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02 setembro 2012
11 outubro 2011
A Didática do Simon
A didática do Simon, não é algo que acredito estar em alguma tese ou livro, é algo que nomeio para um dos melhores professores que tive no IME-USP, o José Carlos Simon. Recentemente, há poucos meses que fui refletir um pouco sobre isso, algo que antes não havia pensando (pois já faz uns anos que tive aula com ele).
Bem, o Simon em si, não sei se ele pensou ou tem um método, uma didática, aparentemente ele improvisa tudo. Era extremamente comum, ele ir totalmente desarmado de livros, folhas para a sala de aula, apenas com a sua cabeça; perguntava para os alunos o que tinham visto na última aula, para lembrar de algo. Não seguia um livro em si, não copiava teoremas, não copiava discursos de livros didáticos. A primeira vista podia parecer a coisa mais totalmente despreparada e perdida possível. E é aí que está a questão que me intrigou: "o professor estava na mesma condição dos alunos, totalmente despreparado para a aula".
Normalmente, um professor entra já preparado para a sala de aula, ele já sabe os conteúdos, já sabe o que vai dizer, o que vai explicar, os exercícios, como resolvê-los e tudo mais. Para o professor normalmente, a aula não é muito uma investigação, um desenvolvimento, um processo de conquista; mas apenas a exposição de um troféu já conquistado, no qual, no máximo, apenas se dá um 'replay'; logo para o professor, cada passagem do processo, lhe torna, de certo modo, óbvio e 'rápido'. Mas e para o aluno? Para o aluno é tudo novidade, e as vezes para uma passagem das mais óbvias, na mente do aluno, é preciso fazer diversas associações, pensar e eliminar 100 outras possibilidades falsas.
Já o Simon, lembro da disciplina de "Laboratório de Matemática" no IME-USP. Aula antes da prova, um aluno pede para o professor passar alguns exercícios, para treinar para a prova. O professor, inventa na hora, alguns, de cabeça. No dia da prova, ninguém conseguiu resolver nenhum dos exercícios, e antes da prova, pedem para o professor resolver um dos exercícios da prova. Ele de boa vontade, foi fazer, imaginando que levariam poucos minutos. Ele pediu para alguem falar o enunciado, e ai ele começou a pensar, fazer uns rabiscos na lousa. Nesse momento, tivemos uma aula, aprendemos, vimos um conceituado matemático, como que ele 'começava a resolver, rabiscar, rascunhar' um problema, ele ia pensando, escrevia algumas letras, uns xzes e numeros, e apagava em seguida, falava coisas do tipo "haaammm", "se for ver isso..", "olha isso"... ele foi compartilhando conosco cada 'luz' que lhe vinha em mente em como resolver o problema. E a coisa foi indo, acabou a aula, e nada de prova. Na aula seguinte, a mesma coisa. Todavia, o problema envolveu muito ele e os alunos. Ele perguntava se alunos tinha alguma ideia, sugestão, pedia para algum aluno aletorialmente o que achava... a sala ocorreu como um laboratório, no qual nem os alunos, nem os professores sabiam resolver o problema, mas se uniram para desvendar o mistério.
Mais uma aula terminou, e na aula seguinte então, o professor trouxe finalmente uma solução, pois ficou pensando no fim de semana até resolver a questão. E aí, ele não 'expos' a solução para nós, não apenas escreveu as passagens e explicou. Ele não levou um papel anotado, e era uma solução que rendera umas 5 páginas no caderno. Ele partiu novamente do principio, olhando para a figura, foi novamente, mas agora investigando os problemas, tendo as idéias (como se fosse tudo novidade), mas então, um detalhe aqui ou ali, e lembrava do rumo da solução que teve, e então compartilhava conosco "como ele teve aquela 'luz', 'idéia mágica', de como sair daquele labirinto". De certo modo, o problema, o conteúdo matemático ali foi o de menos, o que mais pudemos aprender com o professor, foi como botar o cérebro para pensar; o conteúdo em si se tornou totalmente secundário. E depois desse exercício, ele já passou para algumas outras questões um tanto dificeis, como sobre Raizes de Números Complexos (a demonstração), Indução, e sempre do mesmo modo.
O ritmo ira inevitavelmente muito devagar, comparado ao que normalmente ocorre em qualquer aula. Mas o professor, sempre parava, perguntava se estávamos entendendo, e se alguém demonstrasse algum sinal de 'não', ele repetia, tentava explicar de outros modos, pensava em como tentar fazer de outro modo; mas ia indo até que todos 'capitassem'. E no fim, uma prova muito difícil, porém, todos com a cabeça 'sabendo trabalhar'. E conseguiu se resolver, de modo, que o maior problema, desafio da prova, foi o 'tempo', pois eram muitos exercícios, logo não deu para fazer todos. Pois tinha que se pensar muito em cada um.
Foi umas das melhores experiências que tive na USP, que desenvolveu uma sólida base de como 'brincar de investigar', 'como usar o pensamento matemático', 'de como tentar triturar um problema, revirá-lo de ponta cabeça, e tentar encaixar as peças de diversos modos para chegar em alguma conclusão ou resultado". Os conteúdos não se tornarão 'o fim', mas 'ferramentas', ou 'peças' a se manipular, brincar; a matemática não era mais teoremas, regras e álgebra, mas uma forma de pensar, de criar e encontrar lógicas, de ser um artista do abstrato em sua própria mente.
Claro, nos moldes da Educação de hoje, no qual há um CURTO PERÍODO de tempo, em geral, os professores, querem mostrar logo o 'carro construído', e passar rapidamente, como se fosse apenas uma leitura, de todos os livros técnicos, de como foi feito cada parte e peça do carro, e suas especificações; e assim, tudo pensando na otimização do tempo, ainda mais quando se pensa no Vestibular, 3 5 minutos para resolver uma questão; ou seja, é preciso não fazer o aluno pensar em si, mas o exercitar tanto com 'especificas ferramentas', a tornar seu uso quase que involuntário, como um extinto, pois só assim, para conseguir resolver tão rápido. Coisas do tipo, ver num exercício um circulo, e intuitivamente, já ir escrevendo na folha, a formula da area, antes mesmo de terminar de ler e enunciado.
Como seria um possível um ensino ao molde Simon? Pois tal exigiria muito tempo - muito. Todavia, por outro lado, talvez exigisse menos 'treino' (tornar instintivo) da parte dos alunos. Aliás, será que os professores estão 'capacitados' e 'preparados' para entrar numa sala de aula e ensinar um conteúdo, ou resolver um problema, sem ter se preparado/ensaiado antes? Ou seja, será que os professores estão capacitados para fazer da aula, uma sessão de compartilhação de processos criativos? Os professores estão capacitados para resolver os 'problemas pedagógicos' em sala de aula, para os quais 'não tem como ensaiar' e será preciso recorrer a criatividade? Bem, talvez seja aí que resida a diferença do professor comum para com aquele que é um artista em lecionar.
31 julho 2011
Psicologia do Prazer da Reminiscencia e Mudança Comportamental e Preconceitos
Do que adianta querer detalhar meus pensamentos, palavras, aprofundá-los, pingar todos os is, se por fim, as pessoas não leem o que escrevi; mas leem segundo suas perspectivas? (como evitá-las?)
Certo não é com todos que este incomodo fenômeno ocorre, mas sempre ocorre. Um post absolutamente claro sobre isto é o que fiz sobre a Constelação de Órion, se vê claramente em muitos comentários, que o leitor, creio eu não entendeu nem o primeiro parágrafo. Todavia, alguns entenderam, sim, alguns sim.
Bem, há uma perspectiva de psicologia crítica que estudei na faculdade que a grosso modo diz o motivo pelo qual é díficil quebrar 'gostos', 'perspectivas', 'filosofias de vida', 'hábitos', 'gostos pessoais', 'idéias' e sobretudo, a 'emoções'. A resposta pode parecer um pouco simples, mas é isto o que basicamente ocorre: "A pessoa se apega a elas."
Isto me faz lembrar do ditado biblico: "o contemplar transforma". Bem, essa tese é um pouco platônica no sentido da Teoria da Reminiscência, mas basicamente, argumenta que a pessoa se apega a coisa, pois lhe dá prazer toda vez que se recorda de tal.
Ou seja, suponha que você brigou com uma pessoa; e esta pessoa passou a ficar com ódio por você por um tempinho. Passa o dia seguinte, e está pessoa ao acordar, naturalmente não está mais com ódio de você, mas em algum momento se lembra de você, ou te vê, e então se recorda do episódio que ocorreu e do 'ódio' que teve. Apenas por lembrar-se da situação, inconscientemente, a memória é consultada. A consulta basicamente se consiste em se recordar do acontecimento mais semelhante possível passado, e então ver qual foi 'a reação' que você usou no passado. E então, naturalmente, tende a resgatar essa reação. Ou seja, quando a pessoa, se recorda do que aconteceu no passado, naturalmente, se recorda da sua reação no passado, e assim, se sente um pouco "armado", "protegido", "vantagem", e isto lhe dá prazer. É o prazer da reminiscência.
No exemplo, a pessoa ao ver o próximo, lembraria automaticamente do que ocorreu no passado, e de sua "reação" (o ódio, raiva), e isto lhe dá prazer, segurança... pois já passou por isso, foi assim que agiu. Isso é o natural. E lutar e enfrentar isto, significa lutar contra reminiscencia, não no sentido de provocar aminesia, mas no de contrariar a sua certeza (como reagiu no passado) e se possibilitar, abrir uma nova porta, para algo que não se sabe o que é. E isto é extremamente difícil, sobretudo, em quem 'não está acostumado' a ter boas experiências de perdoar alguém.
Outro aspecto importante é por exemplo a música. A ideia principalmente defendida é que, em geral, as pessoas não gostam "de música", "da música em si" (uma visão artística, como se denomina). Mas sim o que ocorre é que 'tal coisa' representa, associa na vida dele. Por exemplo, uma pessoa em geral que costuma ouvir muito rock, em geral, toca ou canta tais músicas, ou seja, teve momentos de dificuldade e superação para estes desafios de reproduzi-los (e há a questão do prazer da reminiscencia nisso), também teve a companhia de amigos que apreciam, teve conversas com esses amigos, teve situações no dia-dia que envolvera a presença da música, ou até mesmo saída para shows, e até possivelmente, num desses shows encontrou a pessoa que é seu parceiro hoje, além de também poder transmitir um conjunto de ideais culturais, como algo rock, ou metaleiro.
Ou seja, quando por um exemplo uma pessoa fala algo que sugere a ideais de oposição ao Rock, ou que tal pessoa simplesmente 'traia', seja, 'infiel' a tal. Na verdade, não está falando contra a 'música rock', mas sim a este conjunto de coisas: {superações, desafios, amigos, momentos de conversas, shows, cultura, estilo de vida, pensamentos, filosofia, custos, gasto de dinheiro para com o qual trabalhou e lutou, etc.} Por isso é uma grande, tremenda ENERGIA, vista como uma tremenda agressão, é um golpe forte contra o peito, algo que molda, que formou a vida daquela pessoa. Pois diga-se de passagem, quem realmente pensa e reflete sobre "a música" em si, são os que tem visão artística, e estes - taxados de loucos, incompreensíveis e excêntricos - são poucos.
Mas alguns podem afirmar que gosta de mais de 1 estilo de música. Bem, a explicação segundo tal teoria, é que tal pessoa não possui apenas 'uma conta bancária', mas 'duas'. Ou seja, teve tambem experiencias com outro grupo e tals. De modo, que se diz haver 3 tipos de ecléticos.
Os 3 Ecléticos
1- o da carência de pertencer
O primeiro tipo, é aquela pessoa que se considera eclética para com alguma coisa, hábito, gosto, filosofia, etc, qual se adere há MUITAS coisas, muitas, quase todas, quase fazendo indiferença. Tais pessoas, em geral, possuem uma certa crise de 'aceitação', elas precisam sentir que 'pertencem' a um grupo, ou então, a todos os grupos. É visto como possibilidades: quanto mais melhor. Não se nega, nem fecha nada (aparentemente).
Normalmente, tal pessoa teve uma vida construída dentro de muitas experiências mistas, e experiências que envolveram relacionamentos significativas na vida; como amizades, hobbies, namoros, trabalho... Ou seja, tais foram os blocos com quais construíram sua vida, e qual sua mente tem prazer de recordar. Como são muitos, tende a dizer que por isso é alguém 'eclético'. Pois gosta de todos, quando na verdade, inconsciente a isto, esta na verdade a sensação de 'aceitação' de 'pertencer', ao recordar das experiências passadas.
