29 janeiro 2017

Perfeição de Caráter, Perfeccionismo: impecabilidade do homem

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Dando continuidade ao tema do Perfeccionismo, agora o ponto a ser tratado é, no mínimo, estranho no livro de Dennis E. Priebe. Na verdade, ouvi uma palavra e ideia "teológica" que eu jamais imaginei que alguém pensaria em tal: Impecabilidade de Caráter do Homem.

Priebe, dentre outros, traçam um tecido com uma ideia de impecabilidade do homem. Ao olhar bem, percebe-se que este é 'o grande ponto' do Perfeccionismo. Não foi logo de início, mas em sua obra, Priebe, em alguns momentos coloca de forma muito ambígua esta ideia. Num momento diz que apenas Deus é, a priori, 100% impecável, ou seja, só Ele, de fato, possuí algum certo tipo de 'impecabilidade de verdade' - uma comparação no mínimo estranha, pois entraria no terreno especulativo sobre o próprio livre-arbítrio divino. 

Ao ele fazer esta declaração - creio que sem notar - ele entra numa subjetividade muito vaga quanto ao que seria a ideia de impecabilidade fora da divindade.  Segue alguns pontos a serem considerados:

    1. Se Deus é absolutamente impecável, a priori. Então Jesus também era. (Pois, segundo a Bíblia, Ele não utilizou de Sua Onipotência, Onisciência e Onipresença, mas nada se diz que Jesus abandonou a sua 'impecabilidade'.). Apesar de ser muito misterioso a encarnação de Jesus e não ser minha pretensão entender o que a Bíblia não revelou. Podemos assim concluir que Satanás, se enganou novamente em criar alguma hipótese em sua mente de que Jesus pudesse pecar como humano - absurdo tão quanto, quando Satanás imaginou que poderia derrotar Miguel no Céu, assim como quando se imaginou poder ser superior a Deus. Sem perceber, Priebe anunciou uma ideia do tipo aberração de 'um Deus que pode pecar' (mas que, o alivio de Priebe é dizer que 'Ele simplesmente não pecou. Por isso também podemos não pecar.').
    2. Jesus se declara impecável, a priori. [Sem possibilidade.] As Suas próprias palavras dão a ideia de Sua impecabilidade pura e plena ao perguntar: "Quem dentre vós me convence de pecado?" João 8:46.
    3. Isto é uma especulação quanto a natureza de Deus que também não faz sentido, uma vez que pecado é a transgressão das Leis de Deus. [Em alguns momentos Priebe também usa esta definição acrescentando a palavra/ideia 'escolha'.] Mas repare que a própria definição provoca uma pergunta: Isto não se aplica a Deus? Pois Ele é quem faz as próprias regras, a Lei. Mais do que isso, Ele é a Lei. Por fim é razoável que este tipo de ideia/comparação não se atribui a Deus - não faz sentido algum.
    4. Se Deus é o Único impecável, a priori. O conjunto complementar (ou seja, todos os seres criados por Deus) não são como Deus neste sentido. Logo, não faz sentido nenhum usar ou aplicar a palavra "impecabilidade" para um ser criado mas, tão somente, a palavra "pecabilidade". E veja que isto mudaria totalmente o eixo da conversa e construção teológica de Priebe se ele buscasse desenvolver e deixar claro quanto a 'pecabilidade do homem' ao invés de tentar inventar um tipo (?) de 'impecabilidade do homem' para qual ele mesmo diz que só Deus é, de fato, em absoluto, impecável.
    5. A ideia de impecabilidade está atrelada com a ideia de ausência do poder/capacidade de se escolher pelo pecado. Ou seja, como a conquista de uma 'mutação' no livre-arbítrio do índividuo que o impede de escolher pelo pecado, o que é no mínimo 'estranho' e 'absurdo'. A palavra impecabilidade é, por natureza, exagerada, extrema, chocante, impactante e, por si mesma, contradiz com as Escrituras. Pois, em toda a Bíblia, vemos escancarado - em cada página - a pecabilidade do homem e até mesmo de anjos. Por exemplo, Bíblia diz que Deus criou um Éden perfeito, e um homem e mulher perfeitos. E logo trás uma declaração sobre a perfeição deles que se destacava por ter a capacidade de escolher por pecar. Não encontramos um único texto na Bíblia que promove uma ideia de impecabilidade humana.
    6. Jesus ensinou explicitamente para todos os seus seguidores (ou seja, cristãos) o seguinte: "...tu, quando orares, entra no teu aposento e... E, orando, ... vós orareis assim: "Pai nosso, que estás nos céus, ...; perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores" Mateus 6:6-12. As palavras de Jesus são bem explicitas em declarar claramente para os cristãos (de sua época, até os dias futuros) de que tais cometeriam pecados, e que ao orarem para Deus, deveriam pedir por perdão (e dos seus vários  'pecados' ao invés de 'pecado'; pois a estrutura da frase nos transmite até mesmo uma ideia de 'quantidade incontável' - incontáveis pecados.). Ao mesmo tempo, ao Jesus declarar explicitamente quanto a pecabilidade do homem (o oposto de qualquer ideia de impecabilidade) reparamos que em nenhum momento Ele fala isto de forma 'negativa' ou 'condenativa', como se fosse algo ruim, um problema. Antes, Jesus fala como tendo uma solução/remédio para um problema crônico. Jesus deixa claramente que Ele veio ao mundo buscar pelos pecadores, e a oração seria um remédio. A oração não impede o homem de pecar, mas salva/perdoa/cura o homem pecador.
    7. No meu ver, este amor demonstrado no ensino da oração de Jesus - que se pede por perdão - é a base da construção que Priebe deveria construir a sua teologia. E não no sentido oposto, de construir uma teologia em que o homem deve buscar 'chegar num patamar superior' em que não precisasse deste tipo de oração.
    8. Não há nenhum texto em toda a Bíblia que transmite a ideia para que os cristãos deixarem de orar assim em algum momento de sua vida/jornada espiritual após alcançar um certo tipo de status.

O que a Bíblia diz explicitamente?

A Bíblia deixa muito claro em 1 João 1:8-10:


8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10 Se dissermos que não pecamos [impecabilidade], fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

O texto de 1 Coríntios 10:12 também diz:
"Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia."

Ao combinar os dois textos (de João e Coríntios), a uma mesclagem óbvia da ideia de que mesmo uma pessoa que está firme continua a ser uma pessoa pecadora. É um pecador que necessita de Jesus. E não o contrário, o texto de Paulo não transmite a ideia de que uma pessoa só é firme na medida em que ela não peca mais; mas antes, por uma cosmovisão paulina, é você resistir, levantar, pedir perdão, levantar a cabeça, se agarrar a fé em Jesus e que Ele nos salva.

Paulo se autocorreconhecia como sendo o pior pecador do mundo (1 Timóteo 1:15-16), e não porque ele se autoenganava. E repare que na Bíblia ele se coloca assim 'no presente' e não apenas no passado, antes de ser alcançado por Jesus. E note ainda que no verso 12 ele diz "Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério." E Paulo diz isto, mesmo se autoreconhecido, que de fato, ele era um pecador (o pior). O mesmo encontramos durante toda a Bíblia, pessoas quem Deus considerava fiel, designando-as para um ministério ou ação específica, embora tais pessoas tivessem a mais profunda convicção de que 'não eram perfeitas'.

Estes textos é por demais explicito e deveria lançar por terra toda teologia perfeccionista que tenta construir uma ideia de impecabilidade do homem, um caráter impecável. Porém, há várias formas que os perfeccionistas tentam 'driblar' estes pontos.


O Contorno de Priebe

Como Priebe tenta driblar este ponto claramente conflitante? Priebe constrói a ideia sobre um 'autoconhecimento errado como sendo certo' como sendo a solução. Ele diz que o homem, em nenhum momento irá se considerar ou reconhecer como tendo alcançado o estado de caráter perfeito e impecável; o homem não irá reconhecer que não tem pecado mais. E sim que somente Deus irá saber e irá reconhecer isto. [Diferente de alguns outros perfeccionistas que declaram uma ideia de que o homem reconheceria de que nada mais lhe pode fazer pecar e que ao não se julgar ter cometido nenhum pecado durante o dia, não teria o que confessar e pedir perdão a Deus.]

Priebe desenvolve a seguinte ideia, num exemplo hipotético: O crente estará seguindo as palavras da carta de I João 1:8-10, pois não irá se declarar ao outro como 'não tendo pecado', nem tampouco se reconhecerá assim (justo aos próprios olhos). Logo, o indivíduo continuará a orar por perdão para Deus. Até aí, tudo bem, mas então vem o ponto problemático que Priebe acresceta: Nesta situação hipotética, Deus ouviria sua oração, mas não o perdoaria de nada, pois não teria pecado a ser perdoado; e o considera uma pessoa sem pecado; mais do que isso, Deus saberia que você jamais escolherá/praticará algum pecado; você se tornaria exatamente igual a Jesus "Quem me pode convencer de pecar?", mas que não reconheceria isto.

Desta forma Priebe contorna a ideia de que um justo jamais será justo aos próprios olhos.


As Implicações Absurdas do Contorno de Priebe

Ao fazer este malabarismo, Priebe entra num terreno ainda mais estranho. Cria-se um tipo perigoso de contradição. Pois se o fruto do Espírito Santo é o autoconhecimento; e o Espírito Santo é aquele que nos convence [faz reconhecer] do nosso pecado e estado de pecador. Ou seja, não é nós, por conta própria/independente. [João 16:8, Gálatas 5:22], então, Priebe, sem perceber, alega que Deus, o Espírito Santo é mentiroso, nos engana, ou, no mais absurdo, Ele brinca conosco fazendo-nos reconhecer ser algo que não somos. Aproximando com algumas características de deuses gregos que 'brincavam' com os homens.

Além disso, estaria criando um tipo de teologia de aparência de falsa impiedade. Ou seja, que há um certo tipo de 'glória' no homem se reconhecer como sendo ímpio, pecador; ainda que não o sendo. O que é um absurdo. A Bíblia nunca declara o 'reconhecimento como pecador' como algo glorioso (não faz sentido, seria absurdo haver glória no simples ato de olhar no espelho e dizer "Como sou pecador!"). Toda glória, se há alguma glória, os méritos são todos de Cristo e para Ele. A glória do 'reconhecimento como pecador' é quando Jesus trás isto a luz, quando Jesus 'nos faz reconhecer como pecador'. O que seria um absurdo, como vemos no parágrafo anterior, caso isto fosse mentira (pois, na verdade, seríamos 'perfeitos'). Jesus seria, no mínimo, sádico, nesta teologia. Além disso, a glória está no fato de apesar de pecador, Jesus vem até nós, e nos perdoa, limpa, transforma em filhos de Deus. Ou seja, o grande ponto é na revelação do perdão, da mudança de status, da ponte que Jesus faz entre o pecador e a glória do Céu imaculado, e da presença de Si, do presente da Salvação; do Seu Resgate que redime o pecador imperfeito. Todos estes aspectos, e os temas circundantes, perdem totalmente o sentido e relevância, se construirmos um conceito de impecabilidade.

