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26 agosto 2012

Reflexões sobre influência da Mídia

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Recomendo aqui uma solene conversa sobre influencias da mídia. É uma modesta conversa sobre pequenas influencias das produções midiáticas, de modo a não sermos fantoches, ou seja, os passivos, mas os ativos, controlarmos o que vemos para não perdermos a sensibilidade e distinção entre o que é bom e o que não é, o que é lixo e o que é realmente bom e louvável. Que cada um possa fazer suas reflexões.

Nesta segunda parte, sobre Mensagens Sublimares utilizadas nas mídias.

25 maio 2012

Na Medida da Luz de Cada Um - Como Lidar com as Pessoas

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"Nossa posição diante de Deus depende, não da quantidade de luz que temos recebido, mas do uso que fazemos da que possuímos. Assim, mesmo o pagão que prefere o direito, na proporção em que lhe é possível distingui-lo, acha-se em condições mais favoráveis do que os que têm grande luz e professam servir a Deus, mas desatendem a essa luz, e por sua vida diária contradizem sua profissão de fé."

Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 217


É muito comum de se ver em praticamente todas as denominações religiosas um certo tipo de 'idolatria' quanto ao conhecimento, ou a quantidade informação e luz que recebeu. Algumas pessoas que acredita que se deve julgar as pessoas conforme as aparências. A aparência do que ela conhece, a aparência do quanto ela estuda algo, da aparência das coisas que ela faz, da aparência da denominação religiosa que ela pertence ou não, da aparência do que ela veste ou come e etc. Isto sempre foi muito comum, inclusive é quase que um 'orgulho' que sempre foi reprovado por Deus, por meio de seus profetas - em toda a Bíblia vemos isso acontecer.

Nos Evangelhos vemos muito Jesus, qual, este, repreendia muito o julgamento e preconceito que os judeus tinham para com os 'gentios' (aqueles que não eram judeus). judeus como os de Belem, parente de Jesus, que odiaram e rejeitaram a Ele, quando falou que Deus encontrou fé entre os gentios e não em seu povo; ao povo qual tiveram o privilégio de 'conhecer' os ensinos dos profetas, terem as Escrituras e tudo mais. E quantos não eram os rabis, mestres da lei, sacerdotes, fariseus, que se achavam 'o tal' mas que no fundo...

O mesmo ocorre hoje no mundo. É comum ver indagações e preocupações, sobretudo dos crentes, para com os 'néscios' (como são chamados), sobretudo para com os povos indígenas. Há quem diga que uma pessoa que morrer 'néscia' está totalmente perdida; pois apenas uma pessoa que conhecer a mais profunda e sólida teologia (da atualidade) e aceitá-la é que será uma boa pessoa e salva. Eu particularmente acredito que há mais esperança para os néscios do que para os teólogos.

Todavia, é um fato histórico que o auge de uma religião é quando ela é nova. Isto implica que as pessoas que entram nela, entram porque realmente aceitam essa luz, e renunciam a um sistema anterior de vida. Ou seja, nas entrelinhas, para uma grande mudança deste tipo, é algo que precisa ser realmente genuíno ou muito forte. Já, quando esta religião passa a ter gerações (ou seja, começa a passar de pais para filhos), começa a se gerar uma 'tradição'. Não é mais necessariamente a aceitação de uma luz, uma 'mudança de sistema', o que sugere algo genuíno; mas o sistema já passa a ser o sistema deles, eles são acomodados a viverem a consequência de uma causa e não necessariamente a causa desta consequência (ou seja, tradições se valor e entendimento algum). Na verdade, de certo modo, ao viver a 'consequência', apenas porque é uma tradição passada pelos antepassados, dificilmente a 'causa' disto. De modo que a pessoa tenta se importar e transmitir estas consequências aos próximos, e por não terem tido aa vivencia da causa, também não se preocupam muito com a propagação da causa - na verdade, talvez nem saibam o que isso significa.

Por outro lado, também é muito comum, pessoas que como os judeus, por ser um 'judeu' (ou um 'cristão', ou um 'evangélico', ou x, ou y...) acham que isso dá a ele algum tipo de 'salvo conduto'.

"Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade." Mateus 7:22-23

Quantos hoje não ficam invocando o nome de Deus, até usando como interjeição de frase (o que no meu ver, é um grande erro - blasfêmia, pois está escrito: "Não tomarás o nome do Senhor Teu Deus em vão."). E pessoas que estudam a Bíblia, que pregam, falam, e fazem um monte de coisas pela religião, ou faz até mesmo coisas 'miraculosas'; pessoas que fazem obras voluntárias, servem de missionários ou de ajuda humanitária num campo de refugiados [claro, coisas que alguem de qualquer religião e até um ateu também faz]. Mas que por fim, estas pessoas, que APARENTAM serem de Jesus; podem simplesmente não terem NADA de Jesus.("Nunca vos conheci.")

"Nunca vos conheci."
Que palavras duras e fortes. Isso me faz pensar na cena de um pai que apenas anos após o nascimento foi conhecer o filho, mas que sempre o enviou cartas, presentes, falou de seu filho para seus amigos e companheiros, mas esse, se fecha totalmente para com ele, nega sua paternidade, repreendendo o pai com as palavras: "Nunca te conheci. Sai daqui. Me deixa em paz."

Conforme a Luz de Cada Um

Enquanto isso, há muitas pessoas (claro, não muitas pensando no todo, mas provavelmente mais do que nas igrejas) que talvez não pertençam a nenhuma denominação que não conhecem absolutamente nada de Bíblia, pessoas que talvez nem mesmo leram jamais um livro de filosofia na vida; pessoas até mesmo que possam ser ladrões, assassinos, presidiários, beberrões, glutões, pervertidos sexual, depravados, infiéis, vaidosos, entre tantas outras coisas moralmente explicitamente erradas diante das Escrituras. - Aliás, diga-se de passagem, se lermos as Escrituras, nos iremos deparar com muitos de nossos defeitos por escancarados. - Pois bem, tais pessoas, elas simplesmente podem ter um fraco, opaco, e pequena luz, conhecimento (até mesmo prefiro chamar de CONSCIÊNCIA) do que é certo e errado, de qual o seu dever; e que de coração, as vezes mesmo sendo difícil para ela, elas o fazem: " acha-se em condições mais favoráveis do que os que têm grande luz e professam servir a Deus, mas desatendem a essa luz".


É ridiculo quando vemos as vezes 'marqueteiros da própria imagem', dizendo que fizeram isso e aquilo; se achando justo aos próprios olhos. (Já leste o que Salomão diz sobre quem se acha justo?) Pessoas que se vangloriam de terem feitas muitas coisas 'boas'. (que acham serem boas). Todavia, a própria Bíblia declara que a melhor boa obra de uma pessoa não passa de "trapos de imundice". Pode ser duro isso, mas é preciso entender bem isto, a amplitude das coisas. E aprender a humildade como a que Paulo teve ao dizer "Quer morrais, quer vivais, bendito seja o nome de Deus".

Creio que um exemplo claro disto, seja a alimentação. Suponha que você coma vários alimentos, ou talvez qualquer alimento. Suponha que você ame comer pão integral torrado com uma super maionese especial, caseira, nutritiva, de soja; a qual é muito saudavel para você. E aí, você prepara o mesmo prato para um amigo; ele não percebe ou desconfia que tenha maionese, pois ele não gosta. E ai ao comer, ele passa mal. Você pode ter tido a melhor de todas as intenções, mas sem saber, aquilo provocou algum mal no próximo. E eu sou assim, meu estomago tem rejeição a maionese, quando como, passo mal, fico fraco, com refluxo e vomito - e as vezes, fico horas ruim até terminar a digestão. Assim em geral pode ocorrer para com todas as coisas que fazemos; até mesmo em trabalhos voluntários em algum lugar do mundo apelidado carinhosamente de inferno. Até mesmo quando a anunciar as verdades da Palavra de Deus, podemos transforma-la numa doença, num ferimento, ao invés de a cura. Acha isso um absurdo? Que jamais devemos poupar de ensinar algo sobre a Bíblia para alguém? O próprio Jesus, poupou de contar coisas aos seus discípulos porque eles ainda não podiam suportar:

"Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." João 16:12

Paciência para Ensinar
Não basta sabermos algo, termos luz, ou querer transmita-la para alguem, mesmo que por boas intenções e por amor a tal pessoa. Temos que buscar ter 'sensibilidade' para descobrir quando revelar tal questão para tal pessoa. em outro momento, nas Escrituras, o apóstolo diz que uma pessoa ao ao se tornar uma rescém cristã ela é como um bebe, e tem que se alimentar de 'leite', só quando ela crescer, desenvolver mais, é que estará preparada para comer um alimento mais sólido.

E acredito que isto pode ir contra a correnteza de muitos crentes, os quais acham que a vida cristã, a missão de cada um, é dar um banho de conteúdos, informação, livros, páginas e mais páginas, textos e mais textos, para uma pessoa; como um tipico professor universitário trata seus alunos - confesso que eu já pensei assim. E há quem ainda julgue que se tal pessoa não suportar, resistir, se encher, achar muito chato, entre tantos outros, é uma péssima pessoa, uma falsa seguidora, uma descrente, ou seja lá qual seja a conotação ruim; na qual, nas entrelinhas, nós - sem querer - nos acusamos, pois nos colocamos na condição de Deus e julgamos se Deus aceita ou não tal pessoa. Mas contrário a isto, Jesus Cristo nos ensina a ter paciência, e muita paciência.

Ora, um pai não vai falar sobre sexualidade, com seu filho assim que ele aprende a falar. O mérito da sabedoria está em ceder, em ouvir, em deixar de dizer e não em mostrar que você tem informação ou entendimento superior. Imagine Jesus, o quão não foi humilhante, e ao mesmo tempo PACIENTE para ele, deixar a sua onisciencia, tomar a condição humana, e viver entre pessoas que não compreendiam as Escrituras (quanto mais entenderiam como Ele criou o Universo?). Quão não foi, ele, paciente, ao conviver com seus discipulos que não entendiam o que Ele ia fazer, que Ele iria morrer, ao invés de libertá-los do domínio de Roma, ou das fraquezas deles, ou das burrices e coisas que desconheciam? Em nenhum momento vemos na Bíblia, Jesus, pegando os discípulos e falando: "Pois bem, agora teremos 2 semanas seguidas, sem parar de seminários, para entenderem tudo o que não entenderam sobre as Escrituras e sobre Mim." Não. Mas é no cotidiano, de repente, andando aqui e ali, numa conversa aqui ou ali, numa frase aqui ou ali, num sermão aqui, outro ali, Ele vai deixando uma parabola ou outra, e em muitas das vezes, não joga uma conclusão ou afirmativa explicita, mas jogando questionamentos, idéias, provocações, para que fossem pensando, questionando aquelas palavras, analogias; e, assim, tirando as próprias conclusões. Por outro lado, Ele não demonstrava polpar muito os "mestres da lei", os rabis, sacerdotes, fariseus, pois, Jesus tratava cada um conforme a luz de cada um, conforme o conhecimento de cada um. E como em uma de suas próprias parábolas Jesus afirma "A quem muito é dado, muito será cobrado."

