27 dezembro 2012

Observação e Interpretação

0 comentários
Poucas leituras me influenciaram tanto quanto a obra "Observação e Interpretação" do grande pensador Norwood Russell Hanson, mais conhecido por Hanson. Nelo nos deparamos como um impactante questionamento que nos tira o sono de modo que somos - sem saída - ter que concordar com ele:

"Existe olhar antes de intepretar?"

Em outras palavras: "Existe observação antes da interpretação?" Isto pode parecer algo como falar de coisas sem importância. Todavia, isto importa TUDO; pois afeta todo o ser humano e nossa compreensão, na perspectiva tanto na CAUSA quanto no EFEITO.

Isto fica mais claro quando olhamos exemplos mais exagerados. Como por exemplo, uma criança de 2 anos e um PhD em Ótica, ambos juntos, no mesmo lugar, na mesma situação, observação uma mesma coisa. No caso estão olhando para um instrumento que solta vários pulsos de feixe de lazer em alguns espelhos que muda sua direção. Bem, é certo que ambos, tanto o cientista quanto a criança estarão observando o mesmo fenômeno físico, mas certamente o bebe não terá a menor noção de que aquilo é um espelho, das propriedades físicas do espelho, do lazer. Possivelmente, para a jovem criança, apenas se tratará de alguma coisa colorida particular que lhe chame a atenção. Enquanto que para o físico  apenas de observar todo o aparato era elaborar muitas questões que nem imaginamos serem possíveis de se pensar. Questões por exemplo, da polidez da superfície do espelho; que tipo de espelho, se é plano, concavo ou convexo, irá pensar sobre a máquina que gerou o lazer, a potencia dela, e nível de pureza do lazer, a velocidade, diversas condições, além disso, apenas de olhar o aparato, irá automaticamente, o alinhamento das partículas  de forma subjetiva, começar a raciocinar e tentar deduzir qual o propósito do experimento, o que este está tentando testar ou demonstrar.

Como se pode ver, não se trata apenas de 2 interpretações diferentes, mas, sobretudo de 2 observações diferentes, de um objeto apenas (físico, estrutural, metafisico e transcendentalmente falando); mas que semanticamente, se trata de 2 objetos diferentes.

Exemplo mais claro disso é o desenho no inicio desse texto. Você poderia me dizer do que se trata tal imagem? Muitos irão olhar primeiro e dirão: "Um coelho"; outros já dirão: "Um pato". Pouco tempo depois, instantes depois, talvez a pessoa irá reconhecer os dois. Ao mesmo tempo, que haverá algumas poucas pessoas que podem acreditar, ter a mais pura fé, de que se trata de uma imagem ambígua  mas por mais que se esforcem, seu sistema nervoso não consegue interpretar a segunda imagem, ou melhor dizendo, NÃO CONSEGUE OBSERVAR o segundo objeto da mesma imagem.

Não vou me estender neste assunto que renderiam boas páginas e livros. Mas aqui destaco 3 coisas:

1. Como que fica as grandes questões tão importantes, na nossa vida, não só coisas produzidas pela ciência, mas por coisas filosóficas ou mesmo religiosas? É extremamente comum vermos pessoas fazendo comentários totalmente absurdos a respeito de pessoas religiosas; por outro lado, do mesmo modo, pessoas religiosas fazendo comentários totalmente absurdos de pessoas não-religiosas - ou sobre crenças distintas. Comparando, ao exemplo anterior, é o bebe querendo criticar as observações do PhD. E quantas vezes nestas discussões, há coisas teológicas envolvidas quais a mera pronuncia como "justificação pela fé", para o PhD é como observar detalhadamente o espelho, e todas as suas características  enquanto que para o outro, não tenha significado algum? Ou seja, muitas vezes, buscamos dialogar/discutir com as pessoas sobre crenças, e usamos de 'imagens' quais apesar de nós termos a capacidade de observá-las, o outro, provavelmente não terá, e o mais certo, ele não verá como nós vemos.



2. Reconhecer este fato imediatamente nos faz ter mais cuidado e atenção quanto a lidar com pessoas, seja no ponto de vista delas, seja no ensino. Exemplo, um professor ao ensinar requer que o aluno reproduza características que este esperaria 'poder observar'. E etc. Este é um ponto crucial em questão a ter paciência com as pessoas, inclusive paciência com nós mesmos. Ninguem nasce Onisciente como Deus, e ninguem nunca será. Com o tempo vamos apreendendo, com o tempo, vamos apreendendo a observar e apreendendo a observar. Observe a figura ao lado. Qual imagem você vê? É comum nesta imagem, a maioria das pessoas verem a garota jovem e ao mesmo tempo possuem dificuldade de ver a velha, já os que observam a velha, ou após conseguirem observar a velha, passam a ter uma tendencia natural a sempre verem a velha e terem que fazer um certo 'esforço' para verem a moça. Ou seja, temos que ter paciência com as pessoas, e sempre buscar novas maneiras de mostrar-lhes sentido, fazê-los conseguir observar o que vemos e nós o que eles vêem. Isto pode exigir muitos testes, não foi inventado/descoberto nenhuma regra universal até hoje de metodologia - Platão dizia que não existia. -. Ou seja, pode demorar muito tempo e os resultados nunca serem os esperados. Mas ao mesmo tempo, temos que ter humildade e reconhecer que estamos na mesma situação, pois para diversas coisas não temos a observação, interpretação e compreensão que outros possuem, e estamos no mesmo caminho de cada vez descobrir, poder ver melhor a verdade; o que não podemos, é desistir, e parar no meio do caminho. Pois temos, um mundo infinito para se ver a nossa frente, e quando deixamos de apreender, deixamos de ver, estamos dizendo adeus para coisas que nunca vimos, sentimentos que nunca sentimos, sons que nunca ouvimos, idéias quais ainda não se inventaram palavras para descrever. Eis o mundo das idéias, mundo das palavras que está ali, trancado, e a cada dia nos perguntando "Trouxeste a chave?", mas para cada dia, apenas conseguimos obter 1 palavra diferente.


3. Reaprender. Há alguma música, algum livro, alguma conversa, história, lugar, que você sempre gosta de re-experimentar? Diga-me, quantas vezes teve impressões diferentes, observações diferentes, conseguiu verificar algo que antes não percebia? Ou melhor ainda dizendo, já teve a impressão de sempre que lia o livro, se tratava de um livro novo? Segundo Hanson, é um sistema cíclico  quais nossos sentidos vão interagindo com os objetos, as coisas sensíveis, vamos a cada passo a cada nova capacidade de interpretar, observando novas coisas, e a partir de tais, vão se gerando juízos, razões, interpretações, conceitos, e estes, por si, formam de 'base', 'suporte', um 'novo alicerce', um 'óculos' com qual podemos fazer novas observações, mesmo que da mesma coisa/figura/objeto. Se não está convencido disso, olhe as imagens ao lado. Talvez, você mesmo julgue "imagens matemáticas", "figuras geométricas". Bem, observe o quanto de 'interpretação, de base' já não está carregado este julgamento?! Agora, faça a experiencia de de mostrar tais imagens para diversas pessoas, de todas as idades, de todos os níveis de escolaridade, e diga para elas anotar num papel como elas descrevem tais. Pergunte para pessoas que nunca teve aula de matemática na vida. E depois compare as respostas, irá se surpreender. Com o tempo, com nossas experiencias, com nossas observações, com nossas interpretações, com os nossos estudos, cursos, e etc, tudo o que já se passou por nossa mente, nos dá uma visão (um 'óculos' - digamos assim) estritamente ÚNICO, seja o que vemos, seja o que interpretamos. Mas isto não para, ou melhor dizendo, não deveria parar. Mas com o tempo tudo vai se alterando, nossas capacidades vão ou melhorando, acurando, ou deteriorando e atrofiando (se não a praticamos - como já dizia Salomão: "Aquele que para de apreender, esquece o que já sabe.", algum verso do livro de Provérbios). Por fim, com o tempo, releia os livros, refaça seus caminhos, reouça as suas músicas, reanalise a sua filosofia de vida, aquilo que você crê, estude novamente as crenças da sua religião, reveja os amigos, reveja os lugares... e assim, cada vez mais sua mente irá se expandir e conhecer cada vez um Universo mais amplo de imagens e idéias quais nunca sonhou existirem. Por outro lado, cuidado, cuidado para não EMPACAR, e deixar de progredir, pois o mesmo, é regredir. É comum as vezes se deparar com pessoas que dizem 'ah! Já li esse livro!" ou até mesmo entre cristãos "já li esse verso ou história da Bíblia", como que isso fosse uma 'desculpa' para não reler. Todavia, os que estão sempre apreendendo, vendo novos horizontes, novas idéias, novas imagens, estão sempre relendo, se associando ao próximo em busca de compreensão e tentar compreender, e cada vez é como uma experiência inédita, novas observações, novas interpretações. Cuidado para não se sedentarizar naquilo que te ensinaram até terminar a sua faculdade, ou em outras áreas do saber e da vida. Busque desenvolver todas as faculdades físicas e mentais ao máximo.


Extra
Gostamos daquilo que conhecemos. Não digo que gostamos de bosta de carneiro se conhecemos bem isso. Mas gostamos do conhecimento. Gostamos daquilo que conseguimos ver. GOSTAMOS DE RECONHECER QUE VEMOS! E sobretudo, GOSTAMOS DE RECONHECER QUE AGORA ENXERGAMOS ALGO QUE ANTES NÃO ENXERGÁVAMOS.

Um exemplo muito claro disso para mim foi na música. Quando entrei no Coral nos meus 16 anos, a pessoa que nos ensaiava batia uma nota no piano, cantava uma silaba... a fim que reproduzíssemos vocalmente. Mas aquilo não significava nada para mim. Não compreendia aquele som. Não conseguia vê-lo. Muito menos, reproduzir com a minha voz. Pois era como desenhar às cegas. Mas com o tempo, pegava isto facilmente, inclusive conseguia reparar alturas de notas diferentes numa harmonia. Passou o tempo e com 21 anos, apreendi a ler partitura! Como é maravilhoso quando nos tornamos alfabetizados na música, poder ler música! É como um novo mundo diferente do de saber ler um idioma. Depois de alguns anos, apenas de ouvir uma música, eu conseguia identificar a  "fórmula de compasso" (aliás, você repara que a maaaaaaioria das músicas são 4/4) apenas de ouvido; músicas que antes ouvia, mas nem imaginava. Depois, comecei a reparar mais no timbre dos instrumentos. Há mais de 6 anos toco trompete, e hoje basta ouvir uma música que consigo saber se há ali um trompete no meio, mesmo que fazendo um ppp, ou ainda, ter uma noção do tipo de instrumento que está usando, a afinação do instrumento, ou de numeração de bocal, ou da articulação na língua usada pelo tocador, ou notas que ele errou, ou engasgou. Já a mesma capacidade de observar, eu já não tenho para um oboé.

