1984 - Primeiras Impressões

Li em torno de 1/2 da clássica obra ‘1984’ de George Orwell. A grosso modo o livro é uma obra que abrange principalmente a politica, filosofia e socialismo, de forma densamente critico; qual envolve um romance também muito provocante. O livro escrito em torno de 1930, acho que antes da II Guerra Mundial, é uma critica ao Nazismo, U.R.S.S., ao Comunismo, ao Fascismo, ao Estadismo; faz uma ficção de como seria o mundo em 1984 (50 anos depois), em que o mundo era divido em apenas 3 países totalitários, estadistas ao extremo. Um controle que resulta na abolição do individuo.. E então, temos novamente a mesma ideia abordada pelo livro “Admirável Mundo Novo”: Controle. Uma sociedade totalmente manipulada em função dos interesses do Estado (o topo da hierarquia). A diferença, que no ‘Mundo Novo’, o Estado de certa forma, é mais um tipo de Máquina Economica, ou a Industria, um super interesse do Capitalismo vamos assim dizer, na forma mais selvagem possível, no qual se livrou a concorrência, e as pessoas são meras consumidoras, mas que ganham em troca, uma ‘vida feliz’ (graças ao Soma e a quase ausência do tempo de espera entre seus desejos e realização), e neste, o controle é por outro meio, por meio de uma vida 'miserável' vamos assim dizer.

O Grande Irmão (The Big Brother)
Big Brother Brasil, esta ‘coisa’ [que elogio ao invés de m*], de certo modo veio (pelo menos o nome) deste livro. Da obra genial deste autor, que numa época em que não existiam filmadoras e televisores (até onde sei), disse que em 1984 existiram “teletelas”, uma espécie de televisor que haveria praticamente em todos os lugares, nas casas das pessoas, cômodos das casas, ruas, e etc, tal ficaria sempre ligada, e na maioria das vezes traria informações do Estado, pura lavagem cerebral, para elevar as virtudes do Partido, ou informações totalmente duvidosas, que eram repetidas até as pessoas acreditarem que era verdade e não mais ter noção do que significa uma “informação original, puramente verdadeira, factual”. Todavia, esta Teletela também era um tipo de câmera, que estava em constante observação das pessoas, dos cidadãos (os camaradas), todos eram observados minuciosamente, e viviam como se fosse um conceito ou lei natural sentir-se sempre sob vigilância. E todas essas informações, monitoramento era feito pela Policia do Pensamento, qual se suspeitasse que alguém estava andando fora da linha, fazendo algo anormal, incomum, ‘pensando demais’, com alguma idéia revolucionária, ou ‘anti-social’, ou qualquer coisa perturbe a paz e a ordem, ou como as coisas são, um mero olhar de insatisfação, de desesperança, qualquer coisa que pudesse gerar um sentimento de revolta, motim, guerra civil, ou de apego demais para alguma coisa, ao invés de servir aa servir o Estado e aos seus camaradas... bem, então tal pessoa, certamente, em alguma noite seria pega a noite pela Policia do Pensamento, interrogadas, brutalmente torturadas e assassinadas. Mas enquanto isso, tudo isto, era a maquina por detrás. Pois o conceito, era que o Grande Irmão sempre estava vigilando a todas, vigilando a sociedade, monitorando, e acertando as coisas para deixa-la sempre em ordem, e fazer as pessoas ‘mais felizes’.

A Precariedade
Uma das questões mais abordadas e deixadas claras, é sobre como seria a Produção conduzida pelo Partido, pelo Serviço Publico, concentrado nesta Máquina (qual podemos fazer uma comparação para o modelo capitalista, em que são muitas empresas, e que há a concorrência, e se preocupam com a questão da oferta/demanda e qualidade). Tudo era precário, e tudo sempre estava em falta, e era racionado. As pessoas tinham sempre roupas velhas, remendadas, rasgadas, as cidades era sempre meio que destruídas, vidros trincados, estilhaçados, com papelão, tudo mal rebocado, pintado, as pessoas não encontravam nem gilete para barbear (era um item de constante procura), tinha o Gim, uma espécie de Bebida que era puro Alcool e horrível de se tomar, mas era tudo o que tomava como um tipo de adornos (como era o soma no Admirável Mundo Novo), porém, que era nauseante, horrível de se tomar, fedia etc. Tudo era muito precário tanto para quem pertenciam as funções inferiores do Partido, quanto, mais ainda, para quem era da Prole. Os cigarros eram tão ruins, que sempre esfarelavam ou caia o fumo no chão se não fosse pego com cuidado. Ninguem andava com um sapato novo ou em boas condições. Tudo estava sempre em falta.

A Mídia – A Moldadora de Opinião (melhor dizendo: de cidadão)
No “Admirável” as pessoas eram condicionadas desde o nascimento, em sua educação pelas “Repetições” e os processos de condicionamento, e as frases que sempre ouviam mesmo em quando dormiam. No 1984, é o total CONTROLE da mídia pelo Estado, em função a servir aos propósitos do Estado. Anunciavam só aquilo que era de satisfação do estado, entre eles, tornar as pessoas sujeitas aos seus interesses, e fazê-las acreditar que o Estado, o Partido, o Grande Irmão está lutando por eles, para o bem, e sua felicidade. É sempre, essas informações, esse tipo de programação, de músicas.

Guerra, Caramadagem - A Ilusão da União e Dever
Além disso havia o condicionamento dos interesses do Estado, em fazer as pessoas amarem, se confraternizarem como uma Nação, contra as demais Nações, e contra os OPOSITORES desta ordem. Como no Cinema, e o Dia do Ódio, onde eram apresentados coisas, de modo que estes INIMIGOS, sempre possuem idéias tão absurdas que até uma criança de 7 anos percebe quão ridículas são e se revoltam. E elas ficam lá, falando e fazendo, por muito tempo, de modo que deixam as pessoas totalmente irritadas até ficarem fora de si, e começam então a manifestar todo o seu ódio para com tais Inimigos, xingando, mostrando agressividade, pulando como loucos, uivando como animais, e naquele MOTIM, em que todos os camaradas se unem como uma fraternidade em função desse Inimigo em comum. E ai então surge a imagem do Grande Irmão, a pessoa diferente com as ideias amistosas, de bem-estar comum, que luta contra este Inimigo, e aí todos começam a admirá-lo, aplaudi-lo, parabenizá-lo, exaltá-lo, amá-lo. E assim o Partido, através da mídia vai promovendo um CONTROLE na população, um senso de união nacional, a caramadagem.

A Alteração do Passado e a Extinção da História
Outra função do Partido era alterar o passado. Sempre alteravam o passado. Tudo era alterado. Toda a História foi alterada. Todas as informações dados foram alteradas de modo a servir aos interesses do Partido, do Estado. E isso constantemente era feito. Revistas, jornais, livros, eram eliminados, ou reeditados, e reimpressos. Se uma pessoa era era eliminada, vaporizada, logo todos os registros de sua existência sumiam. E logo, dentro de pouco tempo, ninguém mais sabia que tal pessoa um dia tinha existido, ou duvidariam da própria memória. A memória da pessoa era constantemente atacada. A História era constantemente mudada, alterada. De modo, que as alterações de forma geral, acabavam sempre sendo alterações de outra alteração. Mesmo os mais pensadores, filosóficos, praticamente dificilmente poderiam ter certeza sobre algo, de algum dado informação, não sabia o que era mais verdade e o que era original. Aliás, não conheciam como era o Mundo fora da sua nação, e não conheciam como era o passado antes do Partido. Os poucos sobreviventes daquelas épocas antigas, eram muito velhos, e tinham péssimas memórias, na verdade, totalmente inúteis.

As pessoas tinham um senso de que a vida era sempre aquela miséria, infelicidade, o mundo sempre em guerra, as longas jornadas de 12 horas de trabalho diários, e olha lá, as teletelas, o Dia do Ódio, as mudança dos registros, os noticiários, o Gim, a precariedade das coisas. No fundo sentiam um certo descontentamento com a vida, como se as coisas pudessem ser diferentes. Mas será que podia ser? Como era antes do Partido? E se não houvesse o Partido? E se as coisas não fossem tão controladas pelo Estado? E se as pessoas pudessem manifestas e lutar mais pelo seu individualismo e liberdade de expressão? Liberdade de possuir suas próprias coisas, liberdade de ter uma família de verdade? Liberdade de poder se apegar a uma mulher? Mas a vida foi sempre assim.


