • "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51:5)
  • "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram" (Rm 5:12)
  • "Por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação" (Rm 5:18)
Outro exemplo claro são as crianças que podem ser induzidas a cometer pecado (por ingenuidade, excesso de confiança no homem). E Jesus declara a mais terrível condenação - de toda a Bíblia - para os levarem uma criança a pecar.

Um texto chave para entendermos melhor a maravilhosa graça de Deus é o que se encontra no capítulo 2 de Efésios:

1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
2 Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
3 Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
4 Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
5 Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
6 E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
7 Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
9 Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Há alguns aspectos que este texto acima deixa claro. Não fosse a ação e intervenção de Deus, nós estaríamos/continuaríamos "mortos em ofensas e pecados".. Ou seja, não é questão de ter 'desculpa' para pecar, ou 'desculpar' um pecado. O ponto é que o homem estaria 'morto' no pecado. Haveria capacidade genuína de escolha e livre-arbítrio num 'morto'? Outro ponto que deixa muito forte o texto acima é que nós, o homem, eu e você, não fizemos absolutamente NADA, foi Jesus Cristo, que veio, interveio, e nos vivificou. O texto enfatiza, somos salvos pela graça. E isto seria de uma riqueza incompreensível. Note também que ao Cristo nos vivificar, Ele nos faz "assentar nos lugares celestiais" (v.6). E isto independente do nível de obediência do home, ou se seu caráter é impecável ou não. O v.10 diz claramente que tudo foi feito, criado, preparado (inclusive o caminho, as obras) pela divindade. É sempre a ação divina salvando o homem. E nunca, nada, não há nada que o homem possa fazer, nenhuma obra, que possa promover algum tipo de salvação [v.8-9]. Não existe nenhum tipo de meritocracia humana na Salvação. Todos os méritos são de Deus.

Dennis Priebe se confronta com este ponto da salvação pela graça de Jesus, e tenta criar um contorno. Para ele, os méritos são de Cristo, porque ele nos tira da condição inicial (C0), e então na condição recebendo a graça (C1), Ele nos dá o poder para obedecer. Dái, para Priebe, a salvação é 'operada' por nós ao exercemos este poder. E isto ocorrerá até um dia X, em nós que devemos ter alcançado uma condição C2 onde as coisas mudariam um pouco. E, se em C2, ainda estivermos como C1, então não seremos salvos. Em outras palavras, a ideia que Priebe constrói é que na prática, o que tão somente vemos e podemos fazer é a nossa 'operação/atuação na salvação' (obediência), mas que é para termos meramente num nível 'intelectual', ou 'na consciência', que é Cristo que está agindo e salvando, conforme obedecemos. Além disso, Priebe também justifica esta sua teologia como ela exaltando a Cristo (nossa obediência em si o exalta e adora). Mas no texto de Efésios acima, especialmente no v.7 temas a ideia clara que é Deus quem irá mostrar as riquezas da Sua graça - e isto independente da obediência do homem. O que o profeta Isaías deixa bem claro que não há mérito algum na obediência e obras humanas e, novamente, Isaías também considerando como Deus sendo o 'todo', nós somos meros barros nas mãos do oleiro. Não há nada o que o barro possa fazer para a própria salvação; tão somente o Oleiro.

5 Saíste ao encontro daquele que se alegrava e praticava justiça e dos que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; neles há eternidade, para que sejamos salvos?
6 Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.
7 E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniqüidades.
8 Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos.

Neste texto de Isaías 64, também vemos a declaração clara de Isaías também se considerando um homem pecador. E nada, absolutamente nada, que evoque a mais resquicial ideia de impecabilidade do homem, ou caráter perfeito segundo a teologia perfeccionista de Priebe.

Este é um assunto que precisamos estudar mais a fundo e com cautela, para evitar que incorra de cairmos em perigosos extremos do nosso entendimento. Por exemplo, Bíblia, por vezes, declara não haver pecado ou estado irreversível para Deus, não há pecador que Deus não possa salvar (Isa. 59, Salmos 104) e, por outro lado, a Bíblia diz que há 'pecado imperdoável'. (Marcos 3:28-30) Contradição? Não. Antes a necessidade de um entendimento mais amplo. Quanto a isto, apenas para aguçar os pensamentos, deixo a máxima: "Jamais devemos procurar defender ou explicar um pecado. Tão quão jamais devemos deixar de procurar defender ou explicar as boas-novas para um pecador."