E como eu disse, quando mais conhecemos, mais nossa visão se expande, mais gostamos de enxergar e de reconhecer que vemos, logo, com isto, MUITO MAIS NÓS REPARAMOS. Daí surgem os famosos 'críticos' (não as pessoas malvadas), mas aqueles que se tornam referências na análise de livros, de uma história, de detalhes de um filme, de trilha sonora, de áudio  um especialista. Um especialista é um critico (alias fazemos faculdade para nos tornarmos um) e que acima de tudo sabe criticar a própria obra. Uma pessoa que é dentista há 30 anos, com certeza, toda vez que vê alguém tem uma tendencia e DESEJO de olhar e reparar nos dentes das pessoas e automaticamente tira várias conclusões e julgamentos: se está com tártaro  ou se está bem alinhado os dentes, a coloração, a gengiva etc. Um cirurgião bucomaxilo-facial certamente quando olha uma pessoa repara no seu rosto, na estrutura óssea  no queixo se possui prognatismo ou astigmatismo (eu que fui um paciente, me envolvi tanto com isso, que eu mesmo reparo isso em todos, e alguns até deduzo que provavelmente precisa de um tratamento cirúrgico , se tem assimetria facial, se o céu da boca é fechado etc. E assim vai... da mesma maneira um psicologo ao olhar para uma pessoa, deve reparar no estado emocional dela e já pensando os possíveis traumas que teve na vida e possíveis tratamentos, ou palavras para lhe dizer. Se você repara em muitas coisas, e cada vez repara mais! Isto é uma boa notícia. Mas não pare por aí. Agora se você não repara em quase nada, ou sempre a mesma coisa, cuidado, provavelmente está empacado e atrofiando. Mais perigoso ainda, é quando você se sente tão incapacidade de propor e reparar algo, que a única coisa que consegue é ser um 'passivo' e, normalmente, estes, acabam sendo fantoches da TV, cinema, vídeos, músicas, que apenas veem o que outros decidiram o que ele tem que ver, e pensa apenas o que estes lhe disseram para pensar. Mas possuem medo da palavra analisar, tirar as próprias conclusões, de tão atrofiadas que estão nisso.

Por fim, lembro-vos que quando se trata da capacidade de observação e interpretação do caráter, do coração, das intenções; nada equivale ao estudo da Palavra de Deus:

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." Hebreus 4:12




08 dezembro 2012

Notebook Superaquecimento

0 comentários
Tenho um notebook Dell Inspirion 1525, de 2007. Muito bom por sinal. Não são de games, mas para o resto, dá conta do trabalho. Bem, confesso que nunca abri ele para limpar. Mas já há uns 2 ano estava tendo um problema de muito aquecimento, do tipo de queimar as pernas, ou os dedos que ficam no teclado. Mas fui indo. E progressivamente, a coisa foi piorando, inclusive perdendo o desempenho de processamento.

Nos últimos meses a situação ficou mais preta, o desempenho caiu muito. Tentei de tudo, limpeza nos arquivos, registros, desfragmentar, remover arquivos duplicados, limpar cache. E nada resolvia. E bastava ligar o computador para o cooler ficar na velocidade máxima, sempre parecendo estar aquela turbina de avião. E começou a desligar repentinamente (recurso de proteção do computador para não queimar o processador ou componentes).

Bem, resolvi então abrir o notebook para fazer a manutenção. Primeiramente, comprei um conjunto de chaves pequenas, pois não tinha. Gastei 30 reais na Santa Ifigenia (detalhe, sendo que apenas precisava de um número de chave do tipo + (conhecido por 'philipis'), ou seja, poderia ter comprado apenas a chave especifica, e ter gasto uns 2 reais.

Antes, usei o software SpeedFan para verificar a medição dos processadores. E eles estavam, tipo apenas de ligar o computador, sem rodar nada, com wi-fi desligado, estava em 59 - 63ºC. E bastava fazer qualquer coisa, como abrir o navegador, que já disparava para 67-69ºC. Se colocava algum video no youtube, ou abria algum software de edição ou do office, subia para 70 - 80ºC. Mas em geral, depois de um pouco de tempo neste nível, o computador desligava sozinho. E nisto, tambem, o cooler estava no máximo, modo turbina de avião!

Ao abrir o computador, não observei nada demais. Então tive que soltar os parafusos do aparato de refrigeração do processador e do processador da placa mãe, que ficam ligados por uma peça de cobre que vai até o dissipador de calor, no canto, do lado do cooler. Ao removê-lo, observei a primeira coisa surpreendente.


Sim! Havia uma placa, uma verdadeira camada de poeira na saída de ar do cooler para o dissipador de calor.


Ao remover, mais surpresa ainda! Era um verdadeiro estofado de poeira! Tinha aproximadamente 1cm de largura.


Ao remover o aparato, ele está ligado diretamente ao núcleo do processador. E também já notei outra coisa: A pasta térmica estava totamente irregular, estava dura, ressecada. E a parte superior do processador, muito estranha, como se estivesse trincado, muito estranho, e meio escura, pensei que havia queimado até. Infelizmente, não tinha uma outra pasta térmica e coloquei assim mesmo.

Liguei o computador novamente, e agora sim. Estava silencioso! Silencioso como há anos não ouvia. Era como um novo. Não ouvia nada! O cooler parecia nem estar funcionando. Mas logo que entrei no Windows e executei o SpeedFan, ele apontou que a temperatura do processador estava ainda pior, já estava em torno de 68 - 75 graus. E poucos segundos depois, o computador desligou sozinho. E eu imediatamente pensei que havia queimado o processador. Esperei um pouco e liguei, e começou a fazer o boot do Windows, então desliguei o computador, já tranquilo que não havia queimado, mas logo conclui que o problema era a pasta térmica.

No dia seguinte adquiri uma pasta térmica de prata (R$ 28), coloquei no processador. E então, tive um espanto! A velocidade do computador melhorou muito! Ele nem mais ficava tipo "pensando" como se diz, tanto no boot do windows. Melhorou muito o desempenho! Como havia esquecido que ele era capaz. Abri o SpeedFan e então para a minha surpresa a temperatura agura fica entre 45-50 ºC, de vez em quando, chegou a dar um pico de 55ºC. Mas com vários navegadores, páginas abertas, com um programa de música (Sibelius) aberto, ouvindo música no youtube, com wi-fi, o que anteriormente, estaria na casa dos 65º, agora está totalmente estável nos 47ºC, com um processamento muito bom, rápido, sem travações. E o computador não desligou mais. E tudo isso, com o cooler silencioso de tudo.

Uma boa lição para fazermos a limpeza periódica em nossos computadores.


Para saber, como abrir seu notebook e fazer tal limpeza, procure no youtube, há vários vídeos, encontrei vários vídeos para o modelo do meu, certamente haverá um vídeo para o modelo do seu. nada contra, as empresas de manutenção, mas é um absurdo o preço que eles cobram, para algum tão simples que podemos fazer em casa, apenas tomando cuidado com as peças, aterramento e saber colocar uma pasta térmica num processador. A limpeza toda, após descobrir como que abria o note, e que peça tinha que mexer, não levou nem 20 minutos, isso que ainda lavei e sequei com secador os dissipador de ar.

01 dezembro 2012

A Procura da Felicidade

0 comentários

"Todos os homens, caro Galião, querem viver felizes, mas, para descobrir o que torna a vida feliz, vai-se tentando, pois não é fácil alcançar a felicidade, uma vez que quanto mais a procuramos mais dela nos afastamos. Podemos nos enganar no caminho, tomar a direção errada; quanto maior a pressa, maior a distância.

Devemos determinar, por isso, em primeiro lugar, o que desejamos e, em seguida, por onde podemos avançar mais rapidamente nesse sentido. (...) No entanto, se perambulamos daqui para lá sem seguir outro guia senão os rumores e os chamados discordantes que nos levam a vários lugares, nossa curta vida se consumirá em erros, ainda que trabalhamos dia e noite para melhoro nosso espírito.

Devemos decidir, por conseguinte, para onde vamos nos dirigir e por onde, não sem a ajuda de algum homem sábio que haja explorado o caminho pelo qual avançamos. (...) Quanto mais frequentado e mais conhecido que seja o trajeto, maior é o risco de ficar à deriva. Nada é mais importante, portanto, que não seguir como ovelhas o rebanho dos que nos precederam, indo assim não aonde querem que se vá, senão aonde se deseja ir.

E, certamente, nada é pior do que nos acomodarmos ao clamor da maioria, convencidos de que o melhor é aquilo a que todos se submetem, considerar bons os exemplos numerosos e não viver racionalmente, mas sim por imitação. (...)

(...)

É prejudicial, portanto, apegar-se aos que estão à tua frente, ainda mais quando cada um prefere crer em lugar de julgar por si mesmo, deixando de emitir juízo próprio sobre a vida. Por isso, adota-se, quase sempre, a postura alheia. Assim, o equívoco, passando de mão em mão, acabou por nos prejudicar.

(...) A saída é nos separarmos da massa e ficarmos a salvo. Mas agora as pessoas entram em conflito com a razão em defesa de sua própria desgraça.” 

Sêneca, Da Felicidade


21 novembro 2012

Mononucleose

5 comentários
Mononucleose, mais popularmente conhecido por "doença do beijo". Uma virose provocada pelo Epstein-Barr. Uma doença para o qual não foi produzido um remédio para tratá-la, nem mesmo está entre o leque de doenças para quais somos vacinados. Isto porque o é um vírus 'benigno', ou seja, que mesmo após infectar não causa danos na pessoa, não é letal. Ele vem e passa. Além disso, a maioria das crianças são infectadas pelo virus e rapidamente o sistema imunológico delas lidam com o vírus, sendo que muitos, assintomaticamente, enquanto outras apenas um leve quadro de virose que em poucos dias passa, e, assim, criam imunidade para o resto da vida.

