20 abril 2012

Igreja - Ir? Por que?

0 comentários
Creio que como todos os cristãos (não sei quanto se outras religiões há esse costume), um dia nos perguntamos: "Why? Por que ir à Igreja?" E por diversas vezes esta pergunta teclou em minha mente, procurando uma razão mais consistente do que o formalismo e a tradição.

Antes de mais nada, creio que seja bom deixar claro, que na minha concepção:
1. Igreja  Denominação Religiosa
2. Igreja Templo Religioso


1. Quanto a denominação
No meu ver, um dos versos que mais me deixa claro nas Escrituras é Atos 2:47 que diz:
"E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar."

Nesta concepção, Igreja é o nome dado ao grupo daqueles que Deus acolhe, pessoas que serão salvas. E quando, eu pelo menos, pensamos nisso, não tenho a concepção de que Igreja é um CNPJ, ou um Nome na Praça, ou Uma Denominação INSTITUCIONAL. Mas sim, de que Igreja, é um conjunto formado por pessoas espalhadas pelo mundo, das quais acredito que haverá tanto cristãos, como islãs, budistas, e - por que não? - ateus; do mesmo modo, como dentro dos Cristãs, há tanto protestantes quanto católicos, e das mais diversas denominações protestantes. Mas isto já é outro assunto.

Logo, quanto a isso, quero deixar bem claro, na minha visão, que NÃO VOU A IGREJA por achar que é o grupo exclusivamente certo, o qual será salvo, e que apenas pertecendo a ela, também estaria no grupo certo e seria salvo. Mas por outro lado, em certo momento da minha vida, no meu nível do entendimento que possuia, eu já pensei assim. O que quero dizer, é que, no meu entendimento de hoje, "uma denominação religiosa", em si, não há NENHUM motivo suficiente substancial para eu frequentar a 'igreja' (neste sentido denominacional).

2. Quanto ao Templo Religioso
Na Bíblia, vemos a ideia de "Templo religioso" como um local especificado, qual os homens consagraram para servir solenemente de lugar de adoração a Deus. Todavia, na Bíblia, o a palavra "igreja" só veio a surgir no Novo Testamento. E mesmo no Novo Testamento, igreja, de algum modo, tambem foi tratado com a conotação 'não de pessoas', mas 'de um lugar especifico para adoração ou reunião destas pessoas'.

Bem, mas no Antigo Testamento, crieo, que no meu ver, o conceito de Templo, veio dos Altares, onde eram feitos sacrificios de novilhos, conforme a tradição, as pessoas tinham que empilhar 12 pedras, e ai seria feito um altar para Deus. As vezes, tendas eram usadas como um templo. Até que então, no Exodo, vemos o Templo instruido por Deus a Moisés para que fosse construido durante a peregrinação no deserto, como uma semelhança do Templo Celeste. E ao mesmo tempo, é neste, que mais deixa claro, que o CENTRO da idéia de um Templo, era não só o Sacrificio de Jesus (o Cordeiro), mas o Plano da Salvação e Redenção do homem, como a parte do bode expiatório. Após isto, diz que Israel nunca mais teve um Templo realmente digno a Deus, até que então, Davi projetou um Templo e seu filho, Salomão, o construiu, o qual ficou conhecido como "Templo de Salomão", que foi edificado em Jerusalem, e que diz a literatura que era tão impressionante, que pessoas, lideres e governantes de outras nações e povos vinham até Jerusalem para conhecê-lo, como foi a Babilônia. E de depois mesmo este templo foi destruído, e depois reconstruido (Xerxes). E depois, no Novo Testamento, o que mais vemos não são Templos com esta denominação em si, pois de certo modo, é como se o Templo de Salomão ficou eternizado como o único que se valeria chamar de "Templo" entre os judeus, e então, tivemos a idéia de Sinagogas, como se fossem os novos modelos de templos.

Todavia, mesmo quanto a toda essa IMPORTANCIA humana dada aos templos, Jesus, outrora cutuca a mente daqueles religiosos dizendo que "não sobraria pedra sobre pedra" do 'templo'. E claramente evidenciando que ali não estava a RAZAO. Os templos em si, não são lugares, solos - repito - EM SI, sagrados, ou algo com que realmente devemos estar ali, ir ali. Apesar que há outro aspecto Espiritual (e que no meu ver envolvem anjos, que poderia ser mais profundamente abordada nesta questão), mas deixo isto para outro post. Não é por isso, que devemos ir ao Templo, para pisar Nos Átrios, da casa dedicada a Deus.

Logo, também o que quero dizer, é que no meu ver, o IMÓVEL em si, não há nada justificavel, substancial, que me sirva de motiva a ir à 'igreja' (no sentido de templo, imóvel ou construção civil).

Então, por que motivos?
Quando penso num "why?" não me vêm 1 único motivo em mente, mas um grupo de motivos. Não é minha intenção falar sobre TANTOS, aliás, às vezes, pode ser até mesmo apenas a 'responsabilidade' e o 'espirito de dever', para nos educar a sermos diligentes. E quanto a esses motivos, no meu ver, uma boa descrição de grande parte deles o C. S. Lewis descreveu no livro "Cristianismo Puro e Simples". Mas eis alguns motivos que considero muito substanciais:

1. Familia
Em geral, o senso de familia se dirigi muito para os laços consanguineos de 1º grau (pais, vós, irmãos, tios, primos); um senso de 'familia reduzida', ao meu ver e que, tambem, se faz fechar um pouco para um visão mais em prol da humanidade. Todavia, Jesus mesmo disse que a sua familia de sangue mesmo, não O entendia, e O rejeitou - como seus irmãos. Mas Ele adotou toda uma familia, uma humanidade, de judeus e e gentios. Ele se relacionou com pessoas, quais poderiamos considerar como mera Amizade, mas elevo-os a condição de familia.

Quando penso na Igreja, eu penso como uma grande familia, não uma familia fechada que vive para si, mas uma que quer se extender, expandir, incorporar e influciar ainda mais pessoas mesmo que não sejam desta familia, mas como se fossem. E, que ao mesmo tempo, pelo menos, um entende porque o outro vai ali, e é por causa 'desta familia'; são pessoas diferentes, de laços diferentes, mas possuem algumas convicções em comum. E nisto, há várias atribuições, como uma ajudar o outro, um zelar pelo outro; é uma familia estendida; e de certa modo, mais focada num propósito; enquanto a 'familia consanguinea' é muito focada mais nas 'reuniões de familias' e tarefas da vida.

2. Companheirismo e União
Numa conversa com meu amigo que participa de um grupo de ciclismo de 40 pessoas, toda terça a noite andam pelas ruas de São Paulo, ele disse, que é meio que "sem graça", ele não sente como um grupo unido, uma familia, um companheirismo, mas apenas como um ciclista, um grupo de pessoas andando de bike pelas ruas, e os afetos, papos não vão muito além disso. Mas quando é com um grupo familiar da igreja, é diferente, há aquela união, companheirismo. Além disso, um tende a ajudar a o outro, sobretudo quando há situações de desanimo, dificuldade, comemorações, entre tantos outros. Como diz nas Escrituras:

"Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando." Hebreus 10:24-25

Está união, é importante, não só para nós, no sentido de nos ajudar, mas também no de ajudar aos outros, a fortalecer os outros, como na fé, na esperança, nas provações e situações dificeis e privações que muitas vezes sofrem na vida por causa desta fé. [Sim, "liberdade religiosa", não é algo muito respeitado na prática. E creio que isto, só quem realmente vive uma religião, sabe o que é enfrentar esses obstáculos no Mercado de Trabalho, na Faculdade, no Emprego, nos Relacionamentos...]. A união motiva, inspira, sobretudo quando é preciso lutar contra uma multidão.

3. Relacionamentos Duráveis
Algum comum de se ter nos grupos religiosos é uma especie de marca indestrutivel pelo tempo. Claro, a afinidade pode-se perder com a ausência. Mas isto não vai impedir, que tais pessoas, mesmo que se encontrem depois de 5 ou 10 anos, ainda tenham um grande prestigio uma com a outra, lembraram dos velhos tempos, e mesmo as realidades deles - que partilham de coisas comuns - ainda serão novidades a serem assuntos de conversa. Além disso, eu vi isso com muitas pessoas e comigo, mas até me formar no colegial, eu praticamente, tive uns 5 grupos de amigos, e alguns GRANDES AMIGOS, mesmo algumas dessas amizades sendo mais intensas, com o tempo se perdeu, algumas, na vida adulta, por causa do trabalho. Mas, quanto os da igreja, duraram, permaneceram boa parte, e algumas delas, apenas diminuiu a intensidade, outras aumentaram, mas permanece. Tenho certa gratidão a Deus, em dizer, que tenho amigos ali, desde minha meninice. Claro, com o tempo, os assuntos, tempo, casualidades mudam, e agora mesmo, damos mais atenção para nossas namoradas entre outros afazeres, lutas da vida; mas mesmo quando nos encontramos, não temos dúvida, é nosso amigo, e podemos ter interessantes conversas.

Além disso, no Clube de Desbravadores, pude ver homens se formarem desde que tinham 9, 10 anos, e eu, apenas 17. Alguns casaram, alguns tiveram filhos, se formaram, e poder viver isso.

4. Aprender a Lidar com Pessoas e Desenvolvimento Pessoal
Uma das coisas mais interessantes que vejo na igreja é ter uma grande mistura de pessoas; cada um com suas peculiaridades comportamentais, habitos, vicios, tendências, jeito, desde pobres a ricos, bebes a velhos, magros a gordos, super estudiosos a super desleixados, esforçados e diligentes aos preguiçosos, experientes e novatos; os de familia mais tradicional e conservadora, aos mais rebelados e dissolutos, sérios aos zombadores. E nisto, você vai aprendendo a ter lições de humanidade, a entender mais as pessoas, o mundo; suas referências e 'variedades' ficam maiores.

E também, nisto, muitas vezes se incluem atividades e cargos (trabalhos voluntários), entre outras situações, que você aprende mais a perder a vergonha de falar em publico, a se comunicar num pulpito, a defender uma idéia, mesmo que filosófica, a ter um contato do tipo 'estudo' com o um Livro. Ter mesmo experiencias de liderança, administração, secretário, contador. E nisto, é fácil de se ver, que é comum achar pessoas cristãs de 14, 15 anos, que tem uma bagagem pessoal, de experiencias, muito mais ricas e envolventes (que envolvem muito mais areas da vida fisicamente, mental, espiritual, emocional), do que pessoas de 20, 30 anos, que as vezes apenas viveu fechado dentro de uma familia, da escola, viagens e trabalhos.