E a história de Jó e Enoque?
Os perfeccionistas alegam que Jó foi o exemplo do ideal perfeccionista. Porém, entender a história de Jó e o período em que ele viveu sob as tentações cruéis de Satanás sem a intervenção de Deus é um grande erro. A Bíblia, por vezes, nos fala da Guerra Espiritual, há anjos intervindo. Há anjos acampados ao lado dos que buscam a Deus. Também havia anjos do Senhor protegendo Jó. Jó não foi deixado como Jesus na Cruz que exclamou, a verdadeira e única declaração do tipo: "Deus meu, por que me abandonaste?". O pleno abandono da divindade, Jó - como qualquer outro - não teria suportado. (Nem Jesus suportou, e morreu.)  A separação e abandono pleno e total de Deus é a ausência de vida no mínimo. No Céu, vemos claramente Deus intervindo, limitando até onde Satanás poderia ou não agir (veja que as limitações foram diferentes em tempos diferentes). Deus, provavelmente, tocara no coração de amigos para ir consolá-lo. (Mesmo que, após a semana de silêncio, não foram felizes nisto.). No fim, o próprio Deus 'se apresenta' para Jó (novamente uma intervenção das mais incomuns) e coloca a cabeça dele no lugar devido. Além disso, Jó reconheceu que era pecador, que cometeu equívocos e que falou equivocadamente. [Ver Jó 40:3-5; 42:3-6] Mas nisto, vemos também a graça e o perdão de Deus, pois Deus não creditou pecado em Jó.

Se não conseguimos ver a Graça, o Perdão, e o Plano da Salvação na vida de Jó, há algo de errado. E, se pior ainda, dizermos ou acharmos que Jó era um modelo equivalente ao de Jesus, no quesito impecabilidade, então há uma tremenda cegueira espiritual, para qual devemos repensar. A Bíblia declara de que o justo viverá pela fé. Hebreus 11 nos trás diversos exemplos dos pais da fé, e Jó não está lá. Mas Noé, que pecou após "a Porta da Graça" (para o Dilúvio) ter sido "fechada), está entre os heróis desta lista.

Jesus Cristo foi o único Cordeiro 100% imaculado, sem culpa, perfeito, impecável. Caso Jó, ou Enoque tivesse estas atribuições, eles poderiam ter tomado o papel de Cristo pela Expiação dos pecados.

Pouco a Bíblia fala sobre Enoque. Já Ellen G. White dedica um dos mais maravilhosos capítulos do livro Patriarcas e Profetas para falar do homem pré-diluviano que foi arrebatado. Alguns perfeccionista divulgam a ideia de que Enoque, por sua obediência irrepreensível, por andar com Deus, 'conquistou o direito de ser arrebatado e ir para o Céu'. O que não faz sentido. A implicação dessa meritocracia é simples: Enoque não precisou que Jesus morresse futuramente? Além disso, em geral, os perfeccionistas acreditam que todos os rituais do templo para expiação dos pecados, dentre outros, eram simbólicos. Somente se Jesus cumprisse o verdadeiro sacrifício e depois expiasse no Santuário Celestial é que tais pessoas seriam de fato, a rigor, perdoadas. E, se Jesus, não morresse, bem, as esperanças se extinguiriam. Ou seja, e Enoque, ele foi arrebatado e estava no Céu mesmo antes de Jesus derramar seu sangue e fizesse a expiação de seus pecados. E Moisés? E Elias? - Pense nisso e verás que brotará diversas perguntas e implicações estranhas, absurdas, com a ideia de que aqueles que foram arrebatados para o Céu estavam 100% perfeitos, impecáveis; ou que houve algum mérito por parte da obediência deles.

O pensamento que pode nos proteger do legalismo perfeccionista ao estudarmos a Bíblia é termos em mente que a Bíblia não diz o que o homem pode fazer se buscar a Deus, mas em como Deus busca o homem, como Deus pode promover uma vida de obediência no homem, como Deus pode transformar o homem, como Deus pode colocar o desejo no homem de buscá-Lo. Com o "como" no sentido muito mais dos testemunhos do que uma explicação descritiva.


Por fim

Há outros pontos envolvidos aqui a ser abordado nos próximos estudos. Leia atentamente os textos abaixo, para refletir e pensar quanto a coerência ou incoerência das ideias perfeccionistas de Dennis Priebe com o Espírito de Profecia:

"Muito homem brinca com o mal, julgando que o pode deixar quando lhe aprouver; mas é engodado mais e mais, até que se encontra dominado por uma vontade mais forte que a sua própria. Não pode escapar ao seu misterioso poder. [A pessoa nessa condição poderia de alguma maneira 'escolher' não pecar?]* Pecado secreto ou paixão dominante o pode reter cativo, tão impotente como se achava o endemoninhado de Cafarnaum.
Todavia, sua condição não é desesperadora. Deus não domina nossa mente sem nosso consentimento; mas toda pessoa é livre para escolher o poder que deseja domine sobre ela. Ninguém caiu tão baixo, ninguém há tão vil, que não possa encontrar libertação em Cristo. [Jesus é quem liberta. E o pecado contra o Espírito Santo?] O endemoninhado, em lugar de oração, não podia proferir senão as palavras de Satanás; porém, o silencioso apelo do seu coração foi ouvido. Nenhum grito de uma alma em necessidade, mesmo sem ser enunciado em palavras, será desatendido. Os que concordam em entrar em concerto com Deus não são deixados entregues ao poder de Satanás ou à enfermidade de sua própria natureza." (Ciencia do Bom Viver, 93)