Ah! Os adultos. Estes sim são um problema quando são infectados pelo vírus. Pois muitos deles, devido a baixa imunidade, ou, sobretudo, ao stress físico, o vírus ao infectar causa um bom estrago. E neste caso, eu fui um dos contaminados.

Inicio dos sintomas: 24/11

1º Dia: Senti uma absurda moleza no corpo. Mas não me impediu de ir na academia fazer um pouco de exercícios.

2º Dia: A moleza veio junto com uma fraqueza e muita dor muscular no corpo, como quando pegamos uma forte gripe com febre, mas não tive febre. Com dor no globo ocular esquerdo. Surgem algumas poucas e leves manhas vermelhas na região abdominal (rash cutâneo), junto com um inchaço das glandulas no pescoço, sobretudo uma ingua grande e dolorida do lado esquerdo.

3º Dia: A dor muscular melhorou levemente, mas tive febre durante a noite chegando a 37.6ºC.

4º Dia: Um sábado. Tive febre de 38.2ºC pela noite. Vou ao médico. Faço exame de sangue e urina, com forte suspeita de Dengue, fazem a sorologia para dengue. Os exames nada apontam, tudo normal, e a sorologia para dengue, negativa. A médica manda repousar, me receita apenas um remédio para dor muscular e tylenol para febre, e aguardar.

5º Dia: A dor diminui, a dor no globo ocular some. Por outro lado a febre aumenta, ficando o dia inteiro com febre de 38.6ºC, mesmo tomando paracetanol, não caia para menos de 38. E também passei a ter muita sensibilidade a luz (fotofobia).

6º Dia: Volto ao médico. Aparece fibrina, um pouco de pus nas amígdalas, mesmo não sentindo dor ou qualquer incomodo na garganta. A médica imediatamente suspeita de Mononucleose, me dá atestado para ficar de repouso até quarta-feira, para continuar com a medicação, e ao mesmo tempo, tomar um antibiótico de amoxicilina e um anti-inflamatório a base de neomicina. Neste dia começo a perceber que meu baço e figado estavam um pouco inchados, e até mesmo incomodando para fazer movimentos que exprimissem eles, assim como dormir de barriga para baixo.

Nos demais dias, continuei da mesma maneira, em repouso, até me senti levemente melhor.

8º Dia: A pedido da médica voltei ao consultório. Ela me examinou e descartou a suspeita de Mononucleose, pois a Amoxicilina era para ter dado uma reação de ter criado manchas vermelhas (rash cutaneo) generalizada por todo o corpo. E ao mesmo tempo, minha garganta ficou ainda mais inflamada e com mais pus, mesmo eu não sentindo incomodo algum nela. E diagnosticou uma amigdalite. E para pegar mais 2 dias de repouso.

10º Dia: Uma sexta-feira, me sentindo melhor, vou para o trabalho, em São Paulo. Todavia, após o almoço, comecei a me sentir muito fraco e cansado, querendo ir logo para casa. E na volta, sou surpreendido por um forte Rush, qual fico muito tempo em pé em filas, no metro, trem, muito apertado, abafado, e também em Santo André, espero por 20 minutos um onibus, qual ainda tive a sorte de conseguir sentar, mas que demorou, devido ao transito, 40min. para chegar em casa. E este stress da volta me causou um cansaço, fraqueza, moleza absurdo. Me senti lá embaixo novamente. Cheguei em casa e fiquei deitado.

11º Dia: Ainda com febre a noite, tendo em torno de 38.6ºC, decido voltar ao médico. Ao regressar, novamente mais exames. E após os exames, 2 médicas me examinam minuciosamente, dando mais atenção ao meu baço e figado. Pois meu exame acusou muitas anomalias, como os "itens" (digamos assim) do Figado, estavam todos absurdamente muito elevado, muito acima do normal, e também, com um número em torno de o dobro acima do máximo normal de linfócitos, na contagem. Eles então suspeitam que estava com alguma hepatite e me internam, fazendo sorologia para mononucleose e outras doenças.

Na internação passo a tomar antibiótico (Rocefin) devido a suspeita de poder ser uma bacteriose. E inicialmente, sou internado com uma Amigadalite Aguda com adenomegalia com aumento da transaminase. Quanto ao figado, a maior preocupação, era por ter uma hepatite trans-infeciosa, causada pela própria infecção, mas que conforme a infecção regredisse a infecção no figado também. Mas que tinham que observar isso com mais cuidado, por isso a internação.

13º Dia: A partir do segundo dia de internação, comecei a sofrer muito com secreção como que uma corisa interna, e ao mesmo tempo, muito catarro. Era muita secreção, não parava por um minuto sequer. Tinha que ficar andando com uma toalha onde ficava babando e escarrando, sobretudo para dormir, deixar a boca aberta deixando fluir, e mesmo assim, acordava várias vezes engasgando. Também comecei a ter muita nausea e crises de vômitos, principalmente a noite. E com isso, comecei a tomar remédios para o estomago e para nausea.

No decorrer dos dias, meu estado foi se agravando, sobretudo a garganta, que entre o 13º - 16º dia tive o PICO da doença. Tive infecções secundárias: Faringite e Traqueobronquite. Saia até sangue com o catarro. Minha garganta ficou tão inflamada que as amigdalas quase fechavam totalmente a garganta, de modo que tinha dificuldade até para respirar, para dormir eu roncava. A dor na garganta era absurdamente forte, não suportava nem beber água, de modo que fiquei esses dias sem comer, apenas gelatina, era algo que ainda conseguia tomar. E então o hospital começou a me servir 2 unidades de suplemento 120ml todos os dias, quais, com muito sacrificio eu tomava. Pois para cada gole, era como cortar minha garganta com uma faca com os dentes todos tortos. Era um absurdo a dor de garganta, que se tornou meu maior incomodo. Apenas um antiinflamatório que tomava de 12 em 12hrs dava uma leve aliviada. Me deram vários remédios para tentar aliviar a dor, inclusive corticóide e um remédio controlado que chamava algo do tipo "ultra-mal"; mas tudo em vão. Foi bem tenso. Todavia, meus exames de sangue apontavam que eu havia chegado no pico da doença, e logo começaria a melhorar. A traqueobronquite foi responsável pela secreção, fiquei com muito catarro no pulmão. E tive que fazer fisioterapia quais eles forçavam minha respiração de modo a fazer a ter uns ataques fulminantes de tosse que me faziam expelir muito catarro, aqueles bem verdes. E também nesta fase, o Rash Cutaneo (manchas vermelhas) espalharam pelo meu corpo inteiro, rosto, pescoço, costas, braços, barriga, pernas, foi generalizado, só não muito nas mãos, canelas e pés, ficaram com uma cor forte as vezes até um roxo. as membranas em torno do olho incharam, ficando com aparência de olho de japonês  Até mesmo para falar tinha dificuldade, e muita dor. Falava muito rouco, baixo, e em geral, permanecia quieto apenas falando o essencial, gesticulando mais do que tentando falar.

Apenas 4 dias depois a sorologia ficou pronta a qual apontou Mononucleose positivo. No 16º dia o Rocefin foi suspenso devido a suspeito de estar provocando uma reação alérgica que inchasse as amigdalas e agravasse tanto as manchas pelo corpo. Mas no dia seguinte, devido há uma suspeita de infecção por bacteriose secundária, de pegar uma infecção hospitalar nos pulmões, passaram a me dar um antibiótico controlado mais forte, o Tazocin.

17º Dia: Finalmente comecei a ter melhoras, apesar de ainda tendo crises de febre, a dor na garganta e inchaço começou a regredir, juntamente com as manchas. E a partir desse dia, foi uma melhora progressiva, em todos os sentidos, parei de ter crises de vomitos.

18º Dia: Consegui voltar a comer e engolir normalmente. E meu quadro clinico teve uma melhora exponencial.

20º Dia: A médica já queria me dar alta hospitalar, mas não podia devido a ter que ainda tomar mais alguns dias de Tazocin.

22º Dia: Finalmente tive alta hospitalar.

Foram 11, quase 12 dias de internação. Perdi quase 5 kg nos dias que quase não comi. Agora ainda devo permanecer por mais alguns dias de repouso, e para ser sincero, ainda sinto moleza, fraqueza. Ainda devo permanecer em abstinencia de atividade fisica até toda essa moleza e fraqueza passarem, o que, segundo a médica, deve levar entre 1 e 2 semanas, para não ter uma recaída imunitária e dar oportunidades para novas infecções, ou para que a que está passando aumente. Ainda tenho um pouco fibrina e infecção na garganta, é possível se ver o pus. Algumas manchas no corpo, mas estão passando. E devo fazer um check-up após sentir que tudo finalmente passou.

Atualização: Voltei a fazer exercicios em torno de 2 semanas após, mas a moleza totalmente só foi passar e eu voltar a me sentir normalmente em torno de 20 dias após alta do hospital. O rash, principalmente nos braços demorou bem mais para sumir, mesmo 2 meses depois há ainda um leve tom de sua presença, mas praticamente imperceptivel.

Minha Dica: Ao contrair os sintomas, a primeira coisa a se fazer é procurar fortalecer seu sistema imunológico com boa alimentação e muito repouso, até mesmo tomar vitamica C e complexo B. Procure seu médico, e se peça um exame sorologico. Todavia, como há muitas doenças com os mesmos sintomas, as vezes é necessário fazer sorologia para todos, o que é um custo maior para o Hospital/Convenio, por isso, pegue no pé e exija.


Rash Cutâneo Pernas (16º Dia)

Fibrina (pus) na amigdala da esquerda (9º Dia - antes da internação e do auge)
No auge, minha garganta eram apenas duas bolas gigantes e uma placa branca que cobria toda sua estenção, com um espaço muito pequeno, que mal passava um comprimido.

07 novembro 2012

Babilônia - Documentário

0 comentários
Sem querer, me deparei com este excelente documentário que trata da História, Arqueologia e Teologia sobre a Babilônia. É bem didático, com muitas imagens, filmagens, inclusive do lugar, de peças arqueológicas, como os tijolos de Babilônia que estão expostos em Berlim. Etc. E ao mesmo tempo, faz ainda de uma maneira muito séria, comparações entre a narração bíblica com a História. Mostrando uma equivalencia precisa. Recomendo.