Todavia como é dificil hoje muitas vezes sermos e vermos pessoas impacientes. As vezes, pessoas que conhecem uma outra pessoa, e logo de cara dizem: "Minhas condições são A, B, C, e D." E ai, se a pessoa não aceita, ou em dado momento falha com a D; tal já é cortada da sua vida.É um tremendo erro isso. A Bíblia nos ensina a ser pacientes um com os outros; além disso, nos ensina a perdoarmos uns aos outros, perdoar os nossos inimigos, mesmo que não peçam perdão. Jesus diz para orarmos pelos nossos inimigos, por aqueles que nos tramam e fazem o mau. Temos que aprender a amar os outros, a remendar os corações, construir e reconstruir lares, familias, vidas, relacionamentos, amizades, namoros, noivados, casamentos, cidades, relacionamento com Deus e não o contrário: Destruir, separar, cortar, abandonar. Em uma das parabolas Jesus diz que o bom pastor é aquele que vai atrás da ovelha perdida. (quão temos visto isto, sobretudo entre os lideres das igrejas?). Temos que aprender a parar de dizer "Adeus!" e aprender a dizer mais "Até daqui a pouco."

O Modo de Comunicação
Outra coisa importantíssima é quanto ao modo de tratar o próximo, quando vamos de encontro a eles, quando formos falar sobre algum problema chato, as vezes problemas de relacionamento, ou para repreender, e, sobretudo, para ensinar. E o exemplo maior disto está em Jesus, que em quase todos os momentos fora extremamente manso, embora outras, mais energético (e para variar, com os mestres da lei, sacerdotes, lideres - os que tinham mais luz); como o profeta Isaías profetizou "como ovelha muda vai para o matadouro"; podemos ver em Jesus, mesmo nos momentos mais duros, como no Getsemani, como perante Pilatos, ou os companheiros do Calvário, ele tratou com mansidão, sem ofensas, escolhendo cada palavra, procurando sempre alcançar o coração deles. Veja no sermão do monte entre tantos outros. Não temos a imagem de um homem gritando, fazendo escândalo, ou batendo na Bíblia, como muitas vezes vemos algumas pessoas fazerem pelas praças e igrejas. Mas com calma, suavidade. Assim como por Elias, Deus se manifestou não por um vulcão, uma ventania, furacão, tempestade, mas por uma 'brisa suave'.

Quanto a isso, as Escrituras nos deixam muitas considerações:

  • “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.” Efésios 4:29
  • “Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força.” Salmo 8:2
  • “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deves responder a cada um.” Colossenses 4:6

Perfeição
Todos - eu espero - sabemos que ninguém é perfeito; ninguém controla perfeitamente suas emoções, sentimentos, e, quanto mais, a própria língua (um dos temas prediletos de Salomão, basta dar uma bisbilhotada em Provérbios para encontrar várias passagens sobre isso). E, além disso, muitas pessoas, tiveram uma educação familiar, entre outros, as quais não aprenderam a ser agradáveis com o falar, até quando se esforçam para isso. Como uma mulher que certa vez conheci. Ela ficou surda, mas adorava falar, e a vi pregando, e ainda mais, a 'ouvi cantando'. Bem, como ela estava surda, ela não tinha noção de como era a sua voz, a articulação, volume, intensidade, projeção..., então mesmo que ela estivesse falando de coração, provavelmente com as melhores boas intenções, a voz ressonava como o barulho de um trem descarrilando; falava muito alto, como se estivesse brigando, xingando, além de mal pontuado e desafinado; mas ao mesmo tempo, dizendo coisas doces fofas - era um contraste interessante. E aí entra novamente a nossa paciência, em saber lidar com os outros, reconhecer aquilo que fazem, mesmo quando a forma que encontram para se expressar não nos agrada. É como quando uma criança que mal sabe escrever, faz aquelas obras de artes surrealistas (rabiscos) e diz com toda alegria para o seu pai: "Olha papai, eu desenhei você e a mamãe." Bem, se Deus formou e criou o homem, os planetas, as estrelas, desenhou o Universo; o que são as nossas 'obras de arte' para Ele, senão, 'rabiscos'? Todavia, Ele olha para o nosso coração. É isso o que o apóstolo quis dizer quando disse que o enfeite de uma mulher não seja no seu exterior, no frisado do cabelo, ou nas jóias e roupas, mas num coração puro e sincero pois é isto é o que é agradável para o Senhor.

A Obra de Arte para Deus, é o nosso CARÁTER, um coração transformado, sincero, com boas intenções, quando age por amor, quando reconhece o coração do outro com afeição e simpatia, quando se importa com o coração dos outros. Aquela mulher surda podia estar contando, algo que para mim era uma tortura auditiva, podia ser um poema que era música para os ouvidos de Deus; sendo que um narrador de conto de fadas profissional, mas apenas fazendo por profissão, falando as mesmas palavras, fizesse com que Deus tampasse os ouvidos. É isso o que vemos a Bíblia dizer, sobretudo no Antigo Testamento, quando muitas vezes fala que Deus deixara de ouvir as orações de seu povo; pois o coração deles estavam carregados de iniquidade.

Tiago nos deixa mais claro ainda.

"Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo.
Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo.
(...)
a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal.
Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.
Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim.
(...)
Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria.
Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.
Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.
Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má.
Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.
Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz."
Tiago Cap. 3


Que assim possamos ser conforme este modelo para com as pessoas: com pureza, mansidão, moderação, tratável, cheia de misericórdia e bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia [sem falsidade e/ou mentiras]. E poderia acrescentar: sem inveja.

Valendo lembrar que no contexto fala para não ter um sentimento faccioso, ou seja, um sentimento que busca separar, se fechar, formar uma panela, e guardar algum tipo de rancor e ódio para o outro grupo. Como podemos ver muitas vezes com grupos - chamados de fanáticos ou extremistas - como torcidas de time de futebol que até se matam, ou mesmo grupos religiosos, entre tantos outros, como skinheads. Aliás, a Bíblia exalta que o mais importante de todo o fruto do Espírito Santo, é a MANSIDÃO.

Aprendamos com Jesus, para qual não se tratavam de judeus e gentios, mas de 'ser humano', filhos e filhas de Deus; pessoas com problemas, pessoas com traumas, doenças, sofrimento, pessoas que precisam de carinho, amor, ensino, luz, ajuda, coragem, mansidão, paciência, perdão, confiança, cura, pureza...


Que possamos meditar nisto neste sábado. E buscar a cada dia, orando a Deus, rogando para controlarmos a nossa língua, de modo a sair apenas palavras que sejam doces, calmas, tranquilizadoras, reconfortantes para alma; virtuosas, animadoras; Que nos dê paciência para viver com cada um, inclusive com nós mesmos, paciência para cair nos nossos erros mesmo que pela milésima vez e levantar, tentar de novo, até conseguir; Que nos dê capacidade para amar e perdoar os nossos inimigos, e a sermos mansos mesmo nos momentos mais duros; sabedoria e sensibilidade para saber o que dizer e quando dizer. E ao mesmo tempo, orarmos para que as pessoas possam também compreender mais o nosso coração e menos as nossas limitadas e corruptas formas de expressão.

13 fevereiro 2012

1984 – Provocações Finais

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1984 não é um livro para qualquer um ler, não recomendo para adolescentes, nem mesmo jovens, apenas para pessoas que acreditam terem já alcançando algum tipo de maturidade filosófica, intelectual (sim, acredito ser necessário ter lido já um bom repertório filosófico entre muitas outras coisas), pois neste sentido ele é muito denso, trata de várias questões, um monte, de certo modo, quase sobre tudo, sobre o Mundo em que vivemos, sobre o individuo, suas ações, comportamentos, a mente, a memória, o que é ‘realidade’, o que é ‘registro’, sobre politica, o poder do Estado, o “Coletivismo Social X Individualidade”; relações de poder. A sempre hierarquia das classes: Alta, Média e Baixa. E muitíssimas reflexões sobre tudo, sobre consumo, indústria, produção, educação, mídia, monitoração do individuo, controle social, controle do pensamento, controle da mente, linguística, epistemologia, idiomas, sobre ‘palavras’, religião, e o mais incrível, ‘bons argumentos contra o cristianismo’ (o que é Raaaaaaro de se ver - bons).

O livro me trouxe várias reflexões, vários questionamentos, provocações, ideias, claro, não vou falar de todas. Apenas de algumas que acho que quero destacar.

O Senso de Segurança
A Oceania dominada pelo Partido, formou um conceito, uma clara idéia na mente de todos os seres pensantes que sempre estão sendo vigilados pela Policia do Pensamento, não há onde esconder, não tem nem como esconder um pensamento, se a pessoa pensa algo contra o partido (crimideia), é apenas questão de tempo, não há como se esconder, cedo ou tarde será pega, e apagada da História, nunca existira.

Todavia, houve um momento em que ele baixou as guarda, ao mesmo tempo, que com isso tinha alguma consciência que isto significava a sua morte, já estava morto por ter pensado assim. E acabou conhecendo um quarto no meio da prole, onde tinha seus encontros com sua Julia. Não havia teletela. E o dono do local parecia ser uma pessoa carismática. E ele ficou por meses tendo seus encontros amorosos, achando que naquele cantinho, naquele quarto, estava seguro e refugiado do mundo. Mas ali foi apenas uma cilada preparada pela Policia do Pensamento para ele. Havia uma teletela escondida atrás do quadro, esperando apenas uma confissão dele para pegá-lo no flagra.

O senso de segurança se passou a não existir. A única teórica segurança que havia era em viver de modo a não causar nenhum tipo de problema para o partido. E isto incluía em estar de acordo com seus propósitos e a sua idéia de que de Guerra, como se a Guerra, as outras nações é a que fossem as culpadas, pelos bombardeios. Pois de outro modo, estava sempre, em constante vigilância.

Temos uma reflexão, uma critica aqui sobre o que significa a Policia. E não apenas isto, mas os meios, mas os instrumentos de MONITORAMENTO do individuo. Pois por um lado, quanto maior e mais complexa a sociedade, mais ordem é necessária, e para haver ordem, é preciso haver monitoração e controle. Ou seja, é preciso abrir mão, em partes da sua liberdade. Liberdade no sentido de fazer as coisas sem estar sendo vigiado e controlado pelo Estado. E por outro lado, se não houvesse, como seria? E hoje, se formos ver, é uma questão presente. Enquanto estamos desenvolvendo melhores meios de monitoramento da população. Não haverá de chegar um momento, no qual cada individuo possa estar em constante controle ou observação? Por um lado, utopicamente, não haveria de ser nenhum problema ser monitorado, contanto que sua liberdade estivesse garantida, e não aparecesse uma policia do pensamento apagando sua vida. Mas isto, apenas seria possível num Poder, semelhante ao que vemos na Biblia, qual diz que há Anjos Redatores, que anotam cada passo nossa, mas que por outro lado, não vemos eles se intrometendo e nos obrigando a nada. Todavia, o Estado, Partidos, Empresas e por ai vai, está preocupado apenas com Poder. E isto, inclui, o poder sobre o individuo, de controla-lo, de fazer segundo a sua vontade. Se o radar viu que a pessoa passou da velocidade, tal leva um multa, e se a pessoa tentar fugir da multa, o Estado, possui instrumentos, para obriga-lo a pagar, ou então, manda-lo para a cadeia. (é o Estado controlando).