Dennis Priebe poderia ter tentado usar mais uma carta na manga das premissas de sua teologia para tentar driblar e contornar isto. Priebe poderia dizer que continuaríamos a pedir perdão e nos reconheceríamos como pecadores devido a nossa natureza pecaminosa que ele diz que apenas será 'modificada' e 'eliminada' no Dia da Redenção. Fiquei perplexo pelo fato de não ter percebido ele usar este argumento no seu livro, pois aparentemente, seria o mais coerente e lógico (o melhor uso de suas premissas digamos assim). Não sei o motivo pelo qual não o fez. Porém, se o leitor pensar um pouco sobre, notará que se Priebe usasse tal, entraria num problema de referência circular; ou seja, um dos motivos para ele ter feito a separação entre natureza pecaminosa e caráter pecaminoso foi justamente no sentido de colocar que é com o nosso 'caráter pecaminoso' que nos cabe preocupar e reconhecer os pecados cometidos, e não a natureza pecaminosa em si e seus 'pecados incontroláveis'. Daí implica que não faria o menor sentido o Espírito Santo nos revelar ou trazer a tona um pecado que não faz parte do grupo 'caráter'; tão quão não faria sentido algum 'o pecado contra o Espírito Santo' [descrito como único sendo imperdoável pelas Escrituras] ser um pecado do grupo 'natureza do homem'. Especulo eu que, talvez Priebe, percebeu esta referência circular problemática e por isso não tentou usá-la. Todavia, se ele não fosse tão rigoroso assim, seria a melhor saída para tentar 'driblar' ou 'contornar', teria mais margem para enrolar sem mencionar estes problemas de tal visão.


Jesus como Placa de Sinalização e não como uma Ponte no Caminho e 'o' Caminho

A Teologia Perfeccionista de Priebe constrói muito a ideia de que Jesus veio ao mundo, sem nada de natureza divina ou que fosse sobre-humana, ou algo que pudesse ser distinto do homem que vive num mundo de pecado e carrega as consequências do pecado. Para tal teologia, isto é um ponto essencial para 'a teologia' deles validarem que Jesus serviria de Modelo para o homem pecador. O que cria um problema simples, que eles fogem e não buscam abordar. Quer dizer que antes de Jesus vir ao mundo, o homem não tinha nenhum caminho a seguir? Deus não podia servir de Modelo? Só haveria esperança para o homem se Jesus viesse com uma natureza, caráter, DNA, ... exclusivamente humano? Repare que este tipo de preocupação ou informação não encontrarmos em nenhuma profecia messiânica. Nem mesmo quanto aos apóstolos. O mais próximo disso são declarações no sentido que Jesus sofreu e passou por coisas e tentações que também passamos, que Ele venceu tais, para nos encorajarmos com isso, que Ele pode nos fazer vencedores. Mas não há a preocupação primordial dada ao parâmetro 'como ele exatamente era em termos humanos & divinos'. 

A Teologia do Perfeccionismo se preocupa com um entendimento mais do que cru, literal e exagerado da ideia de que "o pecado é indesculpável"; seja quem for, seja você Adão e Eva antes do pecado, seja quem for a pessoa que for neste mundo e em qual situação que for neste mundo. Ou seja, pecado é indesculpável e ponto final. E ponto final. E esta é a tecla ser infinitamente tocada. Chegando ao extremo de criarem uma ideia de autocondenação e o papel de condenar os outros com esta ideia.

[Nota: Na visão de alguns que defendem esta teologia, para eles, a morte de Jesus, a Bíblia, a História da Redenção, tem por 'principal objetivo' atestar de que 'pecado é indesculpável'. O que é uma inversão de valores. Pois, o mais óbvio é a "religião". Isto é, Deus religando o homem pecador consigo. É Deus salvando. É Deus redimindo o pecador. E ao Deus fazer isto, Ele o faz sem defender de modo algum o pecado, sem dar qualquer justificativa para tal.]

Daí, ao minimizar assim o entendimento do papel de Cristo em nossa vida. Os perfeccionistas entendem que o principal papel de Jesus é a ideia de um tipo de testemunho, ou Modelo (como eles costumam dizer), no sentido que cabe o homem tão somente imitá-Lo, isto é, escolher não pecar. Sendo que, na Bíblia, não vemos isto - não assim, não desta forma e modo enfase. Não vemos isto nos Evangelhos. Vemos Jesus, por exemplo pessoal, 'indo até o homem'. É o Emanuel, Deus Conosco. Jesus não foi o era um mero modelo. Ele era Emanuel! (tão somente esta ideia, não caberia nas páginas de Priebe). Jesus não era meramente o caminho no sentido de 'placas sinalizadoras' dizendo vire a esquerda, seguir reto, qual velocidade andar (um Jesus informativo, ou Jesus 'Manual de Instruções') e dizendo "Eu segui o caminho sem errar, você também pode, você deve.". O que melhor encontramos nos Evangelhos é Jesus se impõe como sendo 'o Caminho'. Jesus era 'o caminho' em que as placas de informações estavam colocadas; Jesus era o chão da estrada, o asfalto, Jesus era a ponte que ligava o homem com o Céu. Jesus era, em Si, 'o caminho da obediência'. Jesus era o 'todo', o pacote completo, e não apenas um modelo/exemplo para inspiração e motivação. Não há obediência fora de Cristo. Não me faz sentido idealizar qualquer ruptura/distinção em dizer "É nós copiamos Jesus (o Modelo)" ao invés de dizer que Ele é o 'caminho da obediência' a ser seguido. Há uma sutileza antropocêntrica x cristocêntrica aqui.


A Bíblia não apresenta 'o pecar' como algo indesculpável custe o que custar (mesmo sem ajuda de Deus)

Logo no início de Gênesis vemos em Gênesis 2, que o homem precisava de uma companhia auxiliando-o. Ellen G. White vai além. Ela declara que o homem não deveria se aproximar da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, nem se afastar de sua mulher. Ela também que Deus enviou anjos especialmente para orientar o casal quanto a queda de Satanás, seus planos malignos na Terra, alertando ainda mais o casal para não serem pegos de surpresa. Intervenções divinas que certamente não seriam necessárias caso o homem não necessitasse delas na vitória contra o mal.

A própria Bíblia diz que só resistimos a tentação porque Ele intervém. Deus só permite que nos sobrevenha tentação na medida que nos seja possível resistir. [E, o mais intrigante, é que Jesus diz para orarmos por isto - "não nos deixe cair em tentação". Como se houvesse ainda maior necessidade de intervenção. Por quê?] Esta simples ideia (verso) é simples em sua implicação: "Logo, se vier maior tentação que podemos resistir pecamos." Ou seja, há causa, razão, explicação, para se pecar se não fosse a intervenção de Deus. Há uma guerra, e Satanás certamente quer sair vitorioso custe o que custar. E isto está acima da mera escolha humana (o que vimos em outro texto), qual Priebe tenta recorrer a ideia de separar o pecado em natureza pecaminosa que é herdada e em caráter pecaminoso que podemos escolher no dia-dia).

Os textos abaixo deixam bem claro a ideia 
  • "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51:5)
  • "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram" (Rm 5:12)
  • "Por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação" (Rm 5:18)
Outro exemplo claro são as crianças que podem ser induzidas a cometer pecado (por ingenuidade, excesso de confiança no homem). E Jesus declara a mais terrível condenação - de toda a Bíblia - para os levarem uma criança a pecar.

Um texto chave para entendermos melhor a maravilhosa graça de Deus é o que se encontra no capítulo 2 de Efésios:

1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
2 Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
3 Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
4 Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
5 Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
6 E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
7 Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
9 Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Há alguns aspectos que este texto acima deixa claro. Não fosse a ação e intervenção de Deus, nós estaríamos/continuaríamos "mortos em ofensas e pecados".. Ou seja, não é questão de ter 'desculpa' para pecar, ou 'desculpar' um pecado. O ponto é que o homem estaria 'morto' no pecado. Haveria capacidade genuína de escolha e livre-arbítrio num 'morto'? Outro ponto que deixa muito forte o texto acima é que nós, o homem, eu e você, não fizemos absolutamente NADA, foi Jesus Cristo, que veio, interveio, e nos vivificou. O texto enfatiza, somos salvos pela graça. E isto seria de uma riqueza incompreensível. Note também que ao Cristo nos vivificar, Ele nos faz "assentar nos lugares celestiais" (v.6). E isto independente do nível de obediência do home, ou se seu caráter é impecável ou não. O v.10 diz claramente que tudo foi feito, criado, preparado (inclusive o caminho, as obras) pela divindade. É sempre a ação divina salvando o homem. E nunca, nada, não há nada que o homem possa fazer, nenhuma obra, que possa promover algum tipo de salvação [v.8-9]. Não existe nenhum tipo de meritocracia humana na Salvação. Todos os méritos são de Deus.

Dennis Priebe se confronta com este ponto da salvação pela graça de Jesus, e tenta criar um contorno. Para ele, os méritos são de Cristo, porque ele nos tira da condição inicial (C0), e então na condição recebendo a graça (C1), Ele nos dá o poder para obedecer. Dái, para Priebe, a salvação é 'operada' por nós ao exercemos este poder. E isto ocorrerá até um dia X, em nós que devemos ter alcançado uma condição C2 onde as coisas mudariam um pouco. E, se em C2, ainda estivermos como C1, então não seremos salvos. Em outras palavras, a ideia que Priebe constrói é que na prática, o que tão somente vemos e podemos fazer é a nossa 'operação/atuação na salvação' (obediência), mas que é para termos meramente num nível 'intelectual', ou 'na consciência', que é Cristo que está agindo e salvando, conforme obedecemos. Além disso, Priebe também justifica esta sua teologia como ela exaltando a Cristo (nossa obediência em si o exalta e adora). Mas no texto de Efésios acima, especialmente no v.7 temas a ideia clara que é Deus quem irá mostrar as riquezas da Sua graça - e isto independente da obediência do homem. O que o profeta Isaías deixa bem claro que não há mérito algum na obediência e obras humanas e, novamente, Isaías também considerando como Deus sendo o 'todo', nós somos meros barros nas mãos do oleiro. Não há nada o que o barro possa fazer para a própria salvação; tão somente o Oleiro.

5 Saíste ao encontro daquele que se alegrava e praticava justiça e dos que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; neles há eternidade, para que sejamos salvos?
6 Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.
7 E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniqüidades.
8 Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos.

Neste texto de Isaías 64, também vemos a declaração clara de Isaías também se considerando um homem pecador. E nada, absolutamente nada, que evoque a mais resquicial ideia de impecabilidade do homem, ou caráter perfeito segundo a teologia perfeccionista de Priebe.

Este é um assunto que precisamos estudar mais a fundo e com cautela, para evitar que incorra de cairmos em perigosos extremos do nosso entendimento. Por exemplo, Bíblia, por vezes, declara não haver pecado ou estado irreversível para Deus, não há pecador que Deus não possa salvar (Isa. 59, Salmos 104) e, por outro lado, a Bíblia diz que há 'pecado imperdoável'. (Marcos 3:28-30) Contradição? Não. Antes a necessidade de um entendimento mais amplo. Quanto a isto, apenas para aguçar os pensamentos, deixo a máxima: "Jamais devemos procurar defender ou explicar um pecado. Tão quão jamais devemos deixar de procurar defender ou explicar as boas-novas para um pecador."