06 novembro 2012

O Hobbit - O Filme - Grande Expectativa

0 comentários
Em uma ordem mais lógica, "O Hobbit" deveria ter sido visto antes de "O Senhor dos Anéis", pois trata melhor de algumas questões anteriores. Mesmo os 3 longa metragens, foram poucos para falar sobre tantas coisas, idéias, detalhes que encontramos no livro. E, do mesmo modo, acredito que todos os filmes do Hobbit não serão suficiente para tratar completamente todos os detalhes do livro. Pois, a princípio, para se compreender muitas coisas, seriam necessário, ainda anteriormente, "O Simarilion", qual eu não dúvido que seja produzido, todavia, é um livro que exigiria muitos filmes, já que o livro foi escrito, meio que estilo o Canon Biblico, ou seja, Tolkien fez uma extraordinária obra de arte em fazer um livro, como se fosse um recorte de vários outros, muitos, descritos com uma linguagem diferente, em tempos diferentes, com uma visão diferente. Mas por fim, ia construindo a visão do todo.

Adiantando algumas coisas
Em 'O Simarilion', Tolkien fala sobre a origem desse mundo, sobre a origem inclusive de Sauron, que a principio não era mau, mas se tornou o discipulo, servo e escravo de Melkor. E também sobre a origem das árvores, dos eants, dos elfos, dos humanos e dos anões. Os anões que têm grande destaque na obra do Hobbit, junto com os próprios Hobbits, no caso, Bilbo Bolseiro, fora meio que um "erro" sua existência. Segundo a obra. O Ser Supremo (Eru), havia composto uma canção, quais os "valar", ficaram então encarregados de criar o planeta, a vida, e todas essas coisas, inclusive os elfos e humanos. Todavia, não os anões. Primeiro surgiram os elfos. Mas alguns ou um valar (não me recordo quem), não aguentou esperar surgir os humanos, estava muito ansioso; não haviam ainda compreendido muito bem o "tema da música" de Eru, a respeito dos humanos, mas tentou criá-los. Mas ficaram 'deformados', e como uma punição, iriam ficar pequenos, como lembrança de que foram feitos antes da hora, antes do tempo da vontade de Eru; e que ao mesmo tempo, habitariam as profundezas, as cavernas, as montanhas, seriam fanáticos por metais, pela busca de tezouros, metais preciosos, de cavar mais e mais fundo; e que ao mesmo tempo, seriam uma raça que não se entenderia muito bem nem com humanos, nem elfos.

O Hobbit
No livro, há uma longa minicuosa descrição do que seria um Hobbit. Não tanto pelo seu aspecto fisico peculiar, como ser pequeno como um anão, terem pés grandes, serem resistentes, mas ao mesmo tempo fracos. Mas um Hobbit acima de tudo é alguem que zela pela tranquilidade, pela falta de ambição, pelo socego, por NÃO TER UMA VIDA DE AVENTURAS, isto para eles, era o fim do mundo! Eles queriam ficar aqui, no Condado, onde praticamente nasceram, fazendo a mesma atividade agricula de subsistencia simples, pelo resto de suas vidas, com suas festas etc, por gerações. Até que então, surgiu essa demanda, que muda a vida de Bilbo do avesso.

O Livro
O livro em si é bem menos pesado, sobretudo filosoficamente, figurino, do que "O Senhor dos Anéis", pois Tolkien escreveu este livro, especialmente para seu sobrinho, se não me engano. Ou seja, é um livro feito para crianças, meio que mais a nível de "As Crônicas de Nárnia". Mas ao mesmo tempo, fazendo a ponte entre Silmarilion e Senhor dos Anéis. Todavia, acredito que o filme não será menos, acredito que será tão a nível ou mais que o épico Senhor dos Anéis.

Além disso, na história do Hobbit, temos uma grande critica, e provocação de Tolkien em despertar  o tipico inglês da época, ou mais genericamente, aquelas pessoas que tem uma vida 'acomodada', cheia de medo, que ficam arranjando desculpas para não se aventurar, não atravessar as fronteiras, de não enfrentar os perigos da morte. É uma critica contra aqueles que apenas querem ficar deitados e acomodados no conforto de suas casas em bairros ou cidades bonitinhas, onde possuem tudo o que precisam e querem para a sua vida... há sair da zona de conforto, e experimentar novas experiências e aventuras, de modo, que nunca mais será o mesmo.

E por fim, uma das mais grandes ironias, qual vemos repetir em O Senhor dos Anéis, um hobbit e anões, as menores criaturas, e talvez as mais desprezadas, são quem conseguem a espetacular glória de enfrentar o dragão. Nisto, voltando para o contexto de Tolkien, também temos o período das Grandes Guerras Mundiais, e uma tentativa de influenciar lá no fundo do caráter de cada criança, jovem, que não importa o quão pequeno, fraco, ou desprezado sejam, eles devem lutar bravamente, e podem conquistar as maiores proezas e honras.

O Filme
O livro é extremamente gostoso de ler. E envolve muita imaginação. Sim, mesmo quem já viu "O Senhro dos Anéis", pode ficar tranquilo, pois não verá farinha do mesmo saco. Se surpreenderá com muitas coisas. E ponho grande expectativa, pois imagino ser extremamente dificil conseguir montar algumas cenas que o livro descreve, seja a parte do dragão, a batalha na cidade flutuante, a batalha com as aranhas... Acredito que não irão me decepcionar, e estou com expectativa, como desde "O Retorno do Rei", não tenho, em ver um lançamento. O filme provavelmente irá levar todos os Oscars e quebrar um pouco está sequencia de péssimos filmes e roteiros que tivemos nos últimos anos.

Para a nova geração, um filme/história que irá te surpreenderá como nunca imaginou.



Trailer 1


Trailer 2

04 novembro 2012

O Tamanho do Universo

0 comentários
Já tentou pensar em dar um zoom minimo e um zoom máximo no Universo? Ou seja, poder ver todo o universo, e depois dando um zoom, até mesmo a chegar a o planeta Terra, ao Homem, uma poeria de argila, um elétron e ainda ir muito mais a fundo?

Este grande achado na Internet nos revela tudo isso de maneira SUPER didática, de modo que você pode clicar nos objetos e ter uma descrição sobre eles. É uma daquelas coisas simples e bem feita, para nos deixar impressionado... e nos levar a pensar em coisas do tipo "como o Universo é grandioso, extraordinário... muito além do que a mente humana pode imaginar". E o mais incrível de tudo, tudo isso, é apenas parte do Universo Visível.


The Scale of the Universe 2 (vários idiomas)

01 novembro 2012

A Luta Contra a Gordura Localizada

0 comentários
Sempre fui uma pessoa super atleta na vida e caracterizada por um perfil magro, pois sempre e sempre estava envolvido com muitos esportes ou atividade física. Tenho 1,80m e nunca havia passado dos 71,4 kg; nunca cheguei a ter 'pneu', ou 'banha', ou algo do tipo na região da barriga. De certo modo, até 3 meses atrás eu tinha uma barriga, no linguajar popular, 'bem tanquinho', pois praticava atividades fisicas intensas por pelo menos 1h30, 3x por semana no minimo, até Maio deste ano. Todavia, em Junho, minha jornada de trabalho aumentou de 6h para 8h, e junto com os horários da faculdade; entre outros, houve uma mudança brusca, de modo, que passei a 'conseguir' me exercitar de 1 a 2 vezes por semana, não chegando 1h de atividade em média, cada; ao mesmo tempo, ficando mais horas sentado no trabalho, de frente para o computador.

Eu comia razoavelmente, desta maneira:



Café da manhã:
- 1 copo de leite de soja com castanhas e açúcar mascavo;
- 1 pedaço ou fatia de pão integral com pasta de amendoim e mel;
- 1 salada de fruta, de 3 a 4 frutas (as vezes com granola ou sucrilhos)

Intervalo:
de 1 - 1,5L de água.

Almoço:
- Prato vegetariano, entre 400-500 gramas, numa proporção de 50%-70% legumes e verduras, e o restante em arroz, feijão, soja, pvt, tofu, peixe de vez em quando etc.
- Raramente, uma sobremesa em torno de 80 - 100 gramas;

Intervalo:
1 - 1,5L de água

Final da tarde:
comia alguns cookiens integrais mas industrializados, barrinha de cereais, as vezes uma bolacha, iogurte;

Intervalo:
uns 2 ou 3 copos de água

Noite:
Com frequência, um chá com biscoitos ou umas 2 ou 3 fatias de pão com algo.

Bem, esta era meio que minha rotina de alimentação - qual funcionava. E desde meus 17 anos (atualmente, 26), fiquei com o peso estável entre 67 - 71 kg, na maior parte das vezes com 69 kg. Menos no inicio do ano passado, qual passei por uma cirurgia, e acabei perdendo 7kg em 1 semana, chegando aos 63kg, dai recuperei 68kg em 3 meses, fazendo atividade fisica e comendo normalmente.

Um dos problemas, foi que diminui absurdamente muito minha atividade fisica, mas mantive a minha dieta, de certo modo, até comecei a ingerir um pouco mais de alimentos gordurosos no final da tarde; pois a falta de exercício faz aumentar a vontade de comer, sobretudo tranqueira. E aí, quando fui ver, em 2 meses, eu percebi que minha barriga, de 'tanquinho' começou a ficar flácida, e com acumulo de gordura localizada

Comecei a focar nos poucos treinos na academia em abdominial e esteira, mas mesmo assim, aos poucos, o nível foi aumentando. Até que cheguei próximo aos 75 kg, pela primeira vez na minha vida; com um pequeno pneuzinho, que até dá para apertar um pouco com a mão; apesar de que para 99% das pessoas não é gordura, banha e ainda sou 'magro'. Mas na minha definição é, não por causa da aparencia, mas por ser tecido adiposo ao invés de muscular; tenho que estar em boa forma, e isso para mim é um dos principais indícios de boa forma fisica (o estado do seu abdômen  pois desde quando fazia karate aos 14 anos, aprendi, que tal era o CENTRO do seu corpo). Minhas calças que até então usava cinta apertada, ficaram justas para apertar, algumas bermudas antigas, tive até que fazer uma forcinha para abotoar. E até mesmo para dar uma corridinha, ou uns passos com tranco, como descendo escada, sinto um certo balanço onde nunca senti nada, era sempre travada, chapada; agora, sinto minha barriga tremer. Parece um terremoto.

