01 março 2008

Os Anti-Reformistas & O Reformador

"Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados."
Isaías 58:1

"Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará."
Provérbios 9:8


Quão solenes e verdadeiras são essas palavras. Se você repreender um escarnecedor, alguém que não leva as coisas a sério, um tolo, a pessoa - subjetivamente - se sentirá ofendida, agredida e procurará dar o troco. Atacando a pessoa com palavras desqualificativas ou até mesmo fisicamente.

Já outros, gostam de usar uma desculpa esfarrapada do tipo "você não deve julgar os outros". Não sabendo discernir, nem mesmo, um julgamento de uma repreensão. Fugindo da repreensão. Enquanto que ao mesmo tempo, Deus, nos incube a dizer, repreender - como trombeta - os outros, anunciando os seus pecados. A fim de que reconheçam seus pecados, em humildade, busquem a Jesus, o Seu perdão, abandonando tais e edificando, para uma vida mais santa, pura, reta, consagrada a Deus.

No livro "Patriarcas e Profetas", há uma solene análise sobre essa questão no capítulo "A Rebelição de Coré" (Num. 16 e 17 se não me engano). Recomendo que você dê uma boa lida nesse capítulo. Apenas deixarei algumas conclusões finais, escritas por Ellen. G. White:

"Os hebreus não estavam dispostos a sujeitar-se às determinações e restrições do Senhor. Inquietavam-se com sofrerem restrições, e não se dispunham a ser reprovados. Tal era o segredo de sua murmuração contra Moisés. Ficassem livres para fazerem conforme lhes aprouvesse, e teria havido menos queixas contra seu chefe. Durante toda a história da igreja, os servos de Deus têm tido o mesmo espírito a defrontar.

Por uma condescendência pecaminosa é que os homens dão a Satánas acesso à sua mente, e vão de um grau de impiedade a outro. A rejeição da luz lhes entenebrece a mente e endurece o coração, de modo que lhes é mais fácil dar o passo imediado no pecado, e rejeitar a luz ainda mais clara, até que afinal seus hábitos de fazerem mal se tornam fixos. O pecado deixa de lhes parecer pecaminoso. Aquele que com fidelidade prega a Palavra de Deus, condenando deste modo seus pecados, muit freqüentemente incorre no seu ódio. Indispostos a suportar a dor e o sacrifício necessários à sua correção, voltam-se contra o servo do Senhor e denunciam-lhe as reprovações como inoportunas e severas. Semelhantes a Coré, declaram que o povo não está em falta; é aquele que reprova que ocasiona toda a dificuldade. E, acalmando a consciência com esta falácia, os ciosos e desafetos combinam semear discórdia na igreja, e enfraquecer as mãos daqueles que a querem edificar.

Todo o progresso feito por aqueles a quem Deus chamou para tomar parte na direção de Sua obra, tem provocado suspeita; cada um de seus atos tem sido desvirtuado pelos que são ciosos e críticos. Assim foi no tempo de Lutero, dos Wesleys e de outros reformadores. Assim é hoje." (Patriarcas e Profetas, 425)

É muito claro. A causa dessa atitude de autopiedade é indisposição "a sujeitar-se às determinações e restrições do Senhor". Isso é o que tem levado centenas de pessoas à uma atitude de ANTI-REFORMISMO quando a reforma mais é necessária. Não suportam a restrição, resmugando de todas as restrições; alegando que necessitam de um puro liberalismo, pois basta fazer de coração para Deus, que assim se tem a Sua aprovação. Bem, pergunte para Davi ao transportor a arca do concerto para Jerusalém se é assim.

Outra atitude detestável é como eles mudam o foco das coisas. Chega uma pessoa repreendendo e reprovocando o pecado e as atitudes erradas. Então o transgressor muda o foco acusando aquele que repreende; como se ele é quem estivesse errado, como se ele fosse o pecado. Mas não negando seu pecado, nem reprovando o seu próprio pecado, mas em pecado repreendendo o outro. Totalmente incoerente com o ensino de Jesus:

"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da vifa que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: 'Deixe-me tirar o cisco que está em seu próprio olho', quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão." Mateus 7:3-5

Além dessa atitude hipócrita para com os reformistas. Totalmente de uma atitude semelhante à Acabe para com Elias: "És tu, o perturbador de Israel?" I Reis 18:17. Acusam o reformador, aquele que quer edificar, que por motivos altruístas, amor, quer o melhor do próximo e de todo o povo, como ele sendo o "perturbador", o problema, o que está agindo errado, pecando. Querem formar um status quo com todos, então, que ninguém venha a repreender o próximo.

É provavel que esse tipo de coisa já tenha acontecido com você. Bem, comigo já, e poucas não foram às vezes. Principalmente quando se expõe verdades impopulares, que contrariam a moda e àquilo que grande parte das pessoas estão acostumadas. Contudo, compare o fim que teve Elias e àqueles que não quiseram dar ouvidos a sua mensagem de repreensão, de reforma.

