27 fevereiro 2011

2ª Sinfonia de Mario Ficarelli

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Não quero fazer uma critica ao compositor brasileiro, que nada conheço, Mario Ficarelli, mas sua 2ª sinfonia. Contudo, como alguns consideram a arte como a expressão do coração, então talvez, haja algo que certamente podemos atribuir ao compositor.

Bem, eu não conhecia a música, não encontrei na net, e ouvi hoje interpretada pela Orquestra Sinfonica de Santo André. Tirando alguns engasgos na articulação de alguma trompa, de terem derrubado um instrumento da percussão no meio da música, nada a reclamar quanto a execução pela Orquestra. Quanto a composição da música, eu não consegui ver nenhum elemento regionalista da música brasileira (talvez algum na percussão), mas era um verdadeiro bolo que seguia a receita de uma música moderna; contudo, não percebi nenhuma originalidade na composição, ao meu ouvir, fora uma grande mistura de elementos das Sinfonias de Shostakovich, muitos elementos da música de Stravinsky (principalmente a Sagração da Primavera), algum elemento "astrólogo" da música de Holst, e uma busca de fazer algo grandioso tão quão Mahler, e tentar superá-lo em questão a grandesa. Mas forçou a barra para todos esses elementos. Não ficou muito conexo, mas fragmentados, quase que independentes, a mesmo tempo presentes no mesmo local. De certo modo, acho que até mesmo faltou inspiração. Muito me pareceu que o compositor estava escravo de uma enorme "lista" de elementos da música contemporanea e de um arsenal de "timbres e efeitos" (a percussão que o diga), e ai, se sentiu obrigado a usar todos, e teve que de algum modo colocá-los no meio da música, e assim, subordinar a música a "esses elementos", ao invés do contrário, da inspirarão da música, requerer tais elementos.

Quanto a música, a música em si, eu simplesmente detestei (talvez "odiei" seria a melhor palavra). Por quê? Bem, apreciei muito a quantidade de timbres novos, sons tirados, harmonias, e muitos elementos e coisas feito, que certamente contribuirão para o meu conhecimento técnico de música. Mas o que detestei, é a parte que realmente me interessa na música, que a grosso modo, chamo de "a parte filosófica".

Bem, de inicio, a música começa com o tema "Paraiso". Contudo, já de cara ficou claro que não é um "Paraíso Cristão", mas alguma coisa muito exótica, distante, vaga, lenta, calma, tranquila, mas sem virtude, apenas algum tipo de contemplação da paz; mas amarrada a distancia. De certo modo, um Paraíso muito semelhante com a idéia de Nirvana do budismo; mas cheia de um elemento frio, gelado, oculto (qual ficamos pensando 'o que é?', 'quando vai se revelar?') que muito lembra elementos nas sinfonias de Shostakovish. Contudo, é absurdamente claro que este Paraíso é diferente do que poderíamos ver no 3º movimento da 9ª de Beethoven.

Aí então, passa a acontecer o movimento, a ação, a criação em si, do Universo, e da vida. Mas fica evidente que é uma proposta totalmente diferente da proposta cristã. Até mesmo, diferente da do Big Bang. Alguma idéia de criação de uma energia, do movimento das particulas, e que ai a agitação começa, e de repente surge a vida. Mas o que a música propõe como o elemento vida? A mera pulsação. É como o batimento do coração. É meramente isso. A vida é tratada como uma pura "animalia". Somos animais que fazem "tu-tum / tu-tum / tu-tum". Bem diferente da visão Bíblia que uma alma vivente, é a junção do corpo (do orgânico) + espírito qual provém e é dado por Deus.

No decorrer da música há uma grande negação a virtude. Principalmente, naquilo que poderiamos considerar virtuoso, como no caráter. A melodia é por muitas vezes opaca e ausente; mas apenas um movimento, movimento de átomos, de energia... é meramente isso. E as vezes, chega a ser terrível. Uma falta de propósito a vida, quase como um 'acidente', E se há algum elemento divino, esse é muito muito muito distante, como no deísmo; no qual, poderia até se dizer que a vida foi simplesmente criada ao acaso e deixada de lado; mas ela continua pulsando. E aí, inevitavelmente, essa vida é tomada pelo caos (como o movimento caótico, das colisões dos elétrons), se instaura ai a Teoria do Caos. E o Caos se torna o principal elemento que dura em toda a música, com raros e pequenos raios de luz de um possível concerto, ou esperança, ou de colocar as coisas no lugar.

A destruição se torna presente, e inevitavel. Os elementos e texturas seja lá do quê começam a ruir, desmoronar. E então, a vida entra em desespero, e com um falso arrependimento, no qual se arrepende pelas consequencias (não pelas causas), pelo ambiente caótico, inóspito e incomodo. E ai se refugiam a um grito, ao pedido desesperador de socorro. Mas a quem? Então fica essa coisa vaga, como que simplesmente "aos alienígenas". Mas só depois de muito tempo (sempre a 'demora' está presente), em meio a destruição e ao desfazer das coisas, e mesmo quando o ritmo cardiaco até muda para algo mais do tipo "arritmia"; de algum modo vem a Reconstrução. Incerto fica se é uma ajuda extraterrestre, ou se simplesmente uma reviravolta dos vivos. Mas uma reconstrução do quê? Não! NÃO DA ESPIRITUALIDADE. Tal é negada na música. Mas o que vem é simplesmente um habitat propicio para a pulsação. Repito, é sem espiritualidade. Não se encontra os elementos espirituais, que por exemplo veríamos em Bruckner... nem de longe. Isso me faz pensar num certo apelo ambientalista. Como se o caos, fosse meramente a destruição do habitat, e não o "mau". Na verdade, o dualismo não existe nessa música, se existe, o que predomina é o mau, o lado negro do caos, da corrupção, do instinto selvagem, da mera luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, um ambientalismo no qual o homem pode reverter os danos, num longo e demorado prazo, de modo a poder fazer do habitat um lugar novamente 'bom' para a pulsação acontecer. Este é o único elemento da esperança, qual é bem antropocentrista - nada de teo.

Durante a longa sinfonia (de aproximadamente 50min), por muito tempo ansiei para que terminasse logo. Contudo, no final, após a música, eu estava tomado por uma certa depressão por ela. Quase que uma lavagem cerebral, no qual tentou acabar, eliminar da minha "alma". No sentido, da alma, que pode apreciar uma melodia, uma música, a qual deseja querer ouvir coisas belas, harmoniosas e até mesmo simples. A música tentou me convencer de que não existe MÚSICA e a Virtude (segundo Platão), mas apenas uma mera combinação de sons, vazios em si, e que tudo o que apenas existe é a pulsação de uma energia, criada e feita por mero acaso, sem propósito, e se foi por 'deuses', eles deixaram de lado, deram apenas o chute inicial - Deísmo. Por fim, a música sugeriu, tentou, tirar a espiritualidade da música.

Que coisa.
Por isso, detestei-a. Visto, que para meus ouvidos, se não contem o elemento espiritual, nem é música. Se Corpo + Espirito = Alma Vivente, segundo a Biblia. Para mim, Música = Combinação de Sons + Espiritualidade(nos moldes do Deus cristão).

20 fevereiro 2011

Brucknerianos

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Não sou o único Bruckneriano, na verdade é meio que comum encontrar pessoa que passaram a ouvir a música de Bruckner e logo se encantaram pela sua extrema religiosidade divina imposta na música de modo que em suas sinfonias literalmente não "são músicas e obras para este mundo".

Ontem, me deparo com uma descrição espantosa do Carlinus no Blog PQPBach, sobre mais um album de Bruckner. Que creio valer a pena colocar as palavras, de como esta Missa de Bruckner impactou o coração desde homem como eu e você.