5. Projetos Edificantes
É comum nas adtividades e diversões comuns da sociedade coisas totalmente fragmentadas e temporais; muitas quais, as vezes só se gasta dinheiro, e tem alguns minutos ou horas de diversão, mas que no dia seguinte, já não lembra, não faz questão, não te impactou. Na Igreja, é possível fazer atividades, projetos e coisas de longo prazo, coisas voltadas para conteibuir, edificar, melhorar a vida das pessoas. E isto traz um certo sentimento de realização especial, uma satisfação de sentir-se útil, de estar investindo e as vezes, daqui 10 anos, colher o resultado. Além disso, uma grande quantidade de pessoas, podem se reunir sem fins lucrativos, para desenvolver obras e atividades em prol de outros, sobretudo os necessitados.

6. Alegria
 "Alegrei-me quando me disseram, vamos à casa do Senhor." Salmos 122:4

Poucas coisas são tão especiais e gratificantes quanto poder abrir o seu coração a Deus, como particularmente em casa ou das formas mais simples, erguer um cantico de louvor, entre outros. Mas quando se ajunta com outras pessoas, as vezes multidões, tudo desenvolve algo ainda mais especial. Assim como a parte da Música, a qual, ao meu ver, só faz verdadeiro sentido e valor, quando se trata de louvor. Nada como ver um coral de dezenas de pessoas reunidos, depois de ensaios para louvar o nome de Deus. E de certo modo, acho que o grande destaque aqui vem a ser os 'canticos de louvores'. Que no meu ver, tinha que ser algo mais enorme, gigante, congregacional, abortasse as massas, melodias simples de se cantar e cativar; mas ao invés disso, é facil ver votar-se para um aspecto teatral e de shows musicais (ver Problema 4).

7. Auto-Preparação
Meu querido amigo Eliezer coloca que "Paulo fala com Corintios que "nós somos templo de Deus, e que o Espírito dEle está em nós..." Se somos um templo, precisamos saber como se comportar, e como cuidar... só frequentando e respeitando a igreja que aprenderemos e ficaremos mais concientes do templo que somos."

De fato, se passamos a encarar como verdadeiras estas palavras de que somos o Templo de Deus, o Templo do Espirito Santo, tentaremos fazer deste modo.  Todavia, de onde viram nossas referências e ensinos (práticos) do que seria isto? E aí entra a Igreja, onde podemos tirar lições, exemplo, nos projetar nossas atitudes e como consideramos. A Igreja, se torna, de certo modo, um laboratório e uma arena, para por em prático, tentar compreender, tirar lições, desenvolver e aperfeiçoar nosso caráter. Pois, se não agimos com zelo para com as pessoas, as coisas da igreja; não faz muito sentindo 'internalizar' nossas atitudes para com Deus.

8. Abranger o Desinteresse dos Interesses Próprios
Em geral, quando uma pessoa não quer participar de uma Igreja, ou simplesmente ir, é que na verdade ela está dizendo que ela tem ou quer "outras coisas" que vê como sendo mais 'atrativas' ou 'lucrativas' ou 'interessantes' para SI. As vezes, é fazer cursos profissionalizantes, ou extracurriculares, ou idiomas, ou sair para diversões cotidianos com os amigos e familiares; em geral, apenas abrange o comum de uma vida no sentindo de trabalhar, comer e divertir-se. Mas quando passa a ir para a igreja, começa a abranger um outro aspecto da vida que é diminuir este EGOismo, e passar a de DOAR-se; sim, o doar-se, pode virar um hábito do carater. E nisto, quando vamos a Igreja, normalmente, não temos muito o que receber (normalmente as promessas são futuras), mas temos nosso tempo, nossa atenção, afeições, energia, pensamentos, sacrificio (destas outras coisas que poderia estar fazendo), em prol desta auto-doação, e ao mesmo tempo, criação e desenvolvimento de um espirito de querer conviver e compartilhar com esta familia; e isto chega ao ponto, no qual a balança pode mudar, no qual a pessoa decide por optar a Igreja do que aos Interesses pessoais, como trabalho, educação (ou melhor dizendo, diplomação ou curriculamento - pois Educação mesmo...).

Os Problemas de Ir a Igreja
Como envolve 'pessoas', problemas há de monte. Na própria Biblia, vemos problemas ocorrerem. Por exemplo, em Corintios em que as pessoas tinham a maninha de querer ficar falando em 'linguas estranhas' e se acharem ser 'o mais ban-ban-ban espiritualmente, pois diziam ter o Dom de Lingua'; e ai vemos, Paulo, enviando uma carta a tais reprovando tais, e tentando resolver e acabar com várias 'picuinhas'.
A Lista seria também muito inumerável. Mas creio que as principais seriam:

1. Ver que nem todos são 'santinhos'
Creio que só depois de um certo tempo, a pessoa consegue entender o significado de ser santo. Que é se separar para Deus. E que mesmo, com erros, esquivos, tenta manter a tendencia, se arrepender sinceramente, voltar atrás, e no longo prazo, podemos ver 'a direção' da vida de tal. Mas, também, podemos ver NITIDAMENTE, o joio crescer em meio ao trigo (como disse Jesus numa parábola), e tais, com o tempo, vão ficando cada vez mais nitido. Pessoas que realmente, não estão lá, por causa de fé. E as vezes, até mesmo os piores propósitos, como fingirem serem boas pessoas, receber reputação, status, favores; até mesmo, conseguir uma parceira para a Balada. E, em casos de pessoas de alta patente, até mesmo, dinheiro e votos. E muitas vezes, ver essas pessoas, com propósitos egoistas, muitas vezes desfilando nos lugares de honra, ou como 'lideres e símbolos' desta igreja (grupo de pessoas). E nisto, por exemplo, você em pouco tempo percebe que de 100, talvez 10 ou 5, estudam a Bíblia. Todavia, isto com o tempo, acaba se tornando parte do MOTIVO 4, visto acima, o de aprender a conviver e lidar com tais pessoas, e buscar medidas para ajudá-las e levá-las a algum tipo de reflexão e mudança..

2. Ver que há muito ignorante falando bobeira
É muito comum ver pessoas falando abobrinha quando vão falar de Bíblia, ou pregar. As vezes a pessoa é novata. As vezes, ela não examina profundamente as Escrituras. As vezes, viu uma noticia na TV ou Internet e quer tentar associar aquilo - infelizmente. As vezes, quer usar coisas da Ciência que estão num outro contexto, como sensacionalismo. Mas o que mais doe, é ver pastores, sem conteúdo, sem conteúdo espirital, que mal consegue tirar lições da Palavra; ou interpretando coisas da própria vida, questionáveis, atribuindo a 'providências de Deus'. Todavia, isto tem um outro efeito, além do Motivo 4, que é o de te autoinstruir. Por exemplo, um bom modo de aprender, é ver alguem fazendo errado, vendo a argumentação errada dos outros, isso nos auto-instrui a um senso mais critico, e mesmo um desenvolvimento mais pessoal de buscar o correto, o que seria correto, ou como deveria ser dito. E além disso, parte do ambiente familiar da igreja, são os "comentários" após, como num almoço, onde sempre são feitas essas observações, e naturalmente, é compartilhado um debate de idéias; que para mim, particularmente, foi muito edificante na minha infância, 'ver meus tios discutindo, as vezes ficando bravos um com outro, com debates tão acalorados'.


3. Ver injustiças e abusos
É comum ver pessoas aproveitando e abusando do bom coração dos outros em servir a Deus. Do mesmo modo, é comum ver pessoas usando dinheiro da Igreja, usados egoisticamente para fins pessoais e de modos intemperantes. Todavia, isto também nos gerá mais um senso de justiça, e ao mesmo tempo, cria em nós um instinto e impeto de querer mudar, entrar em ação assim como Jesus expulsou os mercadantes do templo, e buscar edificar a igreja.

4. Perca de Propósito
A Igreja tem uma missão clara e bem definida na Palavra. Mas é o mais comum, é o de ver igrejas que após  um tempinho, entrarem na zona de conforto, voltam-se para as suas cerimonias, programações, um formalismo, um fim em si mesmo, um tradicionalismo não veemente significativo e espirituoso; e nisto começa a se absorver e se constituir apenas de coisas 'humanas'. Este sim, irá te provocar muitas coisas: a) desanimo; b) quero revolucionar tudo; c) orar mais; d) querer trocar ou sair de igreja; e) achar que não tem jeito; f) se acomodar do mesmo modo e perder ou aceitar está perca de propósito.



Por fim, no meu ver, a única coisa que não dá certo e serve de forte instinto para não ir a Igreja, é o do egoismo, dos interesses próprios, o não querer 'doar-se'. Pois, se alguns de fato vão a igreja com propósitos egoistas, interesses pessoais, como o de 'receber bençãos', seja $$$ muito dinheiro, ou curas milagrosas; na verdade, procuram uma Megasena com uma probabilidade maior de acerto; e para tais, existem um monte de denominações na praça, com o fim de sugar o dinheiro destes.

Na Dúvida, qual é a Religião Mais Certa?

"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." Tiago 1:27


Bem, está aí as minhas reflexões, de quem fala, há anos, de dentro do campo de batalha, e não das telas do cinemas. E você quais são o seus motivos?

16 abril 2012

Os Médicos de Hoje

0 comentários
- Ola doutor... sinto isso e isso...
- Hum, você está com uma virose.
- Mas o que é? Qual vírus?
- Tome este anti-inflamatório, este antibioótico... Você tem alergia?
- Hum, tenho.
- Então tome este álérgico também.
- Se não melhorar em 3 dias, 'procure um médico'.
- "Pensei que você fosse um." - diz para si.

(passam 3 dias)

- Ola doutor[2]... sinto isso e isso... eu já passei no médico[1], e como não melhorei voltei aqui.
- hum, você tomou os remédios?
- Sim.
- Bem, tome este outro anti-inflamatório, este outro antibiótico... você é alérgico?
- Sou sim.
- Então tome mais este outro anti-alérgico.
- Mas não posso continuar com os outros?
- Estes são melhores. Se não melhorar em 3 dias, procure um médico[3].

(passam 2 dias)

- Doutor[3], eu estou muito mal, fraco, desidratado, sentindo muita dor... já passei por 2 médicos, falaram que era virose, para tomar...
- Ok, vou te encaminhar para enfermaria, ai você vai tomar sorinho com um dramin, neuvagina e adpirona na veia e irá se sentir melhor; e fazer um exame de sangue e urina.

