22 junho 2010

Copa ou Droga do Mundo?

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Ninguém nas ruas, ninguém no trabalho, ninguém na Internet. Onde estão todos? Reunidos: em família, entre amigos, ou a sós; mas pode crer que estão ligados focados num único evento. - Ou seria um ritual? - Um Estádio, milhares de torcedores, 22 jogadores, 1 bola, 1 juíz, 2 bandeirinhas, equipe técnica, banco de reservas, demais arbitros, gandulas e, não menos importante, a mídia fazendo o papel de mediadores, levando até nós o que ali ocorre.

Mas como é dificil, muitas vezes, ver o futebol. O  esporte em si vira um mero pretexto. O que rola mesmo, não é a bola, mas o  espetaculo. Uma guerra de preconceitos que alguns chamam de patriotismo, quase que soando como um tipo de ódio pelo próximo. Em campo, era mesmo futebol? Busca pela vitória? Busca pela superação de seus limites? Fazer o seu melhor? Não forcemos a idealização. Mas sim era uma catimba quando se faz o gol, ou melhor, "segurar o jogo". - "Se chegar perto, dou um chutão para frente!", "Enrole até o juíz aptar." - O que falar da habilidade técnica de driblar o adversário? Era assim que pude ver Pelé fazendo, em função de fazer o gol, superação, fazer o melhor, era o modo de se passar pela pessoa. Mas ontem, pude ver Robinho, idolatrado por uns, dar um drible extraordinário no lateral da Costa do Marfim, tudo parecia ser mais um lance incrivel em função do objetivo de um gol, mas nisso, ele voltou atrás apenas para 'fitar' mais uma vez o adversário, e depois, sem a minima necessidade, mais uma, até que o bravo (provacado), o cavalou. Futebol? Ou isso era "tirar uma", desrespeitar/humilhar o próximo e elevar o próprio ego?

Se formos pensar em termos de relacionamento afetivo educativo, que nota daríamos para o que contemplamos numa copa do mundo? Falta de caráter, não importa, contanto que apenas não dê um carrinho por trás. Vemos relacionamento, amizade? Ou apenas algum tipo de negócio/interesse? - "Você é do meu time, ele não." - Onde vemos afeto? É quando alguem bate no seu companheiro e, invocadamente, raivosamente, você vai para cima sem afeto algum para com o agressor (ao mesmo tempo, dando uma de 'possível agressor', para ele temê-lo)? É quando se abraça, beija, comemora, carrega no colo o companheiro que fez o gol, mas que certamente, não abandonaria sua carreira, nem "milhões" para ajudá-lo? E a educação? O que aprendemos no jogo? Pessoas que enrolam, que fazem corpo mole, que entram solando, que dão o corpo para sofrer a falta, que finjem dor, que cavam faltas; sem contar os zilhões de palavrões, bate-bocas, agressões físicas, gestuais ou orais; e que, idolatrados, são considerados "grandes homens", pois aliás, são famosos, e ganham MUITA GRANA e luxo; fazendo o quê? O que um garoto de 8 anos faz na rua ou na escola. Até que ponto tais foram educados? Ou será que apenas não demonstram ser jogadores? Aliás, na tela da TV que vemos os soberbos, luxuosos, sem-educação, intemperantes, lascívios, assassinos, ditadores e os mais, talvez, (sem preconceito) a escória da humanidade desfilarem, pessoas quais deveríamos desviar nossa atenção. O que há de bom em contemplar tais? O que há para aprender de forma educativa?

Diminuindo o Zoom agora também observamos o Estádio e toda a platéia de torcedores. Muitos questionamentos poderíamos fazer sobre: "O que fazem ali?" "Deveriam estar ali?" Quais, pela mídia, pude observar muitas pessoas embriagadas, enchendo a cara, desfilando o corpo como no carnaval; ou mesmo focando na sensualidade de torcedoras, como a torcedora do Paraguai dos peitos grandes que enfiou 'ali' seu celular, e, em meio a um jogo de futebol, com crianças no mundo todo assistindo, a camera dá um zoom, um close, não no jogo, mas nas "duas montanhas" da torcedora com um decote que também não visava esconder nada [Aliás, "tudo que é bonito não é para se mostrar?" - Menos a senha da conta bancária.]. Bem, ali eles gritavam, ali fugiam da realidade e dos verdadeiros problemas e questionamentos da vida; talvez estavam pagando para fugir de si mesmo, fugir da razão e da vontade, e, como zumbis, deixar que seu corpo desfrutasse de toda agitação, desejos e prazer que aquilo pudesse, de algum modo, proporcionar.

Ainda ali no Estádio, pude ver um torcedor grego, daqueles "super bombados" exibindo todo seu corpo e músculos, além da cerveja (suponho), comemorando euforicamente com seus amigos; os quais certamente deveriam ter 'algum dinheiro'; não parecia nem um pouco preocupados com a realidade dura que se encontra seu país. E isto é o mesmo que vejo do lado de cá da televisão, um show de tediados e raivosos com a vida que parecem ter sempre um grito na garganta pronto para sair, barulhentos, agora com as vunvuzelas (mas de querer aprender a tocar um instrumento musical de sopro mesmo, nada), cheios de muito churrasco e cerveja, para pensar ainda menos e dificultar ainda mais a sobrevivência do organismo. E, assim se ligam na tela da TV.

Ora, a Copa na África, a tão sofrida África qual sofreu e sofre com inúmeros conflitos sociais e ideológicos, além de ser marcada por pobreza, miséria e fome; foi totalmente abarrotada. O que vemos na TV? A África do Sul, em cidades tais quais como seriam em países desenvolvidos de altissimo IDH e renda per capita; o luxo de modernos estádios, modernos onibús, modernas chuteiras, roupas; e todos parecem estar felizes e sorridentes. Da África, não fiquei sabendo nada nesta copa, apenas conheci sua elite, ou melhor os torcedores que vieram (em maioria, pois os africanos mesmo, mostram pouco nas filmagens) de outras nações, mas fiquei sabendo que o Maradona desfilaria pelado. - Oh! Que tamanha futilidade!

Crise fiscal, crise na Europa, drásticos problemas de poluição nas cidades, rios, uma quantidade colossal de petróleo vaza no Pacífico, enchentes aqui e ali, fome, miséria... tantas coisas! Mas tudo foi posto de lado, desvinculado da realidade do individuo. Como? Sedando-os, anestesiando-os com a Copa do Mundo qual conseguiu fazer com que fizesse de zumbis e fantoches milhões de pessoas (talvez bilhões). Pobre da política do "Pão e Circo" em Roma, mal atingiu 1 milhão de pessoas.

Após o jogo fui para a aula de música; bem, quase que ninguém compareceu. No culto, quase todos pareciam ter esquecido de Deus naquele dia, menos do jogo. Depois ainda dei uma breve caminhada pelas desertas ruas do centro de Santo André e para a minha surpresa, numa noite fria, pude ver e ouvir que em apartamentos pessoas ainda gritavam e comemoravam alguma coisa (ou simplesmente faziam barulho), haviam bandeiras, tiras verdes e amarelas, jovens embriagados que passavam rasgando pelas ruas com carros enquanto assopravam as 'vunzelas' mas que ali na calçada, na fria noite, havia um pobre morador de rua, no chão, tentando dormir, sem um cobertor! Todos encolhidos, claramente com frio, dormiam pela exaustão (creio que só assim conseguem dormir em tais condições); aspecto abatido, com fome, diferente, dos "patriotas torcedores" que a tal altura estavam já recorrendo as fármacias para aliviar os sintomas dos quilos de carne e cerveja ingeridos. Um deles, mal estava vestido, a calça tinha um rasgo que ia da bunda até o joelho, onde certamente entraria um vento frio revoltante. Mais alguns quarteirões e vejo uma mulher nas mesmas condições e que tirou o usado e desgastado tenis e meia, enquanto dormia naquela noite fria, com os pés muito inchados. Mas onde estavam as pessoas? Na copa. Comemorando o quê? A Pátria que em maioria eram homens ricos, que vivem no luxo, e, alguns, há anos, moram no exterior, longe da realidade do dia-dia do brasileiro; mas a Pátria, aquela formada pelo necessitado do outro lado da rua, dormindo no chão duro e gelado... nem podiam ver, apenas as imagens daquilo que a cerveja proporcionava em suas mentes. Com todo tipo de papos fúteis, frívolos, sedentarismo, consumismo, glutonaria, beberrice e gritaria.

E ao voltar para casa, o papo não era outro senão "Cacá" ou a cavalisse dos 'negões' marfinherios e ainda tive que ouvir bronca porque fugi da cultura da família e da sociedade, da qual, se reunir com a família para cultuar a copa do mundo e esquecer o resto do mundo, os deveres, necessidades, abstinência e a virtude; apenas para ali estar, preenchendo um espaço, o campo de visão e a audição, os quais, certamente não estavam dispostos para um relacionamento afetivo, muito menos educativo, apenas curtir a festa. O que me lembrou das palavras de Salomão: "Há mais sabedoria na casa de luto do que onde há festa."

Se formos pensar então nos ambitos espirituais. Se eu fosse Satanás, estaria também festejando com a copa do mundo, os gols do Brasil, as brigas em campo e até mesmo com a transmissão em High Definition; até diria com orgulho que perdi a conta das mentes que desviou da contemplação da Verdade, das coisas celestes (como Jesus nos rogou), da santidade, consagração, caridade, missão; até mesmo conseguiu fazer do Cacá virar piada de crente(cristão) e levar a blasfêmia Deus atra'ves da frivolidade que passaram a tratar os dízimos e ofertas com a piada; e que conseguiu promover com grande sucesso o entorpecimento da mente, do fígado, a algazarra, a frivolidade, a vaidade, a futilidade, a literal perca de tempo, desvio da oração vigilante e da Palavra de Deus. - Que tamanho sucesso! Deve estar contabilizando os ganhos ainda.

Assim foi meu dia, o que para alguns foi festa, para mim, uma tarde de domingo perdida (apesar de ter dormido no primeiro tempo, e ter perdido parte do segundo tempo enquanto estava tomado pela atenção num canal de documentários). E no final do dia, uma frase retomei do livro de Rudy Maxwell, algo assim:

"O mundo está rindo enquanto caminha para o inferno. E os cristãos também."