Um Semi-eclético. Sim, na verdade, esta pessoa não é eclética. Pois as aceitoções dela se baseiam em cima do prazer da recordação, da aceitação, do pertencer. Isto implica que qualquer 'coisa' que implique em abandonar, retirar, algum desses blocos passados; são vistos como um tipo de vírus, inimigo. Então a pessoa pode tomar duas atitudes, uma 'menos eclética' que seria a de 'não se apegar a este, mas sim aos outros muitos', ou então, a 'mais eclética', apenas ter uma 'pequena relação com esta'.
Exemplo deste cético. Uma pessoa que diz acreditar em tudo qualquer coisa que é taxado de religião e supestição, desde rezar ave-maria, a ser batizada numa denominação protestante, a praticar budismo, a acreditar em horoscopo, consultar cartomante, cristais energizantes etc. Bem, a pessoa diz ser eclética para a religião. Mas por exemplo, ela 'não se apega' a uma religião cristã prostante, pois tal, aboli a todas as demais. Ou seja, 'uma pelo menos tem que ficar de fora', logo, há uma preferência, uma escolha, há divisão, não é eclética.
2- O Eclético Sem Gosto
Este é aquele que simplesmente não liga (é primordial não ter um caráter artistico). Tanto faz um ou outro. Não tem um senso crítico, não tem bagagem; não tem informação significante; ou seja, não tem ferramenta para fazer juízo ou escolha, ou prefere não fazê-lo. São os chamados 'sem paladar', uma pessoa só aceita comer e por qualquer coisa na boca assim, sem distinção, sem preferência, caso ela não tenha paladar; ou seja, não sabe diferenciar o gosto. Assim, não sabe o que é azedo, ou amargo, ou doce. Mas pode reconhecer a forma visual ou o cheiro. Tal é basicamente uma pessoa sem sensibilidade. Mostre qualquer coisa para ela e ela diz que ela gostou, achou legal. Ou seja, se todos são, então, na verdade, nenhuma o é. A pessoa não possuí critérios, juízo, não há distinção, escolha. Normalmente estas escolhem o objeto momento apenas por aquilo que for conveniente ou dê na telha.
3- O Eclético Por Opção
Se trata na verdade de um pseudo-eclético também. Pois é uma pessoa que tem sim preferências, gostos, claramente, não se nega isto, e até mesmo não gosta de outros objetos. Mas escolhe experimentá-los, contemplá-los, tentar compreendê-los, com fins de uso. Nem que seja, apenas para buscar aprender. Como um policial pode buscar a opinião de um criminoso sobre falsificação. Ou uma pessoa que não gosta de tomar remédios, e que por ele, nunca tomaria nenhum, mas que se tiver algum remédio, toma qualquer um, não faz choro, nem birra. Algo que também costuma acontecer muito com alguem dentro de uma area profissional.
Bem, não quero mais prolongar estes textos.
Mas o fim de querer dizer tudo isto. É que é dificil lidar contra os preconceitos, manias das pessoas entre tantos outros, por isto, por causa da reminiscência. E quando digo manias, também me refiro a uma que vem me dando um tanto de dor de cabeça nos últimos tempos, que são pessoas que tem o hábito de ter uma reminiscência penosa, brava, e enraivecida de e-mails longos. Ou seja, escreva um email ou post no blog, com mais de 3 ou 5 linhas, com alguns paragrafos; que apenas da pessoa bater o olho naquilo, terá reminiscencia de alguma coisa no passado, qual sua reação é de imediada repuldia, e raiva. É impressionante, mas há pessoas que 'leram a carta antes mesmo de ler a primeira letra.' E quanto a essas, as palavras nada podem fazer, pois o que conta, não são seus significantes, mas sua quantidade.
Há ainda outros aspectos, como questões de 1ª impressão, fofocas, esteriótipos e a imagem que os outros formam de nós. Até mesmo com comentários brincalhões, te podem associar a uma ideia ou palavra não-desejável em suas reminiscencias. E depois quebrar isto é dificil.
Quando são quebrados...
A teoria propõe que não há como forçar uma quebra, sobretudo com palavras. As palavras só terão efeito, por aqueles, que já tem em suas reminiscencias o de apreciar as palavras, de ouvi-las, de dar algum valor com elas e querer compreendê-las, seus significantes e tudo mais. Mas os dois modos com que são quebrados é através do ABANDONO.
No modo 1, a pessoa sofre um grande trauma, mas um grande trauma mesmo, o suficiente para si mesmo querer remover essa pedra de si e jogar fora. De modo, com que tal Ação não é mais recordado com a Reação do passado, mas é recordado com a NOVA reação, a do trauma. E assim, a pessoa busca mudar.
No modo 2, a uma nova possibilidade. Se abre uma grande nova possibilidade. E muito forte, com que traumatize a atual, no sentido, de fazê-la ser considerada menor e/ou descartável; e de que, esta nova, vale a pena ser experimentada. A pessoa, a principio, pode não abandonar, mas é quase inevitavel que abandone; apenas, caso, há total decepção com a nova, e uma nova grande consideração pela antiga, é que pode haver um retorno.
......
Eu particularmente considero essa proposta psicologica muito interessante, que pode ser usado muito como uma ferramenta para compreender o homem e nossos relacionamentos e a lidar com eles. É lago que podia ser mais explorado ao meu ver. Mas, todavia, ela é um pouco 'banho de água fria'. Pois segundo tal, quanto mais tempo algo é colaborado; mais forte e intenso é sua reminiscencia, logo, mais difícil é de ser mudado. Sabe, isso me tirou um pouco as esperanças de lidar e tentar propor novidades e portas para adultos, e até mesmo alguns jovens.
Certo não é com todos que este incomodo fenômeno ocorre, mas sempre ocorre. Um post absolutamente claro sobre isto é o que fiz sobre a Constelação de Órion, se vê claramente em muitos comentários, que o leitor, creio eu não entendeu nem o primeiro parágrafo. Todavia, alguns entenderam, sim, alguns sim.
Bem, há uma perspectiva de psicologia crítica que estudei na faculdade que a grosso modo diz o motivo pelo qual é díficil quebrar 'gostos', 'perspectivas', 'filosofias de vida', 'hábitos', 'gostos pessoais', 'idéias' e sobretudo, a 'emoções'. A resposta pode parecer um pouco simples, mas é isto o que basicamente ocorre: "A pessoa se apega a elas."
Isto me faz lembrar do ditado biblico: "o contemplar transforma". Bem, essa tese é um pouco platônica no sentido da Teoria da Reminiscência, mas basicamente, argumenta que a pessoa se apega a coisa, pois lhe dá prazer toda vez que se recorda de tal.
Ou seja, suponha que você brigou com uma pessoa; e esta pessoa passou a ficar com ódio por você por um tempinho. Passa o dia seguinte, e está pessoa ao acordar, naturalmente não está mais com ódio de você, mas em algum momento se lembra de você, ou te vê, e então se recorda do episódio que ocorreu e do 'ódio' que teve. Apenas por lembrar-se da situação, inconscientemente, a memória é consultada. A consulta basicamente se consiste em se recordar do acontecimento mais semelhante possível passado, e então ver qual foi 'a reação' que você usou no passado. E então, naturalmente, tende a resgatar essa reação. Ou seja, quando a pessoa, se recorda do que aconteceu no passado, naturalmente, se recorda da sua reação no passado, e assim, se sente um pouco "armado", "protegido", "vantagem", e isto lhe dá prazer. É o prazer da reminiscência.
No exemplo, a pessoa ao ver o próximo, lembraria automaticamente do que ocorreu no passado, e de sua "reação" (o ódio, raiva), e isto lhe dá prazer, segurança... pois já passou por isso, foi assim que agiu. Isso é o natural. E lutar e enfrentar isto, significa lutar contra reminiscencia, não no sentido de provocar aminesia, mas no de contrariar a sua certeza (como reagiu no passado) e se possibilitar, abrir uma nova porta, para algo que não se sabe o que é. E isto é extremamente difícil, sobretudo, em quem 'não está acostumado' a ter boas experiências de perdoar alguém.
Outro aspecto importante é por exemplo a música. A ideia principalmente defendida é que, em geral, as pessoas não gostam "de música", "da música em si" (uma visão artística, como se denomina). Mas sim o que ocorre é que 'tal coisa' representa, associa na vida dele. Por exemplo, uma pessoa em geral que costuma ouvir muito rock, em geral, toca ou canta tais músicas, ou seja, teve momentos de dificuldade e superação para estes desafios de reproduzi-los (e há a questão do prazer da reminiscencia nisso), também teve a companhia de amigos que apreciam, teve conversas com esses amigos, teve situações no dia-dia que envolvera a presença da música, ou até mesmo saída para shows, e até possivelmente, num desses shows encontrou a pessoa que é seu parceiro hoje, além de também poder transmitir um conjunto de ideais culturais, como algo rock, ou metaleiro.
Ou seja, quando por um exemplo uma pessoa fala algo que sugere a ideais de oposição ao Rock, ou que tal pessoa simplesmente 'traia', seja, 'infiel' a tal. Na verdade, não está falando contra a 'música rock', mas sim a este conjunto de coisas: {superações, desafios, amigos, momentos de conversas, shows, cultura, estilo de vida, pensamentos, filosofia, custos, gasto de dinheiro para com o qual trabalhou e lutou, etc.} Por isso é uma grande, tremenda ENERGIA, vista como uma tremenda agressão, é um golpe forte contra o peito, algo que molda, que formou a vida daquela pessoa. Pois diga-se de passagem, quem realmente pensa e reflete sobre "a música" em si, são os que tem visão artística, e estes - taxados de loucos, incompreensíveis e excêntricos - são poucos.
Mas alguns podem afirmar que gosta de mais de 1 estilo de música. Bem, a explicação segundo tal teoria, é que tal pessoa não possui apenas 'uma conta bancária', mas 'duas'. Ou seja, teve tambem experiencias com outro grupo e tals. De modo, que se diz haver 3 tipos de ecléticos.
Os 3 Ecléticos
1- o da carência de pertencer
O primeiro tipo, é aquela pessoa que se considera eclética para com alguma coisa, hábito, gosto, filosofia, etc, qual se adere há MUITAS coisas, muitas, quase todas, quase fazendo indiferença. Tais pessoas, em geral, possuem uma certa crise de 'aceitação', elas precisam sentir que 'pertencem' a um grupo, ou então, a todos os grupos. É visto como possibilidades: quanto mais melhor. Não se nega, nem fecha nada (aparentemente).
Normalmente, tal pessoa teve uma vida construída dentro de muitas experiências mistas, e experiências que envolveram relacionamentos significativas na vida; como amizades, hobbies, namoros, trabalho... Ou seja, tais foram os blocos com quais construíram sua vida, e qual sua mente tem prazer de recordar. Como são muitos, tende a dizer que por isso é alguém 'eclético'. Pois gosta de todos, quando na verdade, inconsciente a isto, esta na verdade a sensação de 'aceitação' de 'pertencer', ao recordar das experiências passadas.
Um Semi-eclético. Sim, na verdade, esta pessoa não é eclética. Pois as aceitoções dela se baseiam em cima do prazer da recordação, da aceitação, do pertencer. Isto implica que qualquer 'coisa' que implique em abandonar, retirar, algum desses blocos passados; são vistos como um tipo de vírus, inimigo. Então a pessoa pode tomar duas atitudes, uma 'menos eclética' que seria a de 'não se apegar a este, mas sim aos outros muitos', ou então, a 'mais eclética', apenas ter uma 'pequena relação com esta'.
Exemplo deste cético. Uma pessoa que diz acreditar em tudo qualquer coisa que é taxado de religião e supestição, desde rezar ave-maria, a ser batizada numa denominação protestante, a praticar budismo, a acreditar em horoscopo, consultar cartomante, cristais energizantes etc. Bem, a pessoa diz ser eclética para a religião. Mas por exemplo, ela 'não se apega' a uma religião cristã prostante, pois tal, aboli a todas as demais. Ou seja, 'uma pelo menos tem que ficar de fora', logo, há uma preferência, uma escolha, há divisão, não é eclética.