(4 horas depois)

- Se sente melhor? - pergunta o médico.
- Sim.
- Seu exame de sangue ficou um pouco alterado, parece estar com uma infecção. Tome esse anti-inflamatório, esse antibiótico...
- Mas já estou tomando antiinflamatório e antibiótico há uma semana...
- Ah sim, então procure um clinico geral[4] 'para ver o que é'.

(2 dias depois)

- Olá médico[4], estou com isso e isso há 1 semana, e me disseram para procurá-lo.
- Hum, ok, sente-se na maca... mostre a lingua, tire a camisa...
- Bem, você parece estar com uma 'virose forte'... - enquanto vai escrevendo o receituário - Você
tem alguma alergia?
(...)
- Se não melhorar em 1 semana volte aqui.

(1 semana depois)

- Olá doutor[4]...
- Ainda não melhorou, bem, vou pedir para fazer um exame de sangue e urina...

(2 dias depois)

- É os exames parecem estar meio alterados... você quer tomar um soro, ou um remédio mais forte
para a dor?

(3 dias depois)

- Doutor[5], estou com isso e isso há quase 2 semanas, e passando muito mal, com diarréia e vomito...
- Bem, vou mandar te darem um soro com dramin e de dar esta receita; depois procure um gastro[6], pode ser algum disturbio gástrico-intestinal.

(5 dias depois)

- Olá doutor[6]...
- hum, vou pedir para fazer uma endoscopia e exame de fezes...

(2 semanas depois)

- Olá...
- Bem, os exames deram tudo normal... procure um endócrino... pode ser algum problema hormonal.

(1 semana depois)

[já na UTI]
- Médico[10] É seu estado parece estar um pouco grave. Vamos fazer alguns exames.

(3 dias depois)

[já no quarto internado]
- Identificamos que você está com uma bacteriose chamada
fjaoisjdoajpjpnklnelkshooionoasodalskldas, é muito rara, deve ter ficado resistente aos
antibióticos. Vamos tratá-la com um antibiótico mais forte tarja preta, peço que assine aqui e aqui.

(5 dias depois)
- Doutor[13], já me sinto melhor, mas estou sentindo meu corpo meio estranho, visão um pouco sensível e um pouco de dor de cabeça.
- Hum, procure um neuro e um oftamologista[14]; e tome este remédio se a dor ficar muito forte.
...

(1 semana depois)
- Identificamos que seu figado está um pouco inchado, que está com uma gastrite, e está com os olhos dilatados. Procure um gastro e um neurologista. [15]


(5 anos depois)
- Sinto muito senhora. Fizemos tudo o que podíamos, mas ele não resistiu ao transplante de rim.

14 abril 2012

06 abril 2012

A História da Pascoa - Várias Tradições

0 comentários
Pascoa, para muitos apenas um feriado. Para outros, apenas ovos de chocolates e banquete com a familia. Mas por que existe tal data? Falarei aqui sobre basicamente as 3 tradições históricas: Judáica, Cristã e Pagã.

A Tradição Judáica
A origem pode ser vista no contexto que envolve o final do livro de Gênesis e inicio de Êxodo -  escritos por Moisés. Quando o povo hebreu estava nas mãos do Egito. Deus escolheu Moisés para libertar e conduzir o seu povo para a Canaã prometida a seus antepassados, em origem, Abraão, e o nascimento de Israel, prometido a Jacó. Moisés foi até o Faraó, e rogou a ele, em nome de Deus, que libertasse seu povo, permitisse os hebreus que partissem. Mas o Faraó endureceu seu coração. E com isso, vieram 9 pragas, enviadas por Deus, as quais apenas afetaram os egípcios, mas não os hebreus. Estes, Deus guardou. Mas mesmo assim, o Faraó se endureceu, não permitiu.

O sacrificio do cordeiro

A última praga, foi especial. Deus disse que todos sacrifissem um 'Cordeiro' puro, imaculado, limpo (um novilho), e aspergisse o seu sangue na porta e umbrais de suas casas; pois a noite, visitaria todas as casas, e aquelas que não tivessem a marca de sangue em suas portas, o filho primogenito (o mais velho) daquele lar, morreria. E, naquela noite, o filho do Faraó morreu desta maneira. E então, finalmente o Faraó permitiu que o povo hebreu saisse do Egito, mesmo que, aparentemente, ser uma loucura, ir uma multidão daquela para o deserto; todos morreriam. E, mesmo assim, deram aos hebreus muitos utensilios, qobjetos e ouro, prata, cobre etc. para sua peregrinação.

Esta data, este evento. O terrível dia da última praga. Mas que significou a libertação do povo de Deus das mãos do Egito, ficou marcado como o Dia da Pascoa.

O significado, na verdade era mais além. Os hebreus, já desde Noé, já possuiam a prática do sacrificio de um cordeiro limpo. Como simbolo do resgate do pecado (pois o salário do pecado é a morte), e que um dia viria o Cordeiro verdadeiro, que se sacrificaria em resgate da humanidade. E aqueles que aceitassem esse cordeiro, aceitassem seu sangue para salvar as suas vidas, essas seriam libertadas das mãos do inimigo, do pecado, da escravidão, e iriam para a Canaã, para o lugar que Deus os prometera, um lugar fértil, cheio de vida e paz que Deus lhes preparou. Mas aqueles que o recusassem, por recusar a salvação, apenas encontraria a morte.

Após a libertação do Egito, houve a peregrinação pelo deserto. E nesta longa jornada. Diz, a Palavra, que Deus, conduziu o seu povo, como uma nuvem, uma nuvem que todos os dias, sem falta, em toda a parte do dia, cobria o seu povo, protegendo do sol, do calor, e quando ela se movia, o povo seguia a nuvem; e que também, a noite, ao invés da nuvem, Deus se manifestavam como uma coluna de fogo, que aquecia eles do vigoroso frio da noite no deserto. E também diz que todos os dias, diariamente, Deus enviava Maná, chamado como o pão dos anjos, para eles se alimentarem, e nas sextas-feiras em dobro, para guardar para o sábado, pois no sábado não seria enviado. Em recordação do que posteriormente, no Sinai, ficou conhecido como o 4º Mandamento: "Lembra-te do dia de sábado para o santificar... pois em 6 dias Deus criou os céus, a terra e tudo o que nele há, e no sétimo descansou."

O ajuntamento de tudo isso, tanto do sacrificio da 10ª praga, quanto a libertação, quanto a proteção de Deus no deserto e o maná. Se tornaram o que a grosso modo poderiamos chamar de a Festa da Pascoa Judáica, constituida de:

- A pascoa (a passagem da 10ª praga no Egito);
- Os pães asnos [sem fermento] (em memória do Maná, e do significado do fermento, que simbolizava o pecado e a contaminação)
- As frutas amargas (em memória dos dias amargos nas mãos do inimigo)
- O cordeiro sacrificado (o Messias que deu a vida pelo mundo)
- a festa dos tabernáculos (festa em que passavam peregrinações pelo deserto, em recordação, memória das tabernas, aos acampamentos no deserto, a proteção, e a guia por 40 anos, que os levou a próspera Canaã, terra que derramava azeite, vinho, mel... e de modo, que a festa ficou muito ligada aos ciclos e a colheita agricola)

Praticamente, tais ocorriam no mesmo período, juntos.


A Tradição Cristã

A tradição cristã é um acréscimo a judaica; qual, os judeus, não observam.

O profeta Isaías profetizou, séculos antes, que o Messias, o Cordeiro de Deus, viria e libertaria o povo. E que Ele, como 'uma ovelha muda' iria para o matadouro, seria desprezado por todos e por ai vai... (não vou  falar das dezenas de profecias messiânicas agora). [Ver Isaías 53]

O profeta Daniel, séculos antes, recebeu, por um anjo, informações sobre o que ficou conhecido como a profecia das 70 semanas (sendo que neste contexto profético da Bíblia: 1 dia profético = 1 ano literal). Que, basicamente, o Messias iria iniciar o seu ministério em uma semana especial, mas que, após 3 1/2 anos, metade da semana, após iria morrer, 3, e que depois, disso, esta mensagem, o Novo Concerto, seria pregada ao mundo, chegaria ao coração de todos, romperia a tradição de particularidade dos hebreus, judeus, e chegariam inclusive aos néscios, aos incircuncidados, os gentios (como eram chamados), o que a morte de Estevão, um gentil, tornou evidente seu cumprimento..

No inicio do Novo Testamento, temos João Batista, aquele que foi profetizado também que viria para 'preparar o caminho'; este, quando viu a Jesus, disse que "Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.", "o qual não sou digno de tocar suas sandalhas.". João anunciou que Jesus era o Cordeiro, o cordeiro que desde os pais da humanidade, Adão e Eva foi simbolizado pelo sacrifício do novilho, o qual resgataria a humanidade. O cordeiro que desde o Éden, foi profetizado, como o filho da mulher que pisaria, esmagaria a cabeça da serpente (satanás) e que este o feriria o calcanhar. O cordeiro que foi simbolizado na Pascoa, como aquele que salvava as pessoas, a família dos que aceitavam o seu sangue, e que libertaria do cativeiro do inimigo, de Satanás, do pecado, da morte. E ali, Jesus, com seus 30 anos, conforme a profecia de Daniel, foi batizado, e inicio seu ministério; convocou 12 homens para segui-lo, seguir seus passos, e por ali, caminhou pela região da palestina, levando boas novas, mensagens de esperança, repreensões, e diversas lições, únicas, que hoje encontramos nos Evangelhos de Lucas, Mateus, Marcos e João; a qual, João descreve:

"Este é o discípulo que testifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém!" (últimas palavras de João)

Bem, Jesus, no 3º ano, de ministério, com seus 33 anos, conforme a profecia de Daniel. Morreu numa cruz, como todos sabemos. Porém, isto, foi na época, da Pascoa, da festa dos pães asnos, da festa dos tabernaculos. E na última ceia em que estivera com seus discípulos. Jesus então criou mais 3 tradições:

1. Lavar os pés do seu semelhante;
"Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu voz fiz façais vós também". E assim, está ordenança deveria ser observada por seus discípulos para conservar sempre em mente as lições de simplicidade, humildade e serviço abnegado ensinadas por Jesus.