15 junho 2010

Da Vida Sentada: Da Educação à Aposentadoria

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Sabe, uma das coisas que muito me alegra em ver na Cidade Universitária (USP Butantã) além da abundância de verde são muitas pessoas praticando esportes, sobretudo correr e pedalar. A faixa etária média eu diria ser entre os 28-50 anos, e são muitos. Ontem, indo para mais uma aula de Filosofia na Faculdade de Educação, pude me deparar com vários desses esportistas pró-saúde. - Que inveja! Enquanto eles ali corriam, suavam a camisa com roupas e tênis confortáveis, lá estava eu, de roupa social, vindo direto do trabalho, após 2, 3 horas de sedentários momentos sentados ou parado em pé em ônibus, trem, metro; com uma mochila nas costas um pouco desconfortável, indo para uma aula, onde - acredite - ficaria novamente sentado por mais 2 horas.

Será que "sentado" é a posição do século XXI? Ou então, ficar em pé parado, seja numa fila ou numa lotação? E as endorfinas? Onde elas ficam? Estas que são liberadas quando nos exercitamos, movemos, porque são tão negligenciadas, melhor, ignoradas? Aliás, creio que um dos motivos das pessoas estarem tão ansiosas, estressadas, seja a falta de endorfina, intimamente ligada a falta de verdadeira movimentação física de qualidade.

Além disso, enquanto aquelas pessoas respiravam ao céu aberto um ar limpo (bem, o de São Paulo longe está disso) devido a toda vegetação uspiana; eu acabara de respirar por 1 hora um ar literalmente empoeiradado do Onibus que faz o trecho de Sertãozinho - Maua até Santo André, passando pelas obras do Rodoanel (muito pó!); depois, 1 hora de trem e metro apenas com a abafada ventilação interna do vagão, porém, no qual haviam dezenas de pessoas, muitas, visualmente com alguma virose, algumas até espirravam, e lá, eu, respirando aquele ar contaminado (e hoje, aqui estou eu com algum inicio de virose).

Por algum momento fiquei entre uma gratidão a Deus pelo meu sistema imunológico e uma certa ansiedade em saber se tal suportaria mais uma semana dessa rotina doentia, e sobretudo, no frio inverno sem chuvas, com um ar super carregado de poluentes (alias, o céu de São Paulo já está laranja, cinza, roxo).

E mais uma aula sobre Filosofia, uma discussão sobre o ENEM. Porém, pensando em tudo que estudamos e questionamos a respeito da Escola Básica, Pedagogias e do Ensino no Brasil; as seguintes objeções me vieram em mente:

1-) Por que o ensino não se foca na qualidade de vida? Na saúde física? Na atividade física?
Ora, de fato, antigamente, os nobres assim eram educados. Pois eles eram os lutadores da sociedade. Como se dizia, os servos trabalhavam, os nobres lutavam e o clero rezava. Esparta então, uma educação voltada para a Guerra, assim era o ensino, em formar guerreiros, lutadores. Mas e hoje? Provavelmente, o foco é totalmente outro: o de alguém sentado atrás de um computador, de uma mesa, num escritório, seja como administrador, programador ou engenheiro; no melhor dos casos, um médico, que terá que ficar em pé e ter mãos firmes; e em casa, sentados na frente da TV ou computador. E assim, desde crianças, eramos obrigados a passar tediantes horas sentados em cadeiras. Quantas vezes não queria eu me exercitar - ops! quer dizer, jogar futebol? Parece que desde crianças somos doutrinados a sermos sedentários na escola pelo simples fato de 95% do conteúdo escolar são sempre com o aluno na posição de "sentado", e 5% de raras aulas de educação física e recreio .

Sou novo, 24 anos, mas não tenho sombra de dúvidas que os jovens e crianças de hoje são muito mais sedentários do que na minha infância (ops, isto há 10 anos atrás! como o tempo passa rápido.). Na minha época, era rotina diária brincarmos na rua, estávamos sempre suados, sujos, corriamos, jogávamos bola, e diversas brincadeiras, das quais, quase a maioria, eram em essencia, cheias de movimentos. Hoje, é quase que raro eu ver algo semelhante a isto, e quando vejo, é esporádico e de curta duração. De fato, passávamos horas na frente da TV, video-game, computador, mas sempre dava o "tédio da cadeira", e logo, estávamos a procura os amigos e colegas para bater um futebol na rua, entre outras coisas, onde até mesmo as meninas participavam. Mas hoje, a maioria das crianças que conheço e tenho amizade (e olha que não são poucas), toda a movimentação, atividade fisica, brincadeiras do tipo, praticamente se limitam a Educação Física na escola, e ainda mais raro, são aquelas que fazem, por fora, academia, ou escolinha de futebol, ou judo, ou natação... e por aí vai. Os quais não são todos os dias da semana; os quais muitas vezes, duram menos de 1 hora.

Estamos passando por um processo de educação que eu chamaria de "atrofiamento da sociedade" ou "abundamento" (de tanto tempo que ficamos com as bundas sobre uma superficie plana e/ou estofada).

Provavelmente, se hoje há tanta insatisfação dos alunos para com suas escolas, provavelmente, isto deve estar diretamente ligado com o nível de stress, que por sua vez deve estar grandemente relacionado a falta de endorfinas produzidas por atividade física. Pois parece que encaramos os alunos, como computadores, Hardwares, partes duras, sólidas, que ficam paradas apenas recebendo e processando informação; e o que ensinamos (Matemática, Português, História...) são os softwares. Porém, não foi feito o homem para de fato suar a camisa?

2-) Irrelevância da vida pessoal
Vemos na Educação - aliás difícil é fugir disto - um foco para o utilitarismo social. É capacitar-nos para o convívio social e exercer atividades renumeradas na máquina econômica. Porém, o homem em si precisa tomar banho, ter higiene, vestir-se, usar calçados, comer, lavar roupas, limpar a casa, organizar nosso espaço em casa, na sociedade, relacionar com as pessoas. Mas o Sistema de Ensino simplesmente deixou tudo isto de lado. Não aprendemos a tomar banho (apenas temos vaga noção), mas não sabemos o quanto de sabonete usar, como escolher um sabonete, se o devemos usar sempre, como lavar a cabeça, quanto de shampoo usar, qual tipo... e assim, muitos tem problemas de saúde e uma pele envelhecida prematuramente por simplesmente tomar banho muito quente; assim como não somos educados a como tomar banho consumindo pouco tempo, água e energia. (aliás, NUNCA somos ensinados a sermos MODERADOS e TEMPERANTES no CONSUMO). Aprendemos como limpar a unha, a orelha, entre outros, ou apenas temos vagas noções genéricas? Vestuário? Ops! Sem ensino, a moda é a regra. Mas não aprendemos nada sobre tipos de tecido, o que é mais confortável no frio, calor, vento, chuva, mais fácil de lavar ou não; o que sua estética transmite, de quanto em quanto tempo lavar, como lavar, como usar cada tipo de produto para limpar a roupa... Aliás, nossas mães e os mais antigos se tornaram os dedentores deste conhecimento que está próximo a extinguir-se, e aí, seremos fantoches das publicidades e marketing das empresas que vendem tais produtos de limpeza. Aliás, quem aprende a se relacionar com alguem na escola? O que aprendemos é ter não uma amizade, mas algum tipo de "negócio", pois quase sempre envolve interesse e status quo. Se há uma instituição que ainda procura fazer isto - e olha lá - tal é a igreja (religiõe). Pois isto, que ainda chamamos de "educação", se alguem é bem educado ou mal educado, é responsabilidade de todos - e alguns insistem ser totalmente 'responsa' dos pais, quais não têm tempo para educar seus filhos, pois são tomados pelo trabalho, ou pela escola; aliás, uma sociedade que até as mães precisaram encarar está sociedade (foram educadas para isto). Por fim, as esperanças de uma educação pessoal, de certo modo, ficou - utopicamente - para as empregadas domésticas e babas.

3-) Viver em função do utilitarismo do trabalho
A educação doutrinou as pessoas a serem utilitaristas, trabalhadores e consumidores. Outro dia, o motorista do ônibus, um aposentado, soltou a pérola: "Fazer alguma coisa. [estou trabalhando aqui por isso] Pois vivemos a vida inteira estudando trabalhando, e aí se aposentar para quê? Ficar em casa sentado, coçando o saco vendo TV?" - Sêneca possuia umas grandes pérolas a respeito disto, sobre o verdadeiro ócio do sábio; porém, que a maioria não sabem ter este ócio, mas para tais é apenas algum tipo de vadiagem, inutilidade, vazio, muitas vezes lançados aos vícios.

A aposentaria deveria ser algum ideal para podermos viver e desfrutar integralmente daquilo que gostamos, dos nossos planos de vida, sem ter que ficar correndo pelo sustento, dinheiro e ficando sem tempo. Então deveria ser de fato, a melhor fase da vida, a qual poderíamos dedicar à longas e prazerosas leituras, pensamentos, projetos, obras de arte, a música, a composição, a reforma da casa, ao trabalho comunitário, dar assessoria aos amigos, viagens, conhecer o mundo ou cidades, regiões, culturas, poder desfrutar muito melhor e por mais tempo da mulher, da familia, dos filhos (se não estiverem sugados pelo trabalho), dos netos, na contemplação da Natureza, em longos estudos da Palavra de Deus...

Porém, não fomos educados a isto. Não fomos educados a de fato desfrutar da literatura como a uma torta de limão. Não fomos educados musicalmente (na verdade, isto foi praticamente fulminado das escolas), de modo, que a música que se desenvolveu então, eu diria ser apenas alguma manifestação de rebeldia desta vida, da escola, da sociedade, um certo tipo de fulga ou critica, ou um inquieto choro por um sonho de uma vida que não se sucedeu; mas nunca, de fato, a música em si (não platonicamente falando). As pessoas em geral não foram educadas a tais coisas, a escola [ou o Estado?] não educou e não se vê ter papel nisto. Nem tampouco a sociedade cultiva tais durante a vida, para quando chegar a aposentadoria poder usufruir.

Mas o mais triste disto, talvez, seja em reconhecer que quando se chega a aposentadoria, a grande maioria está já tão calejada, tão amassada, mastigada, sugada pelos demais anos de vida voltados para a sobrevivencia e ao utilitarismo, a correria, que talvez não tenham mais saúde, nem disposição fisica e/ou mental. Ou, ainda, com a aposentadoria tão curta, que o dinheiro não cobre nem os remédios, alimentação e demais impostos. E da melhor fase da vida, de maior disposição - a juventude - tudo isto fora retirado; a menos que, o afortunado seja patrocinado por uma pai "bem da grana" e assim, não precisar seguir este sistema para sobreviver. Uma elite, qual, muitos jovens sempre invejou e almejou; alguns, se rebelaram, ora tomando oposição a ela, querendo acabar com tais, ora querendo roubá-los e tomar para si tal posição, ora apenas por tê-los como ambição.

