23 dezembro 2011

Ter ou não ter namorado, eis a questão

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Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.


Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.


Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.


Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.


Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.


Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.


Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.


Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.


Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.


Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.


Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.


Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.


Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.


Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.


Artur de Távala



Dedico este texto para minha linda, Aline.

18 dezembro 2011

Etmologia de 'Evandro'

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Uma contribuição, de um amigo da internet, Prof. Mapelli Siqueira, sobre a etmologia do meu nome. Gostei.

Do grego Euandrós (homem bom) – eu (bem; benévolo, bom; felizmente; justamente, regular); andrós (do homem; viril), que veio de anēr (esposo; guerreiro; homem; indivíduo; varão).

O termo eu veio da raiz *proto-indo-europeia *su, que teve esta evolução: Su > hu > ēu > grego eu. E anērveio de *ane-er (que vive e se movimenta; etc.), que originou andrós, de *ane-de-er-o-s (daquele que comunica, respira, vive; etc.).

A raiz *ane entrou na formação do latino anima (alma, princípio vital, vida; ar, odor, sopro; habitante, indivíduo, pessoa), de *ane-mā (origem da vida; etc.).



Voltando a anēr (esposo; guerreiro; homem; indivíduo; varão), encontramos a sua aproximação com o hebraico ANWŠ Enōš (humano, mortal), nome de um neto de Adão, que poderia ser “Enōr” ou, ainda, “Anōr”, porque “š” tem permuta com “r” (ex.: grego ekklēsía e klēros: igreja e clero; querer e quis).

Enōš originou-se da raiz ANŠ Anaš (incurável, mortal) no idioma original da Terra, que chamo de Adam, que existiu do Éden até Babel. Observamos que esta raiz originou ainda o hebraico AYŠ īš (=anēr), que perdeu “-n-”; assim como o latino vir (homem), que poderia ser “wir” ou “yir” (īr = īš), perdeu “-n-”.



Voltando a andrós (do homem; viril), que tem “-n-”, vemos a sua relação com o latino mundus (limpo, puro; mundo; etc.), de *man-de-o-s ou *mon-de-o-s (da humanidade; etc.). E *man, que veio de *mā-ane (origem da vida; etc.), é o mesmo que *ane-mā, que originou o latino anima (alma, princípio vital, vida; ar, odor, sopro; habitante, indivíduo, pessoa). É bom lembrar que *man, ou *mon, se relaciona ainda com *men (mencionar, pensar, permanecer, projetar, remanescer; pequeno, isolado).

O russo mir (mundo; paz) originou-se de *mā-er (origem do movimento; etc.), que formou também *mer(cintilar, tremeluzir; flutuar; purificar; fazer mal, prejudicar, danificar, ofender, ferir, magoar, matar, perturbar, afligir, mortificar, atormentar). Tanto o russo mir quanto o latino vir (homem) perderam o “-n-” do original adâmico ANŠ Anaš(incurável, mortal).



A estranheza de acharmos que o nome de Enos, filho de Sete, significa “humano, mortal” e que *mer traz juntos “purificar” e “matar”, explica-se pela entrada do pecado (morte) no mundo.

Raízes e radicais *proto-indo-europeus: *ane (comunicar; respirar; viver); *de (advérbio; demonstrativo; preposição); *er (ir; movimentar-se, que faz movimento); *mā (bom; dia, manhã; mãe; que ocorre em bom momento); *man ou *mon (alma; homem; mão); *o (desinência do masculino); *s (desinência do nominativo); *su (bem; bom).

Vendo Notebook Dell

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Breve fotos

Vendo Notebook Dell Inspirion 1525

Valor: R$ 600 (a vista) ou 2x350 ou 3x250
(se for usar financeiras para honrar compromisso, adicional da taxa que elas cobram, normalmente entre 5 e 10% do valor)

2 anos de uso
MUITO BEM CUIDADO E CONSERVADO
Tela é nova (trocada este ano)

Configuração:
Processador Intel Core 2 Duo T5800 2Ghz 64 bits
Memória: 3 Gb DDR2
HD SATA 80 GB
2 saidas de para fone de ouvido, 1 para som digital SPDIF
Tela 15" Widescreen, tela 100% inclinável
Wi-fi, Bluetooth, HDMI, Firewire, 4 USB 2.0, S-Video, 13Q4, Rede 100/1000, fax-modem, DVD-RW, leitor de SD/MMC, MS/Pro.
Botões de atalho para Midia no teclado.
Bateria 6 células:
- Win 7, uso leve, dura ~50min.
- Win Vista, uso leve, dura ~ 1h40
- Win XP, uso leve, dura ~3h
Cor: prata interno e preto externo.

+ caixa original, certificados Dell, manual, CDs original Dell, Drivers, softwares...

Acessórios:
Originais Dell:
- Conector para saída de video RGB (verde, vermelho, azul + audio digital)
- Controle remoto para player

Analise
Hardware
Em perfeito estado. Todas as teclas estão em perfeito estado, e mouse pad também.
HD não travando, e 90% da capacidade real. Sendo que é parcionado, sendo 10Gb dedicados a Backup e restauração do sistema (padrão da Dell). Sistema de refrigeração um pouco a desejar, é preciso, como a maioria dos laptops, deixar um bom espaço inferior entre a superficie para ter uma boa ventilação. E o Windows vista, ou aplicações e execuções mais pesadas, como audio e vidoe, tendem a fazê-lo esquentar muio. Mas nunca chegou a dar pane de temperatura, ou o processador desligar.

Quanto a desempenho.
Usei o principalmente para trabalhos pesados de programação e não deixou NADA a desejar. Também usei para trabalhar arquivos pesados no AutoCad 2006 (não tive nenhum problema de velocidade no processo), no Flash CS (ótimo desempenho, porém, projetos muito grandes, chegavam a dar um pouco de lag).
Também trabalhei muito com edição de som e o video e música, como Sibelius 6 e 7 (o sibelius 7 deixava a exigir um pouco mais de desempenho, mas o 6 funcionava perfeitamente, contanto que não fosse um projeto sinfonico muuiiito pesado); com edição de ´video não tive problemas para edição abaixo de 700p. E para rodar vídeos, ele é muito bom, mesmo no HDMI a 1920x1080, processamento perfeito. A placa de video é da Intel, deixa um pouco a desejar para jogos de muita exigencia 3D. Meu uso foi mais voltado para trabalhos voltados para som, a qualidade da placa de som é muito boa, as caias de sons internas deixam um pouco a desejar, nada que uma boa externa não resolva, capacidade de 24bits em 48mhz (ajustável), e com possibilidade algumas melhorias, como suplemento nos gráficos (isso direto na placa).

Para jogos, pouco usei. Mas tive algumas experiências com Call of Duty 2, Battlefield 2, Age of Empires 3, FarCry.. bem, é só não deixar os recursos gráficos no máximo que dá para jogar de boas.

É um computador bem silencioso também, teclado, mouse, disco rigido, processador, cooler.

É praticamente um computador que vai rodar bem tudo o que você precisa, mesmo que para trabalhos. Contanto que não seja edição exorbitantes de vídeos em altissíma resolução, ou para ficar jogando de ultima geração com os gráficos no máximo. E que nunca trava. É um bom Dell, que honra o nome da marca, que certamente ainda vai durar muitos anos de boas.

Motivo de venda: Apenas para obter um produto com uma configuração mais moderna, e mais compacto. de 11 ou 12 polegadas.

27 novembro 2011

Gráfico no Excel

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As vezes é possível fazer umas brincadeiras interessantes com o Excel, até mesmo com a ferramente gráfica dele que é extremamente limitada. Mas olha o que consegui fazer:



Bem, como fiz isso:

- Criei uma função polinomial, que seria a curva em azul. Com aproximadamente 100 pontos;
- Para cada um ponto criei um ponto aleatório minimo entre 0,75 e 1 do ponto;
- Criei também um máximo, entre 1 e 1,25;
- Acrescentei duas linhas ao gráfico, um para o máximo e outra para o minimo;
- Apaguei retirei a linha e deixei apenas o marcador de ponto nestas.

Bem, como a formula do numero aletório é realculada (e retorna um número diferente, teoricamente) cada vez que é recaulculado. Se você ficar apertando ou segurando o F9, ele vai gerando pontos sempre diferentes. E ai se ficar segunrando o F9, acontece essa brincadeira.

20 novembro 2011

Empolgação

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Poucas vezes na vida senti tanta adrenalina e empolgação quanto ontem tocando no Teatro Municipal de Santo André, com o Innovare. Bem, apesar dos vários ensaios. Bem, nada como o pro valer ao vivo, num Teatro cheio cheio lotadérrimo de pessoas, com muitas em pé e sentadas nas laterais, quase q não dava para respirar! Uma situação estranha para mim, pois eu não conseguia ter um retorno do meu som se projetando, era uma sensação quase inédita para mim, ai eu tinha sempre a impressão que estava muito pp meu som, e ai mandava muito ar, acho q toquei entre f - fff o tempo todo (tenho q ouvir alguma gravação para ver como ficou). Ao mesmo tempo, não dava para sentir muito o som da massa orquestral, só o que estava mais próximo de mim.