2. Beber do puro suco da vide;
O vinho, que era um 'novo vinho' (termo usado para o suco novo da uva, ou seja sem a fermentação.. alias, pelas festas do período, não tomavam coisas com fermento, assim como o pão asno); simbolizava não só o sangue de Jesus derramado na cruz. O sangue simbolizado pelo cordeiro morto. O sangue aspergido nas portas no Egito no 10º mandamento. Mas o próprio Jesus, através do vinho, também simbolo da vitalidade, da alegria, da festa (presente em praticamente todas as festas, sobretudo casamentos no Egito - o primeiro milagre descrito foi o da transformação da água em vinho), ele também deixou este concerto, está promessa:

"E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai. E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras." Mat. 26:29

Ou seja, Jesus faz uma promessa que nunca mais beberia da uva, até que um dia, finalmente, com aqueles que estivessem com eles reunidos ali, no inicio da Era Cristã; até que um DIA, beberia com eles novamente, para celebrar, no Reino de Deus. Promessa qual, Jesus diz:

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. 
E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também."

A promessa de levá-los com Ele para o Céu, e que lá então, salvos do pecado, da morte, purificados pelo Sangue, se regozijariam para sempre. Assim como Jesus se representa como o Noivo, e aos seus seguidores (sua igreja) como a Noiva, está festa no Céu, seria como a festa deste casamento, em que ambos se ajuntariam, numa só carne, para nunca mais se separar. Ou seja, sem mais pecado (o qual significa separação entre o homem e Deus)

3. Comer do pão asno, sem fermento.
"Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim" Lucas 22:19

O pão asno, sem fermento, simbolizava o corpo, a pessoa de Cristo, totalmente imaculado, o cordeiro puro, sem macha de pecado. Aquele que não pecou em todos os seus anos de vida. O ÚNICO que não mereceu a morte, que não merecia esta condenação, o salário do pecado. Mas este, entregou a si, entregou o seu corpo, para ser açoitado pela maldade. Ele que permitiu que todos os pecados do mundo, da humanidade, o meu, o seu, todos os pecados desde Eva até o último ocorrer, caissem sobre ele.


"Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados." Isaías 53:3-5


Não foram os ferimentos da Cruz, da tortura, que o matou, como alguns e alguns filmes dizem. Não foram OS  SOLDADOS ROMANOS propriamente dito que o mataram. A Cruz era um castigo, uma tortura romana, a qual a pessoa ficava ali, por dias pendurado; as vezes eram soltos, ou enviados para prisão depois. Ou então, eram deixados para morrer, numa morte muito lenta, e dolorosa, seja pela fadiga e dores musculares, seja pela insolação e a desidratação. Levavam dias para morrer. E no caso de Jesus, não, ele morreu em pouquissimo tempo, um recorde. Os próprios soldados se surpreenderam, lhe atravessaram o peito (como tinha sido profetizado), para certificar-se que morreu, e ao invés de jorrar sangue, diz que jorrou um liquido como água. Uma morte muito inexplicavel, a qual alguns cientistas, dizem que apenas, muita angustia poderia ter provocado uma dor assim. O que matou Jesus, não foi a cruz, a tortura, estes foram minimos, comparados a dor que sentia no peito, o sentir o peso dos pecados do mundo caindo sobre ele, o meu e o seu. Este peso, essa angustia que Ele já começara a sentir no Getsemani, quando pediu a Deus "Se possível, passe de mim esse calisse.", ou quando pediu para que os discipulos orassem com ele, de tanta angustia, angustia de morte, que sentia. E então, este Jesus, este Cristo, morreu, este corpo, este pão asno, sem fermento, sem macula, sem mancha, sem pecado, morreu, recebeu todos os pecados.

Assim como, dizia a profecia de Daniel, na 'metade da semana', aos 33 anos, morreu, e fez cessar então, as festas, as cerimonias da pascoa, no que diz respeito aos 'sacrificios'. Pois todos os sacrificios que simbolizavam o Cordeiro de Deus que seria morto pela humanidade, havia finalmente se cumprindo. Pois o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, morreu; finalmente, foi sacrificado. E assim deveria parar. 

Porém, como os judeus não-conversos ao cristianismo, não acreditaram que Jesus era o Messias, que Ele era o Cordeiro, que a morte na cruz, não foi finalmente o Sacrificio do Cordeiro, então, os judeus, não guardam esta ATUALIZAÇÃO do significado da Pascoa. Ao mesmo tempo, como não acrescentaram as cerimonias do lava-pés, do comer o pão asno como simbolo do corpo de Cristo, nem do beber vinho como do Seu sangue.



"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito para que todos aqueles que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna."
João 3:16

Bem, e após a sua morte na sexta a noite, como um símbolo ainda mais especial para a guarda do dia de sábado, Jesus permaneceu na sepultura no sábado, morto. Mas que no primeiro dia (domingo), ressuscitou, e a tumba foi encontrada vazia.

E assim, para o Cristianismo, a pascoa passou a ser totalmente centraulizada na pessoa de Jesus Cristo, no Cordeiro de Deus. Aquele que liberta não do Faraó, mas das mãos do Inimigo, de Satanás, do pecado. Aquele que não nos conduzirá pelo deserto arabe para rumar a canaã terrestre, na Palestina. Mas que nos conduz por este mundo árido de amor até chegarmos na Canaã Celeste, a Casa do Seu Pai, a Vida Eterna, a Cidade Santa.

As tradições da Igreja Católica
A igreja, católica, não sei explicar os motivos. Acrescentou que na cerimonia da pascoa, tanto o pão, como o vinho, não apenas simbolizavam a Jesus, mas que, se tornavam, literalmente, o sangue e o corpo de Jesus (hóstia). Um dos dogmas católicos, apontados como heresia pelos protestantes. E que além disso, ao invés de tomar o vinho novo, o suco não fermentado, eles tomam o vinho fermentado, alcoólico.
Do mesmo modo, não sei de onde a ICAR tirou a idéia de 'não comer carne, mas apenas peixe' na Sexta-feira. Já ouvi falar, que tem a ver com a ver com Jonas que foi engolido por algum tipo de animal marinho.


A Tradição Pagã
Na tradição pagã, o que se entende por tradições de origens em crenças não-hebraicas, ou do Deus Hebreu.. mas em referência a outros 'deuses', e, em geral, politeistas. Vieram daí diversas crenças, que chegaram até a nossa cultura. Dentre estes:
1. O ovo;
2. O coelho.

Deixo claro que não sou sou entendido quanto a esta parte da tradição pagã. Mas no meu conhecimento, a idéia geral do que estes simbolizam é, basicamente: Fertilidade e Prosperidade.

Nota: as informações que coloco, aqui em diante, são originadas do site: Cetiscismo.Net

Ovo de Pascoa
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

Já quanto ao chocolate, bem eu não sei. Já ouvi dizer que alguns reis, ou mesmo povos consideravam o cacau como um alimento de deuses, por sua doçura. E aí imagino, que um dia, alguem teve a brilhante ideia de fazer ovos de chocolates. E como quase todo mundo gosta de chocolate (sobretudo as mulheres de TPM), rapidamente, isto virou moda, e uma tradição; na medida que a Industria de Alimentos, foi lucrando e investindo nisso (sobretudo em propaganda).

Coelho da Pascoa
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.

Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.


Por fim
Bem, apenas uma reflexão por fim. Se formos pensar em geral na cultura brasileira. No que hoje significa a pascoa, eu diria que temos:
1. Tradição judáica: aprox. 0%
2. Tradição cristã: aprox. 10% (que leva a sério)
3. Tradição pagã: aprox. 0%
4. Tradição capitalista: 99%

Tradição Capitalista
Sim, esqueci de falar sobre a tradição capitalista.

Bem, nos meus 20 e poucos anos, não vi pessoas sacrificando cordeiros, nem fazendo qualquer semelhança com a festa dos tabernáculo, ou dos pães asnos e ervas amargas, como os judeus faziam (não sei se ainda fazem). Também, vejo, mesmo nas familias cristãs, e nas cerimonias religiosas que na Pascoa sempre ocorrem nas denominações cristãs, que apenas um número muito reduzido de pessoas levam a sério, o verdadeiro significa e se importam com ele. E também, nunca vi, alguem dar a minima para os significados pagãos da fertilidade e prosperidade, apesar de a maioria usar seus símbolos.

O que sim vejo, é uma cultura de consumo, semelhante ao que fizeram com o Natal. Onde, por consumo, e em especial, ligado ao prazer do apetite ou a glutonaria, comprar ovos de chocolate, e dar-lhes de presente. O que envolve todo um tipo de cerimonia de consumo, que hoje existe. A necessidade das pessoas comprar algo conforme a moda da época. Sem significado algum, além de confirmarem que realmente gostam de chocolate, ou que preferem chocolate à saúde, ou que então, aproveitam o feriado, e esse consumo, para dizer que se importam com alguém dando presente para elas, ou aproveitando o feriado para fazer passar com a família.

Creio que esta é nova tradição, de natureza consumista,  que emergiu nas últimas décadas, e que possui o maior número de seguidores na atualidade.

16 março 2012

A Abolição do Homem - C. S. Lewis

3 comentários
Estou fazendo uma releitura da incrível obra filosófica do Lewis, quase que uma apologéica da crença de que há valores, virtudes, absolutas, objetivas e intrisecas, independente do ponto de vista humano, que não são violáveis mesmo com a História.

Bem, hoje decidi que vou fazer um estudo mais profundo desta obra, fazendo uma análises bem lógicas da sua argumentação entre outros. A principio vou esboçar tudo num papel, ai não sei como vou fazer para passar por aqui. Pois de certo modo, não gosto de explicar no modo "texto", linhas de raciocinio, gosta de, literalmente, desenhar.

13 fevereiro 2012

1984 – Provocações Finais

0 comentários
1984 não é um livro para qualquer um ler, não recomendo para adolescentes, nem mesmo jovens, apenas para pessoas que acreditam terem já alcançando algum tipo de maturidade filosófica, intelectual (sim, acredito ser necessário ter lido já um bom repertório filosófico entre muitas outras coisas), pois neste sentido ele é muito denso, trata de várias questões, um monte, de certo modo, quase sobre tudo, sobre o Mundo em que vivemos, sobre o individuo, suas ações, comportamentos, a mente, a memória, o que é ‘realidade’, o que é ‘registro’, sobre politica, o poder do Estado, o “Coletivismo Social X Individualidade”; relações de poder. A sempre hierarquia das classes: Alta, Média e Baixa. E muitíssimas reflexões sobre tudo, sobre consumo, indústria, produção, educação, mídia, monitoração do individuo, controle social, controle do pensamento, controle da mente, linguística, epistemologia, idiomas, sobre ‘palavras’, religião, e o mais incrível, ‘bons argumentos contra o cristianismo’ (o que é Raaaaaaro de se ver - bons).

O livro me trouxe várias reflexões, vários questionamentos, provocações, ideias, claro, não vou falar de todas. Apenas de algumas que acho que quero destacar.