"Chegamos ao final de mais uma integral. Consegui realizar um intento que há muito alimentava: postar as sinfonias de Anton Bruckner. Saio desse lavor com a sensação de que desci do monte da transfiguração. Lá divisei anjos e querubins. Estive no Paraíso como Dante em A Divina Comédia. Ou como naquela história contada pela Bíblia, de quando Moisés desceu do Monte Sinai, onde estivera com Deus. Um brilho, um lume radiante, untava-lhe a face. Assim, estive com a música de Bruckner e ela me fez mais casto. Sua obra é densa, funda; obra para monges; para asceses catárticas. Como no simbolismo místico de Cruz e Sousa a qual afirma na poesia Música Misteriosa:
Tenda de Estrelas níveas, refulgentes, 
Que abris a doce luz de alampadários,
 
As harmonias dos Estradivarius
 
Erram da Lua nos clarões dormentes…
Pelos raios fluídicos, diluentes 
Dos Astros, pelos trêmulos velários,
 
Cantam Sonhos de místicos templários,

De ermitões e de ascetas reverentes…
Cânticos vagos, infinitos, aéreos 
Fluir parecem dos Azuis etéreos,
 
Dentre os nevoeiros do luar fluindo…
E vai, de Estrela a Estrela, a luz da Lua, 
Na láctea claridade que flutua,
 
A surdina das lágrimas subindo…
Ouçamos Bruckner e diluamos as imoralidades, os sacrilégios, as inverdades. Que o mundo escute Bruckner e seja curado dos seus desmazelos, de suas chagas purulentas; de sua lúxuria, de sua glutonaria pelas vaidades e seus repastos insossos. Sim! O último disco traz a maravilhosa Missa em Fá. É para ouvir e sentir-se beatificado. Subamos a montanha da música bruknereana e lá tenhamos um encontro com a prece e com a exaltação. Perdoem-me o afetamento. Mas a solidão e essa música imaculada “botam a gente comovido como o diabo” - Drummond. Boa apreciação!"

By Carlinus
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Meus comentários.

Creio que foi de uma tremenda inspirarão Carlinus ter conseguido se expressar deste modo, o exemplo de Moisés no Monte Sinai - ual! Olha essa Missa é realmente muito boa, apesar da primeira música me suar desfamiliar. Contudo, o mais maginifico, é perceber a maioria das células sinfonicas brucknerianas (inconfundivel, plenamente originais e próprias do compositor) usadas em muitas das suas sinfonias, nas suas obras cantadas, como essa Missa, entre outras; mostrando claramente sua fonte e intenção religiosa nas sinfonias. Quais, considero absurdamente, tremendamente, obras angelicais as sinfonias 4, 7 e 8 (e um pouco da 9). O problema é achar boas interpretações, é comum encontrar gravações onde há muita enfase no romantismo (algumas de Karajan), ou na sonaridade, ou no poder e intensidade (como as de Jochum), e deixarem o elemento religioso e espirituoso não tão enfático e profundo. Mas o Haitink tem uma gravação absurdamente celestial da 4ª, a Karajan também tem uma da 8ª feita numa catedral de fazer nos deixar de joelhos.

Muitos pergunam sobre o que acho das músicas, dos músicos, principalmente atuais, do gospel e blablabla, principalmente religiosamente falando. Sabe. Ouça Bruckner, e quando conseguir interpretar, quando seus ouvidos, sistema nervoso, se deparar com toda essa inspiração, como quando lemos a Bíblia, ou o Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis; na música de Bruckner, todos os elementos religiosos, idéias, cores, texturas, profundas, tão profundas quanto descrito na Canção de Ilúvatar em O Silmarillion de J. R. R. Tolkien; não haverá mais dúvidas, todos compreenderão. É como se estivéssemos sempre a beber água lamosa, cheia de sendimentos, areia, ou cloro, e de repente, então experimentássemos a mais deliciosa e fresca água cristalina do lago das Mansões de Deus.

E com que autoridade eu digo isso? Do mesmo modo como só uma música assim foi capaz de inspirar Carlinus a tal descrição. Aos comentários que o maestro Carlos Moreno já fizera antes de executar algumas sinfonias de Bruckner com a Orquestra Sinfonica de Santo André.

Bruckner foi o mais simples campositor de vida humilde no campo, que não buscou a vanglória, nem a publicidade, nem a fama (tanto que pouco e ouve falar nele), que toda a manhã, antes de sua morte, como uma devoção matinal, trabalhava na sua 9ª Sinfonia que ficou incompleta. E este simples homem do campo, deixou para as gerações seguintes, músicas que 1 século depois, ainda faz vibrar e tremer mesmo o coração do homem mais ateu. É música arrebatadora. Pois logo de inicio, a música com seus temas, te tira desde mundo, desta Terra, e o leva para um outro planeta, uma viajem no Universo, tentando alcançar as Cidades Santas, e você só volta, só lhe dá conta de onde está sentado, quando a música termina. E quanto mais a ouve, mais se familiariza com este mundo transcendente, como Nárnia. E menos, quer voltar para cá, para este caótico mundo.

13 fevereiro 2011

Tolkien - O Silmarillion - Da Guerra no Céu e a Criação

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Confesso que tenho passado por uma temporada filosófica, reflexiva, simplesmente extraordinária nos últimos tempos, coisas que até me tiram o sono pois fico pensando e contemplando esses pensamos, descobertas, e buscas. De certo modo, isto ocorrera desde que li Sêneca pela primeira vez, tive a aula de psicologia na USP que estamos vários filósofos da História e tive meus primeiros contatos com as sinfonias de Anton Bruckner.

Bem, essa manhã tive uma mistura um tanto intensa demais para minha cabeça. Fui ler "O Silmarillion" enquanto ouvia a 7ª Sinfonia de Sibelius de uma interpretação absolutamente divina de Mravinsky com a Orquestra Filarmonica de Leningrad. Em dos momentos, na parte do primeiro solo do trombone, nossa! Eu até tive um tipo de tique e disse para as paredes em voz alta e espantada: "O que é isso!?" De tamanho o espanto, com um momento puramente sinfonico que fez soar uma melodia ligado com uma harmonia de tal modo que causou uma imagem, uma figura, uma cor divina que eu nunca conseguira imaginar, nem em nenhum momento filosófico ideal qual consegui conceber algo de tamanha beleza e pureza. [Se quiserem ouvir aqui está o link para download]

Para rechear ainda mais meu café da manhã, me deparo com uma prosa de conteúdo extraordinário escrito por Tolkien. Ficou elementar que Tolkien desenvolve tal narrativa inspirada na Bíblia contanto sobre Lucifer, o anjo de luz, mais próximo de Deus, o Criador, e que este se torna orgulhoso, e faz uma peleja no Céu, e é enviado a Terra; e que na Terra, busca destruir o que foi feito pelos bons anjos, a partir da Música, do Tema composto e feito pelo Criador, ou então corrompendo-o. E querendo então, tornar-se o Rei da Terra, dominá-la, e ter os filhos de Deus como seus sucitos, servindo-o, e chamando-o de "Senhor". (apenas mudou os nomes, e alguns detalhes, mas é basicamente isso). Contudo, a principio, Tolkien explora tudo isso a partir da música, de uma forma profundamente filosófico, e de uma concepção de música que diria poucos ter, mas de modo, que fica nitido, quando se depara com esta sinfonia de Sibelius. (aliás, o que Sibelius compos que não foi incrivelmente maravilhoso?)

A minha vontade é de escrever quase o primeiro capitulo inteiro de "O Silmariollion", porém, me restringirei a alguns parágrafos.