E a história de Jó e Enoque?
Os perfeccionistas alegam que Jó foi o exemplo do ideal perfeccionista. Porém, entender a história de Jó e o período em que ele viveu sob as tentações cruéis de Satanás sem a intervenção de Deus é um grande erro. A Bíblia, por vezes, nos fala da Guerra Espiritual, há anjos intervindo. Há anjos acampados ao lado dos que buscam a Deus. Também havia anjos do Senhor protegendo Jó. Jó não foi deixado como Jesus na Cruz que exclamou, a verdadeira e única declaração do tipo: "Deus meu, por que me abandonaste?". O pleno abandono da divindade, Jó - como qualquer outro - não teria suportado. (Nem Jesus suportou, e morreu.)  A separação e abandono pleno e total de Deus é a ausência de vida no mínimo. No Céu, vemos claramente Deus intervindo, limitando até onde Satanás poderia ou não agir (veja que as limitações foram diferentes em tempos diferentes). Deus, provavelmente, tocara no coração de amigos para ir consolá-lo. (Mesmo que, após a semana de silêncio, não foram felizes nisto.). No fim, o próprio Deus 'se apresenta' para Jó (novamente uma intervenção das mais incomuns) e coloca a cabeça dele no lugar devido. Além disso, Jó reconheceu que era pecador, que cometeu equívocos e que falou equivocadamente. [Ver Jó 40:3-5; 42:3-6] Mas nisto, vemos também a graça e o perdão de Deus, pois Deus não creditou pecado em Jó.

Se não conseguimos ver a Graça, o Perdão, e o Plano da Salvação na vida de Jó, há algo de errado. E, se pior ainda, dizermos ou acharmos que Jó era um modelo equivalente ao de Jesus, no quesito impecabilidade, então há uma tremenda cegueira espiritual, para qual devemos repensar. A Bíblia declara de que o justo viverá pela fé. Hebreus 11 nos trás diversos exemplos dos pais da fé, e Jó não está lá. Mas Noé, que pecou após "a Porta da Graça" (para o Dilúvio) ter sido "fechada), está entre os heróis desta lista.

Jesus Cristo foi o único Cordeiro 100% imaculado, sem culpa, perfeito, impecável. Caso Jó, ou Enoque tivesse estas atribuições, eles poderiam ter tomado o papel de Cristo pela Expiação dos pecados.

Pouco a Bíblia fala sobre Enoque. Já Ellen G. White dedica um dos mais maravilhosos capítulos do livro Patriarcas e Profetas para falar do homem pré-diluviano que foi arrebatado. Alguns perfeccionista divulgam a ideia de que Enoque, por sua obediência irrepreensível, por andar com Deus, 'conquistou o direito de ser arrebatado e ir para o Céu'. O que não faz sentido. A implicação dessa meritocracia é simples: Enoque não precisou que Jesus morresse futuramente? Além disso, em geral, os perfeccionistas acreditam que todos os rituais do templo para expiação dos pecados, dentre outros, eram simbólicos. Somente se Jesus cumprisse o verdadeiro sacrifício e depois expiasse no Santuário Celestial é que tais pessoas seriam de fato, a rigor, perdoadas. E, se Jesus, não morresse, bem, as esperanças se extinguiriam. Ou seja, e Enoque, ele foi arrebatado e estava no Céu mesmo antes de Jesus derramar seu sangue e fizesse a expiação de seus pecados. E Moisés? E Elias? - Pense nisso e verás que brotará diversas perguntas e implicações estranhas, absurdas, com a ideia de que aqueles que foram arrebatados para o Céu estavam 100% perfeitos, impecáveis; ou que houve algum mérito por parte da obediência deles.

O pensamento que pode nos proteger do legalismo perfeccionista ao estudarmos a Bíblia é termos em mente que a Bíblia não diz o que o homem pode fazer se buscar a Deus, mas em como Deus busca o homem, como Deus pode promover uma vida de obediência no homem, como Deus pode transformar o homem, como Deus pode colocar o desejo no homem de buscá-Lo. Com o "como" no sentido muito mais dos testemunhos do que uma explicação descritiva.


Por fim

Há outros pontos envolvidos aqui a ser abordado nos próximos estudos. Leia atentamente os textos abaixo, para refletir e pensar quanto a coerência ou incoerência das ideias perfeccionistas de Dennis Priebe com o Espírito de Profecia:

"Muito homem brinca com o mal, julgando que o pode deixar quando lhe aprouver; mas é engodado mais e mais, até que se encontra dominado por uma vontade mais forte que a sua própria. Não pode escapar ao seu misterioso poder. [A pessoa nessa condição poderia de alguma maneira 'escolher' não pecar?]* Pecado secreto ou paixão dominante o pode reter cativo, tão impotente como se achava o endemoninhado de Cafarnaum.
Todavia, sua condição não é desesperadora. Deus não domina nossa mente sem nosso consentimento; mas toda pessoa é livre para escolher o poder que deseja domine sobre ela. Ninguém caiu tão baixo, ninguém há tão vil, que não possa encontrar libertação em Cristo. [Jesus é quem liberta. E o pecado contra o Espírito Santo?] O endemoninhado, em lugar de oração, não podia proferir senão as palavras de Satanás; porém, o silencioso apelo do seu coração foi ouvido. Nenhum grito de uma alma em necessidade, mesmo sem ser enunciado em palavras, será desatendido. Os que concordam em entrar em concerto com Deus não são deixados entregues ao poder de Satanás ou à enfermidade de sua própria natureza." (Ciencia do Bom Viver, 93)

*Há homens que caíram nesta condição. Jesus não caiu. Jesus passou pela mesma tentação que uma pessoa passou nesta condição?
"Ao contemplarmos a encarnação de Cristo, sentimo-nos desconcertados diante de um insondável mistério que a mente humana é incapaz de compreender. Quanto mais refletimos sobre isto, mais surpreendente nos parece o tema. Quão imenso é o contraste entre a divindade de Cristo e a indefesa criancinha na manjedoura de Belém! Como entender a distância entre o poderoso Deus e a desajudada criança? Pois ainda assim o Criador dos mundos, Aquele em quem habitava a plenitude da divindade, manifestou-Se como indefeso bebê na manjedoura. Mais excelso que qualquer dos anjos, igual ao Pai em dignidade e glória, vestido agora do manto da humanidade! Divindade e humanidade combinaram-se misteriosamente, pois o homem e Deus tornaram-se um. É nessa união que encontramos a esperança para nossa decaída raça."* Signs of the Times, 30 de julho de 1896."(A Verdade Sobre os Anjos, 154)

* Diante de tudo o que já foi estudado, com base neste texto acima de Ellen G. White, vemos claramente que Jesus Cristo não poderia ser como um mero homem 'pós-lapsariano', um comum humano após a queda. Jesus não foi apenas um 'Modelo' a ser copiado. Jesus era uma combinação 'misteriosa' de homem e Deus, num só. E isto é mistério. Tentativas de explicar ou adaptar como Dennis Priebe faz, pode criar diversas aberrações. Mas mais do que isso, o Cordeiro de Deus, precisava ser Deus e Homem como um só. Jesus não veio ser nosso mero Modelo - pois o Modelo sempre existiu, mesmo para Adão e Eva -, Jesus veio ser nosso Salvador, Vivificador, Transformador, Justificador, Perdoador, Transformador, Transladoador, Redentor, etc. Jesus é tudo. Jesus é a única esperança. Esqueça do homem.



Próximos estudos:

12 janeiro 2017

Como Economizar Gasolina ou Álcool (Combustível)

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Nas últimas semanas, coloquei em prova um antigo sonho: conseguir o máximo de rendimento km/L no carro. Chegou as férias de fim de ano, o trânsito ficou leve na cidade e fui para a prática. Segue os resultados desta experiência:

Modelo do carro: VW Polo 1.6 Hatch 2008 (Manual)
Rendimento Médio (Cidade e Estrada): 8 Km/L Álcool / 11,2 - 12,6 Km/L Gasolina.


Resultados da Experiência
Teste1
Trajeto: Santo André -- Itanhaem -- Santo André -- São Paulo (com trânsito severo na súbida da serra)
Distância Total: 275 Km
Consumo Total: 30 L (Álcool)
Rendimento: 9,16 Km/L
Ganho: +14,6%

Teste2
Trajeto: Santo André -- São Paulo -- Hortolândia -- São Paulo -- Santo André -- São Paulo (poucos trechos de trânsito severo)
Distância Total: 425 Km
Consumo Total: 42 L (Álcool)
Rendimento: 10,2 Km/L
Ganho: +26,5%

Aumento Médio de Tempo de Deslocamento: 30-40%.

A Técnica
Por já dirigir este carro há anos e ter feito os mesmos trajetos diversas vezes acabei por obter 2 pontos essenciais que precisamos dominar:
  • a relação motor-câmbio-embreagem-giro-aceleração-velocidade-freio;
  • e rotas-relevo-buracos-semáforos-tempo de espera-lombadas.

A ideia diretora é bem simples: "Como fazer o trajeto, no tempo mais rápido possível, acelerando o mínimo possível em baixa rotação e ter que diminuir ou parar o minimo possível." Ou seja, como desenvolver e manter uma inércia o mais otimizado possível. O que desenvolvi principalmente ao pedalar muito (bicicleta). Se o leitor andar bastante de bicicleta, vai sentir naturalmente que com o tempo irá otimizar esta técnica de modo a buscar reduzir cada vez mais o esforço e buscar o sempre 'os melhores caminhos' para tal e, se possível, num menor tempo.

Táticas usadas:
  • câmbio manual;
  • antecipar/planejar mentalmente todos os seus próximos movimentos até a próxima acelerada e 'inércia';
  • reduções na embreagem, ou curtas freadas, para chegar num semáforo quando abrir para o verde, na 2a ou 3a marcha e acima de 15 km/h;
  • não forçar aceleradas;
  • buscar manter pelo menos na 3a marcha nas mínimas;
  • não acelerar/aumentar a velocidade acelerando nas descidas longas;
  • se observar lombada a frente, não acelerar mais, mas deixar a inércia e reduzindo aos poucos até chegar na lombada e retomar sempre de 2a (se não for subida);
  • se parar na subida, sempre segurar e sair no freio de mão;
  • nas "descidas" (principal fator para uma região montanhosa) acelerar bem para já entrar com velocidade na subida a frente para não ter que acelerar ou acelerar o mínimo possível na subida (deixar inércia, mas tentar manter uma rotação baixa se cair muito);
  • em caminhos de descida, deixar a inércia e gravidade comandar; às vezes, até acelerar antes ou início da descida para pegar velocidade e depois deixar indo, controlando na embreagem/câmbio (com pequenas aceleradas para manter velocidade), e deixar indo, até chegar uns 30-40 km/h até voltar a acelerar;
  • fugir dos horários de pico e trânsito a todo custo;
  • nos semáforos longos (que você sabe que demora mais de 30s) e que você pegou ao entrar no vermelho, desligue o carro; [o mesmo vale para filas de trânsito que você percebe que irá demorar para andar.]
  • buscar por caminhos com mínimo de semáforos, lombadas e valas possível;
  • buscar uma rota de subidas rápidas e curtas, mas de trajeto predominante de descida (com este mais longo);
  • em alguns momentos desengate (na banguela), principalmente para ultrapassar cristas de morros, lombadas e valas. Ou, na subida, quando se está chegando numa lombada ou semáforo; [na descida ou trechos retos, o recomendado é sempre estar engatado.];
  • Ter o mantra de que: "Frear significa que você precisou eliminar uma energia em excesso. E energia vem da combustão de combustível ou gravidade. Quanto menos frear, menos combustível está jogando fora."
Ao se fazer estas dicas, você verá como as lombadas e valetas se tornam especialmente irritantes.