A REDUÇÃO DAS PALAVRAS
Historicamente, foi um processo de grandes, incríveis conquistas inventar novas palavras. Foram criadas para simbolizar uma nova ideia, um pensamento em especial. E assim de certo modo, a grosso modo, quanto mais palavras, mais rico o vocabulário, e mais rico é a liberdade da mente em pensar, sentir e expressar. Bem, um dos propósitos do Partido, é sempre estar reduzindo o Vocabulário da sociedade, vai reeditando o idioma, o Novalingua, sempre buscando diminuir um monte de palavras, "inúteis". Mas sempre este trabalho - feito pelos profissionais em Letras e Filosofia - é visto como um dos mais incríveis empenhos e avanços da Sociedade. E assim iriam limitando palavras, reduzindo as expressões, por exemplo, se você quer dizer que algo é ‘bom’, não precisa das palavras ‘magnifico’, ‘extraordinário’, apenas ‘bom’, agora, se precisa classificar algo como muito mais do que bom, apenas poderia usar a palavra ‘plusbom’. E assim, se buscava economizar as palavras, reduzindo-as silabicamente, e ao mesmo tempo reduzindo as expressões, adjetivos e um monte de excessos desnecessários. E ainda também eliminando palavras ‘ruins’, palavras indesejáveis, palavras que não convém a Nação, a Ordem, ao Partido. Um dos argumentos, é que as pessoas conhecendo palavras ruins, violentas por exemplo, ou de indignação, iriam ficar pensando nessas coisas, nessas palavras, iriam tentar expressá-las, e isso produziria infelicidade e descontentamento nelas; então, se removesse tais, por mais que em algum momento elas ‘sentissem algo’, não saberia o dizer o que é, não saberiam que nome, que associação usar, nem como expressar... e assim, não expressariam, não extravasariam, e então ou logo aquilo iria sumir sem afetar a sociedade, ou então, morreria com ela mesmo. Ou então, se a Policia do Pensamento percebesse algo estranho (como sempre acontecia), logo, vaporizavam tal pessoa.

Os Dias de Hoje
É impressionante, quando pensamos na sociedade hoje. Eu particularmente vejo claramente este fenômeno acontecendo. Não sei dizer se há uma pessoa por detrás disso. Talvez, algo sem pensar. Mas está acontecendo um processo de emburrecimento nítido das pessoas. Podería falar da ‘linguagem lógica’ (daqui a pouco estaremos falando como linguagem de programação), algo que por exemplo, vem ocorrendo com o “Internetes” e os “Populismos exagerados da periferia”, por exemplo, usam palavras (desculpe o termo) como “foda” para exprimir mais de 50 significados, tanto ruins, quanto bons, ou interjeições, ou para xingar, ou elogiar, ou como final de frase, ou como um ‘tick lingistico’, como adjetivo, adverbio, substantivo, até como verbo como ‘fuder’ (o que também pode-se referir a diversas conotações, desde atos de violência, até eróticos, ou como mera ameaça). Mas além disso, também tenho percebido um empobrecimento linguístico nas pessoas, é comum encontrar pessoas que não entendem metade das palavras que eu digo. Talvez por uma cultura de lerem pouco. Mas por outro lado, há quem costuma ler. Mas que em maioria, o que procuram ler são romances adaptados para um linguajar mais ‘popular’, mais reduzido.

Onde vejo um exemplo claro disso, é em questão as versões da Bíblia. Bem, eu tinha uma Bíblia de 1994, Almeida Revisada e Corrigida, eu gostava muito do linguajar dela, era muito poético, e de inicio eu não entendia metade das palavras, usavam muitas palavras muito exóticas, mas ‘A DENSIDADE SIGNIFICANTE’ [inventei essa agora, gostei – percebem? Cade uma palavra para expressar melhor isto?] era muito intenso, era um linguajar muito mais poético, com o tempo, dava muito gosto de lê-la, as palavras eram muito bem temperadas, os versos eram, muito expressivos e profundos - era quase impossível uma leitura superficial. Mas depois disso, foram ‘popularizando o linguajar’ (e há quem faz um monte de comentário de que isto é bom), foram diminuindo a quantidade de palavras, verbos, adjetivos, e adaptando para apenas aquilo que era mais conhecido no popular de hoje, inclusive expressões. Com isso, as notas de rodapé foram diminuindo, pois antes, por exemplo, esta de 94 que eu tinha, sempre tinha muitas referências, pois você lia o verso e não entendia, ai lia várias outros versos tratando da mesma questão, e ai com a razão, você conseguia então vislumbrar uma ideia do significado. Mas hoje não, está tudo mais ‘explicito’, ‘seco’, ‘frio’, vamos assim dizer, é uma linguagem mais ‘direta’(robótica, quase que binária)) e menos poética (como a NVI, e até as Almeidas de hoje). Consequencia disso - eu particularmente - é uma linguagem, uma leitura mais ‘sem sal’, ‘pobre’, não tão significativo, as vezes tenho a impressão de estar lendo um texto para crianças, pensamentos infantis; ou como comer um arroz refinado, depois de estar acostumado com o integral. É pobre o linguajar, você não se sente muito nutrido. E talvez o maior perigo esteja nesta colocação que agora faço: “VOCÊ NÃO PRECISA MUITO, AS VEZES NEM PRECISA, PENSAR PARA COMPREENDER, ENTENDER.” Ou seja, ‘você não pensa’, é uma leitura que tende a ser como a leitura de um Romance, ou assistir uma Novela, ou pior ainda, como “MANTRAS”, como apenas ‘frases, ideias’ para serem lidas, entendidas, engolidas, como que axiomáticas.

Informação ao Invés de Transformação
Hoje parece que nos contentamos em ter uma informação, ao invés de sentir uma transformação dos nossos pensamentos, por capturar a ideia. É como se estivessemso perdendo a individualidade, o lado humano de lidar, ser impactado e afetado por tais. Parece que apenas se trata de ter 'uma informação', um conhecimento, um diploma. É aquela coisa. "Há, eu sei que há x bilhões de pessoas no mundo." E simples assim, mas essa informação, é tão desconexada da pessoa, que não envolve a pessoa, seus pensamentos, o que esse número quer dizer? Qual as implicações para o mundo, a Economia, a Sociedade, as Culturas, a Sobrevivência, Sustentabilidade e para o Individou? Há uma enormidade de questões importantíssimas que isso afeta. Além disso, por exemplo, o atual cenário Economico-Politico-Social do mundo, é uma explosão tentando ser contida, sabe-se lá até quando, que irá impactar a vida de cada indivudo. As pessoas, tem a 'informação' de que isto está acontecendo, mas e daí. É apenas uma informação, ou seja, apenas tem essa informação armazenada numa linha de registro no banco de dados da cabeça, ou no Wikipedia, mas é só isso; as pessoas parecem estar pensando como um banco de dados. A informação não envolve a pessoa, seus pensamentos, a informação não é trabalhada. Caso contrário, provavelmente a postura da maioria mudaria, ao invés de viver como se simplesmente nada estivesse acontecendo, como se sempre fosse ser assim. Como se estivesse garantido que no dia de amanhã, fará as mesmas coisas, terá as mesmas coisas, terá comida, água, transporte, civilização ( no sentido de pessoas vivendo em comunidade, seguindo regras). Ou seja, as pessoas não estão mais sendo afetadas pelas informações.

E ai quando pensamos em questão a Teologia, a Religião, a Bíblia por exemplo. O mesmo acontece, você vê apenas 'informação'. Mas não processos, mudanças, transformações, algo que move e mexe as pessoas. Que diferença fazem as doutrinas, as informações? A maioria, nos dias de hoje, leem, as informações, e PRONTO, "Agora eu sei." (tenho a informação). Todavia, tudo isto é incoerente com o que realmente é o cristianismo. Pois as suas informações contidas, não são como um bloco de informações que se guarda numa estante. Mas como 'carpinteiros, faxineiros, arquitetos, decoradores, carpinteiros', que te convidam a permiti-los fazer uma mudança, transformação na sua casa.


O FILME
Bem, melhor parar por aqui. Quando concluir o livro, creio que terei idéias melhores trabalhadas, e mais coisas para compartilhar. Alias, pesquisando sobre o livro, descobri que fizeram o filme sobre o livro. E que é possível encontrá-lo no Youtube. Achei este em Espanhol, é a primeira parte, acesse-o no Youtube, e terá o link para as demais partes. (ainda não vi o filme para ter uma opinião sobre tal).



Manifesto Contra Hipocrisia (Pets)

Desculpem adoradores de cães. Vós que desfilam como pacificadores, carinhosos, que lutam pelo bem. Matar os cães? Abandoná-los? Que crueldade! Concordo, mas depende da situação, e se ficarmos com uma hyper população de cães. Claro a Industria de Pet adoraria, todavia, mal temos espaço para produzir comida para o homem, na verdade, falta espaço, e ai tendo que produzir para os caões? Não é por menos que a China criou uma Lei proibindo que uma casa tenha mais do que um cachorro, pois ter cachorro estava virando uma MODA, um tipo de LUXO (“Você tem que ter um cachorro.”).

