16 maio 2012

Senhor dos Anéis X Game of Thrones


Esta é a minha resposta a uma modinha popular que circula na Internet, dizendo 10 razões pelas quais "Game of Thrones" é melhor do "O Senhor dos Anéis".

1) Os personagens transam, escarram, defecam e ficam de ressaca
2) A linha entre bem e mal é muito mais tênue – se é que existe
3) Martin não abusa das descrições como Tolkien
4) Martin não tem nenhum princípio
5) O autor de Crônicas não se ofende se você encontrar alegorias nos livros
6) Ao terminar os capítulos de Crônicas o leitor está sem ar
7) Há mais reviravoltas na trama em um livro de Martin do que em todas as obras do Tolkien juntas
8) O leitor troca de olhos a cada capítulo
9) Há personagens para todos os gostos
10) As Crônicas de Gelo e Fogo duram mais


Resposta:


Game of Thrones é uma obra popular, com intenção de VENDER. Tem todos os ingredientes do que a cultura pop hoje curte, sexo, traições, dramas novelescas, histórias sem sentindo, não importa, mas o foco está no drama... baixa linha filosófica, os conceitos morais são diluídos, a modo 'new age' (anti-cristão) [pois ninguém quer ficar com a consciência pesada, então, nega-se a moral.. apesar que os resquicios de moral em cada leitor é a única coisa que faz de Game of Thrones interessante, pois é um drama que ainda tenta tocar esses 'resquícios', seja para destruí-los ou por em conflitos, gerando o drama interno no expectador]... não é uma obra de cunho e propósito realmente literário e artistico.

Senhor dos Anéis é uma obra de cunho filosófico-literário-artistico. Qual Tolkien adaptou para levar principios e conceitos da Biblia para as pessoas, em especial aos jovens da época, em que não mais se interessavam pela Biblia. Além disso, num contexto social em que apelar para o sexual e paixões baixas é baixaria (diferente da cultura pop de hoje que as exalta). Além disso, o cunho filosófico é profundo, abrangente e claro em definir que o mal é mal e o bem é bem. Enquanto que no "Game", tenta misturá-los, e tenta persuadir que 'essa mistura' pode ser tanto boa quanto ruim, não é uma obra com peito para dizer: mal + bom = mal. Pois isto fere o conceito de diluição.

Tolkien,não escreveu o livro para ficar famoso, rico, e vender. Literatura em sua época, dificilmente era algo lucrativo. E "O Hobbit" ele escreveu de presente para o seu sobrinho. No Simarilion, vemos até uma conjectura Teológica sobre analogia da criação do mundo, das raças, sobre a Batalha no Céu descrico na Biblia entre Deus e Satanás, uma batalha através de 'produção musical'; o mundo que fora construído a partir dos conceitos desta música. O próprio Melkor figura que simboliza o diabo, Satanás, Lucifer, que buscou corromper as raças, sobretudo os humanos, até que não havia mais moralidade entre eles. É uma história enormemente profunda, com razíes que se alicerçam de além do centro da Terra; como o surgimento de Sauron, como Sauron se tornou assim (apesar que o filme não falta disto). A máxima do 'Anel do Poder', simbolizando o único poder do mal, que é a cobiça, o desejo de poder; e que este corrompe e destrói a humanidade. Além, do uso de figuras celestiais, e tentar descrevê-los, o que não é facil para uma mente humana, Tolkien teve que se recorrer a Bíblia para conseguir trazer caracteristicas deles, como carater, o modo como lida com os humanos, (Ainur); assim, como os magos enviados por eles, para tentar salvar a Terra-Média (como Gandalf, e Saruman que se correpera pelo desejo de poder e ambição). É tão intenso o cunho desta obra. Além dos idiomas criados, que carregam em si, em sua escrita, caracteristica, fonética, uma perícia incrivel sobre linguagem e arte...

O Senhor dos Anéis, tem um cunho artistico-literario altissimo, pois foi uma critica social-literaria a época, muito presa ao realismo, naturalismo, expressionismo, cientificismo (vivendo o positivismo), não davam valor a fantasias e metafisica. E assim, fez um estudo complexo e união de diversas mitologias, e criou um outro mundo, realidade; criou um idioma de forma tão complexa que soa real. Foi livros como Cronicas de Narnia (do seu companheiro de faculdade, Lewis) e seu Senhor dos Anéis, que transformou o mundo literarário; o qual influencia fortemente a cultura por vir, inclusive hoje. Provavelmente, sem tal obra. Não haveria "Game of Thrones" hoje; assim como não haveria "Star Wars", pois foi neste livro que George Lucas se inspirou; um dos filmes que mais inspirou a cultura e tecnologia, das últimas décadas.