Mas aí, teve uma música, a do "Pai Nosso", com solo de uma garota + orquestra, arranjado pelo Fernando Mathias. Bem, a música toda é muito muito serena, com uma textura muito apropriada para meditar seriamente, e bem tranquila, traz uma paz. mas para o final dela então, numa repetição do coro, os timpanos começam tomeçam a atacar num trinado crescente, culminando com uma forte entrada dos metais; nossa, aquele ponto foi um máximo! Tipo, os timpanos estavam literamente atrás de mim, eles começaram a bater e minha cadeira e meu corpo começou a vibrar. Aquilo despertou uma coisa que não sei explicar, foi uma comoção, na hora que os 4 trompetes entraram unissono, com aquele som cheio, um arpejo... eu até tremi, o q fez o bocal deslocar um tiquinho, q me fez errar o ataque da nota seguinte rs.

Bem, vamos deixar os detalhes para lá. Mas muita gente muita, gostou disso. Ora, até os funcionários do Teatro, que ouviram de tocaia as músicas, que estão acostumados a ouvir grandes apresentações, como a Orquestra Sinfonica de Santo André, quando passava por eles, me cumprimentavam, parabenizando, que ficou muito bom; se percebia, que até esses, que teoricamente são os mais calejados, foram comovidos, pelo poder da música, aquilo que aconteceu aquela noite. Acho que agora veremos os resultados, os seus efeitos, espero que sejam tão bons quanto foram ontem.



Para mim, foi algo muito parecido com o que o grande regente Bernard Haitink descreveu de uma experiência que teve:


"Sentado no café de um hotel no centro de Salzburg, com vista para o Rio Salzach, Bernard Haitink sorri com a lembrança. "Estive aqui pela primeira vez em 1947, tinha acabado de completar 18 anos. Estava animado para ver de perto um maestro de quem se falava muito, Wilhelm Furtwängler. Eu o vi regendo Fidelio, outras óperas, e... nada. Não provocou impressão nenhuma em mim. Até que durante um concerto, a 8.ª Sinfonia de Bruckner,algo aconteceu e uma eletricidade tomou conta do teatro de maneira muito forte. A apresentação era de manhã e lembro que passei toda a tarde caminhando na margem desse rio, tentando entender o que eu acabara de testemunhar. É algo de que não me esqueço até hoje."

12 novembro 2011

Música, por Platão

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Lendo "A República" de Platão, estou. Livro simplesmente incrivel, extraordináio! Que mente tinha Platão. Alguns, preconceituosos, que normalmente não leram, não conhecem a obra desse filósofo grego, logo tendem a criticar. Mas é incrivel. Tanto a arte do método platônico, de como construir e desconstruir os argumentos, como, sobretudo, suas idéias de como formar uma "Cidade" ideal, vamos assim dizer.

Bem, para desenvolver essa ideia, tudo surgiu da questão "O que é a justiça?" Sim, assim inicia o dialogo socrático. E questionando sobre o que é a Justiça, veio então a idéia que a justiça é a vontade, desejo, intenção do mais forte. Mas logo, Sócrates destruiu esse argumento, pois chegava em contradições. Até que então, no Livro II, Gláucon, lança um desafio ainda maior. Que a injustiça é mais justa por suas vantagens, para a pessoa. E o que o temor do injusto, é na verdade, ser capturado pela justiça, qual o impede de ser injusto, e assim alcançar todos os proveitos que se imaginar. É um argumento incrível, na verdade, são muitas páginas de argumento, que parece deixar Sócrates sem saída alguma. Nos lembra muito aquele salmo em que Davi lamenta, no 73, ao ver que os ímpios eram os que mais prosperavam. Mas é bem mais sólido, profundo, confesso que o argumento dele até mesmo me fez arregalar os olhos e baforar: "Nossa!".

Bem, mas ai Sócrates não busca desconstruir o argumento, mas construir o dele, de que o melhor modo é construir uma sociedade, uma cidade justa, que pense no melhor do conjunto, de todos. E assim não do individuo, não para um se dar bem e ser feliz, mas para todos fazerem uma cidade tão boa, tão ideal, tão justo, que por fim, todos, em sua medida vão compartilhar da felicidade desta. Não é uma construção pensando no individuo, mas na comunidade.

E aí, para isso, vai construindo desde o inicio, do inicio mesmo. Chegando até mesmo a ter a idéia de uma pequena comunidade, onde apenas vivem para a autosobrevivencia, semelhante a uma tribo. E além disso, então temos a ideia de uma Cidade Luxo, segundo Platão, e ai começa a desenvolver as idéias dos oficios desta cidade, e por ai vai, e o número minimo de cidadãos. Até que então chega na questão dos Guardiões (praticamente, os soldados), que é onde desenvolve seu grande foco. Bem, não vou aqui tentar fazer um resumo sobre isso. Mas nisto, Sócrates passa por diversas questões, desde a medicina, até a arte, literatura, alimentação, governo, educação. E por aí vai.

No inicio do Livro IV, Adimanto interpôs o discurso de Sócrates, dizendo que este tipo de guardião, qual Sócrates fala, é o mais infeliz dos homens, pois não pode ter nem conseguir vantagem nem prazer algum na vida, mas apenas vive com as condições minimas necessárias, apenas o que é indispensável, para viver para servir a cidade, protegê-la.

Bem, então Sócrates/Platão, solta esta pérola:

"- Na verdade, meu bom Adimanto, pode parecer que prescrições são muitas bastante pesadas; mas todas são realmente de pouca importância contanto que se observe, de acordo com o ditado, aquela única grande coisa que eu, de minha parte, não chamaria grande, mas suficiente para os nossos fins.
- E qual é ela? - perguntou.
- A educação e a criação. (...)
(...)
- Resumindo, então: este é o ponto em que deve concentrar-se acima de tudo a atenção de nossos governantes - que a música e a ginástica sejam preservadas em sua forma original, sem que haja inovações. Devem fazer o possível para mantê-las intatas e sentir medo quando alguém diz:

A todos os cantos preferem os homens
O que brota mais novo dos lábios dos cantores;

não vos perguntara acreditar os cidadãos que o poeta fale, não já de cantos novos, mas de um estilo novo de canto, e o celebrem por isso; pois não se deve celebrar tal coisa nem fazer semelhante suposição. Toda inovação musical é prenhe de perigos para a cidade inteira e faz-se mister proibi-la. Assim o assevera Damon, e eu o creio: diz ele, com efeito, que não se pode alterar os modos musicais sem alterar ao mesmo tempo as leis fundamentais do Estado.

- Inclui-me a mim também entre os convencidos - disse Adimanto.
- Portanto - continuei -, é no campo da música que nossos guardiães devem assentar os alicerces de sua fortaleza.
- Sim, pois é aí que a ilegalidade se insinua mais facilmente, sem ser percebida.
- Isso mesmo - respondi -, sob a forma de recreação, à primeira vista inofensiva.
- Nem a princípio causa dano algum - disse ele. - Mas esse espírito de licença, depois de encontrar um abrigo, vai-se introduzindo imperceptivelmente nos usos e costumes; e dali passa, já fortalecido, para os contratos entre os cidadãos, e após os contratos invade as leis e constituições, com a maior impudência, até que por fim, ó Sócrates, transforma toda a vida privada e pública.
-Será mesmo assim? - perguntei.
- É o que me parece - retrucou ele.
- De modo que, como dizíamos, nossos meninos devem ser educados desde o começo dentro de um sistema mais rigoroso, já que, se nem eles nem os seus jogos se atêm a certas normas, é impossível que, ao crescerem, se façam varões justos e operosos."

Platão, A República, Livro IV

Bem, durante o pouvo que li do livro, 1/3 aproximadamente, Platão já transcorreu muito sobre a música. É incrivel a observação dele. Isto mesmo, para uma época em que consideramos ainda como a música estando no berço. A escala pitagórica, mal tinha saído do forno e já temos isto. Algumas considerações são claramente bem questionáveis. Mas Platão liga música com a Educação. É como se A MÚSICA É O PRINCIPAL MEIO pelo qual ocorre um processo educativo. E de modo que tem um impacto incrível sobre as crianças, de modo a influenciá-las pelo resto de suas vidas. É também o principal meio, para ensiná-las sobre a religião, sobre o senso de justiça, sobre a comunidade, a cultura. E nisto, Platão critica muito Homero, pois em suas obras artísticas (poesias que eram cantadas, e assim gravadas), que falavam erroneamente sobre a divindade (em sua mitologia grega). Platão questiona o modo como os deuses eram tratados, e então Platão fala que essas alegações teologicas deles eram as MAIORES MENTIRAS EXISTENTES, a que pode CAUSAR OS MAIORES MALES a sociedade e a pessoa, em sua formação, sobretudo quando em idade mais tenra, que é a de mentir sobre a divindade; atribuir a eles idéias, estórias, fantasias, coisas ruins entre tantos outros. E que isto deveria ser totalmente combatido, eliminado da Educação.