Até que ponto, podemos realmente admitir que o Controle, o Poder do Estado, é algo bom? Visto que este, significa, a morte do individuo mesmo que numa escala pequena. Em quanto que os Estados Totalitários numa escala maior. Uma coisa, o livro me deixou claro, “Segurança significa escravidão”. Todavia, por outro lado, não nos é mais possível viver sem Controle, sem subordinar-se há um grande poder. O grande problema que por fim temos é, ao meu ver, CONFIANÇA. Podemos realmente confiar no Estado? E quando falamos nisso, estamos falando nas pessoas que compõe o Estado. Podemos realmente confiar nelas? Que razões temos para confiar? Apesar de hoje, claramente ser um covil de ladrões, praticamente em toda a História o fora, até mesmo em Israel, ao ler o Antigo Testamento, acredito que vemos mais pessoas não-confiáveis no Poder, no Estado, (alias, o povo que clamou por um Rei, pois Deus não queria este modelo de organização para Israel). Até mesmo Salomão, em grande parte do seu tempo, apenas colaborou para a ruina de Israel. Vemos claramente na Biblia, que o único modo ideal, é quando o Poder está nas mãos de Deus, no sentindo, que as pessoas que estão no poder, elas estão totalmente rendidas a guia de Deus, a vontade dEle, e não ao próprio egoísmo, ambições e achismos, ambições terrenas e passageiras – diga-se de passagem. Mas isto, mesmo em Israel, foi raro de se ver; e não espero nos dias de hoje. Mesmo quando SUPOSTAMENTE, o Cristianismo chegou ao Poder na Europa – a Idade Média – as pessoas que compuseram o Poder (o Clero), bem, em nome de Deus, praticamente, se opôs totalmente a tudo quanto realmente era da vontade de Deus. Como está escrito em Daniel: “Lançou a verdade por terra.”; “Mudou os tempos e as leis.” E colocou o próprio homem, como no lugar de Deus, com autoridade e poder tão quão. (bem, é o que diziam para os homens)

O Ministério do Amor
Quando a pessoa saia dos padrões. A Policia do Pensamento prendia ela e a enviava para o “Ministério do Amor” (nome totalmente irônico). E lá, tal passava por uma violenta e cruel tortura, contudo o que me fez questionar o que é a tortura. Mas simplesmente levava ao ponto não só de experimentar o sofrimento e a dor, mas de esvaziar-se totalmente de si.

Nisto, tem uma das maiores revoluções, de tudo o que era visto antes sobre tortura, se vamos assim pensar. O que eles estavam se importando não era em ‘obter informações’ da pessoa, força-lo a dizer nomes, culpados, e dizer tudo. Mas sim, mudar o pensamento, o caráter, a personalidade dele. Antes, ele odiava o Partido, e só sairia de lá quando amasse Partido. Mas não por mera palavras, ou para tentar convencer os torturadores de modo para quem parem com a tortura e o libertem. Mas só iriam soltá-lo quando realmente estivesse ‘curado de sua loucura’. Conseguiam descobrir um modo, algo em especial (claro uma tortura em especial, um modo) de alcançar o mais profundo de sua mente e destruir suas últimas barreiras, para realmente mudarem seu pensamento.

É uma forma totalmente diferente de tortura, do passado. Que aliás, tente a ser, vamos assim dizer, a Punição da Policia do futuro, as armas do futuro. Não uma mera agressão ao corpo (“uma forma de controle e domínio ao corpo”), mas também uma forma de “controlar a mente”. E neste caso, controle da mente se constitui em curar a pessoa da loucura, e torna-la mais um ‘objeto’ com a ‘programação’ desejada pelo Partido. E nisto, se constitui em manter “o Sistema”, ou seja, “os trabalhos, as classes, o modo de vida, desejos, pensamentos”. E querendo ou não é isto o que eu particularmente vejo nas músicas, nos programas de TV em geral, na maioria dos filmes, e até mesmo no que se acha na Internet. É diferente se encontrar algo que se sai desta mentalidade de hoje. Além disso, uma das coisas que o Partido tinha praticamente abolido era o estudo da História e da Literatura antiga (imprópria), e veja só, não é exatamente o que estamos vendo hoje? E não apenas vendo nesses canais da mídia (os instrumentos de acesso dos Poderes para incumbir um pensamento as Massas), mas posso ver nas próprias pessoas. Pessoas quais, algumas ficam o dia inteiro com a TV ligada, ouvindo musicas de propósitos comerciais (praticamente quase tudo), e etc. Se vê claramente como é a mentalidade delas. Não vi nenhum personagem no livro 1984 que representasse bem esse tipo de pessoa, mas no “Admirável Mundo Novo”, tal pessoa podemos ver claramente representa na Lenina. São as pessoas comuns, que não questionam nada. Tornando-se anacefaladas, engolem tudo, sem senso critico; e só pensam em gastar, se divertir, não há nenhuma preocupação realmente séria antropológica, ou sobre o futuro, tão pouco, preocupação em conhecer, estudar e saber das coisas do passado, ou entender como as coisas funcionam.

A Nova Lingua
Reduzir a capacidade de expressão, pensamento (até onde isso depende de palavras), do individuo. Em outras palavras (forçando o caso), reduzir, mudar e controlar o idioma de modo a fazer as pessoas apenas a conseguir pensar como o partido.

Ou seja, suponha que o partido quisesse que tudo fosse 0, 1, 2, 3, .., 10. E ai, ensinasse a pessoa apenas a fazer operação de adição (+), e os números 0, 1, 2, 3,4,5. E por fim, a pessoa só iria conseguir fazer as seguintes operações:
x + y = k, (com x = [0, 5], y = [0, 5], ou seja, k = [0, 5], no conjunto dos naturais)

E ai, você pensa, ué: mas 5 + 5 = 10. E o máximo é 5, o que fazer? Simples, evidente que o Partido ensinava apenas algo do tipo 3+2=5 ou 5+0=5. Coisas, do tipo, pensar além disso. Além apenas desse “pequeno conjunto de palavras”, era totalmente ILEGAL, IMPRÓPRIO, HERESIA, é contra o partido, por exemplo, pensar na ‘subtração’ (-), ou multiplicação, ou nos números 6, 7 e 8.

Quando se contextualiza isto para a questão do idioma é exatamente isto. A pessoa só iria sabe ‘um pequeno conjunto de palavras’, e apenas saberia fazer ‘um pequeno conjunto de operações’ com tais palavras, e com isso, só iriam resultar num ‘pequeno conjunto de pensamentos e expressões’ (entre 1 e 5), que eram os pensamentos que o Partido iria querer. Qualquer anomalia no individuo, e este era enviado para o Ministério do Amor, para ele esquecer para ele poder aprender e acreditar (como diz no livro) que 2+2=5.

E isto está acontecendo hoje!!! Não é apenas o Internetês. Mas os livros por aí, as pessoas em geral. E nisto, estou falando das pessoas não só em comum. Mas mesmo uma pessoa mais executiva, com doutorado e tals. Mesmo que ela saiba 10 idiomas, em geral, você vai ver, e aí é uma pessoa apenas que conhece os termos referentes e voltados para o seu trabalho, área de atuação. Como no “Admirável Mundo Novo”, conhece, estuda, apenas aquilo que é útil para o seu trabalho, cargo, função na sociedade. E assim, é cada vez mais comum encontrar Engenheiros Moleculares, doutores em Astrofisica, mas que não sabe a diferença do Torá da Bíblia, ou quais foram os períodos da História, ou o que foi a Idade Média, ou a Revolução Francesa, ou a Industrial; tampouco sobre os pensadores gregos ( a origem da Razão), ou Agostinho (o pai da Teologia), etc. A geração de hoje já mal sabe o que foi a II Guerra Mundial, ou quem foi Hitler, ou a Guerra Fria, e mal sabe, o que aconteceu no mundo há 60, 70 anos atrás, pior, 30 anos atrás. E acham que o “atual estado e modelo das coisas” sempre foram assim e sempre serão assim. “o passado é o presente” e “o futuro é o agora” (como era os ditos axiomáticos das pessoas no livro).

O Poder
A parte da tortura é incrível, filosoficamente incrível, pois vai tirando de exemplos da História, de modo de como construir um Império Perpétuo. E ai vai vendo ponto por ponto porque todos os demais falharam. Alias, o propósito do Ministério do Amor de mudar a mentalidade das pessoas, ao invés de assassiná-las foi um aprendizado do passado para manter o controle e domínio do Partido. A Guerra também fazia parte deste objetivo. A Guerra não era mais por luta de território, ideológico, alimentos, era apenas para controlar o povo com um senso nacionalista, de submissão, de ideia de ‘inimigo em comum’ e com isso senso de fraternidade. E entre esses pontos, o MAIS CHOCANTE e claro, foi quando disse que todos os povos e impérios antigos, inclusive o Nazismo errou em ‘fantasiar’ e inventar outras coisas para o MOTIVO do ‘porquê’ fazer isto, mas que eles, tinham bem claramente bem definido, que o único propósito era “PODER”.

A grosso modo deixa claro uma coisa, tudo é uma questão de PODER. Qual é o propósito dos ricos, da Classe Alta, dos dominadores...? Poder. Simples assim. Não é dinheiro. Alias, dinheiro pode facilmente desvalorizar ou não significar. Mas dominar, ter controle sobre os outros, isso sim é PODER. Ou mais ainda, dizer quem pode viver ou morrer. Ou mais ainda, PODER para fazer a pessoa pensar o que você quer que ela pense (O Controle da Mente, a ULTIMA E MELHOR ARMA que pode ser feita para domínio). E de certo modo, o livro me fez pensar muito nisso. Me fez novamente, abrir mais o olho, e perder a ingenuidade, e novamente ver claramente, que quem busca Riquezas, Dinheiro, Status etc, busca poder. E nisto fica mais claro o que diz as Escritoras:
“O amor ao dinheiro [Poder] é a raíz de todos os males.”

E mais ainda, apesar de eu sentir uma grande atitude critica para com o Cristianismo do autor. Ele deixou bem claro, evidente, que tudo, o mundo, as coisas, o sistema não muda, é apenas o mesmo, a busca pelo TOPO DA PIRAMIDE, querer chegar na Classe Alta e manter o poder. Mas por outro lado, é exatamente o que o verdadeiro cristianismo bíblico se opõe. Pois Jesus criticou isso, chamava as pessoas a abandonar o poder, deixar isso da vida dela, chamou os riscos a dar tudo o que tem aos pobres, e eles mesmo não buscou riqueza, nem glória, nem status algum. O evangelho é loucura para este mundo, literalmente. Todavia ao mesmo tempo, uma coisa ficou fortemente gravada em mim: "Eu concordo com tudo isso!", "Qual é o problema?" Pois bem, vamos assim pensar, tirando o senso de moral, virtudes cristãs, é simplesmente poder, Lei do Mais Forte, Sobrevivência do Mais Forte; mas o autor, faz toda esta critica ao PODER, ao Estado, a morte do individo, o coletivismo, e ao mesmo tempo critica a religião, mas fica com os pés firmados num pseudomoralismo que vem de onde? De fato, sem uma verdadeira religião e Deus, o que temos no livro é apenas um modelo de máxima competência de dominio e poder, teoricamente 'o ideal' do animal chamado 'homem'. Então meu caro George, você apenas defendeu a Biblia por fim, criticou o que ela critica, expos parte do problema que ela expõe (a qual propõe origens mais profundas a causa), e colaborou ainda mais sobre as profecias da Biblia sobre os últimos tempos, últimos dias. A operação máxima de Satanás, o Ministério da Iniquidade, de escravizar o homem, a consciencia do homem, fazê-los escravos do pecado, ignorantes para com a verdade, que seriam dias trabalhosos e etc.