"Ergueu-se então Ilúvatar, e os Ainur perceberam que ele sorria. E ele levantou a mão esquerda, e um novo tema surgiu em meio à tormenta, semelhante ao tema anterior e ao mesmo tempo diferente; e ganhava força e apresentava uma nova beleza. Mas a dissonância de Melkor cresceu em tumulto e o enfrentou. Mais uma vez houve uma guerra sonora, mais violenta do que antes, até que muitos dos Ainur ficaram consternados e não cantaram mais, e Melkor pôde dominar. Erguei-se então novamente Ilúvatar, e os Ainur perceberam que sua expressão era severa. Ele levantou a mão direita, e vejam! Um terceiro tema cresceu em meio à confusão, diferente dos outros. Pois, de início parecia terno e doce, um singelo murmúrio de sons suaves em melodias delicadas; mas ele não podia ser subjugado e acumulava poder e profundidade. E afinal pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar, e elas eram totalmente díspares. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a tuma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem. A outra havia agora alcançado uma unidade própria; mas era alta, fútil e infindavelmente repretitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas. E procurava abagar a outra música pela violência de sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotaras pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene.


No meio dessa contenda, na qual as mansões de Ilúvatar sacudiram, e um tremor se espalhou, atingindo os silêncios até então impassíveis, Ilúvatar ergueu-se mais uma vez, e sua expressão era terrível de ver. Ele então levantou as duas mãos, e num acorde, mais profundo que o Abismo, mais alto que o Firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a Música cessou.


Então, falou Ilúvatar e disse: - Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou.


(...)


Entrentanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse: - Contemple sua Música! - ... E, depois que os Ainur haviam olhado por algum tempo, calados, Ilúvatar voltou a dizer: - Contemplem sua Música! Este é seu repertório. Cada um de vocês encontrará aí, em meio à imagem que lhes apresento, tudo aquilo que pode parecer que ele próprio inventou ou acrescentou. E tu, Melkor, descobrirás todos os pensamentos secretos de tua mente e perceberás que eles são apenas uma parte do todo e subordinados à sua glória.


(...)


E ele fingia, a princípio até para si, que desejava ir até lá e ordenar tudo pelo bem dos Filhos de Ilúvatar, controlando o turbilhão de calor e frio que o atravessava. No fundo, porém, desejava submeter à sua vontade tanto elfor quanto homens [os filhos de Ilúvatar], por invejar-lhes os dons que Ilúvatar prometera conceder-lhes; e Melkor desejava ter seus próprios súditos e criados, ser chamado de Senhor e ter comando sobre a vontade de outros.


(...)


E assim, quando a Terra ainda era jovem e repleta de energia, Melkor a cobiçou e disse aos outros Valar [os Ainur que foram para a Terra] - Este será o meu reino; e eu o designo como meu!"

...
[tá, vou parar de usar os nomes do livro, e usar os nomes biblicos]
Ok. Pulei muito detalhe. Uma das partes que mais me surpreendeu, foi quando Deus deu uma visão aos Anjos sobre as suas músicas, o repertório. E então, a música passa a ser associada a tudo. Se associa ao plano de Deus na criação do Mundo, da Terra. A música de depois iria a produzir, e como se vissem então um filme sobre a Terra e Sua História, puderam contemplar como uma visão ou profecia, as consequencias de suas músicas. Além disso, puderam ver na Terra, como nos oceanos, e principalmente na água, ainda o eco de um dos temas da música de Deus, coisas que eles nunca imaginaram e se maravilharam. E também, de modo que parece que todo o cursor da História da Terra, tanto da natureza quanto das sociedades e dos homens, eram ligados a essas músicas que eles fizeram. Porém, nisso também virão as consequencias que viria a música de Lucifer, que sua concretização se daria por todo o caos no mundo, pela destruição e tudo o mais.

"Respondeu então Ulmo [um dos anjos]: - Na verdade, a Água tornou-se agora mais bela do que meu coração imaginava. Meu pensamento secreto não havia concebido o floco de neve, nem em toda a minha música estava contida a chuva que cai. Procurarei Manwë (outro anjo) para que ele e eu possamos criar melodias eternamente para teu [Deus] prazer! - E Manwë e Ulmo se aliaram desde o início; e sob todos os aspectos serviram com a máxima fidelidade aos objetivos de Deus."

A realidade, o mundo, a luta entre o bem e o mal, os objetivos, designios, desejos, vontades, tudo são declarados como parte de uma Música. A música deixa de ser tratada como apenas uma combinação de sons. Mas a ser tratada como a própria energia que promove as particulas, atomos, Leis da Fisica, a Natureza, e que serviriam de auxilio para filhos de Deus, para o seu bem ou para o seu mal (como a destruição e corrupção da musica produzida por Satanás).

Outra coisa que surpreendeu, é que até onde sei esta concepção é quase que exclusiva dos Adventistas do Sétimo Dia, através dos escritos de Ellen G. White, como na obra "Patriarcas e Profetas". Não só sobre a questão da música no Céu, mas sobre Lúcifer ser magnifico na música, além, da cobiça dele sobre a criação da Terra. Claro, algumas questões muito discordantes quanto a forma que vieram para cá, e alguns modos quanto a criação. Aliás, é quando entra mais a mitologia, colocando "elfos" junto a homens. Mas como Lewis estamos tratando de uma fantasia. Aliás, muitas coisas de Lewis me deu a mesma impressão. Será que ambos conheciam a literatura dos adventistas? Minha amiga teve a mesma impressão quanto a Lewis.

Bem, irei me deter por aqui, para ainda não viajar mais na maionese, antes que a pimenta reclame.

Tolkien - O Silmarillion - O Principio

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"Muitas vezes, Melkor penetrara sozinho nos espaços vazios em busca da Chama Imperecível, pois ardia nele o desejo de dar Existência a coisas por si mesmo; e a seus olhos Ilúvatar não dava atenção ao Vazio, ao passo que Melkor se impacientava com o vazio. E no entanto ele não encontrou o Fogo, pois este está com Ilúvatar. Estando sozinho, porém, começara a conceber pensamentos próprios diferentes daqueles de seus irmãos.

Alguns desses pensamentos ele agora entrelaçava em sua música, e logo a dissonância surgiu ao redor. Muitos dos que cantavam próximo perderam o ânimo, seu pensamento foi perturbado e sua música hesitou; mas alguns começaram a afinar sua música à de Melkor, em vez de manter fidelidade ao pensamento que haviam tido no início. Espalhou-se então cada vez mais a dissonância de Melkor, e as melodias que haviam sido ouvidas antes soçobraram num mar de sons turbulentos, Ilúvatar, entretanto, escutava sentado até lhe parecer que em volta de seu trono bramia uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante que não queria ser aplacada."

T. R. R. Tolkienn, O Silmariollion


Primeiro capitulo, dessa saga que se conclui com O Senhor dos Anéis, e logo de inicio. Tolkin faz um parelelo como Nárnia fez, com a história biblica de Deus (Ilúvatar) que criou os anjos (Ainurs) e a rebelião no Céu casada pelo mais formidável e sábio dos anjos, Melkor (Lucifer). E o mais interessante, é que tudo isso é gerado em forma de música. Será que não é verdade? Eu tenho umas filosofias musicais que nunca ousei compartilhar com ninguém, pois acho que ninguem entenderia. Mas ao ler isso, pensei: Será que Tolkien pensava no mesmo? Aliás, já pensara o mesmo de Lewis em Narnia. Aparentemente, eles tinham uma grande cultura música também. E que mais me intrigou. Segundo Ellen G. White, escritora de minha religião, qual cremos que foi inspirada por Deus, disse que Satanás foi o regente dos coros celestes, provavelmente o que mais manjava entre todos de música.

Bem, este é só o começo.

11 fevereiro 2011

Cronicas de Nárnia - O Final - A Última Batalha

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O último conto, a Última Batalha, do Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, é o melhor de todos em muitos aspectos, sobretudo no do drama que chega até soar suspense. E de todos, é de um cunho teológico e cristão ainda muito maior.