Isso pesou muito para mim, pois tenho uma filosofia de vida muito severa com relação a saúde. Não sou fisioculturista (e até sou contra a isso), ou do tipo que quer para mostrar a barriga para os outros - vaidade. Raro são os que a já viram; mas é uma questão pessoal de manter a saude. Querer chegar aos 80, 100 anos e ainda estar correndo 5, 10 km... pedalando etc. E eu já sabia, que aquilo era um passo para uma bola de neve, e que aos poucos iria se acumular; e que na minha familia, pelos meus pais e familiares vejo que tenho tendencia genética; sempre me cuidei, e a ultima coisa que queria era ter que me preocupar com algo que nunca me preocupei (com a balança), ou com queimar gordura.


A Reação Contra A Gordura
Há 1,5 mês alterei minha dieta, reduzi tudo, menos o café da manhã.

Café da manhã:
Igual.

Intervalo
Agua, diminui para 500 - 1L

Almoço:
passou para algo entre 300 - 400 gramas (proibido massa, coisas oleosas, e menos arroz). E 2 dias da semana, substituo a refeição por uma vitamina de frutas, normalmente uma vitamina de abacate com aveia e mel (pois abacate é um dos alimentos nutricionalmente mais completos, e que satisfaz, tirando o apetite - o que tem funcionado, não fico com fome durante a tarde toda, ingerindo um copo de 400ml - apesar que preferisse que fosse leite do tipo A ou B ao invés de C, mas os lugares que vi não tem essa opção.).

Intervalo
Agua: Diminui para 500 - 1L

No final da tarde:
cortei praticamente a maioria dos alimentos industrializados. Tenho substituido por um suco de frutas. Ou por pão integral ou de coco. Ou um iogurte com cookie de aveia (industrializado, e com em torno de 6g de gordura saturada). Mais recentemente, troquei por frutas e castanhas desidratadas (como uva passa, damasco, castanha de caju, nozes...).

Intervalo
Agua: 2 a 3 copos.

A noite:
Raramente como algo. as vezes, não tenho feito refeição após o almoço.


Apenas com essa reação, o meu peso se estabilizou, entre 74,0 e 74,5 kg. Está nesta faixa de peso no último mês. Ou seja, de certo modo, alcancei um nível de ingestão mais proporcional a minha necessidade. Mas por outro lado, peso não diminui, e a 'massa indesejada' também não. Além disso, tenho percebido, no geral do meu corpo, um aumento não das medidas, mas da flacidez, ou seja, o que era mais 'firme, duro', passou a ficar mais 'mole', sobretudo as coxas e braços. Uma constatação de que a estabilização do peso pode ser pura ilusão, pois posso estar perdendo massa muscular e ganhando tecido adiposo, sem que altere o peso final.

Ou seja, estava faltando ainda algo: A Atividade Física. Ficou evidente que não adiantava equilibrar a alimentação para o nível de consumo energético, mas ao mesmo tempo não fazer atividade física suficiente para queimar essa miniatura de banha. Comecei então a aproveitar tudo para exercitar mais. Para caminhar, levanto levemente um pouco mais a joelho, e travando mais o abdomen e a postura, forçando mais. Sempre usar as escadas nas estações de metro. No prédio do trabalho, na maioria das vezes usar as escadas (7 andares) ao invés de elevador. E tentar aumentar um pouco mais a quantidade de tempo de atividade física durante a semana. Mas por enquanto sem nenhum resultado, e isso já faz 2 a 3 semanas. Sei que estou realmente precisando são de atividades aeróbicas mais intensas, sobretudo que durem mais de 2 horas de atividade continua e intensa; quem sabe um trekking não resolva isso.

Mas é isso, estou sentindo na pele, pelo menos um pouco, o que é ter que lutar contra a gordura localizada. E confirmo a frase: "Ganhar gordura é fácil. Difícil é eliminá-la."

Mas vamos lá. Vamos a luta, para voltar e manter a boa forma. Tentar aprimorar; até que o resultado realmente dê certo. Espero que você que esteja passando por isso, continue na luta, não desiste. Para você que está muuuito acima do peso, e com muitos 'centímetros' a mais, te desafio a lutar contra isso, pois sei de casos incríveis de pessoas que com mais de 100kg, que ficaram em excelente forma física, apenas cuidando da alimentação e fazendo atividade fisica. E a você, que está com uma excelente forma, e dentro do seu peso, cuide-se para se manter nele; pois algumas coisas só percebemos o quão valiosas são, depois que perdemos, e aí, também vemos o quão é difícil recuperar.


Máxima
Esse conjunto do seu abdomem, lombar, é o centro do seu organismo, tanto de equilibrio, quanto na qualidade de todos os demais movimentos; inclusive para a sua coluna, para a sua pressão arterial entre tantos outros. E um dos melhores indicios para a saúde de uma pessoa é a 'sua barriga'. Não só o tamanho, pois há pessoas magras, mas que mal tem um abdomem tem banha, mas não o suficiente para formar uma 'barriga'. Mas se uma pessoa está com uma abdomem firme, forte, viril, resistente, 'chapado', então provavelmente, ele está com uma ótima saúde, pois é praticamente impossível se conseguir isso sem uma ótima combinação de hábitos alimentares e exercícios aeróbicos.

28 outubro 2012

A Intragável Graça

0 comentários
Um dos conceitos mais intragáveis pela sociedade é a do perdão, a da Graça. Em suma, é você dar algo a alguém o que ela não merece, ou não faz por merecer, ou quando merecia algo muito pior, ou quando ela não possuí mérito algum para receber a sua atitude 'desinteressada e altruísta' - será que essas palavras ainda vão existir nos dicionários daqui alguns anos?

Jesus deu o exemplo de um servo que devia uma fortuna para o seu senhor, suponha, hoje você dever 5 bilhões. Então o senhor o perdoou dessa dívida. Bem, isso é intrigante, na mentalidade de hoje, onde somos acostumados a lidar com 'proporções', 'juros', 'risco'.

A partir disso, compartilho a colocação de um amigo, Marco Aurelio Brasil, que fez sobre a obra de Os Miseráveis, de Victor Hugo.

"A graça soa violenta a milhões de pessoas. Veja o exemplo de Javert, o policial obcecado por capturar o fugitivo Jean Valjean no clássico “Os miseráveis”, de Victor Hugo. Jean Valjean é um homem de força descomunal que foge da prisão antes de ser degredado. Na rota de fuga ele rouba um menino e se asila em uma igreja. O velho padre o acolhe, lhe dá comida e uma cama quente e Valjean responde roubando a prataria da igreja. Ele é capturado e levado de volta ao padre que o repreende por não ter levado também alguns castiçais. Ele afirma aos policiais que aquela prataria era um presente a Valjean que, dessa forma, é liberto. A graça contida naquele ato transforma Valjean radicalmente e dali por diante ele se torna um anjo para muitas pessoas. Em resumo, o favor imerecido e injusto mesmo obtido daquele padre fez Valjean ser confrontado abruptamente com sua condição de miserável moral e esse foi o estopim que determinou sua nova devoção a minorar o sofrimento de outros tantos miseráveis.

Durante anos Javert o persegue, porque tem um apego doentio ao império da lei. Não importa as evidências de redenção moral dadas por Valjean, ele continua sendo um foragido e seu lugar é nas colônias penais francesas espalhadas pelos infernos tropicais. A hipótese de seus crimes passados ficarem sem a punição prescrita na lei lhe parece hedionda. Mas estoura a Revolução e numa grande reviravolta Javert se vê preso pelo tribunal do povo, acusado de ser um espião a serviço da monarquia. Valjean se apresenta então para ser o carrasco executor da pena de morte sobre Javert, mas em lugar de o fazer, quando está longe das vistas dos outros simplesmente liberta Javert e se entrega para ser preso. Javert então sente que é impossível prender Valjean e o deixa ir, mas essa hipótese também lhe parece inaceitável. Incapaz de lidar com o binômio lei x graça, Javert se suicida.


E, no entanto, é exatamente este o procedimento da graça: ela encolhe a mão da justa punição e deixa ir livre o infrator, apontando para a punição injusta que Jesus sofreu em seu lugar. Ela age como se o mensalão fosse julgado por ex-detentos políticos, aprisionados injustamente na ditadura militar, que considerassem os réus culpados de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, mas comutassem a pena afirmando que a pena injusta que eles, os magistrados, cumpriram, é considerada em favor dos réus, deixando-os, portanto, livres. Ficaríamos indignados com um desfecho assim, não é? É difícil entender a graça.

E muitas vezes é ainda mais difícil aceitar a graça e permitir que ela nos transforme. Isso implicaria em reconhecer que somos nós os miseráveis... Se você aceitar a ilógica da graça, amigo, ela o tornará um multiplicador da graça por onde você passar, não há outro caminho. Só que antes você precisa confessar: “eu sou um miserável”!"


21 outubro 2012

Ansiedade - Não nos devemos atormentar com o futuro

0 comentários
Hoje ao abrir o olho, me deparei com alguns livros que ficam ao lado da cabeceira da cama; dei uma olhada em alguns títulos, e logo me deparei com dois títulos de Sêneca, que já li há uns aninhos: "Da Felicidade da Alma" e "Das Relações Humanas". Por um momento tive um momento de relembrança das impressões e provocações que tais formidáveis obras deste filosofo estóico romano me causaram e me senti motivado a abrir o livro onde estava o Marca Página, e já me surpreendi com as palavras que havia grifado em tais:

"Somos, no mais das vezes, mais vítimas do nosso terror do que dos perigos reais, e sofremos mais com a idéia que fazemos das coisas do que com as próprias coisas."
Sêneca

Mais uma das máximas senecarianas, e logo me senti motivado a ler este capítulo, ou seja uma carta, pois este livro é nada mais do que uma reunião de cartas que Sêneca enviava para o seu discípulo Lucílio. E assim, compartilho convosco meus grifos deste capítulo:

Carta XIII

"Na verdade, antes mesmo de te teres fortalecido com a ajuda dos nossos salutares princípios que permitem vencer as dificuldades, tu bastavas a ti mesmo para enfrentar os golpes da sorte. [...] Nunca podemos ter confiança absoluta em nós mesmo antes que muitas dificuldades nos tenham sido apresentadas aqui e ali e mesmo que às vezes que não tenham tocado de perto: é quando se manifesta a verdadeira coragem, a que não depende de modo algum da vontade de outrem. É essa a prova de fogo!

[...]