O Senso de Segurança
A Oceania dominada pelo Partido, formou um conceito, uma clara idéia na mente de todos os seres pensantes que sempre estão sendo vigilados pela Policia do Pensamento, não há onde esconder, não tem nem como esconder um pensamento, se a pessoa pensa algo contra o partido (crimideia), é apenas questão de tempo, não há como se esconder, cedo ou tarde será pega, e apagada da História, nunca existira.

Todavia, houve um momento em que ele baixou as guarda, ao mesmo tempo, que com isso tinha alguma consciência que isto significava a sua morte, já estava morto por ter pensado assim. E acabou conhecendo um quarto no meio da prole, onde tinha seus encontros com sua Julia. Não havia teletela. E o dono do local parecia ser uma pessoa carismática. E ele ficou por meses tendo seus encontros amorosos, achando que naquele cantinho, naquele quarto, estava seguro e refugiado do mundo. Mas ali foi apenas uma cilada preparada pela Policia do Pensamento para ele. Havia uma teletela escondida atrás do quadro, esperando apenas uma confissão dele para pegá-lo no flagra.

O senso de segurança se passou a não existir. A única teórica segurança que havia era em viver de modo a não causar nenhum tipo de problema para o partido. E isto incluía em estar de acordo com seus propósitos e a sua idéia de que de Guerra, como se a Guerra, as outras nações é a que fossem as culpadas, pelos bombardeios. Pois de outro modo, estava sempre, em constante vigilância.

Temos uma reflexão, uma critica aqui sobre o que significa a Policia. E não apenas isto, mas os meios, mas os instrumentos de MONITORAMENTO do individuo. Pois por um lado, quanto maior e mais complexa a sociedade, mais ordem é necessária, e para haver ordem, é preciso haver monitoração e controle. Ou seja, é preciso abrir mão, em partes da sua liberdade. Liberdade no sentido de fazer as coisas sem estar sendo vigiado e controlado pelo Estado. E por outro lado, se não houvesse, como seria? E hoje, se formos ver, é uma questão presente. Enquanto estamos desenvolvendo melhores meios de monitoramento da população. Não haverá de chegar um momento, no qual cada individuo possa estar em constante controle ou observação? Por um lado, utopicamente, não haveria de ser nenhum problema ser monitorado, contanto que sua liberdade estivesse garantida, e não aparecesse uma policia do pensamento apagando sua vida. Mas isto, apenas seria possível num Poder, semelhante ao que vemos na Biblia, qual diz que há Anjos Redatores, que anotam cada passo nossa, mas que por outro lado, não vemos eles se intrometendo e nos obrigando a nada. Todavia, o Estado, Partidos, Empresas e por ai vai, está preocupado apenas com Poder. E isto, inclui, o poder sobre o individuo, de controla-lo, de fazer segundo a sua vontade. Se o radar viu que a pessoa passou da velocidade, tal leva um multa, e se a pessoa tentar fugir da multa, o Estado, possui instrumentos, para obriga-lo a pagar, ou então, manda-lo para a cadeia. (é o Estado controlando).

Até que ponto, podemos realmente admitir que o Controle, o Poder do Estado, é algo bom? Visto que este, significa, a morte do individuo mesmo que numa escala pequena. Em quanto que os Estados Totalitários numa escala maior. Uma coisa, o livro me deixou claro, “Segurança significa escravidão”. Todavia, por outro lado, não nos é mais possível viver sem Controle, sem subordinar-se há um grande poder. O grande problema que por fim temos é, ao meu ver, CONFIANÇA. Podemos realmente confiar no Estado? E quando falamos nisso, estamos falando nas pessoas que compõe o Estado. Podemos realmente confiar nelas? Que razões temos para confiar? Apesar de hoje, claramente ser um covil de ladrões, praticamente em toda a História o fora, até mesmo em Israel, ao ler o Antigo Testamento, acredito que vemos mais pessoas não-confiáveis no Poder, no Estado, (alias, o povo que clamou por um Rei, pois Deus não queria este modelo de organização para Israel). Até mesmo Salomão, em grande parte do seu tempo, apenas colaborou para a ruina de Israel. Vemos claramente na Biblia, que o único modo ideal, é quando o Poder está nas mãos de Deus, no sentindo, que as pessoas que estão no poder, elas estão totalmente rendidas a guia de Deus, a vontade dEle, e não ao próprio egoísmo, ambições e achismos, ambições terrenas e passageiras – diga-se de passagem. Mas isto, mesmo em Israel, foi raro de se ver; e não espero nos dias de hoje. Mesmo quando SUPOSTAMENTE, o Cristianismo chegou ao Poder na Europa – a Idade Média – as pessoas que compuseram o Poder (o Clero), bem, em nome de Deus, praticamente, se opôs totalmente a tudo quanto realmente era da vontade de Deus. Como está escrito em Daniel: “Lançou a verdade por terra.”; “Mudou os tempos e as leis.” E colocou o próprio homem, como no lugar de Deus, com autoridade e poder tão quão. (bem, é o que diziam para os homens)

O Ministério do Amor
Quando a pessoa saia dos padrões. A Policia do Pensamento prendia ela e a enviava para o “Ministério do Amor” (nome totalmente irônico). E lá, tal passava por uma violenta e cruel tortura, contudo o que me fez questionar o que é a tortura. Mas simplesmente levava ao ponto não só de experimentar o sofrimento e a dor, mas de esvaziar-se totalmente de si.

Nisto, tem uma das maiores revoluções, de tudo o que era visto antes sobre tortura, se vamos assim pensar. O que eles estavam se importando não era em ‘obter informações’ da pessoa, força-lo a dizer nomes, culpados, e dizer tudo. Mas sim, mudar o pensamento, o caráter, a personalidade dele. Antes, ele odiava o Partido, e só sairia de lá quando amasse Partido. Mas não por mera palavras, ou para tentar convencer os torturadores de modo para quem parem com a tortura e o libertem. Mas só iriam soltá-lo quando realmente estivesse ‘curado de sua loucura’. Conseguiam descobrir um modo, algo em especial (claro uma tortura em especial, um modo) de alcançar o mais profundo de sua mente e destruir suas últimas barreiras, para realmente mudarem seu pensamento.

É uma forma totalmente diferente de tortura, do passado. Que aliás, tente a ser, vamos assim dizer, a Punição da Policia do futuro, as armas do futuro. Não uma mera agressão ao corpo (“uma forma de controle e domínio ao corpo”), mas também uma forma de “controlar a mente”. E neste caso, controle da mente se constitui em curar a pessoa da loucura, e torna-la mais um ‘objeto’ com a ‘programação’ desejada pelo Partido. E nisto, se constitui em manter “o Sistema”, ou seja, “os trabalhos, as classes, o modo de vida, desejos, pensamentos”. E querendo ou não é isto o que eu particularmente vejo nas músicas, nos programas de TV em geral, na maioria dos filmes, e até mesmo no que se acha na Internet. É diferente se encontrar algo que se sai desta mentalidade de hoje. Além disso, uma das coisas que o Partido tinha praticamente abolido era o estudo da História e da Literatura antiga (imprópria), e veja só, não é exatamente o que estamos vendo hoje? E não apenas vendo nesses canais da mídia (os instrumentos de acesso dos Poderes para incumbir um pensamento as Massas), mas posso ver nas próprias pessoas. Pessoas quais, algumas ficam o dia inteiro com a TV ligada, ouvindo musicas de propósitos comerciais (praticamente quase tudo), e etc. Se vê claramente como é a mentalidade delas. Não vi nenhum personagem no livro 1984 que representasse bem esse tipo de pessoa, mas no “Admirável Mundo Novo”, tal pessoa podemos ver claramente representa na Lenina. São as pessoas comuns, que não questionam nada. Tornando-se anacefaladas, engolem tudo, sem senso critico; e só pensam em gastar, se divertir, não há nenhuma preocupação realmente séria antropológica, ou sobre o futuro, tão pouco, preocupação em conhecer, estudar e saber das coisas do passado, ou entender como as coisas funcionam.

A Nova Lingua
Reduzir a capacidade de expressão, pensamento (até onde isso depende de palavras), do individuo. Em outras palavras (forçando o caso), reduzir, mudar e controlar o idioma de modo a fazer as pessoas apenas a conseguir pensar como o partido.

Ou seja, suponha que o partido quisesse que tudo fosse 0, 1, 2, 3, .., 10. E ai, ensinasse a pessoa apenas a fazer operação de adição (+), e os números 0, 1, 2, 3,4,5. E por fim, a pessoa só iria conseguir fazer as seguintes operações:
x + y = k, (com x = [0, 5], y = [0, 5], ou seja, k = [0, 5], no conjunto dos naturais)

E ai, você pensa, ué: mas 5 + 5 = 10. E o máximo é 5, o que fazer? Simples, evidente que o Partido ensinava apenas algo do tipo 3+2=5 ou 5+0=5. Coisas, do tipo, pensar além disso. Além apenas desse “pequeno conjunto de palavras”, era totalmente ILEGAL, IMPRÓPRIO, HERESIA, é contra o partido, por exemplo, pensar na ‘subtração’ (-), ou multiplicação, ou nos números 6, 7 e 8.

Quando se contextualiza isto para a questão do idioma é exatamente isto. A pessoa só iria sabe ‘um pequeno conjunto de palavras’, e apenas saberia fazer ‘um pequeno conjunto de operações’ com tais palavras, e com isso, só iriam resultar num ‘pequeno conjunto de pensamentos e expressões’ (entre 1 e 5), que eram os pensamentos que o Partido iria querer. Qualquer anomalia no individuo, e este era enviado para o Ministério do Amor, para ele esquecer para ele poder aprender e acreditar (como diz no livro) que 2+2=5.

E isto está acontecendo hoje!!! Não é apenas o Internetês. Mas os livros por aí, as pessoas em geral. E nisto, estou falando das pessoas não só em comum. Mas mesmo uma pessoa mais executiva, com doutorado e tals. Mesmo que ela saiba 10 idiomas, em geral, você vai ver, e aí é uma pessoa apenas que conhece os termos referentes e voltados para o seu trabalho, área de atuação. Como no “Admirável Mundo Novo”, conhece, estuda, apenas aquilo que é útil para o seu trabalho, cargo, função na sociedade. E assim, é cada vez mais comum encontrar Engenheiros Moleculares, doutores em Astrofisica, mas que não sabe a diferença do Torá da Bíblia, ou quais foram os períodos da História, ou o que foi a Idade Média, ou a Revolução Francesa, ou a Industrial; tampouco sobre os pensadores gregos ( a origem da Razão), ou Agostinho (o pai da Teologia), etc. A geração de hoje já mal sabe o que foi a II Guerra Mundial, ou quem foi Hitler, ou a Guerra Fria, e mal sabe, o que aconteceu no mundo há 60, 70 anos atrás, pior, 30 anos atrás. E acham que o “atual estado e modelo das coisas” sempre foram assim e sempre serão assim. “o passado é o presente” e “o futuro é o agora” (como era os ditos axiomáticos das pessoas no livro).