2- O Eclético Sem Gosto
Este é aquele que simplesmente não liga (é primordial não ter um caráter artistico). Tanto faz um ou outro. Não tem um senso crítico, não tem bagagem; não tem informação significante; ou seja, não tem ferramenta para fazer juízo ou escolha, ou prefere não fazê-lo. São os chamados 'sem paladar', uma pessoa só aceita comer e por qualquer coisa na boca assim, sem distinção, sem preferência, caso ela não tenha paladar; ou seja, não sabe diferenciar o gosto. Assim, não sabe o que é azedo, ou amargo, ou doce. Mas pode reconhecer a forma visual ou o cheiro. Tal é basicamente uma pessoa sem sensibilidade. Mostre qualquer coisa para ela e ela diz que ela gostou, achou legal. Ou seja, se todos são, então, na verdade, nenhuma o é. A pessoa não possuí critérios, juízo, não há distinção, escolha. Normalmente estas escolhem o objeto momento apenas por aquilo que for conveniente ou dê na telha.
3- O Eclético Por Opção
Se trata na verdade de um pseudo-eclético também. Pois é uma pessoa que tem sim preferências, gostos, claramente, não se nega isto, e até mesmo não gosta de outros objetos. Mas escolhe experimentá-los, contemplá-los, tentar compreendê-los, com fins de uso. Nem que seja, apenas para buscar aprender. Como um policial pode buscar a opinião de um criminoso sobre falsificação. Ou uma pessoa que não gosta de tomar remédios, e que por ele, nunca tomaria nenhum, mas que se tiver algum remédio, toma qualquer um, não faz choro, nem birra. Algo que também costuma acontecer muito com alguem dentro de uma area profissional.
Bem, não quero mais prolongar estes textos.
Mas o fim de querer dizer tudo isto. É que é dificil lidar contra os preconceitos, manias das pessoas entre tantos outros, por isto, por causa da reminiscência. E quando digo manias, também me refiro a uma que vem me dando um tanto de dor de cabeça nos últimos tempos, que são pessoas que tem o hábito de ter uma reminiscência penosa, brava, e enraivecida de e-mails longos. Ou seja, escreva um email ou post no blog, com mais de 3 ou 5 linhas, com alguns paragrafos; que apenas da pessoa bater o olho naquilo, terá reminiscencia de alguma coisa no passado, qual sua reação é de imediada repuldia, e raiva. É impressionante, mas há pessoas que 'leram a carta antes mesmo de ler a primeira letra.' E quanto a essas, as palavras nada podem fazer, pois o que conta, não são seus significantes, mas sua quantidade.
Há ainda outros aspectos, como questões de 1ª impressão, fofocas, esteriótipos e a imagem que os outros formam de nós. Até mesmo com comentários brincalhões, te podem associar a uma ideia ou palavra não-desejável em suas reminiscencias. E depois quebrar isto é dificil.
Quando são quebrados...
A teoria propõe que não há como forçar uma quebra, sobretudo com palavras. As palavras só terão efeito, por aqueles, que já tem em suas reminiscencias o de apreciar as palavras, de ouvi-las, de dar algum valor com elas e querer compreendê-las, seus significantes e tudo mais. Mas os dois modos com que são quebrados é através do ABANDONO.
No modo 1, a pessoa sofre um grande trauma, mas um grande trauma mesmo, o suficiente para si mesmo querer remover essa pedra de si e jogar fora. De modo, com que tal Ação não é mais recordado com a Reação do passado, mas é recordado com a NOVA reação, a do trauma. E assim, a pessoa busca mudar.
No modo 2, a uma nova possibilidade. Se abre uma grande nova possibilidade. E muito forte, com que traumatize a atual, no sentido, de fazê-la ser considerada menor e/ou descartável; e de que, esta nova, vale a pena ser experimentada. A pessoa, a principio, pode não abandonar, mas é quase inevitavel que abandone; apenas, caso, há total decepção com a nova, e uma nova grande consideração pela antiga, é que pode haver um retorno.
......
Eu particularmente considero essa proposta psicologica muito interessante, que pode ser usado muito como uma ferramenta para compreender o homem e nossos relacionamentos e a lidar com eles. É lago que podia ser mais explorado ao meu ver. Mas, todavia, ela é um pouco 'banho de água fria'. Pois segundo tal, quanto mais tempo algo é colaborado; mais forte e intenso é sua reminiscencia, logo, mais difícil é de ser mudado. Sabe, isso me tirou um pouco as esperanças de lidar e tentar propor novidades e portas para adultos, e até mesmo alguns jovens.
28 maio 2011
Salomão - A Educação e a Busca de Todo Homem
Esses dias estive muito a pensar em Salomão por conta da leitura de Eclesiastes [para quem não conhece, uma síntese da vida de Salomão, de um homem que buscou por TUDO, e apenas encontrou ilusão e um caminho] que estou fazendo (de novo) e em pedagogia (facul). E três pensamentos, três versos não me saíram da cabeça:
"Na verdade, quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia, em que ele passa como uma sombra?"
Cap. 6, verso 12
"E quando Deus concede riquezas e bens a alguém e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus. Raramente essa pessoa fica pensando na brevidade de sua vida, porque Deus o mantém ocupado com a alegria do coração."
Cap. 5, verso 19 e 20
"Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez."
Cap. 3, verso 11
Na Faculdade de Educação da USP algo que sempre escuto, praticamente em todas as aulas que tive lá, sobretudo nas últimas que estive tendo de Didática e de Politicas Públicas da Educação Brasileira (POEB): "O que é educação para você?", "Por que educar?", "Qual é objetivo?", "Qual é o projeto de homem?", "Qual é o projeto de sociedade?"
Sempre! Sempre está pergunta. Por fim uma procura: O que é bom para o homem? O que é bom para a sociedade? É uma procura por um ideal, pelo um certo, por um razão. Alguns pedagogos falam como se tivessem as respostas, ou seja, sempre possuindo uma posição filosófica, raramente, uma cristã. E a coisa vaga continua. Mas como já disse Salomão: "quem sabe o que é bom para homem?" Quem pode responder essa pergunta? Um presidente? Um secretario da Educação? Um filósofo com PhD? Um super empresário? Uma estrela da música? Uma estrela de Hollywood? Um professor? Um pastor? A mãe, o pai? Quem? - Quem?
Rapidamente, nós cristãos tendemos apressadamente a dizer: "A Bíblia". Mas por que? Quem pode dizer que é melhor crer do que não crer? Tenho amigos que a vida se resume em trabalhar para conseguir dinheiro para conseguir ter status, e conseguir pegar o maior número de mulheres possível nos momentos de lazer. E essa é a vida dele. Agora, quem pode dizer que isso não é o melhor? Por que usar de toda a nossa moral cristã? Quem somos nós para dizer o que é melhor ou não? Pensando bem, quão loucura é pedirmos conselho. Porém, estamos no meio de um Jogo, como diria Wittgeinstein, e temos que seguir algumas regras se queremos participar dele ao invés de sermos chutados para fora na primeira jogada.
Mas então, Salomão ainda diz outra coisa. Diz que Deus colocou no homem "o anseio pela eternidade". É dificil imaginar outra espécie de animal ter esse desejo. Já que homem pode dizer com plena sinceridade que não o possui? Aliás, de certo modo, este anseio é o 'queijo' (pensando num rato correndo numa esteira tentando morder um pedaço de queijo suspenso) que faz o homem se mover, a sociedade e o mundo se mover: A busca pela eternidade! A busca por afastar a morte! A busca por enfrentar e vencer a morte! A busca para sempre viver! E poder cada vez mais aproveitar e desfrutar a vida!
Aqui talvez esteja o calcanhar de Aquiles de qualquer anti-religioso: o seu anseio pela eternidade. "E que os cientistas consigam achar um meio, logo, antes que eu morra, de perpetuar a vida!", no fundo, é um pouco do pensamento destes e de nós. Mesmo pouco se importando por questões demográficas e recursos naturais, fora mobilidade e urbanismo. O que nos faz pensar um pouco do pensamento darwnista da "sobrevivência do mais forte", quando lemos o verso abaixo:
"Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento." Cap. 4, verso 4
Ou seja, se formos pensar numa pedagogia. Logicamente estamos pensando em 2 coias. (1) Na busca pela eternidade, por adiar a morte. Isto quer dizer, promover meios que sustentem ao máximo a vida. Ou seja, investir para que haja uma sociedade cada vez mais autosuficiente, com grandes avanços na medicina; em prender e exterminar aqueles que colocam a nossa vida em perigo; em cultivar alimentos para comer; controlar os reservatórios de água para bebermos; isto basicamente. O resto ou é um egoismo extra (se isso pode ser dito), pois não basta de buscar com mais vantagem a eternidade (poder). Aliás, porque temos caminhar jutnos de mãos-dadas como pensaria um Marxista comunista, nesta busca? Ainda mais num mundo, que daqui uns anos, não dará conta de manter tanta gente, não seria melhor exterminar alguns? Ops! Mas não eu, por isso, preciso de poder para poder obrigar que outro morra, enquanto eu ainda consiga prolongar e possibilitar viver ainda mais. Ao mesmo tempo, temos que pensar numa PEDAGOGIA, não das DIFERENÇAS como propôs uma filosofa, mas a pedagogia da competição. Ensinar a competir. Aliás, pensando mais a frente, caso eu tenha poder. Por que querer educar todo mundo? Fazer deles poderosos e poderem competir comigo, tirar minha vantagem nesta busca?
E assim se vai add infinitun toda essa busca pela eternidade, e discussões pedagógicas. Há várias discussões e propostas, mas sempre girando em torno do mesmo eixo e as perguntas finais são sempre as mesmas.
Mas Salomão ainda diz que um homem que é abençoado muito por Deus, em riquezas, um trabalho prazeroso entre outras coisas; tal NÃO LIGA. Não se importa. Pois estão curtindo. Como Jesus disse: "Os ricos já tem seu consolo." E assim, tais não ficam pensando nessa questão que realmente importa: "Ansiamos pela eternidade, mas não a temos, e a morte se aproxima." Mas os 'poderosos' estão desfrutando do presente, iludidos com o que seus hormonios podem propocionar, nessa vida sem sentido e vazia, até que a morte chegue. E aí está: mais um que desfrutou de prazer enquanto viveu por alguns anos e que agora jaz no pó da terra.
Salomão chegou até mesmo a pensar como Nietzsche pensou: "Por isso desprezei a vida, pois o trabalho que se faz debaixo do sol pareceu-me muito pesado. TUdo era inútil, era correr atrás do vendo. Desprezei todas as coisas pelas quais eu tanto me esforçara debaixo do sol." (Cap. 2, verso 17 e 18)
E aí fica ainda a questão: Qual é o objetivo? Que projeto de homem? E a eternidade? E a educação? Para que educar? Para apenas formar servidores para os poderes? Para formar apenas pessoas que podem prolongar um pouco mais a vida na Terra, uma vida vazia e sem sentido? Ou educar em prol da Eternidade?
Todavia, ETERNIDADE. Esta palavra só existir numa perspectiva metafisica, religiosa! Como assim! Pois segundo a física, o tempo pode deixar de existir. Claro! Podemos negar a metafisica (será?) e a religião! Como podemos! E qual é a eternitiva senão dar o mesmo loop atrás e repetir toda a história de novo com milhões de perspectivas, teorias e projetos pedagógicos, e politicas e etc. E aí estudar e ler mais livros e livros. E mais informação, e mais coisas produzida pelo homem. E como Salomão disse "Não há limite para a produção livros." (cap. 12, verso 11) Ou seja, de certo modo, podemos nos enrolar indefinidamente, até chegarmos ao nosso túmulo. E a demanda continuará. Aliás, como disse a apóstolo "Estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade." (2Tim.3:7)
Mas então vêm o cristianismo, a Bíblia, e propõe um caminho, uma rota para a salvação. Porém, é uma rota dura em muitos aspectos. Pois de certo modo, ela é uma abnegação 'desta vida' como assim podemos dizer. Ou seja, pelo menos pelo periodo de tempo que estamos acostumados a chamar de vida e achar que é a 'única possível de obtermos'. Então, abrir mão dessa vida, dos tesouros e prazeres terrestres, por causa de uma ÚNICA remota possibilidade, de qual não temos como ter 100% de garantia (como para tudo nessa vida, além de que a morte se aproxima). Podemos recusar. Mas é isso que o cristianismo oferece, uma vida eterna. Aquilo que é o grande anseio de todo homem. É pegar ou largar, e se largar, não há outra coisa para pegar. Pois todos estamos debaixo da mesma condenação, crente ou não, bonzinho ou maldoso, um pervertido sexual, ou monge de 90 anos virgem, ou vilão ou um assistente social, não importa. Como Salomão disse: "O que acontece ao tolo também me acontecerá. ... Como pode um sábio morrer como um tolo?" (cap. 2, verso 15 e 16)
Por fim a única coisa que nos resta, nem que seja como uma esperança, é a proposta de Deus. E por fim, é esta a conclusão que Salomão teve, pois nada faz sentido, tudo é ilusão, é correr atrás do vento, e mesmo assim, ansiamos pela eternidade, mas estamos condenados a morte, e somos literalmente burros, não sabemos o que é melhor ou não; e podemos ler e escrever incontáveis livros, e ao virar a última página, a Interrogação sempre continuará em pé, em fonte Ariel Black tamanho 56 e negrito; a menos que estejamos iludidos. Iludidos como alguns gostam de fazer com discursos sofistas, com drogas e bebidas.