Complementando o verso inicial de Provérbios, Jesus, também disse algo, no mesmo sentido: "Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem seus pérolas aos povos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão." Mat. 7:6

Contudo, mas quão duro é para o sábio, para o altruísta, àquele cheio de amor ao próximo, vendo-o destruir a si mesmo, vivendo e cometendo pecado; se deteriorando cada vez mais; não tomar nenhuma atitude por tal, sem lhe dizer algo, sem lhe repreender. No minimo oram por ele, a fim de que de algum modo, faça com que tal pessoa se atendam a ouvir "as palavras da profecia deste livro" Apoc. 22:18.

Pois quão triste são àqueles que não dão ouvidos a Palavra de Deus, com humildade, dispostos a sujeitar-se às determinações e restrições do Senhor. De modo que até mesmo Jesus declarou:

"Ele lhes disse: A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas, a fim de que, 'ainda que vejam, não percebam; ainda que ouçam, não entendam; de outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados!'" Marcos 4:11 e 12 (ver Isa. 6:9-10)


Leia também: Reforme ou ficará dando voltas

3 comentários:

Alexandra Cristina disse...

Muito interessante, apesar que é uma coisa mesmo estes politicos, pois a culpa não está no Brasil, mas deles.

Fredson disse...

É interessante a variedade de pontos de vista possíveis para esse texto.Ultimamente tenho estado reflexivo sobre esse contexto dentro da igreja.

"Reformadores" e "liberais". O interessante é que a formação de uma dicotomia nesse sentido não é necessário à religião, mas é uma característica do comportamento humano (existem estudos interessantes sobre o assunto), resultante do conflito entre o instintivo e as capacidades superiores humanas.

Sabendo-se disso, torna-se mais do que lógico o conselho divino sobre o "não julgar", pois nunca somos capazes de entender os motivos exatos que levaram uma pessoa a agir da forma que age (muitas vezes, inclusive, notamos a nossa própria dificuldade em entender por completo os nossos atos e sentimentos). Se por um lado, é possivel usar esse argumento como desculpa para não apontar ações erradas (há que se discutir sobre o que seria uma ação errada, a maioria do povo confunde ação mais "diferente" com ação errada, não distinguem regras de princípios, etc), por outro, devemos lembrar que a repreensão se fazendo necessária, deve ser feita com amor (espelhando-se no Ágape). E isso não quer dizer que tenha que passar a mão na cabeça. Eu posso discordar de alguém e ainda assim, com jeito ("vinde e arrazoemos"...), levá-la a entender porque discordo e mostrar uma solução. Daí a uma mudança de atitude é um salto tremendo (lembrando-se, é claro, da atuação do Espírito Santo, algo que foge totalmente da nossa alçada). O que não dá é pra querer empurrar uma mudança de atitude goela abaixo.

Um cara esperto um dia me disse: "O problema não está em julgar, mas em fazer o julgamento errado".

A repreensão deve ser feita sim, mas com muito, muito cuidado. Porque se não, o cisco estará no nosso olho também.

Cris Xavier disse...

A História de Enoque tem muito a nos mostrar:

“Ele foi destemido reprovador do pecado. Enquanto pregava ao povo de seu tempo o amor de Deus em Cristo, e insistia com eles para abandonarem seus maus caminhos, censurava a iniqüidade prevalecente, e advertia os homens de sua geração de que o juízo cairia sobre o transgressor. Era o Espírito de Cristo que falava por meio de Enoque; aquele Espírito se manifesta não somente em expressões de amor, compaixão e rogos; não são somente coisas agradáveis que são faladas pelos homens santos. Deus põe no coração e lábios de Seus mensageiros verdades penetrantes, incisivas como a espada de dois gumes

O poder de Deus que operava em Seu servo era sentido pelos que o ouviam. Alguns atenderam à advertência, e renunciaram a seus pecados; mas as multidões zombaram da solene mensagem, e continuaram com mais ousadia em seus maus caminhos. dos mensageiros do Senhor.
Os servos de Deus devem levar uma mensagem semelhante ao mundo nos últimos dias, e esta também será recebida com incredulidade e zombaria. O mundo antediluviano rejeitou as palavras de advertência daquele que andava com Deus. Assim a última geração escarnecerá das advertências “

(Patriarcas e Profetas, Pág 86)


É nosso dever levar a mensagem de advertência de Cristo, e assim como muitos a rejeitaram no passado assim também será na ultima geração.

“Dificilmente poderão os homens cometer maior insulto a Deus do que desprezar e rejeitar os instrumentos que deseja usar para salvação deles”.
(Patriarcas e Profetas, Pág 402).