4-) Democracia
Democracia? Democratização do ensino? Se este é o paradigma filosófico (indefinido) que move as atuais politicas, talvez deve-se ser melhor questionada. Tal não seria um tipo de manifestação, revolta e inquietude, e não pela injustiça, pelas oportunidades; mas talvez pelo sonho e ambição de acreditar que a Democracia seria poder ser como os "poucos privilegiados", dos "bens de grana", sair, fugir do sistema, e aproveitar um ideal de vida pós-aposentadoria na juventude? O qual é utopia em qualquer conceito de democracia, pois isto desnutriria a base motora que sustenta e move a sociedade, a produção, a máquina econômica, o utilitarismo, o grande tempo que deve ser empregado para isto. Mesmo nas comunidades, tribos, que conviviam num número mais sustentável de pessoas com os processos de manutenção, produção e o meio-ambiente, ainda assim, foi necessário a hierarquia, a base trabalhadora que sustenta o sistema, e o privilégio de poucos que podem (e talvez precisam sair do sistema); claro, não num nível tão drástico como no mundo capitalista hoje. Porém, para uma população de bilhões de pessoas, acentuado e acumulado por tantos séculos, e, por cima, globalizado; era de se esperar menos? Esperamos menos porque focamos ideais, talvez fantasias que gozam a alma; mas que talvez, na fria observância, teríamos que concluir que não haveria outro jeito, mesmo tendo perspectivas caóticas.

Se a democracia visa lutar por algo (que não está definido e longe está de ser concenso). Talvez, primeiro, deveríamos nos perguntas: "Contra o que estamos de fato lutando?" E creio ser algo entre o tédio, a insignificância, desconfiança, descontentamento da vida que não se sustém, e uma morte inevitável. Apenas demos mais um nome ("democracia"), que dá mais rodeios, mas que não foge deste ponto; pois somos humanos mortais; e longe de ser uma sociedade com tamanhos ideiais biblicos de "arvore da vida" qual suas folhas "cura as nações" e seu fruto promove praticamente uma vida inesgotável.

Por este motivo, essas filosofias, muitas vezes me enche, por dar muitos rodeios, mas nunca se direcionar para o centro do problema; o que, segundo a Bíblia é o pecado: "Se pecares, certamente, morrereis." E então vivemos numa busca utópica de encontrar a vida pecando. E digo isso, não como um mero religioso com um chiche biblico, mas na verdadeira essência do que significa pecado (e que não são coisas, não é cristalizado em coisas e ações).

E aí Platão? E aí Heráclito? ... Sócrates, Agostinho, Hanson, Passmore, Rousseau, Ryle, Wittgeinstein, Kunn, Popper, Azanha, Dewey, Arendt, Perrenoud, Marx...? O que me dizem?

Mas enquanto isso, esperemos sentados, a morte, pois ainda resta muito trabalho à fazer.

08 junho 2010

TV - Não é o que parece

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Desde que temos uma TV em alta definição, fiquei de certo modo hororizado, inclusive meus familiares com as pessoas na telinha. Até então, que pareciam ter uma pele perfeita, agora, com a alta definição se vê claramente que não. A maquiagem fica em evidência e destaque, de tal modo, que é como se as pessoas estivessem sujas e borradas e com uma camada enorme de maquiagem (inclusive os homens). Porém, não é só isso. A alta definição também nos mostra precisamente as rugas, os pés de galinha, os poros, espinhas, deformações, pintas, buracos, rachaduras, cravos na pele das pessoas. E realmente vemos, que toda aquela imagem é falsa. Algumas pessoas, como a Ana Hickman chegam a ser nojentas, e nos faz questionar se de fato são belas. Aliás, já dizia minha prima que certa vez se hospedou no mesmo hotel da Sheila Carvalho (a que rebolava) e a viu ao vivo, sem maquiagem alguma, e disse que ela é simplesmente "horrível".

Sinceramente, eu não gosto de pessoas maquiadas [Quer dizer, das pessoas gosto, mas preciso muitas vezes de um esforço além do natural para olhar a humanidade da pessoa e não o exterior, quando se coloca tantas "luminárias" no que os olhos vêem, assim é tenho que lutar contra o meu natural de começar a reparar e julgar a pessoa pela aparência, se é bonita ou não, se é atraente ou não. E não ser tomado pelo nojo (é uma sensação semelhante a unhar o quadro negro, ver uma pessoa maquiada) - coisas do Evandro; acho que deve ser algum trauma de infancia relacionado a disciplina de Artes, pois eu odiava e tinha nojo de mexer e sujar com tinta, cola, purpurina e coisas do tipo.]. É de algum modo nojento, como se houvesse uma sujeira grudenta. Ao mesmo tempo, me frustra não poder ver a imagem real, a pessoa verdadeira como é, e assim, poder aceitar e relacionar com ela de fato, e não com uma imagem que não passa de um estióripo artificial. Ao mesmo tempo, que meu senso critica fica me atormentando: "O que queres esconder?", "Do que tem medo?", "Por que não se contenta consigo mesmo?"

Bem, a industria do cosmético é uma das mais fortes no Brasil, e investe pesado e brutalmente em propaganda; de modo que o povo brasileiro tem um indice de vaidade absurda em algumas cidades, como a minha Santo André, a qual certa vez foi considerada a cidade mais vaidosa do Brasil. Nas bancas de jornais é comum ver, principalmente mulheres, olhando para as revistas de moda, ou de 'pseudo-beleza', com aquele olhar de inveja, insatisfação e desejo de vaidade e se tornar bela tão quão. Porém, imagens publicitárias estão longe da realidade de como de fato é a pessoa depois de um banho, nos filmes e novelas também. (ou seja, as referências são todas artificiais!).

Neste ambito, as TVs em alta definição acabaram sendo vilãs para a industria de cosméticos, e sua publicidade. Mostrando claramente a mascara, e uma imagem simplesmente nojenta das pessoas. Contudo, nem todos, em geral, os programas estrangeiros não se percebe isso; talvez exista uma linha especial de maquiagem para gravação em HD, porem, por enquanto, ainda não se vê nos canais brasileiros.

Isto apenas me fez apreciar ainda mais as pessoas naturalmente, como de fato são. E de algum modo, me senti justiçado, como se tivessem desmascarado que eu estava sendo enganado este tempo todo (ops! quer dizer, a vida toda).

07 junho 2010

Consumo, Um Vazio ao Cubo

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Em 24 horas pude vivenciar um contraste astronomico. No feriado de 3/junho participei de uma trilha na Serra do Mar e no dia seguinte fiz compras no Shopping. – Que contraste!

Na praça de alimentação do Shopping comecei a reparar o ambiente, com centenas, talvez milhares de pessoas, correndo, e fazendo muito barulho. Se abrisse os ouvidos para prestar atenção nos sons ambientes, ficaria estressado, com dor de cabeça e severamente incomodado. Já na Serra do Mar, não estava cercado por milhares de pessoas, mas uma quantidade ainda maior de árvores e plantas que de algum modo tornava a contemplação do ambiente aconchegante. O que dizer então do som? Uma mistura de uma serena quietude, ao som de fundo, calmo de um rio e uma cachoeira, e que em alguns momentos era enriquecido pelo cantar dos pássaros. Ali na Serra do Mar, poderia tranquilamente amarrar uma rede entre duas arvores e passar horas contemplando aquilo, já no Shopping, não diria o mesmo.

Ainda na praça pude reparar na expressão de muitas pessoas enquanto comiam. E em geral, não se via nenhuma expressão de satisfação com aquilo que comia, apesar de ter visto isso em duas crianças ao morder o MacLancheFeliz. Eram comum ver pessoas usando condimentos além do que já havia, tomando alguma bebida junto; um casal, não socegou enquanto não compraram um shop. Ao mesmo tempo, que muitas pessoas pareciam estar em dúvida se realmente deveriam ter comido aquilo. E mesmo após a refeição, se via as pessoas sentadas de algum modo apreensivas, talvez com indigestão; mas não se via o animo e a gratidão por tal refeição. Na verdade, era uma paisagem de horrores de guerra a praça de alimentação.

Já na trilha que diferença. Além de poder beber da cristalina água direto do manancial, que revigora o corpo no primeiro gole, e que realmente da gosto de beber. Após 3 horas de caminhada paramos de vista para uma bela cachoeira para uma refeição. E não só o ambiente, mas a atividade física em si, proporcionou um enorme prazer e satisfação ao comer simples alimentos, alguns amassados, levados de casa; e nem foi preciso comer tanto para se sentir plenamente satisfeito. E o mesmo podia ver nos olhos daqueles que me acompanhavam.

No Shopping, praticamente todos estavam “bem vestidos”, isto é, com roupas aparentemente novas e pouco desbotadas. Mas que ao mesmo tempo, intocáveis, de modo algum se interagiam com o ambiente e as coisas, de modo que pudesse sujar a roupa, ou desfazer o penteado, ou mesmo suar a camisa. Assim, pareciam um monte de robôs perambulando pelas vitrines e lojas, tão próximos, mas ao mesmo tempo, tão individualizados que pareciam intocáveis e de algum modo solitários. Na trilha, a história era outra, todos com roupas simples, velhas, mas confortáveis. Não se importavam de interagir com o ambiente. Alias, muitos ficamos sujos de lama. Ora se sentava na lama e em pedras, ora interagia com galhos, plantas e flores, na maioria das vezes, molhadas. Vazia-se todos os movimentos possíveis até mesmo se arrastando. Todos suavam, todos fediam, mas de algum modo, isso não importava, não incomodava ninguém. Havia toque, não éramos isolados, mas um só com a natureza e o próximo. O que dizer então das vestes das plantas, arvores, rochas e dos pássaros?

No Shopping um sentimento de ambição, vaidade e poder sempre pareava no ar. Esse era o cheiro do consumo, e das pessoas pegando e avaliando roupas e coisas, tentando responder a pergunta: “Se eu comprar isso, me fará melhor, mais feliz?” Se a resposta era “não”, então descartavam, e iam para o próximo objeto; até que houvesse algum “sim”, e então, no caixa, mostravam seu poder de adquirir-se ‘felicidade’, com seus cartões de crédito. [O que dizer dos infelizes, que diziam “Sim”, mas o bolso, “Não”?] Eu mesmo passei por isso. É uma mistura de infelicidade e esperança ao escolher e experimentar peças de roupa. Por mais que tentasse seguir o ideal de Sêneca de se vestir de modo a ser uma benção para os outros, demonstrando a simplicidade, o contentamento, a falta de ambição e vaidade, mas ao mesmo tempo, mostrando a elegância digna de todos os homens e da sabedoria; ora eu me via em algum pensamento vaidoso, se aquilo me caiu bem; ora quase como se precisasse comprar aquilo para de algum modo sentir melhor. Até gastei mais do que pretendia, porque não bastava uma camisa, uma calça, era necessário uma para o trabalho, uma para igreja, uma para o casual. - Quanta vaidade!