E assim Salomão termina:
"Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão:
Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial para o homem. Pois Deus tratá a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau."
(últimas palavras de Eclesiastes)
Por fim, justiça, platonicamente falando, será feita. E ou seremos punidos com a morte (como de certo modo já estamos convencidos e acostumados a ver), ou então recompensados com a vida eterna se tivermos ido pelo caminho que Ele propôs.
E agora pedagogos, que caminho tomar? Ainda continuar com o mesmo? E com as mesmas dicussões? Até quando? Pode ser intrigante, mas nosso anseio pela eternidade, por desfrutar e prolongar ao máximo nossa vida, pode muito bem fazer com que deixemos nosso passaporte para aquilo que mais ansiamos, a eternidade. Pois diga-se de passagem: Se hoje lhe fosse permitido escolher a eternidade ou qualquer outra coisa, o que escolheria? Bem, mas intrigantemente, o cristianismo disse que Deus, que Jesus, optou pela morte, para poder nos oferecer a eternidade. Como disse Salomão: Quem pode compreender totalmente os feitos de Deus? Inclusive o homem.
Procuramos a eterna paz. Onde a encontraremos?
16 maio 2011
O que querem ensinar em nossas escolas?
Hoje li mais um texto amargo de se ler, do livro “Uma Vida de Professora” de Sandra Mara Corazza. Por que amargo? Ora, leia com seus próprios olhos:
“Os diferentes puros não existem, não lutaram tanto para existir, não foram dados a existir, para que a Pedagogia e o currículo apenas partissem de seus interesses e necessidades, para depois, então, eliminarem todas as diferenças, em nome dos interesses e necessidades dos mesmos, dos sujeitos-padrão, dos sujeitos-referência, dos sujeitos-verdadeiros.”
“Em educação, é tempo dos estudos culturais, feministas, gays e lésbicas, Pedagogia Queer, pensamento pós-estruturalista, pós-colonialista, pós-modernista, filosofia das diferenças, pedagogias da diversidade.”
“Hoje, somos educadores que educam em tempos pós-modernos. Se os tempos da Neutralidade Iluminada (Religiosidade e Cientificismo positivista) e da Suspeita Absoluta são filhos naturais da Modernidade e da educação moderna, este de agora, o do Desafio, é cria legítima da pós-Modernidade e da educação que lhe corresponde.”
“Esse é o tempo das pedagogias e dos currículos críticos, radicais, emancipatórios, progressistas, cidadãos. É tempo... De retirar o papel ingênuo, universalista e eterno da Pedagogia, dando-lhe o que ela sempre mereceu: ... muitíssimo forte para construir uma outra realidade, uma ou outra sociedade, um ou outro valor, um ou outro tipo de sujeito. É o tempo da revolução em educação.”
Não conheço a Sandra Mara Corazza, mas o discurso dela me lembra muito dos típicos ‘revolucionários esquerdistas marxistas’ que adoram uma greve da FFLHC-USP. (sem querer ofender, claro). Claro, tudo o que ela disse é muito questionável, fora as muitas generalições e colocações simplistas com algumas frases conclusivas e clichês. Mas isso mostra um pouco das atuais tendências e molde com uma parte considerável dos acadêmicos e dos formadores da Educação do Brasil, pensam, qual a ‘filosofia de vida deles’ ou seja, que ‘modelo de sociedade eles propõe’.
Não é só isso. Mas há muitas diversas concorrentes filosóficas sobre ensino no Brasil, apesar da visão protestante e mesmo cristã (católica) ainda ser muito forte, praticamente dominadora. Há, claramente, uma busca cada vez mais acentuada de buscar afastar o Teo da escola; para alguma perspectiva mais Rousseau, de desenvolver uma espécie de ‘individualismo naturalista extremo’, do qual não se pode, como se fosse uma ‘heresia’, ‘uma violação’, ‘um pecado’, doutrinar uma criança, ou lhe dar uma educação que o faça pensar em Deus, pois a ideia é que ele tem que ‘viver e crescer livre’ (como se não fosse isso o que o cristianismo propõe) sabendo aceitar (no sentido de achar ‘normal’) qualquer manifestação social e cultura (sem sendo critico), ou fazer oposição; e depois, quando já tiver na maioridade, então poder fazer a sua escolha livremente (sem que tenha sido ‘condicionado’ anteriormente). Sem contar a linha filosófica pragmática, na busca apenas de bem, direito e virtude máxima, buscar fazer com que tenha uma longa vida aqui na Terra, e fazer para que se prolongue o máximo a sociedade e mundo, nessas atuais condições de vida. Como se a máxima, a religião verdadeiro do homem fosse a “sobrevivência da espécie” e o resto é o de menos, contanto que colabore para isto.
Olhos atentos. Pois dias piores ainda virão, na escola, e consequentemente na sociedade formada por esta.
“Os diferentes puros não existem, não lutaram tanto para existir, não foram dados a existir, para que a Pedagogia e o currículo apenas partissem de seus interesses e necessidades, para depois, então, eliminarem todas as diferenças, em nome dos interesses e necessidades dos mesmos, dos sujeitos-padrão, dos sujeitos-referência, dos sujeitos-verdadeiros.”
“Em educação, é tempo dos estudos culturais, feministas, gays e lésbicas, Pedagogia Queer, pensamento pós-estruturalista, pós-colonialista, pós-modernista, filosofia das diferenças, pedagogias da diversidade.”
“Hoje, somos educadores que educam em tempos pós-modernos. Se os tempos da Neutralidade Iluminada (Religiosidade e Cientificismo positivista) e da Suspeita Absoluta são filhos naturais da Modernidade e da educação moderna, este de agora, o do Desafio, é cria legítima da pós-Modernidade e da educação que lhe corresponde.”
“Esse é o tempo das pedagogias e dos currículos críticos, radicais, emancipatórios, progressistas, cidadãos. É tempo... De retirar o papel ingênuo, universalista e eterno da Pedagogia, dando-lhe o que ela sempre mereceu: ... muitíssimo forte para construir uma outra realidade, uma ou outra sociedade, um ou outro valor, um ou outro tipo de sujeito. É o tempo da revolução em educação.”
Não conheço a Sandra Mara Corazza, mas o discurso dela me lembra muito dos típicos ‘revolucionários esquerdistas marxistas’ que adoram uma greve da FFLHC-USP. (sem querer ofender, claro). Claro, tudo o que ela disse é muito questionável, fora as muitas generalições e colocações simplistas com algumas frases conclusivas e clichês. Mas isso mostra um pouco das atuais tendências e molde com uma parte considerável dos acadêmicos e dos formadores da Educação do Brasil, pensam, qual a ‘filosofia de vida deles’ ou seja, que ‘modelo de sociedade eles propõe’.
Não é só isso. Mas há muitas diversas concorrentes filosóficas sobre ensino no Brasil, apesar da visão protestante e mesmo cristã (católica) ainda ser muito forte, praticamente dominadora. Há, claramente, uma busca cada vez mais acentuada de buscar afastar o Teo da escola; para alguma perspectiva mais Rousseau, de desenvolver uma espécie de ‘individualismo naturalista extremo’, do qual não se pode, como se fosse uma ‘heresia’, ‘uma violação’, ‘um pecado’, doutrinar uma criança, ou lhe dar uma educação que o faça pensar em Deus, pois a ideia é que ele tem que ‘viver e crescer livre’ (como se não fosse isso o que o cristianismo propõe) sabendo aceitar (no sentido de achar ‘normal’) qualquer manifestação social e cultura (sem sendo critico), ou fazer oposição; e depois, quando já tiver na maioridade, então poder fazer a sua escolha livremente (sem que tenha sido ‘condicionado’ anteriormente). Sem contar a linha filosófica pragmática, na busca apenas de bem, direito e virtude máxima, buscar fazer com que tenha uma longa vida aqui na Terra, e fazer para que se prolongue o máximo a sociedade e mundo, nessas atuais condições de vida. Como se a máxima, a religião verdadeiro do homem fosse a “sobrevivência da espécie” e o resto é o de menos, contanto que colabore para isto.
Olhos atentos. Pois dias piores ainda virão, na escola, e consequentemente na sociedade formada por esta.
13 abril 2011
Sobre os Impostos e a Educação
Quinta, dia 7/abril/2011. Tive uma palestra na Faculdade de Educação da USP, com um especialista sobre o Orçamento Publico do Brasil. Do qual o tema em especial foi a Educação - lógico. Fiquei feliz por finalmente entender um pouco como a coisa é gerida, “quantos impostos existem”, e quanto deste imposto é destinado a Educação.
Claro, eu como todo brasileiro, sinto certo rancor quando ouço falar em “impostos” como um verdadeiro sentimento de estar sendo roubado a força, sem ter como se defender. Achava até então que nós brasileiros realmente pagamos muito imposto. Mas uma comparação foi feita com outros países de primeiro mundo, e não é bem assim.
Um bom índice de comparação, é a razão [ Impostos / PIB ]. Neste, em geral, o Brasil está muito abaixo de outros países. Em 1998, enquanto o Brasil tinha 33% boa parte dos países de primeiro mundo estavam acima dos 40%, alguns mais de 60%. E na Suécia, há até mesmo um caso excepcional, no qual o povo estava cobrando, querendo, pedindo para o Governo aumentar mais o imposto, para poder investir ainda mais em Educação. Algo que nunca me passou na cabeça, quando penso em povo, o qual o pensamento é outro, pelo menos no Brasil: “Governo, diminua os impostos, e invista mais em Educação.”
Todavia, o investimento em Educação é ridículo no Brasil. Na América Latina, Brasil ganha por pouco do Paraguai, e fica muito atrás da Argentina, Chile, Uruguai, México. Se formos comparar com os países de primeiro mundo a diferença é discrepante. Pelos números que lembro mais ou menos, no Brasil, no ano se gasta em média de 1.800 reais com um aluno do Ensino Médio. Ou seja, uns 5 reais por dia por aluno! Se for pensar na Educação Primária, gasta em torno de 800 reais a. a. Ou seja, “Menos que um pastel por dia.” (como a professora Sonia observou). Já nos países de primeiro mundo, esse número, é no mínimo, em torno de 5x mais! Nos Estados Unidos, chega a passar de 8mil reais.
Mais ai vem a questão mais importante: “Donde vem os recursos (dinheiro)?” Lógico, dos Impostos. Mas quais impostos? Poupando palavras: “Quem paga os impostos? Quem banca os gastos do Brasil?”. É alarmante, eu fiquei abismado. Mas quem paga é basicamente a Classe Média. E quando digo banca, quer dizer que é a Classe Média que banca os gastos públicos, a Educação, Transportes, Saúde, é quem banca a vida da Classe Pobre, os vários auxílios, e bolsa que o governo Lula promoveu para ‘o estado bancar a vida dos pobres (inclusive os que moram em favela mas tem água, eletricidade, TV de LCL de 70”, e todos eletromseticos básicos, fora TV paga, internet.. claro, tudo clandestinamente), ao invés desses contribuírem para a nação’. E também, a classe média, é quem banca a classe alta, os ricos. Sem contar o dinheiro publico que é desviado para quem já tem dinheiro. Mas não fique com raiva da classe baixa, qual basicamente não paga imposto, não contribui significativamente para a Nação, para a Educação, por lotarem o transporte publico e tudo mais. Pois...