É mais um daqueles que criticam a Biblia não pelo incrivel conteudo. Mas porque a autoria desta obra incrivel é dada a Deus, e não a ele. Alias, diga-se de passagem, mais uma vez colabora ele, ao dizer no livro, que a Biblia foi abolida pelo Partido. E ao mesmo tempo, uma pessoa que passava pelo Ministério do Amor, ficava com marcas mentais tão profundas, que o Partido não se preocupava mais com ele, ele podia ler uma Biblia, e o Partido não daria a minima, nem a Policia do Pensamento, pois a consciencia dele estava totalmetne cauterizada para provocações e mudanças, além daquilo que o Partido queria que tal pessoa tivesse. (substitua "O Partido" por Satanás, e é exatamente o que a Bíblia diz). - Capitche!

E este ponto foi o que mais me chocou no livro. Fiquei perturbado com estes pensamentos por dias. Até onde não estou eu escravizado e corrompido neste sistema, também, apenas querendo poder? Entre tantas outras coisas. Pude ver mais claramente o quão ‘robotizado’ eu já não fui pelo Estado e pelos poderes. E me fez reavaliar e pensar em mutias coisas que já na vi na Licenciatura e sobre o papel da Educação e da Escola.

Bem, é isso ai. Um super resumo das principais provocações deste obra que recomendo para todos que tem maturidade, sangue frio, e quem está disposto a encarar a tristeza de se perder a ignorância, e em ver a realidade mais como é (um excremento de porcos).

29 janeiro 2012

1984 - Primeiras Impressões

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Li em torno de 1/2 da clássica obra ‘1984’ de George Orwell. A grosso modo o livro é uma obra que abrange principalmente a politica, filosofia e socialismo, de forma densamente critico; qual envolve um romance também muito provocante. O livro escrito em torno de 1930, acho que antes da II Guerra Mundial, é uma critica ao Nazismo, U.R.S.S., ao Comunismo, ao Fascismo, ao Estadismo; faz uma ficção de como seria o mundo em 1984 (50 anos depois), em que o mundo era divido em apenas 3 países totalitários, estadistas ao extremo. Um controle que resulta na abolição do individuo.. E então, temos novamente a mesma ideia abordada pelo livro “Admirável Mundo Novo”: Controle. Uma sociedade totalmente manipulada em função dos interesses do Estado (o topo da hierarquia). A diferença, que no ‘Mundo Novo’, o Estado de certa forma, é mais um tipo de Máquina Economica, ou a Industria, um super interesse do Capitalismo vamos assim dizer, na forma mais selvagem possível, no qual se livrou a concorrência, e as pessoas são meras consumidoras, mas que ganham em troca, uma ‘vida feliz’ (graças ao Soma e a quase ausência do tempo de espera entre seus desejos e realização), e neste, o controle é por outro meio, por meio de uma vida 'miserável' vamos assim dizer.

O Grande Irmão (The Big Brother)
Big Brother Brasil, esta ‘coisa’ [que elogio ao invés de m*], de certo modo veio (pelo menos o nome) deste livro. Da obra genial deste autor, que numa época em que não existiam filmadoras e televisores (até onde sei), disse que em 1984 existiram “teletelas”, uma espécie de televisor que haveria praticamente em todos os lugares, nas casas das pessoas, cômodos das casas, ruas, e etc, tal ficaria sempre ligada, e na maioria das vezes traria informações do Estado, pura lavagem cerebral, para elevar as virtudes do Partido, ou informações totalmente duvidosas, que eram repetidas até as pessoas acreditarem que era verdade e não mais ter noção do que significa uma “informação original, puramente verdadeira, factual”. Todavia, esta Teletela também era um tipo de câmera, que estava em constante observação das pessoas, dos cidadãos (os camaradas), todos eram observados minuciosamente, e viviam como se fosse um conceito ou lei natural sentir-se sempre sob vigilância. E todas essas informações, monitoramento era feito pela Policia do Pensamento, qual se suspeitasse que alguém estava andando fora da linha, fazendo algo anormal, incomum, ‘pensando demais’, com alguma idéia revolucionária, ou ‘anti-social’, ou qualquer coisa perturbe a paz e a ordem, ou como as coisas são, um mero olhar de insatisfação, de desesperança, qualquer coisa que pudesse gerar um sentimento de revolta, motim, guerra civil, ou de apego demais para alguma coisa, ao invés de servir aa servir o Estado e aos seus camaradas... bem, então tal pessoa, certamente, em alguma noite seria pega a noite pela Policia do Pensamento, interrogadas, brutalmente torturadas e assassinadas. Mas enquanto isso, tudo isto, era a maquina por detrás. Pois o conceito, era que o Grande Irmão sempre estava vigilando a todas, vigilando a sociedade, monitorando, e acertando as coisas para deixa-la sempre em ordem, e fazer as pessoas ‘mais felizes’.

A Precariedade
Uma das questões mais abordadas e deixadas claras, é sobre como seria a Produção conduzida pelo Partido, pelo Serviço Publico, concentrado nesta Máquina (qual podemos fazer uma comparação para o modelo capitalista, em que são muitas empresas, e que há a concorrência, e se preocupam com a questão da oferta/demanda e qualidade). Tudo era precário, e tudo sempre estava em falta, e era racionado. As pessoas tinham sempre roupas velhas, remendadas, rasgadas, as cidades era sempre meio que destruídas, vidros trincados, estilhaçados, com papelão, tudo mal rebocado, pintado, as pessoas não encontravam nem gilete para barbear (era um item de constante procura), tinha o Gim, uma espécie de Bebida que era puro Alcool e horrível de se tomar, mas era tudo o que tomava como um tipo de adornos (como era o soma no Admirável Mundo Novo), porém, que era nauseante, horrível de se tomar, fedia etc. Tudo era muito precário tanto para quem pertenciam as funções inferiores do Partido, quanto, mais ainda, para quem era da Prole. Os cigarros eram tão ruins, que sempre esfarelavam ou caia o fumo no chão se não fosse pego com cuidado. Ninguem andava com um sapato novo ou em boas condições. Tudo estava sempre em falta.

A Mídia – A Moldadora de Opinião (melhor dizendo: de cidadão)
No “Admirável” as pessoas eram condicionadas desde o nascimento, em sua educação pelas “Repetições” e os processos de condicionamento, e as frases que sempre ouviam mesmo em quando dormiam. No 1984, é o total CONTROLE da mídia pelo Estado, em função a servir aos propósitos do Estado. Anunciavam só aquilo que era de satisfação do estado, entre eles, tornar as pessoas sujeitas aos seus interesses, e fazê-las acreditar que o Estado, o Partido, o Grande Irmão está lutando por eles, para o bem, e sua felicidade. É sempre, essas informações, esse tipo de programação, de músicas.

Guerra, Caramadagem - A Ilusão da União e Dever
Além disso havia o condicionamento dos interesses do Estado, em fazer as pessoas amarem, se confraternizarem como uma Nação, contra as demais Nações, e contra os OPOSITORES desta ordem. Como no Cinema, e o Dia do Ódio, onde eram apresentados coisas, de modo que estes INIMIGOS, sempre possuem idéias tão absurdas que até uma criança de 7 anos percebe quão ridículas são e se revoltam. E elas ficam lá, falando e fazendo, por muito tempo, de modo que deixam as pessoas totalmente irritadas até ficarem fora de si, e começam então a manifestar todo o seu ódio para com tais Inimigos, xingando, mostrando agressividade, pulando como loucos, uivando como animais, e naquele MOTIM, em que todos os camaradas se unem como uma fraternidade em função desse Inimigo em comum. E ai então surge a imagem do Grande Irmão, a pessoa diferente com as ideias amistosas, de bem-estar comum, que luta contra este Inimigo, e aí todos começam a admirá-lo, aplaudi-lo, parabenizá-lo, exaltá-lo, amá-lo. E assim o Partido, através da mídia vai promovendo um CONTROLE na população, um senso de união nacional, a caramadagem.

A Alteração do Passado e a Extinção da História
Outra função do Partido era alterar o passado. Sempre alteravam o passado. Tudo era alterado. Toda a História foi alterada. Todas as informações dados foram alteradas de modo a servir aos interesses do Partido, do Estado. E isso constantemente era feito. Revistas, jornais, livros, eram eliminados, ou reeditados, e reimpressos. Se uma pessoa era era eliminada, vaporizada, logo todos os registros de sua existência sumiam. E logo, dentro de pouco tempo, ninguém mais sabia que tal pessoa um dia tinha existido, ou duvidariam da própria memória. A memória da pessoa era constantemente atacada. A História era constantemente mudada, alterada. De modo, que as alterações de forma geral, acabavam sempre sendo alterações de outra alteração. Mesmo os mais pensadores, filosóficos, praticamente dificilmente poderiam ter certeza sobre algo, de algum dado informação, não sabia o que era mais verdade e o que era original. Aliás, não conheciam como era o Mundo fora da sua nação, e não conheciam como era o passado antes do Partido. Os poucos sobreviventes daquelas épocas antigas, eram muito velhos, e tinham péssimas memórias, na verdade, totalmente inúteis.

As pessoas tinham um senso de que a vida era sempre aquela miséria, infelicidade, o mundo sempre em guerra, as longas jornadas de 12 horas de trabalho diários, e olha lá, as teletelas, o Dia do Ódio, as mudança dos registros, os noticiários, o Gim, a precariedade das coisas. No fundo sentiam um certo descontentamento com a vida, como se as coisas pudessem ser diferentes. Mas será que podia ser? Como era antes do Partido? E se não houvesse o Partido? E se as coisas não fossem tão controladas pelo Estado? E se as pessoas pudessem manifestas e lutar mais pelo seu individualismo e liberdade de expressão? Liberdade de possuir suas próprias coisas, liberdade de ter uma família de verdade? Liberdade de poder se apegar a uma mulher? Mas a vida foi sempre assim.