'Economia' Entre Aspas
O leitor tem que estar consciente de algumas coisas:
  • Se você trabalhou vários meses seguidos e pegou 2 dias para folgar e irá realizar uma longa viagem de 5 horas para ir e mais 5 horas para voltar. Aumentando em 40% o tempo de deslocamento para economizar; não faz sentido aumentar em quase +4h seu tempo total de viagem (ida+volta), a menos se seu objetivo no fim de semana era 'curtir uma estrada'. Se seu objetivo é render seu tempo com outras atividades e gastos, é melhor otimizar para tentar diminuir o tempo do percurso.
  • Quanto vale sua hora? Se você tem um salário fixo, você pode fazer a simples conta: Salário dividido por horas trabalhas. E você tem o valor da sua hora. Exemplo: Salário de R$ 4.000, Horas Trabalhadas = 200horas --> 4000/200 = 20 Reais/Hora. Ou seja, se a sua economia de combustivel não te lhe render algo que compense 20 Reias/Hora, você perdeu tempo e dinheiro.
  • Outra métrica é calcular a hora do seu dia total. Ou seja, se seu salário é de 4000. Num mês de 30 dias, cada hora sua vale: R$ 5,55/hora. Ou seja, se você dormir 8 horas por dia, você consumiu R$ 1.333,33 dormindo.
  • A métrica que mais gosto é a que mensura suas horas úteis, ou seja, o período médio de 14 horas (se for bem otimizado). Se você ganha 4000, sua hora útil vale R$ 8,33.
Estas métricas são importantes para você ter a seguinte noção: "Quanto tempo tive que trabalhar para poder usufruir deste tempo/horas?"

Como avaliar?
Se você rodar 500 KM num modo mais econômico que te fez economizar 25% de combustível (como a façanha que consegui), mas que te fez gastar 8 horas a mais de tempo no total. Então é simples a conta:
Economia com Combustível em 500km = R$ 24,81
Gasto de Horas Úteis A Mais nos 500km = 8h x R$ 8,33 = 66,64

Saldo = R$ -41,83 (saiu no prejuízo: perdeu tempo e dinheiro).

No mesmo caso, se você ganhar 1000 de salário. Sua hora útil = R$ 2,08


Saldo = R$ +8,14 (conseguiu economizar dinheiro)


Fazendo este tipo de conta, fica mais fácil entender porque grandes empresários e pessoas ricas, 'investem' em avião particular, helicópteros, estadias em hotéis etc. Pois o tempo útil deles vale muito mais do que estes custos extras para aumentar sua economia de tempo.

07 janeiro 2017

Perfeição de Caráter, Perfeccionismo: Caráter Perfeito

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No estudo anterior, conversamos um pouco sobre a Natureza Pecaminosa. Agora iremos avançar para um dos temas ou pontos mais polêmicos. Antes uma nota especial para contextualizar.


Nota Introdutória

A Teologia do Perfeccionismo prega algo que praticamente todas denominações religiosas pregam: 'o cristão deve buscar/produzir/viver um caráter perfeito como o de Cristo'. Até aí tudo bem. O grande problema em que surge infindáveis discussões se decorre quanto as definições/conotações, o entorno, aplicação e desenvolvimento das seguintes perguntas:

  • O que é caráter?
  • O que é perfeito?
  • O que é 'caráter perfeito'?
  • Como era o caráter perfeito de Cristo?
  • Como buscamos isto?
  • Como obtemos isto?
Eu acrescentaria uma outra pergunta, que em nenhum momento observei ninguém fazendo:
  • Até onde devemos nos preocupar com isto?
No decorrer da História Cristã, desde os anos 400 d.C, e olha lá, já surgiam cristãos influentes com uma resposta para estas perguntas, do tipo (1, 3, 5, 8, 1, 3) e então desenvolviam uma teologia em cima disso e saia em ensinando. Foram, através desta, dentre outras, respostas - como (2, 0, 3, 2, 9, 9) - que se introduziu várias ideias e heresias absurdas da fé cristã.

O principal componente das teologias consideradas perfeccionista é a sua semelhança/aproximação com o Legalismo dos escribas e fariseus. Isto não quer dizer que concorde com as coisas que tais diziam que o homem devia fazer. Mas concordavam com os escribas e fariseus quanto a ideia mais primordial do tipo: "O que eu devo fazer para ser salvo?", "Que ações, atos, obras, posso fazer para ser salvo?". Ou seja, há sempre um certo tipo de apelo, ou reconhecimento, ou tendência no homem olhar para si mesmo como um instrumento ou operador da própria salvação. O lado da Graça, a ação de Jesus, tem quase que um sentido de 'segundo plano', ou algo no tipo: "Deus te dá força e os recursos para trabalhar e conseguir isso. Então agora faça. É com você. É sua parte."

Quando comecemos a mergulhar o pensamento nesta esfera de pensamento, não é difícil entender como que a Igreja Primitiva, séculos depois, pregava a Venda de Indulgências, a Autoflagelação, u mesmo '20 aves Maria' para um pecado ser perdoado, dentre diversos outros tipos de salvação pelas obras. Também, nos lança um olhar para observar como a Igreja Católica estava profundamente mergulhada em concepções legalistas; de modo que foi totalmente chocante as Teses de Lutero sobre Justificação Pela Fé.


Fé e Obras

Ainda assim, séculos após, nos dias de hoje, ainda há muitos que creem que fé e obras, dão na mesma. Pois, afinal, não conseguem 'ver' a Fé, mas conseguem ver 'as obras'... então acabam dando a credibilidade de que a única maneira de se garantir que você está exercendo a fé é através do reconhecimento das obras. Uma evidente distorção das palavras de Tiago em que primeiro deixou por expresso que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, e que somos salvos pela fé e não pela obras. Mas deixou como um adentro de que a fé sem obras é morta.

A melhor analogia que imaginei para isso é um Nadador. A Fé faz de você um nadador. Você é um nadador. Inclusive quando não está nadando. O que Tiago quis dizer é que se você é um nadador, mas há 50 anos não entrou numa piscina... tem alguma coisa de errado. Será que você realmente é num Nadador? Os Perfeccionistas/Legalistas colocam então que, o único modo de saber e garantir isso é procurar estar sempre nadando, e cada vez nadando mais perfeitamente.

Uma adição a isto é que alguns perfeccionistas - descobri que não são todos - que seguem uma linha de pensamento mais arminiana acreditam que só conseguimos Nadar porque na verdade Deus coloca boias especiais em nós, assim como Jesus colocou nos pés de Pedro, impedindo-o de afundar. Mas que nós devemos desenvolver nossas habilidades natatórias até chegar ao ponto de não precisar mais destas boias especiais, nós não mais afundamos por conta própria.

Isto é uma simples ilustração cheia de poréns. Mas serve de start nesta conversa.


O que é caráter?

Aqui está um o primeiro problema. A Bíblia não tem uma resposta. Em nenhum lugar da Bíblia encontramos um texto dizendo: "caráter [dois pontos] é". Na verdade, uma investigação mais aprofundada mostrará que muitos textos que hoje são traduzidos com a palavra 'caráter', nas línguas raízes usava-se outras palavras, ou junções de palavras. Ou por vezes, havia mais de uma palavras que trazia esta ideia usado em contextos diferentes. Os gregos introduziram muitas ideias profundas sobre a ideia de caráter que hoje o Ocidente mais se desenvolveu em cima. Como 'caráter' sendo algo no entorno da ideia de 'característica'. Mais profundo ainda, como algo 'gravado', 'qualidade que define', 'símbolo da alma'.

Fazendo uma super simplificação aqui, vamos definir caráter como 'uma marca da qualidade dos seus pensamentos, ações e gestos'. É ainda assim, uma definição tremendamente errada ao meu ver. Há diversos autores que fazem as suas definições.

Segundo o livro Face to Face With the Real Gospel (Face a Face com o Verdadeiro Evangelho) de Dennis E. Priebe, que estou usando (como nos demais estudos), como um tipo de referência para uma das linhas de pnesamento perfeccionista... caráter é definido como um Escolhedor. Isto é, se você escolher fazer A ou B, ou se você escolhe não fazer A nem B, ou escolher fazer A e B. É basicamente isto. Daí, as consequências naturais desta definição puramente axiomática é:
  • Se Escolhedor escolhe algo que é errado/pecado, então Caráter = Falho;
  • Se Escolhedor escolhe algo que é certo então Caráter = Correto.
Apesar da palavra 'caráter' na maioria das linhas perfeccionistas não ser a palavra ou o ponto em questão, estou falando dela, por ser o grande ponto polêmico no caso dos grupos adventistas envolvidos com esta linha de teologia. Pois tais se deparam com esta problemática frequentemente nos escritos de Ellen G. White por esta usar - como um vício de linguagem - a palavra caráter frequentemente, para descrever muitas coisas e com diversas conotações. Na maioria das vezes, num sentido semelhante com Moral.

E aqui questiono o leitor. O que é caráter? Escreva com as suas próprias palavras.
Ai vai uma ajudinha (ou para atrapalhar), segue uma lista do site Sinônimos:
  1. Traços psicológicos: índole, temperamento, natureza, personalidade, feitio, gênio, jeito, característica, compleição, fibra, entranhas, têmpera.
  2. Qualidade específica: especificidade, peculiaridade, particularidade, cunho, marca, traço, distintivo, individualidade, especialidade, originalidade, qualidade, feição, atributo, propriedade, jaez, sabor.
  3. Firmeza moral: hombridade, honestidade, dignidade, integridade, probidade, honradez, respeitabilidade, retidão, seriedade, decência, decoro, presença, firmeza, determinação, resolução.
  4. Caráter tipográfico: sinal, letra, caracteres, tipo, bloco, figura, número.
Bem, veja que provavelmente, a maioria dos usos que queremos usar gira em torno de algum tipo de arranjo entre as ideias 1, 2 e 3. (que já são muitas... uma combinação matemática destes números de ideias, nos trariam milhares de significados únicos). Mas então, como avaliar os usos mais 'gerais' e 'primordiais' usados por Ellen G. White? Ou seja, o que, geralmente, na maioria das vezes, Ellen G. White, tinha em mente, quando usava a palavra 'caráter'? Fiz uma longa busca, e este foi a melhor resposta que encontrei do que seria mais próximo de uma definição que ela usa para 'caráter':

"... o caráter se revela não por boas ou más ações ocasionais, mas pela tendência das palavras e atos costumeiros" Ellen G. White, Caminho a Cristo, 57,


Caráter = Vetor 'Diretor'

Vetor diretor é uma ideia matemática desenvolvida principalmente por René Descartes. Até então, o homem (incluindo matemático), apenas conseguiam conceber o mundo a partir de uma Geometria Cartesiana, entrelaçada as ideias mais elementares de Euclides, encontrados numa das mais famosas obras do mundo, que só concorre com a Bíblia: Os Elementos, de Euclides. Escrita em torno de 300 A.C. Até então, um Ponto A era descrito como a combinação cartesiana das referências (x, y, z) = (0, 1, 5) por exemplo. Com o Vetor, a história muda. Não estamos mais limitados apenas a esta concepção geométrica que apenas nos remete a ideia de um tabuleiro de xadrez. O vetor, conseguimos referenciar o ponto, e não só isso, mas saber o seu 'tamanho' (norma), direção e sentido. Ou seja é um tipo de 'objeto orientado'.