O Poder
A parte da tortura é incrível, filosoficamente incrível, pois vai tirando de exemplos da História, de modo de como construir um Império Perpétuo. E ai vai vendo ponto por ponto porque todos os demais falharam. Alias, o propósito do Ministério do Amor de mudar a mentalidade das pessoas, ao invés de assassiná-las foi um aprendizado do passado para manter o controle e domínio do Partido. A Guerra também fazia parte deste objetivo. A Guerra não era mais por luta de território, ideológico, alimentos, era apenas para controlar o povo com um senso nacionalista, de submissão, de ideia de ‘inimigo em comum’ e com isso senso de fraternidade. E entre esses pontos, o MAIS CHOCANTE e claro, foi quando disse que todos os povos e impérios antigos, inclusive o Nazismo errou em ‘fantasiar’ e inventar outras coisas para o MOTIVO do ‘porquê’ fazer isto, mas que eles, tinham bem claramente bem definido, que o único propósito era “PODER”.

A grosso modo deixa claro uma coisa, tudo é uma questão de PODER. Qual é o propósito dos ricos, da Classe Alta, dos dominadores...? Poder. Simples assim. Não é dinheiro. Alias, dinheiro pode facilmente desvalorizar ou não significar. Mas dominar, ter controle sobre os outros, isso sim é PODER. Ou mais ainda, dizer quem pode viver ou morrer. Ou mais ainda, PODER para fazer a pessoa pensar o que você quer que ela pense (O Controle da Mente, a ULTIMA E MELHOR ARMA que pode ser feita para domínio). E de certo modo, o livro me fez pensar muito nisso. Me fez novamente, abrir mais o olho, e perder a ingenuidade, e novamente ver claramente, que quem busca Riquezas, Dinheiro, Status etc, busca poder. E nisto fica mais claro o que diz as Escritoras:
“O amor ao dinheiro [Poder] é a raíz de todos os males.”

E mais ainda, apesar de eu sentir uma grande atitude critica para com o Cristianismo do autor. Ele deixou bem claro, evidente, que tudo, o mundo, as coisas, o sistema não muda, é apenas o mesmo, a busca pelo TOPO DA PIRAMIDE, querer chegar na Classe Alta e manter o poder. Mas por outro lado, é exatamente o que o verdadeiro cristianismo bíblico se opõe. Pois Jesus criticou isso, chamava as pessoas a abandonar o poder, deixar isso da vida dela, chamou os riscos a dar tudo o que tem aos pobres, e eles mesmo não buscou riqueza, nem glória, nem status algum. O evangelho é loucura para este mundo, literalmente. Todavia ao mesmo tempo, uma coisa ficou fortemente gravada em mim: "Eu concordo com tudo isso!", "Qual é o problema?" Pois bem, vamos assim pensar, tirando o senso de moral, virtudes cristãs, é simplesmente poder, Lei do Mais Forte, Sobrevivência do Mais Forte; mas o autor, faz toda esta critica ao PODER, ao Estado, a morte do individo, o coletivismo, e ao mesmo tempo critica a religião, mas fica com os pés firmados num pseudomoralismo que vem de onde? De fato, sem uma verdadeira religião e Deus, o que temos no livro é apenas um modelo de máxima competência de dominio e poder, teoricamente 'o ideal' do animal chamado 'homem'. Então meu caro George, você apenas defendeu a Biblia por fim, criticou o que ela critica, expos parte do problema que ela expõe (a qual propõe origens mais profundas a causa), e colaborou ainda mais sobre as profecias da Biblia sobre os últimos tempos, últimos dias. A operação máxima de Satanás, o Ministério da Iniquidade, de escravizar o homem, a consciencia do homem, fazê-los escravos do pecado, ignorantes para com a verdade, que seriam dias trabalhosos e etc.

É mais um daqueles que criticam a Biblia não pelo incrivel conteudo. Mas porque a autoria desta obra incrivel é dada a Deus, e não a ele. Alias, diga-se de passagem, mais uma vez colabora ele, ao dizer no livro, que a Biblia foi abolida pelo Partido. E ao mesmo tempo, uma pessoa que passava pelo Ministério do Amor, ficava com marcas mentais tão profundas, que o Partido não se preocupava mais com ele, ele podia ler uma Biblia, e o Partido não daria a minima, nem a Policia do Pensamento, pois a consciencia dele estava totalmetne cauterizada para provocações e mudanças, além daquilo que o Partido queria que tal pessoa tivesse. (substitua "O Partido" por Satanás, e é exatamente o que a Bíblia diz). - Capitche!

E este ponto foi o que mais me chocou no livro. Fiquei perturbado com estes pensamentos por dias. Até onde não estou eu escravizado e corrompido neste sistema, também, apenas querendo poder? Entre tantas outras coisas. Pude ver mais claramente o quão ‘robotizado’ eu já não fui pelo Estado e pelos poderes. E me fez reavaliar e pensar em mutias coisas que já na vi na Licenciatura e sobre o papel da Educação e da Escola.

Bem, é isso ai. Um super resumo das principais provocações deste obra que recomendo para todos que tem maturidade, sangue frio, e quem está disposto a encarar a tristeza de se perder a ignorância, e em ver a realidade mais como é (um excremento de porcos).

29 janeiro 2012

1984 - Primeiras Impressões

0 comentários
Li em torno de 1/2 da clássica obra ‘1984’ de George Orwell. A grosso modo o livro é uma obra que abrange principalmente a politica, filosofia e socialismo, de forma densamente critico; qual envolve um romance também muito provocante. O livro escrito em torno de 1930, acho que antes da II Guerra Mundial, é uma critica ao Nazismo, U.R.S.S., ao Comunismo, ao Fascismo, ao Estadismo; faz uma ficção de como seria o mundo em 1984 (50 anos depois), em que o mundo era divido em apenas 3 países totalitários, estadistas ao extremo. Um controle que resulta na abolição do individuo.. E então, temos novamente a mesma ideia abordada pelo livro “Admirável Mundo Novo”: Controle. Uma sociedade totalmente manipulada em função dos interesses do Estado (o topo da hierarquia). A diferença, que no ‘Mundo Novo’, o Estado de certa forma, é mais um tipo de Máquina Economica, ou a Industria, um super interesse do Capitalismo vamos assim dizer, na forma mais selvagem possível, no qual se livrou a concorrência, e as pessoas são meras consumidoras, mas que ganham em troca, uma ‘vida feliz’ (graças ao Soma e a quase ausência do tempo de espera entre seus desejos e realização), e neste, o controle é por outro meio, por meio de uma vida 'miserável' vamos assim dizer.

O Grande Irmão (The Big Brother)
Big Brother Brasil, esta ‘coisa’ [que elogio ao invés de m*], de certo modo veio (pelo menos o nome) deste livro. Da obra genial deste autor, que numa época em que não existiam filmadoras e televisores (até onde sei), disse que em 1984 existiram “teletelas”, uma espécie de televisor que haveria praticamente em todos os lugares, nas casas das pessoas, cômodos das casas, ruas, e etc, tal ficaria sempre ligada, e na maioria das vezes traria informações do Estado, pura lavagem cerebral, para elevar as virtudes do Partido, ou informações totalmente duvidosas, que eram repetidas até as pessoas acreditarem que era verdade e não mais ter noção do que significa uma “informação original, puramente verdadeira, factual”. Todavia, esta Teletela também era um tipo de câmera, que estava em constante observação das pessoas, dos cidadãos (os camaradas), todos eram observados minuciosamente, e viviam como se fosse um conceito ou lei natural sentir-se sempre sob vigilância. E todas essas informações, monitoramento era feito pela Policia do Pensamento, qual se suspeitasse que alguém estava andando fora da linha, fazendo algo anormal, incomum, ‘pensando demais’, com alguma idéia revolucionária, ou ‘anti-social’, ou qualquer coisa perturbe a paz e a ordem, ou como as coisas são, um mero olhar de insatisfação, de desesperança, qualquer coisa que pudesse gerar um sentimento de revolta, motim, guerra civil, ou de apego demais para alguma coisa, ao invés de servir aa servir o Estado e aos seus camaradas... bem, então tal pessoa, certamente, em alguma noite seria pega a noite pela Policia do Pensamento, interrogadas, brutalmente torturadas e assassinadas. Mas enquanto isso, tudo isto, era a maquina por detrás. Pois o conceito, era que o Grande Irmão sempre estava vigilando a todas, vigilando a sociedade, monitorando, e acertando as coisas para deixa-la sempre em ordem, e fazer as pessoas ‘mais felizes’.

A Precariedade
Uma das questões mais abordadas e deixadas claras, é sobre como seria a Produção conduzida pelo Partido, pelo Serviço Publico, concentrado nesta Máquina (qual podemos fazer uma comparação para o modelo capitalista, em que são muitas empresas, e que há a concorrência, e se preocupam com a questão da oferta/demanda e qualidade). Tudo era precário, e tudo sempre estava em falta, e era racionado. As pessoas tinham sempre roupas velhas, remendadas, rasgadas, as cidades era sempre meio que destruídas, vidros trincados, estilhaçados, com papelão, tudo mal rebocado, pintado, as pessoas não encontravam nem gilete para barbear (era um item de constante procura), tinha o Gim, uma espécie de Bebida que era puro Alcool e horrível de se tomar, mas era tudo o que tomava como um tipo de adornos (como era o soma no Admirável Mundo Novo), porém, que era nauseante, horrível de se tomar, fedia etc. Tudo era muito precário tanto para quem pertenciam as funções inferiores do Partido, quanto, mais ainda, para quem era da Prole. Os cigarros eram tão ruins, que sempre esfarelavam ou caia o fumo no chão se não fosse pego com cuidado. Ninguem andava com um sapato novo ou em boas condições. Tudo estava sempre em falta.