Talvez seja o mais infeliz dos consumidores, ou o único que se sente mal ao se consumir coisas desnecessariamente [que muitos diriam necessário]. Mas enquanto saia de uma loja, um pensamento passou em minha mente: “Por que para cada peça de roupa que eu compre, eu não compre 2 para um pobre necessitado? Aliás, está tão frio.” Mas logo isso foi rejeitado quando pensei em meu orçamento. Porém, e se um garoto me abortasse e dissesse: “Tio quanta roupa você comprou. Me dá uma?” – Oh! Egoísmo, onde eu te fuzilo?!


Já na trilha não havia tais pensamentos. As roupas eram realmente roupas. Apenas reparávamos se tais roupas eram confortáveis, nos mantinham bem aquecidos e nos protegiam dos arranhões. Me sentia um afortunado, pela minha calça de mais de 5 anos secar rapidamente após molhar. E quantas peças de roupas? O mínimo possível, apenas o suficiente, caso contrário, até mesmo se tornaria um fardo na mochila e em nossos ombros.

Ali dentro do mato, como é simples. É tão pouco o que precisamos. Ë sempre suave, é paz, é satisfeito, é tranqüilo. Até o ar parece nos inspirar vida e energia. Já na cidade, tudo gira em uma utopia, nunca é o suficiente, nunca é satisfatório; e muito se faz para consumir, e viver, num lugar onde o ar, realmente, apenas nos inspira um pouco de morte.

Lá nossas pernas nos locomoveram por mais de 20 km. Aqui, que sirvam apenas para desembarcar do transporte e caminhar pelo Shopping, tão plano e liso, que as pernas nem parecem necessárias.

Acho que nos Shoppings, vemos a essência de uma vida urbana capitalista. Acho que vejo muitas das essências de um ser humano pós-moderno.

Que deprimente.

Por outro lado, como isso alimenta na alma a esperança de uma vida retirada. A qual, se não ocorrer aqui, neste mundo; virá no por vir, na casa que Jesus preparou.

31 maio 2010

Mais um ano para a coleção

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A partir de hoje posso acrescentar mais uma frase ao meu estoque: "Há 24 anos, eu...", bem, na possibilidade do tempo agora é possível, contudo, seria uma mentira; pois acho que minha memória mais antiga é de quando eu devia ter uns 6 anos.

Mas é intrigante, foi um aniversário de certo modo único. Pois acho que eu não avisei ninguém, só meus familiares mais próximos fizeram questão de lembrar desde ontem. E hoje ainda contei com a sorte do Orkut ter esquecido meu aniversário, o que fez com que não tivesse trocentos mil scraps com a palavra "Parabens", como nos outros anos. Ah, o pessoal do trabalho também lembrou, porque lá tem um quadro de aniversariantes do mês... Mas até onde vai a relevância disso?

Bem, sou atipico com aniversários. Detesto tal dia, pois de certa forma minha mente acaba querendo focar o eu. E aí se eu for ficar pensando em mim, olhando para mim etc... ixi. vai dar merda, ou algum tipo de depressão. Acho que por fim, acaba criando alguma expectativa, desejo, de autosatisfação, de receber alguma atenção, foco... e se não correspondido, acaba criando uma ansiedade, que na sua ausência não ocorreria.

Mas aproveitando esse dia, deixar isso para o lado, até mesmo as reflexões... porque tenho muito trabalho para fazer. E parabens a todos que não fazem aniversário hoje. Pois não fazem desse dia especial, assim sendo, não fazem dos demais dias menos especiais. Vamos lá, que a Fortuna não está preocupada com meu calendário.

Porém, aproveitando, todo aniversário é uma ótima oportunidade de se refletir nesse texto:
Uma Carta de Aniversário

15 maio 2010

Um Dia de Impacto

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"É necessário que Ele cresça e eu diminua." - João 3:30


Milhões de pessoas na América do Sul deve ter visto hoje uma forte mobilização da Igreja Adventista do Sétimo Dia na entrega de algumas revestinhas, que ao todo seriam mais de 10 milhões. Bem, a minha igreja entregou 16mil na região central de Santo André pela manhã. Eu e alguns amigos (
Elcio: sax soprano
Hugo e Renato: sax alto
Elton: trombone
Robert: flauta
Patrizia: violino
) fomos até o calçadão da Oliveira Lima, super movimentado pelo intenso comércio no sábado.O interessante foram algumas pessoas ficarem ao redor vendo, outras ficavam mais de longe, mas todos que passavam olhavam, e rapidamente todos foram distribuídos, na verdade, até faltaram. E eu não vi nenhum no chão, nenhum que foi jogado fora.

Não sei quais serão os frutos desse trabalho, eu tendo a ser pessimista e não esperar muita coisa. Mas, de ultima hora meus planos para a tarde mudou. Ao invés de ir para casa, fui para o Parque Central em Santo André, onde algumas familias da igreja se reuniram para fazer um piquinique (um almoço), e ali passei uma deliciosa tarde em meio aquele paisagismo e ambiente que tende ao bucólico. E em meio a tantas reflexões de algumas coisas surpreendentes que ocorreram no dia que me deixaram super feliz... aliás, hoje, pude perceber que uma amiga me perdoou de uma besteira que fiz. - [Caro leitor, você não imagina o que isso significa para mim, ainda mais nesse caso especial.] - O triste é ver como passa tão rápido esses instantes, de modo que muitos amigos, apenas verei semana que vem.


E mais próximo ao pôr-do-sol, quando parei para estudar a Bíblia, no estudo do livro de João que estou fazendo, após um longo estudo de Isaías (foram uns 4 meses). Hoje me deparei com uma mensagem de João extraordinária:

"É necessário que ele [Jesus] cresça e que eu diminua. ... Aquele que o aceita confirma que Deus é verdadeiro."  João 3:30;33

E diante disso fiquei pensando muito. Quanto a mim mesmo. Será que o Evandro está diminuindo e Cristo crescendo? Quando olham para mim, falam comigo... qual é a impressão que eles tem: Evandro ou Jesus? Pois se for o Evandro, oh! lastima! O que tenho a oferecer? O que tenho de atrativo? O que posso fazer? E isso me fez questionar um pouco esse grande evento de hoje. O que será que estavam vendo as pessoas: "Um bando de cristãos distribuindo folhetos bonitinhos.", "A Igreja Adventista.", "O Sábado Sagrado." ou Cristo? Pois se não for Cristo, uma série de questionamentos me vêm em mente. Será que vale a pena? Não será que estamos desfocando da pessoa de Jesus?

Talvez tenha havido sempre um foco antropocentrico, isto é, no humano, na pessoa, no ser, aliás, até mesmo em instituições, na pessoa juridica. Mas João disse que deve ser exatamente o contrário. Creio até mesmo que na música está havendo muito mais uma experiência pessoal, que faz crescer a imagem do músico, ao invés de "diminuí-la" e fazer crescer a de "Jesus". Ninguém disse isso, mas acho que um pensamento muito comum hoje é o de considerar que "nenhum lado deve diminuir, mas ambos crescer." Ou seja, não é preciso diminuir a imagem do homem para crescer a de Cristo; mas que as duas devem crescer. Talvez, nisso podemos aprender e encontrar raízes dos atuais problemas laodiceianos do cristianismo.


Fica aí algo para pensarmos esta semana.

10 maio 2010

07 maio 2010

06 maio 2010

Problema está no conjunto de indivudos do conjunto e não no conjunto

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Sejamos sinceros:
- As pessoas estão contaminadas pelo consumismo; (logo há as várias causas que levaram a isso)
- O mundo não está somente insustentável, mas as prévias de um colapso (isso me faz pensar nos anjos que conteriam);
- A sociedade e economia estam a prévia de colapso (basta um forte estopim), ao mesmo tempo, dependentes do consumo que agrava a situação;
- A educação está uma bagunça;
- O que move a sociedade hoje é a ambição por dinheiro, status, ou algum tipo de neura de sobrevivência, e prazer.

É extremamente tentador dar-se ao pessimismo. Assim como, cada vez mais dificil manter uma serenidade estóica. De certo modo o mundo se torna intragável. Isso sim me parece um cumprimento das profecias biblicas. Na carta de Timóteo temas aquela profecia que as pessoas (professas cristãs) seriam como abaixo (II Tim cap. 3). De fato, em todos os tempos houveram pessoas assim, e é o que marcou a sociedade. Mas está profecia, está para descrever os "crentes". É como se dissesse: "Os que se dizem cristãos seriam assim...". E hoje tudo isso se mesclou numa cultura moderna, e está cultura está inserida na igreja.