Um atleta [...] depois de cada queda sempre se levantou mais decidido, só aquele vai para o combate cheio de esperança. Direi, para continuar com a comparação, que a sorte várias vezes já te abateu e que entretanto tu não te entregaste: retornaste o impulso e te reergueste, mais intrépido ainda. ...

Somos, no mais das vezes, mais vítimas do nosso terror do que dos perigos reais, e sofremos mais com a idéia que fazemos das coisas do que com as próprias coisas. [...] Na verdade, nós dizemos que tudo o que arranca gritos e gemidos não tem importância e é desprezível. Deixemos de lado essas grandes palavras, aliás muito justas, grandes deuses! Eis o meu conselho: não fiques infeliz antes da hora; os perigos cuja chegada iminente tu temes, talvez não cheguem nunca (de qualquer forma, nem sempre chegaram!). Alguns deles nos torturam excessivamente, outros cedo demais, outros ainda sem razão alguma. Aumentamos o nosso mal, nós o criamos inteiramente ou o antecipamos. [...] Veremos mais à frente se tais males nos atingem por sua própria força ou pela nossa fraqueza.

[...] Interroga-te mais: "Não é sem motivo que me atormento e me aflijo? Não estou criando um mal que não existe?"

"Mas como, tu me dirás, saberei que as minhas angústias são vãs ou fundamentadas?" [...] somos atormentados pela presente ou pelo futuro, ou por amos ao mesmo tempo. Pelo presente, é fácil resolver: se és livre, gozas de boa saúde e não sofres nenhum mal trato, a preocupação tem que vir só mais tarde; hoje, vai tudo bem. "Mas amanhã está chegando!" [...] Sim, meu caro Lucílio, rendemo-nos de imediato à opinião. Não refutamos o que nos leva a ter medo, não nos procuramos livrar dele: ao contrário, começamos a tremer e fugimos [...]. Não sei por quê, o falso perturba mais do que o verdadeiro: este tem sua própria medida; mas tudo o que é incerto está sujeito às conjecturas e aos caprichos de uma imaginação movida pelo temor. Não há medo mais funesto, nem mais difícil de se acalmar do que um medo pânico. Os outros tomam conta de uma alma que perdeu a razão, este, de uma alma que perdeu a própria inteligência.

[...] A vida não seria suportável, a infelicidade não teria limites, se temêssemos tudo o que de aborrecido pode acontecer [...] Se tens mais motivos para temer, tende para o lado da esperança, e pára de te atormentares [...], se tortura e queima de inquietude. [...] trememos por causa de rumores duvidosos que tomamos por certezas. Não sabemos manter a menor medida: a menor dúvida vira medo.

[...] Tu dizes isto: "Que venha, e depois? Veremos qual dos dois vai vencer. Talvez venha para o meu bem: A minha morte honrará a minha vida." [...] Mais uma razão para aumentares e embelezares o que é bom em ti.

[...] "Os tolos, entre outros males, são afligidos por este: estão sempre começando a viver." [...] O que há de mais feio do que um velhinho que começa a viver?

Sêneca, Carta XIII


Acredito que esta colocação de Sêneca pode ser considerado uma paráfrase de quando Jesus disse: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Mateus 6:34

12 outubro 2012

Tabela Comparativa HB20 x Etios

0 comentários

Uma das mais didáticas e ilustrativas tabelas comparativas que construi, nos ambitos que considerei mais importantes comparar e destacar entre os dois novos modelos da Hyundai e da Toyota, para ajudar na sua decisão de compra. Por serem modelos novos, ainda não temos como avaliar a depreciação do veículo e qual será mais visado.

Download da Tabela Comparativa (PDF)


Etios Hatch 1.3 XS
Ontem eu fui na concessionária verificar o carro e fazer um test-drive. Ao olhar por fora, a primeira impressão que vi foi um carro robusto, é elegante, de aparência mais clássica, forte e espaçoso. Percebi que o acabamento para fechar as portas não era dos melhores, foi necessário dar uma batidinha mais forte. Já no banco de trás, os passageiros podem realmente ficar tranquilos pois é bastante espaçoso e confortável, mesmo para alguem alto como eu de 1,80m, me senti com uma boa ergonomia, os bancos são confortáveis, mas o material parecia ser muito mole para um zero, o que me levantou a dúvida: "Será que não vai amolecer muito?"

O Painel
Já no banco do motorista a impressão é outra. A posição para direção é excelente. E mesmo a visualização do painel central é muito boa, de certo modo é mais confortável no sentido de não tirar muito o foco da pista, mas por outro lado é "estranho", e até mesmo "feio", o painel não é muito didático quanto aos demais instrumentos de medição. Para ser sicnero, o painel claramente é um grande desgosto. Não só isso, mas o porta-luvas, ao se abrir tal, apesar de ter um grande espaço, a abertura dele é mais feia ainda; é um item que não foi pensado no designe e comodidade; pois é uma tampa enorme. Outro grande desconforto é a abundancia enorme em plástico de baixíssima qualidade nítida. Aquele plástico fino, duro que parece que vai quebrar, ou começar a se soltar e fazer muito ruído em pouco tempo e de uma cor também desagradável, um tanto 'cinza-desbotado'. O freio de mão, também é um item que lembra um 'made in china', a impressão que dá é que o cabo de aço vai estourar na sua mão de tão barulhento e mecânico. Outra coisa que incomodou muito é ao mexer nas peças que direciona a saída do ar, fazia um barulho como se tampas de plástico batessem forte, é um pequeno detalhe que mostra como economizaram em qualidade na parte interna. É tão fraco o painel, que nos lembra a versão antiga do Uno ainda mais simplificada, há um espaço inútil entre o freio de mão e o cambio, de modo a ficar um cambio com o seu corpo bem grande, como de um trator..

Banco do Passageiro
Por outro lado, a postura para se dirigir é muito confortável com o banco, faltou um ajuste de altura para o banco do motorista, mas ele vai uma boa distância para trás, sem que perca a ampla visão que o vidro da frente permite; e o banco tem uma excelente ergonomia, e algo raro de se ver, inclusive para o apoio de cabeça.. Porém, o volante é naturalmente baixo, ele vem com um ajuste de altura, mas mesmo no mais alto não chegou a ser algo muito ideal para a minha estatura, mas nada reclamável.Já o conjunto de embreagem, freio e acelerador são excelentes para se pisar, a embreagem não é fundo e é macia, porém, todos estão relativamente mais próximos ao banco do motorista, ideal talvez para alguem de uma estatura abaixo de 1,75m, porém, com as minhas pernas, já tive um pouco de desconforto com relação a isso, apenas uma postura fixa me permitia andar sem que o volante batesse em minhas coxas.

Dirigibilidade
Fiz um test-drive no modelo 1.3 XS, com ar-condicionado, vidros e travas-elétricas e rádio, tudo sai por R$ 38.800. E a primeira impressão foi excelente. Andei muito num Polo 1.6 8V do meu irmão e o etios não deixou nada a desejar para o Polo (alias, menos barulhento até), talvez por ser mais leve, o carro tinha um excelente arranque, retomada e potência. Infelizmente o local não tinha subida, mas era muito bom em questão a desempenho do motor, além disso, o barulho não era tão silencioso quanto do Corola, mas era um barulho confortável. Além disso, a direção é extremamente macia, podia girar, com o carro parado, com 1 dedo tranquilamente, e ela se estabilizava bem, não ficando mole conforme pisava mais; do mesmo modo era a troca de marchas, não cheguei a por a 5ª; mas era um carro que parecia que sua zona de conforto para a 5ª estaria entre uns 110 - 130 km/h, acima disso, parecia que o motor iria chiar, mas faltou testar. Passei propositalmente em alguns buracos e joguei o carro de um lado para o outro e a suspensão se manteve muito boa, praticamente nem senti os buracos ou a jogada de um lado para o outro, era super silencioso passar pelos buracos e não se perdia o controle nas curvas mesmo fortes. Também testei o ABS, era dia de garoa, a pista estava toda molhada, acelerei até 80 km/h e pisei com tudo, e para a minha surpresa, acredito que nem em 10 metros, o carro parou totalmente, SEM DAR TRANCO ALGUM, foi uma freada super gostosa, meu corpo não foi para frente, o carro não derrapou, nem senti qualquer pressão no volante e o carro nem foi para nenhum dos lados. Me fez sentir uma tremenda segurança e conforto para freadas bruscas.

Avaliação Final
Para dirigir, parece ser um carro impecável, que correspondeu muito as minhas exigentes expectativas; diria até que foi um enorme prazer dirigi-lo. Porém, por outro lado, a parte interna do carro dá um tremendo desgosto, que te faz lembrar que você está num super popular de baixíssimo custo e qualidade, de que logo, com o tempo, todas aquelas peças de plástico te traria outro grande incomodo: peças moles e barulho. É um carro em que a Toyota investiu no motor, direção, freios e suspensão mas por outro lado, eu diria que "RETIROU" da parte interna. E além disso, outra coisa negativa ao meu ver, é um ar-condicionado caro - R$ 2.700,00 - para incluir como opcional na versão X, e o carro só possuir vidros e travas elétricas na versão XS de 38.800,00. O rádio também é dos mais simples, não tem um painel para vídeo, tem apenas um USB, antena rádio e o cd-player. E apenas na versão XLS se possuí revestimento nas portas com tecido ao invés de plástico, versão que custa 42.800. Ou seja, para se ter um carro mais confortável e agradável na parte interna, é preciso pagar um preço alto; preço tal que talvez vale mais a pena gastar em outros carros mais robustos. Enquanto pudemos ver as demais marcas investirem mais no designe do painel, e conforto interno, o Etinos deixou isso por último por um preço mais caro, mas por outro lado, sem dúvida, deixou uma maquinaria forte e segura.

Ponto forte
Conjunto motor, direção, suspensão e freios.

Porto fraco
Acabamento interno, painel, portas, maçanetas de baixíssima qualidade. A Toyota pecou nisso e será o o item que irá esbarrar muito com o consumidor brasileiro.

Financeiro: No geral me pareceu um carro caro. Acredito que por esse preço deveria ter investido mais na parte interna também. Te faz ficar muito atrás se pelo mesmo preço não compensa pegar um usado de melhor qualidade interna. Além disso, o carro é um lançamento, não sabemos como será sua aceitação e assim o valor de sua depreciação, o que nos deixa sem referência para avaliar seu preço se não está muito acima do que realmente vale. Acredito, que a um preço mais justo para cada versão estaria pelo menos entre 2 e 3 mil a menos.