Mas mais revoltante, é quando fazemos um olhar infantil sobre o Mundo. Fazemos uma mudança drástica em como observamos o mundo em termos, de importância e criamos o seguinte:
1º Lugar: Seres Humanos
2º Lugar: Cães
3º Lugar: Demais animais

Todavia ainda é questionável, quanto a esta colocação, pois substituem de certo modo ainda. Do tipo:
1º Lugar: “Eu” + Familiares + Amigos
2º Lugar: Cachorro de Estimação
3º Lugar: Outros cachorros e pessoas
4º Lugar: Outros animais

Absurdo? Bem, muitas pessoas tratam e gostam mais de seus animais de estimação (normalmente cachorro) do que de outros seres humanos. Cuidam mais deste, se importam mais. E mesmo assim, o 3º lugar é disputado. Pois, vemos campanhas do tipo “Adote um Cão”, mas não vemos campanha do tipo “Adote uma Criança”, ou “Adote Uma Familia Sem Condições”. Vemos pessoas jogadas pelas ruas, nos córregos, debaixo da ponte, pessoas que perdem tudo com uma enchente, descartadas pela sociedade. Mas os cães? Não, basta ver uma foto como está, que os corações são constrangidos! Por que? Porque foram condicionadas pela mídia e sociedade que os cachorros são animais “fofos”, um tipo de pertence de alto luxo, indisprezível, qual não suportamos ver a imagem deles se não for como de ‘fofos’ semelhantes a ‘ursinho de pelúcia’, para ficarmos “abraçando”, “fazendo carinho”, ou “nos lambendo”, e assim, dedicamos a tais nossos afetos. Todavia, isso é NATURAL? Dado que a “Domesticação” dos cachorros, fora feito por nós, transformamos numa espécie de “item”, tão importante quanto o Ser Humano, ou ainda mais, há qual temos que dedicar nossos esforços, trabalho, suor, dinheiro, afetos, tempo. Um ‘brinquedo vivo’ que goste de brincar e nos agradar (pois foram condicionados para isso).

Parte 2 da Revolta
Outra coisa que me revolta nessas campanhas. Ou como numa que vi certa vez, que uma pessoa foi preza, porque matou o gato, para se alimentar dele. Ou outra pessoa, que cuidava de um velho senhor com câncer, que matou seus cachorros e os interrou, porque não conseguiu vende-los ou doá-los, e não tinha condições de mantê-los, mal tinha de sustentar o velho com câncer; bem, ele foi preso, mas onde está esses Moralistas Caninos para defender para que o velho homem com câncer não fosse largado, e fossem dados condições mais confortáveis e dignas de vida? Alguem, se propôs? Não. Mas só porque o animal era um “cachorro” (os Indianos idolatram as vacas, nós os cães), que quem matar um vai para a cadeia.

Além disso, e os outros animais. Onde está esses moralistas, e seres ‘bonzinhos’, quando se trata de outros animais que são massacrados diariamente, todos os dias, de forma sanguinolenta, dolorosa, com crueldade e barbárie. Sejam em pesquisas médicas ou cosméticas, ou então, para puramente satisfazer o paladar das pessoas, como são galinhas, porcos, bois, vacas. Por que estes não se defendem, não se fazem campanhas como para os “fofinhos cachorrinhos peludinhos”? E não tenho dúvidas que a CRIMINALIDADE do homem, em tratar com maior crueldade, sem afeto, tais animais são muito barbárie do que com os cachorrinhos abandonados. Que um exemplo? Veja o documentário “A Carne é Fraca”, em como se dá a produção de animais destinadas para servir de alimento, como é o dia-dia dos matadouros.

Sinceramente, acho que em termos gerais nos sentimentos insatisfeitos conosco mesmo, por não saber tratar as pessoas, por não podermos dar carinho, cuidar delas. Nos sentimentos “MAL”, mas ai temos um remédio para isso: “Dogs fofos de estimação”. Eles não pensam como gente, não reclamam como gente, dão menos custos do que pessoas (não todo o caso), basta dar comida, água, e um pouco de atenção e carinho, que eles ficarão sempre no seu pé, como se você fosse um “deus” para eles. E aí, por poder alimentá-lo, por poder, dá-lo carinho, dar-lhe um mínimo de conforto (de certo modo, confortos HUMANOS, pois humanizamos os cães e suas necessidades, pois naturalmente não é assim, nem muito menos precisam disso), e ai ao ver-los, nos sentimentos GENTE, nos sentimos BOA GENTE. Opa! Sucesso! Como sou uma boa pessoa, consegui fazer mais um cachorro, ter uma casa para morar (como se se preocupassem com isso), consegui fazê-lo ter uma vida de conforto até morrer com 20 anos, consegui fazê-lo ser feliz, o alimentei, CUIDEI BEM DELE, “oh! Sou uma boa pessoa.” Tornei o mundo um lugar melhor e mais justo, pois dei conforto para um cachorro que viveu dentro de 4 paredes.

Não podemos nos iludir. Não podemos nos deixar ser enganados. A nossa verdadeira grandesa está em como servimos tratamos as pessoas; e não um pet. Quanto hipocrisia em sermos SALVADORES dos Pets, mas ao mesmo tempo MATADORES de outros animais apenas para nossa degustação. Sem hipocrisia! (Sorry mas eu não a suporto).

Uma boa reflexão sobre isso. Fica quanto ao filme “A.I. Inteligencia Artificial”, em que criam CRIANÇAS como Pet. Crianças idênticas aos humanos, ou melhor dizendo, as crianças mais fofas possíveis imagináveis. São idênticas em tudo, inclusive na pele, expressões, o falar, mas por dentro robôs; condicionados e feitos. Para serem CRIANÇAS ETERNAMENTE (enquanto a bateria durar). E melhor ainda, essas “Crianças”, são PROGRAMADAS para ser extremamente fofas! Imagine os cães mais fofos que você já conheceu, ou a criança mais fofa que já conheceu, como costumam ser até seus 7, 9 anos. Bem, ela seria sempre assim. Crianças Pet, feitas para serem objetos de adorno, brinquedos de Afeto dos homens; para se sentirem bem, se sentirem amadas, se sentirem boas pessoas. E aí, o filme cria toda um discussão, pois acabam considerando a criança como Pessoal, literalmente, ao invés de um produto sintético. E as pessoas, que maltratam este robô, ou tentão “desliga-lo” (matar) são vistas como loucas, perversas, monstras.



E as pessoas abandonadas? Por que não as adotamos? Não pegamos para criar? Será porque estão muito sujas, feias, cheia de doenças, aos farrapos, deseducadas. E assim, "nada agradável" e "nadica de fofo" para a nossa vista?


Não sou contra a ter cachorros, não sou contras a trata-los bem. E acho que um animal pode muito ajudar as pessoas em questão a educação. E deveriam aprender com isso, em como serem melhores com as pessoas. Todavia, precisamos fazer uma séria reflexão, ao invés de uma “Moral Infantil” ou como “Adultos Mimados”, como é colocado no livro “Admirável Mundo Novo”, pessoas para quais a vida e o bem se resume em satisfazer e agradar seus desejos. E assim impedir uma Inversão de Valores que já tem acontecido na vida de muitas pessoas, fazendo o mau penso estar fazendo o bem.

(depois reviso os erros de digitação)

Admirável Mundo Novo - Fim

Os últimos capitulos do livro são extremamente densos. Se você acha que não tem muito o que esperar, bem, conforme se chega próximo ao fim, o livro apenas intensifica. Os últimos 3 capítulos pelo menos, são extremamentes filosóficos do autor. Como se quisesse expor toda a sua filosofia, comprimindo-a, e levando o leitor a refletir e pensar nas questões que ele tentou levantar com o livro. Mas nada, NADINHA de filosofia barata; simplesmente, extraordinário. Confeço, que levarei meses, anos, talvez toda minha vida para digerir as palavras do seu final, sobretudo, das palavras do Administrador Mustafa Mound.

Em primeiro lugar, tenho que tirar o chapéu para o falecido autor, que em 1930, já colocou como seriam as super 'armas' do futuro em que a policia usaria. Ao invés de "Metralhadora alemã ou de Israel estraçalha ladrão que nem papel" (como dizia uma daquelas coisas que eu chamava de música na minha adolescência), é uma máquina que produz uma música sintética e que solta um gas cheio de uma droga no ar, que faz as pessoas no ambiente se sentirem totalmente amáveis uma com as outras, afetuosas, carentes, de modo a desistirem e esquecer de seus aborrecimentos. Uma máquina não só para 'controlar um motim, uma revolta', mas para 'reverter'; máquinas de poder psiquico. E para os casos mais emergenciais, uma pistola que lança um dardo tranquilizante, que imediatamente derruba a pessoa como gelatina no chão, como se não tivesse mais músculos e ossos.


Bem, agora vamos ao que interessa. Sem mais enrolação, replico apenas as palavras do livro, no momento que faz uma declaração sobre a religião, sobre Deus; e porque deve ser banido da sociedade para poder haver felicidade e controle social.

- Mas se os senhores não ignoram Deus, por que não falam nele? - perguntou o Selvagem, indignado. - Por que não permitem a leitura desses livros sobre Deus?
- Pela mesma razão por que não apresentamos Otelo: eles são antigos. Tratam de Deus tal qual era há centenas de anos, não de Deus como é agora.
- Mas Deus não muda.
- Acontece que os homens mudam.
- Que diferença faz?
(...)

- ... Bem, como eu ia dizendo, havia um homem que se chamava Cardeal Newman. Ah, eis o livro - retirou-o do cofre - E já que estou aqui, vou tirar também este outro. É de um homem que se chamava Maine de Biran. ...
(...)