Fé entre a verdade e a mentira
De inicio, o primeiro grande conflito e batalha é travado no ambito da crença. Manhoso, o macaco egoista e mau-intencionado, cobre o burro Confuso com uma pele de leão, fazendo-o passar por Aslam. Enganando assim todos os narnianos, os quais nunca viram Aslam pessoalmente, mas que o respeitavam, temiam, sabiam que era como um leão falante, e estavam dispostos a morrer por ele. Menos Passofirme, o centauro que observara atentamente as estrelas e percebera que algo horrível estava para acontecer em Narnia, e que não havia profecia nas estrelas que Aslam apareceria em Narnia. E desde modo, Manhoso, o macaco, consegue dominar Narnia na palma da mão, fazendo acordo com os calormanos, fazem dos narnianos escravos, causando mal, dor, trabalhosos forçados, matando criaturas, e derrubando as arvores das dríades. Estavam destruindo o mundo de Nárnia, estavam destruindo os próprios narnianos. Mas ninguem levantava um "a" de rebelião, ou o faziam, até que então viam Aslam, ou melhor, Manhoso. Acreditavam - na audácia do macaco - que fizeram grande mal, que haviam pisado muito na bola com o Leão, e por isso estavam sendo castigados.

Mais adiante, Tirian, Jill e Eustáquio descobrem toda a farsa e o trama feito entre o macaco e o carlomano Rishda Tarcaã, e que o Leão, era na verdade um jegue com pele de leão. E no meio disso, eles conseguem libertar vários anões que estavam sendo levados para trabalharem de escravos nas minas de Tirosc pelos calormanos. Contam a eles então "a verdade", mas a resposta que receberam foi:

"- Escutem aqui, meus chapas - disse o anão negro, cujo nome era Grifo -, não sei quanto a vocês, mas já estou cheio dessa história de Aslam. Já escutei sobre ele mais do que gostaria de ouvir para o resto da vida.
...
- Vocês devem estar pensando que somos fracos da bola, isso, sim - disse Grifo - Já fomos enrolados uma vez e agora querem nos enganar de novo. Não queremos mais saber de conversa sobre Aslam. Vejam só! Olhem para ele! Um burro velho de orelhas compridas!
...
- E, pelo jeito, você conseguiu uma imitação ainda melhor! - retrucou Grifo - Não, muito obrigado. Já nos fizeram de bobos uma vez e ninguém vai nos enganar de novo."


Neste ponto vemos um ponto muito especial abordado por C. S. Lewis, e praticamente, muito aplicavel ao nosso mundo hoje. É praticamente um paralelo feito para o que aconteceu basicamente com a Igreja Católica na Idade Média, e outras religiões, sobretudo pagãs, que houveram no mundo, que propagaram uma "fé enganosa", através de ousados "MACACOS", usando de crenças (talvez até verdadeiras) das pessoas, para dominá-las, enriquecer os próprios bolsos, e se dar muita comodidade com nozes e bananas, enquanto os demais, passavam miséria, ou trabalhos forçados entre outros. E sempre tentavam controlá-los a partir do medo.

Além disso, quando fizeram acordo com os calormanos, tiveram que tambem aceitar e fazer acordo com a crença dos calormanos no seu deus Tash. O qual era o oposto de Aslam (certamente, descrito como se fosse uma representação do diabo, ou Satanás). E assim, começaram a enrolar os narnianos, mudando as crenças, e dizendo que Aslam e Tash eram o mesmo, apenas nome diferentes, ou quando Aslam ficava bravo. E entrava num mar de contradições, que quando complicava muito, lançava o medo sobre os acovardados, ignorantes e ingênuos. E mais, e nisso, o Macaco se dizia ser o unico mediador entre Aslam e os narnianos. Só ele podia falar pessoalmente com Aslam. Pois, ele não queria que ninguem descobrisse que ali, na verdade, Aslam não estava, e que era Manhoso, logo, um engano. Isso, também foi o que aconteceu, sobretudo na Igreja Católica, quando passou a fazer acordos e alianças com o Estado Romano, e com povos pagãos, acabou tendo que adquirir para si costumes pagãos, tiveram que mudar os tempos e a Lei, mudaram coisas na Palavra de Deus, e questões da Biblia, e passaram a colocar o Papa como o mediador supremo entre Deus e o homem, e padres entre homens e Deus para pedir perdão.

Mas por fim, qual foi o resultado, o mal de tudo isso? Mesmo, quando Tirian libertou os enganados Anões. Pensou que os anões passariam imediatamente para o seu lado, e lutariam por Narnia, e pela verdade, e pelo verdadeiro Aslam. Mas não, os anões, se tornaram egoistas. Querendo cuidar do próprio nariz. Não queriam mais acreditar mais em nada, passaram a tomar a postura, semelhante a que hoje em dia muito se vê, a dos céticos, agnósticos e ateus. Querendo cuidar do próprio nariz sem se submeter a ninguém.

Aí está uma grave consequencia dessa confusão e enganos feitos com a religião. E que aconteceu no nosso mundo, e hoje se mostra por uma diversidade imensa de denominações cristãs e pagãs, e cada uma falando uma coisa, e misturando várias coisas contraditórias em si, como "Aslam" e "Tash". E então, muitas pessoas, com raiva de serem enganadas, com raiva de saberem as verdadeiras causas de muita igrejas e pessoas (a de 'bananas e nozes'), se opõe a tal crenças, e simplesmente passando a acreditar e não crer em mais nada. Um efeito ainda mais devastador; impedindo-os de verem e lutarem pela causa, pela fé verdadeira.

O Clima de Fim de Mundo
A Última Batalha tem um clima super denso, de tenso, de perseguição, a todo momento os que crem na verdade, que não são enganados pelo falso Aslam, são perseguidos. Assim como Tirian foi condenado a morte. E os narnianos um a um eram mortos. Tirian e os demais fiéis narnianos passam por uma ultima batalha após serem, aparentemente, mortos. Mas antes disso, ocorre que praticamente tudo dá errado. Chega a ser desesperador, pois todos os planos dão errado, desde a queda de Cair Paravel, a morte de Passofirme, e a astúcia do Macaco, em dizer que haviam pessoas por aí andando com um burro com pele de leão dizendo que era as Aslam, misturando a verdade com a mentira, de modo que preveniria os narnianos a acreditar na verdadeira história da farsa.

Todo este clima de fim de mundo, é descrito na Biblia que ocorreria nos ultimos dias da Terra, antes da Volta de Jesus. Os verdadeiros cristãos, que realmente souber da verdade, irão passar por uma terrível perseguição, enquanto tentariam pregar a verdade para os demais, e indecisos, que a esta altura estariam sendo enganados pelos poderes politicos e religiosos, inclusive, ao "Falso Cristo" que iria aparecer fingindo ser o próprio Jesus, mas que a própria Biblia deixa avisado que é Satanás, e nos dá claros sinais de como saber que é o falso.

A doutrina do arrebatemento
Outra coisa presente em Nárnia é uma doutrina, provavelmente da religião de Lewis, do qual a morte não é bem uma morte. Mas quando se morre, se vai imediatamente para o Céu, ou para algum tipo de inferno. Como se a morte em si, o "sono" dito por Jesus, não ocorresse. Ok. Mas vamos deixar isso de lado.

O fim de Nárnia
Acontece então que Nárnia é destruida, de um modo muito destruidor, em que há muitas calamidades bizarras na natureza, como um tipo de dilúvio, a queda das estrelas, uma plena escuridão, o fim da das arvores, de modo que fica totalmente desolada e sem vida, apenas com alguns seres, descritos como se fossem demonios. O que me fez lembrar muito na doutrina do Milênio da Igreja Adventista, em que Satanás e seus anjos (os demonios) ficariam presos na Terra desolada e vazia por mil anos. Mas não sei se Lewis conhecia isso, ou tinha essa idéia, ou parcialmente.

Não se brinca com o Inimigo
Manhoso (o macado) e o Rishda Tarcaã ambos não acreditavam nessas figuras, como Aslam e Tash. E invocaram o nome dele, como brincadeira e zombaria, e dizendo que era o mesmo que Aslam. Bem, no final, Tash, aparece, e fica com eles, que lhes pertenciam. E aparentemente os levam para o Inferno (algo que aparentemente Lewis também acreditava).