O gráfico acima seria uma representação visual de um vetor do Ponto A, definido pelas referências (a, b) ou (x, y). Repare que ele tem uma um tamanho grande em laranja, uma orientação na diagonal e apontando para nordeste.

Esta ideia de vetor, é amplamente usado na Matemática e suas ferramentas. Logo também é usado por muitas ciências, como no exemplo abaixo.


Matematicamente, vetor diretor tem uma outra ideia da que irei introduzir agora. Pensemos no vetor diretor como um vetor que manda na coisa. Ou seja, no mapa acima, se você colocar uma bexiga num ponto A, onde essa bexiga irá parar? Trace uma linha reta entre o ponto A e este ponto X, esta trajetória ou orientação, ou que na matemática seria a soma resultante dos vetores, ou vetor resultante, seria o que chamo de Vetor Diretor. 

No texto acima, Ellen G. White declara uma ideia semelhante. O caráter é como um Vetor Diretor. O caráter não é julgado/avaliado/caracterizado pelas variações, ou por ir mais para um lado, depois mais para o outro. Mas para o resultado final para onde está indo.
Veja, o mapa abaixo da travessia que Amir Klink:


Amir Klink viajou de Luderitz (Namíbia) até Salvador (Bahia). O Vetor Diretor no caso seria a flecha rosa enorme. Mas o caminho que ele de fato fez foi o de linha vermelha. Ou seja, ele deu uma enorme volta. Mas, no caso era o melhor caminho por n motivos (alguns até geométricos, devido a planificação do Globo).

O que Ellen G. White quis dizer em suma no texto acima é que, um olhar simplório e legalista, olharia para Amir Klink logo nos primeiros quilômetros e diria: "Amir, você está indo para direção errada. Você está cometendo um grande erro." E, logo, julgaria que "Este cara tem um péssimo caráter. Vive insistindo em ir para outra direção." Não devemos olhar com estes mesmos olhos de quem olha o exterior das pessoas e quer apontar o dedo julgá-la. Devemos olhar para o Vetor Diretor que está sendo formado com o passar do tempo. E, sobretudo, o final. E repare que, se tentarmos ser precoces e avaliar os vetores intermediários - durante o caminho - em verde claro, julgaríamos pior ainda. Diríamos que o caráter de Amir Klink não é um direcionado para Salvador na Bahia, mas para New York, nos EUA.

Ainda mais, a curva/trajetória que cada um de nós fazemos na nossa caminhada espiritual é distinta e diferente uma do outro. Jesus é o nosso maior Vetor Diretor que buscamos seguir e nos orientar. Mas a rota, na pratica, nunca é como imaginávamos que de fato seria. Sempre há alguns 'desvios'.

Agora, observando novamente o trajeto de Amir Klink, como uma analogia ao caráter de uma pessoa pergunto: Amir Klink fez um trajeto perfeito?


Caráter Perfeito

Alguns, erroneamente, diriam que Amir Klink apenas obteve um caráter perfeito ao chegar em Salvador-BA. Quando de fato surge o Vetor Diretor rosa gigante. Mas a grande verdade, no sentido espiritual que encontramos na Bíblia e no Espírito Profecia. É que em todo o momento deste caminho, ou pelo menos na maior parte dele, foi perfeito.

Se você ler o livro dele, verá que de fato houve diversas vezes que ele cometeu vários erros. E quase morreu algumas vezes. Ou arrastou um trator, ao invés de surfar pelas ondas, por ter negligenciado uma limpeza do casco. E até se desviou um pouco da rota uma vez ou outra; e houve dias que nem conseguiu levantar da cama, ou, devidos as condições exteriores, não ter condição alguma de fazer coisa alguma, nem mesmo medir e saber onde estava precisamente; ou para onde estava indo. Por vezes, teve que esperar dias para saber qual estava sendo seu 'vetor diretor', se estava mantendo a direção certa, ou próximo dela, ou se afastando muito. E a conta matemática é simples, se a soma de todos os vetores não for perfeita, não adianta, ele não teria parado em Salvador na Bahia por nada.

Outro ponto importante sobre perfeição de caráter seria esta 'navegação'. O Legalismo e Perfeccionismo diz que Deus te dá braços super musculosos para atravessar o mar. Isto eles chamam de fé, ou o poder concedido pela graça. E você tem este poder de em cada escolha remar rumo a Salvador (o nome foi proposital). Pois Jesus é apenas o Modelo, a direção que você deve seguir... tem uma trilha de sangue no mar, que basta seguir o Modelo que você chega lá. E na visão legalista, resumidamente é isto. Um dia você chega lá. Contanto que não vacile em usar o barco, os remos e os braços que Jesus te deu.

Obs: Algumas linhas de Perfeccionismo diz que Jesus também vai te perdoando no caminho. Isto é, apenas apagando seu trajeto errado no passado, para depois não te acusar/dizer/cobrar: "Olha você errou aquele caminho. Não merece estar aqui."

Quando na verdade. A História é muito diferente. No modelo mais profundo que encontramos na Bíblia e no Espírito de Profecia, Jesus é quem constrói o barco. Jesus é quem te coloca no barco. Jesus é quem te faz flutuar. Jesus é quem põe os remos nas suas mãos. Jesus é quem te faz remar. Jesus é quem cuida e promove a sua direção. E, muito mais do que isso. Amir Klink escolheu este trajeto vermelho, sobretudo por um motivo bem especial: "Se fosse depender dos seus braços e remadas. Ele nunca chegaria no Brasil." Seria impossível. Ele precisou sobretudo das marés.

Foi a maré que levou Amir da África até o Brasil.O trabalho que o braço dele foi sobretudo para se manter alinhado devidamente com as marés, ou incrementando um tanto X de velocidade. Pois, afinal, mesmo que ele ficasse o dia todo remando, uma hora cansaria e precisaria dormir por diversas horas. O que seria o suficiente para todo o trabalho ser em vão. Do mesmo modo, Jesus também é a maré que nos leva da África até Salvador. Mais do que isso, Ele governa os mares.

Mesmo que às vezes por 'indisposição espiritual' nossa deixemos de remar como Ele instruiu. Ele tem infinitos modos de corrigir isto, o percurso, sem o menor esforço. Isto mesmo, os méritos de você chegar até o destino são absolutamente de Jesus. Nenhuma remada sua tem nenhum tipo de mérito. 


Por que alguns não alcançam Salvador?

Ao mesmo tempo, há um enorme Cruzeiro, cheias de mulheres lindas e peladas, com música alta, com a melhor comida e música navegando ao lado de Amir. E o capitão do navio: "Larga disso Amir. Vem aqui pro meu navio. É muito mais divertido. E eu te levo sem você se preocupar para os melhores portos e águas deste mundo." Bem, há muitos Amirs que desistem do pequeno barco a remo, e dos dias e dias de remadas. Ou, por vezes, o capitão do navio, ou até mesmo outros remadores, ficam criticando, acusando, e infernizando tanto a vida de Amir, que num momento de raiva ou depressão ele acaba escolhendo desistir. Ou as vezes, tenta remar devolta para Luderitz (África); e só consegue voltar, não pelo próprio esforço e remadas. Mas porque Jesus o permite de exercer sua escolha e dá a ordem para a Maré (ok... ele insiste que quer voltar para lá) parar. E aí vem o capitão do navio e dá uma carona para ele para Luderitz.

É apenas uma analogia. Mas pense bem nisso. E nas ideias aqui. E compare com as ideias perfeccionistas. Veja que há grande teor de legalismo nelas.

Reparei que uma das maiores indagações/preocupações de algumas das pessoas que seguem esta linha de pensamento teológico são ansiedades e perguntas do tipo:

  • Como sei que estou a salvo?
  • Como sei que estarei entre os que chegarão a Salvador?
  • Como posso saber que não sou um dos que não chegaram em Salvador?
  • Como diferenciar o Joio do Trigo?
  • Como sei se o outro está andando em pecado ou em conformidade com a Lei?
  • Como sei se sou santo?
  • Como sei se meu caráter está perfeito?
  • Reproduzi o caráter de Cristo em minha vida?
A ansiedade se torna tamanha, e a "?" é tão forte e visível em suas mentes. Que a única coisa que consegue lhes sustentar é confessarem para si mesmo infinitas vezes: "Isto sim é perfeição cristão. Eu estou sendo perfeito.", "Ainda não sou perfeito. Mas estou no caminho. To chegando lá. Uma hora chego.", e para isto, tem que ficar sempre se confirmando "Esta teologia é verdadeira. Eu estou certo. 'Eles' estão errados. Estou cooperando com Deus para que através da graça de Jesus e das minhas boas obras que Ele está promovendo através de mim, eu serei salvo.", "Eu sim. Eles não.", Eu estou certo. Eles errado."

Com o tempo, isto vai se tornando tão estressante e desgastante, que a coisa muda de categoria. O perfeccionista começa a dizer a si mesmo: "Isto só pode estar certo. Tem que estar certo.", "Não é possível que estou me sacrificando tanto a toa. Não. Deus há de compensar. De aceitar meu esforço.". O tempo continua passando, e a pessoa chega num dos piores níveis, ela não tolerá que ninguém ouse questionar o que ela está fazendo e vivendo. As respostas e explicações passam a ser cada vez mais curtas, diretas, até mesmo 'ríspidas', intolerantes. Passam a acusar 'os outros'. Ou seja, precisam provar para si mesmo que a outra religião é que está errada, que a crença dos outros é que está errada. Que os outros é que estão no caminho errado. Que a igreja dos outros é que 'adulterou', se desviou. Passa a quase que conviver tão somente com pessoas ou linha de pessoas com a mesma crença... só aceita conversar com elas... se encorajam a acreditar que estão fazendo a coisa certa. Precisam insistir tanto, de modo que temas perfeccionistas como: 'caráter perfeito', 'natureza pecaminosa', 'natureza de Jesus', 'vencer pecados', 'impecabilidade', 'tenho que estar assim e assado para ser salvo', 'texto 1', 'texto 2' e texto 3'.... passam a ser quase que 99% do que eles falam, do que pensam, do que falam e refalam para os outros. É quase que um teclado de 1 tecla só. Sendo que a Bíblia e o Espirito de Profecia, numa simples contabilidade, não desprende nem 10% nestes temas.. que por vezes ficam quase esquecidos.