A Mídia – A Moldadora de Opinião (melhor dizendo: de cidadão)
No “Admirável” as pessoas eram condicionadas desde o nascimento, em sua educação pelas “Repetições” e os processos de condicionamento, e as frases que sempre ouviam mesmo em quando dormiam. No 1984, é o total CONTROLE da mídia pelo Estado, em função a servir aos propósitos do Estado. Anunciavam só aquilo que era de satisfação do estado, entre eles, tornar as pessoas sujeitas aos seus interesses, e fazê-las acreditar que o Estado, o Partido, o Grande Irmão está lutando por eles, para o bem, e sua felicidade. É sempre, essas informações, esse tipo de programação, de músicas.

Guerra, Caramadagem - A Ilusão da União e Dever
Além disso havia o condicionamento dos interesses do Estado, em fazer as pessoas amarem, se confraternizarem como uma Nação, contra as demais Nações, e contra os OPOSITORES desta ordem. Como no Cinema, e o Dia do Ódio, onde eram apresentados coisas, de modo que estes INIMIGOS, sempre possuem idéias tão absurdas que até uma criança de 7 anos percebe quão ridículas são e se revoltam. E elas ficam lá, falando e fazendo, por muito tempo, de modo que deixam as pessoas totalmente irritadas até ficarem fora de si, e começam então a manifestar todo o seu ódio para com tais Inimigos, xingando, mostrando agressividade, pulando como loucos, uivando como animais, e naquele MOTIM, em que todos os camaradas se unem como uma fraternidade em função desse Inimigo em comum. E ai então surge a imagem do Grande Irmão, a pessoa diferente com as ideias amistosas, de bem-estar comum, que luta contra este Inimigo, e aí todos começam a admirá-lo, aplaudi-lo, parabenizá-lo, exaltá-lo, amá-lo. E assim o Partido, através da mídia vai promovendo um CONTROLE na população, um senso de união nacional, a caramadagem.

A Alteração do Passado e a Extinção da História
Outra função do Partido era alterar o passado. Sempre alteravam o passado. Tudo era alterado. Toda a História foi alterada. Todas as informações dados foram alteradas de modo a servir aos interesses do Partido, do Estado. E isso constantemente era feito. Revistas, jornais, livros, eram eliminados, ou reeditados, e reimpressos. Se uma pessoa era era eliminada, vaporizada, logo todos os registros de sua existência sumiam. E logo, dentro de pouco tempo, ninguém mais sabia que tal pessoa um dia tinha existido, ou duvidariam da própria memória. A memória da pessoa era constantemente atacada. A História era constantemente mudada, alterada. De modo, que as alterações de forma geral, acabavam sempre sendo alterações de outra alteração. Mesmo os mais pensadores, filosóficos, praticamente dificilmente poderiam ter certeza sobre algo, de algum dado informação, não sabia o que era mais verdade e o que era original. Aliás, não conheciam como era o Mundo fora da sua nação, e não conheciam como era o passado antes do Partido. Os poucos sobreviventes daquelas épocas antigas, eram muito velhos, e tinham péssimas memórias, na verdade, totalmente inúteis.

As pessoas tinham um senso de que a vida era sempre aquela miséria, infelicidade, o mundo sempre em guerra, as longas jornadas de 12 horas de trabalho diários, e olha lá, as teletelas, o Dia do Ódio, as mudança dos registros, os noticiários, o Gim, a precariedade das coisas. No fundo sentiam um certo descontentamento com a vida, como se as coisas pudessem ser diferentes. Mas será que podia ser? Como era antes do Partido? E se não houvesse o Partido? E se as coisas não fossem tão controladas pelo Estado? E se as pessoas pudessem manifestas e lutar mais pelo seu individualismo e liberdade de expressão? Liberdade de possuir suas próprias coisas, liberdade de ter uma família de verdade? Liberdade de poder se apegar a uma mulher? Mas a vida foi sempre assim.


A REDUÇÃO DAS PALAVRAS
Historicamente, foi um processo de grandes, incríveis conquistas inventar novas palavras. Foram criadas para simbolizar uma nova ideia, um pensamento em especial. E assim de certo modo, a grosso modo, quanto mais palavras, mais rico o vocabulário, e mais rico é a liberdade da mente em pensar, sentir e expressar. Bem, um dos propósitos do Partido, é sempre estar reduzindo o Vocabulário da sociedade, vai reeditando o idioma, o Novalingua, sempre buscando diminuir um monte de palavras, "inúteis". Mas sempre este trabalho - feito pelos profissionais em Letras e Filosofia - é visto como um dos mais incríveis empenhos e avanços da Sociedade. E assim iriam limitando palavras, reduzindo as expressões, por exemplo, se você quer dizer que algo é ‘bom’, não precisa das palavras ‘magnifico’, ‘extraordinário’, apenas ‘bom’, agora, se precisa classificar algo como muito mais do que bom, apenas poderia usar a palavra ‘plusbom’. E assim, se buscava economizar as palavras, reduzindo-as silabicamente, e ao mesmo tempo reduzindo as expressões, adjetivos e um monte de excessos desnecessários. E ainda também eliminando palavras ‘ruins’, palavras indesejáveis, palavras que não convém a Nação, a Ordem, ao Partido. Um dos argumentos, é que as pessoas conhecendo palavras ruins, violentas por exemplo, ou de indignação, iriam ficar pensando nessas coisas, nessas palavras, iriam tentar expressá-las, e isso produziria infelicidade e descontentamento nelas; então, se removesse tais, por mais que em algum momento elas ‘sentissem algo’, não saberia o dizer o que é, não saberiam que nome, que associação usar, nem como expressar... e assim, não expressariam, não extravasariam, e então ou logo aquilo iria sumir sem afetar a sociedade, ou então, morreria com ela mesmo. Ou então, se a Policia do Pensamento percebesse algo estranho (como sempre acontecia), logo, vaporizavam tal pessoa.

Os Dias de Hoje
É impressionante, quando pensamos na sociedade hoje. Eu particularmente vejo claramente este fenômeno acontecendo. Não sei dizer se há uma pessoa por detrás disso. Talvez, algo sem pensar. Mas está acontecendo um processo de emburrecimento nítido das pessoas. Podería falar da ‘linguagem lógica’ (daqui a pouco estaremos falando como linguagem de programação), algo que por exemplo, vem ocorrendo com o “Internetes” e os “Populismos exagerados da periferia”, por exemplo, usam palavras (desculpe o termo) como “foda” para exprimir mais de 50 significados, tanto ruins, quanto bons, ou interjeições, ou para xingar, ou elogiar, ou como final de frase, ou como um ‘tick lingistico’, como adjetivo, adverbio, substantivo, até como verbo como ‘fuder’ (o que também pode-se referir a diversas conotações, desde atos de violência, até eróticos, ou como mera ameaça). Mas além disso, também tenho percebido um empobrecimento linguístico nas pessoas, é comum encontrar pessoas que não entendem metade das palavras que eu digo. Talvez por uma cultura de lerem pouco. Mas por outro lado, há quem costuma ler. Mas que em maioria, o que procuram ler são romances adaptados para um linguajar mais ‘popular’, mais reduzido.

Onde vejo um exemplo claro disso, é em questão as versões da Bíblia. Bem, eu tinha uma Bíblia de 1994, Almeida Revisada e Corrigida, eu gostava muito do linguajar dela, era muito poético, e de inicio eu não entendia metade das palavras, usavam muitas palavras muito exóticas, mas ‘A DENSIDADE SIGNIFICANTE’ [inventei essa agora, gostei – percebem? Cade uma palavra para expressar melhor isto?] era muito intenso, era um linguajar muito mais poético, com o tempo, dava muito gosto de lê-la, as palavras eram muito bem temperadas, os versos eram, muito expressivos e profundos - era quase impossível uma leitura superficial. Mas depois disso, foram ‘popularizando o linguajar’ (e há quem faz um monte de comentário de que isto é bom), foram diminuindo a quantidade de palavras, verbos, adjetivos, e adaptando para apenas aquilo que era mais conhecido no popular de hoje, inclusive expressões. Com isso, as notas de rodapé foram diminuindo, pois antes, por exemplo, esta de 94 que eu tinha, sempre tinha muitas referências, pois você lia o verso e não entendia, ai lia várias outros versos tratando da mesma questão, e ai com a razão, você conseguia então vislumbrar uma ideia do significado. Mas hoje não, está tudo mais ‘explicito’, ‘seco’, ‘frio’, vamos assim dizer, é uma linguagem mais ‘direta’(robótica, quase que binária)) e menos poética (como a NVI, e até as Almeidas de hoje). Consequencia disso - eu particularmente - é uma linguagem, uma leitura mais ‘sem sal’, ‘pobre’, não tão significativo, as vezes tenho a impressão de estar lendo um texto para crianças, pensamentos infantis; ou como comer um arroz refinado, depois de estar acostumado com o integral. É pobre o linguajar, você não se sente muito nutrido. E talvez o maior perigo esteja nesta colocação que agora faço: “VOCÊ NÃO PRECISA MUITO, AS VEZES NEM PRECISA, PENSAR PARA COMPREENDER, ENTENDER.” Ou seja, ‘você não pensa’, é uma leitura que tende a ser como a leitura de um Romance, ou assistir uma Novela, ou pior ainda, como “MANTRAS”, como apenas ‘frases, ideias’ para serem lidas, entendidas, engolidas, como que axiomáticas.

Informação ao Invés de Transformação
Hoje parece que nos contentamos em ter uma informação, ao invés de sentir uma transformação dos nossos pensamentos, por capturar a ideia. É como se estivessemso perdendo a individualidade, o lado humano de lidar, ser impactado e afetado por tais. Parece que apenas se trata de ter 'uma informação', um conhecimento, um diploma. É aquela coisa. "Há, eu sei que há x bilhões de pessoas no mundo." E simples assim, mas essa informação, é tão desconexada da pessoa, que não envolve a pessoa, seus pensamentos, o que esse número quer dizer? Qual as implicações para o mundo, a Economia, a Sociedade, as Culturas, a Sobrevivência, Sustentabilidade e para o Individou? Há uma enormidade de questões importantíssimas que isso afeta. Além disso, por exemplo, o atual cenário Economico-Politico-Social do mundo, é uma explosão tentando ser contida, sabe-se lá até quando, que irá impactar a vida de cada indivudo. As pessoas, tem a 'informação' de que isto está acontecendo, mas e daí. É apenas uma informação, ou seja, apenas tem essa informação armazenada numa linha de registro no banco de dados da cabeça, ou no Wikipedia, mas é só isso; as pessoas parecem estar pensando como um banco de dados. A informação não envolve a pessoa, seus pensamentos, a informação não é trabalhada. Caso contrário, provavelmente a postura da maioria mudaria, ao invés de viver como se simplesmente nada estivesse acontecendo, como se sempre fosse ser assim. Como se estivesse garantido que no dia de amanhã, fará as mesmas coisas, terá as mesmas coisas, terá comida, água, transporte, civilização ( no sentido de pessoas vivendo em comunidade, seguindo regras). Ou seja, as pessoas não estão mais sendo afetadas pelas informações.