*Há homens que caíram nesta condição. Jesus não caiu. Jesus passou pela mesma tentação que uma pessoa passou nesta condição?
"Ao contemplarmos a encarnação de Cristo, sentimo-nos desconcertados diante de um insondável mistério que a mente humana é incapaz de compreender. Quanto mais refletimos sobre isto, mais surpreendente nos parece o tema. Quão imenso é o contraste entre a divindade de Cristo e a indefesa criancinha na manjedoura de Belém! Como entender a distância entre o poderoso Deus e a desajudada criança? Pois ainda assim o Criador dos mundos, Aquele em quem habitava a plenitude da divindade, manifestou-Se como indefeso bebê na manjedoura. Mais excelso que qualquer dos anjos, igual ao Pai em dignidade e glória, vestido agora do manto da humanidade! Divindade e humanidade combinaram-se misteriosamente, pois o homem e Deus tornaram-se um. É nessa união que encontramos a esperança para nossa decaída raça."* Signs of the Times, 30 de julho de 1896."(A Verdade Sobre os Anjos, 154)

* Diante de tudo o que já foi estudado, com base neste texto acima de Ellen G. White, vemos claramente que Jesus Cristo não poderia ser como um mero homem 'pós-lapsariano', um comum humano após a queda. Jesus não foi apenas um 'Modelo' a ser copiado. Jesus era uma combinação 'misteriosa' de homem e Deus, num só. E isto é mistério. Tentativas de explicar ou adaptar como Dennis Priebe faz, pode criar diversas aberrações. Mas mais do que isso, o Cordeiro de Deus, precisava ser Deus e Homem como um só. Jesus não veio ser nosso mero Modelo - pois o Modelo sempre existiu, mesmo para Adão e Eva -, Jesus veio ser nosso Salvador, Vivificador, Transformador, Justificador, Perdoador, Transformador, Transladoador, Redentor, etc. Jesus é tudo. Jesus é a única esperança. Esqueça do homem.



Próximos estudos:

12 janeiro 2017

Como Economizar Gasolina ou Álcool (Combustível)

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Nas últimas semanas, coloquei em prova um antigo sonho: conseguir o máximo de rendimento km/L no carro. Chegou as férias de fim de ano, o trânsito ficou leve na cidade e fui para a prática. Segue os resultados desta experiência:

Modelo do carro: VW Polo 1.6 Hatch 2008 (Manual)
Rendimento Médio (Cidade e Estrada): 8 Km/L Álcool / 11,2 - 12,6 Km/L Gasolina.


Resultados da Experiência
Teste1
Trajeto: Santo André -- Itanhaem -- Santo André -- São Paulo (com trânsito severo na súbida da serra)
Distância Total: 275 Km
Consumo Total: 30 L (Álcool)
Rendimento: 9,16 Km/L
Ganho: +14,6%

Teste2
Trajeto: Santo André -- São Paulo -- Hortolândia -- São Paulo -- Santo André -- São Paulo (poucos trechos de trânsito severo)
Distância Total: 425 Km
Consumo Total: 42 L (Álcool)
Rendimento: 10,2 Km/L
Ganho: +26,5%

Aumento Médio de Tempo de Deslocamento: 30-40%.

A Técnica
Por já dirigir este carro há anos e ter feito os mesmos trajetos diversas vezes acabei por obter 2 pontos essenciais que precisamos dominar:
  • a relação motor-câmbio-embreagem-giro-aceleração-velocidade-freio;
  • e rotas-relevo-buracos-semáforos-tempo de espera-lombadas.

A ideia diretora é bem simples: "Como fazer o trajeto, no tempo mais rápido possível, acelerando o mínimo possível em baixa rotação e ter que diminuir ou parar o minimo possível." Ou seja, como desenvolver e manter uma inércia o mais otimizado possível. O que desenvolvi principalmente ao pedalar muito (bicicleta). Se o leitor andar bastante de bicicleta, vai sentir naturalmente que com o tempo irá otimizar esta técnica de modo a buscar reduzir cada vez mais o esforço e buscar o sempre 'os melhores caminhos' para tal e, se possível, num menor tempo.