- Amantes de si mesmos;
Isto significa até mesmo estar na igreja por amor a si ao invés dos outros. Viver por amar a própria vida ao invés de por amar o próximo. Preocupados na própria satisfação, nessa que seja meramente o convivio social ou a distração com palestras, sermões, shows, música. (além da vaidade que é inserida)
- avarentos;
Pessoas ecentricas preocupadas com o próprio nariz, nem aí para o outro, não ajudam com nada, não dispõe de seus recursos, não produzem nada, não dão satisfação de nada. É o mundo dele, é a vida dele, é a religião "pessoal" dele e o resto que se dane e que ninguem venha se intrometer. E quantas vezes já não ouvimos frases e idéias semelhantes: "Cuide da sua vida, que eu cuido da minha.", "Problema é meu.", "Não ponha o nariz onde não é chamado."...?
- presunçosos;
Pessoas que se permanecem céticas, ou que se bitolam numa idéia até que se prove o contrário, e que ficam mais se baseando naquilo que lhe convém. Aliás, quantos não agem assim para com as Leis de Saúde, para com os dízimos e ofertas, em confiar ou mesmo perdoar outras pessoas?
- soberbos;
Pessoas orgulhosas, pessoas que se acham, pessoas que não buscam a humildade, seja nos hábitos, seja na aparência, seja nas intenções. Preocupadas em ganhar dinheiro, com o seu 'desenvolvimento pessoal'; muitas vezes se tornando arrogantes, se achando superiords aos outros. Em geral desprezam o outro... Aliás, principalmente no que se diz sobre status, é dificil ouvir um doutor em engenharia dando ouvidos a um pedreiro. Aliás, há cultos, há 'unidades da igreja' que são diferentes, com um pastor diferente, focados para grupos de pessoas soberbas diferentes! E por cima ainda dizem que isso é questão de "método" pois o fim é o mesmo! [como se o meio não fosse um fim, ou parte]
- blasfemos;
É mais comum ver respeito para com Deus. Mas ainda muitos falam Seu nome em vão, aliás, repetem e falam do Seu nome indiferentemente. Além de não dar valor para tudo o que for de caráter santo. Um dos grandes exemplos é o corpotamento e o tipo de mentalidade manifestada no templo dedicado para Deus; há quem não contenha as próprias palavras, falam de assuntos frivolos, a conduta é de qualquer jeito, falam de qualquer jeito, se vestem de qualquer jeito, a postura é de qualquer jeito... a presença de Deus e a idéia de estar cultando a Deus é indiferente muitas vezes para com rotinas e coisas do dia-dia.
- desobedientes a pais e mães;
Não preciso dizer nada. E não apenas vale para os adolescentes e jovens, mas até mesmo para as crianças. Aliás, na seta contrária, até mesmo se vê muitos país considerando a igreja como algum tipo de creche. Para se livrarem temporariamente dos seus filhos, deixando-os em 'boas mãos'.
- ingratos;
Quando muito, a gratidão não passa de meras palavras de agredecimento que no dia seguinte já não importa. Aliás, o mais dificil de se ver é gratidão, e mesmo pelas coisas mais simples; há uma certa tendência das pessoas negarem algo, mesmo se quando querem agradecer.
- profanos;
Pessoas que violam ou tratam com irreverência coisas sagradas, como a saúde, a família, o matrimônio, o relacionamento com o próximo, o namoro, o casamento, o sexo, o templo, a Palavra de Deus etc. Ou então que mancham tais coisas, borrando um pouco a imagem de tais e que não se importam de deixar limpo e brilhando. E até mesmo injuriando tais coisas, ofendendo, fazendo piadas daquilo que é santo, é da vontade de Deus. Aliás, hoje virou moda pregadores e pastores ficarem fazendo piadas, como um método de domínio, de controle, de imposição... coisas quais até mesmo filósofos gregos já repreendiam de um discurso. Onde na Bíblia vemos uma piadinha quando se está pregando a Palavra de Deus? E ainda há quem diga: "Esse pregador não tem graça..." E muitas vezes, medindo tais pelos risos que provocam. Talvez devessem ser apresentadores de programas de piadas.
- Sem afeto natural;
Essa pesa! É o que digo quando praticamente morreram os relacionamentos afetivos educativos. E pergunto: "Por que as pessoas simplesmente não se irmanam?" E uma característica marcante hoje é o "não afeto", quanto pior ainda, o natural. Aliás, o problema logistico também faz crescer isso, com igrejas com um número cada vez maior de membros, impondo isolamentos, grupos, panelas e até mesmo exclusão.
- Irreconciliáveis;
Olhe quantos cristãos que não perdoam, que guardam mágoas, receios. Há um ancião que certa vez pregando: "A pessoa erra com voce 1, 2, 3 vezes. Você perdoa, mas depois disso, você pode até perdoar, mas já não confia mais nela. Porque cristão não é ser bobo." - Veja isso!!! Aliás, esse é o pensamento que muitos pais cristãos estão passando para os seus filhos. E pior ainda, depois, acabam tendo a idéia que Deus haje do mesmo jeito com as pessoas. Quando na verdade, para Deus, é passado, aliás, é como se esse erro no passado nunca tivesse acontecido. E mesmo a pessoa tendo que sofrer a consequencia, Deus vai estar junto, sofrendo junto, partilhando, compartilhando, dando forças para suportar e superar. Estamos criando uma cultura de mágoas, de não-perdão de irreconciliação, de desconfiança, de uma postura fechada; o que faz as pessoas cada vez menos se importar com os outros, mas importarem com o próprio nariz.
- Caluniadores;
Já estou cansado de ouvir pessoas que ficam fazendo calunias, nem que seja na declaração do Imposto de Renda; não pagando impostos; usando bens de Deus para o próproi mal bem. Aliás, um dos grandes problemas é que antes a Igreja Romana era cheia de luxo para o clero; e isso vem ocorrendo aos protestantes hoje, o seu clero, lideres, pastores, cheio de luxo, aluguel pago, gastos com transporte, hospedaria, hotéis de luxo, entre vários outros... e totalmente longe de uma idéia mais comunista (a la Atos 2) de suprir as necessidades e carências dos demais membros.
- Incontinentes;
Também está cheio de pessoas que não se contem, ou melhor, sem autocontrole, cheio de paixões e vicios. Sem moderação. Não moderam nas palavras, não moderam nos atos (e ainda tentam desuclpar o pecado como sendo "personalidade genética imutável" ="Nasci assim e vou morrer assim. Não reclame. Não vou mudar. Então não enche!"). Além disso, pessoas que não observam e não obedecem com autocontrole a ordem, seja em cerimonias, seja num culto, seja na postura, seja até mesmo no ensaio do coral, ou num momento de cantar entre outros... é praticamente um escravo da sua carne e natureza pecaminosa.
- Cruéis;
Outro dia, ouvi de uma 'amiga', 'cristã', dizendo que eu tive sorte dela não ser vingativa comigo, pois eu não faço idéia de como ela é cruel. Contudo, diante da psicologia critica, destaco que alguns dos maiores atos de crueldade é não dar valor, importância para o próximo; não é considerá-lo com dignidade; com justiça; considerar alguem digno de ser chamado pelo seu verdadeiro nome (pense nos apelidos). Sobretudo, quando olhamos sem esperança para alguem, condenando-as. Como certos 'professores' que falam para um aluno: "Você nunca será nada na vida. No máximo um lixeiro ou vendedor ambulante."  E quantos não são os que olham assim para os mais desinformados, de menor grau de escolaridade, mais pobres, necessitados...?
- Sem amor para com os bons;
É mais comum se ver atitude de critica ou de certo desprezo para com os bons.Alguns até colocam apelidos com um significado ofensivo: "Olha o santinho."
- Traidores;
Sobretudo no de trair a confiança dos outros. Dão pé atrás. Na hora H não cumprem, desaparecem. Larguar o cargo. Sem compromisso. Falam pelas costas. Abandonam, somem no meio do caminho, faltam quando não deviam. Sobretudo, traem Cristo. Até mesmo traem sua familia, amigos, esposa. Traem a si mesmos.
- Obstinados;
Há muita gente não só obstinadas na vaidade, no pecado, nas coisas erradas. Há um outro tipo de obstinação forte hoje que é a busca por coisas terrenas. Sobretudo titulos e dinheiro. Há amigos meus, sem necessidade, são obstinados a se tornarem médicos, ou outros objetivos não exatamente definidos e analisados. Empregando muito dinheiro, tempo, energia para tais coisas, muitas vezes se estressando, deixando de ter uma vida mais tranquila, e ocupar tal tempo com outras coisas, como a igreja, a familia, os amigos. Fora aqueles obstinados a ter tal coisa, ou em namorar tal pessoa. Alguns obstinados pela beleza até vão para uma mesa cirurgica. Outros gastam 10, 20 mil reais, apenas para saber a sensação de estar em outro continente. Passando por cima de muitas outras coisas de suprema importância, como a igreja, ajudar os pobres e necessitados, estudar a Palavra de Deus. Por fim, estão obstinados com as coisas terrenas, com este mundo. Enquanto isso, o Filho de Deus foi um simples carpinteiro que muitas vezes não tinha onde repousar ou cair morto; e que sua única obstinação era ajudar os pobres, necessitados, quebrantados de coração, restaurar o Reino de Deus, pregar a Palavra de Deus e salvar o pecador arrependido. Porém, somos ensinados o contrário desde criança; menos a sermos como Jesus.
- Orgulhosos;
Nem comento.
- Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus;
- Vamos no show?
- Vamos.
- Vamos na praia?
- Vamos.
- Vamos na pizzaria?
- Vamos.
- Vamos ver o filme x?
- Vamos.
- Vamos viajar?
- Vamos.
...
- Vamos orar?
- "Hum" ok.
- Vamos estudar a Bíblia?
- Ah, deixe-me ver. Tem que marcar um dia. Acho que tenho tempo no sábado.
- Vamos cultuar e venerar a Deus (e sem música, teatrinho...)?
- Hum, acho que dessa vez não dá. Mas pode ficar tranquilo que vou na igreja toda semana.
- Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.
Não são poucos os que não acreditam na eficácia do perdão, da benevolência, da solidariedade... Mas que apostam no "Big Stick", no castigo, nos processos, na denúncia, na briga, na discussão, no bater boca, na intimação, na cadeia, na sensura... e ainda dizem: "Nunca será como antes." - Nesse ponto, acho que Gandhi foi um dos mais cristãos, esse sim acreditou no poder da piedade, e conseguiu a independência do pais, sem nenhum ato ofensivo; diferente dos nossos exemplares "Norte-Americanos PROSTESTANTES", com a idéia de que a justiça e o bem é feito através de "super-heróis" fortes, brigões, violentos e armados até os dentes, mais poderosos que os vilões. Paz e liberdade para tais é sinonimo de potencial bélico. E a piedade? Deus diz para perdoarmos uns aos outros se dejarmos ser perdoados por Deus. - Quão hipócritas são muitos dos que professam perdão!

O rescem livro "A Neutralização do Adventismo" do Pr. George Knight, não o li, mas pelo que me disseram, focam que a igreja perdeu sua relevância, mas apontando principalmente por perder o foco da mensagem. Contudo, eu considero isso como sendo parte da cusa e consequencia. A maior causa ao meu ver, está ai em Timóteo. O questionamento creio que é mais para "São os adventistas adentistas?" Creio que a crise está não nas obras, mas porque ao invés de ovelhas pregando são lobos e isso gera um ciclo vicioso. De modo tal, que alguns consideram o adventismo como um conjunto ideal platônico formado pela "instituição-idealis + biblioteca do que se professa conhecer acreditar ser verdade", e não como um significado pessoal do indivuo da pessoa que incorpora essas coisas (as pessoas são meros números que sustem o sistema).