E ai quando pensamos em questão a Teologia, a Religião, a Bíblia por exemplo. O mesmo acontece, você vê apenas 'informação'. Mas não processos, mudanças, transformações, algo que move e mexe as pessoas. Que diferença fazem as doutrinas, as informações? A maioria, nos dias de hoje, leem, as informações, e PRONTO, "Agora eu sei." (tenho a informação). Todavia, tudo isto é incoerente com o que realmente é o cristianismo. Pois as suas informações contidas, não são como um bloco de informações que se guarda numa estante. Mas como 'carpinteiros, faxineiros, arquitetos, decoradores, carpinteiros', que te convidam a permiti-los fazer uma mudança, transformação na sua casa.


O FILME
Bem, melhor parar por aqui. Quando concluir o livro, creio que terei idéias melhores trabalhadas, e mais coisas para compartilhar. Alias, pesquisando sobre o livro, descobri que fizeram o filme sobre o livro. E que é possível encontrá-lo no Youtube. Achei este em Espanhol, é a primeira parte, acesse-o no Youtube, e terá o link para as demais partes. (ainda não vi o filme para ter uma opinião sobre tal).



12 janeiro 2012

Admirável Mundo Novo - Fim

1 comentários
Os últimos capitulos do livro são extremamente densos. Se você acha que não tem muito o que esperar, bem, conforme se chega próximo ao fim, o livro apenas intensifica. Os últimos 3 capítulos pelo menos, são extremamentes filosóficos do autor. Como se quisesse expor toda a sua filosofia, comprimindo-a, e levando o leitor a refletir e pensar nas questões que ele tentou levantar com o livro. Mas nada, NADINHA de filosofia barata; simplesmente, extraordinário. Confeço, que levarei meses, anos, talvez toda minha vida para digerir as palavras do seu final, sobretudo, das palavras do Administrador Mustafa Mound.

Em primeiro lugar, tenho que tirar o chapéu para o falecido autor, que em 1930, já colocou como seriam as super 'armas' do futuro em que a policia usaria. Ao invés de "Metralhadora alemã ou de Israel estraçalha ladrão que nem papel" (como dizia uma daquelas coisas que eu chamava de música na minha adolescência), é uma máquina que produz uma música sintética e que solta um gas cheio de uma droga no ar, que faz as pessoas no ambiente se sentirem totalmente amáveis uma com as outras, afetuosas, carentes, de modo a desistirem e esquecer de seus aborrecimentos. Uma máquina não só para 'controlar um motim, uma revolta', mas para 'reverter'; máquinas de poder psiquico. E para os casos mais emergenciais, uma pistola que lança um dardo tranquilizante, que imediatamente derruba a pessoa como gelatina no chão, como se não tivesse mais músculos e ossos.


Bem, agora vamos ao que interessa. Sem mais enrolação, replico apenas as palavras do livro, no momento que faz uma declaração sobre a religião, sobre Deus; e porque deve ser banido da sociedade para poder haver felicidade e controle social.

- Mas se os senhores não ignoram Deus, por que não falam nele? - perguntou o Selvagem, indignado. - Por que não permitem a leitura desses livros sobre Deus?
- Pela mesma razão por que não apresentamos Otelo: eles são antigos. Tratam de Deus tal qual era há centenas de anos, não de Deus como é agora.
- Mas Deus não muda.
- Acontece que os homens mudam.
- Que diferença faz?
(...)

- ... Bem, como eu ia dizendo, havia um homem que se chamava Cardeal Newman. Ah, eis o livro - retirou-o do cofre - E já que estou aqui, vou tirar também este outro. É de um homem que se chamava Maine de Biran. ...
(...)


- ... - Abriu o livro no lugar marcado com uma tira de papel e começou a ler: "Nós não pertencemos a nós mesmos, assim como não nos pertence aquilo que possuímos. Não fomos nós que nos fizemos, que não podemos ter a jurisdição suprema sobre nós mesmos. Não somos nossos próprios senhores. Somos a propriedade de Deus. Não é para nós uma felicidade encararmos as coisas desse modo? Será a qualquer título uma felicidade, um conforto, considerarmos que pertencemos a nós mesmos? Os que são jovens e prósperos podem acreditar nisso. Podemos crer que é uma grande coisa serem capazes de conseguir tudo segundo os seus desejos, como supõem - não dependerem de ninguém, não terem em pensar em nada que não esteja ao alcance da vista, dispensarem a obrigação molesta da gratidão constante, da prece contínua, da incessante referência a tudo o que fazem à vontade de outro. Mas com, o correr do tempo, acabam percebendo, como todos, que a independência não foi feita para o homem - que é um estado antinatural -, que pode satisfazer por algum tempo, mas não nos leva com segurança até o fim..." - Mustafá Mond parou, pousou sobre a mesa o primeiro livro e, tomando o outro, virou-lhe as páginas. - Veja isto, por exemplo - disse, e com sua voz profunda começou a ler novamente: - "Um homem envelhece; percebe em si mesmo aquela sensação radical de fraqueza, de atonia, de mal-estar que acompanha o avançar da idade; e, sentindo-se assim, julga estar apenas doente, aquieta seus temores com a idéia de que esse estado penoso é devido a alguma causa particular da qual espera curar-se como de uma moléstia. Vãs imaginações! A moléstia é a velhice; e trata-se de uma doença horrível. Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a se voltarem para a religião à medida que os anos se acumulam. Todavia, a experiência pessoal me trouxe a convicção de que, completamente à parte de tais temores e imaginações, o sentimento religioso tende a desenvolver-se quando envelhecemos; tende a desenvolver-se porque, à medida que as paixões se acalmam, que a fantasia e a sensibilidade vão sendo menos excitadas e menos obscurecida pelas imagens, desejos e distrações que a absorviam; então, Deus emerge como se tivesse saúde de trás de uma nuvem; nossa alma vê, sente a fonte de toda luz, volta-se natural e inevitavelmente para ela; porque, tendo começado a esvair-se dentro de nós tudo aquilo que dava ao mundo das sensações sua vida e seu encanto, não sendo mais a existência material sustentada por impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em algo que permaneça, que nunca nos traia - uma realidade, uma verdade, absoluta e eterna. Sim, voltamo-nos inevitavelmente para Deus; pois esse sentimento religioso é por natureza tão puro, tão delicioso para alma que experimenta, que compensa todas as nossas perdas".


- ... "Só se pode ser independente de Deus enquanto se tem juventude e prosperidade; a independência não nos levará até o fim em segurança." Pois bem, agora nós temos juventude e prosperidade até o fim. ... "O sentimento religioso nos compensará de todas as nossas perdas." Mas não há, para nós, perdas a serem compensadas; o sentimento religioso é supérfluo. ... Que necessidade temos de repouso, quando nosso corpo e nosso espírito continuam deleitando-se na atividade? De consolo, quando temos o soma? De alguma coisa imutável, quando temos a ordem social?
(...)
- Mas não é natural sentir que há um Deus?
- ... Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. ...
(...)
- E o desprendimento, então? Se tivessem um Deus, teriam um motivo para o desprendimento.
- Mas a civilização industrial somente é possível quando não há desprendimento. É necessário o gozo até os limites impostos pela higiene e pelas leis econômicas. Sem isso, as rodas cessariam de girar.
- Teriam uma razão para a castidade! - disse o Selvagem, corando levemente ao pronunciar as palavras.
- Mas a castidade significa paixão, a castidade significa neurastenia. E a paixão e a neurastenia significam instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização duradoura sem uma boa quantidade de vícios amáveis.
- Mas Deus é a razão de ser de tudo o que é nobre, belo, heróico. Se tivessem um Deus...
- Meu jovem amigo, a civilização não tem nenhuma necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas de incapacidade política. ... E se alguma vez, por algum acaso infeliz, ocorrer de um modo ou de um outro qualquer coisas de desagradável, bem, então há o soma, que permite uma fuga da realidade. ... O Cristianismo sem lágrimas, eis o que é o soma.

...

Poderia comentar muita coisa, mas estou sem animo para fazê-lo. Apenas considero, que após ler bem os últimos capítulos, me tomei conta, que este Admirável Mundo Novo já é a realidade para muita gente, talvez para a grande maioria do Ocidente. O mundo que preza pela sensação de bem-estar, conforto, e de prazeres infantis como viagens, carros, helicópteros, tvs, tecnlogias de luxo, jogos, músicas infantis, filmes infantis, uma infantilização do homem; o homem que não precisa mais lutar, sofrer horrores, de atos de bravura, heroísmo e altruísmo para realmente conquistar a maioridade; e é assim, se resumir uma vida, os desejos e a satisfação do homem em poder consumir tranquilamente essas coisas, sem importunio até a morte chegar. E sendo assim, para que o homem precisa de Deus? Quando tudo pode ser solucionando, deixando que um 'bom Estado' controle nosso nascimento, nosso condicionamento, nossos desejos, nosso trabalho, nossas ambições, nossos relacionamentos... de modo a termos uma sociedade sem insatisfações, revoltas, e descontroles. E quando houver, uma super droga (soma), que basta um capsula de 500mg tiradas do bolso, para resolver tudo.

É este o mundo em que vivemos, Só não com tanta 'qualidade'. Mas tudo está tentando ser maximizado. ...

E o que resultará disso?


Nota.:
Todavia, o autor faz uma colocação de um mundo no qual fosse possível tornar-se DURÁVEL, ESTÁVEL. Algum tipo de total controle dos fenômenos da natureza quais não se pode ainda controlar, como terremotos,  tempestades, vulcões etc. Mas ai entra uma questão, que torna a obra ficção, pois nunca chegaremos a tal ponto. Por que? Porque o mundo já está condenado. A calamidade afronta o mundo. Seja nos ambitos Naturais, seja nos ambitos produzidos pelo homem, como a escassez de recursos naturais, de alimentos, água, doenças, poluição, intoxicação, superpopulação, conflitos etnicos, e instabilidade economica (neste ponto, um caos sempre adiado, tentando ser empurrado para as gerações futuras)... cedo ou tarde, essa avanlanche vai acontecer (em quanto isso, a neve vai se acumulando no topo da montanha), e ai quando chegar, vai destruir tudo isso a humanidade pensará conquistar como bens duráveis. E ai, quem sabe, não tenhamos uma nova mudança ao passado, depois do banho de água fria.