A REDUÇÃO DAS PALAVRAS
Historicamente, foi um processo de grandes, incríveis conquistas inventar novas palavras. Foram criadas para simbolizar uma nova ideia, um pensamento em especial. E assim de certo modo, a grosso modo, quanto mais palavras, mais rico o vocabulário, e mais rico é a liberdade da mente em pensar, sentir e expressar. Bem, um dos propósitos do Partido, é sempre estar reduzindo o Vocabulário da sociedade, vai reeditando o idioma, o Novalingua, sempre buscando diminuir um monte de palavras, "inúteis". Mas sempre este trabalho - feito pelos profissionais em Letras e Filosofia - é visto como um dos mais incríveis empenhos e avanços da Sociedade. E assim iriam limitando palavras, reduzindo as expressões, por exemplo, se você quer dizer que algo é ‘bom’, não precisa das palavras ‘magnifico’, ‘extraordinário’, apenas ‘bom’, agora, se precisa classificar algo como muito mais do que bom, apenas poderia usar a palavra ‘plusbom’. E assim, se buscava economizar as palavras, reduzindo-as silabicamente, e ao mesmo tempo reduzindo as expressões, adjetivos e um monte de excessos desnecessários. E ainda também eliminando palavras ‘ruins’, palavras indesejáveis, palavras que não convém a Nação, a Ordem, ao Partido. Um dos argumentos, é que as pessoas conhecendo palavras ruins, violentas por exemplo, ou de indignação, iriam ficar pensando nessas coisas, nessas palavras, iriam tentar expressá-las, e isso produziria infelicidade e descontentamento nelas; então, se removesse tais, por mais que em algum momento elas ‘sentissem algo’, não saberia o dizer o que é, não saberiam que nome, que associação usar, nem como expressar... e assim, não expressariam, não extravasariam, e então ou logo aquilo iria sumir sem afetar a sociedade, ou então, morreria com ela mesmo. Ou então, se a Policia do Pensamento percebesse algo estranho (como sempre acontecia), logo, vaporizavam tal pessoa.

Os Dias de Hoje
É impressionante, quando pensamos na sociedade hoje. Eu particularmente vejo claramente este fenômeno acontecendo. Não sei dizer se há uma pessoa por detrás disso. Talvez, algo sem pensar. Mas está acontecendo um processo de emburrecimento nítido das pessoas. Podería falar da ‘linguagem lógica’ (daqui a pouco estaremos falando como linguagem de programação), algo que por exemplo, vem ocorrendo com o “Internetes” e os “Populismos exagerados da periferia”, por exemplo, usam palavras (desculpe o termo) como “foda” para exprimir mais de 50 significados, tanto ruins, quanto bons, ou interjeições, ou para xingar, ou elogiar, ou como final de frase, ou como um ‘tick lingistico’, como adjetivo, adverbio, substantivo, até como verbo como ‘fuder’ (o que também pode-se referir a diversas conotações, desde atos de violência, até eróticos, ou como mera ameaça). Mas além disso, também tenho percebido um empobrecimento linguístico nas pessoas, é comum encontrar pessoas que não entendem metade das palavras que eu digo. Talvez por uma cultura de lerem pouco. Mas por outro lado, há quem costuma ler. Mas que em maioria, o que procuram ler são romances adaptados para um linguajar mais ‘popular’, mais reduzido.

Onde vejo um exemplo claro disso, é em questão as versões da Bíblia. Bem, eu tinha uma Bíblia de 1994, Almeida Revisada e Corrigida, eu gostava muito do linguajar dela, era muito poético, e de inicio eu não entendia metade das palavras, usavam muitas palavras muito exóticas, mas ‘A DENSIDADE SIGNIFICANTE’ [inventei essa agora, gostei – percebem? Cade uma palavra para expressar melhor isto?] era muito intenso, era um linguajar muito mais poético, com o tempo, dava muito gosto de lê-la, as palavras eram muito bem temperadas, os versos eram, muito expressivos e profundos - era quase impossível uma leitura superficial. Mas depois disso, foram ‘popularizando o linguajar’ (e há quem faz um monte de comentário de que isto é bom), foram diminuindo a quantidade de palavras, verbos, adjetivos, e adaptando para apenas aquilo que era mais conhecido no popular de hoje, inclusive expressões. Com isso, as notas de rodapé foram diminuindo, pois antes, por exemplo, esta de 94 que eu tinha, sempre tinha muitas referências, pois você lia o verso e não entendia, ai lia várias outros versos tratando da mesma questão, e ai com a razão, você conseguia então vislumbrar uma ideia do significado. Mas hoje não, está tudo mais ‘explicito’, ‘seco’, ‘frio’, vamos assim dizer, é uma linguagem mais ‘direta’(robótica, quase que binária)) e menos poética (como a NVI, e até as Almeidas de hoje). Consequencia disso - eu particularmente - é uma linguagem, uma leitura mais ‘sem sal’, ‘pobre’, não tão significativo, as vezes tenho a impressão de estar lendo um texto para crianças, pensamentos infantis; ou como comer um arroz refinado, depois de estar acostumado com o integral. É pobre o linguajar, você não se sente muito nutrido. E talvez o maior perigo esteja nesta colocação que agora faço: “VOCÊ NÃO PRECISA MUITO, AS VEZES NEM PRECISA, PENSAR PARA COMPREENDER, ENTENDER.” Ou seja, ‘você não pensa’, é uma leitura que tende a ser como a leitura de um Romance, ou assistir uma Novela, ou pior ainda, como “MANTRAS”, como apenas ‘frases, ideias’ para serem lidas, entendidas, engolidas, como que axiomáticas.

Informação ao Invés de Transformação
Hoje parece que nos contentamos em ter uma informação, ao invés de sentir uma transformação dos nossos pensamentos, por capturar a ideia. É como se estivessemso perdendo a individualidade, o lado humano de lidar, ser impactado e afetado por tais. Parece que apenas se trata de ter 'uma informação', um conhecimento, um diploma. É aquela coisa. "Há, eu sei que há x bilhões de pessoas no mundo." E simples assim, mas essa informação, é tão desconexada da pessoa, que não envolve a pessoa, seus pensamentos, o que esse número quer dizer? Qual as implicações para o mundo, a Economia, a Sociedade, as Culturas, a Sobrevivência, Sustentabilidade e para o Individou? Há uma enormidade de questões importantíssimas que isso afeta. Além disso, por exemplo, o atual cenário Economico-Politico-Social do mundo, é uma explosão tentando ser contida, sabe-se lá até quando, que irá impactar a vida de cada indivudo. As pessoas, tem a 'informação' de que isto está acontecendo, mas e daí. É apenas uma informação, ou seja, apenas tem essa informação armazenada numa linha de registro no banco de dados da cabeça, ou no Wikipedia, mas é só isso; as pessoas parecem estar pensando como um banco de dados. A informação não envolve a pessoa, seus pensamentos, a informação não é trabalhada. Caso contrário, provavelmente a postura da maioria mudaria, ao invés de viver como se simplesmente nada estivesse acontecendo, como se sempre fosse ser assim. Como se estivesse garantido que no dia de amanhã, fará as mesmas coisas, terá as mesmas coisas, terá comida, água, transporte, civilização ( no sentido de pessoas vivendo em comunidade, seguindo regras). Ou seja, as pessoas não estão mais sendo afetadas pelas informações.

E ai quando pensamos em questão a Teologia, a Religião, a Bíblia por exemplo. O mesmo acontece, você vê apenas 'informação'. Mas não processos, mudanças, transformações, algo que move e mexe as pessoas. Que diferença fazem as doutrinas, as informações? A maioria, nos dias de hoje, leem, as informações, e PRONTO, "Agora eu sei." (tenho a informação). Todavia, tudo isto é incoerente com o que realmente é o cristianismo. Pois as suas informações contidas, não são como um bloco de informações que se guarda numa estante. Mas como 'carpinteiros, faxineiros, arquitetos, decoradores, carpinteiros', que te convidam a permiti-los fazer uma mudança, transformação na sua casa.


O FILME
Bem, melhor parar por aqui. Quando concluir o livro, creio que terei idéias melhores trabalhadas, e mais coisas para compartilhar. Alias, pesquisando sobre o livro, descobri que fizeram o filme sobre o livro. E que é possível encontrá-lo no Youtube. Achei este em Espanhol, é a primeira parte, acesse-o no Youtube, e terá o link para as demais partes. (ainda não vi o filme para ter uma opinião sobre tal).



12 janeiro 2012

Admirável Mundo Novo - Fim

1 comentários
Os últimos capitulos do livro são extremamente densos. Se você acha que não tem muito o que esperar, bem, conforme se chega próximo ao fim, o livro apenas intensifica. Os últimos 3 capítulos pelo menos, são extremamentes filosóficos do autor. Como se quisesse expor toda a sua filosofia, comprimindo-a, e levando o leitor a refletir e pensar nas questões que ele tentou levantar com o livro. Mas nada, NADINHA de filosofia barata; simplesmente, extraordinário. Confeço, que levarei meses, anos, talvez toda minha vida para digerir as palavras do seu final, sobretudo, das palavras do Administrador Mustafa Mound.

Em primeiro lugar, tenho que tirar o chapéu para o falecido autor, que em 1930, já colocou como seriam as super 'armas' do futuro em que a policia usaria. Ao invés de "Metralhadora alemã ou de Israel estraçalha ladrão que nem papel" (como dizia uma daquelas coisas que eu chamava de música na minha adolescência), é uma máquina que produz uma música sintética e que solta um gas cheio de uma droga no ar, que faz as pessoas no ambiente se sentirem totalmente amáveis uma com as outras, afetuosas, carentes, de modo a desistirem e esquecer de seus aborrecimentos. Uma máquina não só para 'controlar um motim, uma revolta', mas para 'reverter'; máquinas de poder psiquico. E para os casos mais emergenciais, uma pistola que lança um dardo tranquilizante, que imediatamente derruba a pessoa como gelatina no chão, como se não tivesse mais músculos e ossos.


Bem, agora vamos ao que interessa. Sem mais enrolação, replico apenas as palavras do livro, no momento que faz uma declaração sobre a religião, sobre Deus; e porque deve ser banido da sociedade para poder haver felicidade e controle social.

- Mas se os senhores não ignoram Deus, por que não falam nele? - perguntou o Selvagem, indignado. - Por que não permitem a leitura desses livros sobre Deus?
- Pela mesma razão por que não apresentamos Otelo: eles são antigos. Tratam de Deus tal qual era há centenas de anos, não de Deus como é agora.
- Mas Deus não muda.
- Acontece que os homens mudam.
- Que diferença faz?
(...)

- ... Bem, como eu ia dizendo, havia um homem que se chamava Cardeal Newman. Ah, eis o livro - retirou-o do cofre - E já que estou aqui, vou tirar também este outro. É de um homem que se chamava Maine de Biran. ...
(...)