Os anões céticos
Há uma descrição também um tanto estranha de um grupo de anões que aparentemente forma salvos, para este aparente Céu descrito. Contudo, que ficaram presos em suas mentes, de tão céticos, imaginando ainda estar dentro do celeiro, na escuridão, com frio, rodeado de capim, e paredes de todas de madeira, e ali ficavam, não acreditando em nada. Não aceitavam ajuda nenhuma. Nada Aslam podia fazer. Eles simplesmente decidiram descrer em Aslam e em qualquer coisa surreral e extraordinária. E então se aprisionariam nisso, que chamavam de realidade.

"- Viram só? - disse Aslam. - Eles não nos deixarão ajudá-los. Preferem a astúcia à crença. Embora a prisão deles esteja unicamente em suas próprias mentes, eles continuam lá. E têm tanto medo de serem lubridiados de novo que não conseguem livrar-se. Mas, venham comigo, meus filhos. Tenho um outro trabalho a fazer."


No Céu
Lewis passa os ultimos 2 capitulos apenas tentando descrever o Céu, a Nova Vida, a verdadeira vida. O encontro com todos os amigos, e parentes, dos mais antigos ao mais novos, os que morreram, os que foram transladados (Ripchip), todos com muita felicidade e alegria. E uma descrição incrivel, uma verdadeira pintura surrealista, que não ousarei descrever com as minhas palavras, mas se quer saber, então leia.

Os salvos ignorantes
Entre os carlomanos, um sincero, foi salvo, para o Céu, recebendo a benção de Aslam, era Emeth. Ele era um servo de Tash, pelo menos acreditava nisso. E detestava Aslam. De modo que seu encontro com Aslam foi assustador para ele. E então ele faz uma descrição que acho que vale a pena escrever:

"- Passei por muita grama e muitas flores e encontrei saudáveis e deleitosas árvores de todos os tipos, até que, em um lugarzinho estreito entre dois rochedos, avistei vindo ao meu encontro um enorme Leão. ... Então prostei-me aos seus pés, pensando: "Esta é certamente a hora da minha morte, pois o Leão (que é digno de toda a honra) bem saberá que, durante toda a minha vida, tenho servido a Tash e não a ele. No entando, melhor é ver o Leão e depois morrer do que ser Tirosc do mundo inteiro e viver sem nunca havê-lo encontrado." Porém, o glorioso ser inclinou a cabeça dourada e me tocou a testa com a língua, dizendo: "Filho, sê bem-vindo!" Mas eu repliquei: "Ai de mim, Senhor! Não sou filho teu, mas, sim, um servo de Tash!" "Criança", continuou ele, "todo o serviço que tens prestado a Tash, eu o considero prestado a mim." Então, tão grande era o meu anseio por sabedoria e conhecimento, que venci o temor e resolvi indagar ao glorioso ser: "Senhor, é verdade, então, como disse o macaco, que tu e Tash sois um só?" O Leão deu um grande rugido, dizendo: "É mentira! Não porque ele e eu sejamos um, mas por sermos o oposto um do outro é que tomo para mim os serviços que tens prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes, que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para ele. Portanto, se qualquer homem jurar em nome de Tash e guardar o juramento por amor a sua palavra, na verdade jurou em meu nome, mesmo sem saber, e eu é que o recompensarei. E se algum homem cometer alguma crueldade em meu nome, então, embora tenha pronunciado o nome de Aslam, é a Tash que está servindo, e é Tash quem aceita suas obras. ..."

Algumas pessoas, tanto cristãos, como até ateus, tem esta idéia ingênua, de que ou você acredita e professa o nome, e vive "uma norma de uma religião" e assim é um servo de Deus, ou o contrário. Mas não. Quantos não serão os ignorantes salvos? Quantos não serão aqueles que talvez todos pensemos, até o próprio, pensar que viveu em prol de algo ruim, ou de uma fé errada, mas, que, sem nós mesmos saber, estavam servindo a Deus. Sim, a salvação, a redenção não será exclusividade dos cristãos, dos que professam e seguem tradições. Mas, provavelmente, a maioria seja por pessoas ignorantes, pelos o que menos imaginávamos. É bem provavel, que a maioria dos professos cristãos, seja, como disse Jesus: "Nunca vos conheci." "Apartai-vos de Mim."

A verdadeira história da vida
Outra sacada muito boa de Lewis, é em descrever a nova vida, não como um "Que pena! eu morri. Mas ainda bem que agora estou aqui." Mas muito pelo contrário, estar no Céu, faz com que tal lugar parece ainda mais real do que era o mundo (seja Nárnia ou a Terra). Os fazem realmente sentir em casa. Como se sempre perteceram aquele lugar. Era o lugar que na verdade a vida inteira sempre quiseram estar. Toda a vida anterior, até então, não se podia ver exatamente como uma realidade, ou a verdadeira vida em si, mas como se foi um sonho, ou a primeira página ou capitulo de um livro, o livro da vida de cada um, da história de cada um. Aliás, um grande paradoxo com o feitiço da serpente verde sobre Rillian, Jill, Eustáquio e o Brejeiro, em a Cadeira de Prata, quando os tentava convencer de que o mundo, o céu, Aslam não passavam de um sonho, que a realidade era apenas ali nas profundesas, na caverna, no mundo daquela rainha. Aliás, esta foi a idéia principal do filme Matrix. - Será que pegaram da onde?

E encerro este com a última estrofe do livro:

"E, à medida que Ele falava, já não lhes parecia mais um leão. E as coisas que começaram a acontecer a partir daquele momento eram tão lindas e grandiosas que não consigo descrevê-los. Para nós, este é o fim de todas as histórias, e podemos dizer, com absoluta certeza, que todos viveram felizes para sempre. Para eles, porém, este foi apenas o começo da verdadeira história. Toda a vida deles neste mundo e todas as suas aventuras em Nárnia haviam sido apenas a capa e a primeira página do livro. Agora, finalmente, estavam começando o Capítulo Um da Grande História que ninguém na terra jamais leu: a história que continua eternamente e na qual cada capítulo é muito melhor do que o anterior."

07 fevereiro 2011

Lewis - Narnia - Obediencia e Desobediencia

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"O paulama ia atrás, falando sempre, embora não fosse mais possível entender o que dizia. E nem queriam. Pensavam em banhos, camas e bebidas quentes. A idéia de um atraso era insuportável."


"A verdade é o seguinte - disse Eustáquio: - A gente estava tão ansioso para chegar aqui, que não demos bola para mais nada. Eu, pelo menos. Desde o momento em que encontramos aquela mulher com o cabaleiro que não dizia bulhufas, não pensamos mais em coisa nenhuma. E quase esquecemos o príncipe Rilian."

C. S. Lewis - Cronicas de Nárnia - A cadeira de prata

"A cadeira de prata", do Crônicas de Nárnia, claramente mostra seu foco religioso que Lewis quer transmitir. Fala basicamente sobre obediência em seguir os caminhos e orientações de Deus. Pelo menos é isto o que fica claro até a metade do conto. Aslam deu a missão a Jill e Eustáquio de encontrar e resgatar o filho do rei Caspian. Deu 4 sinais claros para Jill seguir. Disse para repeti-los, e na ordem, todos os dias, de manhã e antes de dormir. (o que podemos pensar muito bem na devoção que devemos ter com o Estudo da Bíblia, para ficar atento a vontade de Deus, os sinais que nos dá e tudo mais). Mas logo de cara ela falha no primeiro.

E mais tarde, quando estava indo para o norte, enfrentando o frio, a neve. Eis que aparece uma belíssima e encantadora mulher, e oferece um "conforto". Para irem para a casa de Harfang, que ali teriam muito luxo, conforto, comida quente, doces, cama quente, seriam bem tratados pelos gigantes, muito bem recebidos e etc. O que ocorreu foi uma ilustração das muitas vezes que somos sutilmente tentados com "boas coisas", que nos confortarão, trarão cômodo e alivio. Aliás, quem não iria gostar de uma lareira quentinha, quando já se está há dias congelando no gelo cortante nas montanhas geladas? E assim foi, os 2 garotos aos poucos não foram pensando cada vez mais em chegar em Harfang, e cada vez menos nos sinais de Aslam. Aliás, Jill a certa altura nem mais os repetia.