- ... - Abriu o livro no lugar marcado com uma tira de papel e começou a ler: "Nós não pertencemos a nós mesmos, assim como não nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, que não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos nossos próprios senhores. Somos a propriedade de Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desse modo? Será a qualquer título uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Os que são jovens e prósperos podem acreditar nisso. Podemos crer que é uma grande coisa serem capazes de conseguir tudo segundo os seus desejos, como supõem - não dependerem de ninguém, não terem em pensar em nada que não esteja ao alcance da vista, dispensarem a obrigação molesta da gratidão constante, da prece contínua, da incessante referência a tudo o que fazem à vontade de outro. Mas com, o correr do tempo, acabam percebendo, como todos, que a independência não foi feita para o homem - que é um estado antinatural -, que pode satisfazer por algum tempo, mas não nos leva com segurança até o fim..." - Mustafá Mond parou, pousou sobre a mesa o primeiro livro e, tomando o outro, virou-lhe as páginas. - Veja isto, por exemplo - disse, e com sua voz profunda começou a ler novamente: - "Um homem envelhece; percebe em si mesmo aquela sensação radical de fraqueza, de atonia, de mal-estar que acompanha o avançar da idade; e, sentindo-se assim, julga estar apenas doente, aquieta seus temores com a idéia de que esse estado penoso é devido a alguma causa particular da qual espera curar-se como de uma moléstia. Vãs imaginações! A moléstia é a velhice; e trata-se de uma doença horrível. Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a se voltarem para a religião à medida que os anos se acumulam. Todavia, a experiência pessoal me trouxe a convicção de que, completamente à parte de tais temores e imaginações, o sentimento religioso tende a desenvolver-se quando envelhecemos; tende a desenvolver-se porque, à medida que as paixões se acalmam, que a fantasia e a sensibilidade vão sendo menos excitadas e menos obscurecida pelas imagens, desejos e distrações que a absorviam; então, Deus emerge como se tivesse saúde de trás de uma nuvem; nossa alma vê, sente a fonte de toda luz, volta-se natural e inevitavelmente para ela; porque, tendo começado a esvair-se dentro de nós tudo aquilo que dava ao mundo das sensações sua vida e seu encanto, não sendo mais a existência material sustentada por impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em algo que permaneça, que nunca nos traia - uma realidade, uma verdade, absoluta e eterna. Sim, voltamo-nos inevitavelmente para Deus; pois esse sentimento religioso é por natureza tão puro, tão delicioso para alma que experimenta, que compensa todas as nossas perdas".


- ... "Só se pode ser independente de Deus enquanto se tem juventude e prosperidade; a independência não nos levará até o fim em segurança." Pois bem, agora nós temos juventude e prosperidade até o fim. ... "O sentimento religioso nos compensará de todas as nossas perdas." Mas não há, para nós, perdas a serem compensadas; o sentimento religioso é supérfluo. ... Que necessidade temos de repouso, quando nosso corpo e nosso espírito continuam deleitando-se na atividade? De consolo, quando temos o soma? De alguma coisa imutável, quando temos a ordem social?
(...)
- Mas não é natural sentir que há um Deus?
- ... Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. ...
(...)
- E o desprendimento, então? Se tivessem um Deus, teriam um motivo para o desprendimento.
- Mas a civilização industrial somente é possível quando não há desprendimento. É necessário o gozo até os limites impostos pela higiene e pelas leis econômicas. Sem isso, as rodas cessariam de girar.
- Teriam uma razão para a castidade! - disse o Selvagem, corando levemente ao pronunciar as palavras.
- Mas a castidade significa paixão, a castidade significa neurastenia. E a paixão e a neurastenia significam instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização duradoura sem uma boa quantidade de vícios amáveis.
- Mas Deus é a razão de ser de tudo o que é nobre, belo, heróico. Se tivessem um Deus...
- Meu jovem amigo, a civilização não tem nenhuma necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas de incapacidade política. ... E se alguma vez, por algum acaso infeliz, ocorrer de um modo ou de um outro qualquer coisas de desagradável, bem, então há o soma, que permite uma fuga da realidade. ... O Cristianismo sem lágrimas, eis o que é o soma.

...

Poderia comentar muita coisa, mas estou sem animo para fazê-lo. Apenas considero, que após ler bem os últimos capítulos, me tomei conta, que este Admirável Mundo Novo já é a realidade para muita gente, talvez para a grande maioria do Ocidente. O mundo que preza pela sensação de bem-estar, conforto, e de prazeres infantis como viagens, carros, helicópteros, tvs, tecnlogias de luxo, jogos, músicas infantis, filmes infantis, uma infantilização do homem; o homem que não precisa mais lutar, sofrer horrores, de atos de bravura, heroísmo e altruísmo para realmente conquistar a maioridade; e é assim, se resumir uma vida, os desejos e a satisfação do homem em poder consumir tranquilamente essas coisas, sem importunio até a morte chegar. E sendo assim, para que o homem precisa de Deus? Quando tudo pode ser solucionando, deixando que um 'bom Estado' controle nosso nascimento, nosso condicionamento, nossos desejos, nosso trabalho, nossas ambições, nossos relacionamentos... de modo a termos uma sociedade sem insatisfações, revoltas, e descontroles. E quando houver, uma super droga (soma), que basta um capsula de 500mg tiradas do bolso, para resolver tudo.

É este o mundo em que vivemos, Só não com tanta 'qualidade'. Mas tudo está tentando ser maximizado. ...

E o que resultará disso?


Nota.:
Todavia, o autor faz uma colocação de um mundo no qual fosse possível tornar-se DURÁVEL, ESTÁVEL. Algum tipo de total controle dos fenômenos da natureza quais não se pode ainda controlar, como terremotos,  tempestades, vulcões etc. Mas ai entra uma questão, que torna a obra ficção, pois nunca chegaremos a tal ponto. Por que? Porque o mundo já está condenado. A calamidade afronta o mundo. Seja nos ambitos Naturais, seja nos ambitos produzidos pelo homem, como a escassez de recursos naturais, de alimentos, água, doenças, poluição, intoxicação, superpopulação, conflitos etnicos, e instabilidade economica (neste ponto, um caos sempre adiado, tentando ser empurrado para as gerações futuras)... cedo ou tarde, essa avanlanche vai acontecer (em quanto isso, a neve vai se acumulando no topo da montanha), e ai quando chegar, vai destruir tudo isso a humanidade pensará conquistar como bens duráveis. E ai, quem sabe, não tenhamos uma nova mudança ao passado, depois do banho de água fria.

Admirável Mundo Novo

Estou lendo a incrivel obra “Admirável Mundo Novo” (Brave New World) de Aldous Huxley. Um grande clássico de ficção, publicado em 1932, que descreve o mundo no futuro, de modo de como as transformações que agora estão ocorrendo, de uma perspectiva consumista, utilitária, entre outros; de modo que extrapola mostrando claramente que espécie de futuro, de sociedade que estamos formando. E o admirável, é que o livro foi escrito por volta de 1930, ou seja, numa perspectiva de civilização daquela época. Com isto, hoje, 70 anos depois, vemos claramente que muitas das coisas propostas pelo livro (que talvez fossem utopias na época) hoje já são realidade, e outras, em processo.

1. Do controle populacional
Nesse futuro, as pessoas foram condicionadas a ter total repulsão em ter filhos, de modo que a anticoncepção tornou-se um valor intrínseco, tão elementar quanto dizer que ninguém quer passar fome. E deste modo, não existia mais o conceito de ‘familia’, de ‘mãe’, ‘pai’, tais passaram a ser considerados selvagerias do passado, de uma sociedade bárbara, que dá a luz 'como um animal’. Mas a nova produção de pessoas é totalmente feita em laboratório, muito controlado, com uma perspectiva Fordista (alias, Ford é considerado o Deus, na obra), de modo a maximizar a produção; e já atribuindo aos embriões as características das castas sociais a qual pertenceria. Todavia, para chegar neste ponto, a humanidade teve que passar por uma grande Guerra Civil, um grande extermínio de quando a população chegou a nível alarmante, de modo, que aqueles que eram contra a este 'novo modelo de sociedade', foram sendo exterminados brutalmente. Todavia, depois, perceberam, que era mais fácil e dava mais resultado apenas ir condicionando, convencendo as pessoas, através da propaganda. Ah, como ia me esquecer, e caso alguém por acidente engravidasse, havia o grande Centro de Aborto; e do mesmo modo, era óbvio fazer o aborto.

2. Do Utilitarismo
As pessoas eram produzidas a partir de uma demanda. Por exemplo: “Preciso de x engenherios”, ou “Preciso de y mineradores.”, ou “Preciso de w limpares de esgoto.” E por assim vai. E desde a escolha de como seria formado o feto, até como este seria produzido até ter então o ser humano pronto, tudo era pensando em função do seu trabalho, “da utilidade que exerceria”. E assim, mesmo quando bebe, e por assim vai, toda a ‘educação’ dele seria um condicionamento para exercer perfeitamente o trabalho que realizaria (alias, o ideal era produzir o maior número de gêmeos possível), só poderia ler livros sobre tal, seria condicionado de modo a considerar que isso, esse trabalho era a sua felicidade e a não desejar, nem imaginar ou pensar em realizar a função, trabalho de outra pessoa. Ao mesmo tempo, que o Consumo de coisas manufaturados era uma obrigação, fazia parte da utilidade, então eram condicionados também, a não admirar ou gostar de se divertir com a Natureza por exemplo, contemplar uma paisagem, as estrelas, ir numa cachoeira, observar as flores, porque isso não trazia vantagem financeira, não precisaria consumir coisas para isso, então eram condicionadas a odiar, detestar tais coisas; mas sim, a viver nas cidades, e a se divertir com brinquedos e esportes que tivessem que usar muitos objetos produzidos pela industria, e cada vez, que fossem se divertir, mais objetos.