- ... - Abriu o livro no lugar marcado com uma tira de papel e começou a ler: "Nós não pertencemos a nós mesmos, assim como não nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, que não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos nossos próprios senhores. Somos a propriedade de Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desse modo? Será a qualquer título uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Os que são jovens e prósperos podem acreditar nisso. Podemos crer que é uma grande coisa serem capazes de conseguir tudo segundo os seus desejos, como supõem - não dependerem de ninguém, não terem em pensar em nada que não esteja ao alcance da vista, dispensarem a obrigação molesta da gratidão constante, da prece contínua, da incessante referência a tudo o que fazem à vontade de outro. Mas com, o correr do tempo, acabam percebendo, como todos, que a independência não foi feita para o homem - que é um estado antinatural -, que pode satisfazer por algum tempo, mas não nos leva com segurança até o fim..." - Mustafá Mond parou, pousou sobre a mesa o primeiro livro e, tomando o outro, virou-lhe as páginas. - Veja isto, por exemplo - disse, e com sua voz profunda começou a ler novamente: - "Um homem envelhece; percebe em si mesmo aquela sensação radical de fraqueza, de atonia, de mal-estar que acompanha o avançar da idade; e, sentindo-se assim, julga estar apenas doente, aquieta seus temores com a idéia de que esse estado penoso é devido a alguma causa particular da qual espera curar-se como de uma moléstia. Vãs imaginações! A moléstia é a velhice; e trata-se de uma doença horrível. Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a se voltarem para a religião à medida que os anos se acumulam. Todavia, a experiência pessoal me trouxe a convicção de que, completamente à parte de tais temores e imaginações, o sentimento religioso tende a desenvolver-se quando envelhecemos; tende a desenvolver-se porque, à medida que as paixões se acalmam, que a fantasia e a sensibilidade vão sendo menos excitadas e menos obscurecida pelas imagens, desejos e distrações que a absorviam; então, Deus emerge como se tivesse saúde de trás de uma nuvem; nossa alma vê, sente a fonte de toda luz, volta-se natural e inevitavelmente para ela; porque, tendo começado a esvair-se dentro de nós tudo aquilo que dava ao mundo das sensações sua vida e seu encanto, não sendo mais a existência material sustentada por impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em algo que permaneça, que nunca nos traia - uma realidade, uma verdade, absoluta e eterna. Sim, voltamo-nos inevitavelmente para Deus; pois esse sentimento religioso é por natureza tão puro, tão delicioso para alma que experimenta, que compensa todas as nossas perdas".


- ... "Só se pode ser independente de Deus enquanto se tem juventude e prosperidade; a independência não nos levará até o fim em segurança." Pois bem, agora nós temos juventude e prosperidade até o fim. ... "O sentimento religioso nos compensará de todas as nossas perdas." Mas não há, para nós, perdas a serem compensadas; o sentimento religioso é supérfluo. ... Que necessidade temos de repouso, quando nosso corpo e nosso espírito continuam deleitando-se na atividade? De consolo, quando temos o soma? De alguma coisa imutável, quando temos a ordem social?
(...)
- Mas não é natural sentir que há um Deus?
- ... Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. ...
(...)
- E o desprendimento, então? Se tivessem um Deus, teriam um motivo para o desprendimento.
- Mas a civilização industrial somente é possível quando não há desprendimento. É necessário o gozo até os limites impostos pela higiene e pelas leis econômicas. Sem isso, as rodas cessariam de girar.
- Teriam uma razão para a castidade! - disse o Selvagem, corando levemente ao pronunciar as palavras.
- Mas a castidade significa paixão, a castidade significa neurastenia. E a paixão e a neurastenia significam instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização duradoura sem uma boa quantidade de vícios amáveis.
- Mas Deus é a razão de ser de tudo o que é nobre, belo, heróico. Se tivessem um Deus...
- Meu jovem amigo, a civilização não tem nenhuma necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas de incapacidade política. ... E se alguma vez, por algum acaso infeliz, ocorrer de um modo ou de um outro qualquer coisas de desagradável, bem, então há o soma, que permite uma fuga da realidade. ... O Cristianismo sem lágrimas, eis o que é o soma.

...

Poderia comentar muita coisa, mas estou sem animo para fazê-lo. Apenas considero, que após ler bem os últimos capítulos, me tomei conta, que este Admirável Mundo Novo já é a realidade para muita gente, talvez para a grande maioria do Ocidente. O mundo que preza pela sensação de bem-estar, conforto, e de prazeres infantis como viagens, carros, helicópteros, tvs, tecnlogias de luxo, jogos, músicas infantis, filmes infantis, uma infantilização do homem; o homem que não precisa mais lutar, sofrer horrores, de atos de bravura, heroísmo e altruísmo para realmente conquistar a maioridade; e é assim, se resumir uma vida, os desejos e a satisfação do homem em poder consumir tranquilamente essas coisas, sem importunio até a morte chegar. E sendo assim, para que o homem precisa de Deus? Quando tudo pode ser solucionando, deixando que um 'bom Estado' controle nosso nascimento, nosso condicionamento, nossos desejos, nosso trabalho, nossas ambições, nossos relacionamentos... de modo a termos uma sociedade sem insatisfações, revoltas, e descontroles. E quando houver, uma super droga (soma), que basta um capsula de 500mg tiradas do bolso, para resolver tudo.

É este o mundo em que vivemos, Só não com tanta 'qualidade'. Mas tudo está tentando ser maximizado. ...

E o que resultará disso?


Nota.:
Todavia, o autor faz uma colocação de um mundo no qual fosse possível tornar-se DURÁVEL, ESTÁVEL. Algum tipo de total controle dos fenômenos da natureza quais não se pode ainda controlar, como terremotos,  tempestades, vulcões etc. Mas ai entra uma questão, que torna a obra ficção, pois nunca chegaremos a tal ponto. Por que? Porque o mundo já está condenado. A calamidade afronta o mundo. Seja nos ambitos Naturais, seja nos ambitos produzidos pelo homem, como a escassez de recursos naturais, de alimentos, água, doenças, poluição, intoxicação, superpopulação, conflitos etnicos, e instabilidade economica (neste ponto, um caos sempre adiado, tentando ser empurrado para as gerações futuras)... cedo ou tarde, essa avanlanche vai acontecer (em quanto isso, a neve vai se acumulando no topo da montanha), e ai quando chegar, vai destruir tudo isso a humanidade pensará conquistar como bens duráveis. E ai, quem sabe, não tenhamos uma nova mudança ao passado, depois do banho de água fria.

07 janeiro 2012

Admirável Mundo Novo

2 comentários
Estou lendo a incrivel obra “Admirável Mundo Novo” (Brave New World) de Aldous Huxley. Um grande clássico de ficção, publicado em 1932, que descreve o mundo no futuro, de modo de como as transformações que agora estão ocorrendo, de uma perspectiva consumista, utilitária, entre outros; de modo que extrapola mostrando claramente que espécie de futuro, de sociedade que estamos formando. E o admirável, é que o livro foi escrito por volta de 1930, ou seja, numa perspectiva de civilização daquela época. Com isto, hoje, 70 anos depois, vemos claramente que muitas das coisas propostas pelo livro (que talvez fossem utopias na época) hoje já são realidade, e outras, em processo.

1. Do controle populacional
Nesse futuro, as pessoas foram condicionadas a ter total repulsão em ter filhos, de modo que a anticoncepção tornou-se um valor intrínseco, tão elementar quanto dizer que ninguém quer passar fome. E deste modo, não existia mais o conceito de ‘familia’, de ‘mãe’, ‘pai’, tais passaram a ser considerados selvagerias do passado, de uma sociedade bárbara, que dá a luz 'como um animal’. Mas a nova produção de pessoas é totalmente feita em laboratório, muito controlado, com uma perspectiva Fordista (alias, Ford é considerado o Deus, na obra), de modo a maximizar a produção; e já atribuindo aos embriões as características das castas sociais a qual pertenceria. Todavia, para chegar neste ponto, a humanidade teve que passar por uma grande Guerra Civil, um grande extermínio de quando a população chegou a nível alarmante, de modo, que aqueles que eram contra a este 'novo modelo de sociedade', foram sendo exterminados brutalmente. Todavia, depois, perceberam, que era mais fácil e dava mais resultado apenas ir condicionando, convencendo as pessoas, através da propaganda. Ah, como ia me esquecer, e caso alguém por acidente engravidasse, havia o grande Centro de Aborto; e do mesmo modo, era óbvio fazer o aborto.

2. Do Utilitarismo
As pessoas eram produzidas a partir de uma demanda. Por exemplo: “Preciso de x engenherios”, ou “Preciso de y mineradores.”, ou “Preciso de w limpares de esgoto.” E por assim vai. E desde a escolha de como seria formado o feto, até como este seria produzido até ter então o ser humano pronto, tudo era pensando em função do seu trabalho, “da utilidade que exerceria”. E assim, mesmo quando bebe, e por assim vai, toda a ‘educação’ dele seria um condicionamento para exercer perfeitamente o trabalho que realizaria (alias, o ideal era produzir o maior número de gêmeos possível), só poderia ler livros sobre tal, seria condicionado de modo a considerar que isso, esse trabalho era a sua felicidade e a não desejar, nem imaginar ou pensar em realizar a função, trabalho de outra pessoa. Ao mesmo tempo, que o Consumo de coisas manufaturados era uma obrigação, fazia parte da utilidade, então eram condicionados também, a não admirar ou gostar de se divertir com a Natureza por exemplo, contemplar uma paisagem, as estrelas, ir numa cachoeira, observar as flores, porque isso não trazia vantagem financeira, não precisaria consumir coisas para isso, então eram condicionadas a odiar, detestar tais coisas; mas sim, a viver nas cidades, e a se divertir com brinquedos e esportes que tivessem que usar muitos objetos produzidos pela industria, e cada vez, que fossem se divertir, mais objetos.

3. Do fim da moral (ou melhor, a transformação)
Para ocorrer esses acontecimentos, seria, obviamente, também necessário controlar a perspectiva filosófica de vida destas pessoas. De modo, que então, se criaria vários clichês, frases com os conceitos do que queriam que as pessoas pensassem, o que queriam ter como perspectiva de vida, felicidade, do que era bom, e isto era repetido infinitamente em sua infância e adolescência, no dia-dia, até mesmo enquanto dormia, e tinham que exercitar, ficar repetindo 500 vezes, 2 vezes por semana, por 5 anos (não lembro os números exatos). E então, para eles, isto os convenceria, isto então FORMARIA UMA VERDADE. Qualquer verdade poderia ser produzida, bastasse repeti-la infinitas vezes, para toda a massa da população, impossibilitá-la de pensar diferente, e ai viraria tudo senso comum, e todos iriam acreditar que aquilo era verdade. E tudo isso tinha uma perspectiva Estadista (vamos assim dizer), de controle do Coletivismo, ou seja, o condicionamento consistia em criar as seguintes verdades, por exemplo:

- Não existe pior ato, ou mais depravado do que ser mãe, ou pai, ou ter família, dar a luz a um bebe;
- Todos são importantes para o todo, cada um tem que fazer a sua função e respeitar a do outro;
- Todos são de todos; ser individualista, pensar no ‘eu’, é imperdoável;
- É preciso consumir tudo o que é novo. Sempre jogar as coisas velhas fora e comprar um novo. É preciso Consumir, comprar coisas novas, de tudo. Consumir e consumir, quanto mais coisas, melhor. É melhor comprar uma roupa nova do que remendar.
- Se sentir um tiquinho de infelicidade, preocupação, insatisfação, dúvida, tome um pouco de soma imediatamente.

Nesses condicionamentos, temos as maximizações de alguns conceitos já presentes; que a grosso modo, achamos ‘bons’. Todavia, que não passam de modelos de controle social. Bem, consequente a essas coisas temos também que não haveria lógica permitir que ideias de filósofos, ou então, tampouco de religiões, sobretudo do Cristianismo, ocorressem. E tais coisas, foram erradicadas, abolidas, exterminadas como pensamentos nojentos dos selvagens primitivos do passado, dos incivilizados.