HB20 ( Em Breve )

Tirotei no Metro Luz em São Paulo - Caos!!

0 comentários
Hoje mais um episódio da vida conturbada na grande conurbação que é nossa capital. Sai do trabalho por volta das 18h30 e me dirigi a estação do metro São Bento, linha azul por volta das 18h40. Meu propósito era ir até a estação Luz para pegar a linha amarela para ir até o Butantã e assim para a faculdade. Mas bem, todos os meus planos foram alterados.



18h40 - São Bento
Chego ao metro, o qual continha aquele clássico aviso nos auto-falantes: "Devido a remoção de usuário na via na estação Luz, os trens estão andando com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações." Porém, sem mais noticias, eu vi que não era normal, pensei que alguem se suicidou e estava dificil remover o corpo. Tudo parado, o trem não saia, e nenhum passava no outro sentido e uma multidão de pessoas esperando, ao mesmo tempo que a força da linha foi desligada. Passaram 20min. e eu percebi que tinha dado algum merda e que não teria prazo para retornar, além que no minimo levaria uns 5 trens para eu conseguir entrar com a multidão que se formara de pessoas que siaram do trabalho.

19h15 - Luz
Policia, helicóptero, catracas ravadas, uma multidão de pessoas sentadas e esperando, esta era a cena. E como sempre, o Metro é um supremo mestre em esconder informações, pois ninguem fica sabendo de nada. A linha azul plenamente parada ainda. Já a linha amarela estava com grande movimento sentido Butantã.

19h30 - Paulista
Super cheio como se fosse o pico do horário de Rush, super lotado desde a saída da linha amarela, até as escadarias, e grande multidão para embarcar na linha verde. Quais estava com velocidade super reduzida.

20h00 - Tamanduateí
Estação estava super lotado. Trem demora uns 20 min. para aparecer. O qual prossegue super lotado tambem.

20h35 - Estação Santo André
Simplesmente parecia que era 18h30 da tarde, filas e mais filas nos pontos. Mas ao mesmo tempo, pouquíssimos onibus. E para ajudar, um caos de transito na Av. Perimetral, a principal que corta Santo André, no sentindo Mauá, provavelmente devido a chuva e há muitas pessoas indo para Rodoanel para viajar.

Um dia simplesmente tenso. Mostrando-nos cada vez mais o que seria de São Paulo em situações de emergencia, se o principal sistema de transporte travar, como o metro, CPTM... e para onde estamos nos dirigindo, para uma Conurbação parada qual no horário de pico não só a bicicleta ganha, mas até mesmo uma caminhada está compensando. E para onde iremos caminhar assim? Ou os Administradores de nossas cidades pensem um pouco para mudar as coisas, ou eles mesmo teram, daqui a pouco, de trocar seus luxuosos carros por bicicletas.

07 outubro 2012

Eleições 2012

0 comentários
Decepcionante. Está é minha definição para as eleições ocorridas este ano para vereadores e prefeitos. Não só pelo período de 'propaganda', qual apenas foi midiática no modo mais esdruxulo possível, apenas musiquinhas toscas incomodando nossa vida, um monte de folhetos e papéis com frases de efeito, ou propostas ridículas que eram muito mais 'idéias' do que propostas; um monte de panfletos apenas contendo uma foto 'photoshopada' e um número. E por fim, para encerrar com chave de ouro, um total desrespeito a Lei que proíbe fazer propaganda no dia da eleição, sobretudo boca de urna, e aí, cada político procurou distribuir milhares de 'lixo', e tivemos um resultado nojento, degradante, de puro lixo espalhado pelas ruas da cidade.

Todavia, isto não passou despercebido. Olhando as eleições daqui de Santo André - SP, pelo site UOL, e percebe-se cada vez um número maior de votos nulos e brancos. Por exemplo, Santo André:

Prefeito
Nulos: 12,79%
Brancos: 7,28%
Total: 20,07%

Vereador

Nulos: 10,91%
Brancos: 7,48%
Total: 18,39%

Isso demonstra que 1/5 da população de Santo André está descrente dos candidatos, do Sistema. É bom lembrar que qualquer sistema, seja, politico, apenas se mantém quando se tem a confiança das pessoas, de certo modo, da maioria; caso contrário, apenas através da força militar é que tal poder irá conseguir se manter. Caso contrário haverá uma força contrária. Não sei se esse dia irá chegar. Mas não tenho fé/esperança no sistema e atuais candidatos, pois mesmo supostamente alguém honesto, justo, chegando lá, dicará de mãos atadas, ou com uma pistola apontada para a cabeça. Além disso, basta observar a declaração de bens dos candidatos para perceber o quão honestos são, com imóveis super deflacionados, ou com o valor de compra há x anos atrás; ou que não possuem automóveis... entre tantos outros bens que estão declarados com um valor super abaixo do declarado, ou em nome de terceiros.

Mas pensando no dia de hoje, e na indignação que vi pelas ruas da cidade, acho que a charge abaixo manifesta com precisão meu pensamento.


02 outubro 2012

O Estilo é Um Reflexo da Vida - Seneca

1 comentários

Qual a causa que provoca, em certas épocas, a decadência geral do estilo ? De que modo sucede que uma certa tendência se forma nos espíritos e os leva à prática de determinados defeitos, umas vezes uma verborreia desmesurada, outras uma linguagem sincopada quase à maneira de canção? Porque é que umas vezes está na moda uma literatura altamente fantasiosa para lá de toda a verosimilhança, e outras a escrita em frases abruptas e com segundo sentido em que temos de subentender mais do que elas dizem? Porque é que nesta ou naquela época se abusa sem restrições do direito à metáfora? Eis o rol dos problemas que me pões. A razão de tudo isto é tão bem conhecida que os Gregos até fizeram dela um provérbio: o estilo é um reflexo da vida! De facto, assim como o modo de agir de cada pessoa se reflecte no modo como fala, também sucede que o estilo literário imita os costumes da sociedade sempre que a moral pública é contestada e a sociedade se entrega a sofisticados prazeres. A corrupção do estilo demonstra plenamente o estado de dissolução social, caso, evidentemente, tal estilo não seja apenas a prática de um ou outro autor, mas sim a moda aceite e aprovada por todos.

Não é possível o espírito ter uma tendência e a alma ter outra. Se a alma é sadia, senhora de si, severa e comedida, o espírito será igualmente grave e sóbrio; quando a alma é viciosa, o espírito também degenera. Não vês tu que, se a alma é débil, as pessoas arrastam o corpo e só a custo se movem? Que, se a alma é efeminada, até no modo de andar se nota essa moleza? Que, se ela é, pelo contrário, ardente e forte, a marcha se torna acelerada? Que ainda, no estado de loucura, ou de cólera (que, aliás, é um estado semelhante à loucura) o movimento do corpo se torna caótico, descontrolado, sem sentido definido ? Todos estes sintomas se tornarão mais evidentes ainda no que concerne ao espírito, já que este está totalmente impregnado pela alma, da qual recebe a sua forma, à qual obedece, a cuja lei se submete. 

27 setembro 2012

A Tranquilidade da Alma não se Alcança em Viagens

2 comentários

Pensas que só a ti isso sucedeu; admiras-te, como se fosse um caso raro, de após uma tão grande viagem e uma tão grande variedade de locais visitados não teres conseguido dissipar essa tristeza que te pesa na alma!? Deves é mudar de alma, não de clima. Ainda que atravesses a vastidão do mar, ainda que, como diz o nosso Vergílio, as costas, as cidades desapareçam no horizonte, os teus vícios seguir-te-ão onde quer que tu vás. Do mesmo se queixou um dia alguém a Sócrates: "Porquê admirar-te da inutilidade das tuas viagens - foi a resposta, - se para todo o lado levas a mesma disposição? A causa que te aflige é exactamente a mesma que te leva a partir!" De facto, em que pode ajudar a mudança de local, ou o conhecimento de novas paisagens e cidades? Toda essa agitação carece de sentido. Andares de um lado para o outro não te ajuda em nada, porque andas sempre na tua própria companhia. Tens de alijar o peso que tens na alma; antes disso não há terra alguma que te possa dar prazer!

Temos de viver com essa convicção: não nascemos destinados a nenhum lugar particular, a nossa pátria é o mundo inteiro! Quando te tiveres convencido desta verdade, deixará de espantar-te a inutilidade de andares de terra em terra, levando para cada uma o tédio que tinhas à partida. Se te persuadires de que toda a terra te pertence, o primeiro ponto em que parares agradar-te-á de imediato. O que tu fazes agora não é viajar, mas sim andar à deriva, a saltar de um lado para o outro, quando na realidade o que tu pretendes - viver segundo a virtude - podes consegui-lo em qualquer sítio. 