O GRANDE VILÃO é a Classe Alta. Principalmente por 3 motivos:
1. Sonegação de Impostos;
2. Imposto de Renda desproporcional;
3. Boicotar o Imposto Sobre Grandes Fortunas, e o Imposto Sobre Propriedades Rurais.
O palestrante, especialista, deu uma bom banho de água fria em nossos ânimos de revolta contra os impostos, e nos deu uma boa ideia da realidade que eu desconhecia. Bem, em primeiro lugar, está na Constituição que deve haver um “Imposto sobre grandes fortunas”. Ou seja, quem é rico, quem tem grandes fortunas teria que pagar um imposto extra. Justo, não? Ou seja, quem tem muito dinheiro, para quem dinheiro não faz falta, para quem pode muito contribuir para os cofres públicos, contribuiriam com este imposto. Para quem ficam a vida toda viajando e tendo lazes e luxo, e seu único trabalho é quando sua fortuna é ameaçada e tem que protegê-la. Mas, NUNCA esse imposto foi cobrado. REPITO: NUNCA! (nem o Batista que tem tantos bilhões, nem o Silvio Santos, nem nenhum dos politicos...) Sabe por quê? Porque nunca foi regulamentado pelo Estado (pelos políticos). Usam de desculpa: “Mas o que é uma grande fortuna?” E assim, ficam boicotando isso, para NUNCA terem que pagar esse imposto.
Bem, para por aí? Não. Além disso. Existe o Imposto sobre propriedades rural. Mas esse imposto é uma taxa mínima tão ridícula, que não é uma arrecadação significante para o cofre publico. Bem, poderiam aumentar esse imposto, ou fazer algo “proporcional ao tamanho das terras”. Opa! Mas ai, os grandes fazendeiros, e homens ricos que tem muitas terras, especulação que há quem haja terras maior que o estado do Sergipe, teriam que pagar “algo proporcional a sua grande riqueza”. Então, nunca ninguém mexe nesse imposto. E assim, os ricos deixam de contribuir para a nação; apenas lucrando com o que produzem nessas grandes terras. E aí poderia entrar algumas discussões sobre o MST, mas deixa para lá.
Mas ainda não é o fim da picada. Imposto de renda. A maior parte dos recursos públicos da nação vem do Imposto de Renda, do Imposto sobre produtos industrializados (IPI) [principalmente sobre automóveis – e assim continuaremos a ser o pais do automóvel e do transito] e do Imposto sobre operações financeiras (IOF). Bem, do IPI e do IOF os ricos não conseguem fugir muito (mas olha lá, tem o Mercado Negro, paraísos fiscais...). Mas apenas quanto ao Imposto de Renda, os ricos são basicamente sonegadores. Quase todos, a maioria, daqueles que tem mais de 17 milhões de reais, se declaram, como pessoas de classe média baixa, e não poucos, como até isentos da declaração. E aqueles que pagam, basicamente pagam como se fosse da Classe Média. Ou seja, dão uma esmola, uma gorjeta para a nação. Mas como são poucos, é insignificante o que contribuem; sendo que de fato, quem contribui é a massa da Classe Média.
Que injustiça não? Vamos assim dizer que as 100 pessoas (hipotéticas) que tem 70% dos recursos do País. Não contribui nem com 10% dos gastos da nação. Enquanto que basicamente 80% dos gastos, são pagos pela classe média, os que tem 20% dos recursos, por sei lá, uns 50, 60 milhões de pessoas.
Mas para ficar ainda mais alarmado. Eles, os ricos, estão blindados. Como? Simplesmente, porque basicamente em toda a História do Brasil, inclusive hoje. São ELES que estão láaaa no forte de Brasilia, longe da massa do Sudeste, no parlamento, no senado, na presidência, no judiciário. Defendendo sua fortuna e sua ‘isenção’ de impostos. E quanto ao governo Lula. Mil maravilhas, ele, não? Bem, o que ele fez foi praticamente enxugar ainda mais o bolso da classe média [claro dando mais empregos para estes, para poderem trabalhar mais e ‘contribuir mais’], acabar com a Classe Média, fazendo muitos se tornarem Classe Baixa Alta, fazendo-os pagar um aumento na qualidade de vida da Classe Baixa e da Alta. Mas acredite! No governo Lula quem mais se beneficiou ainda foi a classe alta. Esse é o governo do povo! Que povo? É basicamente uma escravização da classe média. E usam a classe pobre apenas para ganhar votos. E aí, quem luta pela classe média? Bem, pelo menos dizem que o FHC fez isso, que os tucanos tinham compaixão da classe média.
E aí voltando a Educação. Se hoje o piso salarial de um professor é (hipoteticamente) 1300 reais (isso agora, 5 anos atrás era de?) e queremos que aumentasse para 3mil. E além disso queremos que diminua de 40 para 20 alunos por sala, teríamos que dobrar o número de professores (sem contar outros gastos). Por grosso, teríamos que aumentar 8x o orçamento da Educação. Segundo o palestrante, hoje, 3-5% do PIB é destinado a Educação, e o ideal, para melhoras realmente significativas, deveria este número passar para 10%. Mas desde quando os RICOS, a Classe Alta, quem lidera e comanda esse pais está interessado no ensino de qualidade para a massa? Isso seria de algum modo diminuir a Pirâmide do Poder do Capitalismo. Pois para eles o negócio é dar uma Educação péssima para as massas, e quanto aos seus filhos, colocam em escolas particulares de mensalidade acima de 2500 reais. Para estes, sim, serem os herdeiros do poder, ocupar o poltrona no Congresso Nacional, e manter a “mesma organização” da sociedade e economia brasileira.
Como resolver esse déficit na Educação, no Transporte, na Saúde? Simples, em primeiro lugar, precisa de mais recursos. Mais impostos? Esta seria a solução? Ou então, fazer com quem até agora só explorou o dinheiro da ‘classe média’, que realmente tem dinheiro e poder, venha a contribuir JUSTAMENTE com a nação? E segundo o palestrante, o valor da sonegação de impostos é incalculável, provavelmente, é maior do que já é arrecadado; alguns especulam, um segundo PIB.
CPMF – Um Imposto com Gosto de Justiça
Eu sou um daqueles que também pensava: “MAIS UM IMPOSTO!!??!! NÃO!!!” Porém, é um imposto mais democrático. Cobrado sobre as movimentações financeiras. É simples. Quem mais tem movimento financeiro no pais, são os ricos, a classe alta. Logo, quem mais pagava esse imposto eram os ricos. Eram um imposto proporcional. Aliás, boa parte da classe baixa nem mesmo tem conta corrente. E os ricos não acomodam seus milhões debaixo do colchão, mas nos bancos. Assim sendo, era praticamente um dos únicos impostos justos que atingia os ricos, em que os ricos pagavam mais, proporcional. E, aparentemente, não havia como ‘sonegar’, pagavam mesmo. Logo, não é de surpreender que os políticos deram um fim a este imposto. Não acabaram o imposto “por pensar no pobre, ou na classe média”, mas porque estavam pensando neles mesmo, estava afetando suas riquezas. O fim da CPMF foi apenas um passo legal dos ricos sonegar sua contribuição para a nação.
Também contou um caso interessante. Com o fim da CPMF, o Governo queria ressarcir de algum modo os contribuintes, quando o Sarney era o ministro da receita (se não me engano). Ai o Sarney falou para os bancos: “Nos dê os nomes das pessoas e o quanto temos que devolver, que depositamos para eles.” Aí os bancos disseram: “Não. Pois isso é perca de privacidade. Nos dê o dinheiro, e aí, nós damos a nossa palavra, que iremos dar-lhes justamente.” Ai o Sarney: “Nã-na-ni-na-não, nos dê os nomes...” E esse dinheiro nunca voltou, a discussão não terminou. Pois aqui há um jogo de interesses: A Fazenda assim iria saber o quanto que muita gente rica movimentou. E ai iria pensar, como o cara movimenta 300 milhões no ano, e declarou ter apenas 200mil? (seria uma armadilha para pegar sonegadores de impostos – gente rica) Fora que, muitos desses ricos, claro, são bancários (não os atendentes de filas em agencias – coitados – , né! Mas os barões.) E por outro lado, os ricos querendo se proteger da sonegação, e de “perder” clientes ricos.
Após ver este lado da CPMF, passei a ser favor a sua cobrança, a seu retorno. Aliás, os traficantes de drogas e armas, também fazem suas transações por banco, não?
Chegamos a um ponto, em que talvez o mais justo, e o inicio de uma solução, viria apenas se fossem aberto as contas dos ricos – o sigilo bancário. E assim, os sonegadores fossem pegos. Quanto, os sonegadores (os ricos) não devem já estar DEVENDO ao país, a eu, você, a Educação, Transporte, Saúde, Cultura, Habitação, se formos somar a sonegação destes nos últimos 20 anos!?
Aliás, sigilo bancário não é feito para proteger eu, nem todo aquele misero da classe média. Mas para os ricos. E não proteger num sentido de que: “Ai vão saber que tenho dinheiro e irão me assaltar, ou ladrões me sequestrar.” Pois ora, eu e você conseguimos saber quem tem e quem não tem, basta olhar a roupa, carro, casa, onde mora, onde frequenta, estudou etc. Sabemos que todos ali na Politica TEM DINHEIRO, MUITO; saber o valor para os ladrões faria diferença? O verdadeiro interesse do sigilo bancário é a sonegação dos ricos. Esconder o mercado negro. Quem é honesto, e ganha pouco, ou que está no vermelho, tem a temer com isso?
Logo, o maior problema do país, continua ainda sendo a corrupção. O caráter Macunaíma do povo brasileiro. E o mais ridículo de tudo é ouvir comerciantes, que não pagam impostos, com pirataria, ou sem emitir nota fiscal, que reclamam e falam dos políticos e ricos como se fosse espécie de pior laia do que eles.
E novamente, temos a palavra de Jesus, quanto aos impostos: “Dê a Cesar o que é de Cesar.” (honestidade)
Que pessoa afortunada hoje, no Brasil, poderia olhar para os olhos de um morador de rua com a consciência tranquila? Neste eu votaria para presidente. Enquanto isso, meu voto continua nulo. Pois eu só votaria num mártir. Pois um honesto, certamente seria crucificado. Pois assim seria uma ovelha num covil de lobos. Quer meu voto? Jure pela sua mãe que irá fazer os ricos pagarem esses impostos justamente, como se deve! Inclusive regulamentar, e justamente, o Imposto Sobre Grandes Fortunas.
07 abril 2011
Educação - Crise de Identidade
Resumir a História e a Educação em poucas palavras: Tarefa ardua. Todavia, agora, cada vez mais intenso, me convenço que, pelo menos hoje (senão em todo o período pós-Iluminismo) a Educação passa por uma Crise de Identidade.
Ora, é fato que Educação, Escola, está envolvido como um processo essencial para uma civilização. Mas é isso? Bem, antigamente, não era bem isso. Mas hoje é quase que exclusivamente isso. Porém, quando dizemos civilização estamos pensando em todo um conceito de sociedade, de mundo, de vida, de modos de vida, modos de produção; e tudo isso parte de uma concepção individual de vida. Ou seja, uma própria filosofia, uma força metafisica (religioso ou não) que move o homem a idealizar uma vida, como as pessoas devem viver, o "que é o melhor", "o que é bom". Aliás, sem o fundamento da moral e da virtude, não há sentido quando falamos em educação.
Ontem assisti um filme na disciplina de Didática na FE-USP, O Menino Selvagem, e ali temos claramente a idéia do que é um homem sem educação, sem ser disciplinado, sem ser civilizado: um selvagem, sem discernimento (será?), mal desenvolvido suas capacidades, sem capacidade de se comunicar, expressar, ou mesmo compreender o mundo ao redor, apenas sendo 'um fantoche' (vamos assim dizer) de seus instintos mais carnais, como comer, beber água, se defender e descansar. Contudo, o filme levanto um questionamento que mexeu com todos: "E daí?" "Mas isso não é a pura liberdade do homem, o de não ser domesticado pelo homem, sem ter influencias de outros homens, descobrindo a vida por si, e escolhendo os próprios caminhos?" "Que direito tem o homem civilizado de ir lá, pegá-lo a força, levá-lo para a cidade, e educá-lo. Isto é: contê-lo, discipliná-lo, tirar a 'liberdade de vida' dele...?"