Fins morais. O período das grandes guerras do mundo no inicio do século passado, estava desmorazliando e criando crises na sociedade de depressão, desesperança, abandono dos valores morais; e com isso um caos social-economico-politico. Está obra teve o propósito também de infundir os valores, ressuscitar, erguer-los, pois só assim a Inglaterra e o mundo sobreviveria ao caos da guerra. Do mesmo modo como C. S. Lewis foi convidado pela Rádio BBC para levar mensagens de animo e fortalecimento moral da população; e dái, ele fez incriveis discursos cristãos, para quais TODA INGLATERRA parava para ouvir seus discursos na rádio, discursos qual hoje podemos encontrar no livro "Cristianismo Puro e Simples"; que realmente, levantaram a moral do povo Inglês; e os animou e fortaleceu a lutar contra os Nazistas na Guerra. Sem contar, que Tolkien participou na Guerra das Trincheiras, viu a guerra com seus olhos, e com o seu coração...

Claro que 'Game of Thrones' é uma tentativa de aproveitar do impacto de "O Senhor dos Anéis", para gerar lucro e fama, adaptando para "os interesses da popular de hoje". Mas não chega nem na sola do pé do grande clássico, apenas vendido menos do que a Bíblia em todo o mundo.

'Game of Thrones' é apenas uma modinha, que daqui alguns anos, décadas (pelo menos até o povo se encher, e parar de passar na TV) ninguem mais irá ouvir falar, ou comentar.

'O Senhor dos Anéis' é uma obra que marcou e irá continuar marcando a história geração pós geração. Sobretudo porque não está agarrado a uma 'mentalidade e cultura pop temporal' mas sim a questões antropológicas universais e atemporais. Livro não feito para agradar a cultura pop da época, mas para provocá-o, chocar-se com ela, bater de frente.

Game of Thores pode ter mais bang-bang, drama novelesco, cenas mais fortes e picantes. (ou seja, um recheio mais agradável para o paladar muito estimulado por condimentos).

O Senhor dos Anéis tem um conteudo, um drama interno de cunho antropologico, religioso e filosófico rico; qual não precisou de cenas fortes, de dramas novelescos, cenas picanes, nem bang-bang... para provocar o leitor e transformar o mundo. É um livro qual, na BATALHA PRINCIPAL, supriu ela, ao invés de descrevê-la, como o foco de um bang-bang ou cena intensa, apenas diz que após o 1º dia de batalha, acamparam ao pé dos muros da cidadela, e no 3º dia fizeram um acordo contra o exercito inimigo. Claro, apesar do filme, também dar um pouco mais de foque nesse Bang-Bang e na pancadaria, muitas quais contraditórias com o livro, para também atrair mais o público hollywoodiano; e do mesmo modo, me disseram que na série da HBO também, pois me disseram que no livro de Game of Thrones não há essas cenas de sexo, e tanto selvageria e sangue como se vê na série... talvez, neste caso podemos culpar mais a mídia.

Assisti a série, Game of Thones e não sinto a minima falta, saudes. Alias, quantas séries parecidas já não foram feitas? Me lembra até aquelas séries de Conan, Shena, Hércules, só que com mais personagens, drama, e histórias mais amarradas; porém, num entrelaço infinito, como foi a série "Lost", que só vai ser encerrada, quando começar a perder público, e isto exigir o fim. Já Senhor dos Anéis, já perdi as contas de quantas vezes vi; e ainda me desperta incriveis reflexões só de lembrar, e desejo de assistir o filme novamente.

Game of Thrones conquistou o mundo pelo Marketing e Publicidade (alias, viva a Hollywood que mudou o gosto da cultura pop, para apreciar um livro assim). Senhor Dos Anéis conquistou o mundo pela arte e conteúdo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Já começou errado. REPRESÁLIA.

Nilson Oliveira disse...

Uma análise muito convincente. Realmente percebi que GOT é muito político, típico da cultura pop e não vi o bem, essa ideia de linha tênue entre bem e mal parece-me a negação do bem absoluto.