O mesmo não ocorre com nós? Por exemplo, quando somos cegados pelo dinheiro, pelo status, de modo que passamos a lutar e pensar tanto em tal, porque com tal teremos luxo, conforto, uma boa casa, um saldo tranquilo no banco, um bom carro, viagens e mais viagens, etc. E ai se foca, começa a pensar tanto nisso, e passa a trilhar tanto a isso. Mesmo em meio a muitas dificuldades, trabalhando muito, dormindo pouco, entre tantas outras dificuldades, que quanto mais sofre, mais cegamente deseja chegar em "Harfang". E acaba não pensando em mais nada, esquecendo todo resto, principalmente a religião, e deixando a meditação na Bíblia por esquecida.

Em certo ponto do caminho, eles chegam num lugar, que se parassem para pensar um pouquinho, perceberiam que estariam num lugar que era mais um sinal dado por Aslam, "as Ruinas Abandonadas". Mas quando ali estavam, e começaram a investigar, viram, ao longe as luzes de Harfang. E sem pensar duas vezes, correram para lá. Apesar do paulama estar convencido de que era ali, e que era o sinal de Aslam. Pois também, de certo modo, queria experimentar um pouco daquele conforto, mesmo sendo pessimista quanto a Harfang, e mesmo a bela mulher, sabia que cheirava armadilha. (bem, ele era um pessimista)

E assim, do mesmo modo, ficamos tão loucos para se obter essas coisas, chegar em nosso 'Harfang', nesse sonho para todo o homem. Que quando nos vemos, passamos por algo, e ignoramos até mesmo os sinais de Deus, a Sua Palavra, e aquilo que anteriormente Ele havia nos alertado; nos afastando cada vez mais, dos Seus caminhos, mesmo quando estamos indo para o norte, onde Ele havia dito para seguir.

Então, chegam a Harfang. E ali em Harfang ocorre tudo como a bela mulher disse. Foram muito mimados. Porém, mais tarde, descobriram que tinham a intenção de comê-los e então fogem dali por um fio. E é assim que Satanás trata com nós, nos enche dessas ilusões, de conforto, cobiça, de querer isso e aquilo, vai nos desviando dos caminhos de Deus, até chegarmos em Harfang. E ali, ele, nos mima, na verdade, usa a lareira, a comida, a cama macia e quentinha, os banhos quentes, par anos prender como corrente; de modo até mesmo a fazer com que esqueçamos da nossa missão, do porque estávamos indo para o norte, e, ainda mais, o motivo pelo qual fomos trazidos para "Nárnia". Mas que por fim, o seu desejo, é uma pura armadilha para nos devorar, e para acabar de vez com os planos de Aslam para conosco.

Mas esse não é o fim. Durante uma noite, Aslam aparece num sonho a Jill. E no dia seguinte, de repente, todos se dão conta, todos caem na real. E do mesmo modo, Deus nos hora ou outra sempre acaba nos "relembrando" ou dando um puxão de orelha, que faz com que reconheçamos nossos erros e falhas. E mesmo apesar de ter errado, cometido todos esses erros, que apenas atrapalharam, lhes fizeram sofrer mais, perder tempo, e colocaram ainda mais em perigo, ainda assim, Deus ainda dá esperanças de voltar para o Seu caminho e concluir a missão.

Ainda não cheguei no final da história. Mas aposto que Aslam, e sua missão para os garotos, irá ser retribuida com um grande maravilhoso presente no final. Assim como foi para Susana, Pedro, Caspiam, Lucia e Edmundo no passado. Assim será para nós.

Reavivamento

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"Onde quer que a Palavra de Deus tenha sido fielmente pregada, seguiram-se resultados que atestaram de sua origem divina. Pecadores tiveram a consciência despertada. Coração e mente eram possuídos de profunda convicção. Tinham uma intuição da justiça de Deus, e exclamavam: "Quem me livrará do corpo desta morte?" Romanos 7:24. Ao revelar-se a cruz, viram que nada, exceto os méritos de Cristo, seria suficiente para a expiação de suas transgressões. Pelo sangue de Jesus tiveram "a remissão dos pecados passados". Romanos 3:25

Essas pessoas creram e foram batizadas, e se levantaram para andar em novidade de vida, pela fé no Filho de Deus seguir Seus passos, refletir Seu caráter, e purificar-se a si mesmos como Ele é puro. As coisas que antes odiavam agora amavam; e as que antes amavam passaram a odiar. Os orgulhosos se tornaram mansos, os vaidosos e arrogantes se fizeram sérios e acessíveis. Os ébrios se tornaram sóbrios, os devassos, puros. Os cristãos procuravam não "o adorno... exterior, no frisado dos cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário... porém o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus". I Pedro 3:3 e 4.

Os despertamentos se caracterizavam por solenes apelos ao pecador. Os frutos eram vistos nas pessoas que não recuavam da renúncia, mas que se regozijavam de que fossem consideradas dignas de sofrer por amor a Cristo. Notava-se uma transformação naqueles que haviam professado o nome de Jesus. Foram estes os efeitos que, em anos passados, se seguiram às ocasiões de avivamento religioso.

Muitos dos reavivamentos dos tempos modernos têm, no entanto, apresentado notável contraste. É verdade que muitos professam conversão, e há grande afluência às igrejas. Não obstante, os resultados não são de molde a autorizar a crença de que houve aumento correspondente da verdadeira vida espiritual. A luz que brilha por algum tempo logo fenece.

Avivamentos populares muitas vezes excitam as emoções, satisfazendo o amor àquilo que é novo e surpreendente. Conversos ganhos desta maneira sentem pouco desejo de ouvir as verdades bíblicas. A menos que o serviço religioso assuma algo de caráter sensacional, não lhes oferece atração.

Para toda pessoa verdadeiramente convertida, a relação com Deus e com as coisas eternas será o grande objetivo da vida. Onde nas igrejas populares de hoje existe o espírito de consagração a Deus? Os conversos não renunciam ao orgulho e amor do mundo. Não estão mais dispostos a negar-se, tomar a cruz e seguir o manso e humilde Jesus, do que antes da conversão. O poder da piedade quase desapareceu de muitas das igrejas.

(...)

Onde quer que homens negligenciem o testemunho da Bíblia, desviando-se das verdades claras que servem para provar a alma, e que requerem a renúncia de si mesmo e a do mundo, podemos estar certos de que ali não é outorgada a bênção de Deus.

(...)

É obra da conversão e santificação reconciliar os homens com Deus, pondo-os em harmonia com os princípios de sua lei. No princípio, o homem estava em perfeita harmonia com a lei de Deus. O pecado, porém, alienou-o do Criador. O coração estava em guerra com os princípios da lei de Deus. "O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar." Romanos 8:7. Mas "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito" para que o homem pudesse ser reconciliado com Deus, restaurando à harmonia com o seu autor. Esta mudança é o novo nascimento, sem o qual a pessoa "não pode ver o reino de Deus". João 3;16 e 3.

O primeiro passo na reconcialiação com Deus, é a convicção do pecado.

(...)

Sem a lei, os homens não possuem verdadeira convicção do pecado e não sentem necessidade de arrependimentos. Não se compenetram da necessidade do sangue expiatório de Cristo. A esperança da salvação é aceita sem uma mudança radical do coração ou reforma da vida. São assim abundantes as conversões superficiais, e multidões se unem às igrejas que nunca se uniram a Cristo.

(...)

Os seguidores de Cristo devem tornar-se semelhantes a Ele - pela graça de Deus devem formar caráter em harmonia com os princípios de Sua santa lei. Isto é santificação bíblica.