A discussão ainda é mais longe. Pois sempre parece que temos que lidar com questões essenciais de moral, virtude... chegando aquelas questões "religiosas". Pois retirar este fundamento de que "há o bem", "há algo bom para se fazer", "é dever de todo o homem ser disciplinado, controlar seus instintos..."... então passamos a cair num VAZIO, num vazio que nenhuma teoria antropocentrista pode preencher. Pois então o homem é mais um animal, um animal como qualquer outro, por sorte, por acaso, se uniu em comunidade, civilização, mas ainda assim não há nenhum principio, fundamento que diga "isso deve ser feito", "isso é bom". Logo, "tudo bem em ser um selvagem", "por que deveriamos ser educados?" Mas a CENA, o VER o MENINO SELVAGEM, o homem indiferente, que nem mesmo sabia chorar e era indiferente a tudo, foi chocante. As pessoas reclamam de Deus e dos principios religiosos de barriga cheia, quando estes já formaram bases de moralistas na civilização. Mas conforme essas bases morais vão sendo extirpadas, deterioradas e excluídas, e o homem começa a ver cada vez mais um "simples animal selvagem", é muito atormentante a alma, e creio que no fundo, todos voltam seus olhos para cima esperando 'alguma ajudinha'. Claro, não vimos nenhum garoto selvagem em nossas vidas - provavelmente - mas quantas vezes não vemos no dia-dia, homens selvagens, no sentido que perdem todo o auto-controle e se tornam fantoches de drogas, luxúria e violência por exemplo.
A Educação históricamente, principalmente desde o Iluminismo, tem-se distanciado cada vez mais da Religião, da Disciplina dos Instintos, e dessas perspectivas moralistas. E cada vez mais, senão ABSOLUTAMENTE, voltada para o Mercado. Sim, para o mercado de trabalho, para o pragmatismo, para o rendimento, a economia de energia do homem. Basicamente, é o MERCADO, as EMPRESAS, o CAPITALISMO, o CONSUMISMO, que tem ditado a Educação. E ainda é neste rumo que estamos presos e se acentuando.
Claramente, com isso, houve e está tendo duras consequencias na Educação. Há quem acha que Educar significa meramente "transmitir conhecimento e técnicas úteis para o Mercado"; e o problema basico das escolas então seria, "como fazer os alunos terem interesse" e "como produzir métodos objetivos e mais universal possível para conseguir essa transmissão com exito." E por todo o mundo está discussão ainda ocorre. Além das buscas por "desculpas" do "por que ensinar", sem recorrer-se a metafisica.
Todavia porém portanto, cada vez um número maior de docentes e pedagogos estão sentindo essa crise existencial, esse vazio, que há algo de errado "em aspectos filosóficos e metafisicos" na Educação. Algo claro quanto é isso, é por exemplo a Música que irá voltar a fazer parte do curriculo escolar na Escola Básica. Mas parece haver algum raio de luz, de esperança, pelo menos há quem pense assim: Que a educação deve-se voltar, principalmente, para a introspecção, a disciplina, a filosofia, a moral; e menos, a ser um fantoche do Mercado.
Eu não boto muito fé que a coisa irá mudar. Pelo contrário, acho que a tendência é cada vez mais rumo a Abolição do Homem (vide a C. S. Lewis). Até lá, as discussões continuam, como num jogo de ping-pong. Pois eu diria que a Educação não só se tornou fantoche do Mercado, mas ela passou a ser também Mercado, uma Industria.
Cada vez mais me convenço das palavras de Salomão: "Vaidadade de vaidade, tudo vaidade. É como correr atrás do vento. Nada faz sentido."
15 junho 2010
Da Vida Sentada: Da Educação à Aposentadoria
Sabe, uma das coisas que muito me alegra em ver na Cidade Universitária (USP Butantã) além da abundância de verde são muitas pessoas praticando esportes, sobretudo correr e pedalar. A faixa etária média eu diria ser entre os 28-50 anos, e são muitos. Ontem, indo para mais uma aula de Filosofia na Faculdade de Educação, pude me deparar com vários desses esportistas pró-saúde. - Que inveja! Enquanto eles ali corriam, suavam a camisa com roupas e tênis confortáveis, lá estava eu, de roupa social, vindo direto do trabalho, após 2, 3 horas de sedentários momentos sentados ou parado em pé em ônibus, trem, metro; com uma mochila nas costas um pouco desconfortável, indo para uma aula, onde - acredite - ficaria novamente sentado por mais 2 horas.
Será que "sentado" é a posição do século XXI? Ou então, ficar em pé parado, seja numa fila ou numa lotação? E as endorfinas? Onde elas ficam? Estas que são liberadas quando nos exercitamos, movemos, porque são tão negligenciadas, melhor, ignoradas? Aliás, creio que um dos motivos das pessoas estarem tão ansiosas, estressadas, seja a falta de endorfina, intimamente ligada a falta de verdadeira movimentação física de qualidade.
Além disso, enquanto aquelas pessoas respiravam ao céu aberto um ar limpo (bem, o de São Paulo longe está disso) devido a toda vegetação uspiana; eu acabara de respirar por 1 hora um ar literalmente empoeiradado do Onibus que faz o trecho de Sertãozinho - Maua até Santo André, passando pelas obras do Rodoanel (muito pó!); depois, 1 hora de trem e metro apenas com a abafada ventilação interna do vagão, porém, no qual haviam dezenas de pessoas, muitas, visualmente com alguma virose, algumas até espirravam, e lá, eu, respirando aquele ar contaminado (e hoje, aqui estou eu com algum inicio de virose).
Por algum momento fiquei entre uma gratidão a Deus pelo meu sistema imunológico e uma certa ansiedade em saber se tal suportaria mais uma semana dessa rotina doentia, e sobretudo, no frio inverno sem chuvas, com um ar super carregado de poluentes (alias, o céu de São Paulo já está laranja, cinza, roxo).
E mais uma aula sobre Filosofia, uma discussão sobre o ENEM. Porém, pensando em tudo que estudamos e questionamos a respeito da Escola Básica, Pedagogias e do Ensino no Brasil; as seguintes objeções me vieram em mente:
1-) Por que o ensino não se foca na qualidade de vida? Na saúde física? Na atividade física?
Ora, de fato, antigamente, os nobres assim eram educados. Pois eles eram os lutadores da sociedade. Como se dizia, os servos trabalhavam, os nobres lutavam e o clero rezava. Esparta então, uma educação voltada para a Guerra, assim era o ensino, em formar guerreiros, lutadores. Mas e hoje? Provavelmente, o foco é totalmente outro: o de alguém sentado atrás de um computador, de uma mesa, num escritório, seja como administrador, programador ou engenheiro; no melhor dos casos, um médico, que terá que ficar em pé e ter mãos firmes; e em casa, sentados na frente da TV ou computador. E assim, desde crianças, eramos obrigados a passar tediantes horas sentados em cadeiras. Quantas vezes não queria eu me exercitar - ops! quer dizer, jogar futebol? Parece que desde crianças somos doutrinados a sermos sedentários na escola pelo simples fato de 95% do conteúdo escolar são sempre com o aluno na posição de "sentado", e 5% de raras aulas de educação física e recreio .
Sou novo, 24 anos, mas não tenho sombra de dúvidas que os jovens e crianças de hoje são muito mais sedentários do que na minha infância (ops, isto há 10 anos atrás! como o tempo passa rápido.). Na minha época, era rotina diária brincarmos na rua, estávamos sempre suados, sujos, corriamos, jogávamos bola, e diversas brincadeiras, das quais, quase a maioria, eram em essencia, cheias de movimentos. Hoje, é quase que raro eu ver algo semelhante a isto, e quando vejo, é esporádico e de curta duração. De fato, passávamos horas na frente da TV, video-game, computador, mas sempre dava o "tédio da cadeira", e logo, estávamos a procura os amigos e colegas para bater um futebol na rua, entre outras coisas, onde até mesmo as meninas participavam. Mas hoje, a maioria das crianças que conheço e tenho amizade (e olha que não são poucas), toda a movimentação, atividade fisica, brincadeiras do tipo, praticamente se limitam a Educação Física na escola, e ainda mais raro, são aquelas que fazem, por fora, academia, ou escolinha de futebol, ou judo, ou natação... e por aí vai. Os quais não são todos os dias da semana; os quais muitas vezes, duram menos de 1 hora.
Estamos passando por um processo de educação que eu chamaria de "atrofiamento da sociedade" ou "abundamento" (de tanto tempo que ficamos com as bundas sobre uma superficie plana e/ou estofada).
Provavelmente, se hoje há tanta insatisfação dos alunos para com suas escolas, provavelmente, isto deve estar diretamente ligado com o nível de stress, que por sua vez deve estar grandemente relacionado a falta de endorfinas produzidas por atividade física. Pois parece que encaramos os alunos, como computadores, Hardwares, partes duras, sólidas, que ficam paradas apenas recebendo e processando informação; e o que ensinamos (Matemática, Português, História...) são os softwares. Porém, não foi feito o homem para de fato suar a camisa?
2-) Irrelevância da vida pessoal
Vemos na Educação - aliás difícil é fugir disto - um foco para o utilitarismo social. É capacitar-nos para o convívio social e exercer atividades renumeradas na máquina econômica. Porém, o homem em si precisa tomar banho, ter higiene, vestir-se, usar calçados, comer, lavar roupas, limpar a casa, organizar nosso espaço em casa, na sociedade, relacionar com as pessoas. Mas o Sistema de Ensino simplesmente deixou tudo isto de lado. Não aprendemos a tomar banho (apenas temos vaga noção), mas não sabemos o quanto de sabonete usar, como escolher um sabonete, se o devemos usar sempre, como lavar a cabeça, quanto de shampoo usar, qual tipo... e assim, muitos tem problemas de saúde e uma pele envelhecida prematuramente por simplesmente tomar banho muito quente; assim como não somos educados a como tomar banho consumindo pouco tempo, água e energia. (aliás, NUNCA somos ensinados a sermos MODERADOS e TEMPERANTES no CONSUMO). Aprendemos como limpar a unha, a orelha, entre outros, ou apenas temos vagas noções genéricas? Vestuário? Ops! Sem ensino, a moda é a regra. Mas não aprendemos nada sobre tipos de tecido, o que é mais confortável no frio, calor, vento, chuva, mais fácil de lavar ou não; o que sua estética transmite, de quanto em quanto tempo lavar, como lavar, como usar cada tipo de produto para limpar a roupa... Aliás, nossas mães e os mais antigos se tornaram os dedentores deste conhecimento que está próximo a extinguir-se, e aí, seremos fantoches das publicidades e marketing das empresas que vendem tais produtos de limpeza. Aliás, quem aprende a se relacionar com alguem na escola? O que aprendemos é ter não uma amizade, mas algum tipo de "negócio", pois quase sempre envolve interesse e status quo. Se há uma instituição que ainda procura fazer isto - e olha lá - tal é a igreja (religiõe). Pois isto, que ainda chamamos de "educação", se alguem é bem educado ou mal educado, é responsabilidade de todos - e alguns insistem ser totalmente 'responsa' dos pais, quais não têm tempo para educar seus filhos, pois são tomados pelo trabalho, ou pela escola; aliás, uma sociedade que até as mães precisaram encarar está sociedade (foram educadas para isto). Por fim, as esperanças de uma educação pessoal, de certo modo, ficou - utopicamente - para as empregadas domésticas e babas.
3-) Viver em função do utilitarismo do trabalho
A educação doutrinou as pessoas a serem utilitaristas, trabalhadores e consumidores. Outro dia, o motorista do ônibus, um aposentado, soltou a pérola: "Fazer alguma coisa. [estou trabalhando aqui por isso] Pois vivemos a vida inteira estudando trabalhando, e aí se aposentar para quê? Ficar em casa sentado, coçando o saco vendo TV?" - Sêneca possuia umas grandes pérolas a respeito disto, sobre o verdadeiro ócio do sábio; porém, que a maioria não sabem ter este ócio, mas para tais é apenas algum tipo de vadiagem, inutilidade, vazio, muitas vezes lançados aos vícios.