....

Bem, o texto do Platão é bem claro, de como, a música, sutilmente vai transformando, corrompendo as pessoas, nos seus hábitos, pensamentos, costumes, e assim, também, no médio e longo prazo, tambem trazendo estes processos para a sociedade, o Estado, até mesmo as Leis e a Constituição.

E isso me fez pensar. Vamos retomar um pouco a História da Música. E podemos lembrar, como um grande marco, ao  meu ver, as valsas, a Familia Strauss, Johann Strauss (o pai da valsa). Bem, ela entrou sutilmente, e em pouco tempo, tinhamos bailes e festas a noite toda, e a burguesia dançando a madrugada inteira, nessas festas; de modo que chegou, num ponto, em que a a cidade decretou uma Lei proibindo-a (não lembro se totalmente, ou apenas a noite), pois dizendo que era um perigo, um male para a saúde das pessoas; pois as encava a ficar dançando a noite inteira. Ai depois, de destaque temos ao mesmo tempo a decadencia da música sacra, temos os sucessos das óperas de Richard Wagner; que introduziu, de certo modo, que ficou extremamente, claro no desenvolver do Romanticos, e fincou cravado no modernismo, um forte apelo a música que excita. Sim, em Malher pelo menos, temos que sentir cada vértebra e costelas do nosso corpo vibrar, a música tem quase que nos deixar em transe, incrivelmente impressionados. Ai no Modernismo, temos fortemente, a entrada do Blus, Jazz, tudo, foi indo sutilmente, e de repente, tinhamos Rock Roll, e por ai vai. O qual ninguem nega, que foi uma das maiores transformações e influencias pelo qual o mundo, sobretudo o Ocidente passou, que coincidiu com a Revolução Cultural, uma tentativa anarquista de por um cheque-mate na religião cristã, sobretudo a protestante, que fortemente predominava nesses países cristãos.

Bem, outro exemplo, podemos pensar aqui no Brasil. Sobretudo na década de 90, qual vivi. Eu pude contemplar claramente a música mudando tudo. Desde o inicio do Mamonas Assassinas que foi uma forte influencia, junto ao Axé, lembro até hoje da música, que mais marcou o inicio de uma grande mudança: "Vai descendo na boquinha da garrafa", e umas mulheres ultra-gostosas semi-nuas 'dançando'. No inicio um enorme vexame. Mas aos poucos isso foi penetrando, junto com outras coisas; sempre com a forte carga e apoio das músicas. Agora vendo melhor, NÃO EXISTIA MÚSICA, ESTILO MUSICAL para fazer oposição. Praticamente, tudo que era antigo, foi deixado para trás, censurado. Foi praticamente o que Platão queria fazer com o Homero, só que agora, no caso oposto, Homero censurou Platão. Bem, e ai hoje temos o que temos. Uma sociedade cada vez mais voltada em função das baladas, do sexualismo, da pornografia, do erotismo, da sensualidade, do dançar agarradinho, do mostrar 'o corpo'. E por ai vai, além da curtição da bebida e tals. Bem, conheço muitos, talvez a maioria dos jovens, hoje, vivem em função de beber, paquerar, balada, sexo, nos fins de semana e feriados. E a nova geração então, bem, vai ver como é a turminha hoje dos 10 - 16 anos, exatamente a mesma coisa. Bem, imagine a próxima geração. Além disso, temos visto junto a isso, a essas transformações musicais, a midia, entre tudo mais, trazendo uma idéia cada vez menos séria sobre a vida e a moral, é tudo questão de curtição. E os programas de humor negro e baixaria prosperaram na TV como mofo em um quarto umido fechado. E junto a isso, começamos a ter um forte movimento Homossexual, de modo, a que chegamos ter o absurdo de um "casamento" gay. (ou seja, a palavra casamento perdeu totalmente sua conotação original), e agora, estamos tentando até mesmo um movimento pro uso da Maconha (fortemente defendido pelos Fefeletianos da USP). E as Leis do pais vão indo nesse sentido. Vão se modificando, em primeira instancia, a permitir todas estas e coisas. E em segunda, a educar as novas gerações a 'aceitar', 'conviver', e 'viver' com isso.

Ironicamente. POuco antes, no final do livro III, Sócrates, diz que é preciso testar os guardiões, para ver se são realmente justos e tudo mais, se vivem de acordo, se não se caem em suas ambições, tentações, desejos carnais, entre tantos outros. Pois estes, os guardiões, tinham que ser plenamente infalíveis, sem uma mancha de erro, o culpa. Nós diríamos, isto é um absurdo. Mas segundo Platão, é porque a Educação feita a eles foi falha, e não como a da cidade que ele está desenvolvendo, imaginando (e para isso, esses guardiões, nunca poderiam ter tido o contato com este tipo de música). Bem. Mas ai, Platão, diz que também seria preciso testá-los num grande tipo de mentira, num grande tipo de engano. Uma mentira extremamente absurda. Mas que ninguem acreditaria. O próprio Glaucon disse isso. "Como seria possível alguem acreditar numa mentira dessas?" E no caso, era algo sobre a origem deles, que as pessoas viveram aprisionadas a juventude inteira na terra (solo, chão)... E aí, desenvolvendo a idéia, Sócrates diz que ninguem acreditaria. Mas bastava jogar a idéia, falar dela, e as vozes do povo se encarregaria de começar a espalhar ela essa mentira. Talvez ninguem acreditaria. Mas seria possível, de que a proxima geração fosse educada ouvindo essa mentira, e assim, sucessivamente, chegaria uma geração, que para elas essa mentira seria verdade, alias, teriam a plena confiança de que tal era o verdadeiro fato. E bem, segundo Platão, esta seria uma prova máxima aos guardiões, mas que não teria como fazê-lo. A menos que tais pudessem viver por várias gerações, sei lá.

E ai temos a grande ironia, de que este mesmo processo, veio ocorrendo no mundo. Através da música. Veja as transformações que a música fez na cultura e tudo mais nos últimos anos e décadas. Se há não muitas décadas atrás, tinhamos uma grande predominancia de forte poder e convicção cristã no Ocidente, e muitas leis morais, comportamentais, tradições. Bem, e ai temos, uma grande mudança, que não preciso relatar. A grande mentira, segundo Platão, que apenas sutilmente, de geração em geração, poderia ocorrer, de fato, ocorreu. Fomos pegos! Mesmo Platão nos avisando, há milênios!

Agora, mais incrivel ainda é quando pensamos na introdução do Senhor dos Anéis de Tolkien, que seria o Simarilion. A batalha música, vamos assim dizer, dos valar, com Eru. Bem, e ai temos a consideração, cristã, biblica, sobretudo de Ellen G. White, sobre como Satanás, através da música, sutilmente conseguiu se instalar nas igrejas, e causar grandes dominios e males, com sutis enganos; transformou a cultura, os modos, as tradições e tudo mais.

Bem mais irônico ainda. É que Platão, milênios atrás. Nos primódios da música, já conseguia refletir e pensar sobre a música em aspectos, que hoje, pessoas que se dizem instruidas, e de alta capacidade mental, intelectuais, e musicistas, não conseguem perceber. E acham que é tudo "bobeira". Bem, só me dizem uma coisa, "como hoje chegamos a ter esses funks, que classico como 'música pornográfica'"? E por aí vai.

É só para constatar que Platão, já havia predito, algo que mudou nosso mundo, e de certo modo, 99% das pessoas não se deram conta, e não dão a minima: "A música.": "Toda inovação musical preenche de perigos a cidade inteira."

12 outubro 2011

A Glória da Angústia e da Humilhação

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"Os ímpios zombarão de sua tristeza e ridicularizarão seus solenes apelos. Mas a angústia e a humilhação do povo de Deus é uma segura evidência de que estão reconquistando a força e a nobreza de caráter perdidos em conseqüência do pecado. É porque se estão achegando mais a Cristo, porque seus olhos estão fixos em Sua perfeita pureza, que discernem assim claramente a excessiva malignidade do pecado. Mansidão e humildade são condições de sucesso e vitória. Uma coroa de glória espera os que se dobram aos pés da cruz."

Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 590


"A magnificência do primeiro templo, e os impressionantes ritos de seus serviços religiosos, haviam sido uma fonte de orgulho para Israel antes do seu cativeiro; mas a seu culto haviam não raro faltado aquelas qualidades que Deus considera como as essenciais. A glória do primeiro templo, e o esplendor de seus serviços, não poderiam recomendá-los a Deus; pois unicamente aquilo que é de valor a Sua vista eles não ofereciam. Eles não Lhe levavam o sacrifício de um espírito contrito e humilde.

É quando os princípios vitais do reino de Deus são perdidos de vista, que as cerimônias se tornam numerosas e extravagantes. É quando a edificação do caráter é negligenciada, quando falta o adorno da alma, quando é desprezada a simplicidade da piedade, que o orgulho e o amor da ostentação reclamam magnificentes igrejas, esplêndidos adornos e imponentes cerimônias. Mas em nada disto Deus é honrado. Ele avalia a Sua igreja, não pelas vantagens externas. mas pela sincera piedade que a distingue do mundo. Ele a estima de acordo com o crescimento dos seus membros no conhecimento de Cristo, segundo o seu progresso na experiência espiritual. Ele olha para os princípios de amor e bondade. Nem toda a beleza da arte pode ser comparada a beleza da têmpera e do caráter que devem ser revelados naqueles que são representantes de Cristo.

Uma congregação pode ser a mais pobre da Terra. Pode não ter as atrações de exibição exterior; mas se os seus membros possuem os princípios do caráter de Cristo, os anjos se unirão com eles em seu culto. O louvor e ações de graças do coração agradecido ascenderão a Deus como suave oferenda.

"Louvai ao Senhor, porque Ele é bom;
Porque a Sua benegnidade dura para sempre.
Digam-no os remidos do Senhor,
Os que remiu da mão do inimigo."

"Cantai-Lhe, cantai-Lhe salmos;
Falai de todas as Suas maravilhas.
Gloriai-vos no Seu santo nome;
Alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor."

"Pois fartou a alma sedenta,
E encheu de bens a alma faminta."

Salmos 107.1 e 2; 105:2 e 3; 107:9


Ellen G. White, Profetas e Reis, "A Volta ao Exílio", p. 565 - 566

11 outubro 2011

A Didática do Simon

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A didática do Simon, não é algo que acredito estar em alguma tese ou livro, é algo que nomeio para um dos melhores professores que tive no IME-USP, o José Carlos Simon. Recentemente, há poucos meses que fui refletir um pouco sobre isso, algo que antes não havia pensando (pois já faz uns anos que tive aula com ele).

Bem, o Simon em si, não sei se ele pensou ou tem um método, uma didática, aparentemente ele improvisa tudo. Era extremamente comum, ele ir totalmente desarmado de livros, folhas para a sala de aula, apenas com a sua cabeça; perguntava para os alunos o que tinham visto na última aula, para lembrar de algo. Não seguia um livro em si, não copiava teoremas, não copiava discursos de livros didáticos. A primeira vista podia parecer a coisa mais totalmente despreparada e perdida possível. E é aí que está a questão que me intrigou: "o professor estava na mesma condição dos alunos, totalmente despreparado para a aula".

Normalmente, um professor entra já preparado para a sala de aula, ele já sabe os conteúdos, já sabe o que vai dizer, o que vai explicar, os exercícios, como resolvê-los e tudo mais. Para o professor normalmente, a aula não é muito uma investigação, um desenvolvimento, um processo de conquista; mas apenas a exposição de um troféu já conquistado, no qual, no máximo, apenas se dá um 'replay'; logo para o professor, cada passagem do processo, lhe torna, de certo modo, óbvio e 'rápido'. Mas e para o aluno? Para o aluno é tudo novidade, e as vezes para uma passagem das mais óbvias, na mente do aluno, é preciso fazer diversas associações, pensar e eliminar 100 outras possibilidades falsas.

Já o Simon, lembro da disciplina de "Laboratório de Matemática" no IME-USP. Aula antes da prova, um aluno pede para o professor passar alguns exercícios, para treinar para a prova. O professor, inventa na hora, alguns, de cabeça. No dia da prova, ninguém conseguiu resolver nenhum dos exercícios, e antes da prova, pedem para o professor resolver um dos exercícios da prova. Ele de boa vontade, foi fazer, imaginando que levariam poucos minutos. Ele pediu para alguem falar o enunciado, e ai ele começou a pensar, fazer uns rabiscos na lousa. Nesse momento, tivemos uma aula, aprendemos, vimos um conceituado matemático, como que ele 'começava a resolver, rabiscar, rascunhar' um problema, ele ia pensando, escrevia algumas letras, uns xzes e numeros, e apagava em seguida, falava coisas do tipo "haaammm", "se for ver isso..", "olha isso"... ele foi compartilhando conosco cada 'luz' que lhe vinha em mente em como resolver o problema. E a coisa foi indo, acabou a aula, e nada de prova. Na aula seguinte, a mesma coisa. Todavia, o problema envolveu muito ele e os alunos. Ele perguntava se alunos tinha alguma ideia, sugestão, pedia para algum aluno aletorialmente o que achava... a sala ocorreu como um laboratório, no qual nem os alunos, nem os professores sabiam resolver o problema, mas se uniram para desvendar o mistério.

Mais uma aula terminou, e na aula seguinte então, o professor trouxe finalmente uma solução, pois ficou pensando no fim de semana até resolver a questão. E aí, ele não 'expos' a solução para nós, não apenas escreveu as passagens e explicou. Ele não levou um papel anotado, e era uma solução que rendera umas 5 páginas no caderno. Ele partiu novamente do principio, olhando para a figura, foi novamente, mas agora investigando os problemas, tendo as idéias (como se fosse tudo novidade), mas então, um detalhe aqui ou ali, e lembrava do rumo da solução que teve, e então compartilhava conosco "como ele teve aquela 'luz', 'idéia mágica', de como sair daquele labirinto". De certo modo, o problema, o conteúdo matemático ali foi o de menos, o que mais pudemos aprender com o professor, foi como botar o cérebro para pensar; o conteúdo em si se tornou totalmente secundário. E depois desse exercício, ele já passou para algumas outras questões um tanto dificeis, como sobre Raizes de Números Complexos (a demonstração), Indução, e sempre do mesmo modo.

O ritmo ira inevitavelmente muito devagar, comparado ao que normalmente ocorre em qualquer aula. Mas o professor, sempre parava, perguntava se estávamos entendendo, e se alguém demonstrasse algum sinal de 'não', ele repetia, tentava explicar de outros modos, pensava em como tentar fazer de outro modo; mas ia indo até que todos 'capitassem'. E no fim, uma prova muito difícil, porém, todos com a cabeça 'sabendo trabalhar'. E conseguiu se resolver, de modo, que o maior problema, desafio da prova, foi o 'tempo', pois eram muitos exercícios, logo não deu para fazer todos. Pois tinha que se pensar muito em cada um.

Foi umas das melhores experiências que tive na USP, que desenvolveu uma sólida base de como 'brincar de investigar', 'como usar o pensamento matemático', 'de como tentar triturar um problema, revirá-lo de ponta cabeça, e tentar encaixar as peças de diversos modos para chegar em alguma conclusão ou resultado". Os conteúdos não se tornarão 'o fim', mas 'ferramentas', ou 'peças' a se manipular, brincar; a matemática não era mais teoremas, regras e álgebra, mas uma forma de pensar, de criar e encontrar lógicas, de ser um artista do abstrato em sua própria mente.

Claro, nos moldes da Educação de hoje, no qual há um CURTO PERÍODO de tempo, em geral, os professores, querem mostrar logo o 'carro construído', e passar rapidamente, como se fosse apenas uma leitura, de todos os livros técnicos, de como foi feito cada parte e peça do carro, e suas especificações; e assim, tudo pensando na otimização do tempo, ainda mais quando se pensa no Vestibular, 3 5 minutos para resolver uma questão; ou seja, é preciso não fazer o aluno pensar em si, mas o exercitar tanto com 'especificas ferramentas', a tornar seu uso quase que involuntário, como um extinto, pois só assim, para conseguir resolver tão rápido. Coisas do tipo, ver num exercício um circulo, e intuitivamente, já ir escrevendo na folha, a formula da area, antes mesmo de terminar de ler e enunciado.

Como seria um possível um ensino ao molde Simon? Pois tal exigiria muito tempo - muito. Todavia, por outro lado, talvez exigisse menos 'treino' (tornar instintivo) da parte dos alunos. Aliás, será que os professores estão 'capacitados' e 'preparados' para entrar numa sala de aula e ensinar um conteúdo, ou resolver um problema, sem ter se preparado/ensaiado antes? Ou seja, será que os professores estão capacitados para fazer da aula, uma sessão de compartilhação de processos criativos? Os professores estão capacitados para resolver os 'problemas pedagógicos' em sala de aula, para os quais 'não tem como ensaiar' e será preciso recorrer a criatividade? Bem, talvez seja aí que resida a diferença do professor comum para com aquele que é um artista em lecionar.