3. Do fim da moral (ou melhor, a transformação)
Para ocorrer esses acontecimentos, seria, obviamente, também necessário controlar a perspectiva filosófica de vida destas pessoas. De modo, que então, se criaria vários clichês, frases com os conceitos do que queriam que as pessoas pensassem, o que queriam ter como perspectiva de vida, felicidade, do que era bom, e isto era repetido infinitamente em sua infância e adolescência, no dia-dia, até mesmo enquanto dormia, e tinham que exercitar, ficar repetindo 500 vezes, 2 vezes por semana, por 5 anos (não lembro os números exatos). E então, para eles, isto os convenceria, isto então FORMARIA UMA VERDADE. Qualquer verdade poderia ser produzida, bastasse repeti-la infinitas vezes, para toda a massa da população, impossibilitá-la de pensar diferente, e ai viraria tudo senso comum, e todos iriam acreditar que aquilo era verdade. E tudo isso tinha uma perspectiva Estadista (vamos assim dizer), de controle do Coletivismo, ou seja, o condicionamento consistia em criar as seguintes verdades, por exemplo:

- Não existe pior ato, ou mais depravado do que ser mãe, ou pai, ou ter família, dar a luz a um bebe;
- Todos são importantes para o todo, cada um tem que fazer a sua função e respeitar a do outro;
- Todos são de todos; ser individualista, pensar no ‘eu’, é imperdoável;
- É preciso consumir tudo o que é novo. Sempre jogar as coisas velhas fora e comprar um novo. É preciso Consumir, comprar coisas novas, de tudo. Consumir e consumir, quanto mais coisas, melhor. É melhor comprar uma roupa nova do que remendar.
- Se sentir um tiquinho de infelicidade, preocupação, insatisfação, dúvida, tome um pouco de soma imediatamente.

Nesses condicionamentos, temos as maximizações de alguns conceitos já presentes; que a grosso modo, achamos ‘bons’. Todavia, que não passam de modelos de controle social. Bem, consequente a essas coisas temos também que não haveria lógica permitir que ideias de filósofos, ou então, tampouco de religiões, sobretudo do Cristianismo, ocorressem. E tais coisas, foram erradicadas, abolidas, exterminadas como pensamentos nojentos dos selvagens primitivos do passado, dos incivilizados.

Toda a moral Cristã foi erradicada. E com isso, logicamente, temos então, os avanços máximos da tecnologia, que permitem tornar o homem plenamente satisfeito, feliz; e ao mesmo tempo, não frustrado, não ansioso. E com isso, tem a questão do ato sexual, ‘brincadeiras eróticas’ (como seria dito, é literalmente, uma brincadeira). Pois, as pessoas naturalmente tinham esse desejo, e aí, quando eles percebiam que tinham esse desejo, mas não conseguiam um parceiro(a), ou tal não aceitava, tal ficava frustrado, triste, chateado, até que então finalmente conseguisse. Ou seja, entre a consciência do desejo e sua realização havia um tempo. E quanto maior esse tempo, mais ruim é para o homem, mais frustra, mais infeliz. Logo, as pessoas foram condicionadas, e junto a tecnologia erradicar isso, e assim, por exemplo, em questão ao sexo. Todos eram de todos, não existia essa coisa de privacidade, de casal, união, era apenas brincadeira ao mesmo tempo, um dever civil, um dever como pessoa. E desde crianças, bebes talvez, eram condicionadas a ‘brincar’, ter inúmeros parceiros, “todos são de todos”. Se o Ricardo queria brincar de sexo com a Sheila, eles simplesmente iriam atrás da moita e faziam (atrás da moita porque o livro foi escrito em 1930, se fosse escrito hoje, bem, sigamos que na Holanda já é permitido fazer sexo em público - e livro nem faz menção há pessoas do mesmo sexo fazerem), não era algo pessoal, sentimental; era apenas a realização de um desejo, a satisfação. Todos eram condicionados a querer fazer, com todos, se alguém oferecesse, você tinha a obrigação de aceitar. E assim, era para todos os desejos que hoje poderíamos chamar de ‘carnais’ do homem. Alias, nisso, as mulheres de certo modo, eram mais consideradas, como mais status, mais desejada, aquelas que eram consideradas mais 'pneumáticas'.

4. O Fim da Vida
Do mesmo modo, as pessoas eram condicionadas a não ter outra perspectiva de vida senão a que foram condicionadas a viver. Os avanços da tecnologia (além de permitir 100% de sucesso no condicionamento) permitiram as pessoas envelheceram tão jovialmente quanto uma pessoa de 30 anos. Todavia, quanto chegava aos 60 anos, era hora de morrer, pois a partir daí ia perdendo sua utilidade, já era velho, ou seja, tudo que é velho tinha que ser jogado fora, para um novo ser consumido. Iam para o incinerador, e todo a constituição do seu organismo era reaproveitada, por exemplo, para fertilizante, ou para o armazenamento de cálcio. Era apenas o fim. As pessoas eram condicionadas de que eram apenas um ‘produto’ (um robô), fabricadas para um fim utilitarista na sociedade, viveriam felizes, e ai, aos 60 anos era o fim da sua validade, e morriam. Pronto. Ninguém questionava a isso. E todos foram condicionados a considerar isso como o natural, obvio, elementar, inquestionável. (claro, mais um motivo para terem abolido o Cristianismo).

5. Soma – O Remédio Para Tudo
Bem, inevitavelmente, sempre acaba acontecendo qualquer situação de desconforto, de infelicidade, tristeza, incerteza, insatisfação, seja com o que fosse. Fosse por exemplo: “Hoje não estou afim de fazer sexo.”, ou “Fui mal na prova.”, ou “Fui demitido.”, ou “Tenho duvidas existenciais”, ou “sinto tédio” (o que era impossível, pois existiam diversas atratividades), ou "Sinto dor, ou com fome, ou nojo". Bem, seja qual fosse o embaraço emocional, o problema. O que hoje, muitas pessoas recorrem as diversas drogas existentes no mercado, como por exemplo, o Alcool, crack. Bem, neste futuro, os engenheiros químicos conseguiram fazer a droga perfeita. Bastava engolir uma capsula (alias, todos estavam sempre bem abastecidos com várias delas no bolso) e imediatamente teriam todos os melhores efeitos das drogas e com absolutamente NENHUM efeito colateral para organismo. Ou seja, não fazia mal para ninguém; não deixaria ninguém viciado, ou doente, ou com sono, ou lelé da cabeça, ou seja lá, o que normalmente hoje tentam usar de argumentam para não usar [“faz mal a saúde”]. Ou seja, bastava tomar, e todos os seus problemas eram esquecidos, você se sentia nas nuvens. Se estivesse uma triste chuva, você veria um lindo sol brilhar. Ficaria super feliz, contente, se sentiria, absolutamente a pessoa mais feliz do mundo.

E deste modo, o Soma, se tornou o instrumento mais essencial para controlar as pessoas. Pois, bastasse elas sentir ou pensar qualquer coisa que soasse ‘insatisfação’ com o como é as coisas, a vida, o mundo, a sociedade, como elas agem, o que aconteceu e etc; e bastasse tomar uma capsula de soma, e tudo estaria resolvido. E assim, tudo era normalizado novamente. (alias, a bebida alcoólica é o Soma do Brasil, com qual o Governo ainda consegue controlar um pouco a população: "Carro, futebol, churrasco e cerveja.", e o brasileiro está feliz)

E assim, o controle era realizado pelos administradores desta sociedade. Permitindo o ciclo da sociedade estável, da estabilidade e da ‘felicidade’ sempre continuo.


Bem, a partir desta ficção sobre o futuro, pense sobre os processos que estão acontecendo no mundo hoje, na sociedade, na sua vida, na sua carreira, no seu trabalho, na sua educação, na mídia, e tudo mais. O que está acontecendo com as famílias. E então pense: “Para onde estamos indo?”, “Que tipo de mundo estamos formando?”, “O que estamos fazendo?”, “Em que tipo de pessoa ou PRODUTO estamos nos tornando?”