A aposentaria deveria ser algum ideal para podermos viver e desfrutar integralmente daquilo que gostamos, dos nossos planos de vida, sem ter que ficar correndo pelo sustento, dinheiro e ficando sem tempo. Então deveria ser de fato, a melhor fase da vida, a qual poderíamos dedicar à longas e prazerosas leituras, pensamentos, projetos, obras de arte, a música, a composição, a reforma da casa, ao trabalho comunitário, dar assessoria aos amigos, viagens, conhecer o mundo ou cidades, regiões, culturas, poder desfrutar muito melhor e por mais tempo da mulher, da familia, dos filhos (se não estiverem sugados pelo trabalho), dos netos, na contemplação da Natureza, em longos estudos da Palavra de Deus...
Porém, não fomos educados a isto. Não fomos educados a de fato desfrutar da literatura como a uma torta de limão. Não fomos educados musicalmente (na verdade, isto foi praticamente fulminado das escolas), de modo, que a música que se desenvolveu então, eu diria ser apenas alguma manifestação de rebeldia desta vida, da escola, da sociedade, um certo tipo de fulga ou critica, ou um inquieto choro por um sonho de uma vida que não se sucedeu; mas nunca, de fato, a música em si (não platonicamente falando). As pessoas em geral não foram educadas a tais coisas, a escola [ou o Estado?] não educou e não se vê ter papel nisto. Nem tampouco a sociedade cultiva tais durante a vida, para quando chegar a aposentadoria poder usufruir.
Mas o mais triste disto, talvez, seja em reconhecer que quando se chega a aposentadoria, a grande maioria está já tão calejada, tão amassada, mastigada, sugada pelos demais anos de vida voltados para a sobrevivencia e ao utilitarismo, a correria, que talvez não tenham mais saúde, nem disposição fisica e/ou mental. Ou, ainda, com a aposentadoria tão curta, que o dinheiro não cobre nem os remédios, alimentação e demais impostos. E da melhor fase da vida, de maior disposição - a juventude - tudo isto fora retirado; a menos que, o afortunado seja patrocinado por uma pai "bem da grana" e assim, não precisar seguir este sistema para sobreviver. Uma elite, qual, muitos jovens sempre invejou e almejou; alguns, se rebelaram, ora tomando oposição a ela, querendo acabar com tais, ora querendo roubá-los e tomar para si tal posição, ora apenas por tê-los como ambição.
4-) Democracia
Democracia? Democratização do ensino? Se este é o paradigma filosófico (indefinido) que move as atuais politicas, talvez deve-se ser melhor questionada. Tal não seria um tipo de manifestação, revolta e inquietude, e não pela injustiça, pelas oportunidades; mas talvez pelo sonho e ambição de acreditar que a Democracia seria poder ser como os "poucos privilegiados", dos "bens de grana", sair, fugir do sistema, e aproveitar um ideal de vida pós-aposentadoria na juventude? O qual é utopia em qualquer conceito de democracia, pois isto desnutriria a base motora que sustenta e move a sociedade, a produção, a máquina econômica, o utilitarismo, o grande tempo que deve ser empregado para isto. Mesmo nas comunidades, tribos, que conviviam num número mais sustentável de pessoas com os processos de manutenção, produção e o meio-ambiente, ainda assim, foi necessário a hierarquia, a base trabalhadora que sustenta o sistema, e o privilégio de poucos que podem (e talvez precisam sair do sistema); claro, não num nível tão drástico como no mundo capitalista hoje. Porém, para uma população de bilhões de pessoas, acentuado e acumulado por tantos séculos, e, por cima, globalizado; era de se esperar menos? Esperamos menos porque focamos ideais, talvez fantasias que gozam a alma; mas que talvez, na fria observância, teríamos que concluir que não haveria outro jeito, mesmo tendo perspectivas caóticas.
Se a democracia visa lutar por algo (que não está definido e longe está de ser concenso). Talvez, primeiro, deveríamos nos perguntas: "Contra o que estamos de fato lutando?" E creio ser algo entre o tédio, a insignificância, desconfiança, descontentamento da vida que não se sustém, e uma morte inevitável. Apenas demos mais um nome ("democracia"), que dá mais rodeios, mas que não foge deste ponto; pois somos humanos mortais; e longe de ser uma sociedade com tamanhos ideiais biblicos de "arvore da vida" qual suas folhas "cura as nações" e seu fruto promove praticamente uma vida inesgotável.
Por este motivo, essas filosofias, muitas vezes me enche, por dar muitos rodeios, mas nunca se direcionar para o centro do problema; o que, segundo a Bíblia é o pecado: "Se pecares, certamente, morrereis." E então vivemos numa busca utópica de encontrar a vida pecando. E digo isso, não como um mero religioso com um chiche biblico, mas na verdadeira essência do que significa pecado (e que não são coisas, não é cristalizado em coisas e ações).
E aí Platão? E aí Heráclito? ... Sócrates, Agostinho, Hanson, Passmore, Rousseau, Ryle, Wittgeinstein, Kunn, Popper, Azanha, Dewey, Arendt, Perrenoud, Marx...? O que me dizem?
Mas enquanto isso, esperemos sentados, a morte, pois ainda resta muito trabalho à fazer.
19 abril 2010
Explosão Gospel
Recomendo muito a leitura dessa entrevista com a professora Magali do Nascimento Cunha.
Cristianismo Hoje
Por fim: Capitalismo = $$$ = dim dim
Cristianismo Hoje
Por fim: Capitalismo = $$$ = dim dim
21 outubro 2009
Outro dia; e, a Ciência
Outro dia, e mais outro, abismado fiquei ao perceber como alguns cientistas (teoricamente aqueles que muito estudaram e em universidades de ponta no Brasil) endeusam a “Ciência”.
Talvez por culpa do currículo da graduação, da filosofia dos professores, ou mesmo por aquela triste coisa de querer validar a área de pesquisa e trabalho; que muitas vezes se torna o ganha pão, o seu tempo, a sua vida; diante do risco (sempre presente) de tudo não passar de nada. Pois simplesmente a idéia pode deixar de existir, ser coisa do passado, diante das “Revoluções Cientificas”, a troca de paradigmas, segundo Kuhn.
USP, e lá vou eu totalmente empolgado, como se estivesse entrando no Terceiro Céu, onde teria acesso a tão maravilhosa ciência; aquela coisa tão objetiva, exata, perfeita, desenvolvido pelas pessoas mais incríveis do mundo, talvez aqueles que deveriam ocupar Olímpio e que certamente deveriam ter a mais incrível didático, equipamentos e êxito em ensinar; assim como um grande mestre de artes marciais. (...)
Talvez por culpa do currículo da graduação, da filosofia dos professores, ou mesmo por aquela triste coisa de querer validar a área de pesquisa e trabalho; que muitas vezes se torna o ganha pão, o seu tempo, a sua vida; diante do risco (sempre presente) de tudo não passar de nada. Pois simplesmente a idéia pode deixar de existir, ser coisa do passado, diante das “Revoluções Cientificas”, a troca de paradigmas, segundo Kuhn.
USP, e lá vou eu totalmente empolgado, como se estivesse entrando no Terceiro Céu, onde teria acesso a tão maravilhosa ciência; aquela coisa tão objetiva, exata, perfeita, desenvolvido pelas pessoas mais incríveis do mundo, talvez aqueles que deveriam ocupar Olímpio e que certamente deveriam ter a mais incrível didático, equipamentos e êxito em ensinar; assim como um grande mestre de artes marciais. (...)
04 setembro 2009
Lúcio Anneo Sêneca
Terça-feira a noite e encontro um livro perdido no IME e pego-o. Bem, comecei a lê-lo e logo fiquei preso a tal leitura, não conseguia parar de devorar o pequeno livro "Sobre a brevidade da vida", de Sêneca. Fora que o tema do livro muito gira em torno do livro que estou escrevendo. É um livro incrivel, é de lembrar muito a Salomão, principalmente em Eclesiaste e um pouco de Provérbios quando fala da sabedoria. Mas o que mais me intriga é ele falando de um ponto de vista -aparentemente temporal - pagão (porém, parece mais um cético), sobre a própria temporalidade; isso é incrivel. Pois ele até mesmo acaba se auto criticando, assim como aos lideres da época, assim como a quem a carapuça servir, e que certamente cabe a maioria dos homens de hoje.
Quando a Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C.), filósofo, ele viveu nos primódios do primeiro ano da era cristã, foi o principal conselheiro de Nero; porém, creio eu que não chegou a ter contato com os cristianismo. E agora, disponibilizo ao leitor dos curtos capitulos que falam sobre os 2 tipos de pessoas, os 2 modos de vida (onde um na verdade é estar morto-vivo); e deixo ao leitor as reflexões pertinentes.
Cap. XV
Nenhum deles [Zenão, Pitágoras, Demócrito, Aristóteles, Teofrasto e outros grandes sábios] vai te levar para a morte, todos te ensinarão a morrer; nenhum deles desperdiçará teus anos, te oferecerá os seus; nunca a conversa com eles será perigosa, nunca a amizade será fatal, ou o respeito dispendioso. Conseguirás deles tudo que desejas; eles não serão culpados, se não conseguires exaurir aquilo o que querias. Que felicidade, que bela velhice terá aquele que se propuser a ser cliente deles! Este terá com quem dialogar sobre as menores e maiores questões, a quem consultar todos os dias sorbe si mesmo, de quem escutar a verdade ser ser ofendido, e será louvador sem adulação para que se possa moldar à sua semalhança. Costumamos dizer que não está em nosso poder escolher os pais que o destino nos deu; porém, podemos ter um nascimento de acordo com nsosa escolha. Há famílias dos mais nobres espíritos, basta escolher a qual delas desejas pertencer e receberás não apenas o nome, mas também os bens, os quais não precisarás vigiar de forma miserável e mesquinha, pois quanto mais forem compartilhados, maiores se tornarão. Estes te levarão ao caminho da eternidade, te elevarão ao ponto mais alto de onde ninguém corre o risco de cair. Esta é a maneira de prolongar a vida, ou mesmo de transformá-la em imortalidade. As honras, os monumentos, tudo aquilo que a ambição decretou ou construiu com trabalhos logo há de ruir, uma vez que não existe nada que a passagem do tempo não arruíne ou ponha em desordem. Porém, não pode atingir os conhecimentos que a sabedoria construiu, pois nenhuma idade pode destruí-los ou diminuí-los. A próxima e as seguintes sempre vão aumentá-los mais um pouco, já que a inveja avista apenas o que está próximo de si, e admiramos com menos astúcia o que está distante. Assim, a vida do sábio se estende por muito tempo, ele não tem os mesmos limites que os outros, é o único que não depende das leis do gênero humano, todos os séculos o servem como a um deus. Algo se perde no passado? Ele recupera com a memória. Está no agora? Ele desfruta. Há de vir com o futuro? Ele antecede. A união de todos os tempos em um só momento faz com que sua vida seja longa.
Cap. XVI
Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada. E por que invocam a morte, não se pode provar que tenham vivido uma longa existência. Sua imprudência atormenta-os com sentimentos incertos, os quais direcionam para as próprias coisas que temem: desejam a morte porque ela os amedronta. Não é argumento para nos levar a pensar que desfrutam de uma longa vida o fato de, muitas vezes, acharem que os dias são longos, ou reclamarem de que as horas custam a passar até o jantar, pois, se estão sem ocupação, sentem-se abandonados e inquietam-se com o ócio sem saber como dispor do mesmo ou acabar com ele. Assim, desejam uma ocupação qualquer, e o período de tempo entre dois afazeres é cansativo. E, certamente, é isso que acontece quando o dia do combate dos gladiadores é marcado, ou quando as aguarda qualquer outro evento ou espetáculo: desejam pular os dias que ficam no meio. Toda a espera por alguma coisa lhes é penosa, mas aquele momento que aspiram é breve e passa rápido, tornando-se muito mais breve por sua própria culpa, pois transitam de um prazer a outro sem permanecer em apenas um desejo. Seus dias não são longos, mas insuportáveis. Ao contrário, nos braços das prostitutas, ou entregues a bebedeiras! Talvez daí resulte o delírio dos poetas [Desde Platão, os poetas são criticados] que alimentam os erros dos homens com histórias nas quais se mostra Júpiter, embevecido pelo desejo do coito, duplicando a duração da noite. De que se trata, senão de exaltar os nossos vícios, já que os encontramos nos deuses e vemos na divindade um exemplo de fraqueza? Podem estes não achar muito curtas as noites pelas quais pagam tão caro? Perdem o dia esperando a noite; a noite, com medo da aurora.