Lembro da aula de filosofia, sobre Ryle, ao observar uma imagem a qual se pode ver 2 figuras (1 cálice ou 2 rostos de perfil). Por mais que algumas pessoas se esforcem, acreditem que há as duas figuras e aceita isso, não consegue ver mais do que uma. Porque ainda não houve uma construção de significados e associações em sua mente que lhe permite realmente "ver" aquilo. Por mais que chore. Do mesmo modo, as pessoas acreditam nesse pensamento platonico de Adventismo e de mensagem adventista, mas simplesmente não o vêem, por mais que se esforcem e queiram, podem até chorar; mas não foi construido tal significado em sua mente que lhe capacita a de fato vivenciar a experiência de ver aquilo.
Por esse e outros n motivos. Apenas creio que um milagre divino pode reacender Laodicéia e por fim, concluir os eventos finais. Aliás, uma mudança de postura dos adventistas e de seus lideres, já ocnsideraria tal milagre. E assim, essa merda de mundo devastação da Lei de Deus passar de uma vez por todos, e viveremos (ou ser destruido logo de uma vez por todas) numa nova Terra, com uma sociedade e ambiente restaurado a imagem de Deus. Pois de resto, tudo parece demagogia que não leva a lugar algum (levar, leva, mas não onde queremos chegar).

28 abril 2010

Sêneca - Final do Livro

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Foram 2 maravilhosos meses de leitura do livro "Sêneca- As relações humanas: a amizade, os livros, a filosofia, o sábio e a atitude perante a morte"; o qual é composto de algumas das cartas de Sêneca para Lucílio.

Após ler tais obras, eu diria que a leitura de Sêneca seria  quase que um complemento a Bíblia necessário para qualquer um que busca compreender a significância do autêntico cristianismo; porém, o mais interessante de tudo é que Sêneca nunca foi cristão, nem o conheceu o cristianismo, tampouco lidou com a cultura e filosofia judáica; mas veio de uma origem da filósofos estóicos.

Por fim, há um monte de coisas que gostaria de poder compartilhar de tal filosofia; e deixo aqui o último capítulo, ou última carta deste livro - Carta CXXIII; a qual de certa forma é uma grande repreensão aos modismos, seguir a maioria, consumismo, e meros prazeres... pois tais conduzem a corrupção da alma [uma leitura bem vinda numa época dominada pelo capitalismo]. A qual, por motivos de preguiça plena, ao invés de redigi-la scaniei. Clique nas imagens abaixo para vizualizá-las.




E, também, gostaria de compartilhar um comentário que há no livro sobre o autor:

"[...] Mas não é o austero professor de filosofia que fala nas cartas, tampouco o retórico. A filosofia para ele tem uma finalidade inconfundível. Ela forma a alma, a afeiçoa, regra a vida, guia as ações, mostra o que se deve fazer ou evitar. Não se trata de dar à contemplação belas frases, mas sim de propiciar a busca do Bem. Procura-se conduzir uma alma de qualidade à sabedoria, a discernir os verdadeiros valores, a viver segundo a Razão, a guiá-la para a contemplação da Natureza, portanto do Divino. O verdadeiro conhecimento é aquele que permite descobrir a Natureza e vivver em harmonia com ela. Sobretudo, ele nos liberta do medo da morte. É missão do filósofo levar o homem a superar essa angústia.



Desse modo, para formar o seu discípulo, Sêneca parte do mais concreto. Recorre a eventos que tanto o remetente quanto o seu destinatário presenciam e vivem todos os dias, para, só então e a partir desses eventos concretos, desenvolver reflexões sobre a natureza deles. Meditações aprofundadas sobre a morte, sobre a amizade, sobre a filosofia, são na seqüência encaminhadas a seu destinatário. O professor-amigo é uma chama viva, sempre à procura, dando de si ao outro para dar-se a si mesmo."


Agora é seguir com o próximo da lista. Por enquanto, "Da Tranquilidade da Vida", também de Sêneca.

26 abril 2010

O Poder do Perdão

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"Tomem cuidado.Se o seu irmão pecar, repreenda-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: Estou arrependido, perdoe-lhe."
Lucas 16:3 - 4

Nos últimos dias, minha mente pensou muito no perdão, principalmente pelo contexto qual estou passando; alias, qual - coincidencia? - foi parte do tema do sermão do Pr. Ronaldo Arco da UCB, neste sábado, no Dia Mundial dos Desbravadores. Mas sabe, esse tema - perdão - me lembrou muito das aulas de psicologia na faculdade.

Um dos pensamentos que mais insistia era: "Se todos fossem ensinados a amar e perdoar desde criança, era o fim dos psicólogos." Por quê? Porque a grande maioria dos problemas que se manifestam na verdade são transtornos e traumas do passado não superados (e os mais intensos, normalmente são atribuidos a infância). Claro, segundo Freud tudo era um trauma sexual de infância; mas hoje - ainda bem - a coisa é muito mais desenvolvida.

A vida é cheia de traumas e transtornos, alguns são nós que fazemos, outros são outros. Mas por que dói tanto? E o interessante, é que quanto mais intimo, mais dói. Há homens na história que suportaram a tortura mais cruel, mas que não suportaram a traição de algum ente muito querido, ou a sua própria culpa e se cuicidaram por fim. Se alguem que você não conhece faz algum mal, você por fim acaba pouco ligando; mas se for seu melhor amigo, ou irmão, ou seu pai, mãe, ou seu filho (não tenho filhos, mas isso me faz imaginar o que é ser um pai)... então a coisa é realmente forte, MUITO forte. É quase impossível de se pensar numa mãe traindo o próprio filho; então imagine o transtorno que é para um filho quando isso acontece! E de fato, um dos piores traumas existentes, são quando pais ferem os corações dos filhos quando crianças (como pais que abusam sexualmente de filhos, ou que traumatizam através de uma postura religiosa). Há uma grande aceitação de psicólogos que boa parte dos ateus e "anti-cristãos" eram filhos de pais cristãos, ou de parentes cristãos, em que o suposto cristianismo de tais traumatizou, quando eram criança. Aliás, o que imaginar das crianças que foram violentadas por padres? Esses traumas, são certamente um dos mais difíceis de se superar. Aliás, quão violento é para um filho o divórcio dos pais!

Mas há um outro trauma que considero ainda pior: É quando nós fazemos um mau para alguem que amamos. A culpa que isso carrega é imensurável. Ultimamente, houveram momentos que até me fez querer não ter existido, e então não teria feito tamanhas feridas. E aí, pode desenvolver um dos piores problemas: "Quando a pessoa não se perdoa."

Mas por que isso ocorre?
Segundo uma perspectiva da psicologia crítica, o homem tem 2 posturas: "Abertura" ou "fechadura". Um verdadeiro relacionamento só acontece quando nos abrimos, isso automaticamente envolve confiar, dar valor. Abertura é uma autodisposição a participar, compartilhar, carregar todas as experiencias, dores, alegrias, amarguras do próximo. Inclusive dar a própria vida por ele. E isso é uma essência do nosso ser. Quando pensamos no homem, temos que pensar nos relacionamentos que formam este homem. Ou seja, quando penso no Evandro, estou pensando em todos os relacionamentos para o qual ele é profundamente aberto (meus pais, amigos, familia, música, Deus, natureza, etc. -  sobretudo, as pessoas e Deus.); tais são o que me formam nesse homem que sou e pensa. Salomão já dizia que as amizades moldam o homem; diga com quem andas e direis que tu és, e por aí vai. Essa abertura são laços que criamos, cordas que sustentam nossa vida, existencia, ser; aquilo que acreditamos, que temos esperança, o que nos dá vontade, propósito, energia, disposição para viver. E isso apenas ocorre quando estamos com a porta aberta; formando um verdadeiro relacionamento afetivo educativo. Educativo, porque essas conexões te constrói, desenvolve, tanto você, quanto quem está na outra ponta da corda.

Enquanto não houver uma abertura, esses laços não são feitos. Uma postura fechada impede não só de criar o laço, mas até mesmo de compreender, ensinar. Como no trabalho de estágio que fiz na disciplina, e depois discutido em sala de aula com outros graduandos; as crianças que eram fechadas com o Evandro, simplesmente não se interessavam, não prestavam atenção, nem tinham a vontade de tentar entender o que ele dizia por mais didático que ele se esforçava; já as crianças que estavam abertas para com o Evandro, sobretudo as mais amigas: o Evandro até mesmo podia estar muito limitado na didática, e cometendo erros, mas elas se esforçavam naturalmente para compreender e entender. E por fim o professor descreveu isso, deste modo: quando se faz esses laços frutos de uma abertura, se torna plenamente intimo, tão intimo que é quase como dizer que "o seu pensamento é o pensamento do outro", a pessoa não se satisfaz se não compreender o que a outra ponta está pensando; ela quer fazer parte disso; e mais, pois isso é parte dela.
Isso me fez pensar nos pensamentos de Sêneca

"Se tu vês um homem como amigo sem teres nele tanta confiança quanto em ti mesmo, tu te enganas muito e só tens uma vaga idéia do valor da verdadeira amizade."
"Podieria citar-se muitos homens que sentiram falta não de um amigo, mas da amizade."
"Perguntas-me, escreve ele, que progresso eu fiz? Tornei-me meu próprio amigo." [Quando se tem uma verdadeira amizade]
"Se queres ser amado, ama!"
"Tiramos a grandeza da amizade, quando nela vemos um meio de ganhar alguma coisa."

E Sêneca desenvolve uma idéia de que a amizade se torna uma união tão intima, como se fosse uma só carne (ou seja, é como a corda fosse tão curta que as duas pontas fossem uma só.). Logo, quando se está amando ao próximo, quando se está educando o próximo, quando se está amando o próximo, quando se está perdoando o próximo, na verdade, por fim, está fazendo tudo isso a si mesmo. Que incrível é esse pensamento, pois Jesus disse: "Perdoem, e serão perdoados." Lucas 6:37
Mas aí acontece o trauma, uma das duas pontas pega uma faca e tenta cortar a corda. E, algumas vezes, é algo tão forte que chega a rompê-la. Em seguida, a vitima tende se fechar rapidamente. O homem se fecha = GRANDE TRAUMA. Na verdade o homem está arrancando o próprio braço, coração, ele está cortando fora aquilo que lhe forma; aquilo que forma sua vida, seus planos, vontades, pensamentos, desejos, motivações, sua base. E isso dói! E como dói! Por isso é tão duro fechar uma porta. Este é o maior trauma que pode ser feito. Quando fechamos a porta para alguem, para um relacionamento. E se fechamos, isso se torna um trauma não superado. A vida passa a entrar em desequilibrio, com uma das pontas cortadas; o todo não funciona em harmonia, e esta doença vai se desenvolvendo pelo resto da sua vida, e, na maioria, muito sutilmente, destruindo aos poucos muitas coisas do homem. Às vezes, o estrago é tanto, que tais pessoas precisam ir ao psicólogo. E aí, aquela busca pelos traumas não superados.

Que interessante: "Eis que estou a porta e bato..." Jesus propondo perdão, abertura, reconciliação; mas nunca impõe. Acho que a melhor definição de "santo", neste momento, é "sem traumas". Lucifer é assim, porque não perdoou. Deus é assim, porque muito perdoou.