Uma Norma Ainda Mais Elevada de Perfeição

Eu tive uma grande surpresa quando reparei que o que os perfeccionistas modernas alegam é uma norma muito baixa de perfeição. Diferente de algumas outras teologias passadas, eles adaptaram ao perceber que 'algumas coisas' não dá para vencer. Então fizeram uma separação, de modo que quase que dizem: "O que, aqui e agora, eu consigo mentalmente dizer com 100% de confiança: isso é errado e não vou fazer." Então isto sim é a perfeição que me cabe. O resto é resto. O resto é "natureza pecaminosa", é algo sobre qual não tenho controle, não tenho o que pensar, decidir, escolher, discernir, então não me cabe responsabilidade nem culpa alguma. Me pareceu muito 'conveniente'.

Além disso, muitos deles buscaram se isolar socialmente de alguma maneira. Alguns até mesmo foram para um campo, por motivos estranhos, pois parece que buscam 'distanciamento social', 'das pessoas e mundo caido', ou buscando algum tipo de alienação. Para que, assim, sejam cada vez o minimo afetadas possíveis pelas variáveis exteriores; e possam controlar cada vez mais seu 'pequeno conjunto de parâmetros' e coisas. Com uma preocupação primária de que "Assim é possível aperfeiçoar mais meu caráter. É quase impossível naquela loucura urbana, com um monte de gente interferindo e trazendo problemas novos o tempo todo." [quase que escapa uma declaração contraditória a ideia que podem ser perfeitos tanto no meio da Praça da Sé no rush, quanto no meio dos pinguins da Geórgia.

É muito estranho. Este tipo de isolamento, parece produzir efeitos de narcisismo, de algum tipo de centrismo tão forte em si mesmo. Uma preocupação tão intensa na própria vida, na própria salvação, que me soa muito estranho.

A concepção de caráter perfeito como um conjunto minimizado de restrições e obrigações voltadas para 'promoção' (em algum aspecto) da própria salvação me parece uma ideia muito 'pequena'. Quando vejo os heróis da fé, na Bíblia, em Hebreus 11, vejo um contraste. Vejo acima de tudo, bravura. Pessoas não fugindo da luta. Não focadas em si. Não temendo se vão ou não pecar. Mas foram pessoas que foram lá e fizeram. No meu ver, as maiores características de caráter perfeito claramente indicados na Bíblia, não são as restrições, proibições, os 'não's... , e, mais longe de tudo, a ideia de 'não pequei hoje'. Antes, são as palavras do próprio Jesus que diz:
  • "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" João 13:35
  • "Não existe maior amor do que este: de alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos." João 15:13
E veja o que Moisés disse:
  • "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito." Êxodo 32:32
Uma coisa é um crente, cristão, dar a vida para salvar um amigo ímpio, pensando, ou com fé que mesmo morrendo agora, ressuscitará ainda para a vida eterna junto deste amigo, quem sabe. Outra coisa é o que Moisés fez. Moisés explicitamente rogou e pediu para Deus que trocasse a sua vida eterna para que aquele povo ímpio e idólatra sobrevivesse.

Podem me dizer o que for. Esta para mim é a maior norma de perfeição que eu conheço em toda as Escrituras. É quando tiramos os olhos do 'eu'. No se 'eu' sei se estou salvo ou perfeito ou não. Se serei salvo ou se estarei entre os salvos. É tirar os olhos em querer saber distinguir quem serão os que não escolherão a vida eterna. É esquecer totalmente desta história de justiça própria, impecabilidade, se ainda tenho ou não algum pecado. Ou qualquer tipo de pensamento e preocupação legalista/farisaica, pensando nas minhas ações e no meu estado e situação no cartório. É literalmente esquecer do 'eu' e deixar de me preocupar com ele. É o tanto faz se serei ou não salvo. Sim, sobretudo, é ter um coração profundamente apaixonado pelo próximo, olhando para Cristo, fazendo de tudo para salvá-los... oferecendo até a própria vida eterna se for possível no lugar. Independente se o outro acredita ou não, ou se o outro faz coisas que abomino. Eu, particularmente, vejo como o maior exemplo e lição, na Palavra de Deus, de perfeição de caráter, do caráter de Cristo, nesta passagem de Êxodo 32:32. É a plena misericórdia pelo próximo. O 'eu' (inclusive o 'meu caráter')... espero nem pensar nessas palavras.

Pense nisso.
Pense profundamente nisso.


O Oposto do Caráter Perfeito

Quando descobri que não há uma única doutrina sobre perfeição de caráter, percebi que não poderia me basear única no livro do Priebe para entender o que pensam. E sai perguntando para todas as pessoas que conheço que compartilham deste tipo de pensamento. E fui perguntando e perguntando. A fim de entender profundamente o que pensam.
Bem, para a minha surpresa, alguns deles ficaram irritados de eu fazer tantas perguntas. Sobretudo as perguntas de como eles lidavam com as implicações de suas afirmações [talvez porque não pensaram até eu ter perguntado].
Um certo rapaz, no meio das perguntas, disse em certo momento [sem eu ter falado nada sobre isso]: "Se não existe perfeição de caráter, como poderei distinguir que serão os falsos crentes que irão sofrer a morte eterna e os salvos?" [Repare no tipo de preocupação que saiu espontaneamente da boca. E afirmo que não estava no contexto da conversa.]

Daí eu respondi com o texto de João 13:35 e colocando que no meu ver, uma pessoa com tal caráter perfeito não irá se preocupar primeiramente se será salva ou não. Não vai dar muita bola para isso. Mas antes se preocupará mais com que o outro, o próximo seja salvo. Nem que isto custe a própria salvação. Em seguida, tal respondeu que para ele não fazia o menor sentido isto. Não faz sentido uma pessoa querer deixar de ser salva. [Pense nisso.] Após, lembrei-o deste caso de Moisés. Ele não mais se manifestou a respeito e apagou sua resposta anterior.

Em outro momento, durante as centenas de perguntas. A pessoa quase fez uma afirmação escancarada de legalismo. Então apenas fiz uma pergunta para entender mais precisamente a resposta dele. Bem, e não respondeu mais [talvez percebeu que não saberia responder sem usar de ideias legalista.] E, outra pessoa, que devia estar acompanhando a conversa, solta, do nada, um texto 'agressivo', 'impaciente' e 'acusador' a minha pessoa - implicitamente. Afirmo que em nenhum momento disse que eles estavam errados. Apenas questionava e pergunta sobre o que eles diziam. [Ok, um pouco de método socrático.] Veja:


Não estou aqui para acusá-los, muito menos expô-los (até censurei a id), não disse nem digo a que movimento pertencem; apenas digo que são dissidentes adventistas do sétimo dia, na linha de frente da propagação de ideais perfeccionistas pela internet e de combate aos pré-lapsarianos e adventistas institucionais.

Coloco isto para o leitor meditar e pensar. Tire as próprias conclusões. Questione-se a si mesmo. Eu gosto de fazer perguntas, recomendo que também faça perguntas sinceras para si e suas crenças. E espero que possa ter entendido um pouco mais sobre o que é, e o que não é caráter perfeito. E recomendo buscar, sobretudo na Bíblia, as respostas.

Sei que todos argumentos são insuficientes; pois depende da disposição do leitor. Se posso dar um conselho: Sai dessa. Tente ver o outro lado da moeda e depois compare.
Abra a sua Bíblia, deixe um pouco os livros de Ellen G. White de lado; faça uma profunda avaliação de si, dessas crenças, se se sustentam na Palavra, e nos frutos que estão sendo produzidos na vida dos outros e no seu amor e ação pelos 'ímpios'.
Leia os artigos abaixo. São excelentes!

Abraços.


Indicações Extras (Artigos de alto nível)







Próximos estudos:

13 dezembro 2016

Perfeição de Caráter, Perfeccionismo: A Natureza Pecaminosa

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Dando continuidade a análise bem franca que faço sem me levar por ninguém (na verdade, até agora, apenas conversei este assunto com minha noiva), por pesquisas, estudos e reflexões pessoais. Conversaremos sobre a questão da Natureza Pecaminosa Humana.

Vou-me basear nas ideias do Dennis E. Priebe (do Pacific Union Conferecen, Amazing Facts com mestrado em teologia na Andrews University) expressas no seu livro Face to Face With The Real Gospel ("Face a Face Com o Verdadeiro Evangelho") que ganhei do meu simpático amigo Mauro Carnassale - quando pude conhecer sua casa que é um verdadeiro refugio de muita paz e reflexão. Por que este livro? Bem, creio que ele resume bem o ponto de vista e as bases teológicas desta questão mais 'perfeccionista' sobre o caráter, digamos assim.

Antes deixo por expresso que não estou apresentando "o que eu acredito", ou "como eu explico isto", apenas estou avaliando e questionando esta ideia apresentada pelo Perfeccionismo e pelo Priebe. Ao mesmo tempo, não estou acusando-o de mentiroso, tampouco querendo inferiorizar de algum modo ele com relação a mim. Apenas estou raciocinando o que ele falou e sua ideia. Para mim, seria um momento muito gostoso e amistoso poder sentar com ele um dia para conversar sobre isso; quem dera, pudesse eu contribuir para seu entendimento.


Pontos Centrais
Existem alguns pontos centrais neste livro, alguns irei tratar posteriormente em outros post. Um dos pontos centrais e principais. (Digo que é muito mais do que 'apenas importante', é essencial.) Esta linha de raciocínio tem por fundamento a ideia de fazer uma distinção entre três coisas:
  • Natureza pecaminosa
  • Caráter pecaminoso
  • Perfeição absoluta
Na página 86 há um diagrama que diz basicamente que:
  1. todo ser humano nasce com uma natureza pecaminosa e esta é imutável, não está no nosso controle, não há decisões humanas nesta área e que ela só vai ser mudada na Segunda Vinda de Jesus, quando, num abrir e piscar de olhos [Uma referência, não escrita no livro, à 1 Coríntios 15:51-53] será removido esta natureza pecaminosa e passaremos a ter uma natureza perfeita, isto é, uma natureza impecável;
  2. separadamente, existe as nossas "escolhas". Toda vez que escolhemos pelo pecado, somos culpados, e nosso caráter não é perfeito. Nas entrelinhas, diz que o verbo 'escolher' e seus primos são o nosso caráter. E que na primeira vinda de Jesus, em sua morte na Cruz, Jesus venceu esta condição [a do caráter/escolha]. Ou seja, como isto lida diretamente com o nosso 'poder de escolha/decisão', então simplesmente podemos não escolher pecar. Mais do que isso. Um verdadeiro cristão, que submeteu a sua vontade a Jesus, vai submeter sua vontade/escolha à Jesus. Logo, passa a ter um caráter perfeito, isto é, impecável. Jamais pecará.
  3. Deus possui um outro tipo de perfeição. O que, no livro, Priebe chama de Perfeição Absoluta. A ideia é dizer que os anjos (por exemplo) não possuem esta perfeição absoluta, pois, Lúcifer pecou. Ou seja, seria como dizer que Deus é o único que em hipótese alguma é puramente impecável.
Esta é uma síntese. Todo o restante praticamente decorre destes 'axiomas' ou 'premissas' (como preferir).