Uma observação (entre dezenas que poderia fazer com este livro):
Há certo momento do livro, em que os jovens estudantes, já bem condicionadas (ou seja, verdadeiros observadores e guardiães da ‘verdade’), tais são levados há um tipo de palestra no qual o D.I.C. é falado sobre o passado, de como consideravam absurdo as pessoas não praticar sexo quando simplesmente desejarem. Este trecho, creio eu que vale a pena redigir:

“Revelou a espantosa verdade. Durante um período muito longo antes de Nosso Ford, e até no decurso de algumas gerações ulteriores, os brinquedos eróticos entre as crianças eram consideradas anormais (houve uma gargalhada); e não apenas anormais, mas realmente imorais (não!); e eram, portanto, rigorosamente reprimidos.
A fisionomia de seus ouvintes tomou uma expressão de incredulidade espantada. O quê? As pobres crianças não tinham o direito de se divertir? Não podiam acreditar.
- E até mesmo os adolescenes – dizia D.I.C. –, os adolescentes como os senhores...
- Não é possível!
- Salvo um pouco de auto-erotismo de homossexualidade, às escondidas... absolutamente nada.
- Nada?
- Na maioria dos casos até terem mais de vinte anos. (o livro foi escrito em 1930)
- Vinte anos? – ecoaram os estudantes, num ruidoso coro de cetismo.
- Vinte anos – repetiu o Diretor. – Eu os preveni de que achariam isso incrível.
- Mas, então, o que acontecia? – perguntaram. – Quais eram os resultados?
- Os resultados eram terríveis. – Uma voz profunda e vibrante interpôs-se no diálogo, sobressaltando-os.
(...)
- Terríveis – replicou.”
Admirável Mundo Novo, cap. 3


Isso escrito em 1930, e hoje: O que diríamos disso? É comum, talvez a maioria, dos adolescentes de hoje, com 12 ou 13 anos, já iniciaram sua vida sexual, e suas ‘brincadeiras eróticas’. E a tendência é diminuir a idade ainda mais. Ao mesmo tempo, que as baladas, o ‘fica-fica’ do dia-dia entre os jovens, está cada vez mais comum, um tipo de atitude semelhante a essa perspectiva do autor, sexo sem compromisso, tudo apenas como uma ‘diversão’, está se tornando normal. Enquanto, que já está crescendo o número dos que ‘riem’, dos adolescentes, que não fazem, ou dos que só depois dos 20, ou depois de casar.

Como já dizia a Biblia, no fim dos tempos, o mundo seria como Sodoma e Gomorra. Disso, para pior. O que há 70 anos era ficção e utopia, hoje já é, em grande parte, realidade. A próxima geração que aguarde.


Apenas para deixar o gostinho:
O livro previu o surgimento da música sintética, a música eletrônica, de produtos tecnológicos que produziriam cheiros, paisagens e cores, no interiores de casas, prédios, quartos...

Um Livro Único

Este ano fui marcado por muitas leituras, especialmente de grandes 'relíquias' da literatura mundial, destacando:

- Cronicas de Nárnia, C. S. Lewis
- O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien
- A República, Platão
- A Abolição do Homem, C. S. Lewis
- Cartas de Um Diabo para Um Aprendi, C. S. Lewis
- O Menestrel de Deus - Vida e Obra de Anton Bruckner
- Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Além de vários outras leituras na facul, e durante a vida.

Bem, há poucas semanas eu comecei a reparar em algo, que acho que até então não tive muita consciência. Se você reparar bem, a maioria das literaturas usa de 'expressões' e alguns 'clichês' de versos da Biblia, na maioria das vezes, ironizando ou fazendo um paralelo. Esses momentos na literatura são únicos, e únicos durante a obra, é como se fossem palavras, por pior que sejam, que de algum modo nos chamam a atenção. Sabe, é como beber. Você pode experimentar os mais diversos tipos de refrigerantes, sucos de caixinha, de polpa, alcoolicos, ou mesmo sucos naturais mas com gelo e açucar. Mas quando você toma uma limonada natural, de verdade, ou um copo da água direto do manancial; você sente, você percebe que 'isso é diferente', realmente te 'toca' de algum modo 'genuíno'.

Bem, ai eu fiquei pensando: "O que há na Bíblia de tão especial que tão difere das demais literaturas?"

Pensei no Crônicas de Nárnia, uma tentativa do Lewis de fazer um paralelo com lições biblicas, e de uma cosmovisão geral cristã, porém com uma estória num sentido mais cativante para um público infantil. A história, o enredo pode ser cativante, a forma como é escrito também. Mas ainda assim, é diferente, não é a mesma coisa.

Então pensei um pouco mais e tentei reparar em algo em que todas as literaturas tinham e que a Bíblia não tinha. Foi quando por um momento eu pensei em outra coisa:

A Natureza

Dá veio uma luz. Bem, conseguimos ter uma clara percepção de uma paisagem natural e de uma não-natural. Olhamos para as cidades e fica evidente que aquilo foi obra humana, ou mesmo uma praça, um parque. Mas quando entramos numa genuina floresta como a mata-atlantica, lidamos com aquele ambiente, e logo percebemos algo: "Isso não foi feito por uma mente humana." Bem, não estou dizendo que foi feito por outra mente não-humana, o objeto em questão não vem ao caso. Mas a questão é que quando olhamos na Natureza em si, vemos não o que poderia chamar de uma 'casualidade' em si, pois encontramos muitos padrões nela, mas sim, que parece que não foi feito, a principio com nenhuma 'intenção humana'. Não foi uma pessoa que colocou aquela planta ali, que delimitou seu território, o formato, entre outras coisas. A forma como tal está organizada não é para convencer o homem de nada, ou dar conforto a este (se acontecer, é mais um ato de adaptação do homem); em outras palavras, é uma estrutura organizada meio que 'nem ai para o homem'.

Quando olhamos para um parque, uma cidade, ou qualquer coisa, vemos em tal algum tipo de 'intenção humana' ali. Seja em convencer, seja em dar algum tipo de conforto ou logistica para vivencia humana; mas de um modo claramente que só uma mente humana faria isso, com propósitos humanos. Podemos dizer que a Natureza em si não tem propósitos, enquanto que as obras humanas têm.


Bíblia ≠ Demais Literaturas

Se leio um texto mais estilo artigo cientifico, a priore, temos ali a defesa de uma tese. No qual se busca refutar ou afirmar, ou chegar em alguma conclusão, e nisto há analises e argumentações, sobre o que é observado, feito; de modo, a tentar ser 'convincente, claro' para o leitor ou ouvinte. Se ouvimos uma obra mais do tipo filosófica, antropológica, vemos muito uma argumentação, como se o texto fosse um 'processo educativo' (como um tipo de máquina em movimento) tentando fazer o leitor entender o que o autor tenta dizer e convencê-lo de estar certo. Numa obra mais do tipo ficção, vemos muita a tentativa de uma descrição de uma realidade convincente, ou a tentativa de nos chamar a atenção para alguns temas, sobretudo atuais, e ironizá-los, ou aumentá-los, ou questioná-los, e por ai vai, pondo questionamentos e idéias que o autor teve de onde isso pode chegar. Sempre vemos essa perspectiva humana, de dar uma credibilidade, confiança, um resultado efetivo em sua palavra, seja na retórica, na argumentação, na linguagem. Ou seja, é AMBICIOSA. Sempre vemos algum tipo de ambição nas palavras, sejam elas boas ou más.

E é ai que reside a diferença. Não encontramos isso na Bíblia. Não é escrito como um livro de hoje. Nem como era escrito uma obra de Platão da época (a grosso modo). O caráter da Bíblia é diferente. Você lê e não encontra essas ambições no autor. É como o retrato da paisagem da Natureza qual descrevi anteriormente. Você olha para a Natureza, e de certo modo, é como se ela não está nem aí. Isto é o que mais me impressiona a Bíblia, ela não tem a ambição de nos convencer. Não em sua linguagem, não em sua argumentação, não em sua retórica. Olhe para o livro de Números. Parece que apenas estamos olhando uma "Base de Dados". Olhe para provérbios, parece um monte de frases jogadas ao vento. Algo do tipo, "bem, se não acreditar, por mim tanto faz, depois você que arque com as consequencias."


Provérbios 1
Escutem! A Sabedoria está gritando nas ruas e nas praças. Nos portões das cidades e em todos os lugares onde o povo se reúne, ela está gritando alto, assim:

"– Gente louca! Até quando vocês continuarão nesta loucura? Até quando terão prazer em zombar da sabedoria? Será que nunca aprenderão? Escutem quando eu os corrijo. Eu darei bons conselhos e repartirei a minha sabedoria com vocês. Eu chamei e convidei, mas vocês não me ouviram e não me deram atenção. Vocês rejeitaram todos os meus conselhos e não quiseram que eu os corrigisse. Assim, quando estiverem em dificuldades, eu rirei; e, quando o terror chegar, eu caçoarei de vocês. Zombarei de vocês quando o terror vier como uma tempestade, trazendo fortes ventos de dificuldades. Eu rirei quando estiverem passando por sofrimentos e aflições. Então vocês me chamarão, mas eu, a Sabedoria, não responderei. Vão procurar por toda parte, porém não me encontrarão. Vocês não quiseram a sabedoria e sempre se recusaram a temer a Deus, o Senhor. Não aceitaram os meus conselhos, nem prestaram atenção quando os corrigi. Portanto, receberão o que merecem e ficarão aborrecidos com as coisas que fizeram. Os tolos morrem porque rejeitam a sabedoria; os que não têm juízo são destruídos por estarem satisfeitos consigo mesmos. Mas quem me ouvir terá segurança, viverá tranqüilo e não terá motivo para ter medo de nada."

[ME DIGA ONDE VOCÊ JÁ LEU ALGO COM ESTA IDÉIA, DE MODO QUE CONSEGUIU TE INTIMIDAR MAIS DO QUE ESTA.]

Está lá, apenas fala. O autor demonstra algum tipo de paz ao escrever as palavras. A Bíblia sempre tem um tom REDENTOR, RECONCILIADOR - o que já difere de 99% dos demais livros. Algo do tipo, tanto faz. Não estou preocupado o que vão achar das minhas palavras, da minha literatura; mas gostaria que prestasse atenção e desse valor ao que digo, para o seu bem. Quem tem ouvido ouça, que não tiver, que siga o seu caminho.