O cristão sentirá as insinuações do pecado, mas sustentará luta constante contra ele.

(...)

Cometer pecado conhecido faz silenciar a voz do Espírito e separa a alma de Deus.

(...)

E a igreja muitas vezes incentiva o mal, a fim de encher o seu tesouro, que o amor a Cristo é demasiado fraco para suprir.

(...)

Deus é roubado nos dízimos e ofertas, enquanto consomem no altar das destruidoras concupiscências mais do que dão para socorrer os pobres ou para o sustento do evangelho. ... Os cristãos dariam um exemplo de temperança e sacrifício. Seriam então a luz do mundo.

Somos transformados pela contemplação. ... Somente à medida que se restabelecer a lei de Deus à sua posição correta, poderá haver avivamento da primitiva fé e piedade entre o Seu professo povo.


Ellen G. White, O Grande Conflito Ed. Condensada, cap. Qual o Exito dos Modernos Reavivamentos

04 fevereiro 2011

Crônicas de Nárnia - Aslam - C. S. Lewis

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Há anos atrás, muito antes de pensar em ler Crônicas de Nárnia, minha amiga Paula, do GEA-USP, já comentava eufórica comigo sobre o livro que estava lendo, dos vários paralelos com as histórias da Bíblia, e o próprio Aslam, o Leão, como sendo uma representação de Jesus. Bem, isso fica absurdamente claro em "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa", principalmente, sobretudo, quando Aslam é sacrificado carregando a culpa da traição de Edmundo. E que após sua morte, a Pedra de Aslam racha ao meio quando ele ressuscita. Assim como foi como foi na morte de Jesus, e depois, Este, também ressuscitou [Amém!].

Já também na estória do Principe Caspian, há um outro enfoque cristão. Um enfoque muito mais quanto a questão de ter fé no que não vê, no que a muito não se vê, e no que apenas parecia história da carochinha de gerações passadas. E a grande questão de seguir o que não vê. E de como a descrença cega nossos olhos. E do poder de Aslam para reanimar, tirar de praticamente um sono eterno, aqueles que pareciam mortos (como os espíritos das arvores e as dríades).

Já o Peregrino da Alvorada que terminei ontem tem um outro enfoque. Basicamente, o personagem principal da história se torna o rato Ripchip. Encantado por Aslam. Em certo momento recebe uma profecia através de uma canção:

Onde o céu e o mar se encontram,
Onde as ondas se adoçam,
Não duvide, Ripchip,
Que no Leste absoluto está
Tudo o que procura encontrar


E o que ele queria encontrar era a cidade, o país de Aslam. Já no Peregrino, aprendemos mais sobre algumas coisas que envolvem muito a coragem, a bravura, o de ir em terras além-mar, onde ninguem já fora, onde tudo era desconhecido. E novamente, Ripchip se faz o papel principal, como sendo o ser que o seu único medo é de sentir medo, um ser que transpira coragem e bravura. E a sua crença tão confiante quanto sua bravura e coragem de que a profecia é verdadeira. Até que finalmente chegam no fim do mundo. E Ripchip provavelmente foi para a terra de Aslam, o que não é dificil imaginar, o Céu, enquanto isso, a descrição do fim do mundo, e da cortina de luz, é cada vez mais uma tentativa de descrição de um lugar celestial.

Bem, mas o ultimo capitulo do Peregrino deixa escancarado as intenções de Lewis para com o livro. Aslam aparece sobre a forma de um Cordeiro (ops, o Cordeiro de Deus lembra algo?). Então:

- Por favor, Cordeiro - disse Lúcia -, é este o caminho para o país de Aslam?
- Para vocês, não - respondeu o Cordeiro. - Para vocês, o caminho de Aslam está no seu próprio mundo.
...
- Aslam! - exclamou Lúcia - Ensine para nós como poderemos entrar no seu país partindo do nosso mundo.
- Irei ensinando pouco a pouco. Não direi se é longe ou perto. Só direi que fica do lado de lá de um rio. Mas nada temam, pois sou eu o grande Construtor da Ponte. ...
...
- Está também em nosso mundo? - perguntou Edmundo.
- Estou. Mas tenho outro nome.[Deus?] Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.

Reescrevendo: "Foi por isso que, eu, C. S. Lewis, escrevi Nárnia, para que, conhevendo um pouco de Deus, venham a conhecer-Lhe melhor."

Fora o capitulo da Ilha do Dragão, em que Aslam tira a pele de dragão Eustáquia. Um claro paralelo quando Jesus disse que pode transformar um lobo numa ovelha. Ou quando o profeta diz que Deus retira as vestes imundas e dá vestes novas, limpas como a alva. Além, do método, ele teve que mergulhar várias vezes no rio, e de inicio, parecia nada acontecer. Muito semelhante a história dos 7 mergulhos de Naamã (II Reis 5), quando Elizeu diz para ele mergulhar no rio 7 vezes para curar da doença.

Em o Peregrino da Alvorada, o tema é a transformação e a busca por Aslam, crendo na sua profecia, e o caminho para o Céu. E é deixado claro, é preciso ter fé na profecia para ir as terras de além-mar. E preciso muita coragem e bravura, para enfrentar os piores medos, assim como os piores sonhos quando entram naquele lugar que é pura escuridão.

É preciso ter a determinação, o foco, e a coragem de Ripchip:
- Os meus planos estão traçados. Enquanto puder, navegarei para o oriente no Peregrino. Quando o perder, remarei no meu bote. Quando o bote for ao fundo, nadarei com as minhas patas. E, quando não puder mais, se ainda não tiver chegado ao país de Aslam, ou atingido a extremidade do mundo, afundarei com o nariz voltado para o leste, e o outro será o líder dos ratos falantes de Nárnia.


Engraçado, há um trecho especifico que eu juro ter lido, mas que já folheei e revirei as páginas por 2 horas e não encontrei. Que coisa. Será que foi fruto da minha imaginação? Seria perfeito para encerrar este post.

Verdadeiros Heróis

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Lembro quando li um e-mail enviado pela minha amiga Ana, da USP, sobre uma critica (uma revolta) de um cidadão para com o Big Brother Brasil, que a Rede Globo insisti manter para o bem da humanidade. Em tal havia uma revolta, principalmente, com uma frase de Pedro Bial (se não errei o nome) que os participantes do BBB eram verdadeiros "heróis". Aquilo certamente deve ter sido revoltando para qualquer um que tenha um minimo de cerebro que funcione. Alias, o que há de heroismo em ficar a toa, num lugar luxuoso, com outras pessoas a toa, jogando palavras e idéias futeis pelo vento, e numa atitude pró-sexualismo antimoral, antivirtude, e tudo isso por ambição de dinheiro, sucesso e fama. - Qual é mesmo o antônimo de herói?

Então, hoje me deparo com uma reportagem nada especial, apenas sensacional, mas de um fato muito extraordinário. Pode ver nesse link: "Africano enfrenta..." Por mim, o titulo mereceria ser: "Homem enfrenta a morte por alimento, por sua familia e sua tribo".
Isso sim é amor. Já dizia a Palavra que não há maior prova de amor do que dar a sua vida por outro. Deus deu a vida por nós, através de Jesus. Este homem de algum lugar da Africa (alias, é um estereótipo chamar alguem de africano, é o mesmo de nos chamarem de latino), arrisca de fato a sua vida, escalando sem o que achariamos seguro numa escalada, para apanhar mel na copa de uma arvore, onde provavelmente levou umas ferroadas ainda, e se caísse, era morte certa. E lá embaixo estava sua mulher, seu filho.

Isso me fez lembrar do filme "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild) - ótimo filme - em que certa vez o rapaz comenta de que a comida era mais saborosa quando ele tinha que lutar por ela, quando era um andarilho pelas ruas, e encontrava a comida com muita dificuldade, e, certamente, com muita fome. De modo, que em certo momento, ele saboreia uma maçã como uma noiva de seu casamento. Dizendo: "Você é a maçã mais deliciosa, mais saborosa, mais bonita, de toda a minha vida."