17 agosto 2011

Blog Crescendo Solidamente

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Venho aqui comemorar o forte crescimento que teve no Blog, sobretudo, em grande parte causado pela sessão de Música que teve uma explosão de acessos, no inicio era em torno de 300 acessos por mês, agora, gira em torno de 2.700. Consequencia disso, no todo, o Blog teve um crescimento em torno de 21% no número de visitas e de 55% no de páginas visitadas (pois uma visita pode ver vários posts), no último ano (365 dias).

A contabilidade atual gira em:

Nos últimos 365 dias:
Visitas: 60.699  (Md. 166,3 / dia)
Páginas exibidas: 93.422 (Md. 255,95 / dia)

Desde o inicio: 24/6/2008 (inicio do contador)
Visitas: 180.057   (Md. 156,7 / dia)
Páginas exibidas: 278.899   (Md. 242,3 / dia)


Contras
Apesar do aumento significativo, a página principal "OcioKako", que sempre cresceu e teve muitos acessos, se permaneceu bastante estavel, e caiu em torno de 15% o número de acessos nos últimos 2 meses. O que me faz preocupar por um lado, pois talvez meus post mais reflexivos não estão agradando, ou estão muito 'pesados' (não é qualquer um que consegue digerir), ou o povo que está realmente ficando mais desinterassado nisso, em pensar, e realmente, estão curtindo mais ouvir música. Tenho que pensar um pouco mais sobre isso, sobre o futuro do blog e alguns projetos encalhados, por extrema falta de tempo para algo que é muito trabalhoso fazer sozinho. Até que tentei conseguir colaboradores para algumas partes do Blog, mas estes também, muito ocupados, não puderem ajudar muito.

Também recebi algumas reclamações de sessões extremamente desatualizados, em quais não posto nada há meses, como o de Ciencia (que até pouco tempo, era de Matemática), ou o de Dinheiro. Categorizar melhor algumas sessões. Alguns reclamam que faço "pequenas criticas" a alguns autores e obras, pois deveria conhecê-los melhor e suas obras. Alguns disseram para eu moderar os comentários dos posts, pois em muitos post acaba ocorrendo "muita baixaria". Por outro lado, faz muito tempo que não recebo nenhuma critica para com a escrita; claro, os erros de digitação continuam, não é sempre que reviso os textos, e meus dedos conspiram contra meus pensamentos; talvez, os erros não estejam impedindo o entendimento, o povo está de fato menos preocupado com a gramática e sintaxe nos últimos tempos e mais com o valor semântico - o que ao meu ver, é bom.

Melhorias Futuras
Pretendo, no médio prazo mudar os layouts, arrumar muitas coisas em questão a layout e links. Também usar alguns recursos do Blogger, como de "Seguidores" que nunca usei. Há apenas um pequeno uso de seguidores por e-mail; e há 2 semanas, disponibilizei o recurso no qual a pessoa pode inscrever seu email para receber. Talvez tente criar ou colocar uma ferramenta que haja maior participação dos internautas, e também ligação com o Twitter e Facebook. E estou com uma ideia de fazer alguns tutoriais super especializados, em modo video, de aulas de exercicios fisico e de trompete, não sei ainda se faria algo gratuito, ou apenas com amostra gratuita.

Por fim, agradeço a todos os leitores deste blog e que divulgam mesmo que esporadicamente. Ainda continuo com minha promessa de sempre responder os emails e comentários, mesmo que demore. Toda sugestão e critica são bem-vindas. Também, aqueles que quiserem ajudar como calaboradores seja com a publicidade, ou a infra-estrutura, ou layout, ou revisões, ou publicações... falem comigo.

Obrigado.

15 agosto 2011

Vamos falar de realidade

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Assisti - ao meu ver perca de tempo total, claro pode converter para aproveito - a série Game of Thrones HBO. E isto lançou uma pedra. Pois aquela série, baseada num livro, reflete e muito, o pensamento secular de hoje, das massas. Caso contrário, não iria ter audiência e tanta aceitação como teve. Bem, mas o que o filme mostra além das cenas de sangue, brutalidade, selvageria, mortes, estupros, sexo e mais sexo, mulheres e homens nús, homossexuais, luxúria, ambição, amor ao dinheiro, poder...? O professor de espada da pequena garota disse a frase, que ao meu ver, resume tudo:

"Um soldado só tem um deus: a Morte.
E para esta se diz: 'Hoje não.'"

Aí está, de certa modo, é mais complexo do que dizer que os homens estão a busca da felicidade, de certo modo, acho que a maioria não está e tem consciência disso. Mas acho que a maioria tem consciencia clara de que a morte chega para todos, e pode bater a qualquer momento, e a principal reação é dizer "Hoje não." O que implica isso?

Implica que simplesmente que a vida, a filosofia de vida do homem, se corresponde simplesmente ao suspiro até a morte. E mais do que isso. De certo modo, o que é a vida? Bem, perca todos os seus bens, fique numa solitária por dias... e terá a mais profunda reflexão sobre o que é a vida. Ou além disso. perca o controle de seus braços e pernas, numa cama, ou cadeira de rodas. Perca a capacidade de falar, ou de ouvir. E faça novamente a pergunta, o que é a vida?

É algo complexo. Porque o fato é que vida não significa nada; mas insistimos em falar dela como se significasse, pois não conseguimos lidar com isso (não temos peito). "Nu viemos do ventre e nu voltaremos para lá." De forma geral, é assim como diz a Palavra: "Pois eles dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde." Salmos 37:2

A morte chega para a todos. Acho que poderíamos encontrar muita sabedoria quando meditássemos mais sobre isto. Perguntas quais, claramente nos leva a estrada da religião. Mas em geral, sabe o que acontece com a grande maioria? Inclusive os 'crentes'? São seduzidos a cultura de hoje, a este cultura, cada vez mais preponderadamente secular e antirreligiosa. Digo seduzidos porque tiveram a oportunidade de escolher. Sim tiveram esse livre-arbitrio. Caso contrário são meros escravos, sem escolha, para quais a palavra 'liberdade' não possuí significado algum.

Nos dias de hoje simplesmente a cultura do mundo não combina com religião. E quando digo religião, eu não estou me referindo a atrações de shows, musicas, acampais, sermões, palestras, antividades sociais que são feitas normalmente em igrejas e coisas do tipo. Mas me refiro a religião que a Bíblia oferece.

A cultura hoje se caracteriza por um monte de elegantes correndo para algum lugar. E aí, vai querer andar contra a correnteza, a manada? São elefantes, grandes, enormes, pesados, fedorentos, e te esmagam facilmente. Sim, por essencia, é um grande incomodo; Mas o que a Bíblia diz? Olha o exemplo de Elias, ter que fugir de seu próprio povo, e viver anos isolados, no deserto, se alimentando de um rio e alimentado com a ajuda de pombos? Onde está a emoção? Onde está a promoção? Onde está o 'aue'? Onde está aquela gritaria, a dança, as pessoas erguendo a mão com olhos fechados? Pois, resumidamente, é nisso que a maioria das denominações cristãs são hoje. É um pacote de coisas tentando proporcionar conforto, bem-estar, e uma sensação a homens vazios de que se elevarão, que segurarão com as duas mãos nos pés de Deus, e forão 'tocadas' por Ele, tornando-se pessoas incríveis! E é isso o que tem acontecido, nos shows religiosos, até mesmo na programação que ocorrem nas casas de show e entretenimentos que tradicionalmente se chama de 'Igrejas'. E aí, surgem um monte de pessoas que ficam "comparando" crentes, e igrejas em função das "experiências que sentiram". Onde é normalmente ocorrer um tipo identico de invejo que alguns tem ao ficar imaginando uma pessoa que andou a 300 km/h numa Ferrari; e agora, está se sente deprimida por "não ser tão abençoada", ou se sentindo pior, ou religiosamente, ou de algum outro modo pior, do que a outra pessoa, por não ter tido a mesma experiência do que ela teve no show do super astro cristão (com certeza, músico). E aí, normalmente, com o tempo, a inveja se torna tão forte e traz tanto desgosto que acaba trocando de religião, e aderindo a tais práticas e experiências. Até que "novas surgem", ou estas percam o sabor. E assim, se prossegue loucamente como escravos, cegos, surdos, como um zumbi ambulante sem realmente a capacidade de desenvolver um pensamento próprio sobre aquilo, e todo.