Mas o que Jesus diz quanto a isso?
"Se [a pessoa] pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: Estou arrependido, perdoe-lhe."
A solução é simples. Talvez Sêneca diria: "Se a corda arrebentar, salte e agarra-se na pessoa, abrançando-a. E não mais solte até ter remendado a corda." (isso não lembra: "quem muito é perdoado, muito é amado"?). De fato, Jesus foi o maior psicólogo que já existiu. Pois o perdão é algo simplesmente maravilhoso, alguns dizem ser divino. Ele consegue curar as duas pontas, sobretudo aquele que perdoa! E quando se perdoa, está remendando a corda. Eu diria ser um remendo com um nó de pescador duplo, triplo, quadruplo, n-plo; que deixa a corda que une os dois ainda mais grossa e resistente. (Quem é desbravador vai entender melhor.)

O perdão abre as portas. O perdão promove vida; dá ar fresco mesmo na chaminé. O perdão une. E mais, o perdão é a verdadeira cura para os traumas.

Hoje eu tenho uma cicatriz de mais ou menos 1,1cm no dedão direito, de quando era criança e brincando com meu primo, ele me fez cortar ao quebrar o vidro da janela com um soco (fiquei imensamente bravo com ele. Até lembro que lhe disse: "Olha o que você fez!"). Hoje eu olho para isso, e é até que agradável; porque isso criou um laço com meu primo, muito querido, ao invés de destruir. Do mesmo modo, creio que Jesus eternamente carregara as marcas das feridas em suas mãos com grande agrado, prazer, satisfação, alegria. As quais abriram suas mãos, mas abriram portas, uniram corações, criaram laços inseparáveis para toda a eternidade.

Satanás é quem não quer que perdoemos, assim como ele não perdoa. Satanás é quem quer que sejamos rancorosos, magoados, infelizes, fechados, com medo, desconfiados, perplexos, e com várias cordas cortadas (aliás, ele quer substituir tudo isso por falsos laços que estão presos a nada). Já Deus é o contrário. O perdão salva vidas, salva amizades, salva alegrias, salva afetos, salva orgulho, dignidade, valor, confiança, esperança, salva até mesmo casamentos e evita guerras.

Ah se simplesmente as pessoas perdoassem uns aos outros, estariam amando-as. Como seria o mundo, se simplesmente, as pessoas perdoassem tão facilmente quanto respiram.

Que tal hoje mesmo recuperar e criar novos laços, abrir as portas? Se você errou, seja humilde, como foi o homem segundo o coração de Deus: "Então, disse Davi a Deus: Muito pequei em fazer tal coisa; porém, agora, peço-te que perdoes a iniqüidade de teu servo, porque procedi mui loucamente." I Cronicas 1:21 E se pisaram na bola contigo, olha, é tão simples: se tal se arrependeu, e pede perdão, não pense em mais nada, não pense na faca, mas no nó; vá e abraceo. Perdoe-o, e estará se perdoando e superando um trauma. E mesmo que ele não queira o seu perdão, perdoe-o; porém, ele não se permitirá ser perdoado. Mas não deixe nenhuma sujeira no seu coração. Não faça um estoque de "provas criminais". Se livre dessas coisas que apenas escurecem a vida. Leve lá fora, todas essas coisas e queime-as, limpe a casa, abra as portas, e agora com espaço novo, limpo.

Deus quer que entremos no Céu. Isso quer dizer a renovação da nossa mente, do nosso caráter, uma sáude perfeita, e isso, quer dizer, livre de todos os traumas; totalmente curados. Pois, se não perdoamos, por fim, não estaremos perdoando a nós mesmos, como então Deus nos perdoará?

O Maior Psicologo de todos os tempos nos deu a fórmula mágica da vida, da cura, dos relacionamentos. A Sua vida foi uma perfeita experiência de perdão. Todos os sacrícios de animais instituidos no passado significavam "Perdão". Quando Jesus morreu na cruz, exclamou "Perdão". E este perdão aponta, conduz para a vida, a eterna.

"E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas."
Marcos 11:25

22 abril 2010

Retribuição

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Hoje eu acabei de ver uma reflexão muito boa no blog da Vanessinha Meira, e uma das frases mais fortes era:

"Deus trouxe o seu melhor Cordeiro para aqueles que Lhe ofereciam os piores cordeiros."


O que eu e você temos oferecido para Deus? Mas oferecer para Deus, que é um ser ideal, que sempre agil coerente, amoroso e perfeito com nós, até nos motiva a querer dar o melhor para Ele. Aliás, não é isso o que cantamos em nossos louvores?

Mas Deus nos impele a agir com o próximo assim como Ele haje conosco. Ele nos perdoa, e nos diz para perdoar nossos devores. Ele nos ama e diz para amar o próximo como Cristo nos amou. Ele nos faz o bem, e diz para fazermos o bem ao próximo. E nesse caso especifico? Deus deu o Cordeiro perfeito para quem lhe dava do pior e ainda com múrmurio.

O que você, o que eu, o que nós oferecemos não somente para o próximo, mas para aqueles que nos enrolam, e que até mesmo xingam, e nos oferece apenas o pior de si? Temos oferecido/dado o nosso melhor para eles? Podemos até mesmo dizer: "Ela não merece!", mas e você, e eu, merecíamos o sacrificio de Jesus?

Outrora parece ser tão dificil perdoar. Mas quando olhamos para a cruz, somos movidos a tal ato misericordioso e amoroso.

Mas além disso, Deus não faz isso "por obrigação", com cara fechada; mas fazia com alegria e realmente do fundo do coração: “Não tenham medo. Estou trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:8-11) Deus oferece o Seu melhor como um verdadeiro presente dado de coração. Assim sendo, o amor de Cristo deve nos mover a de modo igual, oferecer o nosso melhor, mesmo para quem oferece o seu pior para nós, e com grande alegria, como um grande presente.

E uma última lição. Deus enviou Cristo para se relacionar com as pessoas com o convite: "Vinde a mim...". Este é a intenção do maior de todos os presentes, o melhor de Deus. Um verdadeiro perdão, um verdadeiro amor ao próximo, um verdadeiro presente tem que ter esse propósito para com o próximo: "Vinde a mim." É um convite a um relacionamento amistoso - a fraternidade.


Que lições maravilhosas.
Que Deus maravilhoso.

Como ainda há gente que ousa difamar da Bíblia e dizer ser um livro violento, exclusivista, que impele a tantas coisas ruins. Sendo que aqui vemos a mais pura lição de Deus sobre o amor: "Dê o seu melhor até mesmo para quem lhe oferece o pior. Com alegria, amor e buscando a fraternidade."

19 abril 2010

A Triste e Dura Realidade e Futuro do Modo de Produção Capitalista

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Por favor, rogo a todo ser vivente que olhar esse post assista com atenção esse excelente video de aproximadamente 20 minutos.



Algumas considerações...


Eu sou muito cético quanto a esta esperança renovadora verde. Apóio sim as tecnologias verdes, o fim ao estilo de vida insatisfatório, consumismo, materialismo e todas as vaidades acopladas que até inundaram as denominações religiosas em suas liturgias e considerações práticas doutrinárias (vide ao post anterior). Também não dúvido do surgimento de novas tecnologias que permitam reverter globalmente muitos problemas geradas por esse sistema, como a poluição atmosférica, da água, produção energética, entre outros. Mas, na verdade, sou profundamente pessimista quanto a isso e por 3 principais razões:

1. A natureza do problema
Não é um problema de mera ordem humana (o homem é o único culpado pelo desenvolvimento histórico desse sistema caótico). Mas pela Bíblia temos também a ação de outros seres inteligentes, poderosos, que direcionaram a humanidade nesse sentido, através do pecado. A Bíblia prescreve 2 profecias cumpridas (uma delas implicita). A primeira diz que nos últimos dias viriam dias trabalhosos, e isto é um fato; tão trabalhoso o é, que hoje temos o stress como a doença do século, até crianças de 8, 10 anos sofrem com isso. E a segunda diz que aí do homem que destrói a natureza, Deus irá fazer justiça quanto a isso. Implicitamente está última consideração tem um cunho profético ao considerar como intríseco ao pecado, e a uma condenação natural que se acumularia pela Terra com o desenvolvimento do pecado, que levará o mundo (se já não o levou) a ser semelhante ou mesmo pior que Sodoma e Gomorra, no sentido pecaminoso.

2. Mega população
A perspectiva para daqui 50 anos é que a população mundial duplique. Ou seja, de 7 bilhões de pessoas para mais de 14 bilhões de pessoas. Isto carrega pelo menos 4 variáveis importantes:
i. necessidade de aumento de produção
ii. aumento de produção de lixo (nem que seja as excretas humanas)
iii. possibilidade de ampliação de mercado consumidor para as corporações (mais poder, mais dinheiro)
iv. 'apertamento' demográfico

(i )
Pelo menos duas coisas será necessário: água e alimentos. (pode-se pensar também em remédios, produtos de limpeza entre os demais do luxo moderno). Porém é o seguinte: se duplicarmos os reservatórios e o espaço destinado a produção de alimentos, o que acontece? Simples, não tem espaço no mundo para isso! Sobretudo com a necessidade de mega-cidades superpovoadas. Além disso, seria necessário desmatar o que sobrou das florestas. (e é provável que apenas isso não garanta). E, o único modo de se fazer isso é recorrendo aos venenos, tóxicos, sintéticos, transgênicos, destruição, tecnologia. Que por sua vez necessitam da outra parte do sistema, de recursos, destruição, mais sintéticos, tóxicos. Para aumentar a produtividade aumentando o minimo possível o espaço.

Logo, pensando na sobrevivencia manutenção da vida, é preciso engolir a dimiunição da qualidade dos alimentos, da água, na destruição do meio-ambiente; para poder, pelo menos, manter bilhões de pessoas vivas. E os problemas de saúde resultantes tentarão ser compensados (adiar a morte), por meio de drogas remédios. E claro, é dificil imaginar um cenário em que todos terão acesso a isto. Aliás, suponho que haverá até a necessidade de surgir a "ração", a unidade básica de consumo, alimentação do homem. Diversidade alimentar, tende a ser cada vez mais iguaria e escaço, um privilégio de poucos.

E isto não é coerente com qual perspectiva de mudança (reforma), mas sim medidas rápidas, emergênciais, uma após outra.