Se o Priebe está fazendo grandes definições e especulações nestas afirmações e definições explícitas e nas entrelinhas, com certeza. Mas, por sua vez, ele aplica vários recortes dos textos de Ellen G. White e alguns textos da Bíblia que parecem se encaixar com estas ideias. Não será meu objetivo 'rebater' estes textos, mas sim, propor outras perguntas, análises, implicações, consequências para com estas afirmações que talvez, Priebe entre outros não consideraram ou desconheciam. O leitor, com isso, poderá ter um contra-ponto para fazer seus próprios questionamentos e chegar nas próprias conclusões.


1. A Natureza Humana e 1 Coríntios 15:51-53
Paulo, na carta aos Coríntios, é explicito em dizer que no evento final da Volta de Jesus e pouco antes da transladação dos santos teremos nossos corpos transformados. Todavia, chamo a atenção do leitor para que leia com pura atenção, 'sem vícios' este trecho da Bíblia e responda: Onde que diz que a 'natureza pecaminosa' é quem será transformada, removida? Por uma natureza perfeita? O leitor irá reparar que a única coisa que o texto deixa explicito é que o nosso corpo passará por uma transformação no sentido de se vestir de saúde plena, sem mais uma trajetória de morte, passará a ser um corpo  "revestido de imortalidade". Nada diz sobre a natureza pecaminosa.

O que seria a natureza pecaminosa que Priebe diz que perderemos na Segunda Volta de Jesus?
"A segunda definição de perfeição é a perfeição de natureza. Nossa natureza pecaminosa será removida apenas na segunda vinda de Cristo, pois após esse grande evento não haverá mais incitamentos pecaminosos provindos do íntimo. Dessa maneira, a perfeição de natureza, que envolve a remoção da tentação interior, somente terá lugar no momento da volta de Jesus. Não podemos desfrutar da perfeição de natureza antes disso." (livro citado, p.84)

Aqui tem um dos primeiros pontos polêmicos. O autor, Dennis E. Priebe, em nenhum momento diz 'de onde vem esta ideia', 'baseada no que', quais são os textos da Bíblia ou quais os textos do Espírito de Profecia (como Ellen G. White) dizem/afirmam isto. Esta ideia central do autor salta das páginas do livro sem dar um único texto da Bíblia. É uma definição puramente arbitrária (pelo que me parece), ou que talvez esteja em algum outro texto/livro/artigo do autor que não tive conhecimento. O mais próximo de uma 'argumentação' ou 'tentativa de embasamento' está no começo do livro, no capítulo "O que é pecado?". Porém, neste capítulo, é nebuluso, tão quão; não deixa nada claro, tampouco demonstrado por A+B. O máximo que há são alguns recortes (2-4 linhas) de citações de um tal de Emil Brunner, de João Calvino, Geoffrey Paxton e Desmond Ford. [nada de Bíblia]

Na melhor das hipóteses, a única coisa que consegue afirmar melhor é que existe uma maldição do pecado que resulta na morte física. Ou seja, o autor, ao fazer uma relação de "natureza pecaminosa" (na definição dele) com esta maldição física da morte, conclui que , como em 1 Corintios diz que o corpo será revestido de imortalidade, logo, TODO EXTRA que ele definiu/atribuiu também será 'solucionado' [digamos assim] nesta mesma transformação do corpo.

Evidentemente, o grande problema aqui do autor é o seu abuso de linguagem e de definições arbitrárias sem embasamento. Assim como, não havendo bases bem definidas para tais definições, faz relações extrapoladas sem critérios (quase que vale tudo - note, que o autor poderia fazer diversas outras extrapolações do mesmo modo). Aparentemente, uma especulação que pode ser verdadeira como falsa. E depois decorre toda uma teologia fundamentando-se nisto. Mas vejamos outros pontos que colocam um pouco em xeque esta ideia - ou que, pelo menos, "Veja, não é bem assim.".


2) Um fato que contradiz a definição e 'profecia' do autor
Como destacado acima, ao definir esta Natureza Pecaminosa, o autor disse explicitamente:
"pois após esse grande evento não haverá mais incitamentos pecaminosos provindos do íntimo. ... a remoção da tentação interior, somente terá lugar no momento da volta de Jesus. Não podemos desfrutar da perfeição de natureza antes disso."

Isto é uma falácia. Digo isto por experiência própria e pela experiência de outras pessoas. Há os mais diversos 'incitamentos pecaminosos provindos do íntimo' e 'tentações do interior' que eu e outras pessoas - provavelmente o leitor - deixara de ter ao longo do tempo. Particularmente posso destacar o desejo mais íntimo que eu já tive por sorvetes, doces, refrigerantes, criar rancor e raiva das pessoas, querer brigar etc. Inclusive, recordo-me exatamente do primeiro dia em que, após uma pessoa na escola (Ensino Médio) ter me provocado muito eu fiquei extremamente surpreso comigo mesmo de não ter tido a menor incitação, tentação, vontade, desejo de querer revidar e socar a cara da pessoa [o que seria o natural anteriormente]. Eu fiquei tão surpreso neste dia que exclamei um "Ual!" comigo mesmo e fiquei pensando nisto e agradeci a Deus.

O autor definiu explicitamente "Não podemos desfrutar" desta condição antes da volta de Jesus. Então eu pergunto: "Como foi que então eu desfrutei?" E, certamente, se você fizer uma retrospectiva perceberá que também ocorreu com você.

Talvez ele queira dizer: Mais nenhum tipo de tentação ao mesmo tempo. O autor não trata da questão que, suponha que hoje você tenha 100 tentações internas de intensidade forte; com o tempo, pode ser que até a sua morte, você esteja com 20 ou 30, de intensidade média-baixa. Isto não seria um desfruto desta bênção (em modo parcial)? Além disso, como mensurar, distinguir o que é "interno" ou não? Segundo o autor, estas tentações internas não seria perceptíveis, racionáveis, em que a pessoa pode decidir sobre tal. Note, que, desta maneira, pode ser qualquer coisa, assim como a Energia Escura da Física. Mas, se não é perceptível, raciocinável, então não notamos. Não consideramos/atribuímos nenhum valor. Dizer que o único impacto disso seria a morte é questionável.

O ponto é: Há coisas demais aqui. O fato de ter perdido muitas destas 'tentações internas' contradiz o autor? Ou não são 'internas'? Porém, se não são perceptíveis/raciocináveis/discernidas, são tentações?


3) O Problema da Tentação Humana
Evidentemente o autor tentou encontrar algum tipo de explicação, definição. Algo que pudesse ser escrito no papel que descrevesse o que é esta condição da natureza humana. Que é intrigante.

Note que Gálatas 5:17-21 é dito que a 'carne' não apenas promove uma incitação ou tentação. Na verdade, diz que promove ações, como a "cobiça" e, mais explicitamente, "as obras da carne". Ou seja, usando a própria definição do autor e relacionamento esta Natureza Pecaminosa com a Maldição do Pecado e o Corpo Pecaminoso, teríamos que tais coisas (pecados) são, na verdade, ações/práticas. E que, segundo os versos 22-25 podemos vencer todas estas ações, praticando outras no lugar. Ou seja, no lugar de prevalecer a Natureza Pecaminosa, prevalece o Espírito Santo. É uma declaração de vitória agora mesmo, antes da Volta de Jesus; o que contraria a ideia de 'apenas' na Volta de Jesus.


4) Sem Luz
Por certo, este assunto da Natureza Pecaminosa do homem é um dos assuntos mais obscuros para Priebe, pois ele foge do assunto por diversas vezes em seu livro. Nem 10% do seu livro busca tratar ou pensar sobre isto, mas se foca mais no ponto 2: o caráter perfeito.

O grande problema é que há pouquíssima informação (luz) na Bíblia e no Espírito de Profecia sobre a Natureza Pecaminosa do homem. E o autor tenta encaixar e definir coisas que são grandes mistérios não revelados e acaba entrando em terreno desconhecido e criando estas conclusões e definições equivocadas.

Por exemplo. Segundo a Bíblia, vemos uma aparente contradição. Em Tiago 1:14 diz explicitamente que somos tentados por nós mesmos ("pelo próprio mau desejo"). Mas, ao mesmo tempo, em Tiago 4:7 diz para resistirmos ao Diabo, ao invés de nós mesmos. Já Provérbios 1:10 diz que os outros podem nos tentar. E Mateus 4:1 e 1 Tessalon. 3:5 dizem que o diabo é o tentador. Ou seja, de onde procede a tentação? De nós mesmos, dos outros, ou diabo? No pecado do Éden, vemos explicitamente que Satanás foi quem tentou. Mas, primeiramente, o que tentou Eva a se afastar do marido e aproximar da árvore proibida? E Satanás, de onde veio a tentação primária?

Veja que não há uma resposta e definição simples para o que é e de onde vem esta tentação. Tentar explicar isso é erro certo (há coisas do lado de fora de onde apontamos). Repare na implicação contraditória que há quando o autor diz que no Céu, devido a passarmos a ter uma natureza impecável, será 'impossível' haver 'tentação'. Porém, por uma ideia maior que não irei desenvolver, no Céu teríamos uma condição semelhante de Adão e Eva antes do pecado, assim como dos anjos. Mas isto não resolve o mistério da 'tentação primária' qual ocorreu a Lúcifer e Eva. E é mistério dizer se esta 'nova natureza' que teremos estará impossibilitada de tal. [Se sim, nos levaria a uma contradição de que Deus ofereceu uma condição mais desprivilegiada a Lúcifer e Eva; ou que o "livre-arbítrio" foi 'modificado/mudado', que passou a ter um upgrade pois o de antes 'apresentou problema'... o que implicaria na falha do Programador.] Há um mistério envolvido no livre-arbitrio (sabemos dizer esta palavra, temos uma 'noção' desta ideia, mas não sabemos exatamente o que ela é, qual a % que conhecemos desta ideia?)

A tentação, assim como o pecado, é um mistério enorme para qual não há uma explicação. Tal não nos foi revelado. Muita coisa não foi revelada. E inferir sobre o que a Bíblia não diz, pode nos conduzir em especulações perigosas. Por vezes sutis, que até podem fazer sentido se anularmos ou eliminarmos um monte de variáveis. Mas que nos levam a construir um prédio de ideias errôneas ou misturas entre verdade e mentira.