Para muitos, simplesmente, nem essas tentativas seculares das religiões são suficientes, pois é perca de tempo. Sobretudo para os jovens de hoje, pessoas, sobretudo, quando chegam a maturidade, e estão cheio de energia, virilidade, desejos e impulsos, querendo explorar tudo e etc, lá para o seus 16 - 30 anos. E aí, é a Ferrari, querendo dar 400 km/h nessa curta descida. Zumbis. E ainda se denominam ateus. Ora, não tem a minima moral para dizer isto, pois quanto tempo realmente passou refletindo meditando, estudando sobre teologia, sobre ateismo, filosofia e etc, para então escolher optar pelo ateísmo? Por favor, sem hipocrisia. Se religião não cabe na cultura de hoje. Tampouco um sincero ateu.

Não vivemos uma cultura de pensadores, de filósofos. O secularismo não permite isso. Não é uma discussão filosófica, racional. É uma questão simplesmente de seguir a manada, o instinto. É isto o que ocorre com a maioria. Todavia, todos escolherão ou negarão escolher. O mesmo ocorre com música. Hoje qualquer um se diz músico, apreciador da música, dizem que qualquer conjunto de sons é música, de modo que não se diferencia a palavra sons de música (ou seja, poderíamos ter uma palavra a menos no dicionário para descomplicar nossas vidas). Mas do mesmo modo, não é música coisa nenhuma, é apenas um "efeito manada", "seguir a maioria", "a correnteza", "as experiências", "a essas perspectivas de experimentar sensações"; mas música? Não, isto não. Opa, gostou de tal música? "Sim, adorei!" Agora propõe estudar a partitura dela, a orquestração dela, a história dela, a do grupo ou compositor, e não no sentido, qual a cor da roupa que usa, o numero do sapato, se é feio ou bonito; mas numa perspectiva filosófica, psicológica e técnica. E verás, que não sobrará nenhum. (será um homem de sorte se encontrar).

Bem, isso daria um longo papo.

Todavia a questão é bem simples.

Vivemos num mundo de zumbis caminhando para o penhasco da morte. E nada mais. E este é o efeito manada, qual tenta nos carregar juntos. (se já não estamos).

Fiquem em silêncio, não tentam se justificar. Se for sincero, pelo menos diga que é um "Zumbi" (e tem muitos que dizem), respeito isso. Mas não me venham mais com estorinhas bobinhas, de duendes, filosofias de cervejaria, criticas religiosas... para tentar justificar ou lutar contra a religião cristã.

Que eu já estou cheio dessa brincadeira que é um luxo da tamanha comodidade e tempo livre de sobra dos dias de hoje. Mas creio que logo tudo isso irá parar. E as pessoas, terão que pensar.

12 agosto 2011

Influências de Anton Bruckner

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Hoje terminei de ler a extraordinária obra "O Menestrel de Deus - Vida e Obra de Anton Bruckner" de Lauro Machado Coelho. Recomendo muito, muito, muito mesmo; sobretudo para os músicos compositores, quem se interessa sobre História da música, e questões mais filosóficas sobre esta; ou para aqueles que tem afinidade com esse genial compositor, um tanto quão desconhecido no Brasil. (diga-se de passagem, nunca ouvi falar dele até meus 22, 23 anos).

Bem, das 230 páginas deste livro bem denso de uma incrível pesquisa, com centenas de referências, e um conhecimento musical de extremo intelecto com um acervo bem abrangente, tenho dezenas e dezenas de páginas marcadas, algumas citações, verdadeiras pérolas que certamente já moldaram minha alma. Porém, por incrível que pareça, o capítulo que mais me chamou a atenção foi exatamente este último, não só por ter sido a leitura mais recente, mas porque ela mostra a influência que Bruckner deixou para a música no mundo, na posterioridade. Influências, que de certo modo, que me arrisco a dizer mais, mais profundas do que Beethoven. Pois se Beethoven nos trouxe "a sinfonia", "a expressão romântica" (como na sua 9ª), bem, Bruckner, de certo modo foi quem "cravou" a sinfonia, há recriou, lhe trouxe uma nova concepção, quase que indestrutível, trouxe-lhe uma alma poderosa; num período em que Wagner decretou sua morte.

Compartilho, alguns dos comentários dos compostiores quais foram alunos de Bruckner, ou quem este muito influenciou:

Gustav Mahler (1860 - 1911)
"Nunca fui aluno de Bruckner. A crença geral de que fui é atribuível ao fato de que eu era visto regularmente com ele, quando era estudante em Viena e era um de seus maiores admiradores. Na verdade, acho que meu amigo Krzyzanowski e eu éramos os únicos naquela época. Isso deve ter sido por volta de 1875-1881. [...] Meu envolvimento com ele durou até a época do término da Sétima Sinfonia. Ainda me lembro com prazer de uma bela manhã, durante uma aula na Universidade, em que ele me chamou na classe e, para o espanto de meus colegas, tocou para mim o tema maravilhoso do Adagio, num piano muito velho. Apesar da grande diferença de idade entre nós, a disposição invariavelmente feliz, juvenil e quase infantil de Bruckner e a sua natureza confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade verdadeira e, portanto, era natural que, à medida que eu compreendia as provações e as atribulações de sua vida, o meu desenvolvimento pessoal como homem e como artista fosse influenciado por ele. Na verdade, acho que tenho mais direito a me chamar de seu discípulo do que muitos outros, e sempre farei isso com respeito e gratidão."

Mahler foi um dos que mais propagaram a música de Bruckner, apresentou diversas obras suas. Regeu mais de uma vez a Te Deum (que a OSSA apresenta em Dezembro/12) com imenso entusiasmo; - Nas palavras de Carl Wilhelm Zinne, crítico do Neue Hamburguer Zeitung: "sempre de forma incandescente". - tanto que "fez com ele riscasse, na capa da partitura, a menção "para solistas, coro, órgão e orquestra". No lugar dela, escreveu "para as vozes dos anjos abençoados pelo Céu, os corações puros e as almas purificadas pelo fogo"." (p. 213)

Richard Wetz (1875 - 1935)
"Apenas em Beethoven, e assim mesmo muito raramente, encontrei espiritualismo sentido de forma tão profunda quanto no Adagio da Sétima Sinfonia. Ela é a mais pura forma de ventura celestial. Quantas vezes desejei mergulhar em sua imensa pureza e flutuar nessa música música como em uma ilha coberta de flores, no centro de um lago de águas claras. Se a eternidade pudesse se mover e falar, os sons que ouvirias seriam os da Sétimade Bruckner."

"A falta de substância interna dessa nova música (só o poder criativo e veril pode produzir essa substância) foi substituída por uma técnica brilhante cuja intenção é impressionar o ouvinte, distraindo-o dessa falta de essência artística. Como a harmonia, a técnica, o ritmo e a instrumentação estavam se tornando cada vez mais amaneirados e super-refinados, era inevitável que surgisse, mais cedo ou mais tarde, uma situação em que as assim chamadas obras progressistas ficassem cada vez mais parecidas umas com as outras, como duas peras em uma cesta. Não surpreende, portanto, que para criar algo original, os compositores tenham começado a atacar e até mesmo questionar os componentes básicos da música: a harmonia, o metro e a tonalidade foram declaradas obstáculos e, para transformar a sua pobreza tísica em luxuosa riqueza, os compositores inventaram o conceito de melodia supérflua. É nisso que a ideia de progresso deu, atualmente."

Einojuhani Rautavaara (1928 - vivo)
"Comecei a compreender que, fundamentalmente, não se tratava de um certo tipo de construção formal, mas de uma certa maneira de pensar a música: uma sequência de pensamentos que se metamorfoseiam lentamente, de acordo com uma lógica muito individual, e dependente do temperamento do compositor. É uma narrativa, mas a história contada não se comunica por meio de palavras  ou de conceitos, mas somente por meio de música. Essa sequência não inclui símbolos, nem romantismos, nem um rosário de notas preguiçosas para preencher a estrutura formal. Esses mesmos pontos de partida dão origem a pontos de vista novos e diferentes: a transformação lenta da luz e das cores é um traço típico. Motivos, a "personificação" de temas permanecem elementos centrais, mesmo que o ritmo, a harmonia e a cor tonal assumam uma funçaõ não temática - sem nos esquecermos da advertência de um colega mais velho: "Música sem melodia não tem talento nenhum"."

Adolf Hittler (1889 - 1945)
Cito apenas como uma intrigante curiosidade. O fato é que Hitler adorava as sinfonias de Bruckner, sobretudo a 4ª sinfonia. Claro, não foi um músico, tampouco um compositor, mas transformou Bruckner num tipo de Herói Nazista, um Símbolo do ideal de um homem austro-alemão, fez até uma estatua dele. E disse que sua música representava a Alemanhã Ressurgida, o III Reich, o ideal do alemão. E fez com que sua música fosse tocada muitas e muitas e muitas vezes na Alemanha, e suas rádios. Era muito comum a 4ª ser ouvida antes de uma reunião de gabinete e com os chefes de Estado, etc. Aliás, Hittler se indentificava com Bruckner, por também ter vindo da Alta-Austria, e por ter também seus problemas com os judeus, pois Bruckner foi sempre extremamente massacrado e criticado por um tal de Hanslick que era judeu. Mas Bruckner, pessoalmente não tinha problemas, raiva, ou inimizade com os judeus.