Toda a moral Cristã foi erradicada. E com isso, logicamente, temos então, os avanços máximos da tecnologia, que permitem tornar o homem plenamente satisfeito, feliz; e ao mesmo tempo, não frustrado, não ansioso. E com isso, tem a questão do ato sexual, ‘brincadeiras eróticas’ (como seria dito, é literalmente, uma brincadeira). Pois, as pessoas naturalmente tinham esse desejo, e aí, quando eles percebiam que tinham esse desejo, mas não conseguiam um parceiro(a), ou tal não aceitava, tal ficava frustrado, triste, chateado, até que então finalmente conseguisse. Ou seja, entre a consciência do desejo e sua realização havia um tempo. E quanto maior esse tempo, mais ruim é para o homem, mais frustra, mais infeliz. Logo, as pessoas foram condicionadas, e junto a tecnologia erradicar isso, e assim, por exemplo, em questão ao sexo. Todos eram de todos, não existia essa coisa de privacidade, de casal, união, era apenas brincadeira ao mesmo tempo, um dever civil, um dever como pessoa. E desde crianças, bebes talvez, eram condicionadas a ‘brincar’, ter inúmeros parceiros, “todos são de todos”. Se o Ricardo queria brincar de sexo com a Sheila, eles simplesmente iriam atrás da moita e faziam (atrás da moita porque o livro foi escrito em 1930, se fosse escrito hoje, bem, sigamos que na Holanda já é permitido fazer sexo em público - e livro nem faz menção há pessoas do mesmo sexo fazerem), não era algo pessoal, sentimental; era apenas a realização de um desejo, a satisfação. Todos eram condicionados a querer fazer, com todos, se alguém oferecesse, você tinha a obrigação de aceitar. E assim, era para todos os desejos que hoje poderíamos chamar de ‘carnais’ do homem. Alias, nisso, as mulheres de certo modo, eram mais consideradas, como mais status, mais desejada, aquelas que eram consideradas mais 'pneumáticas'.

4. O Fim da Vida
Do mesmo modo, as pessoas eram condicionadas a não ter outra perspectiva de vida senão a que foram condicionadas a viver. Os avanços da tecnologia (além de permitir 100% de sucesso no condicionamento) permitiram as pessoas envelheceram tão jovialmente quanto uma pessoa de 30 anos. Todavia, quanto chegava aos 60 anos, era hora de morrer, pois a partir daí ia perdendo sua utilidade, já era velho, ou seja, tudo que é velho tinha que ser jogado fora, para um novo ser consumido. Iam para o incinerador, e todo a constituição do seu organismo era reaproveitada, por exemplo, para fertilizante, ou para o armazenamento de cálcio. Era apenas o fim. As pessoas eram condicionadas de que eram apenas um ‘produto’ (um robô), fabricadas para um fim utilitarista na sociedade, viveriam felizes, e ai, aos 60 anos era o fim da sua validade, e morriam. Pronto. Ninguém questionava a isso. E todos foram condicionados a considerar isso como o natural, obvio, elementar, inquestionável. (claro, mais um motivo para terem abolido o Cristianismo).

5. Soma – O Remédio Para Tudo
Bem, inevitavelmente, sempre acaba acontecendo qualquer situação de desconforto, de infelicidade, tristeza, incerteza, insatisfação, seja com o que fosse. Fosse por exemplo: “Hoje não estou afim de fazer sexo.”, ou “Fui mal na prova.”, ou “Fui demitido.”, ou “Tenho duvidas existenciais”, ou “sinto tédio” (o que era impossível, pois existiam diversas atratividades), ou "Sinto dor, ou com fome, ou nojo". Bem, seja qual fosse o embaraço emocional, o problema. O que hoje, muitas pessoas recorrem as diversas drogas existentes no mercado, como por exemplo, o Alcool, crack. Bem, neste futuro, os engenheiros químicos conseguiram fazer a droga perfeita. Bastava engolir uma capsula (alias, todos estavam sempre bem abastecidos com várias delas no bolso) e imediatamente teriam todos os melhores efeitos das drogas e com absolutamente NENHUM efeito colateral para organismo. Ou seja, não fazia mal para ninguém; não deixaria ninguém viciado, ou doente, ou com sono, ou lelé da cabeça, ou seja lá, o que normalmente hoje tentam usar de argumentam para não usar [“faz mal a saúde”]. Ou seja, bastava tomar, e todos os seus problemas eram esquecidos, você se sentia nas nuvens. Se estivesse uma triste chuva, você veria um lindo sol brilhar. Ficaria super feliz, contente, se sentiria, absolutamente a pessoa mais feliz do mundo.

E deste modo, o Soma, se tornou o instrumento mais essencial para controlar as pessoas. Pois, bastasse elas sentir ou pensar qualquer coisa que soasse ‘insatisfação’ com o como é as coisas, a vida, o mundo, a sociedade, como elas agem, o que aconteceu e etc; e bastasse tomar uma capsula de soma, e tudo estaria resolvido. E assim, tudo era normalizado novamente. (alias, a bebida alcoólica é o Soma do Brasil, com qual o Governo ainda consegue controlar um pouco a população: "Carro, futebol, churrasco e cerveja.", e o brasileiro está feliz)

E assim, o controle era realizado pelos administradores desta sociedade. Permitindo o ciclo da sociedade estável, da estabilidade e da ‘felicidade’ sempre continuo.


Bem, a partir desta ficção sobre o futuro, pense sobre os processos que estão acontecendo no mundo hoje, na sociedade, na sua vida, na sua carreira, no seu trabalho, na sua educação, na mídia, e tudo mais. O que está acontecendo com as famílias. E então pense: “Para onde estamos indo?”, “Que tipo de mundo estamos formando?”, “O que estamos fazendo?”, “Em que tipo de pessoa ou PRODUTO estamos nos tornando?”

Uma observação (entre dezenas que poderia fazer com este livro):
Há certo momento do livro, em que os jovens estudantes, já bem condicionadas (ou seja, verdadeiros observadores e guardiães da ‘verdade’), tais são levados há um tipo de palestra no qual o D.I.C. é falado sobre o passado, de como consideravam absurdo as pessoas não praticar sexo quando simplesmente desejarem. Este trecho, creio eu que vale a pena redigir:

“Revelou a espantosa verdade. Durante um período muito longo antes de Nosso Ford, e até no decurso de algumas gerações ulteriores, os brinquedos eróticos entre as crianças eram consideradas anormais (houve uma gargalhada); e não apenas anormais, mas realmente imorais (não!); e eram, portanto, rigorosamente reprimidos.
A fisionomia de seus ouvintes tomou uma expressão de incredulidade espantada. O quê? As pobres crianças não tinham o direito de se divertir? Não podiam acreditar.
- E até mesmo os adolescenes – dizia D.I.C. –, os adolescentes como os senhores...
- Não é possível!
- Salvo um pouco de auto-erotismo de homossexualidade, às escondidas... absolutamente nada.
- Nada?
- Na maioria dos casos até terem mais de vinte anos. (o livro foi escrito em 1930)
- Vinte anos? – ecoaram os estudantes, num ruidoso coro de cetismo.
- Vinte anos – repetiu o Diretor. – Eu os preveni de que achariam isso incrível.
- Mas, então, o que acontecia? – perguntaram. – Quais eram os resultados?
- Os resultados eram terríveis. – Uma voz profunda e vibrante interpôs-se no diálogo, sobressaltando-os.
(...)
- Terríveis – replicou.”
Admirável Mundo Novo, cap. 3


Isso escrito em 1930, e hoje: O que diríamos disso? É comum, talvez a maioria, dos adolescentes de hoje, com 12 ou 13 anos, já iniciaram sua vida sexual, e suas ‘brincadeiras eróticas’. E a tendência é diminuir a idade ainda mais. Ao mesmo tempo, que as baladas, o ‘fica-fica’ do dia-dia entre os jovens, está cada vez mais comum, um tipo de atitude semelhante a essa perspectiva do autor, sexo sem compromisso, tudo apenas como uma ‘diversão’, está se tornando normal. Enquanto, que já está crescendo o número dos que ‘riem’, dos adolescentes, que não fazem, ou dos que só depois dos 20, ou depois de casar.

Como já dizia a Biblia, no fim dos tempos, o mundo seria como Sodoma e Gomorra. Disso, para pior. O que há 70 anos era ficção e utopia, hoje já é, em grande parte, realidade. A próxima geração que aguarde.


Apenas para deixar o gostinho:
O livro previu o surgimento da música sintética, a música eletrônica, de produtos tecnológicos que produziriam cheiros, paisagens e cores, no interiores de casas, prédios, quartos...

12 novembro 2011

Música, por Platão

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Lendo "A República" de Platão, estou. Livro simplesmente incrivel, extraordináio! Que mente tinha Platão. Alguns, preconceituosos, que normalmente não leram, não conhecem a obra desse filósofo grego, logo tendem a criticar. Mas é incrivel. Tanto a arte do método platônico, de como construir e desconstruir os argumentos, como, sobretudo, suas idéias de como formar uma "Cidade" ideal, vamos assim dizer.

Bem, para desenvolver essa ideia, tudo surgiu da questão "O que é a justiça?" Sim, assim inicia o dialogo socrático. E questionando sobre o que é a Justiça, veio então a idéia que a justiça é a vontade, desejo, intenção do mais forte. Mas logo, Sócrates destruiu esse argumento, pois chegava em contradições. Até que então, no Livro II, Gláucon, lança um desafio ainda maior. Que a injustiça é mais justa por suas vantagens, para a pessoa. E o que o temor do injusto, é na verdade, ser capturado pela justiça, qual o impede de ser injusto, e assim alcançar todos os proveitos que se imaginar. É um argumento incrível, na verdade, são muitas páginas de argumento, que parece deixar Sócrates sem saída alguma. Nos lembra muito aquele salmo em que Davi lamenta, no 73, ao ver que os ímpios eram os que mais prosperavam. Mas é bem mais sólido, profundo, confesso que o argumento dele até mesmo me fez arregalar os olhos e baforar: "Nossa!".

Bem, mas ai Sócrates não busca desconstruir o argumento, mas construir o dele, de que o melhor modo é construir uma sociedade, uma cidade justa, que pense no melhor do conjunto, de todos. E assim não do individuo, não para um se dar bem e ser feliz, mas para todos fazerem uma cidade tão boa, tão ideal, tão justo, que por fim, todos, em sua medida vão compartilhar da felicidade desta. Não é uma construção pensando no individuo, mas na comunidade.

E aí, para isso, vai construindo desde o inicio, do inicio mesmo. Chegando até mesmo a ter a idéia de uma pequena comunidade, onde apenas vivem para a autosobrevivencia, semelhante a uma tribo. E além disso, então temos a ideia de uma Cidade Luxo, segundo Platão, e ai começa a desenvolver as idéias dos oficios desta cidade, e por ai vai, e o número minimo de cidadãos. Até que então chega na questão dos Guardiões (praticamente, os soldados), que é onde desenvolve seu grande foco. Bem, não vou aqui tentar fazer um resumo sobre isso. Mas nisto, Sócrates passa por diversas questões, desde a medicina, até a arte, literatura, alimentação, governo, educação. E por aí vai.

No inicio do Livro IV, Adimanto interpôs o discurso de Sócrates, dizendo que este tipo de guardião, qual Sócrates fala, é o mais infeliz dos homens, pois não pode ter nem conseguir vantagem nem prazer algum na vida, mas apenas vive com as condições minimas necessárias, apenas o que é indispensável, para viver para servir a cidade, protegê-la.