5) O que o autor diz contradiz com Ellen G. White
Veja:
"Cristo veio ao nosso mundo porque viu que os homens haviam perdido a imagem e a natureza de Deus. Ele viu que eles tinham vagueado longe do caminho da paz e pureza, e que, se ficassem entregues a si mesmos, jamais encontrariam o caminho de volta. Ele veio com uma salvação plena e completa, para transformar nosso coração de pedra em coração de carne, para transformar nossa natureza pecaminosa na Sua semelhança, de modo que, sendo participantes da natureza divina, sejamos habilitados para as cortes celestiais." Youth´s Instructor, 9 de setembro de 1897. Pag. 26

O texto acima deixa explicito que quando Jesus veio, na Sua primeira vinda (no sentido da encarnação, morte e ressurreição), deixa claro que veio para uma "salvação plena e completa", ou seja, não era apenas sobre o caráter, ou sobre as nossas escolhas, como afirma categoricamente Priebe em seu livro. Mais do que isso, deixa, por explicito, que esta obra que Jesus fez também implica "para transformar a natureza pecaminosa na Sua semelhança". Ou seja, o que Priebe disse que só ocorreria na Segunda Volta de Jesus, White diz que Jesus já "veio com uma salvação plena e completa", tanto sobre "nosso coração de pedra" quanto para "transformar nossa natureza pecaminosa" (o que o autor disse que só ocorreria na APENAS Segunda Vinda, não na primeira).

Ellen White também coloca, por diversas vezes, que há uma união íntima, como que inseparável, entre corpo, mente e espírito. De forma geral, uma tremenda ligação entre a carne e o caráter do cristão. Logo, se a carne é fraca, isto é, com natureza pecaminosa, como o caráter poderia ser perfeito e impecável se, segundo o autor, a vitória final sobre a natureza pecaminosa só ocorreria na Volta de Jesus? Há uma antítese aqui. A única solução plausível para se afirmar o perfeccionismo de caráter antes da volta de Jesus seria o de fazer uma separação por completo entre Caráter/Mente/Espírito de um lado e 'o corpo' com sua natureza pecaminosa do outro. Todavia, esta separação causaria muitos atritos com outros textos e posições de Ellen White, inclusive como faria a Mensagem de Saúde entrar em xeque em vários pontos e razões. Talvez o leitor não tenha pensado nisso. Sugiro que faça um longo exercício mental sobre isto. E observará que algumas coisas deixam de fazer sentido se assumir esta premissa. Uma cocha de retalhos seria necessário.

Veja essa relação íntima:
"É a fragrância do mérito de Cristo que torna nossas boas obras aceitáveis a Deus, e é a graça que nos habilita a praticar as obras pelas quais Ele nos retribui. Nossas obras, em si e por si mesmas, não têm mérito algum. Quando fizemos tudo que nos era possível fazer, devemos considerar-nos servos inúteis. Não merecemos agradecimentos de Deus. Só fizemos o que era nosso dever, e nossas obras não podiam ter sido realizadas na força de nossa própria natureza pecaminosa." ME3, 200

O texto acima deixa explícito uma relação inseparável entre as nossas obras (o que incluí nossas escolhas, decisões, discernimento, feitos, ações) 100% conscientes e a nossa natureza pecaminosa. E tal é a força desta relação que a 'natureza pecaminosa' (ou algum outro tipo de imperfeição/pecaminosidade do homem) anula qualquer coisa favorável (leia-se, perfeita) de nossas obras/ações/escolhas/decisões - isto é, caráter, segundo Priebe.
Outro ponto enfatizado é que o que torna nossa obra/caráter aceitável/perfeito não é são nossas escolhas em si, mas a graça de Cristo, Seu mérito. Sendo que, em outras páginas, o autor não coloca assim a ação de Jesus, mas como que Ele concede-nos o poder para fazermos uma obra que seja, por si, aceitável, meritocrática.

Em outras palavras. O texto de Ellen G. White acima seria como uma escola em que a média para aprovação é nota 10. E o professor é Jesus que dá uma aula perfeita e todas as condições para o aluno ir bem na prova. O aluno faz a prova e tira uma nota 0 (incapaz de tirar uma outra nota - como alguns professores de Matemática que tive na Universidade); mas, o Professor considera este aluno como um aluno nota 10, e o aprova.
Do outro lado, a definição dada por Priebe é mais no sentido de que o professor Jesus, deu uma aula espetacular, forças e todas as condições para o aluno, agora, conscientemente tirar a nota 10 - mais do que isso, como se Jesus estivesse fazendo a prova por ele, ou ao seu lado passando cola. Se, o aluno tirar 10, então Jesus o aprova. Se, após toda esta intervenção de Jesus, o aluno continuar a tirar nota 0, então Jesus o reprova. [Repare como estas duas formas de pensar impactam muito a vida emocional, teológica e prática de um cristão.]
Particularmente, acredito que o verdadeiro ponto que Jesus avalia não é o previsível zero tirado na prova. Mas em como o aluno se portou com Seu professor nas aulas, nos estudos, como tentou resolver os exercícios da prova etc. Na verdade, mais intrigante do que isto. É muito misterioso o que é a Graça.


6) Como explicar a natureza de Jesus?
Não falei sobre isto aqui, pois será um dos temas a ser futuramente abordado. Mas a Natureza de Jesus Cristo é um dos principais motivos que incita estas "definições" e "conclusões" do autor deste livro, assim como grande parte da Teologia da Perfeição de Caráter Perfeccionista. Com qual tipo de natureza pecaminosa Jesus veio a este mundo? Como assim Ele foi tentado em todas as coisas e não pecou? Como assim como Ele venceu podemos, nós, vencer também? Dentre outros.

Antes, já dou uma prévia do que penso quanto a isto: É um mistério. Não tentemos pois 'definir' com palavras, ideias, lógica e linguagem humana o nascimento, o corpo, a mente, as tentações, tampouco a natureza de Jesus. Entraremos num campo misterioso, não revelado. E, se especularmos, podemos cair em conclusões equivocadas que implicaram, por efeito dominó, numa série de outras conclusões e ideias. [Veja se nos links abaixo já está disponível o estudo sobre esta questão.]


7) E as 'contradições' de Ellen G. White?
Também trataremos de um outro estudo apenas para falar sobre os preciosos textos deixados por Ellen G. White. Mas repare que, num dos textos acima que coloquei, deixa evidentemente claro que ela diz que Jesus, ao vir como Salvador neste mundo, Ele também concedeu a vitória e transformação sobre a natureza pecaminosa. Porém, EGW diz, em outros textos, por vezes, que ainda convivemos com esta tal de natureza pecaminosa. E agora?

Gosto (amo) de colocar sempre os dois lados da moeda sempre que possível. Os prós e contras. Os textos que a principio dizem A, e os textos que a principio dizem um B diferente de A. E acredito que isto deveria nos despertar a sermos mais cautelosos ainda mais para quem escreveu mais de 5.000 artigos e 49 livros. Não podemos nos resumir, 'fechar', 'concluir', 'solidificar' apenas com uma porção de 2 frases, ou 10 parágrafos, ou uns 3 ou 5 capítulos, ou 1 ou 2 livros que lemos. Ela era humana, tinha limitações de linguagem, de pensamento, comunicação e palavras, qual todos temos, que vemos evoluir/desenvolver tal habilidade ao longo de sua vida. Cuidado quando você lê um texto fabricado por alguém que tem apenas textos dizendo A, sem jamais nem sequer dizer que existe um texto dizendo B. [Pense nisso.]


8) Paradoxo do Corpo x Templo
"Ou não sabeis que vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós." (1 Coríntios 6:19). Se buscarmos uma definição tão engessada e simplória sobre a relação do nosso corpo com a natureza pecaminosa. Chegaríamos num paradoxo, uma aparente contradição: Como pode haver uma Natureza Pecaminosa, e uma propensão, ou incitação, ou tentação a pecar, onde o Espírito Santo (o próprio Deus, o próprio Jesus) habita? Segundo a Bíblia, não é apenas na definição 2 do autor (no nosso caráter, mente que decide). Vemos claramente uma relação íntima entre nosso caráter e nosso corpo, com Deus agindo e ambos - agora, no presente.

Faço uma analogia das palavras do Priebe na página 85: "Cristo dentro - pecado fora. Pecado dentro - Cristo fora." Então não poderíamos dizer "Espírito Santo habitando em vosso corpo - natureza pecaminosa fora. Natureza pecaminosa dentro - Espírito Santo fora"? Se não, por que não poderíamos afirmar isto segundo as próprias razões usadas pelo autor para fazer a afirmação primeira?


Para encerrar
Em todos os estudos sobre este tema, buscarei deixar algo para o leitor pensar. Hoje, um texto de Ellen G. White que contesta algumas implicações ao perfeccionismo, o caráter perfeito, especialmente, ao deixar claro no texto a ideia que no decorrer da vida, a gente acaba caindo (pecando) - sim, Ellen White também se incluiu.

"A negação de Cristo por parte de Pedro, a viva contenda entre Paulo e Barnabé, as falhas e fraquezas dos profetas e dos apóstolos, todas são expostas pelo Espírito Santo, que descerra o véu do coração humano. Ali se acha diante de nós a vida dos crentes, com todas as suas faltas e loucuras, o que visa uma lição a todas as gerações que os seguissem. Houvessem eles sido isentos de fraquezas, teriam sido mais que humanos, e nossa natureza pecaminosa desesperaria de atingir nunca a tal grau de excelência. Vendo, porém, onde eles lutaram e caíram, onde se animaram outra vez e venceram mediante a graça de Deus, somos animados e induzidos a avançar e passar por cima dos obstáculos que a natureza degenerada nos coloca no caminho." TS1, 438

Este texto não transmite um ideia do tipo: "pode perder algumas batalhas, mas a guerra está ganha pela graça de Deus. E isto é o que encoraja a prosseguir mesmo após as derrotas."?  Não é diferente da ideia perfeccionista de que "só se vence a guerra quando não mais perder nenhuma batalha."? Há textos que colaboram com qual ideia ou ambas?

"Homens a quem Deus favoreceu, e a quem confiou grandes responsabilidades, foram algumas vezes vencidos pela tentação, e cometeram pecado, mesmo como nós [+Ellen White], presentemente, esforçamo-nos, vacilamos, e freqüentemente caímos em erro. Sua vida, com todas as suas faltas e loucuras, estão patentes diante de nós, tanto para a nossa animação como advertência. Se eles fossem representados como estando sem faltas, nós, com a nossa natureza pecaminosa, poderíamos desesperar-nos pelos nossos erros e fracassos. Mas, vendo onde outros lutaram através de desânimos semelhantes aos nossos, onde caíram sob a tentação como o temos feito, e como todavia se reanimaram e venceram pela graça de Deus, animemo-nos em nosso esforço para alcançar a justiça. Como eles, embora algumas vezes repelidos, recuperaram o terreno, e foram abençoados por Deus, assim nós também podemos ser vencedores na força de Jesus." PP, 238


Próximos estudos:

  • Introdução: Uma História; [Ver]
  • caráter perfeito;
  • impecabilidade do homem;
  • perfeição plena antes do fechamento da Porta da Graça;
  • definições de palavras/ideias (pecado, dentre outros);
  • Ellen G. White e os 'outros textos esquecidos' sobre isso;
  • natureza e vida de Jesus.