Ao mesmo tempo, a Bíblia é um livro 'desconexo'. Biblia por definição significa um conjunto de livros. E esses livros são desconexos. O Simarilion, O Hobbit, a triologia dos Senhor dos Anéis, por exemplo, todos escrito por Tolkien, acho que contém mais palavras do que a Bíblia, estes sim são bem conexos; propositalmente conexos. Vemos essa mentalidade do autor. Mas na Bilblia, não tem como! Por definição, pois ela foi escrita num periodo, que acreditasse de mais de 2.000 anos. Muitos dos autores nem se conheceram. De modo, que vemos autenticidades literais. O exemplo mais claro disso fica nos Evangelhos, 4 autores diferentes, 4 linguagens, estilos, abordagens, pontos de vistas diferentes, não há uma busca de coerência para com a outra parte. Toda esse conjunto de coisas descasadas. É único!

O Alcorão dos Islâmicos por exemplo, não tem isso. Fora escrito por Maomé. A Bíblia, são 39 autores, dezenas de livros !! Será que alguem faz realmente noção do que isso significa? É um ato único na História! Acho que a coisa "mais próxima" (apesar que apenas na variavel tempo) que podemos comparar seria o desenvolvimento dos postulados de Euclides sobre Geometria, em "Os Elementos", qual dura até hoje.

Além disso, vemos na Bíblia as caracteristicas da linaguagem e dos pensamentos da Época. Compare Jó com João por exemplo, os dois extremos. A simplicidade de um provavel nomade dos desertos e montanhas, que apenas pastoreava gado, na mais simples das vidas, numa época com poucas palavras, de pouca cultura. Mas foi um exemplo de homem de fé, é descrito com a linguagem de Moisés. Vemos as caracteristicas da pena de Moisés, mas não a descrição do homem Moisés, uma vida muito simples, um tipo de jornada qual ele não vivenciou nem contemplou, pois a dele, desde o seu nascimento foi muito diferente. Já João, esbanja um cara que passou por muita coisa mais atual, viajens, conhecendo os romanos, a prisão, e tantos outros, teve que se voltar para a arte para DESENHAR o que foi descrito posteriormente como as palavras do que conhecemos hoje como o livro de Apocalipse (que significa: revelação; a revelação das figuras, imagens, de João; ou o que alguns atribuem, como a revelação que aconteceria no fum dos tempos).

Esta coerencia que vemos no todo da Biblia, em sua cosmovisão. Nos convence de que toda ela é especial. De modo que ao ler a Bíblia, consideremos-a, e comos convencidos por isso, que tal foi ARQUITETADA, CONFIGURADA, ESCRITA por uma única pessoa. Nos parece uma incrivel obra de arte.

Além disso, podemos ver coisas absurdas na Bíblia. Uma especie de 'anti-sofismo'. O oposto de um discurso politico, ou palestra, ou mesmo dos 'sermões' como estamos acostumados a ver hoje nas igrejas. A pessoa confeça todos os seus erros, alias, péssimos, horríveis, jus de morte (para a época), alias, Estevão foi morto. E por fim, temos algo do tipo, "dane-se o que vai acontecer comigo, se vou morrer ou viver. O que importa é que Jesus Cristo foi pregado." Até mesmo a busca da felicidade, essa palavra "felicidade" é deixado em segundo plano. É como a Natureza "e daí". E daí que nascemos. E daí que morremos. Vaidade de vaidade tudo é vaidade. A única verdade é Cristo. É um tipo de assassinato do Ego, qual praticamente não vemos em nenhum livro. Eu particularmente, nunca pude encontrar isso num livro que já li, ou qualquer texto que já li. Até mesmo os da Ellen G. White, vemos um grande teor argumentativo, por isso considero-os diferentes.

Tentando finalizar

Infelizmente, não costumamos parar para pensar sobre isso. Mas quando começamos a enumerar item por item do que faz da Bíblia tão única; e genuinamente diferente de qualquer outra coisa que já tenha lido, até mesmo de Confúcio, Sêneca (quais se aproximam no ambito da moral, da idéia), bem, é uma lista enorme. Me surgem um monte de coisas na cabeça agora. Poderia falar sobre as profecias "internas" vamos assim dizer, e que historicamente, se concretizaram. Como as mais de 70 profecias messianicas do Antigo Testamento, que se concluiram perfeitamente com Jesus. Além daquelas sobre o mundo nos últimos dias. De como causou polemica em toda história, de como foi odiada, de como foi tentado várias vezes, ser TOTALMENTE destruida, abolida da humanidade, impedida que fosse lida, etc.

Nada se compara a ela. E acho que talvez o fator mais especial. É porque ela é tão SEM AMBIÇÃO, GANANCIA, na sua produção, de modo que a torna muito pura. Quando saímos da cidade e vamos para o simples campo, percebemos como somos 'presos a tantas coisas', 'objetos', 'vaidades', 'trabalho', vemos melhor quem somos. Porque chegamos na Natureza, neste lugar sem intenção, não feito pelo homem, não  produzido por uma mentalidade humana. Nós serve como um espelho para alma. Porém, infelizmente, há uma grande limitação, que é a própria linguagem da Natureza. Precisamos de palavras, diga-se de passagem, de muitas, muitas palavras, e assim muitas idéias. Aliás, considero que temos que ir além das palavras e nos encher de muitas 'idéias musicais', que é ainda mais pleno do que as palavras do dicionário. Agora quando se trata da Biblia, vemos este espelho extremamente claro, porém, CHEIO DE PALAVRAS, mas como a Natureza, sem intenção, não feito pelo homem. E assim, ao lermos, estudarmos a Bíblia, nossos olhos abrem de modo que conseguimos nos ver absurdamente tão claro, mas tão claro, que normalmente desejamos fechá-la, ficamos com medo deste livro, de lê-lo, e de assim, encarmos nós mesmos, quem realmente somos. Além disso, quando mais compreendemos a Bíblia, parece que mais claro e fácil fica de se compreender e ver as pessoas, suas intenções, e tudo mais.

Outra comparação. No filme Matrix, ler a Bíblia, é como a oportunidade de sair da Matrix, e como Neo, poder finalmente enxergar a realidade. A questão é, queremos vê-la? Queremos sair do nosso mundinho, idéias, sonhos, perspectivas, e desejos virtuais?

Aí está, ao meu ver, a prova máxima, de que a Bíblia é um livro único. Incomparavel com qualquer outro livro ou obra escrita por um humano. Não disse em nenhum momento até aqui a parte 'religiosa', de que isso quer dizer que então foi inspirada realmente por Deus. Não disse isso, se você quer acreditar nisso ou não, fique a vontade. Mas o grande fato é que a Bíblia é a única coisa na Terra que tem o seguinte poder, e que você e eu podemos averiguar a qualquer momento:



"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração."

Hebreus 4:12 



É simplesmente isto, o que a Bíblia tem de especial. É este poder vivo e eficaz, de penetrar em nossos corações e fazer uma autópsia extremamente lucida discernindo nosso pensamento e nossas intenções. (inclusive as dos outros).

Que tal em 2012, participar de uma grande aventura que vai demandar MUITA MUITA coragem. Algo que nem mesmo a maioria dos cristãos tem. Que é a de ler e estudar este conjunto de livros, chamado de Bíblia.

Mensagem de Natal - 2011



"Os filósofos são inúteis porque a humanidade não quer servir-se deles."
Platão, em A República

Modo estranho de começar uma mensagem de Natal. Mas é algo que acontece e que precisamos reconhecer. Sim, reconhecer, caso um dia quisermos realmente obter algum tipo de crescimento genuíno. Sócrates estava sendo questionado, quando começava a defender a virtude e o papel do sábio, do filósofo, quando foi questionado: "Mas ninguém quer saber de vocês. São vistos como estranhos, além de muitos serem acusados de caluniadores."

E então Sócrates, mostra na verdade que o que acontece, é uma insubordinação. As pessoas na verdade não querem servir-se dos sábios, dos filósofos, querem governar, ao invés de ser governadas, mesmo quando elas não têm razão, nem capacidade. É como se você ganhasse uma grande fortuna mas não soubesse como administrá-la de forma que fosse bom para você, para a comunidade, para a família, para a economia, e para a prosperidade no futuro, mas há quem sabe; e você poderia deixar todo o dinheiro com tal para fazê-lo então o que fosse mas justo; mas não, prefere cuidar você mesmo do seu dinheiro e gastá-lo como achar melhor.

Bem, de certo modo, é exatamente o que acontece nos dias de hoje com o cristianismo, se formos assim pensar. A questão em geral não é se a religião é boa ou má, ou quanto as boas verdades das Escrituras Sagradas, ou os ensinamentos de Jesus, e tudo mais. O problema está em as pessoas – inclusive eu, muitas vezes – não quererem servi-los. Pensamos: esta vida é minha, este corpo é meu, esta mente é minha, estes olhos são meus, este tempo é meu; logo, faço com eles o que quiser.