Bem, então Sócrates/Platão, solta esta pérola:

"- Na verdade, meu bom Adimanto, pode parecer que prescrições são muitas bastante pesadas; mas todas são realmente de pouca importância contanto que se observe, de acordo com o ditado, aquela única grande coisa que eu, de minha parte, não chamaria grande, mas suficiente para os nossos fins.
- E qual é ela? - perguntou.
- A educação e a criação. (...)
(...)
- Resumindo, então: este é o ponto em que deve concentrar-se acima de tudo a atenção de nossos governantes - que a música e a ginástica sejam preservadas em sua forma original, sem que haja inovações. Devem fazer o possível para mantê-las intatas e sentir medo quando alguém diz:

A todos os cantos preferem os homens
O que brota mais novo dos lábios dos cantores;

não vos perguntara acreditar os cidadãos que o poeta fale, não já de cantos novos, mas de um estilo novo de canto, e o celebrem por isso; pois não se deve celebrar tal coisa nem fazer semelhante suposição. Toda inovação musical é prenhe de perigos para a cidade inteira e faz-se mister proibi-la. Assim o assevera Damon, e eu o creio: diz ele, com efeito, que não se pode alterar os modos musicais sem alterar ao mesmo tempo as leis fundamentais do Estado.

- Inclui-me a mim também entre os convencidos - disse Adimanto.
- Portanto - continuei -, é no campo da música que nossos guardiães devem assentar os alicerces de sua fortaleza.
- Sim, pois é aí que a ilegalidade se insinua mais facilmente, sem ser percebida.
- Isso mesmo - respondi -, sob a forma de recreação, à primeira vista inofensiva.
- Nem a princípio causa dano algum - disse ele. - Mas esse espírito de licença, depois de encontrar um abrigo, vai-se introduzindo imperceptivelmente nos usos e costumes; e dali passa, já fortalecido, para os contratos entre os cidadãos, e após os contratos invade as leis e constituições, com a maior impudência, até que por fim, ó Sócrates, transforma toda a vida privada e pública.
-Será mesmo assim? - perguntei.
- É o que me parece - retrucou ele.
- De modo que, como dizíamos, nossos meninos devem ser educados desde o começo dentro de um sistema mais rigoroso, já que, se nem eles nem os seus jogos se atêm a certas normas, é impossível que, ao crescerem, se façam varões justos e operosos."

Platão, A República, Livro IV

Bem, durante o pouvo que li do livro, 1/3 aproximadamente, Platão já transcorreu muito sobre a música. É incrivel a observação dele. Isto mesmo, para uma época em que consideramos ainda como a música estando no berço. A escala pitagórica, mal tinha saído do forno e já temos isto. Algumas considerações são claramente bem questionáveis. Mas Platão liga música com a Educação. É como se A MÚSICA É O PRINCIPAL MEIO pelo qual ocorre um processo educativo. E de modo que tem um impacto incrível sobre as crianças, de modo a influenciá-las pelo resto de suas vidas. É também o principal meio, para ensiná-las sobre a religião, sobre o senso de justiça, sobre a comunidade, a cultura. E nisto, Platão critica muito Homero, pois em suas obras artísticas (poesias que eram cantadas, e assim gravadas), que falavam erroneamente sobre a divindade (em sua mitologia grega). Platão questiona o modo como os deuses eram tratados, e então Platão fala que essas alegações teologicas deles eram as MAIORES MENTIRAS EXISTENTES, a que pode CAUSAR OS MAIORES MALES a sociedade e a pessoa, em sua formação, sobretudo quando em idade mais tenra, que é a de mentir sobre a divindade; atribuir a eles idéias, estórias, fantasias, coisas ruins entre tantos outros. E que isto deveria ser totalmente combatido, eliminado da Educação.

....

Bem, o texto do Platão é bem claro, de como, a música, sutilmente vai transformando, corrompendo as pessoas, nos seus hábitos, pensamentos, costumes, e assim, também, no médio e longo prazo, tambem trazendo estes processos para a sociedade, o Estado, até mesmo as Leis e a Constituição.

E isso me fez pensar. Vamos retomar um pouco a História da Música. E podemos lembrar, como um grande marco, ao  meu ver, as valsas, a Familia Strauss, Johann Strauss (o pai da valsa). Bem, ela entrou sutilmente, e em pouco tempo, tinhamos bailes e festas a noite toda, e a burguesia dançando a madrugada inteira, nessas festas; de modo que chegou, num ponto, em que a a cidade decretou uma Lei proibindo-a (não lembro se totalmente, ou apenas a noite), pois dizendo que era um perigo, um male para a saúde das pessoas; pois as encava a ficar dançando a noite inteira. Ai depois, de destaque temos ao mesmo tempo a decadencia da música sacra, temos os sucessos das óperas de Richard Wagner; que introduziu, de certo modo, que ficou extremamente, claro no desenvolver do Romanticos, e fincou cravado no modernismo, um forte apelo a música que excita. Sim, em Malher pelo menos, temos que sentir cada vértebra e costelas do nosso corpo vibrar, a música tem quase que nos deixar em transe, incrivelmente impressionados. Ai no Modernismo, temos fortemente, a entrada do Blus, Jazz, tudo, foi indo sutilmente, e de repente, tinhamos Rock Roll, e por ai vai. O qual ninguem nega, que foi uma das maiores transformações e influencias pelo qual o mundo, sobretudo o Ocidente passou, que coincidiu com a Revolução Cultural, uma tentativa anarquista de por um cheque-mate na religião cristã, sobretudo a protestante, que fortemente predominava nesses países cristãos.

Bem, outro exemplo, podemos pensar aqui no Brasil. Sobretudo na década de 90, qual vivi. Eu pude contemplar claramente a música mudando tudo. Desde o inicio do Mamonas Assassinas que foi uma forte influencia, junto ao Axé, lembro até hoje da música, que mais marcou o inicio de uma grande mudança: "Vai descendo na boquinha da garrafa", e umas mulheres ultra-gostosas semi-nuas 'dançando'. No inicio um enorme vexame. Mas aos poucos isso foi penetrando, junto com outras coisas; sempre com a forte carga e apoio das músicas. Agora vendo melhor, NÃO EXISTIA MÚSICA, ESTILO MUSICAL para fazer oposição. Praticamente, tudo que era antigo, foi deixado para trás, censurado. Foi praticamente o que Platão queria fazer com o Homero, só que agora, no caso oposto, Homero censurou Platão. Bem, e ai hoje temos o que temos. Uma sociedade cada vez mais voltada em função das baladas, do sexualismo, da pornografia, do erotismo, da sensualidade, do dançar agarradinho, do mostrar 'o corpo'. E por ai vai, além da curtição da bebida e tals. Bem, conheço muitos, talvez a maioria dos jovens, hoje, vivem em função de beber, paquerar, balada, sexo, nos fins de semana e feriados. E a nova geração então, bem, vai ver como é a turminha hoje dos 10 - 16 anos, exatamente a mesma coisa. Bem, imagine a próxima geração. Além disso, temos visto junto a isso, a essas transformações musicais, a midia, entre tudo mais, trazendo uma idéia cada vez menos séria sobre a vida e a moral, é tudo questão de curtição. E os programas de humor negro e baixaria prosperaram na TV como mofo em um quarto umido fechado. E junto a isso, começamos a ter um forte movimento Homossexual, de modo, a que chegamos ter o absurdo de um "casamento" gay. (ou seja, a palavra casamento perdeu totalmente sua conotação original), e agora, estamos tentando até mesmo um movimento pro uso da Maconha (fortemente defendido pelos Fefeletianos da USP). E as Leis do pais vão indo nesse sentido. Vão se modificando, em primeira instancia, a permitir todas estas e coisas. E em segunda, a educar as novas gerações a 'aceitar', 'conviver', e 'viver' com isso.

Ironicamente. POuco antes, no final do livro III, Sócrates, diz que é preciso testar os guardiões, para ver se são realmente justos e tudo mais, se vivem de acordo, se não se caem em suas ambições, tentações, desejos carnais, entre tantos outros. Pois estes, os guardiões, tinham que ser plenamente infalíveis, sem uma mancha de erro, o culpa. Nós diríamos, isto é um absurdo. Mas segundo Platão, é porque a Educação feita a eles foi falha, e não como a da cidade que ele está desenvolvendo, imaginando (e para isso, esses guardiões, nunca poderiam ter tido o contato com este tipo de música). Bem. Mas ai, Platão, diz que também seria preciso testá-los num grande tipo de mentira, num grande tipo de engano. Uma mentira extremamente absurda. Mas que ninguem acreditaria. O próprio Glaucon disse isso. "Como seria possível alguem acreditar numa mentira dessas?" E no caso, era algo sobre a origem deles, que as pessoas viveram aprisionadas a juventude inteira na terra (solo, chão)... E aí, desenvolvendo a idéia, Sócrates diz que ninguem acreditaria. Mas bastava jogar a idéia, falar dela, e as vozes do povo se encarregaria de começar a espalhar ela essa mentira. Talvez ninguem acreditaria. Mas seria possível, de que a proxima geração fosse educada ouvindo essa mentira, e assim, sucessivamente, chegaria uma geração, que para elas essa mentira seria verdade, alias, teriam a plena confiança de que tal era o verdadeiro fato. E bem, segundo Platão, esta seria uma prova máxima aos guardiões, mas que não teria como fazê-lo. A menos que tais pudessem viver por várias gerações, sei lá.

E ai temos a grande ironia, de que este mesmo processo, veio ocorrendo no mundo. Através da música. Veja as transformações que a música fez na cultura e tudo mais nos últimos anos e décadas. Se há não muitas décadas atrás, tinhamos uma grande predominancia de forte poder e convicção cristã no Ocidente, e muitas leis morais, comportamentais, tradições. Bem, e ai temos, uma grande mudança, que não preciso relatar. A grande mentira, segundo Platão, que apenas sutilmente, de geração em geração, poderia ocorrer, de fato, ocorreu. Fomos pegos! Mesmo Platão nos avisando, há milênios!

Agora, mais incrivel ainda é quando pensamos na introdução do Senhor dos Anéis de Tolkien, que seria o Simarilion. A batalha música, vamos assim dizer, dos valar, com Eru. Bem, e ai temos a consideração, cristã, biblica, sobretudo de Ellen G. White, sobre como Satanás, através da música, sutilmente conseguiu se instalar nas igrejas, e causar grandes dominios e males, com sutis enganos; transformou a cultura, os modos, as tradições e tudo mais.

Bem mais irônico ainda. É que Platão, milênios atrás. Nos primódios da música, já conseguia refletir e pensar sobre a música em aspectos, que hoje, pessoas que se dizem instruidas, e de alta capacidade mental, intelectuais, e musicistas, não conseguem perceber. E acham que é tudo "bobeira". Bem, só me dizem uma coisa, "como hoje chegamos a ter esses funks, que classico como 'música pornográfica'"? E por aí vai.

É só para constatar que Platão, já havia predito, algo que mudou nosso mundo, e de certo modo, 99% das pessoas não se deram conta, e não dão a minima: "A música.": "Toda inovação musical preenche de perigos a cidade inteira."