Táticas usadas:
  • câmbio manual;
  • antecipar/planejar mentalmente todos os seus próximos movimentos até a próxima acelerada e 'inércia';
  • reduções na embreagem, ou curtas freadas, para chegar num semáforo quando abrir para o verde, na 2a ou 3a marcha e acima de 15 km/h;
  • não forçar aceleradas;
  • buscar manter pelo menos na 3a marcha nas mínimas;
  • não acelerar/aumentar a velocidade acelerando nas descidas longas;
  • se observar lombada a frente, não acelerar mais, mas deixar a inércia e reduzindo aos poucos até chegar na lombada e retomar sempre de 2a (se não for subida);
  • se parar na subida, sempre segurar e sair no freio de mão;
  • nas "descidas" (principal fator para uma região montanhosa) acelerar bem para já entrar com velocidade na subida a frente para não ter que acelerar ou acelerar o mínimo possível na subida (deixar inércia, mas tentar manter uma rotação baixa se cair muito);
  • em caminhos de descida, deixar a inércia e gravidade comandar; às vezes, até acelerar antes ou início da descida para pegar velocidade e depois deixar indo, controlando na embreagem/câmbio (com pequenas aceleradas para manter velocidade), e deixar indo, até chegar uns 30-40 km/h até voltar a acelerar;
  • fugir dos horários de pico e trânsito a todo custo;
  • nos semáforos longos (que você sabe que demora mais de 30s) e que você pegou ao entrar no vermelho, desligue o carro; [o mesmo vale para filas de trânsito que você percebe que irá demorar para andar.]
  • buscar por caminhos com mínimo de semáforos, lombadas e valas possível;
  • buscar uma rota de subidas rápidas e curtas, mas de trajeto predominante de descida (com este mais longo);
  • em alguns momentos desengate (na banguela), principalmente para ultrapassar cristas de morros, lombadas e valas. Ou, na subida, quando se está chegando numa lombada ou semáforo; [na descida ou trechos retos, o recomendado é sempre estar engatado.];
  • Ter o mantra de que: "Frear significa que você precisou eliminar uma energia em excesso. E energia vem da combustão de combustível ou gravidade. Quanto menos frear, menos combustível está jogando fora."
Ao se fazer estas dicas, você verá como as lombadas e valetas se tornam especialmente irritantes.

'Economia' Entre Aspas
O leitor tem que estar consciente de algumas coisas:
  • Se você trabalhou vários meses seguidos e pegou 2 dias para folgar e irá realizar uma longa viagem de 5 horas para ir e mais 5 horas para voltar. Aumentando em 40% o tempo de deslocamento para economizar; não faz sentido aumentar em quase +4h seu tempo total de viagem (ida+volta), a menos se seu objetivo no fim de semana era 'curtir uma estrada'. Se seu objetivo é render seu tempo com outras atividades e gastos, é melhor otimizar para tentar diminuir o tempo do percurso.
  • Quanto vale sua hora? Se você tem um salário fixo, você pode fazer a simples conta: Salário dividido por horas trabalhas. E você tem o valor da sua hora. Exemplo: Salário de R$ 4.000, Horas Trabalhadas = 200horas --> 4000/200 = 20 Reais/Hora. Ou seja, se a sua economia de combustivel não te lhe render algo que compense 20 Reias/Hora, você perdeu tempo e dinheiro.
  • Outra métrica é calcular a hora do seu dia total. Ou seja, se seu salário é de 4000. Num mês de 30 dias, cada hora sua vale: R$ 5,55/hora. Ou seja, se você dormir 8 horas por dia, você consumiu R$ 1.333,33 dormindo.
  • A métrica que mais gosto é a que mensura suas horas úteis, ou seja, o período médio de 14 horas (se for bem otimizado). Se você ganha 4000, sua hora útil vale R$ 8,33.
Estas métricas são importantes para você ter a seguinte noção: "Quanto tempo tive que trabalhar para poder usufruir deste tempo/horas?"

Como avaliar?
Se você rodar 500 KM num modo mais econômico que te fez economizar 25% de combustível (como a façanha que consegui), mas que te fez gastar 8 horas a mais de tempo no total. Então é simples a conta:
Economia com Combustível em 500km = R$ 24,81
Gasto de Horas Úteis A Mais nos 500km = 8h x R$ 8,33 = 66,64

Saldo = R$ -41,83 (saiu no prejuízo: perdeu tempo e dinheiro).

No mesmo caso, se você ganhar 1000 de salário. Sua hora útil = R$ 2,08


Saldo = R$ +8,14 (conseguiu economizar dinheiro)


Fazendo este tipo de conta, fica mais fácil entender porque grandes empresários e pessoas ricas, 'investem' em avião particular, helicópteros, estadias em hotéis etc. Pois o tempo útil deles vale muito mais do que estes custos extras para aumentar sua economia de tempo.