(ii)
Tudo isso faz com que aumente a necessidade também de "o que fazer com o lixo resultante". Não é nem dúvida que haverá um povoamento cada vez maior da população verticalmente. O lixo também irá necessitar de maior espaço para tal, ou então, queimar. Mesmo com o aumento da industria de reciclagem. Aliás, se cada homem cagar defecar 500 gramas de coco por dia, mais 1L de urina, sem contar as celulas mortas da pele que produzem toxinas e poeira; haverá uma necessidade gigantesca por uma ampliação do sistema de esgoto e unidades de tratamento de esgoto, além de mais volume de pó nos aspiradores. Por fim, tudo demandando ainda mais espaço. Ainda mais que o reaproveitamente do lixo, reciclagem, não ocorre na mesma velocidade de sua geração; ou seja, irá sempre acumular ainda mais.

(iii)
Quem domina o mundo hoje, com certeza está na faixa de idade acima dos 40 anos. E que para tais, a importância com essas coisas é minima, apenas aquilo que é mais viavel para lhe trazer mais lucro no curto prazo. Ao mesmo tempo, que uma imensa população é um imenso mercado consumidor. Então a ordem será: "Vamos produzir mais." Ou seja, de tudo o que se vende, e produz que necessita de tóxicos, matéria-prima e espaço, aumentará.

(iv)
A grosso modo, irá duplicar o número de pessoas ao seu redor. E elas ocupam espaço, respiram, falam, transpiram. O que pensar da necessidade de locomoção (transporte)? E a demanda e qualidade de ar? E o tamanho das casas? E o crescimento vertical da cidade, que gera sombras, pernumbras, bloqueia o vento, ilhas de calor, e consequencias. As pessoas passaram a viver mais apertadas. Logo, tudo o que se tem hoje tende a ser substituido por essa nova necessidade de estruturação do espaço urbano para maximizar o espaço. Ou seja, mais construção, mais obras, mais produtos, mais demanda. Nunca haverá tempo para reorganizar, parar, reformar, mudar as coisas. Apenas uma aceleração dos processos atuais, cada vez mais intenso. Porém, o espaço fisico da Terra continua o mesmo, limitado.

A melhor solução? Um genocidio mundial. Por guerra, doença. Mas quem estará disposto a morrer? E a ética? Bem, então, vamos nos apertar. Que o planeta Terra é como colo de mãe, sempre cabe mais um.

3. Blindagem do sistema
Por que haveria mudança? O que seria necessário para essa mudança? Na realidade, sem precisar discutir muito isso, quase todos reconhecem que não há, não existe essa ferramenta. Que se trata de uma mudança em larga escala, global, e acima de tudo, das elites; de mentalidade, a qual tais conscientizariam de tias coisas, e lutassem por tal mudança. Mas e o incomodo da mudança?  E meus investimentos? E o sofrimento que tal mudança gerará? O que eu vou sair ganhando com isso? Talvez daqui 20 anos eu morra.

Não há nada que permita tal mudança. Um exemplo é a saúde, até os médicos dizem que é preciso deixar os alimentos gordurosos, a açucar, fazer exercicios fisicos diariamente. Mas o próprio médico não segue tal preescrição. Qual religião sabe como é extremamente dificil levar as pessoas através de uma reflexão uma mudança no estilo de vida, conscientização. Aliás, até as religiões se levaram pelo modo de vida capitalista.

Que mulher irá abandonar suas vaidades? Que empresa de griffis, roupas, e moda, irá dizer: "Use está roupa pelos próximos 10 anos."? Que empresa de automóveis irá dizer: "Para de comprar carro, e vá andar de bicicleta."? Qual frigorifero irá dizer: "Võcê não precisa comer carne para viver."? Enfim, quando iremos ver uma atitude das corporações e da mídia para tais fins de mudança, que ao mesmo tempo seria o mesmo que dizer: "Eu não vou mais lucrar. Ou vou diminuir meus ganhos. Ou vou ter prejuízo."? Quando iremos ver um comercial dizendo: "Você não precisa consumir nada para ser feliz." A própria educação (a esperança de muitos) está moldada dentro desde sistema. Dúvida? Bem, "Educação pelas Competências" está aí (atender as exigencias das corporações - é assim que seu filho será condicionado ensinado até sair da faculdade)

Não há qualquer mecanismo que possibilite tais mudanças no mundo. É totalmente utopia essa esperança que algumas pessoas e grupos possuem. Pois diga-se de passagem, o que as pessoas fazem, quando não têm que trabalhar? Beber, ver futebol, satisfazer o apetite insasiável, beber mais um pouco, desfrutar de alguns prazeres, sexo, beber de novo, jogar video-game, beber, fazer uma viagem, beber, fofocar um pouco, beber, falar coisas sem importância, beber. Bem, alguns mudam um pouco, também fumam e usam drogas. Como a Bíblia diz, este povo só quer saber de comer, beber e divertir-se.

O cara nasceu, ficou décadas estudando, com 50 anos se torna diretor da Coca-Cola, gnahando milhões por ano. E aí vem um ambientalista com esse papo para ele? O que ele vai fazer?

É triste, pessimista, mas é a realidade. Olhe para a maioria das pessoas que você vê no seu dia-dia, até muitas que você considera colegas ou mesmo amigas, o que está escrito na testa deles? Bem, vou ler para você: "Vai a merda! Não estou nem aí para você." Se não ama o próximo irá amar o mundo, ou uma árvore, uma onça no meio da África?

Eu mesmo, quantas vezes não sou ridicularizado, mal-compreendido até mesmo por minha mãe, por meu desapego material, por ficar anos e mais anos, com a mesma roupa. Aliás, tem roupa que eu uso de mais de 10 anos atrás. Não ligo para aparência, mas me entristece quando na aparência vejo a vaidade e a futulidade das pessoas. Há quem me acha louco por considerar triste ver pessoas maquiadas. Mas por que precisam disso para se engarem serem felizes? A loucura do capitalismo é tão louca, que as pessoas até mesmo querem deixar de ser "consumidores" e se tornarem "produtos" e fazendo um auto-marketing ("Olhe, sou assim e assim, me consuma.") Aliás, como é cruel entrevistas e dinâmicas de grupo.

Sabe, o seriado Chaves foi uma das melhores séries que houve, é uma forte critica ao capitalismo, implicito. Para começar eles sempre estão com a mesma roupa. E não é por isso que se tornam menos homens, menos afeituosos, menos empáticos, menos valorosos. Aliás, o personagem mais ofensivo é o Sr. Barriga que representa o capitalismo. E o mais afetuoso é o Chaves, a pobre criança que anda em trapos, passa fome e ainda pede comida. E detalhe, ninguém tinha um celular no bolso. Nem um computador.

De vez enquando eu reparo um pouco no ambiente de trabalho e vejo um monte de pessoas olhando para uma tela de computador. E fico pensando: "É para isso que nascemos? Para ficar boa parte do nosso tempo com as mãos em cima de objetos de plásticos e nossa retina fixada em algumas polegadas de LCD?" Ainda mais, ontem mesmo, fazendo uma caminhada pela cidade, bebo água num parque, e a água era horrível, com um sabor de claro entre outras coisas que simplesmente, tinha que me esforçar para beber; e pensei: "Como pode? Não era esse o plano original de Deus para homem, beber uma água tão ruim." Mas ao mesmo tempo, tem gente bebendo litros de cerveja por dia. As pessoas que você gostaria de estar próximas, estão na maior parte do tempo "lá", lá onde você não pode estar, mas elas estão, e como você, na rotina de fazer algum trabalho, estudnado, pesquisando, se entrentendo com uma TV, computador, música. Ou simplesmente lá, onde suas condições financeiras não lhe permitem tal luxo de se deslocar até lá e voltar a tempo de cumprir seus direitos para manter o modo de produção capitalista.

E quem sai do sistema? Deixa de ser um consumidor? Bem, ou ele tem uma casa no campo e se sustem com a própria terra. Ou então, está jogado nas ruas de uma cidade, passando frio, fedor, fome, doenças.

A própria religião se conforma com essa realidade e não sustenta decidida oposição.

Estão todos comodos. Caminhando como zumbis para o precipicio. E creio eu que apenas há anjos tentando alertar. Mas apenas é um ou outro que realmente se toca e muda de direção. E que por fim, se não for a volta de Jesus, então não resta mais nenhuma esperança, o resto passa de utopia.

E aí já consumiu hoje?

...

Quem me conhece sabe que meu negócio é juntar e investir o que ganho. Mas não como a maioria para propósitos consumistas. Mas, sobretudo, para conseguir, talvez, futuramente, sair do sistema. Com recursos o suficiente para bancar o resto da vida em alguma comunidade bucólica autosustentável modelo, alienado desse mundo grudento e ao mesmo tempo, repugnante. Ou então, morrer tentando. Senão, vale logo morrer agora mesmo. E daí?

Por fim, apenas digo que há apenas uma única esperança. E apenas por causa disso, e amar pessoas, para as quais quero que desfrutam dessa esperança, é que vivo. E se não for isso, estou perdendo meu tempo, e não faz diferença alguma morrer ou viver; pelo menos, se morrer, acaba o sofrimento de lutar para viver e manter a razão e espiritualidade neste mundo tão vil; onde na testa e mãos de cada um, se encontram as palavras: "Vai a merda!" Escrito.

E para finalizar, vai um outro:

18 abril 2010

Nova Descrição no Orkut

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Compartilho aqui minha nova descrição no Orkut:

Arranque minhas riquezas,
Arranque minhas posses,
Arranque meus olhos,
meus braços, mi pernas;
Na ilha, isolada, me caves.
E até o ultimo folego consumir, serei o mais feliz dos homens.
Mas espere, não é só isso.
Mais do que isso; vale compartilhar.
Não o dia, nem a noite.
Mas de todos um só.
Passe. Acabe.
E ele continuará.
Não podes conter todas as estrelas no punho;
Mas pode conter toda a essência no coração.
Não um de pedra. Todavia, aquele que pode conter todas intempéries
da vida e da Fortuna
sem nunca infartar;
apenas sempre mais farto:
de felicidade e sabedoria
as quais compartilhar.
Com a Lua? Com o Sol?
Não.
Mas com todos os filhos e filhas
que um dia, sonharam em nascer.
Não meramente para viver.
Mas por quem morrer.

Por que aqui?
Porque, você.
E simplesmente, porque, você.
Se não fosse, você,
do que vale existir, viver?
Pois se isto não é morrer,
traz, à nulidade, o viver.

...

Se compreendermos a idéia de que Jesus morreu pelo mais misero dos homens; então, compreenderemos a vida, o valor das pessoas, como considerá-las e tratá-las. (E é simples, dando a nossa vida, por elas, mesmo a que mais desprezamos.)