Ai estão os heróis, Bial. Pessoas que realmente encaram a morte e as adversidades da vida, com honra, sem se rebaixar, por amor a sua familia. Mulheres, parem de serem levadas apenas por um bife de musculos, um carro importado e um sorriso de capa de revista; para mais tarde, descobrir que tais não tem amam, não encaram a morte por você, e ai, acabam contribuindo para mais um ano recordista em divórcios. Homens, amem sua mulher como Deus amou você. Morram por ela todos os dias.

03 fevereiro 2011

Os Monópodes ou Tontópoles que são Os Tontos

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Me surpreendi muito com a história que se passa na Ilha dos Tontos, no livro Crônicas de Nárnia, em O Peregrino da Alvorada. Claro, é uma história infantil e boba. Mas por detrás disso, encontro uma grande reflexão, num discurso que há entre Lúcia, o Mago e Aslam, sobre o povo, os tontos monópodes.

Creio que este trecho dá uma boa idéia de quem eram os tontos:

"... A gente invisível concordava com tudo. Aliás, era mesmo difícil discordar da maioria de suas afirmações:
- è o que eu vivo dizendo: quando uma pessoa tem fome, gosta de comer. - Ou: Está ficando escuro; de noite é sempre assim - Ou então: Vocês vieram pela água; é muito molhada, não é?" (Cap. O livro mágico)


Mais para frente, Aslam diz para o mago:

"- Está aborrecido, Coriakin, por ter de governar uns súditos tão apalermados como os que lhe dei?
- Não - respondeu o mágico - Sâo de fato muito estúpidos, mas não são perigosos. Já estou até gostando deles.Algumas vezes perco um pouco a paciência, esperando o dia em que poderão ser governados pela sabedoria e não por esta magia rudimentar.
- Tudo a seu tempo, Coriakin - disse Aslam."
(cap. Os anõezinhos do mágico)


No caso, não se engane que eram pessoas novas, crianças esses tontos. Na verdade, pela narrativa do conto, muitos anos se passaram, talvez décadas, quem sabe centenas de anos, e ainda haviam essas pessoas tão tontas, ignorantes, quase incapazes de pensar e decidir. Simplesmente concordavam e seguiam se, reflexão alguma o que seu chefe dizia, até mesmo quando havia contradição (como mais a frente foi o debate entre Lúcia e o chefe, a respeito da beleza dos monópodes).

Bem, há poucos dias atrás, um ser impaciente coloca no orkut numa comunidade cristã "Ignorância tem cura?" E logo de cara, já começa a soltar a franga, e falar mal de todos os religiosos da igreja dele que ele julga serem ignorantes, cabeças fechadas, porque eles só sabem seguir algumas regras fixas bobas e não procuram entendê-las, nem nada, é uma regra, uma tradição, então ponto final. E isso o estava deixando louco. Pois para ele, seus "desqueridos" irmãos eram como os Tontópoles.

A verdade é que quantos tontópoles como os Tontos de Nárnia não conhecemos? Aliás, que julgamos tontos. Pois, se formos pensar bem. Aos olhos de Aslam, o próprio mágico, ou Lúcia, ou Edmundo podiam ser tontos. Aliás, sobre o olhar de um ser muito superior, certamente, somos criaturas incrivelmente tontas. Se tirarmos o Zoom de nós, veremos, que os Tontos somos nós mesmos. Mas dificilmente gostamos de reconhecer isso, preferimos nos achar legais, inteligentes, aqueles que sabem o que faz, que tem a razão. Por fim, gostamos de ser teimosos até mesmo quando sabemos estar errados.

Mas e mesmo quanto a essas pessoas que julgamos inferiores a nós, de algum modo, nem que seja quanto a serem mais tontos do que eu ou você. Estamos aborrecidos com estes filhos e filhas de Deus, que Ele colocou em nosso caminho? Cade a paciência para com eles? Cade a paciência mesmo que tenhamos que esperar anos? Por que tratá-los com certo desdém e desprezo?

Temos que aprender a suportar e tolerar o próximo. Nem diria aprender, mas simplesmente agir. Não se aprende a tolerar, simplesmente se tolera. Claro, que a pratica leva a fluencia. Mas não tem segredo. Jesus, Moisés, Deus já havia deixado para nós a Lei Aurea, devemos tratar o próximo como a nós mesmos. Ou, fazer ao próximo o que gostaríamos que fizessem a nós. Ou, amar o próximo assim como Cristo nos amou (até mesmo morrendo). O que isso quer dizer? Não devemos esperar por uma MAGIA que nos produza esse DESEJO. Creio que jamais iremos querer nos sacrificar por alguem que não seja algum tipo de forte apego afetivo, como um pai, mãe, filho etc. Logo, se o que você quer é na verdade dar um murro na pessoa, empurrá-la no trilho de trem, fazer com que simplesmente desapareça. Bem, é nesse exato momento, em que você deve, simplesmente se CONTRARIAR, se CONTRADIZER. Quer x? Então faça (-x). Simplesmente. Podemos fazer isso. Na verdade, somos bons em fingir. Isso, finjamos. Haja fingindo que gosta. E assim vai praticando. E verá, que a PRÁTICA, mesmo por fingimento, produz "magia". É dificil, e de certo modo, nunca soube de alguem que agiu com altruísmo e amor ao próximo, esperando uma magia interior impulsioná-la a isso. Mas sempre soube, e praticamente todos, que foi o contrário, que primeiro agiram, mesmo por má vontade, ou na marra, mas que isso produziu magia que impulsionou futuros movimentos.

Isso sim é praticar o amor. Amor não são impulsos mágicos do coração. Mas ações, principios que fazemos, mesmo que na marra. E o mais incrivel é que isso, o Amor, a ação, produz muitos impulsos mágicos. Impulsos até mesmo de amar, gostar e tolerar as tolices dos Tontos, dos Tontópodes, e dos Monópodes de nossas vidas.

Mas o que as crianças tem aprendido na escola? Certamente, nada de muito útil como isto, como amor, e lógica. Mas se tivessem aprendido. Se isso fosse mais ensinado e divulgado, ao invés das brigas, vinganças, impaciências entre outros. Com certeza seria um mundo um pouco melhor, e não haveriam tantos divórcios como está aceleradamente acontecendo.

02 fevereiro 2011

Casamentos e Divórcios - Onde vai parar?

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Hoje me deparo com essa noticia no site da Folha: Número de Divórcios em São Paulo Mais que Dobra em 2010

O que está acontecendo com as familias, com os relacionamentos, com os casais? Onde isso vai parar? Já conheço uma porção de gente que não se casaram, apenas ajuntaram. E normalmente o que alegam quanto a isso são "vantagens burocráticas e financeiras" caso um dia venham a divorciar. Aliás, falam do divorcio como uma tragédia, ou uma doença iminente.

Quando era criança eu não conhecia nem sabia de ninguem que era divorciado. Agora, só na minha familia tem vários casos. O que essa gente tem na cabeça? E o "até que a morte o separe?" Ninguém mais honra o que promete perante Deus e os homens? O que tem de "impossível" assim em tolerar e amar o conjugue? Por que tanta falta de paciência e esperança, a achar que a unica solução (se é que se pode chamar isso de solução) é separar-se, e que cada um vai cuidar da sua vida.

Sim, estou revoltado com isso!

Falamos tanto de tecnologia, da Era do Conhecimento, da Informação, dos avanços na Psicologia, Medicina,  disso daquilo... pessoas com Mestrado, Doutorado, PhD, e etcetc. E todos esses ismos de elogio da mordernidade. E contudo, o mais sagrado, a familia, o matrimonio, tem sido cada vez um caos mais caótico, a cada ano quebrando recordes. Daqui a pouco, vai ser difícil encontrar um casal de 60 anos, que seja o primeiro e único casamento de suas vidas.