Convenhamos, isto funciona razoavelmente em tempos de paz e prosperidade. Como um rico país, em que o Governo faz verdadeiros desperdícios de recursos públicos,  e muitos erros, mas com a nação em plena prosperidade, por mais que cometa erros, no fim, tudo dá certo, tudo vai bem, a dinheiro de sobra para queimar. Ou mesmo uma pessoa jovem, que em sua juventude, na plenitude do vigor físico, encara diversas coisas destrutivas para a saúde, e mesmo assim, o vigor continua. Como repreendeu Jesus:

“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.”
Mateus 6:24

O problema, como já advertia o filósofo é quando a casa cai. Quando a cidade entra em caos pelos erros e negligencias do governante tolo, quando a pobreza começa a assolar a população, quando faltam recursos básicos, quando ocorrem ameaças de guerra e seu exército está despreparado, quando todos os seus súditos (que não querem servi-lo, mas são obrigados) começam a ver uma oportunidade de destroná-lo, ou mesmo acabar com sua vida. Quando realmente a ilusão se desfaz, e nos vemos na real, olhamos para as nossas mãos e nada temos, e então, podemos ver um ao outro como semelhantes filhos de Deus. E é quando costumamos então a recorrer a tais, inclusive a Deus, a religião.

A vida incerta é, não sabemos o futuro, e o nosso passado já é o suficiente para nos mostrar quantas surpresas de mudanças repentinas e inesperadas ocorrem sem que sejamos consultados, tampouco preparados. Isso nos ensina que não devemos ter orgulho e nos vangloriar de nossa fortuna, de nosso emprego, diploma, nossa casa, e tudo mais; tudo pode se desfazer da noite pro dia, ou do dia para noite; Nem tampouco olhar com arrogância para os menos afortunados. Os quais, de certa forma, são melhores do que ‘os que têm’, pois são menos desapegados e mais independentes das muitas coisas que temos.

O que você sentiria, pensaria, faria, se um dia, ao andar pelas ruas da cidade, ao se deparar com um morador de rua, fédido, esfarrapado, faminto, numa noite muito fria, e este ao observar que você está com frio, lhe oferece o único manto que tem para você? Não esqueço das palavras de meu querido professor e amigo Paulo Paccheco, que certa vez na aula de psicologia, falou da amiga italiana [vou chamá-la de ‘Ana’] dele que trabalhava de voluntária num campo de refugiados (se não me engano) na África, num lugar totalmente miserável, a a mais miserável da miséria da miséria máster que se possa imaginar; pessoas sem nada, sem comida, sem água; dependia totalmente da ajuda dos grupos humanitários e missões evangelísticas, para sobreviver mais alguns anos sofridos. Bem, contou que certa vez, um grupo dessas mulheres que caminhavam dezenas de quilômetros todos os dias para uma pedreira onde quebravam na força bruta (marretada) toneladas de pedras (tipo, produziam essas pedrinhas que usamos na construção civil – agora você sabe porque compramos tão barato), e ganhavam praticamente nada, algo equivalente a 1 centavo por tonelada de pedra quebrada, vamos assim dizer. E aí, naquele ano em que houve um terremoto na Itália e tals, elas ficaram sabendo do ocorrido, foram até a Ana, pois gostavam muito dela, e pegaram todas suas economias de 1 mês inteiro, o cofrinho delas, o que deu um total, vamos supor de 30 centavos (ou seja, absolutamente nada para nós, mas para elas tudo, o trabalho de 30t de pedras quebradas) e insistiu para que a Ana enviasse este dinheiro para ajudar ‘sua tribo’ (os italianos).

Quando observei as imagens da catástrofe, o que via eram belas ruas, belas calçadas, belas casas, belos carros de luxo destruídos, casas muito bem mobiliadas, com laptops, fogões, até iPhone, guarda-roupa com roupas suficiente para cada dia do mês. Pessoas com recursos, cidades bem equipadas e preparadas. Muitos ali, tudo segurado, pessoas que tinham serviços médicos de primeira a disposição, comida do bom e do melhor, tanto, que até desperdiçavam, além de água em abundância com qual podiam se refrescar com sua piscina no quintal. E ali na África, aquelas mulheres, que mal tinham apenas uns remendos de roupas sujas (que provavelmente foram doadas), rasgadas, descalças, desnutridas, desidratadas, sem nada! E elas, ofereceram tudo o que tinham, 30 centavos, não dava para comprar nem 4 bananas!

Ana recusou. Não podia aceitar. Seu coração não permitiu. Pensou ela: “A Itália não precisava do dinheiro dela. Elas lutaram com tanto suor por aquilo, e já não tinham nada, tinham que usar algo para si, para uma fruta para comer talvez.” Mas elas insistiram para Ana. E disse, que “se o povo da Ana está passando necessidade, então nosso povo ajuda”, “Seu povo, meu povo.” Quando Ana ouviu isso, não se conteve, e desabou num longo e profundo choro. Ana viu o quão miserável ela realmente era, e o tão afortunado aquelas pobres mulheres eram. E não adiantou insistir. Ela teve que aceitar. Mas ao invés de enviar o dinheiro para a Itália, comprou coisas para elas. E isto gerou um documentários francês.

- Que lição!

A grande lição que Jesus nos deixou é o motivo, a razão de se viver, o que realmente vale, o que dá valor e sentido a vida; e é a forma que mais nos rende bem-estar, realização e gratidão que é SERVIR ao próximo. Sabemos que nossa mãe e nosso pai nos amam, porque vemos o tanto que eles vivem em função de nos servir, se sacrificam por nós. Amamos nosso parceiro(a) pois também vemos o quanto tal se sacrifica por nós; e cada vez, que servimos ele(a), estamos alimentando o amor, em cada pequeno ato, dos mais simples gestos ao maior sacrifício. A humildade é tão grande, que muitas vezes, a benevolência do próximo nos faz até chorar. Como disse uma pastor uma vez:

“Por que a humildade é tão grande?”

Por favor, não confunda o Natal como o dia do papai Noel, o dia dos presentes, ou de andar no shopping, o dia de consumir, o dia de grandes banquetes, o dia de acabar com seu fígado e saúde, o dia de festas, e da família reunido. Tudo isso é possível fazer sem amor, sem carinho, sem humildade, sem um ímpeto de servir o próximo. E assim, toda a magia se perde. Além disso, há muitas pessoas sem família, há muitas pessoas que não ganharão nenhum presente, pessoas, que passarão fome e sede, que ao invés de festa, apenas uma peregrinação pelas ruas e sarjetas da vida, ou num barraco numa área de risco, ansiosos e atentos ao tempo para que não caia um típico temporal de verão.

Noel foi um monge cristão que ficou conhecido por distribuir simples presentes (maioria brinquedos) para crianças órfãs e carentes. Não façamos dessa homenagem a este ato de benevolência, caridade, como um ato de luxo e coração da vaidade, como em geral as pessoas nos dias de hoje normalmente fazem neste dia.

Sei que nessas horas, principalmente quando não temos muita folga na conta bancária, é difícil, às vezes duro, querer servir ao próximo, ser um servo de pessoas que nem mesmo temos algum afeto, não conhecemos. Mas quando damos o primeiro passo, quando agimos, quando a ação ocorre, uma magia transforma nosso coração, e este é humanizado, de modo que o amor brota espontaneamente. Pois demos algo de si, mesmo um sacrifício forçado, para o próximo; isso faz com que o valorizemos. O amor surge e vai crescendo na medida em que nos desfazemos de nosso egoísmo.

Hoje as pessoas estão cada vez mais desafetuadas. Culpa da Internet talvez. É tudo tão fácil. Fácil ligar, fácil conectar, fácil enviar mensagens, do mesmo modo, fácil sair, sair sem mesmo despedir. Não há olho no olho. Não há sacrifício da sua parte. São tantos os contatos, 100, 300, 500, 1000, no face, no msn, no Orkut, email... que as pessoas quase se tornam descartáveis, se sai um há mais 10 para conversar. Se perde uma pessoa, bem, “o mar está cheio de peixe” – frases desse tipo, já são até ensinadas como um provérbio da virtude. A que ponto chegamos!?

Por isso apelo a cada alma que até aqui leu estas palavras, que encare como meta para este dia, e para o próximo ano, servir. Sirva o próximo. Sirva seus pais. Sirva sua família. Sirva seus amigos. Sua namorada, seu noivo, marido. Sirva ao seu vizinho, mesmo ao desconhecido. Agradeça ao motorista do ônibus por seu trabalho, ao gari por manter suas ruas limpas (sim a cidade é sua). Agradeça ao fazendeiro que produziu seu alimento. Sirva como se fosse a única e última coisa que lhe restasse a fazer na vida, a cada dia, e será a mais livre e realizada das pessoas.

Há um provérbio chinês que diz: “Cave um profundo poço de generosidade, e ele se encherá de amigos, retribuições, agradecimentos, reconhecimento, realizações, ajuda e solidariedade quando os dias ruins vierem, e nunca lhe faltará alimento.”


E por fim, esta era a grande lição que Jesus quis nos deixar:


“Ame teu próximo como a si mesmo.”


Ou seja, “faça pelo teu próximo, como faria para si.”

Esta é a única frase com que o Natal e a vida tenham algum sentido.



Um feliz natal para você e sua família.
E que a paz de Deus que excede todo entendimento possa ser derramado em abundância na seu dia-dia.