Compositores e suas respectivas obras que valem a pena serem ouvidas:
Com links de gravações no Youtube

Gustav Mahler (1860 - 1911)
Em geral, o modelo de Mahler está muito carregado de Bruckner. Principais características brucknerianas:

  • os traços rústicos presentes em certos scherzos;
  • as longas melodias cantabile, aparentadas ao Gesangsperiode, o tratamento bruckneriano do segundo grupo temático;
  • a predileção por ritmos de marcha ásperos e obstinados (que em Mahler assumem frequentemente o tom de marcha fúnebre);
  • e as proporções avantajadas de suas estruturas sinfônicas.
Suas sinfonias, em geral, percebemos de forma clara uma grande exploração da sonoridade da sessão dos metais, de belas melodias nas cordas; e na religiosidade cristã tardia de Mahler (que era judeu); em sua 2ª e 8ª sinfonia, lembramos de uma grande obra coral + orquestra, com uma grande energia e com apelo de caráter religioso, que nos retoma um pouco a ideia de uma influência da Te Deum.

Hans Rott (1858-1884)

Franz Schmidt (1874 - 1939)
- Sinfonias, quatro ao todo (principalmente a 4ª)
- O Livro dos Sete Selos (inspirado no texto do livro de Apocalipse)

Richard Wetz (1875 - 1935)
- Sinfonias (em especial: primeira (1ª) e terceira (3ª))
- Requiem
- Oratório de Natal

Egon Joseph Wellesz (1885 - 1974)
- Sinfonia 1 (chamada por Paul Conway de "a Décima de Bruckner")

Krzystof Penderecki (1933 - )
- Sinfonia 2 do Natal (Stille Nacht (Noite Feliz) é um tema várias vezes citado)

Rautavaara (1928 - )
- 5ª Sinfonia em diante


Curiosidade: Hans Rott foi tão criticado, por Hanslick e Bramhs, devido a sua influencia de Bruckner (que era seu professor no Conservatório). De modo que Bramhs lhe disse que não tinha talento algum para a composição e devia renunciar à música; e depois disso, Rott entrou em depressão ficando com sérios problemas mentais, morrendo poucos anos após, com apenas 26 anos. Todavia, ouça a sinfonia 1 dele. Se um garoto com seus 20 anos nas costas compos algo assim, imagina o que não teria produzido em sua maturidade; obra qual, alguns hoje comparam com uma obra de Bruckner composta em sua maturidade tardia (depois dos 40 anos). Ou seja, cuidado quando for criticar um músico-compositor, você pode literalmente acabar com sua vida. E assim, morreu alguem, que em sua juventude, compos uma obra, que alguns chamariam de uma tipica sinfonia mahleriana, que depois se tornou o maior sucesso.

Ao ouvir a Sinfonia em mi maior de Rott, eu simplesmente me vi num mundo mahleriano. Se não soubesse quem era o autor, e apenas escultasse, eu teria a plena certeza: "Isto é Mahler". É incrivel, mas o fato desse jovem, que morreu aos 26 anos, foi, sem sombra de dúvidas uma grande inspiração para o perturbado Mahler. Se percebe claramente, que há muito conteúdo nas sinfonias 1, 2 e 5 que são reminiscências muito claras desta sinfonia de Rott datada do ano de 1880. E por incrivel que pareça, apesar da sua clara influencia bruckneriana, no 4º movimento fica evidente que ele utiliza de um dos temas da Sinfonia 1 de Bramhs, soa quase que um arranjo; além de muitas influências wagnerianas (o que aparentemente, não rimava, mas causa de grande rivalismo: Wagner x Brahms). Todavia o que mais me surpreende é que esta sinfonia soa um tipo de "anúncio", "profecia" do que viria a ser a obra sinfônica de Mahler. Eu particularmente considero genial está sinfonia dele, a qual foi criticada, e injustamente, brutalmente ridicularizada, o que o provavelmente levou-o a loucura. Apesar, de achar um pouco de uso exagerado dos trompetes; há música chega há um limite, quase que soando uma fanfarra; acho que faltou maturidade dele nesse aspecto, pois quando se trabalhava com solo de metais, sobretudo trompetes e trombones é uma grande perca dos demais naipes, quase como se tivesse esquecido deles. Todavia se percebe que ele consegue explorar de modo incrível o som da trompa e do trompete; acho que até então, plenamente inovador. Vale realmente a pena conferir.

09 agosto 2011

Nova Crise - Tic-Tac

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Claramente uma nova Crise está acontecendo, talvez apenas os sintomas após o 'benegripe' perder seu efeito quando foi tomado em meio a crise de 2008.

As analises e repercussão do que ocorre está muito peculiar, ao meu ver. De inicio, a mídia simplesmente NÃO FALAVA, permanecia o assunto em oculto, algo que eu já vinha chamando a atenção há muitas semanas, em maio já fazia meus comentários com os colegas do trabalho. Mas ninguém nem aí. Agora hoje, depois da incrível 'sapencada', ASSIM COMO foi em 2008, a mídia teve que falar, e falou bastante; foi a matéria principal do Jornal da Noite da Rede Globo.

Todavia a imprensa foi muito contraditória. Houve desde 'economistas' dizendo que "o Brasil não será afetado" ou "será pouco afetado" a comentários do tipo "Crise pode deter crescimento do Brasil" (disse Mantega) - creio que os comentários deste foram os mais reais, todavia, com alguns "indicadores chutes" para dar um toque de 'acalmar as atenções', querendo comparar que o que a crise de hoje é muito fraca, apenas um pequeno tremor, comparado a de 2008.

Comentários super contraditórios foram encontrados. Houve quem disse que os bancos estão SUPER CONFORTADOS para contornar e lidar com a Crise. Um absurdo, diga-se de passagem, a palavra "Crise" já gera desconforto nos bancos. E se houvesse conforto, a situação da Europa estaria resolvida.

Bem, o mais certo e provável, é que o impacto 'a CURTO e MÉDIO' prazo desta crise não serão tão devastadores quanto eu pensei (e pensei mesmo). Todavia, a forma como tal tem sido anunciada nos canais economicos e noticiários são sempre muito desarticulados e limitados quando se pensa num contexto maior e no longo prazo. Por exemplo, não se faz a ligação disso com os problemas de revolta social crescente em todo o mundo (até na Inglaterra tem ocorrido barbaridades esta semana); além de questões de fome, falta de água, desertificação. Uma enormidade de coisas que estão acontecendo no mundo. Claro, podemos olhar para a História e tirar centenas de exemplos de situações piores pelos quais passamos (não foi o fim do mundo) e certamente hoje estamos mais preparados, pelo menos intelectual e tecnologicamente. Todavia há algumas questões únicas desta se formos pensar apenas nos últimos séculos (ou décadas, se preferir). Pois, como Eric Hobsbaw, a grande autoridade atual em História, disse, estamos na Era dos Extremos. Aliás recomendo muito ler esta entrevista para a Folha qual ele diz que o Estados Unidos perderia a superioridade, em 2007, e hoje, 4 anos depois, vemos o conceito dos EUA cair, pela primeira vez.

Isto é algo único em toda a História; pois nunca houve tanta pressão, sobre diversos aspectos. Nunca houve TANTA GENTE no mundo, e é um número crescente. É uma questão extremamente alarmante para as próximas décadas e já está num estado cronico. Há a questão também da destruição da Natureza, esgotamento dos recursos naturais, problemas da água potável, excesso de lixo, varrimento dos oceanos; e uma tendencia absurda de aumento nas commodities nas próximas décadas. A grave questão do desemprego em todo mundo; o risco de recessão e desaquecimento da economia; visto, que a grosso modo, o Capitalismo só funciona no modo 'aquecimento'; o que o salvou o mundo, em sentido econômico, da Grande Depressão da Crise 1929 foi a II Guerra Mundial. - Hitler não foi o único culpado, por uns é visto até como um salvador. - Logo, estamos sim sobre o risco de voltar para uma Grande Depressão econômica no mundo.

Mas enquanto isto a várias coisas andando juntas. O envelhecimento da população, com o aumento da pop. e da expectativa de vida; que está gerando uma grande Crise Previdenciária. Além disso temos os conflitos chamadas de Guerra Cambial, eu particularmente chamaria de Guerra Economica. É uma Guerra acontecendo, porque todo país quer vender, lógico; o Brasil, commodities, e os desenvolvidos, tecnologia e manufaturados.