Quando a Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C.), filósofo, ele viveu nos primódios do primeiro ano da era cristã, foi o principal conselheiro de Nero; porém, creio eu que não chegou a ter contato com os cristianismo. E agora, disponibilizo ao leitor dos curtos capitulos que falam sobre os 2 tipos de pessoas, os 2 modos de vida (onde um na verdade é estar morto-vivo); e deixo ao leitor as reflexões pertinentes.
Cap. XV
Nenhum deles [Zenão, Pitágoras, Demócrito, Aristóteles, Teofrasto e outros grandes sábios] vai te levar para a morte, todos te ensinarão a morrer; nenhum deles desperdiçará teus anos, te oferecerá os seus; nunca a conversa com eles será perigosa, nunca a amizade será fatal, ou o respeito dispendioso. Conseguirás deles tudo que desejas; eles não serão culpados, se não conseguires exaurir aquilo o que querias. Que felicidade, que bela velhice terá aquele que se propuser a ser cliente deles! Este terá com quem dialogar sobre as menores e maiores questões, a quem consultar todos os dias sorbe si mesmo, de quem escutar a verdade ser ser ofendido, e será louvador sem adulação para que se possa moldar à sua semalhança. Costumamos dizer que não está em nosso poder escolher os pais que o destino nos deu; porém, podemos ter um nascimento de acordo com nsosa escolha. Há famílias dos mais nobres espíritos, basta escolher a qual delas desejas pertencer e receberás não apenas o nome, mas também os bens, os quais não precisarás vigiar de forma miserável e mesquinha, pois quanto mais forem compartilhados, maiores se tornarão. Estes te levarão ao caminho da eternidade, te elevarão ao ponto mais alto de onde ninguém corre o risco de cair. Esta é a maneira de prolongar a vida, ou mesmo de transformá-la em imortalidade. As honras, os monumentos, tudo aquilo que a ambição decretou ou construiu com trabalhos logo há de ruir, uma vez que não existe nada que a passagem do tempo não arruíne ou ponha em desordem. Porém, não pode atingir os conhecimentos que a sabedoria construiu, pois nenhuma idade pode destruí-los ou diminuí-los. A próxima e as seguintes sempre vão aumentá-los mais um pouco, já que a inveja avista apenas o que está próximo de si, e admiramos com menos astúcia o que está distante. Assim, a vida do sábio se estende por muito tempo, ele não tem os mesmos limites que os outros, é o único que não depende das leis do gênero humano, todos os séculos o servem como a um deus. Algo se perde no passado? Ele recupera com a memória. Está no agora? Ele desfruta. Há de vir com o futuro? Ele antecede. A união de todos os tempos em um só momento faz com que sua vida seja longa.
Cap. XVI
Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada. E por que invocam a morte, não se pode provar que tenham vivido uma longa existência. Sua imprudência atormenta-os com sentimentos incertos, os quais direcionam para as próprias coisas que temem: desejam a morte porque ela os amedronta. Não é argumento para nos levar a pensar que desfrutam de uma longa vida o fato de, muitas vezes, acharem que os dias são longos, ou reclamarem de que as horas custam a passar até o jantar, pois, se estão sem ocupação, sentem-se abandonados e inquietam-se com o ócio sem saber como dispor do mesmo ou acabar com ele. Assim, desejam uma ocupação qualquer, e o período de tempo entre dois afazeres é cansativo. E, certamente, é isso que acontece quando o dia do combate dos gladiadores é marcado, ou quando as aguarda qualquer outro evento ou espetáculo: desejam pular os dias que ficam no meio. Toda a espera por alguma coisa lhes é penosa, mas aquele momento que aspiram é breve e passa rápido, tornando-se muito mais breve por sua própria culpa, pois transitam de um prazer a outro sem permanecer em apenas um desejo. Seus dias não são longos, mas insuportáveis. Ao contrário, nos braços das prostitutas, ou entregues a bebedeiras! Talvez daí resulte o delírio dos poetas [Desde Platão, os poetas são criticados] que alimentam os erros dos homens com histórias nas quais se mostra Júpiter, embevecido pelo desejo do coito, duplicando a duração da noite. De que se trata, senão de exaltar os nossos vícios, já que os encontramos nos deuses e vemos na divindade um exemplo de fraqueza? Podem estes não achar muito curtas as noites pelas quais pagam tão caro? Perdem o dia esperando a noite; a noite, com medo da aurora.
26 maio 2009
ENEM e o Sábado
Hoje fui atraido por uma noticia do Estadão - "Data pode impedir que judeus e adventistas façam o Enem" - e fui impressionado com algumas colocações ali.
1. "Enquanto vestibulandos de todo o País discutem as mudanças do Enem, alunos judeus e adventistas temem ser impedidos de prestar o exame, por motivos religiosos. A proposta inicial do Inep é realizar as provas em 3 e 4 de outubro, sábado e domingo, à tarde. Mas tanto judeus ortodoxos quanto adventistas são proibidos de escrever até o anoitecer de sábado, dia sagrado."
Essa colocação, infeliz, de Bruna Tiussu, escandaliza a religião. Pois em primeir lugar, ninguém é impedido, tão pouco o cristão; pelo contrário, ele tem a liberdade de optar por guardar o sábado ou não. E a palavra "temem" também foi forte. A religião que proibe não é religião. Temer o quê? Quando o que de fato sim ocorre, e cada vez mais no Brasil, são essas ações questionáveis (ENEM e Vestibular Unificado) e inflexíveis de modo a tentar igualar o modo, dia, hora em todo o país; mas que isso acaba não servindo para algumas pessoas que são simplesmente deixadas de lado, com pouco caso.
2. "A opção dada pelo Inep aos chamados candidatos sabáticos é a de que entrem nos locais de prova e fiquem em salas reservadas até o por do sol, quando começariam o exame. Líderes adventistas já concordaram com a proposta, mas os judeus não: o domingo do Enem cai no feriado do Sucot, quando valem as mesmas restrições do sábado."
A opção dada é vergonhosa, imagine o canditado ter que ficar literalmente trancado dentro de quatro paredes a tarde toda para só então depois, ao anoitecer realizar a prova. Logo, chegar tarde da noite em casa, para então comer algo e ir dormir, pois logo no dia seguinte haverá outra prova. É lógico que isso afeta o candidato, para começar a situação se torna diferente das dos demais; se essa é a solução, então que faça o mesmo com TODOS os alunos, trancando-os na sala a tarde toda para iniciar a noite, ou então mudando o horário da primeira prova para após pôr-do-sol.
Contudo o que mais me intrigou foi a atitude da instituição adventista (IASD) - concordaram. Isso foi jogo politico, cedeu valores. Na Bíblia temos claramente os princípios do motico e razão pelo qual se deve guardar o sábado, e o que significa guardar o sábado - que diferentemente do que disse Bruna Tiussu não é "proibidos de escrever":
"Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse." (Isaías 58:13-14)
É um dia onde simplesmente não é um dia em que buscamos fazer a nossa vontade; buscar nossos interesses, ambições seculares; um dia sim inteiramente voltado para o Criador. E uma vez que se erra o valor atribuindo que o "problema" é o de "fazer a prova", se cai na questão do farisaísmo do tempo de Jesus. Qual é a diferença, dentro das Escrituras, entre fazer prova (pensar em diversas temas e escrever) e a diferença de ficar trancado dentro de uma sala?
É um "escape" que convém ao professo cristão, melhor assim o é pensar para tal. Partindo do pressuposto que dentro ali de uma sala, trancado, ele não estará cuidando dos próprios interesses, e adorando a Deus, assim como um sábado o deve ser. Não é isso o que vemos nas Escrituras; só o ato de no sábado ter que se preparar e deslocar para tal lugar, já mostra qual realmente é o "interesse"; só o ato de encarar essa prisão mostra a mistura que a pessoa faz entre o valor do sábado com o interesse secular.
Sim, ela pode levar uma Bíblia para ficar lendo-o, estudando, orando, e mesmo compartilhando coisas se outras pessoas ali estiverem. Porém, ela ainda está ali, no sábado, por um interesse. O que me lembrava muito bem de quando participava de um campeonato de futebol e que os jogos eram de sábado por volta do pôr-do-sol; eu me preparava para o jogo e ia para o local, mas só começava a jogar (às vezes) quando desse a noite chegava. Não vou ser hipócrita comigo mesmo, eu queria fazer do meu jeito, estava pouco me ligando para o sábado, mas ligando para o "temor" e a "obrigação" de guardar o sábado, estipulei de modo leviando e conveniente o que seria guardar o sábado, e fui, sabendo em minha consciência o pecado, mas preferindo acreditar que de nobre, algo havia em minha atitude, "que Deus não se zangaria" comigo. Porém, eu sabia que me enganava; mas optei por tal.
E de fato, a IASD transmitiu a idéia que no sábado é proibido escrever, é proibido pensar em português, matemática ou biologia; e que não há erro algum em ficar trancafiado, preso, fazendo nada, e na ociosidade. O valor do sábado lançado por terra. Para alguns pastores e lideres da instituição, esse direito de ficar trancado é uma vitória, um triunfo, uma bênção de Deus; quando na verdade é mais um sinal de Laodicéia, de corrupção para com os valores do mundo, talvez não se joga o sábado por terra como o fez a ICAR, mas jogou um caminhão de areia sobre.
Porém liberdade religiosa se limita a pessoa "observar" o acordo feito entre o Estado e a Igreja? Sendo que tais acordos deveriam existir? E o Estado Laico, como que fica? Historicamente sabemos no lugar em que esses apertos de mão dão.
Sim, todo esse sistema de ensino brasilieiro é lamentável, o objetivo da educação brasileira - formar cidadãos - mais lamentável ainda; esse foco em se adquirir números e incluir pessoas na faculdade jogou a educação pela janela do centésimo andar. O Estado quer formar o homem num robo, quer robotizar a educação no Brasil. Primeiro, a luta pela imposição do Darwinismo, depois, a exclusão do criacionismo das ciências; depois, querem "ensinar" crianças de 10 anos a usar camisinha e fazer sexo; agora haverá o 'ensino' do homossexualismo; agora, vemos uma estatização dos cursos supeiores e ingresso neles; e quanto aos valores religiosos, a liberdade, a guarda do sábado, também deixam de conto, como se fosse um espinho, que propos então quebrar a ponta do espinho, e o espinho aceitou.
Não é por menos que esse caos na educação ocorre. Um país que gasta milhões na luta contra a violência, o tráfico, a corrupção, mas que não consegue evitar que os futuros "cidadãos" sejam pacificas, temperantes, sóbrias e honestas. Não me surpreenderia se daqui alguns anos fosse proibido de ser Bíblia nas escolas - mas o Henry Potter (escrito por uma satânica que fez pacto com o *) já se incentiva. Talvez o ensino católico não fosse afetado, visto ser um pais de maioria católica e de forte presença da Opus Dei, tal que já aderiu ao evolucionismo e BigBang, talvez as instituições protestantes e mesmo israelitas estejam com os seus dias de liberdade contados - se já não fora retirado.
Felizmente eu já me ingressei no curso superior na USP, antes dessas coisas. E deixei de prestar alguns vestibulares porque só podiam ser feitos no sábado. Mas o que dizer dos meus amigos e conhecidos que prestarão vestibular esse ano e nos anos seguintes? Meu amigo Marino veio conversar comigo no sábado sobre isso, a filha dele, Paola, está estudando para entrar em medicina, um curso super concorrido, e que os "pontinhos do ENEM" fazem diferença. Um pais que diz "Universidade para todos." Cria ProUni (o questionável) para os pobres , cria cotas para ingressar quem tem mais melatonina; aumenta o número de vagas nas universidades, lotam as salas de aula, permite o surgimento das "Uni. UWÂRVIX" da vida que sugam o dinheiro dos alunos e lhes dão um diploma de areia. Mas que nunca lidou seriamente com os alunos que tinham aulas na sexta a noite e no sábado; e que agora, colocam mais uma barreira para esses. Qual será a próxima?
E em meio a tudo isso, vemos o exemplo de uma garota dizer: "Prefiro estudar mais para compensar a falta da nota do Enem na Fuvest", diz Mike Khafif, de 16 anos.
Esse é o meu MEC.
Esse é o meu Brasil.
Um país de todos.
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