Sêneca, Cartas a Lucílio

22 setembro 2012

Pós Modernismo e Suas Implicações Para a Vida Cristã

0 comentários


Segundo o criador do termo, Jean François Lyotard, a "Pós-Modernidade" é a ‘condição sociocultural e estética do capitalismo pós industrial e está relacionada ao rompimento de antigas verdades absolutas como o Marxismo e o Liberalismo, típicos da Modernidade (Lyotard; 1998).
O pensador brasileiro Sérgio Paulo Rouanet, em seu estudo "As Origens do Iluminismo", escreve que ‘ o uso do prefixo pós tem muito mais o sentido de exorcizar o velho (no caso, a Modernidade) que, propriamente, articular o novo (a pós-modernidade). Ele escreve:
"Depois da experiência de duas guerras mundiais, depois de Aushwitz, depois de Hiroshima, vivendo num mundo ameaçado pela aniquilação atômica, pela ressurreição dos velhos fanatismos políticos e religiosos e pela degradação dos ecossistemas, o homem contemporâneo está cansado da modernidade. Todos esses males são atribuídos ao mundo moderno. Essa atitude de rejeição se traduz na convicção de que estamos transitando para um novo paradigma. O desejo de ruptura leva à convicção de que essa ruptura já ocorreu, ou está em vias de ocorrer (…). O pós-moderno é muito mais a fadiga crepuscular de uma época que parece extinguir-se ingloriosamente que o hino de júbilo de amanhãs que despontam. À consciência pós-moderna não corresponde uma realidade pós-moderna. Nesse sentido, ela é um simples mal-estar da modernidade, um sonho da modernidade. É literalmente, falsa consciência, porque consciência de uma ruptura que não houve, ao mesmo tempo, é também consciência verdadeira, porque alude, de algum modo, às deformações da modernidade”.
Ainda segundo Rouanet, o sujeito pós-moderno é psicopatológico. Em termos de patologia social, a modernidade fez surgir coisas contraditórias como indústrias e a atitude liberal, a ciência, a tecnologia, a multiplicação da população pobre e de guerras racionais. A pós-modernidade marca o declínio da Lei-do-Pai, cujo efeito mais imediato no social é a anomia, onde a perversão se vê livre para se manifestar em diversas formas, como na violência urbana, no terrorismo, nas guerras ideologicamente consideradas “justas”, “limpas” ou “cirúrgicas”. A razão cínica é cada vez mais instrumentalizada. Isto é, não basta ser transgressivo, ou perverso-imoral, é preciso se construir uma justificativa “moral” para atos imorais ou perversos. Zizek (2004) cita o escabroso caso dos necrófilos, nos EUA, que se julgam no “direito” de fazer sexo com cadáveres. Ou seja, qualquer cadáver é “um potencial parceiro sexual ideal de sujeitos ‘tolerantes’ que tentam evitar toda e qualquer forma de molestamento: por definição, não há como molestar um cadáver”.
Na pós-modernidade a perversão e o estresse são sintomas resultados da falta-de-lei, da falta-de-tempo, e da falta-de-perspectiva de futuro, porque tudo se desmoronou (do muro de Berlin à crença nos valores e na esperança). “Tudo se tornou demasiadamente próximo, promíscuo, sem limites, deixando-se penetrar por todos os poros e orifícios”, diz Zizek.
No mundo pós-moderno o homem não se senta passivamente de braços cruzados e recebe conhecimento; antes, a interpretação do homem É a realidade. Essa confusão de objeto e assunto rotula o pós-modernismo de niilista e relativista. Nessa ótica nada é absoluto. Lógica, ciência, história, moralidade são meros produtos da experiência e interpretação individual. Pense nisso quando ouvir alguém dizer: "Essa é a MINHA verdade!" ou "O que importa é como EU vejo", ou "o que é verdade pra você, pode não ser pra mim e vice-versa!"
Ok! Mas em termos cristãos – adventistas – quais os efeitos ESPIRITUAIS que a Pós-Modernidade trouxe à vida da igreja?
Antes que você, leitor, pós-moderno ou não, me acuse de dogmatizar uma questão complexa como essa, devo ser honesto: vou basear esse texto em minha própria experiência!
Não é fácil escrever sobre pós-modernidade em um contexto cristão – que dizer em um contexto adventista! Como você já percebeu, a cosmovisão pós-moderna rejeita verdades tidas como absolutas; o que, em um contexto secular, leva a tratar como toleráveis, socialmente aceitos – e até incentivados – padrões morais e sociais extremamente questionáveis. Seria possível que tal forma de pensar possa moldar o pensamento cristão do século XXI? Uma rápida releitura dos parágrafos anteriores mostra que tal mudança de atitude já ocorreu.
Quem seriam os cristãos adeptos da tatuagem como estilo de vida? Ou adeptos do uso de jóias? Quem seriam os que montam ringues de luta-livre dentro do templo de adoração?
Sendo que a pós-modernidade rompe com os valores absolutos, não posso deixar de tomar o texto paulino de Romanos 12:1 e 2 como antídoto preparado por Deus justamente para essa ocasião.
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este presente século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimentais qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Observe que o texto inspirado deixa claro que somente os que têm a mente renovada podem experimentar a ‘boa, agradável e perfeita vontade de Deus’. Uma paradinha no grego nos traz algumas jóias do pensamento de Paulo. Veja:
O verbo "conformar" aqui utilizado nos traz a idéia de tomar forma de algo. Como que encher uma forma de bolo com a massa. Assim, Paulo está dizendo que não permitamos nosso cérebro seja cheio de coisas que nada tem a ver com a eternidade (os "valores" pós-modernos?), de forma que ele se amolde às circunstâncias e às formas secularizadas de ver o mundo e a vida.
"Transformar", conforme usado nesse verso de Romanos é metamorfoomai, de onde vem o termo metamorfose – como a lagarta no casulo transformando-se (por metamorfose) em borboleta. O verbo aqui está na forma contínua, ou seja, Deus apela para que, "como a luz da aurora que vai brilhando até ser dia perfeito" (Provérbios 4:15), permitamos que o Espírito Santo nos conduza a uma cosmovisão mais bíblica e menos mundana. Todo esse processo nos permite experimentar, gradualmente, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus!
Voltando à Pós-Modernidade e seu impacto na vida cristã, tiramos algumas conclusões:
  • Cristãos pós-modernos nivelaram estilos de música baseados no silêncio (PRESUMIDO) das Escrituras sobre o tema e, desta forma, trouxeram todo tipo de aberração chamada musical ao culto hodierno.
  • Cristãos pós-modernos armam ringue de luta-livre na igreja sob o álibi de que ‘é melhor perder sangue aqui que perder a vida para as drogas’
  • É a pós-modernidade cristã que atropelou os conceitos de modéstia cristã baseando-os nos conceitos de moda contemporâneos.
  • Foram os teólogos pós-modernos cristãos quem criaram o conceito de "pequenas igrejas grandes negócios" se valendo de toda sorte de manobras comerciais para sustentar o luxo e o espetáculo em detrimento de um culto pedagógico e centralizado na contemplação de Deus através do estudo das Escrituras.
  • É a teologia pós-moderna que rejeita verdades basilares da fé cristã como o Sábado do sétimo dia, o sono do ser humano na morte – bem como, entre adventistas, os que rejeitam o Espírito de Profecia na obra de Ellen G. White, legando ou no todo ou em parte aquelas verdades ao tempo da escritora.
  • É a cosmovisão pós-moderna que produz o "Ministério da palhaçada", do autógrafo no CD, do fã clube e da idolatria de seres humanos (cantores, pregadores, administradores…).
  • É a cosmovisão pós-moderna quem moldou pregadores do evangelho em animadores de auditório, ouvintes reflexivos em massa de manobra e adoradores em consumidores!
  • Mas como frisei no início, não posso nem quero dogmatizar a questão. Nem todos os pregadores se tornaram animadores de auditório. Nem todos os músicos são relativistas niilistas. Nem todas as igrejas são a porta de entrada de um parque de diversão. Nem todos os teólogos se venderam à conveniência social e cultural! O problema é a reação dos pós-modernos!
Há algum tempo, quando participava de acalorados debates virtuais acerca de questões que, indiretamente, diziam – e ainda dizem – respeito ao tema, lembro-me vividamente das reações. Não foram uma ou duas dúzias de vezes que os adjetivos ‘retrógrado’, ‘atrasado’, ‘fanático’ e etc., eram escritos na linha debaixo de minhas falas! Ou seja, no modo de reagir, os pós-modernos cristãos são tão fanáticos e apaixonados por suas posições relativistas como os adjetivos que ora dirigiam às vozes discordantes!
Esqueci do termo "maniqueísta"!
"Ai dos que chamam bem ao mal e mal ao bem! Que fazem da escuridão luz e da luz escuridão! (Isa 5:20)
O primeiro sintoma dos que deixam Jesus de lado como seu guia é a perda da noção do que é sagrado, depois dos princípios, valores e regras estabelecidas por Ele. Assim, abismo chama abismo (Salmos 42:7) e, tal qual uma engraçada analogia sobre o buraco, quanto mais tira (mais relegam a Deus), maior fica (o buraco espiritual e moral)!
Ter Deus como Guia da vida não significa uma vida alienada de tudo o que é atual ou moderno. O problema é a forma com a qual nos valemos dessas coisas. Cristãos não são seres infelizes que se ‘escondem atrás de um deus para dar sentido às suas vida e driblar sua covardia diante do desafio da vida’ – nas palavras de Dawkins.
Para a desgraça do pós-moderno é a sua própria consciência, governada pela fome de prazer e satisfação, quem rege a vida! Sobre a rejeição das orientações de Deus, a irmã White se expressou da seguinte forma:
"O plano de Satanás é enfraquecer a fé do povo de Deus nos Testemunhos. Em seguida vem o ceticismo no tocante aos pontos vitais de nossa fé, as colunas de nossa posição, depois as dúvidas acerca das Escrituras Sagradas, e então a caminhada descendente para a perdição. Quando os Testemunhos, nos quais se acreditava anteriormente, são postos em dúvida e rejeitados, Satanás sabe que as pessoas enganadas não pararão aí; e ele redobra os seus esforços até lançá-las em rebelião aberta, que se torne irremediável e termine em destruição." Testimonies, vol. 4, p. 211.
Neste texto a irmã White fala sobre os que têm posto duvidas sobre a obra do Espírito Santo por meio dos Testemunhos. Em seu tempo várias pessoas, dentro e fora da igreja, colocavam em dúvida a obra e os escritos dela. O livro "O Testemunho de Jesus", escrito por Francis McMillan Wilcox, editor da Review and Herald, periódico e editora adventista dos EUA, descreve algumas situações em que o Testemunho de Jesus foi colocado sob ataque e sempre se revelou obra de Deus.
No século XXI a obra de Ellen White permanece sob ataque dos céticos e cristãos pós-modernos. Pastores, líderes e administradores, cuja consciência – pervertida pelo pós-modernismo – sempre se deleita na crítica deletéria – entre os críticos existem os sinceramente desinformados – tem se mantido longe das orientações de Deus, permanecendo na trincheira de suas deduções e embalados por seus milhões doados pelos fiéis. Mas o que sempre me causa espanto é quando a crítica deletéria, a dúvida, a cavilação chega pelo lado de dentro!
"Quando homens se levantam, pretendendo ter uma mensagem de Deus, mas em vez de combaterem contra os principados e potestades, e os príncipes das trevas deste mundo, eles formam um falso esquadrão, virando as armas de guerra contra a igreja militante, tende medo deles. Não possuem as credenciais divinas. Deus não lhes deu tal responsabilidade no trabalho." Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos; pp. 22 e 23
Pela distorção dos postulados divinos, pela relativização dos valores cristãos, morais e humanos, pelo fundamentalismo pós-moderno frente aos cristãos tradicionais, pela destruição da imagem cristã perante a sociedade secular, por tudo isso e muito mais: o pós-modernismo (disfarçado de cristão ou não) é uma praga!

Por Evanildo Carvalho [Link]