Neste ponto tenho que reconhecer que o Brasil é um país muito favorecido. Talvez o que está, hoje, na posição mais confortável no mundo; devido a sua imensidão, a preservação que ainda possui de Natureza, e por ser um grande produtor de commodities, sobretudo, de alimentos; e ter grandes reservas de água e petróleo. Ou seja, teóricamente, tem a Base (em questão de recursos) para se auto-sustentar tranquilamente. E isto atraí investidores estrangeiros. Todavia, isto, como eu digo, ocorre no atual momento. Neste contexto. Pois o Brasil não é tão simples, há o próprio risco interno, devido aos seus grades problemas de corrupção, desigualdade social, concentração de riquezas; e tem suas fronteiras pessimamente 'protegidas'.

Há quem diga que Guerra é coisa do passado, coisas hoje que só ocorre com "fanáticos do mundo árabe" ou miseráveis na África. Bem, eu digo que isso não ocorre com a Europa e EUA hoje, porque a situação ainda é confortável, ainda há CREDIBILIDADE no sistema, ainda há ESPERANÇA. Repito, a nossa melhor referencia é 1929, e ela gerou uma Grande Depressão que resultou num mundo SEM CREDIBILIDADE, SEM ESPERANÇA; numa Alemanha passando fome, entre outros, o conforto passaria. Ou seja, quando isso ocorre, em geral, se tem os ingredientes para uma revolta social, politica, ou mesmo internacional. Veja na Inglaterra, hoje. País Europeu de 1º mundo, está tendo uma grande Crise Social, com revoltas com pessoas que chegaram a um ponto de dizer "Dane-se o mundo! Vou cuidar de mim mesmo." A população inglesa acredita, confia, que a Policia irá conseguir deter a revolta. É uma esperança. Mas, e se passa 2, 3 semanas, 2 meses, e nao consegue, e pelo contrário a coisa só cresce e espalha...? Ou seja, e quando começar a perder a credibilidade?

Assim é no mundo, a paz que ocorre entre o G8, G20, entre muitas cadeiras na ONU, entre o Brasil e o mundo, é porque ainda há credibilidade; há esperança, há valor, há moral. Mas estas coisas começam a sumir? Talvez se resulte numa mudança no 'tom de voz' com que os aliados do Brasil fale com este. Iraque, México, tiveram seus exemplos de grandes petroleiros; o próximo é o Brasil, e como será a relação dos EUA conosco nesse sentido?

Bem, por fim, sem querer extender mais o texto, é que a questão é: "TUDO ESTÁ SOB CONTROLE."

É isso o que tentam nos transmitir os Governos, a Mídia, inclusive nos familiares. Porque, enquanto a grande massam "ACREDITA" que "tudo está sobre controle", então, de fato, o mundo permanece num certo controle virtual. E é isso o que está acontecendo nesta Crise, estão tentando nos convencer de que TUDO ESTÁ SOB CONTROLE, pois, se acreditarmos nisso, esse caos (que irá acontecer) irá demorar mais para chegar, se consegue extender por mais tempo a degradação, diminuindo o ritmo, amenizando os impactos e problemas no curto e médio prazo. Porque a partir do momento que as pessoas (em massa) começa a acreditar que "NÃO ESTÁ SOBRE CONTROLE" tudo entra em caos.

Sabe qual é a diferença da Crise de 2008 para esta de 2011? Apenas uma. Em 2008 as pessoas acreditaram que não estava sob controle. E nesta, ainda se acredita que está. Mas eu já aviso que "controle" é uma ilusão.

O que aconteceu nos Estados Unidos, a ilusão, o fator virtual, é "acreditar" que os EUA irá nível AAA, ou seja, pode emprestar dinheiro, e fique tranquilo que ele irá pagar fielmente. Ou seja, credibilidade. Mas algo aconteceu lá, não é por menos, que foi rebaixado para AA+. Isso significa perca de credibilidade para quem era visto como supremo, praticamente sem risco; é um tremendo impacto. É dizer "que não está sob controle". A Dilma ficou revoltada com esse rebaixamento, falou que "isto não era momento de rebaixar"; ou seja, ela quis dizer, que quando se está enfrentando uma crise, não se pode fazer uma coisa dessa por mais justa que seja, porque o seu impacto é devastador. Pense nisso. Pense no que a Dilma está querendo dizer. Extrapolando, alguem que você emprestou muito dinheiro não te paga umas 'gordas' parcelas combinada, e tem vários sinais de que as coisas não está muito bem, mas aí, ele te pede ainda mais dinheiro, e você vai tratá-lo exatamente como antes, quando pagava tudo certinho e as coisas iam bem? Segundo a Dilma sim. Se formos extrapolar ainda mais, Dilma está dizendo que devemos alimentar, até mesmo, 'um Gigante Morto', contanto, que isto venha impedir uma Crise Global pior. Lembra bem na Crise de 29, quando o Governo comprava Café e queimava, para salvar os cafeicultores.

Parece ser uma questão distante, quando pensamos em dinheiro apenas como algo "virtual" para se queimar a vontade. Mas a importância da questão é quando se olha para o seu valor físico, para quando pensamos 'em pessoas', para quando pensamos em nós, nos pais, família.

Eu realmente não quero, não quero mesmo, uma crise. Acho que ninguém quer. Mas não quero também que as pessoas sejam iludidas e manipuladas grosseiramente pela mídia, como estão sendo. Creio que cada um deve refletir e tentar compreender isto. Pois é de suprema importância. Pois vivemos numa bomba relógio que pode explodir nas próximas décadas, e estes apenas são os primeiros sinais.

Sinceramente, creio que o Sistema Financeiro, sofrerá sequelas dessa crise no sentido de ser menos atrativo a investidores decepcionados; e mais receosos no futuro. Este já é um sinal de descredito.

03 agosto 2011

Crise - Tensão e Incerteza

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Incerteza, ou seja, aversão ao risco, falta de confiança no futuro. É assim que, em geral, os mercados mundiais têm se comportado este ano. Me recordo em 2009, no ano do SUPER BOOM pós-crise, no qual, sobretudo em março, uma super onda de otimismo atacou os investidores e todo mundo saiu comprando que nem doido, de modo que tal, que muitas ações dispararam mais de +100% no ano (algumas mais de 300%). E em meio a tudo aquilo, alguns economistas e analistas, como uma voz contraditória, dizia que toda aquela onda era insustentável; que a crise não tinha sido contida, ela ainda continuaria e seus principais efeitos seriam sentidas a partir de 2010, 2011.

Bem, este ano demonstrou bem claramente isto, além do desaquecimento da economia global, temos a crise do Euro, países como a Grécia, Portugal e Itália um pouco na corda bamba. Questões como a Dívida dos Países, como a dos Estados Unidos. Qual poderíamos aproveitar para pensar na do Brasil, qual o Lula fez questão de pagar a divida para com o FMI fazendo outra divida com um juros maior (apenas para usar de MARKETING politico nas eleições); e agora, aumentará a divida com obras de infra-estrutura entre outros para a Copa de 2014 e as Olimpiadas. Apostando que isto atraira muito dinheiro estrangeiro, sobretudo de Turistas. Bem, gasta todo esse dinheiro e tals, e ai, chega 2014, e a crise está mais profunda, sobretudo nos maiores turistas (Europa e EUA), e aí, recebe poucos turistas... E aí, como fica?

Abaixo uma relação dos principais indices de alguns paises, que atestam, que, em geral, este ano as coisas estão muito incertas - ao meu ver, tendendo para baixo. E que no Brasil, as coisas só não estão pior, porque se vendeu e o peixe do Pré-sal, da Copa, das Olimpiadas, do crescimento do mercado brasileiro, e sua capacidade agropecuária, e todo mundo, até agora, engoliu e tem muita esperança.

Fonte: Bloomberg

Australia

França

Alemanha

Inglaterra

Italia

Grécia

Brasil

Estados Unidos (Dow Jones)

Estados Unidos (NASDAQ)

Portugal

Russia

China


Reflitam sobre isso. E aconselho a pesquisar e refletir muito sobre aposentadoria e previdência. E tirem suas conclusões.

Coleção Completa de A História das Coisas

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Eu considero toda esta série de videos imprescindível para todos para ter uma noção um pouco melhor sobre o como as coisas são, como o mundo funciona. Claro é muito mais complexo, e falta toda uma abordagem, sobretudo histórica e antropológica, além de cultural e religiosa. Mas é muito bom, e extremamente didático.


A História das Coisas

A História dos Cosméticos

A História dos Eletrônicos

A História da Água Engarrafada

A História dos Cidadãos Unidos VS FEC (Eleições Federal dos Estados Unidos) -

A História do Comércio de Carbono